Normal view

O milagre da multiplicação da sardinha, a tempo dos Santos

13 June 2026 at 10:09

O cheiro nem engana, depois vem o olhar:prateada e pequenina, a sardinha destaca-se na banca do peixe e a pergunta é sempre a mesma: “Já está boa?”“Já se come”, responde Elisabete Nunes, administradora da Propeixe.“Está gordinha”, reforça Joana Martins, peixeira no mercado de Benfica, em Lisboa, pegando orgulhosa no pescado enquanto o exibe para a fotografia.

Do lado de Matosinhos, onde o pulso da lota dita o ritmo dos dias, há sinais de abundância moderada. “Há muita sardinha, pelo menos aqui no Norte. E tem vindo a melhorar”, afiança Elisabete, contando 40 barcos diários a irem para o mar.

Contudo, a memória recente impede entusiasmos fáceis. A sardinha quase desapareceu do mar. Em 2017, no ponto mais crítico, Portugal e Espanha partilhavam uma quota de apenas 10 mil toneladas. Isto sucedeu devido a condições ambientais adversas e por pressão excessiva sobre o recurso. Juntos estes dois fatores contribuíram para o seu declínio.

“O risco de colapso não era um receio abstrato. Era uma realidade identificada pela ciência”, recorda ao jornal económico Alberto Martín, diretor do programa do Marine Stewardship Council (MSC) para a Península Ibérica.

Nesses anos, muitos pescadores passaram mais tempo em terra do que no mar. A sardinha, esse símbolo tão português, tornava-se escassa, Foi preciso parar para a salvar. Impor períodos de defesos, restrições à captura de juvenis e aceitar perdas no presente para garantir futuro. “A recuperação exigiu sacrifícios importantes por parte dos pescadores”, sublinha Alberto Martín. “Mas foram fundamentais para permitir que o stock regressasse a níveis sustentáveis, garantindo a sustentabilidade do setor e a preservação do recurso para as gerações futuras.”

Hoje, o cenário é outro — ainda que frágil na sua própria conquista. A biomassa da sardinha com mais de um ano de idade aumentou de cerca de 152 mil toneladas em 2019 para mais de 385 mil em 2020. O que representa um crescimento de 153%. Além disso, as quotas aumentaram cinco vezes face ao pior momento e a sardinha voltou às redes com outra consistência. Ainda assim, nem tudo o que vem à rede é peixe.

Joana Martins, peixeira, no mercado de Benfica, em Lisboa

Junho é o auge desta jóia do atlântico. Com a aproximação dos Santos Populares, a procura intensifica-se e a sardinha volta ao centro da mesa — e da economia que gira à sua volta. A EGEAC estima que, só em Lisboa, sejam consumidas cerca de 13 sardinhas por segundo durante as festas, o que se traduz em mais de um milhão ao longo dos dias de celebração.

Nas praças, mercados municipais e supermercados, esse movimento já é visível. Os consumidores regressam, antecipando as semanas de maior procura,e os preços acompanham essa pressão. O quilo oscila entre os sete e os 8,40 euros, refletindo a procura externa e a concorrência. “Os portugueses já estão a comprar muito e a sardinha já está a ficar gordinha”, diz Carlos Proença, peixeiro no mercado de Benfica.

Até chegar ao prato existe uma cadeia exigente. O preço à saída da lota ronda os dois euros, mas ao longo do percurso acumulam-se custos logísticos, operacionais e comerciais. A isso soma-se a pressão internacional sobre um recurso que voltou a ser pro- curado, sobretudo após a recuperação do stock e a certificação de sustentabilidade.

Segundo dados do INE, Portugal exportou entre 7000 a 9000 toneladas de sardinha fresca e congelada em 2024. O principal mercado foi Espanha, seguido de França e Itália, mas no mesmo período importou entre 3 a 5 mil toneladas sobretudo de Espanha, o maior forncedor, seguindo-se França e Países Baixos.

Já agora para não comprar gato por lebre, segundo a Deco, a qualidade da sardinha exige olhar atento: “pele brilhante, guelras vermelhas e olhos salientes e transparentes, com cheiro a maresia, são bons indicadores de frescura.” Apesar das contas, em junho a história é sempre a mesma: uma sardinha no pão, comida sentada ou de pé, ao ritmo de música popular e aromatizada com o perfume do manjerico.

