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Circular Verde: um novo paradigma de mobilidade para Faro

9 June 2026 at 16:01

Paulo de Oliveira Botelho defende a criação da Circular Verde de Faro, uma rede ecológica e de mobilidade suave para ligar a cidade e valorizar o território.

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Os netos da droga em «Isto não é Miami», de Fernanda Melchor

9 June 2026 at 08:45

Livro «Isto não é Miami» de Fernanda Melchor retrata uma Veracruz moldada pelo narcotráfico, entre violência, sobrevivência e personagens sem horizonte de fuga.

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O que importa saber sobre radiações

Para muitas pessoas, a palavra “radiação” surge imediatamente associada a momentos de preocupação, exame médico ou um tratamento.

Quando se fala em radiação, surgem, frequentemente, na memória imagens marcantes e assustadoras, como os bombardeamentos atómicos de Hiroshima e Nagasaki ou o acidente nuclear de Chernobyl.

Atualmente, o tema continua muito presente nas conversas, não só por estas memórias terem sido marcantes e com repercussões extremamente severas, mas também porque está ligado a questões atuais, como a transição para energias mais limpas, a necessidade de maior independência energética na Europa e as preocupações com a segurança internacional, especialmente no contexto da guerra na Ucrânia.

Estes episódios reforçam a perceção de um perigo invisível, quase abstrato, mas profundamente inquietante.

Mas e se a radiação fizer parte da nossa vida muito mais do que pensamos?

Na verdade, a radiação faz parte do nosso dia a dia, maioritariamente sem nos darmos conta. Está no solo que pisamos, no ar que respiramos, nos alimentos que consumimos e até no nosso próprio corpo.

Vem também do espaço, sob a forma de radiação cósmica, que atravessa a atmosfera, sendo que a quantidade a que estamos expostos pode até variar: por exemplo, quanto mais elevada for a altitude, maior tende a ser essa exposição.

Ou seja, a radiação não é algo raro ou excecional, faz parte do ambiente que nos rodeia. Talvez por isso, a verdadeira questão não seja se ela existe, mas sim como é utilizada e em que condições.

E apesar de falarmos muitas vezes de “radiação” como se fosse uma única coisa, na realidade nem toda a radiação é igual.

No dia a dia, convivemos sobretudo com a chamada radiação não ionizante, de baixa energia, presente na luz visível, nas ondas de rádio ou no micro-ondas, ao qual somos expostos diariamente.

A radiação ionizante, por ser mais energética, é aquela que encontramos sobretudo em áreas como a medicina. É também a que costuma gerar mais dúvidas e, de forma compreensível, mais receios.

Falar de radiação implica, naturalmente, falar de riscos. Quando utilizada em doses elevadas ou de forma inadequada, pode provocar danos nas células e aumentar o risco de doença.

Mas também é verdade que o seu uso, especialmente na medicina, é altamente controlado. Existe um princípio internacional, conhecido como ALARA, que orienta a prática para garantir que a exposição é sempre a mínima necessária para obter benefício terapêutico.

No caso das baixas doses, como aquelas associadas à maioria dos exames médicos ou à exposição natural do dia a dia, o risco é considerado reduzido.

E talvez seja importante lembrar que esta não é a única fonte de risco à nossa volta. O tabaco, a poluição ou os alimentos processados têm impactos muito mais evidentes na saúde da população.

É na saúde que a radiação mostra, talvez, o seu lado mais invisível e ao mesmo tempo mais transformador.

A radiação X é das mais utilizadas para o diagnóstico de diversas patologias, nomeadamente traumáticas, degenerativas, infeciosas ou malignas. Uma radiografia é muitas vezes o primeiro passo para um diagnóstico.

Existem, no entanto, tecnologias mais avançadas que utilizam baixas doses de radiação X que permitem a deteção de doença em fases precoces, como é o caso do cancro de mama através da mamografia e da osteoporose, através da Densitometria Óssea, que avalia a densidade mineral óssea, contribuindo para o aumento da sobrevida e da qualidade de vida das populações.

 A medicina personalizada e de precisão não dispensa diagnósticos completos e de elevada fiabilidade para os quais em muito contribuem, por exemplo, os exames de Tomografia Computorizada (TC) e Angiografia, que permitem uma avaliação anatómica tridimensional e funcional, baseada na aplicação de doses mais elevadas de radiação X.

Atualmente estas técnicas de imagem até possibilitam o tratamento de algumas patologias através de imagem guiada sem existir necessidade de procedimentos cirúrgicos mais invasivos.

 A radioterapia — uma palavra que, à partida, pode assustar, mas que, todos os dias, ajuda a tratar pessoas com cancro, pela aplicação terapêutica de radiação X. Com uma precisão cada vez maior, permite destruir células tumorais ao mesmo tempo que preserva, tanto quanto possível, os tecidos saudáveis.

Para quem passa por este processo, ou acompanha de perto, a radiação deixa de ser um conceito distante ou abstrato. Torna-se algo concreto, uma ferramenta essencial e, muitas vezes, uma verdadeira aliada no tratamento e na melhoria da qualidade de vida.

Mas a presença da radiação não se limita à medicina. Está nas tecnologias que executam tratamento de águas, monitorizam o ambiente ou ajudam a desenvolver culturas agrícolas mais resistentes. Na indústria, permite analisar estruturas sem as danificar. Na ciência, abre caminho à inovação.

Mas compreender a radiação o que é, como funciona, quando e onde é utilizada, ajuda a transformá-la de ameaça difusa em realidade concreta. E, muitas vezes, menos assustadora.

Em suma, a radiação faz parte do nosso quotidiano e, quando utilizada de forma segura, constitui uma ferramenta essencial ao serviço da saúde, da ciência e da sociedade. Mais do que alimentar receios, importa promover literacia científica que permita compreender os seus riscos reais, mas também os seus benefícios

Porque, no fim, aquilo que não se compreende tende a assustar. Mas aquilo que se conhece… pode ajudar-nos a viver melhor.

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O meu vizinho e amigo “Sr. Manuel Papo Seco”

7 June 2026 at 18:06

Tinha como Manuel Miguel o seu nome oficial, como pude constatar, vezes múltiplas através da leitura de documentos oficiais – Certidão de nascimento, bilhete de identificação, etc. emitidos pelos serviços próprios. Nasceu em Loulé, sendo arreigadamente bairrista, deslocando-se várias vezes à sua terra natal, em algumas das quais o acompanhei – Batalha de Flores, Mãe Soberana e outras festividades louletanas e sendo um dedicado fã da Banda Artistas de Minerva, que ora completa os 150 anos de existência, assinalada efeméride que justifica as nossas mais efusivas felicitações. Nunca soubemos das razões que trouxeram este arreigado louletano até Faro, nem das motivações da alcunha «Papo Seco», porque era conhecido cidade em fora.

Seria pela forma clássica como sempre se apresentava? Ainda o vi a usar «polainites»…

Durante longas décadas fomos vizinhos e amigos. O sr. «Manuel Papo Seco» morou sempre no nº15 da Rua Infante D. Henrique e eu nos n.ºs 13 e 11 daquela artéria também conhecida por Rua Direita ou Rua da Carreira. Éramos «fronteiriços» do Grande Hotel, imponente imóvel construído ainda no século XVIII, a quando da «Era dos Cumanos» para unidade de saúde (tratamento da sífilis) e vindo posteriormente a ser unidade hoteleira de luxo (nela se instalou o malogrado presidente Sidónio Pais – «o presidente rei» e foi também centro de alojamento liceal. Nos tempos a que este escrito remonta (anos 40, 50 e 60 do século passado era o «Grande Hotel», hoje uma residência de apartamentos de luxo e que ocupa uma vasta área nas Ruas Infante D. Henrique, Dr. Teófilo Braga e da Viola, de armazéns de mercearia e frutos secos, bem como a sede dos Serviços de Abono de Família (hoje Segurança Social) e residência de ilustres famílias farenses – os Inglês O Ramos, os Tavares Belo (com destaque para o Maestro) e os Matos Parreiras (cujo líder além de Chefe da Delegação Aduaneira era um dos mais influente líderes do então partido único, a União Nacional. O vizinho e amigo Manuel Papo Seco era uma espécie de mordomo do Grande Hotel, ocupando um pequeno espaço com oficina de sapateiro. Era casado com a «vizinha Joana», benévola senhora que exercia o mister de «pespontadeira», uma actividade com reduzida ou quase nula expressão na cidade. Como não tiveram filhos adoptaram uma menina, a «Manelinha», que quando chegou a idade devida casou e foi morar para a Grande Lisboa, onde hoje, avó embevecida vive. Um trio de bons vizinhos, grandes amigos e gente que marcou a Faro dos tempos idos…

De Leão XIII a Leão XIV – a Encíclica Magnifica Humanitas

7 June 2026 at 16:34

Mesmo quem não é católico praticante, mas se interessa pelos problemas sociais e políticos dos tempos em que se vive, facilmente toma conhecimento da sábia consciência com que a Igreja Católica, velha de muitos séculos, lida com as gerações em cada época. 

