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Eleição no Peru: Sánchez à frente de Fujimori por apenas 19 mil votos

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A disputa pelo segundo turno da eleição presidencial do Peru segue acirrada, nesta terça-feira (9), com o candidato de esquerda Roberto Sánchez Palomino à frente com uma pequena margem de 19,8 mil votos da candidata de direita Keiko Fujimori. Com 95,9% das urnas apuradas, o resultado segue imprevisível.

Enquanto Sánchez marca 50,056% dos votos, Keiko está com 49,944%. A diferença entre os dois reduziu nas últimas horas, com crescimento dos votos para Fujimori.

Notícias relacionadas:

Sánchez ultrapassou numericamente Keiko no início da tarde dessa segunda-feira (8), quando o país chegou a 93,9% das urnas apuradas. 

No início da apuração, quando apenas 20% das urnas haviam sido processadas, Keiko chegou a estar 200 mil votos à frente de Sánchez, devido ao fato de as urnas de Lima, a capital, terem sido computadas primeiro.

O Jurado Nacional de Eleições (JNE), a autoridade máxima eleitoral do Peru, afirmou que os resultados definitivos devem ser divulgados apenas em “meados de julho”. Isso porque foi acrescentado ao processo de apuração um novo mecanismo obrigatório de recontagem de votos em mesas que apresentaram alguma inconsistência. 

O JNE informa que, até o momento, foram recebidas 1 mil atas “em observação”, que precisaram passar por nova contagem com a presença de observadores de partidos e fiscais.

Das mais de 92,7 mil atas da eleição peruana, cerca de 2,2 mil ainda precisam ser contabilizadas, segundo a Oficina Nacional de Processos Eleitorais (ONPE) do Peru. 

Dessas, 1,7 mil são de mesas do exterior, onde a candidata Keiko Fujimori vem apresentando vantagem. Até o meio-dia desta terça-feira, apenas 30,2% das atas do exterior tinham sido contabilizadas, dando 65,4% dos votos para Keiko e 34,5% para Sánchez.

Keiko x Sánchez

Roberto Sánchez e Keiko Fujimori disputam o mandato presidencial no Peru para o período de 2026 a 2031, de cinco anos. O vencedor será o nono presidente do país sul-americano em dez anos de crise política. Desde 2016, dois presidentes renunciaram e quatro foram destituídos pelo parlamento peruano, tido como o poder de fato no país.

Filha do ex-ditador Alberto Fujimori (1990-2000), condenado por violações de direitos humanos, o que inclui esterilização forçada de mulheres indígenas, Keiko perdeu nas últimas três eleições no 2º turno, em 2011, 2016 e 2021.

Do outro lado, está Roberto Sánchez, aliado do ex-presidente Pedro Castillo, destituído, preso e condenado por tentativa de golpe de Estado ao tentar dissolver o Parlamento. Para seus apoiadores, Castillo foi vítima de um golpe do Legislativo por representar o voto rural e indígena do país.

Psicólogo de formação, Sánchez é deputado federal pelo partido Todos pelo Peru, tendo sido ministro de Castillo. Assim que votou no domingo (7) em Lima, Sánchez foi até o presídio de Barbadillo, onde Castillo está detido, permanecendo no local até a divulgação dos primeiros resultados parciais.

Saiba mais no Repórter Brasil Tarde, da TV Brasil

Eleição no Peru: Sánchez à frente de Fujimori por apenas 19 mil votos

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A disputa pelo segundo turno da eleição presidencial do Peru segue acirrada, nesta terça-feira (9), com o candidato de esquerda Roberto Sánchez Palomino à frente com uma pequena margem de 19,8 mil votos da candidata de direita Keiko Fujimori. Com 95,9% das urnas apuradas, o resultado segue imprevisível.

Enquanto Sánchez marca 50,056% dos votos, Keiko está com 49,944%. A diferença entre os dois reduziu nas últimas horas, com crescimento dos votos para Fujimori.

Notícias relacionadas:

Sánchez ultrapassou numericamente Keiko no início da tarde dessa segunda-feira (8), quando o país chegou a 93,9% das urnas apuradas. 

No início da apuração, quando apenas 20% das urnas haviam sido processadas, Keiko chegou a estar 200 mil votos à frente de Sánchez, devido ao fato de as urnas de Lima, a capital, terem sido computadas primeiro.

O Jurado Nacional de Eleições (JNE), a autoridade máxima eleitoral do Peru, afirmou que os resultados definitivos devem ser divulgados apenas em “meados de julho”. Isso porque foi acrescentado ao processo de apuração um novo mecanismo obrigatório de recontagem de votos em mesas que apresentaram alguma inconsistência. 

O JNE informa que, até o momento, foram recebidas 1 mil atas “em observação”, que precisaram passar por nova contagem com a presença de observadores de partidos e fiscais.

Das mais de 92,7 mil atas da eleição peruana, cerca de 2,2 mil ainda precisam ser contabilizadas, segundo a Oficina Nacional de Processos Eleitorais (ONPE) do Peru. 

Dessas, 1,7 mil são de mesas do exterior, onde a candidata Keiko Fujimori vem apresentando vantagem. Até o meio-dia desta terça-feira, apenas 30,2% das atas do exterior tinham sido contabilizadas, dando 65,4% dos votos para Keiko e 34,5% para Sánchez.

Keiko x Sánchez

Roberto Sánchez e Keiko Fujimori disputam o mandato presidencial no Peru para o período de 2026 a 2031, de cinco anos. O vencedor será o nono presidente do país sul-americano em dez anos de crise política. Desde 2016, dois presidentes renunciaram e quatro foram destituídos pelo parlamento peruano, tido como o poder de fato no país.

Filha do ex-ditador Alberto Fujimori (1990-2000), condenado por violações de direitos humanos, o que inclui esterilização forçada de mulheres indígenas, Keiko perdeu nas últimas três eleições no 2º turno, em 2011, 2016 e 2021.

Do outro lado, está Roberto Sánchez, aliado do ex-presidente Pedro Castillo, destituído, preso e condenado por tentativa de golpe de Estado ao tentar dissolver o Parlamento. Para seus apoiadores, Castillo foi vítima de um golpe do Legislativo por representar o voto rural e indígena do país.

Psicólogo de formação, Sánchez é deputado federal pelo partido Todos pelo Peru, tendo sido ministro de Castillo. Assim que votou no domingo (7) em Lima, Sánchez foi até o presídio de Barbadillo, onde Castillo está detido, permanecendo no local até a divulgação dos primeiros resultados parciais.

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Senado analisa uso de fundo do pré-sal para financiar dívidas do agro

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O plenário do Senado deve analisar, nesta quarta-feira (10), o projeto de lei (PL) que destina recursos do Fundo Social do Pré-Sal para financiar dívidas de agricultores que perderam parte da safra devido a calamidades climáticas.

O governo se manifestou contrário ao parecer do relator, senador Renan Calheiros (MDB-AL), porque ele não acolheu demandas apresentadas pelo Ministério da Fazenda para modificar o texto que veio da Câmara dos Deputados.

Notícias relacionadas:

O projeto 5.122 de 2023, aprovado na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado no final de maio, ainda prevê o uso de receitas de outros fundos, como os de Financiamento do Nordeste (FNE), do Norte (FNO) e do Centro-Oeste (FCO). 

O pesquisador do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep) Iago Montalvão avalia que o PL pode prejudicar o programa Minha Casa Minha Vida, que vem sendo financiado pelo Fundo do Pré-Sal.

“O fundo vai virar, por dois anos pelo menos, um instrumento de subsídio do agronegócio. Isso inviabilizaria as demais políticas, como de habitação social. Nós não sabemos o valor que será destinado às dívidas do setor. Mas pode inviabilizar qualquer outro uso que não vá para a educação”, avalia.

Atualmente, 50% do Fundo do Pré-sal devem ir para a educação. A outra metade é dividida entre áreas como habitação social, saúde, ciência e tecnologia, cultura e esporte. 

Procurada pela reportagem para comentar o possível impacto do PL para o Minha Casa Minha Vida, o Ministério das Cidades informou que não se manifesta sobre projetos em tramitação no Parlamento.

Estima-se que Fundo do Pré-Sal tenha contribuído com cerca de R$ 35 bilhões para o Minha Casa Minha Vida entre 2025 e 2026, permitindo aumentar a meta do programa, na atual gestão, para 3 milhões de residências até o final de 2026. 

Limite será definido pelo Executivo

O texto que chegou da Câmara dos Deputados previa entre R$ 30 bilhões e R$ 100 bilhões para financiar dívidas de agricultores. Porém, o senador Renan Calheiros transferiu, para o Poder Executivo, a definição do limite de gastos com o refinanciamento do agro.

O economista Iago Montalvão considera que o governo será pressionado a destinar um valor alto para refinanciar essas dívidas.

“O Fundo Social, em última instância, virou uma forma de apagar incêndios. Quando há uma calamidade e é preciso recurso rápido, se usa o Fundo. Isso fez com que ele virasse também objeto de disputa. O setor do agronegócio viu uma possibilidade de disputar um recurso fora desse âmbito do ajuste fiscal”, completou.

A Agência Brasil procurou a assessoria do relator Renan Calheiros, mas não obteve retorno até o fechamento desta reportagem. 

Fundo Social do Pré-sal

Criado em 2010 para financiar políticas de caráter permanente com recursos do pré-sal, que é uma riqueza finita, o fundo vem sofrendo alterações ao longo dos anos, com a inclusão de novas atribuições.

Em 2025, uma medida provisória (MP) do governo federal, transformada em lei posteriormente pelo Parlamento, incluiu o financiamento de políticas de habitação social e de mitigação das mudanças climáticas, servindo também como fonte de recursos para a reconstrução do Rio Grande do Sul (RS) após as enchentes de maio de 2024.  

Debate no Senado

O projeto de lei, pautado para votação no plenário nesta quarta-feira, pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), foi criticado pelo governo, que gostaria de ter algumas demandas atendidas, conforme explicou, no dia da votação na CAE, o líder do governo no Senado, Jacques Wagner (PT-BA).

“Não chegamos a um denominador comum e o relatório, evidente que absorve algumas coisas, mas ainda tem contradições com o Ministério da Fazenda. Minha pretensão é que a gente pudesse, efetivamente, voltar à mesa de negociação”, disse a liderança governista. 

O relator Renan Calheiros comentou que acolheu diversas demandas do Ministério da Fazenda, mas que não atendeu todos os pedidos porque, segundo ele, inviabilizaria o socorro aos produtores rurais.

“[Entre as sugestões do governo, acolhemos] a retirada de limites globais fixos anteriormente propostos e a adoção do critério de enquadramento baseado na ocorrência de duas perdas de 30% [da plantação] em duas safras”, disse Renan.

Por outro lado, o relator não acatou a sugestão do ministério de reduzir os limites para os produtores se enquadrarem no programa, além de não acatar o pedido para aumentar a taxa de juros do refinanciamento para 12%. O PL fixa os juros entre 3,5% e 7,5%. Procurado, o Ministério da Fazenda não quis se pronunciar.

Os financiamentos previstos no projeto têm como limite o valor de R$ 10 milhões por beneficiário e R$ 50 milhões por associação ou cooperativa de produtores, com prazo de pagamento de dez anos, além de três anos de carência.

Ruralistas comemoram

A aprovação do PL na CAE foi comemorada pelas principais lideranças da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA), que compareceram à votação.