 

 

O que significa a certificação do MSC?
O MSC (Marine Stewardship Council) é uma organização internacional sem fins lucrativos que estabelece normas reconhecidas globalmente para a pesca sustentável, contando com escritórios em todo o mundo, incluindo em Portugal. Atualmente, as pescarias certificadas pelo MSC representam cerca de 20% de toda a captura marinha selvagem a nível mundial. Em Portugal, já existem mais de 450 produtos disponíveis no mercado com o Selo Azul MSC.

Trata-se de uma certificação voluntária que avalia as pescarias com base em três princípios fundamentais. O primeiro diz respeito ao estado dos stocks pesqueiros, garantindo que as populações exploradas se mantêm em níveis saudáveis e capazes de assegurar a sua reprodução a longo prazo. O segundo avalia o impacto ambiental da atividade, exigindo que a pesca seja gerida de forma a minimizar os seus efeitos nos ecossistemas marinhos, noutras espécies e nos habitats. O terceiro princípio centra-se na gestão da pescaria, que deve cumprir a legislação em vigor e dispor de mecanismos que permitam adaptar-se a alterações das condições ambientais, científicas ou regulatórias.

Um aspeto particularmente relevante é que esta avaliação não é realizada pelo próprio MSC, mas por organismos certificadores independentes. A certificação tem uma validade de
cinco anos e está sujeita a auditorias anuais. Em alguns casos, podem ser impostas condições de melhoria que a pescaria certificada é obrigada a cumprir. Caso deixe de satisfazer os critérios exigidos, a certificação pode ser suspensa. Foi o que aconteceu, por exemplo, com a pescaria da sardinha ibérica em 2014.

A certificação assenta ainda num segundo pilar essencial: a rastreabilidade. O Selo Azul que chega ao consumidor é suportado pela norma de Cadeia de Custódia do MSC, que assegura o acompanhamento e a verificação do produto certificado em todas as etapas dacadeia de abastecimento, desde o momento da captura até ao ponto de venda.

 

Menzies Aviation reforça aposta em Portugal com controlo total da antiga Groundforce

12 June 2026 at 14:44

A operação, agora finalizada com a compra dos 49,9% que permaneciam nas mãos da TAP Air Portugal, foi aprovada pelo Tribunal de Contas e marca um novo capítulo na estratégia de expansão da multinacional britânica em Portugal.

Após ter adquirido uma posição maioritária de 50,1% em 2024, a Menzies passa a deter o controlo integral da SPdH, empresa responsável por mais de 100 mil movimentos de aeronaves por ano nos principais aeroportos do país — Lisboa, Porto, Faro, Funchal e Porto Santo. A companhia presta serviços de assistência em escala e carga aérea a várias transportadoras internacionais, desempenhando um papel central na operação aeroportuária portuguesa.

A decisão surge num momento em que o setor da aviação continua a recuperar e a adaptar-se a um contexto de crescente procura e exigência operacional. Com esta aquisição, a Menzies pretende acelerar a execução do seu plano estratégico em Portugal, apostando na modernização tecnológica e na qualificação dos seus mais de 3.500 trabalhadores no país.

“Este é um passo natural na nossa estratégia de longo prazo para Portugal”, afirmou Hassan El-Houry, chairman executivo da Menzies Aviation. “Ao assumirmos a totalidade do capital da empresa, reforçamos a nossa capacidade de investir, inovar e assegurar elevados padrões de serviço num mercado que consideramos estratégico.”

Também o CEO da empresa, Philipp Joeinig, sublinhou o impacto da operação na agilidade da gestão e na relação com clientes. “Esta aquisição permite-nos avançar com maior rapidez na implementação da nossa estratégia e reforça a nossa posição como parceiro de confiança das companhias aéreas e dos aeroportos em Portugal”, afirmou.

A multinacional, que opera em 347 localizações em mais de 65 países, vê no mercado português um ponto-chave para o seu crescimento europeu, num contexto em que o turismo e a conectividade aérea continuam a ser motores essenciais da economia nacional. A aposta reforçada na SPdH reflete, assim, uma visão de longo prazo para o setor, com foco na eficiência operacional, segurança e sustentabilidade.

Num setor altamente competitivo e dependente de infraestruturas críticas, o controlo total da operação em Portugal permite à Menzies alinhar decisões estratégicas e investimentos, num momento em que os aeroportos enfrentam desafios crescentes de capacidade e qualidade de serviço. A empresa assume agora a responsabilidade integral por uma das principais operadoras de assistência em escala no país, consolidando a sua posição como um dos maiores players globais do setor.