E se deu azo a períodos de grande asfixia das populações, isso ocorre sempre que os padres, seja de que religião for, acedem ao Poder.

Fora desses períodos, a figura dos Papas escolhidos teve sempre a ver com a realidade de cada tempo.

No conturbado século XIX   – nós achamos que este nosso século é especialmente conflituoso, mas também o século XIX o foi – ganhou relevância o Papa Leão XIII, quando publicou, em 1891, a sua Rerum Novarum. É forçoso ler aquele documento para quem quiser entender o que se passou daí em diante em termos politico-ideológicos. 

Naquela Carta Aberta, Leão XIII condena, no mesmo grau, o marxismo-leninismo simplesmente chamado socialismo, uma utopia que, na prática, conduzia à perda da individualidade dos trabalhadores, e o capitalismo liberal, que, com a revolução industrial, era avassalador e, por outros meios, conduzia os trabalhadores a idêntica submissão.

Escreveu então: “recordem-se o rico e o patrão de que explorar a pobreza e a miséria e especular com a inteligência são coisas igualmente reprovadas pelas leis divinas e humanas”; mas também: “…os socialistas, para curar este mal, instigam nos pobres o ódio invejoso contra os que possuem e pretendem que toda a propriedade de bens particulares deve ser suprimida...”

Ninguém se convença que foi por acaso que, a seguir a um Papa como foi Francisco, a Igreja escolheu um outro Papa que retoma o nome de Leão  talvez as contradições e acções lesivas da dignidade humana e de uns povos contra outros exija este Papa.

E a encíclica Magnifica Humanitas, que saiu no dia 15 de Maio, merece ser lida por quem se interessa pelos problemas que afectam o nosso mundo, o caos que campeia em muitas regiões assoladas pela guerra e a falta de consciência que a maioria dos governantes revela face aos problemas da biodiversidade ameaçada pelas alterações climáticas.

!35 anos após a Rerum Novarum, publicada quando se assumia que uma profunda mudança iria ocorrer no mundo com o comunismo e o liberalismo capitalista, uma nova e profunda transformação já iniciada deixa antever que vai afectar todos os povos do planeta de forma desigual.

Nos últimos anos, tornou-se cada vez mais evidente o quão rápida e profundamente a digitalização, a inteligência artificial e a robótica estão a transformar o nosso mundo” – diz-se na abertura da Enciclica.

Outrora, eram os Estados quem assumia a orientação da vida dos povos, agora, como denuncia Leão XIV, são actores privados, transnacionais, dotados de capacidades superiores às de muitos Governos, pelo mundo fora.

A ideia de um desenvolvimento sustentável pelo qual muitos de nós lutam e sem êxito, também é sinalizado nesta encíclica: “A ideia de um desenvolvimento humano integral, encontra hoje um decisivo critério de avaliação na ecologia integral…”.

Não se pode atribuir ao algoritmo e à IA a definição das nossas vidas, e o documento papal aborda de forma contundente para muitos poderes instituídos, questões como a democracia, a busca pela liberdade, o desemprego como mal muito grave, a dignificação do trabalho, e a guerra que impõe a obrigatoriedade de lutar pela paz.

É um documento não demasiado extenso que merece ser lido por todos, com a certeza de que certos energúmenos, como Putin ou Trump ou Netanyahu, para citar apenas alguns dos mais icónicos. Não vão gostar.  E só isso já é uma consolação.

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Associativismo Estudantil: quando os estudantes constroem a universidade

7 June 2026 at 16:04

No setembro passado, ao ingressar no Mestrado em História da Arte e Património, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, deparei-me com uma ausência que já me parecia evidente desde a licenciatura: a inexistência de um núcleo estudantil dedicado aos alunos de História da Arte. Faltava um espaço de representação e dinamização, capaz de aproximar estudantes de licenciatura, mestrado e doutoramento, mas também docentes, investigadores e profissionais da área. Depois de ouvir vários professores, que reconheceram a importância desta criação, decidi avançar, apesar do receio inicial de que a ideia pudesse ficar apenas no entusiasmo de uma pessoa.

Foi assim que nasceu o NEHAP (Núcleo de Estudantes de História da Arte e Património). Concebi o nome, os primeiros objetivos e a identidade do projeto, divulgando-o depois junto dos estudantes através dos grupos de turma e de um processo de entrevistas que permitiu reunir uma equipa motivada e diversa. Aquilo que começou como uma inquietação individual tornou-se uma construção coletiva, assente numa convicção simples: a universidade não se esgota nas aulas, nos exames ou nos trabalhos escritos; deve ser também um espaço de comunidade, debate, produção científica, contacto profissional e crescimento pessoal.

Agora, quando o primeiro ano da minha presidência se aproxima do fim, sinto a necessidade de deixar uma reflexão dirigida aos meus colegas do ensino superior: estas estruturas são vitais. Ao longo deste mandato, o NEHAP procurou demonstrar que um núcleo estudantil pode ter um impacto concreto na vida dos estudantes. Organizamos formações dedicadas à escrita científica e à produção investigativa, promovemos conversas com profissionais das respetivas áreas, criamos momentos de esclarecimento sobre percursos académicos e profissionais, e realizámos várias visitas de estudo, desde a Assembleia da República ao Museu de Arte Contemporânea.

Estas atividades não foram apenas eventos isolados. Foram oportunidades de contacto, descoberta e crescimento. Permitiram abrir portas a espaços que muitos estudantes talvez nunca tivessem pensado visitar, aproximaram os alunos de realidades profissionais diversas e criaram experiências de trabalho real, capazes de enriquecer o currículo, desenvolver competências e preparar melhor o futuro.

Foi também neste processo que compreendi uma das grandes lições do associativismo estudantil: um núcleo não serve apenas para organizar atividades. Serve para criar possibilidades. Pode ajudar um estudante a descobrir uma área que desconhecia, a ganhar confiança para participar, a contactar com profissionais, a construir currículo ou simplesmente a sentir que pertence a uma comunidade.

Os núcleos estudantis têm uma importância que, por vezes, é subestimada. No entanto, são estruturas capazes de influenciar percursos, aproximar pessoas, criar pontes entre estudantes e professores, e complementar aquilo que a instituição nem sempre consegue oferecer de forma imediata. Não substituem a universidade, mas tornam-na mais viva, mais participada e mais próxima dos seus estudantes.

Por isso, deixo um apelo: participem nos núcleos estudantis das vossas faculdades. E, se eles não existirem, criem-nos. Criem-nos em nome dos estudantes do vosso curso, da vossa área e da vossa comunidade académica. Porque, no fim, quando alguém se aproxima depois de uma atividade para agradecer, quando um estudante diz que aquele evento lhe abriu uma nova perspetiva, ou quando percebemos que uma iniciativa teve impacto real na vida de alguém, todo o trabalho invisível passa a fazer sentido.

No meu caso, são precisamente esses agradecimentos simples, mas profundamente significativos, que me fazem continuar. O associativismo estudantil exige tempo, responsabilidade, paciência e resiliência.

Mas também ensina algo que nenhuma unidade curricular consegue ensinar da mesma forma: que a universidade não é apenas um lugar onde se aprende. É também um lugar que podemos ajudar a construir.

Jogador do ano na Premier League, do talento à excelência…

7 June 2026 at 14:04

…De seu nome completo Bruno Miguel Borges Fernandes, hoje com 31 anos, destro de pé preferencial, a atuar no Manchester United como médio centro e segundo avançado, desde que chegou em janeiro de 2020 por 55M€+ 25M€ em objetivos. A atuar com o número 8, sendo capitão de equipa há 3 épocas e com contrato até 30 de Junho de 2027, com opção por mais um ano.

Depois de ter sido considerado o jogador do ano na Premier League, estabeleceu novo recorde de passes para golo (assistências) numa só época na competição e nos 3068 minutos de utilização, em 35 jogos realizados. Foram 21 os últimos passes para golo, a ‘explicar’ a arte que lhe é tão característica e que lhe permitiu ultrapassar o recorde que estava na posse do francês Thierry Henry (Arsenal, época 2002/03) e do holandês Kevin de Bruyne (M.City, 2019/2020).

É realmente impressionante o trajeto deste formidável jogador, talvez que a justificar, de todo, a designação de se constituir num manual de ‘fazer, estar e ser’. Recordar que saíu de Portugal com 17 anos para Itália, sem saber falar italiano e sem qualquer rede a ampará-lo. Jogou no Novara, tinha 18 anos. Mais tarde, na Udinesse, onde aprendeu tática, marcação, sacrifício, começa a emergir como talento bruto, a justificar ser lapidado, na medida em que talento sem disciplina ‘só’ dará… promessa.