“Nós não engessamos [o limite de financiamento] - não é R$ 30 bilhões, não é R$ 50 bilhões, não é R$ 100 bilhões -, porque os fundos são coisas que vão começar do zero, e pode ter mais ou menos dinheiro, pode ter outros fundos. Não é a proposta dos nossos sonhos, mas é a proposta possível”, avaliou a senadora Tereza Cristina (PP-MS), vice-presidente da FPA.

TCU

Em acórdão publicado em maio de 2023, o Tribunal de Contas da União (TCU) havia identificado “o esvaziamento financeiro e o desvirtuamento dos objetivos de criação do Fundo Social, bem como a ausência de estruturas para sua governança”.

“Dos R$ 146 bilhões arrecadados, restavam em 2022 apenas R$ 20 bilhões, sendo que somente para pagamento de dívida pública, no período de 2021 e 2022, foram gastos R$ 64 bilhões”, informou o ministro do TCU Antonio Anastasia

A lei aprovada em 2025 buscou resolver os problemas apontados pelo TCU, segundo o economista Iago Montalvão. Para ele, houve um desvirtuamento do fundo, no governo anterior, para pagar a dívida pública.

“O Fundo Social do Pré-sal foi criado partindo da visão de que o Brasil precisa utilizar riquezas finitas, como o petróleo, para investir em áreas cujos resultados sejam permanentes”, comentou.

Montalvão ressaltou que ainda persistem, no fundo, problemas de transparência que tornam difícil para a sociedade acompanhar o uso desses recursos.

“Hoje, a gente consegue ver a receita dos royalties, da participação especial, que vai para o Fundo Social. Mas você não tem o dado consolidado, por exemplo, de qual é o patrimônio hoje do fundo. Você não consegue encontrar isso”, lamenta.

O TCU estimou que, entre 2023 e 2032, o Fundo do Pré-Sal arrecade um montante de quase R$ 1 trilhão, mais especificamente R$ 968 bilhões.

Senado analisa uso de fundo do pré-sal para financiar dívidas do agro

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O plenário do Senado deve analisar, nesta quarta-feira (10), o projeto de lei (PL) que destina recursos do Fundo Social do Pré-Sal para financiar dívidas de agricultores que perderam parte da safra devido a calamidades climáticas.

O governo se manifestou contrário ao parecer do relator, senador Renan Calheiros (MDB-AL), porque ele não acolheu demandas apresentadas pelo Ministério da Fazenda para modificar o texto que veio da Câmara dos Deputados.

Notícias relacionadas:

O projeto 5.122 de 2023, aprovado na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado no final de maio, ainda prevê o uso de receitas de outros fundos, como os de Financiamento do Nordeste (FNE), do Norte (FNO) e do Centro-Oeste (FCO). 

O pesquisador do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep) Iago Montalvão avalia que o PL pode prejudicar o programa Minha Casa Minha Vida, que vem sendo financiado pelo Fundo do Pré-Sal.

“O fundo vai virar, por dois anos pelo menos, um instrumento de subsídio do agronegócio. Isso inviabilizaria as demais políticas, como de habitação social. Nós não sabemos o valor que será destinado às dívidas do setor. Mas pode inviabilizar qualquer outro uso que não vá para a educação”, avalia.

Atualmente, 50% do Fundo do Pré-sal devem ir para a educação. A outra metade é dividida entre áreas como habitação social, saúde, ciência e tecnologia, cultura e esporte. 

Procurada pela reportagem para comentar o possível impacto do PL para o Minha Casa Minha Vida, o Ministério das Cidades informou que não se manifesta sobre projetos em tramitação no Parlamento.

Estima-se que Fundo do Pré-Sal tenha contribuído com cerca de R$ 35 bilhões para o Minha Casa Minha Vida entre 2025 e 2026, permitindo aumentar a meta do programa, na atual gestão, para 3 milhões de residências até o final de 2026. 

Limite será definido pelo Executivo

O texto que chegou da Câmara dos Deputados previa entre R$ 30 bilhões e R$ 100 bilhões para financiar dívidas de agricultores. Porém, o senador Renan Calheiros transferiu, para o Poder Executivo, a definição do limite de gastos com o refinanciamento do agro.

O economista Iago Montalvão considera que o governo será pressionado a destinar um valor alto para refinanciar essas dívidas.

“O Fundo Social, em última instância, virou uma forma de apagar incêndios. Quando há uma calamidade e é preciso recurso rápido, se usa o Fundo. Isso fez com que ele virasse também objeto de disputa. O setor do agronegócio viu uma possibilidade de disputar um recurso fora desse âmbito do ajuste fiscal”, completou.

A Agência Brasil procurou a assessoria do relator Renan Calheiros, mas não obteve retorno até o fechamento desta reportagem. 

Fundo Social do Pré-sal

Criado em 2010 para financiar políticas de caráter permanente com recursos do pré-sal, que é uma riqueza finita, o fundo vem sofrendo alterações ao longo dos anos, com a inclusão de novas atribuições.

Em 2025, uma medida provisória (MP) do governo federal, transformada em lei posteriormente pelo Parlamento, incluiu o financiamento de políticas de habitação social e de mitigação das mudanças climáticas, servindo também como fonte de recursos para a reconstrução do Rio Grande do Sul (RS) após as enchentes de maio de 2024.  

Debate no Senado

O projeto de lei, pautado para votação no plenário nesta quarta-feira, pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), foi criticado pelo governo, que gostaria de ter algumas demandas atendidas, conforme explicou, no dia da votação na CAE, o líder do governo no Senado, Jacques Wagner (PT-BA).

“Não chegamos a um denominador comum e o relatório, evidente que absorve algumas coisas, mas ainda tem contradições com o Ministério da Fazenda. Minha pretensão é que a gente pudesse, efetivamente, voltar à mesa de negociação”, disse a liderança governista. 

O relator Renan Calheiros comentou que acolheu diversas demandas do Ministério da Fazenda, mas que não atendeu todos os pedidos porque, segundo ele, inviabilizaria o socorro aos produtores rurais.

“[Entre as sugestões do governo, acolhemos] a retirada de limites globais fixos anteriormente propostos e a adoção do critério de enquadramento baseado na ocorrência de duas perdas de 30% [da plantação] em duas safras”, disse Renan.

Por outro lado, o relator não acatou a sugestão do ministério de reduzir os limites para os produtores se enquadrarem no programa, além de não acatar o pedido para aumentar a taxa de juros do refinanciamento para 12%. O PL fixa os juros entre 3,5% e 7,5%. Procurado, o Ministério da Fazenda não quis se pronunciar.

Os financiamentos previstos no projeto têm como limite o valor de R$ 10 milhões por beneficiário e R$ 50 milhões por associação ou cooperativa de produtores, com prazo de pagamento de dez anos, além de três anos de carência.

Ruralistas comemoram

A aprovação do PL na CAE foi comemorada pelas principais lideranças da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA), que compareceram à votação.

“Nós não engessamos [o limite de financiamento] - não é R$ 30 bilhões, não é R$ 50 bilhões, não é R$ 100 bilhões -, porque os fundos são coisas que vão começar do zero, e pode ter mais ou menos dinheiro, pode ter outros fundos. Não é a proposta dos nossos sonhos, mas é a proposta possível”, avaliou a senadora Tereza Cristina (PP-MS), vice-presidente da FPA.

TCU

Em acórdão publicado em maio de 2023, o Tribunal de Contas da União (TCU) havia identificado “o esvaziamento financeiro e o desvirtuamento dos objetivos de criação do Fundo Social, bem como a ausência de estruturas para sua governança”.

“Dos R$ 146 bilhões arrecadados, restavam em 2022 apenas R$ 20 bilhões, sendo que somente para pagamento de dívida pública, no período de 2021 e 2022, foram gastos R$ 64 bilhões”, informou o ministro do TCU Antonio Anastasia

A lei aprovada em 2025 buscou resolver os problemas apontados pelo TCU, segundo o economista Iago Montalvão. Para ele, houve um desvirtuamento do fundo, no governo anterior, para pagar a dívida pública.

“O Fundo Social do Pré-sal foi criado partindo da visão de que o Brasil precisa utilizar riquezas finitas, como o petróleo, para investir em áreas cujos resultados sejam permanentes”, comentou.

Montalvão ressaltou que ainda persistem, no fundo, problemas de transparência que tornam difícil para a sociedade acompanhar o uso desses recursos.

“Hoje, a gente consegue ver a receita dos royalties, da participação especial, que vai para o Fundo Social. Mas você não tem o dado consolidado, por exemplo, de qual é o patrimônio hoje do fundo. Você não consegue encontrar isso”, lamenta.

O TCU estimou que, entre 2023 e 2032, o Fundo do Pré-Sal arrecade um montante de quase R$ 1 trilhão, mais especificamente R$ 968 bilhões.

Eleições no Peru: Sanchéz supera Fujimori com 93,9% das urnas apuradas

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Em uma apuração acirrada pela presidência do Peru, o esquerdista Roberto Sanchéz Palomino superou numericamente a direitista Keiko Fujimori com 93,9% das urnas apuradas. O resultado parcial está 50,008% para Sánchez, contra 49,992% para Keiko. Sánchez começou a apuração atrás da adversária e veio reduzindo a vantagem pouco a pouco até superar a candidata da direita peruana. Sanchéz contabiliza 8.790.560 votos contra 8.787.618 de Keiko. 

O resultado segue indefinido uma vez que Sanchéz têm apenas 4,9 mil mil votos a frente de Fujimori em um universo de 27 milhões de eleitores aptos a votar. Das 92 mil urnas existentes, ainda faltam apurar cerca de 4,6 mil, segundo a Oficina Nacional de Processos Eleitorais (ONPE) do Peru. 

Notícias relacionadas:

O professor de pós-graduação de Integração da América Latina da Universidade de São Paulo (USP), Gustavo Menon, destacou à Agência Brasil que o resultado segue incerto porque as atas que mais faltam apurar são do exterior, que tende a ser mais pró-Fujimori, e da região serrana do país, onde Sánchez é favorito. 

“Faltam-se processar as atas vinculadas mais à região serrana, na região dos Andes, onde Roberto Sanchéz tem uma larga vantagem em termos de votação, especialmente nessa região da Serra Sul peruana”, disse. 

Disputa geopolítica 

Para o especialista em política latino-americana, o resultado no Peru é fundamental na correlação de forças na América do Sul. Isso porque, a vitória de Keiko representaria uma aproximação mais estreita do país com o governo de Donald Trump, nos Estados Unidos, 

“Inclusive, ela já se colocou à disposição dos EUA para fortalecer as políticas de combate aos crimes transnacionais e classificar os grupos peruanos como grupos terroristas. O Peru passa por essas disputas geopolíticas em torno dos seus recursos, pleiteados pelos EUA, e como um país do Pacífico que cada vez mais se conectou com investimentos chineses”, avaliou Menon. 

Keiko vs Sanchéz 

Roberto Sanchéz e Keiko Fujimori disputam o mandato presidencial no Peru para o período de 2026 a 2031, de cinco anos. O vencedor será o nono presidente do país sul-americano em dez anos de crise política. Desde 2016, dois presidentes renunciaram e quatro foram destituídos pelo parlamento peruano, tido como o poder de fato no país. 

Filha do ex-ditador Alberto Fujimori (1990-2000), condenado por violações de direitos humanos, o que inclui esterilização forçada de mulheres indígenas, Keiko perdeu nas últimas três eleições no 2º turno, em 2011, 2016 e 2021. 

Do outro lado, está Roberto Sánchez, aliado do ex-presidente Pedro Castillo, destituído, preso e condenado por tentativa de golpe de Estado ao tentar dissolver o Parlamento. Para seus apoiadores, Castillo foi vítima de um golpe do Legislativo por representar o voto rural e indígena do país. 