Sobre a Menzies Aviation
A Menzies Aviation é líder mundial de serviços para aeroportos e companhias aéreas operando em seis continentes, em mais de 347 aeroportos localizados em 65 países, prestando apoio a mais de 5,3 milhões de voos por ano e movimentando mais de 2,4 milhões de toneladas de carga.
Apoiando-se numa equipa de mais de 65.000 profissionais altamente qualificados, a empresa fornece serviços de assistência em escala complexos e críticos, incluindo serviços a passageiros, lounges e placa; serviços de carga aérea, incluindo assistência, armazenagem e agenciamento de carga; bem como serviços de combustível, incluindo gestão de parques de combustível e abastecimento de aeronaves.
A Menzies Aviation é amplamente reconhecida no setor pela prestação de serviços seguros e sustentáveis, adaptados às necessidades dos seus clientes, desempenhando um papel essencial para garantir a circulação contínua de passageiros, aeronaves e carga, 24 horas por dia, todos os dias do ano. Com sede em Londres, a Menzies Aviation tornou-se, desde a sua fundação em 1833, no maior grupo mundial de serviços de aviação em número de países, aeroportos e movimentos de aeronavesassistidos.

Dubai, Heathrow e Los Angeles emitem três vezes mais CO₂ do que toda a cidade de Paris, revela novo estudo

12 June 2026 at 11:11

Um novo estudo publicado por ODI Global, em parceria com a Transport & Environment e com dados do International Council on Clean Transportation, analisou cerca de 1.300 aeroportos em todo o mundo e conclui que as emissões da aviação continuam a crescer de forma estrutural, apesar dos compromissos internacionais de descarbonização.

De acordo com a investigação, em 2023 — o último ano com dados consolidados — os aeroportos de Dubai International Airport, Heathrow Airport e Los Angeles International Airport destacam-se como alguns dos maiores emissores individuais do planeta, somando em conjunto três vezes mais CO₂ do que toda a cidade de Paris.

O relatório sublinha ainda um padrão de forte concentração: apenas 100 aeroportos são responsáveis por cerca de dois terços das emissões globais da aviação comercial. Em paralelo, aeroportos em apenas dois países — Estados Unidos e China — representam mais de um terço do total mundial.

Europa no topo das emissões aeroportuárias

Um dos dados mais salientes do estudo é o papel da Europa. Segundo a análise, os aeroportos europeus emitem mais CO₂ do que os da América Latina, Médio Oriente e África combinados. Londres surge como a principal cidade emissora ligada à aviação, com seis aeroportos a contribuir para os vários tipos de poluição analisados — desde CO₂ a óxidos de azoto (NOx) e partículas finas (PM2.5).

O próprio Heathrow Airport é destacado como o segundo aeroporto mais poluente do mundo.

Impacto climático e saúde pública

Para além do dióxido de carbono, o estudo avalia também poluentes com impacto direto na saúde pública, incluindo monóxido de carbono e partículas finas. Segundo os autores, cerca de 20 aeroportos em todo o mundo emitem mais do que uma central elétrica a carvão individual.

A análise conclui ainda que a aviação continua fora de rota para cumprir as metas de neutralidade carbónica, mesmo com o crescimento de soluções como combustíveis sustentáveis de aviação ou mecanismos de compensação.

Críticas à expansão aeroportuária

As organizações envolvidas defendem que os planos de expansão aeroportuária em várias capitais europeias entram em contradição com os objetivos climáticos.

“Permitir que um setor dependente de combustíveis fósseis continue a expandir-se apenas reforça a sua vulnerabilidade climática”, afirmou Denise Auclair, da campanha Travel Smart da Transport & Environment, defendendo a necessidade de alinhar capacidade aeroportuária com metas de clima, qualidade do ar e ruído.

Já Sam Pickard, investigador da ODI Global, sublinha que, desde o Acordo de Paris, “enquanto outros setores reduziram emissões, a aviação continuou a crescer”, defendendo uma estratégia que inclua gestão da procura e não apenas soluções tecnológicas.

O estudo reforça assim uma tendência estrutural: apesar da pressão política e climática, a aviação mantém-se como um dos setores mais difíceis de descarbonizar, com emissões altamente concentradas em poucos pontos críticos da rede global.