A atuar no Sporting – 2027/2020 -, começa a assumir a responsabilidade de marcar livres, penáltis, a ser capitão. Condição para juntar a arte e o exemplo de deixar de jogar só para si e passar a jogar mais para o coletivo.

Depois, a sua ‘casa’ atual, onde ao talento juntou (outra) mentalidade e (nova) presença, ‘explicando’ que excelência, significa ser consistente, aliada à atitude e ao impacto nos outros. De sublinhar que, enquanto miúdo e no Novara, marcou 4 golos, e agora, no firmamento do estrelato, enquanto capitão de uma equipa – sita em Old Trafford – já regista na sua conta pessoal 107 golos.

Far-se-á justiça, se e enquanto com: ”rosto, voz e coração”, considerarmos que Bruno Fernandes nunca terá sido ‘menino prodígio’, do jeito de Figo ou Ronaldo, foi-se construíndo jogo a jogo, época após época, a dar provas de que o ‘palco’, dos egocêntricos, não tem sido o seu ADN, antes ‘no terreno’ e com ‘chão’ e ‘voz’ autorizada de verdadeiro ídolo, porque ensina… sendo!

Mérito que se enaltece, a fornecer um extraordinário exemplo de como sabendo fazer, estar e ser se consegue sulcar os ‘mares’, nem sempre bonançosos, com o compromisso de uma ‘rota’, enquanto navegadores com bússola, que nos leve a ‘porto seguro’, porque: “Do talento à excelência”!
Uma vez mais, as tais ‘coisas’ da ‘coisa desportiva’… e não só!

*Embaixador para a Ética no Desporto, uma vez, Embaixador para sempre

Duas guerras

7 June 2026 at 12:04

Sou suspeito, já que é – quase – sempre um assunto que me interessa, a nova série do canal História, “A Segunda Guerra Mundial com Tom Hanks”, com o grande planos da voz do actor, que acumula funções com a de co-produtor, e que trata como já devem ter percebido da Segunda Guerra Mundial.

Dito isto, desta singela forma, assim como quem não quer a coisa, podemos perguntar: precisa, o Mundo, de mais uma série documental sobre a Segunda Guerra Mundial? Eu responderia que talvez não, tantas são as séries que já nos foram oferecidas olhando o conflito sobre variados ângulos, geralmente na perspectiva dos vencedores. Com imagens a preto e branco, coloridas a posteriori, entrevistas a personalidades, antigos militares, pessoas comuns (populares para a imprensa tuga), são horas e horas de opiniões e factos, sobre o maior conflito da história da humanidade. De todo o material que tenho visto, o grosso da coluna navega, de uma forma geral no mar dos factos que já são conhecidos, e uma vez por outra traz à lidação imagens ainda não editadas e, nalguns casos, uma por outra com mais sangue e violência, que é o resultado do pé ante pé, que procura tactear o que é aceitável passar-se para o grande público. “A Segunda Guerra Mundial com Tom Hanks”, não foge à regra, não embarcando em versões revisionistas da História. Tenho a ideia que, desde o contributo dos historiadores mais consagrados, tudo o que lá se vê, já se aceitava nos idos de setenta, oitenta. O que tem vindo de novo são mais pormenores que outra coisa, mesmo depois da abertura de muitos ficheiros do mundo de leste, depois da queda do muro. Sem dúvida que o trunfo aqui me parece a voz de Hanks, que faz a diferença, nas narrações. Nada que me lembre mais as versões dos filmes para a criançada em versão portuguesa – que me perdoe o sindicato dos actores de teatro e cinema português nada ultrapassa o original. O restante é muito linear, mas está bem defendido pelo tratamento das imagens (muitas delas já conhecidas) e pelas declarações dos estudiosos que me parecem inatacáveis, simples e sem grandes leituras políticas. Claro que, para quem está interessado em discussões e segundas intenções (qualidades como quaisquer outras), não precisa de esforçar a vista: não está no sítio certo.

O jornalismo tuga anda pela hora da morte: perguntas chatas a políticos só em meses bissextos e no dia trinta de Fevereiro. Passos Coelho, um dos políticos que joga todos os trunfos na cegueira que lhes relatei na linha anterior, farta-se de fazer de S. Sebastião (acompanhado por aquele que não ousamos dizer o nome), sempre a ditar frases obscuras que, de certeza o divertem, quando olha para as caras de parvo da malta que o acompanha, por amor ou interesse. Uma coisa é uma coisa, outras, outra, mas o denominador comum das suas declarações é: “quero chamara a atenção para as reformas que os políticos não querem fazer”. E nem um empecilho daqueles jornalistas lhe pergunta: “Ora diga-me lá, só para nos dar um exemplo, quais são essas reformas de que fala?”. Talvez que se os tugas soubessem, lhe deixassem de perguntar, que hão-de ser tão boas, que podia ser que nunca mais lhe olhassem para a cara.

Uma buganvília no caminho: contornos de um mapa esquivo

6 June 2026 at 18:06

Do meu grande sentido de desorientação já dei conta em diversas crónicas – é verdade que esta e outras características menos abonatórias, as pessoas normalmente escondem, disfarçam. Afinal, como constatei com as reacções a algumas dessas crónicas, não estou sozinha no reino dos desorientados.

Há muitos e muitas mais, discretos. Afinal, a desorientação é algo do foro privado e ninguém tem de a conhecer, excepto quando afecta terceiros. Mas adiante, pois não é esse o tema destas breves linhas.

Elas referem-se sobretudo à minha primeira ida ao Festival Literário Fólio, em Óbidos. Tinha visitado a vila apenas uma vez, quando, numa espécie de viagem de finalistas, terminado o 11.º ano, fiz com alguns colegas e professores, uma volta ao país, que durou uma semana e nos levou de São Brás de Alportel a Viana do Castelo, com acampamento em diversos parques de campismo do país. Da paragem em Óbidos, ficou-me uma enorme náusea e um banco onde me sentei, sem forças, enquanto todos os outros foram visitar a vila.

Desta vez, estreei-me também num alojamento local. Uma aventura de códigos, passwords, palavras mágicas que deviam abrir portais, uma espécie de abre-te sésamo, só que o sésamo nem sempre abria. Senti que era uma mistura de peddy paper com caça ao tesouro. Sim, o primeiro passo era descobrir a rua onde ficava o alojamento. Tinha arranjado o mapa no posto de turismo e pedi à jovem que me entregou o tal código que a localizasse no mapa. Só que ela insistia em QR codes, apps… Sou sincera, apps ainda vá. QR codes é algo que me faz alergia, desperta-me certos instintos desconhecidos, selvagens, “viscerais» -para usar uma palavra moderna, sonante, daquelas que aparecem em todo o lado, pois tudo é «visceral», até a alma, fazendo parecer que andamos com fígados, intestinos, presos ao pescoço. Essencialmente, porque para tudo é preciso o amaldiçoado QR code. Lá está o quadrado cheio de pontos manhosos, constantemente a rir-se de quem não nasceu na tal «era digital»… O facto é que o meu mapa em papel provocou na jovem o mesmo efeito que em mim os QR codes. Segundo ela, o mapa estava todo mal feito. Não batia nada certo. Tudo fora do sítio, desde a Câmara à farmácia. Imaginei um imenso «mapa esquivo» (título de um belíssimo livro de poesia de Fernanda Dias, escritora e pintora que viveu em Macau muitos anos, vive em Faro e que ainda poucos por aqui, infelizmente conhecem), com edifícios e monumentos em trânsito, a mudarem de lugar para ficarem mais perto ou longe uns dos outros e assim constarem no «retrato», ou melhor, no mapa. No fim, ficou cada uma na sua, ela com o seu precioso QR e eu com o mapa em papel, disposta a descobrir para onde tinham «abalado» os edifícios, nomeadamente aquele onde eu ficaria alojada. Das atribulações da aventura não vale a pena dar conta, mas foram vários códigos marcados em sítios inadequados, que não funcionaram. No entanto, não notei nada esquivo, o mapa pareceu-me bastante fiel. E o melhor: encontrei um belo e fixo ponto de referência. Sim, fixo, porque uma vez considerei como referência um pastor-alemão deitado, que quando me fez mais falta, decidiu dormir noutro sítio… Desta vez foi uma buganvília esplendorosa, a derramar cor sobre um muro caiado.

Orientou-me os passos e os regressos após as sessões. Ao ver as suas flores acenarem-me, desejei que ali permanecesse sempre, a deleitar, a apontar caminhos (a gente orientada, desorientada, humana…), que nunca nenhum malfadado código lhe ofuscasse a beleza, a poesia, a vida.

Alcantarilha: património, arte contemporânea e futuro cultural

6 June 2026 at 16:30

Mais do que a recuperação de um edifício, a reabilitação das ruínas do Castelo de Alcantarilha representou uma oportunidade para devolver à vila um papel cultural ativo, ligando património, arte e participação pública.

O Castelo de Alcantarilha foi edificado durante o período de ocupação muçulmana com o objetivo principal de defesa das povoações costeiras.

