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Tereos e gigantes aeroespaciais criam joint venture para SAF

13 June 2026 at 08:00

O grupo francês Tereos, um dos maiores produtores mundiais de açúcar, etanol e amidos, firmou parceria com a Technip Energies, a Airbus e a Safran para criar a Rebound, joint venture voltada à produção de Combustível Sustentável de Aviação (SAF, na sigla em inglês) em larga escala no Porto de Dunquerque, no norte da França.

O projeto utilizará a tecnologia AtJ (Alcohol-to-Jet), que transforma etanol avançado produzido a partir de resíduos agrícolas e florestais em combustível de aviação sustentável. A previsão é de produção anual de cerca de 160 mil toneladas de SAF, o que colocará a unidade entre as maiores instalações desse tipo na Europa.

A iniciativa ocorre em meio à aceleração global da demanda por combustíveis de baixo carbono para a aviação. Pela regulamentação ReFuelEU Aviation, da União Europeia, a mistura obrigatória de SAF no combustível de aviação deverá atingir 6% em 2030 e chegar a 70% em 2050.

A expectativa do setor é de que a demanda pelo combustível cresça oito vezes entre 2030 e 2050.

A Tereos será responsável pelo fornecimento do etanol usado como matéria-prima no processo industrial.

Já a Technip Energies atuará no desenvolvimento de engenharia e na estruturação técnica do projeto. Airbus e Safran entram como parceiras industriais e potenciais compradoras do combustível produzido.

Segundo Jérôme Bos, Chief Strategy Officer da Tereos, o projeto reforça a estratégia de descarbonização da companhia e o desenvolvimento de cadeias industriais de baixo carbono.

“Estamos muito satisfeitos em contribuir para o surgimento da indústria de etanol para aviação na França, apoiando a descarbonização do setor”, afirmou o executivo em nota.

Uma das etapas consideradas estratégicas já foi concluída: o Porto de Dunquerque concedeu à Technip Energies uma área industrial para implantação do projeto. A localização oferece vantagens logísticas tanto para o recebimento da matéria-prima quanto para o escoamento do combustível sustentável.

O SAF é apontado hoje como a principal alternativa para reduzir as emissões do setor aéreo, um dos mais difíceis de descarbonizar globalmente. Entre as rotas tecnológicas disponíveis, o modelo Alcohol-to-Jet vem ganhando espaço por permitir o aproveitamento do etanol como insumo energético.

O movimento também reforça a corrida internacional pelo desenvolvimento de novas rotas de biocombustíveis. O Brasil, um dos maiores produtores globais de etanol, acompanha de perto a expansão desse mercado, especialmente diante do potencial de utilização do etanol de cana-de-açúcar na produção de SAF.

Os próximos passos do projeto incluem a seleção definitiva da tecnologia, obtenção das licenças ambientais, conclusão dos estudos de engenharia e estruturação financeira da planta.

A expectativa é que a criação formal da joint venture seja concluída no segundo semestre deste ano.

Fim da escala 6×1 pode elevar demanda por mão de obra no campo

12 June 2026 at 15:50

A possível adoção do fim da escala 6×1 no Brasil já começa a gerar preocupação em setores intensivos em mão de obra, como a fruticultura. Para Sidney Tavares, diretor da Timbaúba, a mudança poderá ampliar os custos operacionais e aumentar a necessidade de contratação de trabalhadores em atividades rurais, especialmente na colheita.

Em fazendas de frutas, parte das operações ocorre durante a madrugada para minimizar os impactos do calor sobre os produtos. É o caso da colheita de uvas e cocos em regiões produtoras do Nordeste e Sudeste.

“O clima é mais ameno e impacta menos na fruta. Por isso, fazemos a colheita de madrugada”, afirmou Tavares.

Segundo ele, o eventual fim da escala 6×1 teria impacto principalmente nas operações de campo. A estimativa é de que seria necessário ampliar em cerca de 5% o quadro de funcionários para manter o mesmo ritmo de produção.

“Na indústria o impacto é menor porque já trabalhamos em sistema 12×36. Mas no campo haveria necessidade de contratação”, disse.

O setor afirma, porém, que enfrenta dificuldades para encontrar mão de obra disponível. A escassez de trabalhadores rurais tem levado empresas do agro a buscar alternativas, como mecanização e automação de processos.

“Se essa mão de obra não existir, o caminho será acelerar a mecanização”, afirmou o produtor.

Apesar disso, nem todas as culturas possuem soluções tecnológicas plenamente adaptadas. Enquanto a colheita mecanizada da uva já possui maior desenvolvimento, culturas como o coco ainda dependem fortemente do trabalho manual.

“Hoje ainda precisamos empregar muita gente para a colheita do coco”, explicou.

O setor também acompanha medidas recentes voltadas à formalização do trabalho temporário no campo. Produtores avaliam que mudanças nas regras relacionadas ao trabalhador safrista podem ampliar a oferta de mão de obra formal nos próximos anos.

Na avaliação de representantes da fruticultura, entretanto, esse movimento tende a ser gradual e dependerá também de campanhas de orientação para trabalhadores rurais.

A preocupação do setor ocorre em um momento em que diferentes cadeias do agro já relatam dificuldade de contratação em regiões produtoras, especialmente para atividades sazonais e de alta demanda física.

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