Moedas corta apoios às refeições escolares e pode aumentar custos até 16,5 euros por mês por aluno

12 June 2026 at 11:09

A Câmara Municipal de Lisboa prepara-se para alterar o regime de descontos nas refeições escolares, numa decisão que pode afetar cerca de 36 mil crianças e jovens da rede pública. Segundo avança o jornal Expresso, a proposta do presidente da autarquia, Carlos Moedas, defende que será mantido o acesso totalmente gratuito às refeições para os alunos integrados nos escalões mais baixos da Ação Social Escolar (ASE), nomeadamente os escalões A (rendimentos anuais coletáveis até 3759 euros, ou seja 314 euros mensais) e B (rendimentos até 7519 euros por ano, ou seja, 627 euros mensais), que correspondem às famílias com menores rendimentos.

No entanto, o município pretende reduzir de forma significativa os apoios atualmente em vigor para outros escalões. O Expresso explica ainda que os estudantes do escalão C, ou seja, encarregados de educação com rendimento bruto coletável igual ou superior a apenas 1000 euros mensais deixarão de beneficiar do desconto de 50% e passarão a pagar o valor total da refeição, enquanto os alunos com rendimentos familiares mais elevados também perderão o apoio parcial que ainda lhes era atribuído.

Na prática, cada refeição custará cerca de 1,5 euros sem descontos. Para muitas famílias, a alteração poderá representar um aumento mensal médio na ordem dos 16,5 euros por aluno, tendo em conta o número de dias letivos — cada ano letivo tem entre nove e dez meses.

Segundo o jornal Expresso, a medida poderá abranger cerca de 36 mil alunos, incluindo crianças do pré-escolar e estudantes até ao 12.º ano. De acordo com dados referidos no debate político, cerca de 32 mil já estão integrados no sistema público, aos quais se somam quase 4 mil crianças do pré-escolar.

A proposta será levada a votação na vereação e já está a gerar contestação política. O Partido Socialista anunciou que votará contra, argumentando que a decisão representa um retrocesso nas políticas de apoio social escolar.

Em causa está uma mudança no modelo de apoios da ASE que, segundo a autarquia, pretende concentrar os recursos nos alunos com maiores dificuldades económicas, enquanto a oposição critica o impacto no orçamento das famílias de classe média.

Chega quer avançar com privatização da RTP após o verão

12 June 2026 at 09:58

A medida é justificada pelo partido liderado por André Ventura com os “custos incomportáveis para os contribuintes” associados ao serviço público de rádio e televisão RTP, alegando que estes encargos não se têm traduzido em benefícios proporcionais para os cidadãos, avança o Sol.

Críticas ao modelo de financiamento

Segundo o SOL, o Chega defende que a RTP se tornou um “poço sem fundo de dinheiro público”, criticando ainda o modelo de financiamento baseado na contribuição audiovisual, que o partido considera injusto e desajustado.

O partido argumenta também que a estação pública tem sido alvo de gestão ineficiente e de falta de independência editorial, acusações que têm sido repetidamente dirigidas pelo líder do Chega ao longo dos últimos meses.

Resultados financeiros e debate político

Ainda segundo a mesma fonte de informação, o tema ganha força após a divulgação de resultados negativos recentes da RTP, com prejuízos justificados pela administração com o aumento de custos operacionais e receitas estagnadas ao longo dos últimos anos.

A administração do canal público tem defendido que a sustentabilidade financeira do serviço público exige uma revisão do modelo atual de financiamento, alertando para dificuldades crescentes na gestão da empresa.

Discussão política em curso

A iniciativa do Chega surge num contexto mais amplo de negociações entre o partido e o Governo em torno de várias reformas estruturais, incluindo alterações ao sistema de apoios sociais e à legislação laboral.

“O partido tem procurado influenciar vários dossiês em discussão no Parlamento, mantendo como condição a defesa de medidas de “moralização dos subsídios” e de reforço da fiscalização das prestações sociais”, avança o Sol.

Debate deverá regressar em setembro

A proposta deverá ser formalmente discutida no arranque da nova sessão legislativa, prometendo reabrir o debate sobre o papel do Estado nos media e o futuro da RTP em Portugal.

Mudança de casa está entre os eventos mais stressantes da vida, indica inquérito

12 June 2026 at 09:32
isenção habitação

A ideia de mudar de casa é, para muitos, sinónimo de incómodo. Mas um inquérito recente sugere que o impacto emocional pode ser mais profundo do que se pensava — rivalizando com alguns dos momentos mais marcantes da vida.