A partir do século XVII, entrou numa fase de declínio e degradação estrutural. No século XX, teve múltiplas funções e ocupações, e, nos últimos 25 anos, esteve fechado, sem utilização pública ou privada.

Promovido e executado pelo executivo camarário de Silves, as ruínas do Castelo de Alcantarilha sofreram um processo de reabilitação profunda para se transformar no atual Centro de Exposições de Alcantarilha (CEA).

Foi inaugurado no dia 3 de setembro de 2023, pela então presidente da Câmara Municipal de Silves, Dra. Rosa Palma.

É um equipamento cultural de média dimensão, destinado à promoção e divulgação de arte contemporânea nas suas diferentes expressões e manifestações: pintura, escultura, fotografia, desenho, etc.

Alcantarilha é uma vila milenar que, após a Revolução do 25 de Abril e com as transformações económicas associadas ao crescimento do turismo, foi perdendo progressivamente a importância económica e o protagonismo cultural de outros tempos.

Hoje, tenta recuperar esse dinamismo humano, social, cultural e económico.

Várias associações culturais privadas laicas, como  a Aldepa (Associação de Defesa do Património Cultural e Natural de Alcantarilha), e outras de cariz religioso, como a Irmandade do Nosso Senhor Jesus dos Passos de Alcantarilha, têm promovido, nos últimos anos, várias iniciativas  e eventos que visam promover e divulgar Alcantarilha, com base no seu património e passado cultural, religioso, artístico, arqueológico e arquitetónico.

A inauguração e a atividade do CEA vêm integrar-se neste processo de renovação de Alcantarilha, assumindo a Câmara Municipal de Silves uma maior responsabilidade para dar à vila uma nova vida.

Sul Informação

Coleção de Arte Contemporânea Privada Luís Negrão e Família

A Coleção de Arte Contemporânea Privada Luís Negrão e Família (CLNF) é uma coleção dedicada à arte contemporânea portuguesa, reunindo obras de arte de vários artistas de reconhecido percurso, que refletem diferentes tendências e movimentos artísticos e percorre várias décadas de criação artística.

A coleção tem sido apresentada ao público em vários espaços expositivos do país, particularmente em Alcantarilha, no Centro de Exposições de Alcantarilha.

A programação da sua atividade costuma explorar temas variados, promovendo o diálogo entre obras, estilos e contextos, o que enriquece a experiência do público e estimula a reflexão sobre a arte contemporânea.

À semelhança de outras coleções privadas de arte, a CLNF tem, na sua matriz de origem, o compromisso cívico e o dever ético de partilha pública da coleção.

Independente da posse, pública ou privada, as obras de arte fazem parte do património cultural de um povo e o usufruto e apreciação por todos deve ser estimulado e apoiado.

A CLNF apresentou, no ano de 2023, e pela primeira vez, um conjunto de obras de arte em duas exposições distintas, no Centro de Arte e Espetáculos da Figueira da Foz e no Edifício Chiado de Coimbra.

Ainda no ano de 2023, a convite da Sra. Presidente da Câmara Municipal de Silves, Dra. Rosa Palma, organiza uma exposição de arte para a inauguração do CEA, no dia 3 de setembro, dia do município. Foi apresentada a exposição “Quebra-Costas”, com curadoria de Hugo Dinis. Recordando um espaço público célebre de Coimbra, o quebra-costas, a mostra reuniu 29 obras de arte, numa viagem visual eclética percorrendo várias décadas de arte contemporânea portuguesa.

A colaboração entre a CLNF e a Câmara Municipal de Silves desenvolveu-se nos anos seguintes.

Em 2024 e integrada nas comemorações municipais da celebração dos 50 anos da Revolução do 25 de Abril, apresentou a exposição “Eduardo Gageiro”, organizada por Hugo Dinis, e que reuniu um conjunto de 14 fotografias históricas sobre a Revolução do 25 de Abril, da autoria de Eduardo Gageiro.

No ano de 2025, e iniciando a colaboração com o curador Hugo Santos Silva, inaugurou a exposição “Vínculo, encontro para um jardim”. Integrando 18 obras de arte, é pensada como experiência ambiental e sensorial, explorando a relação entre formas e sentidos, sugerindo novos modos de ver e experienciar a arte contemporânea.

Ainda em 2025, é apresentada a exposição “Homenagem”, com 16 obras do artista autodidata alcantarilhense Inácio José de Oliveira Mendonça, reforçando o sentimento da arte local e memória cultural.

Em Silves, é inaugurada, no Teatro Municipal Mascarenhas Gregório, a exposição “Lugar, Lugares” com 25 obras de cerâmica do artista plástico António Vasconcelos Lapa.

Outras iniciativas baseadas estão programadas para os anos de 2026 e 2027, com a ambição de consolidar uma programação cultural regular e qualificada.

As coleções privadas de arte contemporânea desempenham hoje um papel cultural relevante e cada vez mais importante no país e têm colaborado ativamente com instituições culturais públicas (museus regionais, municipais e nacionais) e privadas (Fundação Gulbenkian e Fundação de Serralves, por ex.) para apresentar as obras de arte que têm sob a sua responsabilidade.

Estes três anos, 2023-2026, de colaboração entre a Câmara Municipal de Silves e a Coleção de Arte Contemporânea Privada Luís Negrão e Família, são um bom exemplo como entidades públicas e o colecionismo privado podem colaborar para a afirmação cultural de uma região, e neste caso, do concelho de Silves.

Sul Informação

O Futuro

O Algarve, ainda enfrentando desafios comuns às regiões periféricas – como público reduzido e financiamento limitado -, tem apresentado, nos últimos anos, uma experiência cultural cada vez mais inovadora e diversificada, com múltiplas iniciativas que promovem diálogo, experimentação e produção artística.

Através de novos equipamentos culturais (como o CEA, por ex.), e programações culturais dinâmicas e atualizadas, o Algarve tem procurado ganhar o seu lugar no movimento cultural mais geral do país e da arte contemporânea em particular.

Mas, apesar do esforço das entidades públicas e privadas, e de movimentos culturais recentes e importantes, o Algarve ainda carece de instituições de grande escala, como museus ou centros de arte contemporânea com programação contínua e com acervo próprio (ou em situação de comodato).

O CEA tem vindo a afirmar-se como polo importante de difusão de arte contemporânea regional, promovendo exposições com programas educativos, e projetando num futuro próximo, residências artísticas e colaboração com artistas nacionais. O seu impacto e relevância baseia-se na diversificação da programação, no acesso aberto ao público com entrada livre (ampliando a circulação cultural), e promovendo artistas locais ou ligados à região, criando vínculos entre identidade cultural e práticas contemporâneas.

O futuro cultural do Algarve não se construirá apenas nos grandes centros urbanos, mas também em lugares como Alcantarilha, onde património, iniciativa pública, colecionismo privado e participação comunitária podem definir uma nova forma de centralidade.

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Professores e Educadores de novo nas ruas

6 June 2026 at 16:04

Depois das manifestações de 2023, onde exigiam a recuperação do tempo de serviço congelado, os professores e educadores voltam a ocupar as ruas. No passado dia 16 de maio fomos perto de 25 mil professores e educadores, que do Caís do Sodré aos Restauradores reivindicámos, entre outras coisas, uma justa negociação do Estatuto da Carreira Docente (ECD).

Esta negociação está a decorrer, apesar de já durar há nove meses, ainda vai nos primeiros pontos da discussão, mas há indícios de onde o governo e o ministério querem chegar.

Até agora o que se tem visto por parte do ministério é o não acolhimento das principais propostas da FENPROF, a falta de envio de documentos de apoio à negociação com a devida antecedência e a insistência em discutir variações de semântica que no fundo ocultam a diferença entre, por exemplo, o que é o concurso nacional de professores atualmente e um procedimento concursal ou o que é um corpo especial e uma carreira especial nos meandros da Administração Pública.

Os professores e educadores sabem bem que os jogos de palavras não lhes trazem estabilidade, respeito, condições dignas de trabalho e valorização salarial.

Nesta fase, o governo tem a oportunidade de, com a revisão do ECD, valorizar a carreira para atrair novos professores e resolver o grave problema de alunos sem aulas, no entanto faz exatamente o contrário, criando a ilusão de que está a resolver o problema.

No final da manifestação de dia 16, foram definidas linhas de orientação das próximas ações de luta e foi ainda aprovada uma moção, aqui os professores e educadores afirmaram com determinação a sua disponibilidade para defender a carreira e exigir a valorização da profissão e para defender a Escola Pública.

No dia 3 de junho tivemos a GREVE GERAL onde a maioria dos trabalhadores, mais uma vez, demonstrou a sua rejeição ao pacote laboral, que representa um retrocesso de direitos.

Os professores e educadores não saem à rua por capricho. Fazem-no porque sentem diariamente o desgaste de uma carreira marcada pela desvalorização, pela sobrecarga burocrática e pela falta de condições.