Psicólogo de formação, Sanchéz é deputado federal pelo partido Todos pelo Peru, tendo sido ministro de Castillo. Assim que votou ontem (7) em Lima, Sanchéz foi até o presídio de Barbadillo, onde Castillo está detido, permanecendo no local até a divulgação dos primeiros resultados parciais. 

Moderação do discurso 

Ao terminar o primeiro turno com 12% dos votos, contra 17% de Keiko, Sanchéz moderou o discurso e apresentou um ajuste na sua plataforma eleitoral para incorporar propostas de legendas que passaram a lhe prestar apoio. 

Nesse contexto, ele renunciou à proposta de nacionalizar empresas de setores estratégicos da economia. Ao mesmo tempo, manteve a promessa de convocar uma Assembleia Constituinte para redigir nova Constituição, uma vez que a atual é herança do período fujimorista. 

Por outro lado, Sanchéz manteve parte do programa original, em especial a proposta de reforma trabalhista para ampliar direitos e formalizar trabalhadores hoje informais. 

Eleições no Peru: Sanchéz supera Fujimori com 93,9% das urnas apuradas

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Em uma apuração acirrada pela presidência do Peru, o esquerdista Roberto Sanchéz Palomino superou numericamente a direitista Keiko Fujimori com 93,9% das urnas apuradas. O resultado parcial está 50,008% para Sánchez, contra 49,992% para Keiko. Sánchez começou a apuração atrás da adversária e veio reduzindo a vantagem pouco a pouco até superar a candidata da direita peruana. Sanchéz contabiliza 8.790.560 votos contra 8.787.618 de Keiko. 

O resultado segue indefinido uma vez que Sanchéz têm apenas 4,9 mil mil votos a frente de Fujimori em um universo de 27 milhões de eleitores aptos a votar. Das 92 mil urnas existentes, ainda faltam apurar cerca de 4,6 mil, segundo a Oficina Nacional de Processos Eleitorais (ONPE) do Peru. 

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O professor de pós-graduação de Integração da América Latina da Universidade de São Paulo (USP), Gustavo Menon, destacou à Agência Brasil que o resultado segue incerto porque as atas que mais faltam apurar são do exterior, que tende a ser mais pró-Fujimori, e da região serrana do país, onde Sánchez é favorito. 

“Faltam-se processar as atas vinculadas mais à região serrana, na região dos Andes, onde Roberto Sanchéz tem uma larga vantagem em termos de votação, especialmente nessa região da Serra Sul peruana”, disse. 

Disputa geopolítica 

Para o especialista em política latino-americana, o resultado no Peru é fundamental na correlação de forças na América do Sul. Isso porque, a vitória de Keiko representaria uma aproximação mais estreita do país com o governo de Donald Trump, nos Estados Unidos, 

“Inclusive, ela já se colocou à disposição dos EUA para fortalecer as políticas de combate aos crimes transnacionais e classificar os grupos peruanos como grupos terroristas. O Peru passa por essas disputas geopolíticas em torno dos seus recursos, pleiteados pelos EUA, e como um país do Pacífico que cada vez mais se conectou com investimentos chineses”, avaliou Menon. 

Keiko vs Sanchéz 

Roberto Sanchéz e Keiko Fujimori disputam o mandato presidencial no Peru para o período de 2026 a 2031, de cinco anos. O vencedor será o nono presidente do país sul-americano em dez anos de crise política. Desde 2016, dois presidentes renunciaram e quatro foram destituídos pelo parlamento peruano, tido como o poder de fato no país. 

Filha do ex-ditador Alberto Fujimori (1990-2000), condenado por violações de direitos humanos, o que inclui esterilização forçada de mulheres indígenas, Keiko perdeu nas últimas três eleições no 2º turno, em 2011, 2016 e 2021. 

Do outro lado, está Roberto Sánchez, aliado do ex-presidente Pedro Castillo, destituído, preso e condenado por tentativa de golpe de Estado ao tentar dissolver o Parlamento. Para seus apoiadores, Castillo foi vítima de um golpe do Legislativo por representar o voto rural e indígena do país. 

Psicólogo de formação, Sanchéz é deputado federal pelo partido Todos pelo Peru, tendo sido ministro de Castillo. Assim que votou ontem (7) em Lima, Sanchéz foi até o presídio de Barbadillo, onde Castillo está detido, permanecendo no local até a divulgação dos primeiros resultados parciais. 

Moderação do discurso 

Ao terminar o primeiro turno com 12% dos votos, contra 17% de Keiko, Sanchéz moderou o discurso e apresentou um ajuste na sua plataforma eleitoral para incorporar propostas de legendas que passaram a lhe prestar apoio. 

Nesse contexto, ele renunciou à proposta de nacionalizar empresas de setores estratégicos da economia. Ao mesmo tempo, manteve a promessa de convocar uma Assembleia Constituinte para redigir nova Constituição, uma vez que a atual é herança do período fujimorista. 

Por outro lado, Sanchéz manteve parte do programa original, em especial a proposta de reforma trabalhista para ampliar direitos e formalizar trabalhadores hoje informais. 

Brasil quer convencer EUA de que acordo seria melhor que taxar em 25%

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O governo brasileiro está buscando um acordo tarifário com os Estados Unidos (EUA) que seja capaz de evitar que a Casa Branca adote a recomendação do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), que sugeriu a imposição de tarifa adicional de 25% sobre parte das importações oriundas do Brasil.

O governo avalia que é possível, apesar de difícil, chegar a um acordo tarifário que seja mais vantajoso, para ambos os países, do que a sobretaxa de 25% sugerida pelo USTR. Isso porque, entre outros motivos, os EUA têm superávit comercial com o Brasil.

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A recomendação da USTR, tornada pública na última semana, é resultado de uma investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA. O argumento usado é que o Brasil teria práticas “desleais” nas relações comerciais, o que incluiu ataques contra o Pix para favorecer empresas de pagamento estadunidenses.

O Brasil rebateu que os argumentos não são legítimos e que a decisão parte de uma tentativa de ingerência em assuntos internos, além de expressar o protecionismo comercial unilateral de Washington.

O governo vem questionando as tarifas adicionais dos EUA com o argumento de que a tarifa média aplicada pelo Brasil sobre as importações dos EUA é de 2,7%, o que não justificaria o argumento de que as empresas norte-americanas seriam prejudicadas no acesso ao mercado brasileiro.

Novo prazo

O Brasil agora trabalha com o prazo de 15 de julho para fechar um acordo tarifário. Essa foi a data fixada pela USTR para uma definição sobre o tema. Tal prazo ainda poderia, em tese, ser prorrogado.

Com isso, os negociadores brasileiros esperam ter mais tempo para um acordo, uma vez que o prazo inicial estipulado após a reunião entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, em Washington, no mês passado, foi de 30 dias que terminam neste domingo (7).

Dificuldades das negociações

Entre as dificuldades da negociação, está o fato de os EUA estarem envolvidos em várias outras negociações tarifárias ao redor do mundo, além do conflito bélico que lidera no Oriente Médio contra o Irã.

Enquanto isso, o governo brasileiro avalia a conveniência de um novo encontro de Trump e Lula. Existe a possibilidade de os dois se encontrarem no G7, na França, entre os dias 15 a 17 de junho. Porém, não há ainda confirmação de um encontro bilateral.

Outra dificuldade para negociar com os EUA é que os norte-americanos costumam ter demandas muito amplas, o que abarcaria diversas reinvindicações em diferentes áreas.

Porém, por enquanto, o Brasil busca um acordo especificamente sobre questões tarifárias e comerciais, sem outras pautas que poderiam interessar os norte-americanos, como terras raras. Ao mesmo tempo, o governo afirma que o Pix não entra em qualquer negociação com Washington.

A tarifa de 12,5%

Por outro lado, a taxação adicional de 10% ou 12,5% imposta a 60 países sob o argumento de que essas nações não combateriam, de forma eficiente, o trabalho análogo à escravidão é vista pelo governo brasileira como feita para não ser negociada.

Como é uma taxação imposta a boa parte do planeta, ela teria mais o objetivo de recompor, sob novas bases legais e argumentativas, o tarifaço anterior derrubado pela Suprema Corte de Justiça dos EUA.

A nova taxa afeta, além do Brasil, os aliados históricos de Washington, como Japão, União Europeia, Canadá e Índia, além da Argentina, presidida por Javier Milei, que tem se posicionado sempre ao lado de Donald Trump nas questões internacionais.

Brasil quer convencer EUA de que acordo seria melhor que taxar em 25%

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O governo brasileiro está buscando um acordo tarifário com os Estados Unidos (EUA) que seja capaz de evitar que a Casa Branca adote a recomendação do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), que sugeriu a imposição de tarifa adicional de 25% sobre parte das importações oriundas do Brasil.

O governo avalia que é possível, apesar de difícil, chegar a um acordo tarifário que seja mais vantajoso, para ambos os países, do que a sobretaxa de 25% sugerida pelo USTR. Isso porque, entre outros motivos, os EUA têm superávit comercial com o Brasil.

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A recomendação da USTR, tornada pública na última semana, é resultado de uma investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA. O argumento usado é que o Brasil teria práticas “desleais” nas relações comerciais, o que incluiu ataques contra o Pix para favorecer empresas de pagamento estadunidenses.

O Brasil rebateu que os argumentos não são legítimos e que a decisão parte de uma tentativa de ingerência em assuntos internos, além de expressar o protecionismo comercial unilateral de Washington.

O governo vem questionando as tarifas adicionais dos EUA com o argumento de que a tarifa média aplicada pelo Brasil sobre as importações dos EUA é de 2,7%, o que não justificaria o argumento de que as empresas norte-americanas seriam prejudicadas no acesso ao mercado brasileiro.

Novo prazo

O Brasil agora trabalha com o prazo de 15 de julho para fechar um acordo tarifário. Essa foi a data fixada pela USTR para uma definição sobre o tema. Tal prazo ainda poderia, em tese, ser prorrogado.

Com isso, os negociadores brasileiros esperam ter mais tempo para um acordo, uma vez que o prazo inicial estipulado após a reunião entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, em Washington, no mês passado, foi de 30 dias que terminam neste domingo (7).

Dificuldades das negociações

Entre as dificuldades da negociação, está o fato de os EUA estarem envolvidos em várias outras negociações tarifárias ao redor do mundo, além do conflito bélico que lidera no Oriente Médio contra o Irã.

Enquanto isso, o governo brasileiro avalia a conveniência de um novo encontro de Trump e Lula. Existe a possibilidade de os dois se encontrarem no G7, na França, entre os dias 15 a 17 de junho. Porém, não há ainda confirmação de um encontro bilateral.

Outra dificuldade para negociar com os EUA é que os norte-americanos costumam ter demandas muito amplas, o que abarcaria diversas reinvindicações em diferentes áreas.

Porém, por enquanto, o Brasil busca um acordo especificamente sobre questões tarifárias e comerciais, sem outras pautas que poderiam interessar os norte-americanos, como terras raras. Ao mesmo tempo, o governo afirma que o Pix não entra em qualquer negociação com Washington.

A tarifa de 12,5%

Por outro lado, a taxação adicional de 10% ou 12,5% imposta a 60 países sob o argumento de que essas nações não combateriam, de forma eficiente, o trabalho análogo à escravidão é vista pelo governo brasileira como feita para não ser negociada.

Como é uma taxação imposta a boa parte do planeta, ela teria mais o objetivo de recompor, sob novas bases legais e argumentativas, o tarifaço anterior derrubado pela Suprema Corte de Justiça dos EUA.

