Normal view

PT pede que STF apure se “Dark Horse” virou caixa 2 para campanha de Flávio

10 June 2026 at 21:15

O PT (Partido dos Trabalhadores) enviou nesta quarta-feira (11) ao STF (Supremo Tribunal Federal) um pedido de investigação sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, ficção inspirada na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Na petição enviada ao ministro Flávio Dino, o partido sustenta que a produção pode ter sido utilizada como “caixa 2” para o financiamento da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) nas eleições de 2026.

O PT pede que o STF investigue “o envolvimento de emendas parlamentares e a destinação dos recursos financeiros relacionados ao filme, bem como a atuação dos agentes públicos, privados e das pessoas jurídicas envolvidas”.

Segundo o documento, há indícios de que o dinheiro destinado oficialmente à produção do filme tenha sido utilizado para promoção político-eleitoral, sob o pretexto da produção audiovisual.

Financiamento de Vorcaro

A petição cita a participação do ex-banqueiro e ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, no financiamento do projeto e o envolvimento direto de Flávio nas negociações do financiamento da produção.

À CNN Brasil, Flávio Bolsonaro confirmou o repasse de US$ 12 milhões (aproximadamente R$ 62 milhões) de Daniel Vorcaro para o filme.

“O que se coloca em discussão é a possibilidade de que recursos milionários tenham sido canalizados para uma peça de propaganda política com impacto direto sobre o processo eleitoral de 2026”, afirma a legenda.

O PT argumenta que, caso seja comprovado que recursos destinados ao filme foram utilizados para promover candidaturas ou movimentados por meio de estruturas destinadas a ocultar sua origem, a situação pode configurar abuso de poder econômico e caixa dois eleitoral.

A legenda também questiona se todo o valor empenhado para a realização do filme foi realmente utilizado na produção.

Ainda segundo a petição, os valores para a produção superariam os orçamentos de filmes premiados nacional e internacionalmente, enquanto relatos de bastidores veiculados pela imprensa mostram que o projeto teve corte de custos e problemas operacionais, fatos que seriam incompatíveis com o valor de financiamento do projeto.

Equipe de produção

Outro foco da petição é a rede de pessoas físicas e jurídicas ligadas ao projeto “Dark Horse”.

O PT pede a apuração das relações entre a produtora Go Up Entertainment, sua proprietária Karina Ferreira da Gama, o ICB (Instituto Conhecer Brasil) e outras entidades associadas ao mesmo grupo.

Segundo o partido, investigações já em andamento apuram repasses de recursos públicos ao ICB, assim como possível utilização de contratos públicos e emendas parlamentares a entidades ligadas aos responsáveis pelo filme.

A petição também pede a investigação da participação do deputado federal Mario Frias (PL-SP), que assina roteiro e produção do filme. O PT afirma que o parlamentar aparece como “agente político interessado” e como destinador de emendas para entidades vinculadas aos responsáveis pela produção.

Outras investigações

No último mês, o MPTCU (Ministério Público junto ao TCU) também solicitou ao Tribunal de Contas que investigue eventuais irregularidades no filme “Dark Horse”.

No requerimento, o MPTCU requer que a Corte decida pela adoção das seguintes medidas:

  • apure eventual utilização de incentivos fiscais, benefícios tributários, mecanismos de renúncia fiscal ou patrocínios incentivados relacionados à produção audiovisual “Dark Horse”;
  • investigue eventual utilização de recursos públicos oriundos de emendas parlamentares, convênios, contratos administrativos, termos de fomento ou instrumentos congêneres vinculados, direta ou indiretamente, à produção “Dark Horse”;
  • apure possíveis aportes financeiros destinados à produção audiovisual provenientes de empresas vinculadas direta ou indiretamente ao Banco Master ou ao Sr. Daniel Vorcaro;
  • apure eventual utilização de estruturas societárias, empresas intermediárias ou mecanismos financeiros destinados à ocultação da origem, titularidade ou destinação dos recursos empregados no empreendimento audiovisual;
  • investigue a rastreabilidade financeira dos recursos mencionados nas reportagens jornalísticas, inclusive quanto ao fluxo financeiro entre pessoas físicas, pessoas jurídicas, fundos de investimento e demais entidades eventualmente envolvidas nas operações relatadas.