Tucidides

6 June 2026 at 14:04

Quem diria que tanto séculos depois o seu pensamento voltaria a dar volta ao mundo.

A visita de Trump à China pode não ter consequências significativas imediatas mas, como o mundo já entendeu, serviu para finalmente acabar com o perigo para a humanidade do domínio de um único sistema e poder dono e senhor de tudo.

Claro que Trump em si é uma figura menor e triste de toda esta história. O capitalismo neo liberal conduziria a isto mais cedo ou mais tarde. A concentração do capital inexorável em meia dúzia de potentados, como não poucos previram, não impediu a competição pelos lucros como a I.A. demonstrou claramente.

Porém, ao contrário de outros que ainda acreditam num ressurgimento do neo-liberalismo anglo-saxónico em que uma ilusória liberdade serviu como bandeira para intoxicar o mundo a partir de Hollywood p.ex. como valor ocidental e em que as armas sempre serviram como sustentáculo, o capitalismo chinês tem um cariz ditatorial única e última etapa possível para o seu processo evolucionista. E, por outro lado, poder ganhar com os mesmos trunfos jogando melhor.

E assim, graças a uma simples frase de TUCIDIDES, o mundo mudou mais uma vez como sempre é imperioso que aconteça.

E hoje passamos a ter dois donos do mundo… e não um só!

Um passo histórico sem dúvida para quem ainda não percebeu!

E amanhã há mais…!!!

Equívocos

6 June 2026 at 12:03

“O Hospital de Faro recusou admitir nas Urgências uma grávida em trabalho de parto porque esta não tinha ligado antes para a linha SNS 24. O INEM que assistiu a grávida à porta da urgência, insistiu que a mulher fosse admitida mas o hospital ordenou o transporte para Portimão, a 70 quilómetros” noticia a Comunicação Social, escrita e televisiva, que acrescenta “A Unidade Local de Saúde do Algarve garante ter sido uma decisão acertada: a grávida era saudável, a gravidez de termo e acompanhada“ e também é noticiado que a Ministra da Saúde, quando questionada, respondeu que serão pedidas explicações ao Hospital.

O habitual sururu do costume como se o facto verificado seja alheio à metodologia que o Ministério instituiu.

Não dispensam estas notícias algumas reflexões, começando pela matéria exposta, passando pela sua congruência e a importância muito mais relevante da causa deste estado de coisas.

Quanto à matéria exposta não fica claro se a utente não é admitida por ter cometido “o pecado“ de não ter telefonado para a linha SNS 24, embora o seja na notícia afirmado, ou se por não haver mais do que um obstetra de serviço e em prevenção, como afirma a ULS, logo se o Bloco de Partos estaria funcional, e também a ULS explicitar condições clinicas constantes no processo clínico a que só teria tido acesso depois de a parturiente ser admitida, o que na mesma noticia é afirmado não ter acontecido.

Poder-se-á concluir de certeza, é ser um episódio que em primeiro lugar atinge uma mãe quase a dar à luz e em segundo lugar a regulamentação que origina estes equívocos.

Reflitamos no que seria determinado a uma gestante de termo que morasse na Rua Leão Penedo, a mesma do Hospital de Faro, e telefonasse para a linha Saúde 24 ou para o INEM. Se o Bloco de Partos, de Faro, estivesse encerrado, seria igualmente encaminhada para o Hospital de Portimão.

Nenhuma diferença na resposta do sistema organizado ao telefonar para o INEM á porta da urgência ou do outro lado da rua, salvo a componente emoção.

Daqui a a questão que não se pode perder de vista:

Serviços insuficientes para a população que lhes está consignada.

Se se pode e tender que a falta de recursos humanos disponíveis para assegurarem o funcionamento das maternidades necessárias (programadas pelos ratios populacionais abrangidos e não pelos recursos humanos disponíveis), possam obrigar a metodologias transitórias de regionalização da prestação ou o recurso a contactos telefónicos prévios, apesar de indesejados, já não se entenderá porque surge esta dificuldade especialmente na especialidade de Obstetrícia.

Pelo menos é a especialidade cuja falta de recursos tem determinado o encerramento pontual ou definitivo dos respetivos serviços de urgência, as maternidades.

Ratios excelentes de médicos obstetras e pediatras nas equipas médicas, mas desligados da realidade do País? Ausência de equipas funcionais e multidisciplinares? Não sabemos.

Será assim indispensável identificar o que leva a este estado de coisas até porque se no ano passado os privados conseguiram aumentar para 16.317 os partos realizados num acréscimo de mais de 8% em relação ao ano anterior, com certeza não tiveram falta de obstetras.

Dualidade de critérios quanto à exigência numérica de médicos nas equipas funcionais, no público e no privado? Também não sabemos.

Só sabemos ser indispensável identificar as causas profundas desta situação tão dificil da assistência materno-infantil, que irá muito para além das vindas a público com soluções só aparentes, maternidades regionais, telefonemas prévios, ou incentivos pecuniários ilegais(!).

Ilegais como explicitamente expressa o comunicado do Conselho de Ministros de 7 de Maio, que reza que um dos diplomas aprovados ”prevê a atribuição de um incentivo remuneratório progressivo para o trabalho prestado além dos limites legais anuais

Reduzir a solução da carência de médicos obstetras, ou outros, exclusivamente à atribuição de incentivos pecuniários remunerando trabalho extraordinário além do considerado conveniente ao eficiente desempenho, não será o caminho para a normalização do SNS, pelo menos do SNS universal e tendencialmente gratuito ainda estabelecido, já que não foi qualquer outro eleitoralmente sufragado.

Urge serem encaradas soluções competentes que, na sua abrangência, realmente modifiquem este estado de coisas.

As The World Turns

4 June 2026 at 19:24
Photo: @copyright

Another week, and more of the same.  In the middle east there are cease-fires announced while the bombing and killing continues, and DT announcing that he’s told Israel to cease attacking Lebanon, whilst Israel attacks Lebanon.  It’s like a bad soap, (not that there are any good ones), the story keeps getting spun the same way, and we go about our business, knowing full well that we’re just being played. 

The problem is that the atrocities committed are all boiled down to no more than another news story, whose narrative we can’t control or even truly understand.  We are nothing more than spectators; helpless and shell-shocked to a point of ineptitude.  We are now just game pieces on a board and the elites are having a great time rolling the dice.  DT runs freely on the backs of every leader, and in turn, the rest of us.  The press struggles to tell the truth, as oligarch-run media outlets spin the tales in favour of the perpetrators.  Seasoned journalists in the US are being turfed for trying to tell the facts as they really are, while others stay quiet as their country’s leader insults them for asking pertinent and obvious questions that he doesn’t want to answer.

There’s already a trail of journalists and other TV personalities that have been let go, following a public rant by fearless leader.  And those who support him, (besides the Israeli lobbyists), seem to be either in a delusional state, or in sheer panic of losing whatever they might have that they hold dear.  The blatant lying to support their leader’s buffoonery is beyond any scope.  Pam Bondi, Kash Patel, Peter Hegseth, and many others have put their neck in the noose for this guy.  They must be as deranged as he is.  Even if initially, they didn’t see how this would pan out, from what I can see, they’re in way too deep to back out now, although that would be the only way they could attempt to make things right.  It would be the cleanest way to break this troglodyte.  Don’t make him a martir, and don’t give him any excuses.  If he dies, there’s backlash, if he loses, he won’t accept it, but if his own staffers turn on him, then he will be cornered, like a cockroach.  No excuses, even for the dummies that love him, seeing as they believe everything that spews out of his mouth.  Many are convinced that he’s sent by a higher power!  Of course they do.  Many don’t care what he says, even if they know he’s lying.  That is the level of ignorance that has been created in the United States; your’re free, but also unsupported in any way.  You’re free to be an idiot, and your ignorance is as respected as someone else’s intelligence.  Hell, DT has already stated that he doesn’t like intelligent people, (no s**t).  But he has weapons and credit, so the intelligent and rational world is forced to use diplomacy, stretching it to its ripping point.

  At least there have been a few small victories that have torn down some of his egotistical and racist wonts; feel good victories for us, but they barely scratch the surface.  The truth is that he continues to do whatever he pleases, while Israel hides under his skirt.  Both are destroying whatever we have achieved globally, in terms of any semblance of order and peace, all for the gain of individual profits and power.  In the meantime, there’s the world cup of soccer, the circus that will serve to distract while ‘Rome burns’.  We’ll all be happily cheering for our teams while others can’t.  They’ll be busy with more important things.  Imagine what the good ol’ boys will be able to get away with while we’re lining up to trade our savings for a ticket.

Fiquem bem!

Raul Freitas/MS

O magnífico Dr. A.