A nova taxa afeta, além do Brasil, os aliados históricos de Washington, como Japão, União Europeia, Canadá e Índia, além da Argentina, presidida por Javier Milei, que tem se posicionado sempre ao lado de Donald Trump nas questões internacionais.

Peru elege neste domingo 9º presidente em dez anos de crise política

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Os cerca de 27 milhões de eleitores do Peru vão às urnas neste domingo (7) para eleger o nono presidente em dez anos de crise política. Desde 2016, dois presidentes renunciaram e seis foram destituídos pelo poderoso parlamento peruano, tido como o poder de fato no país vizinho.

Neste domingo, enfrentam-se no 2º turno a direitista Keiko Fujimori, que teve 17,1% dos votos no 1º turno, e o esquerdista Roberto Sánchez Palomino, que fechou a primeira votação com 12,0% dos votos.

Notícias relacionadas:

Apesar da vantagem no primeiro turno da filha do ex-ditador do Peru Alberto Fujimori (1990-2000), analistas apontam para um cenário de incerteza no resultado da eleição presidencial.

O antropólogo Salvador Schavelzon, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), ressaltou à Agência Brasil que a presença da Fujimori cria uma polarização na eleição peruana.

“Essa polarização natural tem a ver com as últimas décadas e é possível que novos votos anti-Fujimori apareçam. Sanchéz tem conseguido representar o legado do anti-fujimorismo que é uma força política que eu acredito que é majoritária”, comentou.

Ao mesmo tempo que herda os votos do pai Alberto Fujimori, condenado por violações de direitos humanos - o que inclui esterilização forçada de mulheres indígenas - Keiko também herda a rejeição ao antigo presidente.

Já o deputado Roberto Sánchez, aliado do ex-presidente Pedro Castillo, de quem foi ministro, tem prometido uma reforma constitucional para enterrar a Carta Magna herdada do fujimorismo, além de defender reformas sociais para ampliação de direitos.

“Ele pegou o chapéu do Castillo [símbolo ligado aos setores rurais do país]. Também representa o voto do interior que é mais difícil de medir nas pesquisas”, completou.

O ex-presidente Pedro Castillo venceu a eleição de 2021 contra a Keiko Fujimori, mas acabou destituído, preso e condenado por tentativa de golpe de Estado ao tentar dissolver o Parlamento. Para seus apoiadores, Castillo foi vítima do poderoso parlamento peruano por representar o voto da população rural e indígena do país.

Geopolítica do Peru

A eleição deste domingo no Peru é mais uma a influenciar a correlação de forças no continente, que tem pendido para um alinhamento mais estreito com os Estados Unidos (EUA), como visto em Equador, Bolívia, Argentina e Chile.

O especialista em política na América Latina Salvador Schavelzon avalia que a vitória de Fujimori deve resultar nesse alinhamento mais estreito não só com os Estados Unidos de Donald Trump, mas também com toda extrema-direita do continente.

Por outro lado, Schavelzon pondera que a vitória de Sanchéz não deve representar uma ruptura com Washington ou com os governos de direita da região devido, entre outros motivos, a fragilidade dos governos progressistas e nacionalistas na América do Sul, ainda incapazes de criar um polo “anti-imperialista” na região.

“Ele vem de uma prática política mais pragmática. O interesse dele, caso ganhe, vai ser se consolidar, o que vai ser difícil por ter muita oposição no Congresso, que já vãi tentar desestabilizá-lo. Acho que ele não vai ter como prioridade buscar uma posição geopolítica diferente porque nem tem possibilidades, nem um contexto para ele fazer essa escolha”, concluiu.

Crise política

O último presidente do Peru que cumpriu o mandato foi Ollanta Humala (2011-2016). Em seu governo, estourou o escândalo de corrupção envolvendo a empresa brasileira Odebrecht.

Em 2025, ele foi condenado a 15 anos de prisão por lavagem de dinheiro. Ele sempre negou as acusações, que considera fruto de perseguição política. Hoje está preso em Lima. 

Outro ex-presidente preso é Pedro Castillo, condenado a mais de 11 anos de prisão por tentativa de golpe e rebelião. 

Em seu lugar, assumiu a vice Dina Boluarte, que reprimiu com violência as manifestações contra a destituição de Castillo, com um saldo de 49 pessoas mortas, segundo cálculo da Anistia Internacional. 

Com baixíssima aprovação popular, Boluarte acabou destituída pelo Congresso no dia 10 de outubro de 2025. No lugar, assumiu o presidente do Parlamento no Peru, José Jerí, em uma gestão que durou apenas quatro meses. 

Em 17 de fevereiro do mesmo ano, o Congresso destituiu Jerí, vindo a assumir o cargo interinamente José María Balcázar Zelada por eleição indireta do poderoso Parlamento peruano. 

Peru elege neste domingo 9º presidente em dez anos de crise política

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Os cerca de 27 milhões de eleitores do Peru vão às urnas neste domingo (7) para eleger o nono presidente em dez anos de crise política. Desde 2016, dois presidentes renunciaram e seis foram destituídos pelo poderoso parlamento peruano, tido como o poder de fato no país vizinho.

Neste domingo, enfrentam-se no 2º turno a direitista Keiko Fujimori, que teve 17,1% dos votos no 1º turno, e o esquerdista Roberto Sánchez Palomino, que fechou a primeira votação com 12,0% dos votos.

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Apesar da vantagem no primeiro turno da filha do ex-ditador do Peru Alberto Fujimori (1990-2000), analistas apontam para um cenário de incerteza no resultado da eleição presidencial.

O antropólogo Salvador Schavelzon, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), ressaltou à Agência Brasil que a presença da Fujimori cria uma polarização na eleição peruana.

“Essa polarização natural tem a ver com as últimas décadas e é possível que novos votos anti-Fujimori apareçam. Sanchéz tem conseguido representar o legado do anti-fujimorismo que é uma força política que eu acredito que é majoritária”, comentou.

Ao mesmo tempo que herda os votos do pai Alberto Fujimori, condenado por violações de direitos humanos - o que inclui esterilização forçada de mulheres indígenas - Keiko também herda a rejeição ao antigo presidente.

Já o deputado Roberto Sánchez, aliado do ex-presidente Pedro Castillo, de quem foi ministro, tem prometido uma reforma constitucional para enterrar a Carta Magna herdada do fujimorismo, além de defender reformas sociais para ampliação de direitos.

“Ele pegou o chapéu do Castillo [símbolo ligado aos setores rurais do país]. Também representa o voto do interior que é mais difícil de medir nas pesquisas”, completou.

O ex-presidente Pedro Castillo venceu a eleição de 2021 contra a Keiko Fujimori, mas acabou destituído, preso e condenado por tentativa de golpe de Estado ao tentar dissolver o Parlamento. Para seus apoiadores, Castillo foi vítima do poderoso parlamento peruano por representar o voto da população rural e indígena do país.

Geopolítica do Peru

A eleição deste domingo no Peru é mais uma a influenciar a correlação de forças no continente, que tem pendido para um alinhamento mais estreito com os Estados Unidos (EUA), como visto em Equador, Bolívia, Argentina e Chile.

O especialista em política na América Latina Salvador Schavelzon avalia que a vitória de Fujimori deve resultar nesse alinhamento mais estreito não só com os Estados Unidos de Donald Trump, mas também com toda extrema-direita do continente.

Por outro lado, Schavelzon pondera que a vitória de Sanchéz não deve representar uma ruptura com Washington ou com os governos de direita da região devido, entre outros motivos, a fragilidade dos governos progressistas e nacionalistas na América do Sul, ainda incapazes de criar um polo “anti-imperialista” na região.

“Ele vem de uma prática política mais pragmática. O interesse dele, caso ganhe, vai ser se consolidar, o que vai ser difícil por ter muita oposição no Congresso, que já vãi tentar desestabilizá-lo. Acho que ele não vai ter como prioridade buscar uma posição geopolítica diferente porque nem tem possibilidades, nem um contexto para ele fazer essa escolha”, concluiu.

Crise política

O último presidente do Peru que cumpriu o mandato foi Ollanta Humala (2011-2016). Em seu governo, estourou o escândalo de corrupção envolvendo a empresa brasileira Odebrecht.

Em 2025, ele foi condenado a 15 anos de prisão por lavagem de dinheiro. Ele sempre negou as acusações, que considera fruto de perseguição política. Hoje está preso em Lima. 

Outro ex-presidente preso é Pedro Castillo, condenado a mais de 11 anos de prisão por tentativa de golpe e rebelião. 

Em seu lugar, assumiu a vice Dina Boluarte, que reprimiu com violência as manifestações contra a destituição de Castillo, com um saldo de 49 pessoas mortas, segundo cálculo da Anistia Internacional. 

Com baixíssima aprovação popular, Boluarte acabou destituída pelo Congresso no dia 10 de outubro de 2025. No lugar, assumiu o presidente do Parlamento no Peru, José Jerí, em uma gestão que durou apenas quatro meses. 

Em 17 de fevereiro do mesmo ano, o Congresso destituiu Jerí, vindo a assumir o cargo interinamente José María Balcázar Zelada por eleição indireta do poderoso Parlamento peruano. 

PEC no Senado facilita cooptação do Banco Central, dizem economistas

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A autonomia financeira e orçamentária do Banco Central (BC), prevista em proposta de emenda à Constituição (PEC), em tramitação no Senado, facilita a cooptação pelo setor financeiro da autoridade monetária responsável por regular e fiscalizar a área, além de favorecer a manutenção dos altos juros no Brasil.

Essa é a avaliação de renomados economistas brasileiros que publicaram nesta semana manifesto contra a PEC 65 de 2023, que está na pauta de votações da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.

Notícias relacionadas:

“A PEC cria independência seletiva: afasta o BC do controle democrático do Estado (Congresso, Tribunal de Contas da União- TCU, Executivo), mas o mantém estruturalmente poroso às influências do mercado financeiro. Perdem-se os freios dos poderes constituídos e os canais de acesso do setor privado continuam abertos”, diz o manifesto.

Entre os autores, estão Luiz Carlos Bresser-Pereira, professor de economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e ex-ministro da Fazenda; e Luiz Gonzaga Belluzzo, professor de economia da Unicamp e ex-secretário de política econômica do Ministério da Fazenda. A lista completa dos signatários pode ser conferida no final desta reportagem.

O manifesto sustenta que a PEC fragiliza a fiscalização, o controle social e a responsabilização do Banco Central; aumenta a dívida pública; e poderia criar um modelo único no mundo que reúne autonomia financeira e operacional da autoridade monetária.

Manutenção dos Juros altos

O manifesto destaca que a dinheiro que seria retiro pelo Banco Central por meio senhoriagem - receita oriunda da criação de moeda- - é fruto das condições macroeconômicas que o BC deve administrar. Isso criaria um possível conflito entre interesse público e o orçamento da instituição.

“O BC passaria a se beneficiar institucionalmente de condições macroeconômicas que deveria administrar em nome do interesse público, e não de seu próprio orçamento. E como a senhoriagem depende dos juros, o BCB passaria a ter conflito de incentivos em relação à manutenção de juros elevados”, dizem os economistas.

O Brasil tem hoje as segundas maiores taxas de juros reais do mundo, perdendo apenas para Rússia, país que está em guerra. Os juros altos são o principal motor do crescimento da dívida pública do país. 

Receita da criação de moeda ficaria com BC

Em 2021, foi aprovada e sancionada Lei que concedeu ao BC autonomia administrativa e operacional em relação ao governo, mas a instituição segue dependente do Orçamento da União para as atividades que desempenha.

