A Sustentabilidade como Caminho Conjunto








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A transformação digital, apontada por especialistas como parte da chamada Quarta Revolução Industrial, alterou a forma como empresas, veículos de comunicação e consumidores se relacionam. Em um ambiente marcado pela velocidade da informação e pela disputa constante por atenção, marcas tradicionais passaram a enfrentar o desafio de preservar relevância sem perder identidade.
A adaptação tecnológica deixou de ser apenas uma mudança de plataforma e passou a envolver linguagem, posicionamento e construção contínua de confiança. No setor de comunicação, a mudança ficou evidente na migração do consumo de notícias do impresso para o ambiente digital. O avanço da internet, da banda larga e dos smartphones modificou hábitos de consumo e acelerou transformações nas redações. O que antes dependia da circulação física dos jornais passou a ser acessado em tempo real, principalmente por meio do celular.
A mudança no comportamento do público também impactou diretamente o modelo de circulação da informação. O leitor passou a buscar atualização contínua e acesso imediato às notícias, reduzindo espaço para o ciclo tradicional do jornal impresso. Dados do setor apontam que a circulação de jornais impressos no Brasil registrou queda de 16,1% em 2022, movimento acompanhado pelo crescimento do consumo digital.

Diretor de jornalismo do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação, Laurindo Ferreira afirma que a transição foi resultado de um processo gradual de mudança de comportamento do público. “A sociedade de uma maneira geral no mundo todo estava muito apta e se preparando para consumir produtos digitais. A gente viu, claramente no mundo todo também, uma queda importante de leitura dos jornais físicos”, afirmou.
Segundo ele, a pandemia da Covid-19 representou um marco importante para consolidar essa mudança dentro do SJCC. “Foi exatamente neste período que o JC deixou de circular como jornal impresso e a gente criou toda uma estratégia de fortalecer e produzir conteúdos digitais. Ali foi uma virada importante para perceber a relevância do consumo de conteúdos digitais”, disse.

“A gente fez uma transição tecnológica, mas não teve transição nenhuma do ponto de vista dos nossos valores”, pontuou Laurindo. Ele destacou que a credibilidade da marca, que completou 107 anos recentemente, permaneceu associada aos mesmos princípios adotados antes da digitalização. “O Jornal do Commercio sempre foi um jornal de muita apuração, muito cuidado com a informação e muito zelo pela ética”, afirmou. Para o diretor, a capacidade de renovação foi determinante para a permanência da marca. “O JC tem essa capacidade de inovar e de se renovar para manter-se relevante.”
Para especialistas, a adaptação das marcas depende também da capacidade de preservar identificação com o público. Renata Victor, coordenadora do curso de Jornalismo da Universidade Católica de Pernambuco, afirma que a relação entre consumidores e marcas mudou com o avanço das plataformas digitais. “Antes, as marcas tradicionais falavam de forma mais distante. Hoje, no digital, o público participa, comenta, critica e cobra posicionamentos. As marcas precisaram aprender a dialogar de forma mais humana e próxima”, sustentou.
A transformação dos hábitos de consumo alterou a dinâmica da informação. Se antes rádio, televisão e jornal impresso concentravam a circulação de notícias em horários e formatos definidos, o ambiente digital ampliou as possibilidades de acesso.

O conteúdo passou a ser consumido em tempo real, principalmente por meio de celulares e computadores, em uma lógica marcada pela atualização constante. Segundo levantamento da consultoria Comscore, o Brasil possui uma das maiores populações digitalmente ativas no consumo de notícias online, cenário que impulsionou veículos tradicionais a ampliarem presença em plataformas digitais e adotarem novos formatos de distribuição, como newsletters, podcasts e vídeos curtos.
A expansão das redes sociais também intensificou o debate sobre credibilidade da informação. O crescimento da circulação de conteúdos sem apuração e o avanço de ferramentas de inteligência artificial passaram a impor novos desafios para empresas de comunicação e para o público, diante da dificuldade de diferenciar conteúdos verificados de materiais manipulados ou falsos. A partir desse cenário, veículos tradicionais passaram a reforçar processos de checagem e critérios editoriais como forma de manter a confiança do público em meio ao excesso de informação.
Para Bruno Rafael Gueiros, publicitário e doutor em Ciências da Linguagem, a sobrecarga de informações transformou a atenção em um ativo disputado pelas marcas. “Nesse ambiente digital, onde a informação circula em alto volume e alta frequência, a atenção se torna um bem valioso e escasso”, disse.

O especialista também aponta que relações de confiança ajudam marcas tradicionais a romper a lógica de consumo acelerado das redes sociais. “Quando uma marca consegue estabelecer uma relação de confiança com o consumidor, há uma quebra dessa lógica e o surgimento de um vínculo mais forte”, comentou.
Para Laurindo, a tecnologia alterou formatos e rotinas, mas não substituiu os elementos que sustentam a relação do público com marcas históricas. “O celular é o meio. O que a gente continua entregando é qualidade editorial e uma boa marca chamada Jornal do Commercio”, afirmou.


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