4 June 2026 at 17:30

– E eu tenho por esta lei muito carinho…

Assim rezou o palestrante. Para o magnífico Dr. A., esse decreto com que coabitava todos os dias, como se fosse cão, gato ou filho, era muito lá de casa. Poucas vezes ouvimos alguém confessar estes afectos subterrâneos. São verberadas pelo catecismo e pelos amigos mais moralistas as paixões que têm por alvos mudos objectos: dinheiro, móveis, roupas, até empregos. E, neste país, para o bem e para o mal, gostamos mais de contornar legislação do que de sublinhá-la. Ali estava o magnífico Dr. A. para contrariar o carácter nacional.

Esmagado sob o peso da própria gravidade, entrara na sala, secundado por um adjunto e uma secretária. O adjunto sentou-se e ficou responsável por passar os slides da apresentação. Era o “melhor técnico” com que o Dr. já tinha trabalhado.  A secretária, o seu “braço direito”, era alguém em quem o Dr. confiava cegamente. Competentíssima, proba, foi passando atrás das cadeiras para ir registando tudo. De bico selado, não ousou fazer o mínimo ruído a tirar fotografias. Mesmo tendo aquele aspecto protuberante e nervoso, A. quase murmurava. Quando lhe pediram que falasse mais alto, denunciou logo a má acústica do sítio. Se pudessem, franziriam o sobrolho os arcos das abóbadas brancas.

Abriu as hostilidades cuspindo o seu currículo extenso. Conhecia este, conhecia aquele, tinha muito a dever a fulano que chegara a director, era uma voz indómita à mesa dos ministros. Para queimar tempo, pediu à audiência que se apresentasse. À medida que das vozes trémulas iam escapando o nome e a formação, o magnífico Dr. A. ia arrolando vítimas para a sua peça. Que não se encolhesse o antigo inspector das Finanças: toda a gente desconfiava desses coca-bichinhos! Também ele conhecia e apreciava uma inspectora. Partilhavam, aliás, o leito matrimonial. E a rapariga que tinha acabado de entrar no primeiro emprego que tivesse paciência, levantasse a mão quando não percebesse alguma coisa. Dali a três ou quatro anos, já dominaria aquilo de trás para a frente. Se conseguisse entender alguma coisa, entretanto. Que se resignasse o tipo que tinha abandonado a instituição em que o Dr. pontificava. Tinha cometido um erro, deslizado numa traição. Acima de tudo, era preciso ter muita humildade. Dobrar o pescoço, fazer recuar o nariz até despontar o focinho. Muita humildade, apontaram?

Depois veio o vídeo, feito por inteligência artificial, que explicava a história da instituição a que o Dr. pertencia. Tivemos de engolir o chorrilho de banalidades, o dinamismo das palavras repetidas, o discurso redondinho. As colunas não funcionavam? Que se levantassem os ouvintes e se acocorassem à volta do ecrã para ouvir a voz soprada do Além. Lá fomos, vergados, beber da sapiência do cérebro etéreo.  

A comunicação prosseguiu sem sobressaltos. O Dr. salientou quanto se tinha sacrificado, ao longo de tantos e tantos anos, em prol do bem público. Confessou ter recusado rendosos cargos para servir a comunidade. Tinham-lhe agitado franjas de ouro e de prata junto às pupilas. E ele resistira.  O cidadão comum saberia o significado desta abnegação? Podia-se lá esperar solidariedade do povo! Mas a ingratidão não o amargava, as dificuldades não o demoviam. O seu magnífico nariz pairava acima de qualquer monturo.

Se alguém começava a falar com o colega do lado, interrompia o discurso.

– Não querem partilhar com os restantes? Pode interessar a outros colegas.

Qualquer murmuração se poderia transformar em insolência. Havia que prevenir. Por mais que tentasse passar o testemunho àquelas cabeças ocas, mil acidentes perturbavam o seu caminho. Um infeliz tentou lentamente desembrulhar um rebuçado. Uma apoplexia espreitou atrás de uma das orelhas do Dr. 

– Só tu é que não reparaste que está toda a gente a olhar para ti!

Como se nada fosse, o dedo do adjunto continuou a premir o botão da seta.  A secretária dançava ao compasso dos cliques, na nossa sombra.

A. voltou à lição, sentado contra uma das mesas, de costas para o lado que menos lhe interessava. Desfiava frases feitas, lia o que os seus subordinados tinham despejado na apresentação. Lançava, contra o tipo traidor, perguntas sobre decretos e programas. Vinham à baila as dificuldades enfrentadas pelo Estado e saltava para a garupa do inspector. Lembrava-se, a espaços, que tinha sido investido da nobre missão de pregar aos peixinhos e aludia à doce inexperiência da juventude, que a rapariga tão bem encarnava.  

O discurso foi-se enrolando e desfazendo. Gradualmente, foi sobrando pouco para ler e dizer. Quando, enfim, deu por terminada a sessão, a vozearia instalou-se. Era como se tivessem tirado a rolha da garrafa de espumante. Pressentindo que a tensão se dissipava, as línguas voltaram ao ataque.

Mas eis que, sem aviso, o dedo inquisidor de um ouvinte se ergueu acima do emaranhado de timbres. Havia uma pergunta para o Dr.!

– Força!

A palma aberta estalou contra a mesa. O silêncio desceu como um milhafre sobre a presa inquieta. Todos os olhos se arregalaram. As bocas contorceram-se em esgares aflitos. O homem dera mesmo uma pancada no tampo? Bastara um gesto, um gesto apenas, para que o tempo suspendesse o curso e engatasse a marcha-atrás. Subitamente, cada um dos ouvintes regressou aos terrores da infância, à solidão da secretária em frente do quadro preto. A. aproximou-se do perguntador, não dando muita importância ao espanto da audiência. A secretária e o adjunto entreolharam-se. Só eles saberiam quantos acessos de tirania lhe sacudiam o corpo todos os dias.

Finda a função, esperou que todos saíssem. Acompanhado pelos dois súbditos, abandonou a sala. Deve ter sorrido, satisfeito. O seu propósito tinha sido cumprido. Mais um passo fora dado para diminuir a ignorância universal.

Sul Informação
Caricatura de Odilon Barrot de Honoré Daumier (1851)

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Fundação Nova Era Jean Pina: Um elo solidário entre a diáspora e o interior de Portugal

4 June 2026 at 18:19
O empresário e benemérito luso-francês João Pina (à direita) durante a receção nos Paços do Concelho da Guarda pelo presidente da Câmara. @DR

Ao longo das últimas décadas, a diáspora portuguesa tem afirmado, de forma consistente, um notável espírito de solidariedade, um dos mais elevados valores que enobrecem a condição humana e conferem verdadeiro sentido à vida em comunidade. Este desígnio manifesta-se tanto no apoio aos compatriotas radicados no estrangeiro como na permanente ligação solidária a Portugal, numa demonstração inequívoca de coesão, pertença e responsabilidade coletiva.

Entre os múltiplos exemplos que ilustram esta vocação solidária, destaca-se, de forma particularmente expressiva, a ação desenvolvida pela Fundação Nova Era Jean Pina. Constituída em 2019 pelo empresário português João Pina, radicado na região de Paris, esta instituição tem vindo a afirmar-se como um dos mais relevantes agentes de intervenção social no seio da comunidade luso-francesa, a mais numerosa comunidade portuguesa na Europa.

Natural de Trinta, no concelho da Guarda, João Pina emigrou para França na década de 1980, então com apenas 19 anos, acompanhando o percurso de milhares de portugueses que procuravam melhores condições de vida na pátria gaulesa. Apesar das dificuldades inerentes ao processo migratório, construiu um percurso empresarial sólido e bem-sucedido na área da construção civil. Atualmente, enquanto administrador do Grupo Pina Jean, sediado nos arredores de Paris, lidera um conjunto diversificado de empresas com atividade nos setores da construção, limpeza e reciclagem de resíduos.

Todavia, o seu percurso não se esgota no sucesso empresarial. Reconhecido em França como Jean Pina, tem desenvolvido, de forma contínua e empenhada, uma intervenção solidária de grande alcance, colocando os seus recursos e capacidade organizativa ao serviço dos mais vulneráveis. É precisamente nesta dimensão que se destaca o papel estruturante da Fundação Nova Era Jean Pina, cuja missão assenta no lema “Solidariedade em Movimento”.

Sob a liderança direta do seu presidente — distinguido pelo Governo português, no final do passado mês de abril, com a Medalha de Mérito das Comunidades Portuguesas, no grau de ouro — a instituição tem promovido uma relevante cooperação entre França e Portugal, através da conceção, financiamento e concretização de projetos dirigidos a públicos particularmente fragilizados, como idosos, crianças institucionalizadas e pessoas em situação de desemprego.

Particularmente significativa tem sido a ação da fundação em territórios nacionais de baixa densidade, marcados pelo despovoamento e pelo envelhecimento populacional, aos quais o empresário e benemérito luso-francês tem dedicado especial atenção. Foi precisamente nesse contexto que, durante o passado mês de maio, João Pina deslocou-se aos distritos de Viseu e Guarda para uma série de encontros institucionais e ações sociais marcadas pelo desígnio da solidariedade, da proximidade e do reconhecimento das comunidades locais.