A PEC 65 ampliaria essa autonomia ao permitir que o BC retenha recursos que obtém por meio da senhoriagem. Essa receita foi de R$ 23,3 bilhões, ao ano, entre 2017 e 2025, enquanto o orçamento do BC foi de R$ 4,8 bilhões, ao ano, no mesmo período.

“A senhoriagem equivale a cerca de cinco vezes o que o Banco gasta para funcionar. A PEC abre espaço legal para a apropriação patrimonialista da senhoriagem e confere imensa frouxidão fiscal ao BC, que contrasta com o corte dos gastos sociais que é exigido pelo mercado financeiro e pelo presidente do BC [Gabriel Galípolo]”, diz o documento.

Galípolo e bancos defendem PEC

A PEC 65 é defendida pela direção do Banco Central, liderada pelo presidente Gabriel Galípolo, que argumenta que a instituição está nos limites dos recursos para cumprir com a missão de fiscalizar e regular o sistema financeiro. 

A PEC também é defendida pelos bancos privados que o BC tem a obrigação de regular e fiscalizar. A Associação Brasileira de Bancos (ABBC) e a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) têm se manifestado favoravelmente à proposta. 

Caso Master

Os signatários do manifesto contrário à PEC 65 citam o caso da emenda do Banco Master, apresentado a essa proposta pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI), investigado pela Polícia Federal (PF) sob a suspeita de ter sido redigida pela instituição de Daniel Vorcaro para ampliar a capacidade de fraude no sistema financeiro.

“Um BC orçamentariamente autônomo e desvinculado da supervisão parlamentar torna-se, estruturalmente, um regulador mais vulnerável à pressão do setor que regula. Os parágrafos 8º e 9º do novo art. 164 do substitutivo ampliam os mecanismos de socorro financeiro de emergência”, afirmam os economistas.

Para os especialistas, a PEC deixa o BC mais “vulnerável à interferência política, de lobistas e do setor financeiro sobre a nomeação de diretores e a composição de seu quadro funcional”.

Fiscalização fragilizada

Os signatários do manifesto apontam ainda que a proposta desmonta os mecanismos de fiscalização e responsabilização orçamentária, hoje previstos na Lei Orçamentária Anual.

“A PEC desmonta esses mecanismos sistematicamente — retira o BC da LOA, enfraquece a jurisdição do TCU”, diz o manifesto.  

O texto lembra que o BC aprova, supervisiona e pode socorrer as mesmas instituições que, indiretamente, alimentam seu orçamento. “Essa é a definição clássica de um regulador capturado: um agente concebido para servir ao público, mas cujos incentivos o aproximam sistematicamente dos interesses dos regulados”, completa o documento.

Para os economistas, a PEC fragiliza os mecanismos de controle social do Banco Central ao retirar o orçamento da instituição da LOA, reduzindo “a capacidade de supervisão efetiva do Congresso, do TCU e da sociedade sobre decisões com amplo impacto macroeconômico”.

Dívida Pública

Os economistas lembram que a medida aumenta a dívida pública do governo ao retirar receitas do Tesouro Nacional, que passariam a ser controlas pelo Banco Central.

“Com a PEC, a senhoriagem [receita oriunda da emissão de moedas] deixaria de abater a dívida, porque seria entendida como ‘receita própria’ do BC sem obrigatoriedade de transferência para o Estado brasileiro."

Caso único

Os economistas que subscrevem o manifesto refutam a justificativa apresentada pelo relator, senador Plínio Valério (PSDB-MA), de que a PEC se alinha as melhores práticas internacionais.

“Nenhum dos principais bancos centrais do mundo possui a combinação de autonomia financeira, isenção orçamentária e blindagem parlamentar que a PEC pretende criar”, diz o documento, que descreve os casos dos BCs dos Estados Unidos (EUA), Reino Unido, Zona do Euro e Japão.

Signatários

  • ⁠Luiz Carlos Bresser-Pereira - FGV, ex-Ministro da Fazenda
  • ⁠Luiz Gonzaga Belluzzo - Unicamp, ex-Secretário de política econômica do Ministério da Fazenda 
  • ⁠Flavia Dantas – SUNY – Cortland
  • ⁠Pedro Paulo Zahluth Bastos  - Unicamp
  • ⁠Élida Graziane  - FGV e Procuradora do Ministério Público de Contas do Estado de São Paulo
  • ⁠Paulo Nogueira Batista Jr.  – Economista
  • ⁠Leda Paulani – USP
  • ⁠Ladislau Dowbor – PUC-SP
  • ⁠Maria de Lourdes Rollemberg Mollo – UNB
  • ⁠Haroldo Silva- Presidente do Corecon – SP
  • ⁠Isabel Busato – UFRJ 
  • André Modenesi – UFRJ
  • ⁠Lena Lavinas – UFRJ
  • ⁠Luiz Fernando de Paula – UFRJ
  • ⁠Vanessa Petrelli Corrêa  - UFU
  • ⁠Carlos Aguiar de Medeiros – UFRJ
  • ⁠Rosa Maria Marques  - PUC-SP
  • Simone Deos - Unicamp
  • ⁠Antônio Prado – Vice-Presidente do Corecon – SP
  • ⁠Adriana Amado - UNB
  • ⁠Pedro Rossi – Unicamp 
  •  ⁠Gilberto Bercovicci – USP
  •  ⁠Larissa Naves de Deus Dornelas - UFPR
  •  ⁠Marco Antônio Rocha - Unicamp
  •  ⁠Juliane Furno – UFF

 

PEC no Senado facilita cooptação do Banco Central, dizem economistas

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A autonomia financeira e orçamentária do Banco Central (BC), prevista em proposta de emenda à Constituição (PEC), em tramitação no Senado, facilita a cooptação pelo setor financeiro da autoridade monetária responsável por regular e fiscalizar a área, além de favorecer a manutenção dos altos juros no Brasil.

Essa é a avaliação de renomados economistas brasileiros que publicaram nesta semana manifesto contra a PEC 65 de 2023, que está na pauta de votações da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.

Notícias relacionadas:

“A PEC cria independência seletiva: afasta o BC do controle democrático do Estado (Congresso, Tribunal de Contas da União- TCU, Executivo), mas o mantém estruturalmente poroso às influências do mercado financeiro. Perdem-se os freios dos poderes constituídos e os canais de acesso do setor privado continuam abertos”, diz o manifesto.

Entre os autores, estão Luiz Carlos Bresser-Pereira, professor de economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e ex-ministro da Fazenda; e Luiz Gonzaga Belluzzo, professor de economia da Unicamp e ex-secretário de política econômica do Ministério da Fazenda. A lista completa dos signatários pode ser conferida no final desta reportagem.

O manifesto sustenta que a PEC fragiliza a fiscalização, o controle social e a responsabilização do Banco Central; aumenta a dívida pública; e poderia criar um modelo único no mundo que reúne autonomia financeira e operacional da autoridade monetária.

Manutenção dos Juros altos

O manifesto destaca que a dinheiro que seria retiro pelo Banco Central por meio senhoriagem - receita oriunda da criação de moeda- - é fruto das condições macroeconômicas que o BC deve administrar. Isso criaria um possível conflito entre interesse público e o orçamento da instituição.

“O BC passaria a se beneficiar institucionalmente de condições macroeconômicas que deveria administrar em nome do interesse público, e não de seu próprio orçamento. E como a senhoriagem depende dos juros, o BCB passaria a ter conflito de incentivos em relação à manutenção de juros elevados”, dizem os economistas.

O Brasil tem hoje as segundas maiores taxas de juros reais do mundo, perdendo apenas para Rússia, país que está em guerra. Os juros altos são o principal motor do crescimento da dívida pública do país. 

Receita da criação de moeda ficaria com BC

Em 2021, foi aprovada e sancionada Lei que concedeu ao BC autonomia administrativa e operacional em relação ao governo, mas a instituição segue dependente do Orçamento da União para as atividades que desempenha.

A PEC 65 ampliaria essa autonomia ao permitir que o BC retenha recursos que obtém por meio da senhoriagem. Essa receita foi de R$ 23,3 bilhões, ao ano, entre 2017 e 2025, enquanto o orçamento do BC foi de R$ 4,8 bilhões, ao ano, no mesmo período.

“A senhoriagem equivale a cerca de cinco vezes o que o Banco gasta para funcionar. A PEC abre espaço legal para a apropriação patrimonialista da senhoriagem e confere imensa frouxidão fiscal ao BC, que contrasta com o corte dos gastos sociais que é exigido pelo mercado financeiro e pelo presidente do BC [Gabriel Galípolo]”, diz o documento.

Galípolo e bancos defendem PEC

A PEC 65 é defendida pela direção do Banco Central, liderada pelo presidente Gabriel Galípolo, que argumenta que a instituição está nos limites dos recursos para cumprir com a missão de fiscalizar e regular o sistema financeiro. 

A PEC também é defendida pelos bancos privados que o BC tem a obrigação de regular e fiscalizar. A Associação Brasileira de Bancos (ABBC) e a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) têm se manifestado favoravelmente à proposta. 

Caso Master

Os signatários do manifesto contrário à PEC 65 citam o caso da emenda do Banco Master, apresentado a essa proposta pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI), investigado pela Polícia Federal (PF) sob a suspeita de ter sido redigida pela instituição de Daniel Vorcaro para ampliar a capacidade de fraude no sistema financeiro.

“Um BC orçamentariamente autônomo e desvinculado da supervisão parlamentar torna-se, estruturalmente, um regulador mais vulnerável à pressão do setor que regula. Os parágrafos 8º e 9º do novo art. 164 do substitutivo ampliam os mecanismos de socorro financeiro de emergência”, afirmam os economistas.

Para os especialistas, a PEC deixa o BC mais “vulnerável à interferência política, de lobistas e do setor financeiro sobre a nomeação de diretores e a composição de seu quadro funcional”.

Fiscalização fragilizada

Os signatários do manifesto apontam ainda que a proposta desmonta os mecanismos de fiscalização e responsabilização orçamentária, hoje previstos na Lei Orçamentária Anual.

“A PEC desmonta esses mecanismos sistematicamente — retira o BC da LOA, enfraquece a jurisdição do TCU”, diz o manifesto.  

O texto lembra que o BC aprova, supervisiona e pode socorrer as mesmas instituições que, indiretamente, alimentam seu orçamento. “Essa é a definição clássica de um regulador capturado: um agente concebido para servir ao público, mas cujos incentivos o aproximam sistematicamente dos interesses dos regulados”, completa o documento.

Para os economistas, a PEC fragiliza os mecanismos de controle social do Banco Central ao retirar o orçamento da instituição da LOA, reduzindo “a capacidade de supervisão efetiva do Congresso, do TCU e da sociedade sobre decisões com amplo impacto macroeconômico”.

Dívida Pública

Os economistas lembram que a medida aumenta a dívida pública do governo ao retirar receitas do Tesouro Nacional, que passariam a ser controlas pelo Banco Central.

“Com a PEC, a senhoriagem [receita oriunda da emissão de moedas] deixaria de abater a dívida, porque seria entendida como ‘receita própria’ do BC sem obrigatoriedade de transferência para o Estado brasileiro."

Caso único

Os economistas que subscrevem o manifesto refutam a justificativa apresentada pelo relator, senador Plínio Valério (PSDB-MA), de que a PEC se alinha as melhores práticas internacionais.

“Nenhum dos principais bancos centrais do mundo possui a combinação de autonomia financeira, isenção orçamentária e blindagem parlamentar que a PEC pretende criar”, diz o documento, que descreve os casos dos BCs dos Estados Unidos (EUA), Reino Unido, Zona do Euro e Japão.