A evidência científica reforça esta perceção: a mudança de residência figura há décadas entre os principais fatores de stress identificados pela psicologia, nomeadamente na escala de Holmes e Rahe (1967), uma das mais utilizadas para medir o impacto de eventos de vida no stress.

Segundo um inquérito divulgado pela empresa Clean Bees, baseado numa amostra de mil norte-americanos que mudaram de residência em 2024, 82% classificaram a experiência como stressante e 42% admitem ter chorado durante o processo. Mais de um terço dos inquiridos afirmou que mudar de casa foi mais exigente do que organizar um casamento, enquanto quase um em cada cinco considerou a experiência mais difícil do que um divórcio. Em 14% dos casos, a mudança foi mesmo apontada como mais stressante do que a morte de um familiar.

Os resultados ajudam a explicar uma perceção comum: mudar de casa vai muito além de transportar bens de um ponto para outro. Pressões financeiras, decisões constantes, esforço físico, rotinas interrompidas e uma lista interminável de tarefas urgentes transformam o processo num verdadeiro teste de resistência.

Estudos académicos confirmam este impacto: uma investigação publicada na revista Urban Science (2022) conclui que mudanças residenciais estão associadas a níveis mais elevados de stress, sobretudo em contextos de instabilidade ou mobilidade frequente.

O inquérito — citado num comunicado empresarial — indica ainda que praticamente todos os participantes enfrentaram dificuldades, sendo a gestão do stress o principal desafio. Mais de metade acredita, aliás, que a complexidade de uma mudança é frequentemente subestimada.

Outros dados internacionais apontam no mesmo sentido: um estudo divulgado pela plataforma britânica Inside Conveyancing (2023) indica que 57% dos inquiridos consideram mudar de casa o evento mais stressante da vida, acima de marcos como ter filhos ou divorciar-se.

Entre as tarefas mais exigentes destaca-se o empacotamento, apontado como o mais stressante, difícil, demorado e indesejado. Para 43% dos inquiridos, foi também a fase que consumiu mais tempo. Ainda assim, mais de um quarto revelou que, um mês depois da mudança, continuava a organizar a nova casa.

A relevância deste fator é consistente com dados do relatório “Moving Trends 2025”, da plataforma Anytime Estimate, que identifica o empacotamento como a etapa mais exigente em termos de tempo e desgaste emocional.

Outro aspeto frequentemente relegado para o final é a limpeza. Seja para garantir a devolução de uma caução, preparar um imóvel para venda ou simplesmente deixar a casa em boas condições, esta tarefa acaba muitas vezes concentrada nos últimos dias — precisamente quando o tempo escasseia.

O peso financeiro agrava o cenário: em média, os norte-americanos gastaram cerca de 2.050 dólares numa mudança em 2024, sendo que 78% enfrentaram despesas inesperadas. Mais de um terço ultrapassou o orçamento previsto.

Este impacto económico surge frequentemente associado ao stress: o mesmo relatório da Anytime Estimate (2025) indica que os custos inesperados estão entre os principais fatores de ansiedade durante o processo de mudança.

Perante este contexto, cresce a procura por serviços especializados que permitam aliviar a carga associada a este momento de transição. Empresas de limpeza profissional têm vindo a adaptar a sua oferta, focando-se em soluções de limpeza de entrada e saída que libertam tempo e reduzem a pressão sobre famílias e empresas.

Num processo já de si exigente, a externalização de tarefas surge, assim, como uma forma de transformar uma experiência potencialmente caótica numa transição mais controlada — e, sobretudo, menos desgastante.

Este impacto económico surge frequentemente associado ao stress: o mesmo relatório da Anytime Estimate (2025) indica que os custos inesperados estão entre os principais fatores de ansiedade durante o processo de mudança.

Bosch investe 85 milhões para reforçar em Portugal

12 June 2026 at 07:35

A Bosch está a atravessar um período de transformação, tanto em Portugal como a nível global, marcado por ajustamentos estratégicos, mudança tecnológica e reposicionamento geográfico da sua atividade. Por cá, em 2025, a multinacional alemã registou uma ligeira contração do volume de negócios, com uma descida de 2,6%, fixando a faturação nos 2,2 mil milhões de euros.