Um dos momentos mais marcantes ocorreu na Santa Casa da Misericórdia de Sernancelhe, no distrito de Viseu, onde João Pina participou numa reunião com o provedor Romeu Santos, os idosos da instituição e a equipa técnica do programa “Vamos Realizar Sonhos de Idosos”. Durante a cerimónia, o responsável da fundação recebeu um diploma de agradecimento pelas mãos do provedor, em reconhecimento pelo trabalho solidário desenvolvido e pelo apoio prestado a diversas causas sociais.

As ações de proximidade prosseguiram em Figueira de Castelo Rodrigo, onde o empresário benemérito assinou um protocolo de cooperação entre a Fundação Nova Era Jean Pina e a Associação Figueira S.O.S., lançando as bases de uma parceria destinada a reforçar projetos de apoio social e a desenvolver novas iniciativas dirigidas às populações mais vulneráveis desta vila raiana do distrito da Guarda.

A visita estendeu-se igualmente ao Município da Guarda, onde João Pina foi recebido pelo presidente da autarquia, Sérgio Costa, que destacou publicamente o trabalho desenvolvido pelo empresário em prol dos mais carenciados da região, sublinhando a importância das iniciativas solidárias e do apoio social promovido pelo filho da terra ao longo dos últimos anos.

Ainda na cidade mais alta do país, o presidente da Fundação Nova Era Jean Pina, a convite da psicóloga Sandra Ladeira, e no âmbito do projeto BrilhanteMente, visitou a Escola Secundária Afonso de Albuquerque, marcando presença numa apresentação científica realizada por duas jovens estudantes, num momento de aprendizagem, partilha e aproximação às novas gerações e às suas preocupações.

Num tempo frequentemente marcado pelo individualismo e pela indiferença, o percurso de João Pina e da Fundação Nova Era Jean Pina constitui um exemplo inspirador da força transformadora da solidariedade. A diáspora portuguesa continua, assim, a revelar-se não apenas um elo de ligação entre Portugal e o mundo, mas também uma extraordinária reserva de humanismo, generosidade e compromisso social. Ao levar esperança, apoio e dignidade às populações mais vulneráveis do interior do país, a Fundação Nova Era Jean Pina demonstra como a emigração portuguesa permanece profundamente ligada às suas raízes e aos territórios de onde partiu, contribuindo de forma concreta para a coesão social e para a valorização do interior de Portugal.

Daniel Bastos/MS

A política precisa de menos escândalos e mais respeito pelos portugueses!

4 June 2026 at 18:09
Photo: @copyright

Meus caros leitores, na política, como na vida, a ambição não é um defeito. O problema surge quando a ambição se transforma numa corrida desenfreada pelo poder, onde vale tudo para alcançar um cargo ou uma posição de destaque. Quando se prometem soluções para todos os problemas, sem explicar como serão concretizadas, corre-se o risco de criar expectativas irrealistas e de aumentar a desconfiança dos cidadãos.

Vivemos tempos difíceis. A economia mundial enfrenta desafios, o custo de vida continua elevado e as incertezas acumulam-se. É precisamente nestes momentos que os portugueses precisam de ser tratados com seriedade e honestidade, e não com promessas que parecem demasiado boas para serem verdade.

E mais uma vez, vindas do mesmo lado, em Portugal voltaram a surgir notícias que não dignificam a política. Investigações, detenções e suspeitas envolvendo figuras ligadas ao poder político levantam novamente questões sobre a transparência e a responsabilidade de quem exerce cargos públicos. Cabe agora à justiça fazer o seu trabalho, com independência e sem pressões.

O que os cidadãos exigem não é perfeição. Exigem apenas que quem os governa coloque o interesse público acima das ambições pessoais ou partidárias. E essa é uma lição que todos os partidos deveriam ter presente. 

Portugal voltou a acordar com notícias de buscas, detenções, suspeitas de corrupção e investigações que envolvem autarquias e estruturas ligadas ao poder político. Desta vez, os holofotes apontam para várias entidades locais e para figuras ligadas ao Partido Socialista, numa situação que está a provocar preocupação e desgaste na confiança dos cidadãos.

Importa dizer, desde já, que num Estado de Direito todos são inocentes até prova em contrário. A justiça deve funcionar com independência, sem interferências políticas e sem julgamentos na praça pública. Mas também é verdade que quando os casos se acumulam, os portugueses começam a questionar se os seus representantes estão verdadeiramente ao serviço do país ou dos seus próprios interesses.

Nos últimos anos, temos assistido a um desgaste contínuo da imagem da política. Não por culpa da maioria dos autarcas, deputados ou governantes, muitos dos quais trabalham honestamente, (alguns que calados eram poetas, criticam quem trabalha), mas porque basta uma minoria para lançar suspeitas sobre todos os restantes. O Partido Socialista atravessa atualmente um período particularmente difícil. Depois de anos no poder, enfrenta problemas internos, divisões, perda de influência e sucessivos casos que têm alimentado a desconfiança popular. Em vez de apresentar uma reflexão profunda sobre os erros cometidos, muitas vezes parece mais preocupado em atacar quem governa do que em reconstruir a sua própria credibilidade.

Por outro lado, o atual Governo tem procurado avançar com algumas reformas que há muito eram reclamadas pelos portugueses. Nem tudo estará perfeito, como é evidente, mas há sinais de tentativa de modernização do Estado e de uma maior descentralização de competências, algo que muitos defendem há anos. É legítimo criticar o Governo quando erra, mas também é justo reconhecer quando existem medidas que vão ao encontro das necessidades do país.

Mas se há algo que deve preocupar todos os partidos, sem exceção, é o crescente afastamento dos cidadãos da vida política. Um exemplo recente foram as eleições diretas no PSD. A reduzida participação dos militantes deveria servir de alerta para todos. Quando até aqueles que pertencem aos partidos demonstram desinteresse em participar nos processos internos, algo não está bem. Como militante e observador da vida política, considero preocupante essa falta de mobilização. Os partidos são pilares fundamentais da democracia e precisam de militantes ativos, motivados e envolvidos. Sem participação não existe renovação, sem renovação não existe confiança, e sem confiança a democracia enfraquece.

Os portugueses estão cansados de guerras partidárias permanentes. Estão cansados de escândalos, suspeitas e ataques pessoais. O que querem é transparência, competência e resultados. Querem políticos que resolvam problemas e não políticos que criem problemas.

A justiça deve continuar o seu trabalho, doa a quem doer. Os partidos devem fazer a sua reflexão interna. E os cidadãos devem continuar atentos e exigentes. Porque a democracia não se fortalece com silêncio nem com fanatismos. Fortalece-se com responsabilidade, participação e verdade.

O país precisa de menos ruído político e de pessoas aflitas pelo poder, que parece que obrigam o cidadão a ser o que eles querem. O que o país precisa é de mais respeito pelos portugueses.

Bom fim de semana.

Toronto’s Island Airport expansion… good idea or bad?

4 June 2026 at 17:29
Foto: Creative Commons

Toronto’s downtown airport, officially known as Billy Bishop Toronto City Airport, has long been the subject of debate. Located on the Toronto Islands just minutes from the city’s financial district, the airport provides convenient regional air service while occupying a unique and sensitive location on Toronto’s waterfront.

Over the past decade, proposals to expand the airport have generated intense discussion among residents, businesses, politicians, urban planners, and environmental groups. Supporters argue that expansion would strengthen Toronto’s economy, improve transportation options, and create jobs. Opponents contend that a larger airport would fundamentally alter the charter of the waterfront, increase noise and pollution, and prioritize commercial interests over community needs.

The central question remains: would expanding the island airport serve the people of Toronto, or would it primarily serve the interest of the aviation industry and airport operations?

Billy Bishop Airport operates under a tripartite agreement involving the federal government, the City of Toronto, and the Toronto Port Authority. The agreement governs airport operations, including restrictions on runway length and aircraft types. Historically. The airport was intended to remain a relatively small urban airport. Expansion proposals have included runway extensions, accommodation of larger aircraft, and increased passenger capacity. Such changes would transform the airport from a regional facility into a more significant transportation hub. Because the airport sits adjacent to densely populated neighborhoods and valuable public waterfront land, and expansion carries consequences far beyond aviation.

The strongest argument against major expansion is that Toronto already possesses a larger international airport in Pearson. Critics ask why valuable downtown waterfront land should be used to duplicate infrastructure that already exists elsewhere in the region. The strongest argument in favour is convenience. A larger downtown airport could provide faster access for millions of travellers and support economic growth in Canada’s largest city. The question therefore becomes one of priorities…. should Toronto’s waterfront be primarily a transportation corridor, or should it remain focused on recreation, housing, public space, and environmental stewardship?