Signatários

  • ⁠Luiz Carlos Bresser-Pereira - FGV, ex-Ministro da Fazenda
  • ⁠Luiz Gonzaga Belluzzo - Unicamp, ex-Secretário de política econômica do Ministério da Fazenda 
  • ⁠Flavia Dantas – SUNY – Cortland
  • ⁠Pedro Paulo Zahluth Bastos  - Unicamp
  • ⁠Élida Graziane  - FGV e Procuradora do Ministério Público de Contas do Estado de São Paulo
  • ⁠Paulo Nogueira Batista Jr.  – Economista
  • ⁠Leda Paulani – USP
  • ⁠Ladislau Dowbor – PUC-SP
  • ⁠Maria de Lourdes Rollemberg Mollo – UNB
  • ⁠Haroldo Silva- Presidente do Corecon – SP
  • ⁠Isabel Busato – UFRJ 
  • André Modenesi – UFRJ
  • ⁠Lena Lavinas – UFRJ
  • ⁠Luiz Fernando de Paula – UFRJ
  • ⁠Vanessa Petrelli Corrêa  - UFU
  • ⁠Carlos Aguiar de Medeiros – UFRJ
  • ⁠Rosa Maria Marques  - PUC-SP
  • Simone Deos - Unicamp
  • ⁠Antônio Prado – Vice-Presidente do Corecon – SP
  • ⁠Adriana Amado - UNB
  • ⁠Pedro Rossi – Unicamp 
  •  ⁠Gilberto Bercovicci – USP
  •  ⁠Larissa Naves de Deus Dornelas - UFPR
  •  ⁠Marco Antônio Rocha - Unicamp
  •  ⁠Juliane Furno – UFF

 

Enem: prazo de inscrição é prorrogado até dia 12 de junho

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O Ministério da Educação (MEC) e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) prorrogaram o prazo de inscrição para o Enem 2026 até o dia 12 de junho, próxima sexta-feira. Com isso, os interessados ganham uma semana a mais para se inscrever na principal porta de entrada do ensino superior gratuito do Brasil.

Para se inscrever, basta acessar a Página do Participante do Enem na internet e preencher as informações solicitadas. Para os estudantes não isentos, o prazo para pagar a taxa de inscrição vai até o dia 17 de junho. 

Notícias relacionadas:

A prorrogação não altera as datas de aplicação do exame, que permanece marcado para os dias 8 e 15 de novembro, em todo o país.

Isenção

Têm direito à isenção da taxa de R$ 85 para inscrição do Enem os estudantes do 3º ano do ensino médio da rede pública de ensino; os estudantes que cursaram todo o ensino médio em escola pública ou como bolsistas integrais em escola privada e que possuam renda igual ou inferior a um salário-mínimo e meio; e pessoas de famílias de baixa renda inscrita no Cadastro Único do governo federal (CadÚnico).

Os participantes do programa Pé-de-Meia do governo federal também se enquadram nos requisitos para isenção da taxa de inscrição. Independentemente de ser isento, o candidato deve fazer a inscrição no Enem.

O estudante do Pé-de-Meia que concluiu o ensino médio em 2026 e participar dos dois dias de prova do Enem receberão um incentivo adicional de R$200.

Todos os detalhes do Enem 2026 estão no edital da prova com informações sobre atendimento especializado para pessoas com deficiência, gestantes, lactantes, diabéticos, idosos ou com outra condição específica.

O Inep ainda preparou uma seção de perguntas e respostas para tirar as dúvidas mais comuns dos participantes. Confira aqui

Cronograma

  • Inscrições: de 25 de maio a 12 de junho;
  • Pagamento da taxa de inscrição: até 17 de junho; 
  • Solicitação de atendimento especializado e nome social: de 25 de maio a 12 de junho;
  • Resultado do atendimento especializado: 26 de junho;
  • Recurso do atendimento especializado: de 29 de junho a 3 de julho;
  • Resultado do recurso: 10 de julho;
  • Aplicação das provas: 8 e 15 de novembro.

Enem: prazo de inscrição é prorrogado até dia 12 de junho

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O Ministério da Educação (MEC) e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) prorrogaram o prazo de inscrição para o Enem 2026 até o dia 12 de junho, próxima sexta-feira. Com isso, os interessados ganham uma semana a mais para se inscrever na principal porta de entrada do ensino superior gratuito do Brasil.

Para se inscrever, basta acessar a Página do Participante do Enem na internet e preencher as informações solicitadas. Para os estudantes não isentos, o prazo para pagar a taxa de inscrição vai até o dia 17 de junho. 

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A prorrogação não altera as datas de aplicação do exame, que permanece marcado para os dias 8 e 15 de novembro, em todo o país.

Isenção

Têm direito à isenção da taxa de R$ 85 para inscrição do Enem os estudantes do 3º ano do ensino médio da rede pública de ensino; os estudantes que cursaram todo o ensino médio em escola pública ou como bolsistas integrais em escola privada e que possuam renda igual ou inferior a um salário-mínimo e meio; e pessoas de famílias de baixa renda inscrita no Cadastro Único do governo federal (CadÚnico).

Os participantes do programa Pé-de-Meia do governo federal também se enquadram nos requisitos para isenção da taxa de inscrição. Independentemente de ser isento, o candidato deve fazer a inscrição no Enem.

O estudante do Pé-de-Meia que concluiu o ensino médio em 2026 e participar dos dois dias de prova do Enem receberão um incentivo adicional de R$200.

Todos os detalhes do Enem 2026 estão no edital da prova com informações sobre atendimento especializado para pessoas com deficiência, gestantes, lactantes, diabéticos, idosos ou com outra condição específica.

O Inep ainda preparou uma seção de perguntas e respostas para tirar as dúvidas mais comuns dos participantes. Confira aqui

Cronograma

  • Inscrições: de 25 de maio a 12 de junho;
  • Pagamento da taxa de inscrição: até 17 de junho; 
  • Solicitação de atendimento especializado e nome social: de 25 de maio a 12 de junho;
  • Resultado do atendimento especializado: 26 de junho;
  • Recurso do atendimento especializado: de 29 de junho a 3 de julho;
  • Resultado do recurso: 10 de julho;
  • Aplicação das provas: 8 e 15 de novembro.

Bolívia prende líderes de protestos em meio a respaldo militar dos EUA

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Com mais de 80 bloqueios em rodovias espalhadas pelo país, a Bolívia chegou, nesta sexta-feira (5), no 36º dia de protestos. As manifestações alimentam a crise política que tem levado à prisão de lideranças, em meio ao respaldo político do secretário de Defesa dos Estados Unidos (EUA), Pete Hegseth, ao governo da Bolívia de Rodrigo Paz.

Organizações sociais da Bolívia classificam as prisões de lideranças como “sequestros” e reivindicam a soltura dos detidos. Entre as acusações das autoridades, estão “terrorismo” e “instigação pública para delinquir”.

Notícias relacionadas:

Entre os presos, estão a ex-senadora do partido MAS, da esquerda boliviana, Simone Quispe, além de Justino Apaza, secretário executivo da Federação de Conselhos de Bairros de La Paz, e Yesenia Varga, dirigente da Federação Carrasco, de camponses de Cochabamba. 

A Procuradoria da Bolívia também havia pedido a prisão de outros dirigentes, como de Vicente Salazar, da organização Los Ponchos Rojos, ligado à Federação de Camponeses Túpac Katari, e de Mario Argollo , presidente da Central Operária da Bolívia (COB), principal central sindical do país.  

Argollo disse que passaria à clandestinidade diante das “perseguições”. Porém, esses dois pedidos de prisão acabaram revogados pelo judiciário boliviano.

Protestos se mantêm

O governo de direita de Rodrigo Paz enfrenta cinco semanas de protestos que pedem sua renúncia com apenas seis meses no poder, após quase 20 anos de governos de esquerda. A mobilização reúne camponeses, indígenas, professores, mineiros, entre outras categorias.

O que começou como um protesto contra a má qualidade do combustível fornecido pelo governo, escalou para manifestações em massa e bloqueios de rodovias após a promulgação de uma lei sobre terras. Os camponeses acusam a legislação de favorecer o agronegócio e prejudicar os pequenos proprietários.

Os bloqueios têm causado desabastecimento em várias regiões do país andino, levando a escassez de combustíveis, alimentos e medicamentos nas cidades afetadas. 

Nesta sexta-feira, a Administradora Boliviana de Rodovias (ABC) registra 81 bloqueios em diversos departamentos do país, em especial, em torno da capital La Paz, além dos estados de Cochabamba, Potosí, Oruro, Santa Cruz e Chuquisaca.

Bolívia - 05/06/2026 - Com mais de 80 bloqueios em rodovias espalhas pelo país, a Bolívia está, nesta sexta-feira (5), no 36º dia de protestos. Foto: Reprodução Bolívia - 05/06/2026 - Com mais de 80 bloqueios em rodovias espalhas pelo país, a Bolívia está, nesta sexta-feira (5), no 36º dia de protestos. Foto: Reprodução
Bolívia - 05/06/2026 - Com mais de 80 bloqueios em rodovias espalhas pelo país, a Bolívia está, nesta sexta-feira (5), no 36º dia de protestos. Foto: Reprodução

O professor de ciência política da Universidade Federal do Ceará (UFC) Clayton Cunha Filho explicou à Agência Brasil que o cenário no país segue instável e imprevisível.

“Por um lado, a população toda muito cansada pela carestia provocada, inflação de alimentos e desabastecimento, por causa dos bloqueios. Já os setores sociais que estão protestando afirmam que vão continuar até a renúncia do presidente. E ainda tem a ameaça de um iminente estado de Exceção que, certamente, aumentaria a repressão”, comentou.

Prisões

Entre as prisões dos últimos dias, está a da ex-senadora Quispe, realizada na quarta-feira (4), que familiares afirmam que foi realizada de forma irregular, sem que fosse apresentado pedido para apreensão da ex-parlamentar.

“Um grupo de indivíduos encapuzados invadiu sua casa na frente de sua família, a subjugou e a transportou à força em uma van branca sem placas, sem se identificarem ou apresentarem qualquer mandado de prisão”, diz comunicado publicado nas redes dela.

Em nota, a Central Operária da Bolívia (COB) se manifestou denunciando as novas prisões. “Advertimos que não se permitirá o retorno das práticas de perseguição contra líderes sociais”, diz nota da organização.

EUA apoiam presidente Paz

As prisões ocorrem em meio ao respaldo dado pela principal autoridade das Forças Armadas dos EUA, o secretário Pete Hegseth, ao governo de Rodrigo Paz.

“Os Estados Unidos estão observando. A Bolívia não deve se permitir cair na armadilha do antigo status quo de domínio narco-terrorista na região”, disse Hegseth, em uma rede social, nessa quinta-feira (4).

O governo da Bolívia e os EUA têm tentado criminalizar os protestos, alegando que são ligados ao narcotráfico.

“Continuaremos a apoiar nossos parceiros da Coalizão Contra o Cartel das Américas, como a Bolívia, para garantir que os narco-terroristas sejam dissuadidos de lucrar com a morte e a destruição em nosso hemisfério”, completou o secretário de Defesa dos EUA.

Para o especialista em política boliviana, Clayton Cunha, existe algum risco de uma intervenção direta dos EUA na Bolívia para segurar Rodrigo Paz no poder.

“Não dá para se descartar que, eventualmente, os EUA pudessem até mesmo fazer alguma intervenção mais direta, embora seja improvável porque os EUA estão com a questão do Irã, da Ucrânia, mas não dá para descartar”, comentou.

Clayton avalia que o apoio dos EUA pode dar mais confiança para as Forças Armadas reprimirem os protestos e bloqueios.