MPDFT recebe pedido de investigação sobre ONG ligada a “Dark Horse”

10 June 2026 at 20:32

O MPDFT (Ministério Público do Distrito Federal e Territórios) recebeu, na última terça-feira (9), a representação do deputado distrital Chico Vigilante (PT-DF) pedindo a investigação dos recursos repassados à ONG Instituto Conhecer Brasil, comandada por Karina Ferreira da Gama — proprietária da produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Entre 2023 e 2025, a organização teria recebido R$ 5 milhões por meio de acordos firmados com a Secretaria de Educação do Distrito Federal e a Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal.

O Ministério Público encaminhou a notícia fato à Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público e Social. 

Segundo o governo do DF, os contratos tinham como objetivo a execução do programa “Steam Maker”, implantado em 16 escolas públicas do Distrito Federal.

A iniciativa buscava “transformar a experiência educacional nas escolas por meio da metodologia STEAM”, em um curso de um ano voltado a estudantes da rede pública de ensino.

Em parceria com a Fundação de Apoio à Pesquisa do DF, o instituto ficou responsável pelo fornecimento de equipamentos tecnológicos aos alunos e pela realização de cursos de formação.

De acordo com publicação no Diário Oficial do Distrito Federal, a ONG foi selecionada no processo seletivo do “Projeto Desafio DF”, no qual concorria com outras duas organizações.

Inicialmente, em 2023, o ICB recebeu R$ 4 milhões do governo distrital. Em 2025, a parceria foi ampliada por meio de um aditivo de R$ 1 milhão.

De acordo com o parlamentar, “se há investigação formal envolvendo a mesma entidade beneficiária de recursos públicos do Distrito Federal, mostra-se imperioso verificar se os recursos distritais foram efetivamente empregados na finalidade pública anunciada, se os equipamentos foram adquiridos e entregues, se os laboratórios se encontram em funcionamento e se os valores pagos guardam correspondência com os serviços efetivamente prestados”.

O deputado faz referência a uma investigação conduzida pelo MPSP (Ministério Público do Estado de São Paulo), que apura possíveis irregularidades em um contrato firmado entre a Prefeitura de São Paulo e a ONG ligada a Karina Ferreira da Gama.

O acordo previa a instalação de pontos de Wi-Fi em uma comunidade da capital paulista.

A Polícia Civil de São Paulo também instaurou inquérito para apurar possíveis, segundo comunicado da Secretaria da Segurança Pública, “crimes de frustração do caráter competitivo de procedimento licitatório, fraude na execução de contrato administrativo e emprego irregular de verbas ou rendas públicas envolvendo a Prefeitura de São Paulo”.

Na representação apresentada ao MPDFT, Chico Vigilante solicita a apuração dos seguintes pontos:

  • se os laboratórios previstos no Projeto Steam Maker foram efetivamente implementados;
  • se os equipamentos adquiridos estão instalados e em funcionamento nas escolas contempladas;
  • se os valores repassados pelo Distrito Federal correspondem aos bens e serviços efetivamente entregues;
  • se houve subcontratações, terceirizações ou pagamentos a empresas vinculadas direta ou indiretamente à direção da entidade;
  • se existem inconsistências entre a execução física do projeto e os documentos apresentados na prestação de contas;
  • se os aditivos celebrados observaram critérios técnicos e justificativas adequadas;
  • se os mecanismos de fiscalização da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal foram efetivamente exercidos durante toda a execução da parceria.

*Sob supervisão de Lucas Schroeder

❌