Doug Ford has pulled off a significant political victory in Ontario politics in my humble opinion with the premiere being able to convince the mayor of Toronto Olivia Chow and the Prime Minister of Canada to go along with the expropriation and move on the Island airport that no other government has ever pulled off. Doug Ford has done what no other single politicians has ever been able to maneuverer this deal with all levels of government being on side. Whether the stars all lined up at the same time, or did Doug Ford make this happen?

Expanding Billy Bishop Toronto City Airport offers clear economic and transportation benefits. Increased connectivity, job creation, and business access could strengthen Toronto’s position as a major North American city. However, those benefits must be weighed against substantial costs, including noise, environmental impacts, pressure on surrounding neighborhoods, and potential loss of waterfront opportunities.

Whether the tripartite agreement serves the public interest depends largely on one’s view of what Toronto’s waterfront should become. If economic growth and transportation efficiency are the primary goals, expansion appears attractive. If preserving public waterfront space, neighborhood quality of life, and environmental sustainability are the priorities, significant expansion becomes much harder to justify.

The debate is not simply about an airport. It is a broader discussion about the future identity of Toronto itself and how the city chooses to balance growth, mobility, and quality of life.

Ford appears to have won the political battle to get Billy Bishop expansion moving, but the broader fight over whether the project is a good idea-and how much of it ultimately gets built-is still being contested.

Love it or loathe it, Toronto Island Airport has mastered one thing better than most airports; keeping an entire city talking before passengers even leave the ground. 

Whether it was a “win” for Doug Ford depends on your viewpoint.

Vincent Nigro/MS

A BANDEIRA DA INCLUSÃO

4 June 2026 at 17:08
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“Sou um órfão do mar que navega de uma identidade para outra.” – Michael Gouveia, O Herdeiro

Até 1978, celebrava-se o nosso 10 de Junho com a designação de “Dia de Camões e da Raça Portuguesa”, na lógica de um simbolismo nacionalista que retratava o espírito imperial do Estado Novo. Só depois da Revolução dos Cravos, o Dia de Portugal passou a chamar-se “Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas”. Esta alteração teve a ver com a consciência de que Portugal, desfeito o império, não era apenas um país confinado à sua parte continental e insular, mas abrangia também todas as comunidades de emigrantes espalhadas pelo mundo, tendo-se passado, assim, a valorizar a nossa diáspora. Contas feitas, direi que estamos a dois anos de completar 50 anos de reconhecimento do papel de todos os portugueses que, em determinada altura das suas vidas, procuraram fora o que não encontraram cá dentro. E foram muitos!

É, por isso, cada vez mais incompreensível que a maioria dos que estão ausentes, condene os movimentos migratórios que, nos últimos anos, têm chegado a Portugal. Pior ainda, é concluirmos que toda essa má vontade está expressamente ligada ao facto de terem uma cor de pele e hábitos culturais diferentes dos nossos, como se isso, por si só, fosse um crime. Quando se deram as grandes vagas migratórias dos portugueses, não existiam redes sociais, pelo que o retrato que deles foi feito ficou circunscrito a artigos de opinião e fotografias que agora fazem parte de arquivos históricos que ninguém consulta, salvo um diminuto grupo de estudiosos da matéria. Nos tempos que correm, tudo está exposto e ganha uma amplitude nunca antes experimentada. Já para não falar dos inúmeros vídeos falsos e das frases curtas de grande impacto, que determinados grupos se encarregam de manipular, tornando-se na “vox populi, vox dei” como se de verdades se tratasse.

O fenómeno é novo? Não, apenas no que aos meios de divulgação diz respeito. Basta-nos recuar uns séculos e fazermos uma visita ao nosso poeta, cronista e músico Garcia de Resende, que viveu entre 1470 e 1536. Num dos seus poemas, depois de se indignar por ver “(…) muito espalhar/ Portugueses no viver;/ Brasil, ilhas povoar/ e às Índias ir morar,/ natureza lhe esquecer.”, remata com o seguinte: “Vemos no reino meter/ tantos cativos crescer/ (…)/ que se assim for serão mais/ eles que nós a meu ver. Ou seja, já Garcia de Resende aflorava a Teoria da Substituição (Grand Remplacement), apesar de esta só ter surgido em 2011, imbuída de uma retórica de incitamento ao ódio e à violência.

Passados quase quinhentos anos sobre a morte do nosso cronista e depois de séculos de tantas misturas étnicas, nada mudou na nossa matriz cultural, mantendo-nos fiéis à tão discutida lusitanidade que se receava poder ser beliscada.

A pergunta que se deve colocar é, então, a seguinte: “Por que motivo, estamos agora a levantar a questão do risco de descaraterização iminente de um povo que, desde sempre, foi o resultado de vários encontros (leia-se como um eufemismo) de povos com que se foi cruzando, viajando de identidade em identidade? Porquê agora?” A resposta é óbvia: para satisfazer desígnios ocultos que fazem crescer e aumentar o ódio contra o outro, como se o conceito de alteridade tivesse sido descoberto no século XXI.

Para que o Dia de Portugal seja celebrado na sua plenitude, é imperativo que aprendamos a juntar às nossas Comunidades todas as outras que connosco se estão a misturar. Para que se sintam incluídas, para que possam fazer parte de um todo que se chama Portugal, esteja ele onde estiver nas suas tão díspares coordenadas geográficas. Sentir-nos-emos, orgulhosos quando, em cada 10 de junho, içarmos a bandeira de Portugal, cantando bem alto:

 – Contra a exclusão, marchar, marchar!

Aida Batista/MS

Amparar os nossos idosos nas comunidades portuguesas

4 June 2026 at 16:50
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Quem está fora de Portugal sabe que emigrar é um ato de coragem. No entanto, envelhecer longe do nosso país, sem a devida proteção do Estado que se ajudou a construir além-fronteiras, é uma injustiça profunda. Como alguém que vive a realidade da diáspora e conhece de perto o pulsar das nossas comunidades no exterior, recuso-me a aceitar o silêncio e a inércia perante o sofrimento dos portugueses espalhados pelo mundo. A denúncia que o Grupo Parlamentar do Partido Socialista fez na Assembleia da República não é apenas uma interpelação política; é um grito de socorro que exige uma resposta imediata e sem tibiezas do Governo português.

Existem graves e insustentáveis atrasos no pagamento do Apoio Social para Idosos Carenciados a inúmeros cidadãos portugueses residentes na Venezuela e no Brasil. Falamos de pessoas idosas, muitas vezes doentes e isoladas, que têm neste apoio de sobrevivência a sua única e exclusiva tábua de salvação para garantir o básico: alimentação, medicamentos e habitação. Para agravar o cenário, na Venezuela, os atrasos no pagamento das pensões de reforma pela Segurança Social portuguesa já superam um ano. Isto não é apenas burocracia; é uma situação de desespero absoluto que atenta contra a dignidade humana.

O Apoio Social para Idosos Carenciados foi pensado como um instrumento mínimo de proteção social do Estado português junto das comunidades emigrantes mais fragilizadas. O valor atribuído é, por si só, reduzido, variando entre os 30 euros e o valor da pensão mínima do regime contributivo, sendo pago trimestralmente. Retardar estas verbas, cujas transferências deveriam ter sido efetuadas em março, significa empurrar centenas de idosos para a miséria extrema. A desculpa da falta de verbas ou de bloqueios nos mecanismos bancários e na emissão de cheques na Venezuela não pode servir de escudo para a incompetência operacional. Se existem constrangimentos bancários crónicos na Venezuela, o Estado tem o dever de encontrar e implementar soluções alternativas urgentes.

Não podemos tolerar que os nossos postos consulares fiquem de mãos atadas por falta de articulação central. A nossa diáspora não é um peso; é parte integrante da identidade e do património de Portugal. É inaceitável que cidadãos que dedicaram as suas vidas ao trabalho e mantiveram viva a ligação ao país fiquem meses sem receber as prestações sociais e as pensões a que têm pleno direito, privados de informação clara e de respostas eficazes.

Por isso, exigem-se esclarecimentos claros ao Governo: quantos idosos estão afetados por estes bloqueios? Quando será regularizado, integralmente, o pagamento do Apoio Social para Idosos Carenciados e das pensões em atraso? E que mecanismos estruturais serão criados para garantir que estes atrasos vergonhosos nunca mais se repitam? A solidariedade nacional não devia terminar dentro  das fronteiras geográficas do retângulo continental. Proteger os portugueses no estrangeiro, especialmente os mais vulneráveis, é um imperativo moral e constitucional do qual Portugal nunca deve abdicar. Ignorar esta realidade é falhar com a nossa própria história. O Governo deve agir de imediato, retificando estes erros operacionais e logísticos, assegurando que o apoio financeiro chegue a quem dele depende para sobreviver. Cuidar dos nossos idosos na diáspora não é uma escolha política ou uma benesse partidária, mas sim um ato elementar de justiça, respeito e humanidade para com aqueles que, mesmo distantes, sempre honraram Portugal .

Vitor M. Silva/MS

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