Queda de ministros

No dia 2 de junho, os ministros da Defesa da Bolívia, Marcelo Salinas, e da Educação, Beatriz García, renunciaram aos cargos em meio à pressão dos bloqueios em todo o país. A dupla renúncia se somou a outra, em 21 de maio, do ministro do Trabalho, Edgardo Morales.

O ministério da Defesa foi assumido por Ernesto Justiniano, ligado ao combate ao narcotráfico no governo de Rodrigo Paz. Em maio, ele esteve nos EUA e foi responsável pelo retorno da Administração do Controle de Drogas (DEA) à Bolívia.

A instituição tinha sido expulsa da Bolívia, em 2008, pelo ex-presidente Evo Morales por acusações de espionagem e conspiração.

Estado de exceção

Na última semana, o Congresso derrubou a lei que limitava o estado de exceção e agora discute um novo projeto de lei sobre o tema enviado pelo Executivo. Aprovado no Senado, o texto está em análise na Câmara de Deputados da Bolívia. 

 

Bolívia prende líderes de protestos em meio a respaldo militar dos EUA

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Com mais de 80 bloqueios em rodovias espalhadas pelo país, a Bolívia chegou, nesta sexta-feira (5), no 36º dia de protestos. As manifestações alimentam a crise política que tem levado à prisão de lideranças, em meio ao respaldo político do secretário de Defesa dos Estados Unidos (EUA), Pete Hegseth, ao governo da Bolívia de Rodrigo Paz.

Organizações sociais da Bolívia classificam as prisões de lideranças como “sequestros” e reivindicam a soltura dos detidos. Entre as acusações das autoridades, estão “terrorismo” e “instigação pública para delinquir”.

Notícias relacionadas:

Entre os presos, estão a ex-senadora do partido MAS, da esquerda boliviana, Simone Quispe, além de Justino Apaza, secretário executivo da Federação de Conselhos de Bairros de La Paz, e Yesenia Varga, dirigente da Federação Carrasco, de camponses de Cochabamba. 

A Procuradoria da Bolívia também havia pedido a prisão de outros dirigentes, como de Vicente Salazar, da organização Los Ponchos Rojos, ligado à Federação de Camponeses Túpac Katari, e de Mario Argollo , presidente da Central Operária da Bolívia (COB), principal central sindical do país.  

Argollo disse que passaria à clandestinidade diante das “perseguições”. Porém, esses dois pedidos de prisão acabaram revogados pelo judiciário boliviano.

Protestos se mantêm

O governo de direita de Rodrigo Paz enfrenta cinco semanas de protestos que pedem sua renúncia com apenas seis meses no poder, após quase 20 anos de governos de esquerda. A mobilização reúne camponeses, indígenas, professores, mineiros, entre outras categorias.

O que começou como um protesto contra a má qualidade do combustível fornecido pelo governo, escalou para manifestações em massa e bloqueios de rodovias após a promulgação de uma lei sobre terras. Os camponeses acusam a legislação de favorecer o agronegócio e prejudicar os pequenos proprietários.

Os bloqueios têm causado desabastecimento em várias regiões do país andino, levando a escassez de combustíveis, alimentos e medicamentos nas cidades afetadas. 

Nesta sexta-feira, a Administradora Boliviana de Rodovias (ABC) registra 81 bloqueios em diversos departamentos do país, em especial, em torno da capital La Paz, além dos estados de Cochabamba, Potosí, Oruro, Santa Cruz e Chuquisaca.

Bolívia - 05/06/2026 - Com mais de 80 bloqueios em rodovias espalhas pelo país, a Bolívia está, nesta sexta-feira (5), no 36º dia de protestos. Foto: Reprodução Bolívia - 05/06/2026 - Com mais de 80 bloqueios em rodovias espalhas pelo país, a Bolívia está, nesta sexta-feira (5), no 36º dia de protestos. Foto: Reprodução
Bolívia - 05/06/2026 - Com mais de 80 bloqueios em rodovias espalhas pelo país, a Bolívia está, nesta sexta-feira (5), no 36º dia de protestos. Foto: Reprodução

O professor de ciência política da Universidade Federal do Ceará (UFC) Clayton Cunha Filho explicou à Agência Brasil que o cenário no país segue instável e imprevisível.

“Por um lado, a população toda muito cansada pela carestia provocada, inflação de alimentos e desabastecimento, por causa dos bloqueios. Já os setores sociais que estão protestando afirmam que vão continuar até a renúncia do presidente. E ainda tem a ameaça de um iminente estado de Exceção que, certamente, aumentaria a repressão”, comentou.

Prisões

Entre as prisões dos últimos dias, está a da ex-senadora Quispe, realizada na quarta-feira (4), que familiares afirmam que foi realizada de forma irregular, sem que fosse apresentado pedido para apreensão da ex-parlamentar.

“Um grupo de indivíduos encapuzados invadiu sua casa na frente de sua família, a subjugou e a transportou à força em uma van branca sem placas, sem se identificarem ou apresentarem qualquer mandado de prisão”, diz comunicado publicado nas redes dela.

Em nota, a Central Operária da Bolívia (COB) se manifestou denunciando as novas prisões. “Advertimos que não se permitirá o retorno das práticas de perseguição contra líderes sociais”, diz nota da organização.

EUA apoiam presidente Paz

As prisões ocorrem em meio ao respaldo dado pela principal autoridade das Forças Armadas dos EUA, o secretário Pete Hegseth, ao governo de Rodrigo Paz.

“Os Estados Unidos estão observando. A Bolívia não deve se permitir cair na armadilha do antigo status quo de domínio narco-terrorista na região”, disse Hegseth, em uma rede social, nessa quinta-feira (4).

O governo da Bolívia e os EUA têm tentado criminalizar os protestos, alegando que são ligados ao narcotráfico.

“Continuaremos a apoiar nossos parceiros da Coalizão Contra o Cartel das Américas, como a Bolívia, para garantir que os narco-terroristas sejam dissuadidos de lucrar com a morte e a destruição em nosso hemisfério”, completou o secretário de Defesa dos EUA.

Para o especialista em política boliviana, Clayton Cunha, existe algum risco de uma intervenção direta dos EUA na Bolívia para segurar Rodrigo Paz no poder.

“Não dá para se descartar que, eventualmente, os EUA pudessem até mesmo fazer alguma intervenção mais direta, embora seja improvável porque os EUA estão com a questão do Irã, da Ucrânia, mas não dá para descartar”, comentou.

Clayton avalia que o apoio dos EUA pode dar mais confiança para as Forças Armadas reprimirem os protestos e bloqueios.

Queda de ministros

No dia 2 de junho, os ministros da Defesa da Bolívia, Marcelo Salinas, e da Educação, Beatriz García, renunciaram aos cargos em meio à pressão dos bloqueios em todo o país. A dupla renúncia se somou a outra, em 21 de maio, do ministro do Trabalho, Edgardo Morales.

O ministério da Defesa foi assumido por Ernesto Justiniano, ligado ao combate ao narcotráfico no governo de Rodrigo Paz. Em maio, ele esteve nos EUA e foi responsável pelo retorno da Administração do Controle de Drogas (DEA) à Bolívia.

A instituição tinha sido expulsa da Bolívia, em 2008, pelo ex-presidente Evo Morales por acusações de espionagem e conspiração.

Estado de exceção

Na última semana, o Congresso derrubou a lei que limitava o estado de exceção e agora discute um novo projeto de lei sobre o tema enviado pelo Executivo. Aprovado no Senado, o texto está em análise na Câmara de Deputados da Bolívia. 

 

Em novas sanções, EUA miram empresa de mineração e presidente de Cuba

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Os Estados Unidos (EUA) publicaram novas sanções econômicas contra Cuba mirando empresas do setor de mineração, turismo e o presidente da Ilha, Miguel Díaz-Canel. As novas medidas se somam a outras centenas que tentam estrangular economicamente o país e forçar uma troca de governo em Havana.

O Departamento de Tesouro dos EUA incluiu, nessa quinta-feira (4), na lista de entidades sancionadas a Amistur Cuba, empresa de turismo da ilha, e a Minera la Victoria, joint venture formada pela empresa de mineração de ouro cubana Geominera em parceria com a australiana Antilles Gold.

Notícias relacionadas:

No mesmo dia, o presidente dos EUA Donald Trump alegou que Cuba quer que a Casa Branca cuide da ilha.

“Vamos cuidar de Cuba depois de terminar com o Irã, talvez seja possível investir lá”, disse Trump a jornalistas.

Em comunicado nas redes sociais, o secretário de Estado Marco Rubio disse que qualquer pessoa que forneça serviços as entidades sancionais correm o risco de também serem sancionadas.

“Bancos estrangeiros e outras empresas que forneçam serviços a essas entidades devem congelar essas atividades. A Administração Trump não tolerará mais regimes marxistas radicais em nosso hemisfério”, disse Rubio.

Os EUA ainda sancionaram o presidente de Cuba, Miguel Diaz-Canel, sua esposa, Lis Cuesta Peraza, seu filho, Manuel Anido Custa, e outros funcionários ligados ao governo de Havana. Entre eles, um filho e um neto do ex-presidente de Cuba Raúl Castro, Alejandro Castro Espin e Raul Alejandro Castro Calis, respectivamente.

Outras entidades que foram alvos dos EUA são o Ministério das Forças Armadas Revolucionárias de Cuba; o Instituto Cubano de Amizade com os Povos (ICAP); e os Comitês para Defesa da Revolução (CDR).

“Todas as transações e negociações realizadas por pessoas dos EUA ou pessoas dentro (ou em trânsito) pelos Estados Unidos que envolvam quaisquer bens ou interesses em bens de pessoas designadas ou bloqueadas são proibidas”, diz a nota do Escritório responsável pelas sanções dos EUA (OFAC). 

Cuba reage

O presidente de Cuba Miguel Díaz-Canel disse que as falas do presidente Trump são uma ameaça ao país e criticou as novas medidas unilaterais que “prejudicam o povo”.

“A agressividade e a perversão do governo ianque colidirão com nossa determinação de enfrentar os piores cenários e resistir ao ataque imperial”, disse Canel em uma rede social.

O ministro das relações exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, destacou que a inclusão de pessoas, empresas e entidades em uma “lista ilegítima” de sanções demonstra o plano de intervenção na ilha.

“Toda ação dos EUA com o objetivo de criar um cenário de conflito entre os dois países está fadada ao fracasso. Toda ameaça à independência e soberania de Cuba será enfrentada com ainda mais união e determinação por parte do nosso povo”, comentou em uma rede social.

Rodríguez ainda desmentiu o secretário de Estado dos EUA Marco Rubio que disse que o governo Trump não bloquearia a entrada de petróleo em Cuba.

“Ele parece esquecer intencionalmente a Ordem Executiva 14380, de 29 de janeiro de 2026, elaborada por ele mesmo e assinada pelo seu Presidente, que autorizou a imposição de tarifas punitivas contra importações de países que fornecem petróleo a Cuba direta ou indiretamente”, afirmou.

Bloqueio econômico

O bloqueio econômico contra Cuba, que já dura quase 70 anos, foi endurecido pela atual administração da Casa Branca no final de 2025, a partir das restrições navais impostas à Venezuela. 

Em janeiro de 2026, os EUA ameaçaram sancionar quem vender petróleo à Cuba. A nova medida levou o país de 11 milhões de habitantes a ficar três meses sem receber uma gota de petróleo.

As medidas da Casa Branca têm causado aumento dos apagões, a elevação dos preços de produtos básicos, a redução do transporte público e da oferta da cesta básica alimentar subsidiada pelo Estado. Para moradores de Havana consultados pela Agência Brasil, esse é o pior momento do país.  