A redução é explicada, sobretudo, pela alienação do negócio de tecnologias de segurança e comunicações em Ovar, concluída em meados do ano passado, cujas receitas deixaram de ser consolidadas nas contas da empresa. Ainda assim, trata-se do quarto ano consecutivo em que supera a fasquia dos dois mil milhões de euros, sinal de estabilidade num contexto económico adverso.
Apesar deste recuo, a atividade em território nacional mantém-se resiliente. “A Bosch tem vindo a direcionar investimento e novas responsabilidades para as unidades portuguesas, confiando na competitividade e qualidade das nossas operações”, garante Javier González Pareja, Presidente da Bosh para Portugal e Espanha.

“Os cerca de 85 milhões de euros previstos para investimento em Portugal até ao final de 2026 refletem essa confiança no potencial do país e nas capacidades das nossas equipas”, acrescenta.

Portugal surge assim como uma exceção positiva dentro deste processo de reorganização.
A empresa tem vindo a transferir parte da produção e investimento do Leste europeu para unidades nacionais. “Destacam-se, por exemplo, a mobilidade em Braga, as tecnologias para aquecimento de água em Aveiro e os departamentos que prestam serviços para toda a empresa a nível global”, diz Javier González Pareja. Paralelamente, o hub de serviços em Lisboa tem vindo a ganhar relevância, refletindo a crescente importância das áreas digitais e de suporte global.

Esta estratégia evidencia o reforço do papel do país como polo industrial e tecnológico dentro do grupo. Para 2026, a Bosch antecipa um regresso ao crescimento, estimando uma evolução positiva das vendas entre 2% e 5%. Mesmo num contexto global marcado por incerteza geopolítica e pressão inflacionista.

A Bosch enfrenta desafios estruturais decorrentes da transição da indústria automóvel para a eletrificação. O negócio tradicional, assente em componentes para motores de combustão, tem perdido peso à medida que os veículos elétricos ganham quota de mercado. Porém, segundo Pareja, a estratégia da empresa não se limita apenas à eletrificação, sendo antes baseada numa abordagem “tecnologicamente aberta” e diversificada. Embora exista um forte investimento na eletrificação, tanto na mobilidade como no setor doméstico, a empresa continua também a apostar em soluções de combustão “cada vez mais eficientes e sustentáveis”

Mais do que um sinal de fragilidade, os recentes desenvolvimentos refletem uma empresa em transição, que procura adaptar-se a uma nova realidade industrial. O futuro da Bosch dependerá da sua capacidade de executar esta transformação num setor em rápida mutação.

PSP interceta transporte ilegal de prata avaliada em 700 mil euros no Aeroporto de Lisboa

11 June 2026 at 16:55

A ação, conduzida pelo Departamento de Segurança Privada (DSP) da PSP, surge na sequência de várias denúncias e diligências de investigação que apontavam para irregularidades no setor do transporte de valores. No total, foram apreendidos 389 quilos de prata, cujo destino seria um Estado-membro da União Europeia.

Dois homens, condutores das viaturas utilizadas no transporte, foram detidos em flagrante delito. As autoridades apreenderam ainda duas viaturas ligeiras de mercadorias associadas à operação.

Segundo a PSP divulgou em comunicado, a empresa responsável pelo transporte não possuía o obrigatório Alvará D, licença exigida para o exercício da atividade de transporte de valores. A infração poderá configurar crime, nos termos da legislação em vigor que regula a segurança privada em Portugal.

Durante a fiscalização, foi também detetada a ausência de documentação que comprovasse a origem dos metais preciosos. As autoridades identificaram ainda o uso indevido de sacos e lacres pertencentes a empresas de segurança privada devidamente licenciadas, levantando suspeitas adicionais sobre a legalidade da operação.

Os suspeitos foram constituídos arguidos e sujeitos à medida de coação de Termo de Identidade e Residência. O caso foi comunicado ao Ministério Público e à Polícia Judiciária, que poderão aprofundar a investigação.

A PSP sublinha que o transporte de valores é uma atividade altamente regulada, devendo ser assegurada exclusivamente por entidades devidamente licenciadas. A força policial reforça ainda o apelo às empresas para verificarem a legalidade dos prestadores de serviços antes de contratar este tipo de operações.

A operação contou com o apoio da Divisão de Trânsito do Comando Metropolitano de Lisboa e das estruturas de investigação criminal da PSP, que garantiram a segurança da interceção e a preservação da prova.

A PSP assegura que continuará a intensificar a fiscalização do setor, com o objetivo de prevenir a criminalidade e reforçar a confiança no mercado da segurança privada.

 

❌