 

Em novas sanções, EUA miram empresa de mineração e presidente de Cuba

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Os Estados Unidos (EUA) publicaram novas sanções econômicas contra Cuba mirando empresas do setor de mineração, turismo e o presidente da Ilha, Miguel Díaz-Canel. As novas medidas se somam a outras centenas que tentam estrangular economicamente o país e forçar uma troca de governo em Havana.

O Departamento de Tesouro dos EUA incluiu, nessa quinta-feira (4), na lista de entidades sancionadas a Amistur Cuba, empresa de turismo da ilha, e a Minera la Victoria, joint venture formada pela empresa de mineração de ouro cubana Geominera em parceria com a australiana Antilles Gold.

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No mesmo dia, o presidente dos EUA Donald Trump alegou que Cuba quer que a Casa Branca cuide da ilha.

“Vamos cuidar de Cuba depois de terminar com o Irã, talvez seja possível investir lá”, disse Trump a jornalistas.

Em comunicado nas redes sociais, o secretário de Estado Marco Rubio disse que qualquer pessoa que forneça serviços as entidades sancionais correm o risco de também serem sancionadas.

“Bancos estrangeiros e outras empresas que forneçam serviços a essas entidades devem congelar essas atividades. A Administração Trump não tolerará mais regimes marxistas radicais em nosso hemisfério”, disse Rubio.

Os EUA ainda sancionaram o presidente de Cuba, Miguel Diaz-Canel, sua esposa, Lis Cuesta Peraza, seu filho, Manuel Anido Custa, e outros funcionários ligados ao governo de Havana. Entre eles, um filho e um neto do ex-presidente de Cuba Raúl Castro, Alejandro Castro Espin e Raul Alejandro Castro Calis, respectivamente.

Outras entidades que foram alvos dos EUA são o Ministério das Forças Armadas Revolucionárias de Cuba; o Instituto Cubano de Amizade com os Povos (ICAP); e os Comitês para Defesa da Revolução (CDR).

“Todas as transações e negociações realizadas por pessoas dos EUA ou pessoas dentro (ou em trânsito) pelos Estados Unidos que envolvam quaisquer bens ou interesses em bens de pessoas designadas ou bloqueadas são proibidas”, diz a nota do Escritório responsável pelas sanções dos EUA (OFAC). 

Cuba reage

O presidente de Cuba Miguel Díaz-Canel disse que as falas do presidente Trump são uma ameaça ao país e criticou as novas medidas unilaterais que “prejudicam o povo”.

“A agressividade e a perversão do governo ianque colidirão com nossa determinação de enfrentar os piores cenários e resistir ao ataque imperial”, disse Canel em uma rede social.

O ministro das relações exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, destacou que a inclusão de pessoas, empresas e entidades em uma “lista ilegítima” de sanções demonstra o plano de intervenção na ilha.

“Toda ação dos EUA com o objetivo de criar um cenário de conflito entre os dois países está fadada ao fracasso. Toda ameaça à independência e soberania de Cuba será enfrentada com ainda mais união e determinação por parte do nosso povo”, comentou em uma rede social.

Rodríguez ainda desmentiu o secretário de Estado dos EUA Marco Rubio que disse que o governo Trump não bloquearia a entrada de petróleo em Cuba.

“Ele parece esquecer intencionalmente a Ordem Executiva 14380, de 29 de janeiro de 2026, elaborada por ele mesmo e assinada pelo seu Presidente, que autorizou a imposição de tarifas punitivas contra importações de países que fornecem petróleo a Cuba direta ou indiretamente”, afirmou.

Bloqueio econômico

O bloqueio econômico contra Cuba, que já dura quase 70 anos, foi endurecido pela atual administração da Casa Branca no final de 2025, a partir das restrições navais impostas à Venezuela. 

Em janeiro de 2026, os EUA ameaçaram sancionar quem vender petróleo à Cuba. A nova medida levou o país de 11 milhões de habitantes a ficar três meses sem receber uma gota de petróleo.

As medidas da Casa Branca têm causado aumento dos apagões, a elevação dos preços de produtos básicos, a redução do transporte público e da oferta da cesta básica alimentar subsidiada pelo Estado. Para moradores de Havana consultados pela Agência Brasil, esse é o pior momento do país.  

 

Peru define presidente entre direita Fujimori e esquerda Sanchéz

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Com 34 milhões de habitantes, o Peru vai às urnas no próximo domingo (7) para definir o próximo presidente, que governará o país de 2026 a 2031. A disputa está entre a direitista Keiko Fujimori e o esquerdista Roberto Sánchez Palomino

Após um primeiro turno tumultuado, em que a apuração se arrastou por mais de um mês, a filha do ex-ditador Alberto Fujimori (1990-2000), Keiko Fujimori, terminou com 17,1% dos votos contra 12,0% de Sánchez, em uma votação que contou com 35 candidatos. 

Notícias relacionadas:

O país sul-americano enfrenta uma longa crise política e econômica que levou a destituições sucessivas de presidentes pelo parlamento. O próximo chefe de Estado no Peru será o nono presidente em 10 anos.

Fujimori

Peru's presidential candidate Keiko Fujimori attends a press briefing as the vote count in the country's general election continues for a fourth day, in Lima, Peru April 15, 2026. REUTERS/Stifs Paucca Peru's presidential candidate Keiko Fujimori attends a press briefing as the vote count in the country's general election continues for a fourth day, in Lima, Peru April 15, 2026. REUTERS/Stifs Paucca
Candidata Keiko Fujimori  - REUTERS/Stifs Paucca/ Proibido reprodução

Apesar da vantagem de Keiko no primeiro turno, analistas apontam para um cenário incerto neste domingo. Isso porque Fujimori amargou derrotas nas três últimas eleições presidenciais, em 2011, 2016 e 2021, sempre no segundo turno.

Ao mesmo tempo que herda os votos do pai, Alberto Fujimori, condenado por violações de direitos humanos - o que inclui esterilização forçada de mulheres indígenas - Keiko também herda a rejeição ao antigo presidente.

Durante a campanha, ela tem pregado uma aproximação maior com os Estados Unidos de Donald Trump, o que pode ter consequências para os investimentos chineses no Peru, onde há o Porto de Chancay, que escoa produção do continente para Ásia.

Sánchez

Peruvian presidential candidate Roberto Sanchez of the Together for Peru party attends a press conference as the electoral authority is expected to confirm the name of Keiko Fujimori’s rival ahead of the June 7 runoff, in Lima, Peru, April 16, 2026. REUTERS/Angela Ponce     TPX IMAGES OF THE DAY Peruvian presidential candidate Roberto Sanchez of the Together for Peru party attends a press conference as the electoral authority is expected to confirm the name of Keiko Fujimori’s rival ahead of the June 7 runoff, in Lima, Peru, April 16, 2026. REUTERS/Angela Ponce     TPX IMAGES OF THE DAY
Candidato Roberto Sanchez  - REUTERS/Angela Ponce - Proibido reprodução

Por outro lado, o esquerdista Roberto Sánchez Palomino tem se colocado ao lado do ex-presidente Pedro Castilllo, de quem foi ministro. Eleito em 2021 contra Keiko, Castillo foi destituído, preso e condenado por tentativa de golpe de Estado ao tentar dissolver o Parlamento.

Para seus apoiadores, Castillo foi vítima do poderoso parlamento peruano por representar o voto da população rural e indígena do país.

Psicólogo de formação, Roberto Sánchez é deputado peruano do partido Juntos Pelo Peru e tem prometido uma reforma constitucional para enterrar a Carta Magna herdada do fujimorismo, além de defender reformas sociais para ampliação de direitos.

O professor de pós-graduação de Integração da América Latina da Universidade de São Paulo (USP), Gustavo Menon, avalia que essa eleição tem repercussões na disputa comercial travada entre China e EUA na América Latina.

“Roberto Sánchez se opõem vertiginosamente à plataforma encampada por Keiko Fujimori, que pretende se realinhar com os EUA. Ela já fez acenos a Donald Trump no sentido de recrudescer a política migratória e estancar a influência chinesa que se dá, sobretudo, via Porto de Chancay”, avalia.

Peru define presidente entre direita Fujimori e esquerda Sanchéz

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Após um primeiro turno tumultuado, em que a apuração se arrastou por mais de um mês, a filha do ex-ditador Alberto Fujimori (1990-2000), Keiko Fujimori, terminou com 17,1% dos votos contra 12,0% de Sánchez, em uma votação que contou com 35 candidatos. 

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Fujimori

Peru's presidential candidate Keiko Fujimori attends a press briefing as the vote count in the country's general election continues for a fourth day, in Lima, Peru April 15, 2026. REUTERS/Stifs Paucca Peru's presidential candidate Keiko Fujimori attends a press briefing as the vote count in the country's general election continues for a fourth day, in Lima, Peru April 15, 2026. REUTERS/Stifs Paucca
Candidata Keiko Fujimori  - REUTERS/Stifs Paucca/ Proibido reprodução

Apesar da vantagem de Keiko no primeiro turno, analistas apontam para um cenário incerto neste domingo. Isso porque Fujimori amargou derrotas nas três últimas eleições presidenciais, em 2011, 2016 e 2021, sempre no segundo turno.

Ao mesmo tempo que herda os votos do pai, Alberto Fujimori, condenado por violações de direitos humanos - o que inclui esterilização forçada de mulheres indígenas - Keiko também herda a rejeição ao antigo presidente.

Durante a campanha, ela tem pregado uma aproximação maior com os Estados Unidos de Donald Trump, o que pode ter consequências para os investimentos chineses no Peru, onde há o Porto de Chancay, que escoa produção do continente para Ásia.

Sánchez

Peruvian presidential candidate Roberto Sanchez of the Together for Peru party attends a press conference as the electoral authority is expected to confirm the name of Keiko Fujimori’s rival ahead of the June 7 runoff, in Lima, Peru, April 16, 2026. REUTERS/Angela Ponce     TPX IMAGES OF THE DAY Peruvian presidential candidate Roberto Sanchez of the Together for Peru party attends a press conference as the electoral authority is expected to confirm the name of Keiko Fujimori’s rival ahead of the June 7 runoff, in Lima, Peru, April 16, 2026. REUTERS/Angela Ponce     TPX IMAGES OF THE DAY
Candidato Roberto Sanchez  - REUTERS/Angela Ponce - Proibido reprodução

Por outro lado, o esquerdista Roberto Sánchez Palomino tem se colocado ao lado do ex-presidente Pedro Castilllo, de quem foi ministro. Eleito em 2021 contra Keiko, Castillo foi destituído, preso e condenado por tentativa de golpe de Estado ao tentar dissolver o Parlamento.

Para seus apoiadores, Castillo foi vítima do poderoso parlamento peruano por representar o voto da população rural e indígena do país.

Psicólogo de formação, Roberto Sánchez é deputado peruano do partido Juntos Pelo Peru e tem prometido uma reforma constitucional para enterrar a Carta Magna herdada do fujimorismo, além de defender reformas sociais para ampliação de direitos.

O professor de pós-graduação de Integração da América Latina da Universidade de São Paulo (USP), Gustavo Menon, avalia que essa eleição tem repercussões na disputa comercial travada entre China e EUA na América Latina.

“Roberto Sánchez se opõem vertiginosamente à plataforma encampada por Keiko Fujimori, que pretende se realinhar com os EUA. Ela já fez acenos a Donald Trump no sentido de recrudescer a política migratória e estancar a influência chinesa que se dá, sobretudo, via Porto de Chancay”, avalia.

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