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Equipa da Sérvulo assessora Liga Portugal no processo de centralização dos direitos televisivos de futebol

9 June 2026 at 18:31

A Sérvulo & Associados tem acompanhado juridicamente a Liga Portugal e Liga Centralização no processo de implementação do decreto-lei que impôs a comercialização centralizada dos direitos audiovisuais dos clubes/sociedades desportivas da Liga Portugal Betclic  e da Liga MeuSuper.

A proposta de chave de distribuição foi aprovada esta segunda-feira, na Assembleia Geral da Liga Portugal, no Porto, com 80% dos votos.

A equipa multidisciplinar que assessora a Liga é liderada por Miguel Gorjão-Henriques, sócio responsável pelas áreas de Concorrência e Europeu, que conta também com Morgana Grácio, associada da mesma equipa, e os sócios Pedro Silveira Borges, de Corporate e M&A, Henrique Rodrigues Silva, de Direito Público, e Miguel Santos Almeida, de Contencioso.

A Liga Portugal estima que o montante angariado com os direitos televisivos dos clubes em Portugal possa atingir 225 milhões por temporada.

Ordem satisfeita com alteração ao Código de Processo Penal que exclui advogados de multas por atos “dilatórios”

9 June 2026 at 17:42

A Ordem dos Advogados (OA) saudou a aprovação da alteração ao Código de Processo Penal (CPP) e do Regulamento das Custas Processuais (RCP), no passado dia 3 de junho, que determina que as multas por atos manifestamente infundados ou dilatórios não sejam um encargo da classe.

“Esta alteração vai ao encontro da posição reiteradamente manifestada pela OA, que sempre considerou que a redação anteriormente proposta geraria pressão sobre o exercício da Advocacia e comprometeria a liberdade e a independência dos mandatários, colocando em risco a efetividade do direito de defesa dos cidadãos”, recorda a entidade em nota de imprensa.

A este respeito, João Massano, Bastonário da Ordem dos Advogados, sublinha que “o legítimo combate à morosidade processual não pode converter-se em pressão sobre quem tem o dever, perante o cliente, de usar todos os instrumentos legalmente previstos para o defender”. “Penalizar o defensor pelo cumprimento do mandato é amputar o direito de defesa. E o direito de defesa é, em qualquer Estado de Direito, condição da Justiça”, defende o advogado.

Apresentada pelo grupo parlamentar do PSD, a proposta de lei nº 54/XVII/1 foi aprovada na especialidade no dia 3 de junho e estabelece multas por atos manifestamente infundados ou dilatórios para arguidos, assistentes, partes civis ou pessoas afetadas.
AOrdem dos Advogados defende a definição com clareza do que constitui um “ato manifestamente infundado ou dilatório”, alertando para a subjetividade do conceito e para a possibilidade de pôr em causa os direitos dos intervenientes nos processos.

Taxa de inflação em Angola desacelera para 10,88% em maio

9 June 2026 at 12:18

A inflação em Angola recuou para 10,88% em maio, numa comparação homóloga, mantendo a trajetória descendente iniciada na segunda metade de 2024, ano encerrado com uma taxa média anual de 27,5%.

De acordo com o boletim mensal do Instituto Nacional de Estatística (INE), a variação de quase 10,9% do Índice de Preços no Consumidor Nacional (IPCN) em maio representa uma desaceleração de 0,70% ponto percentual (p.p.) em cadeia – a taxa fixou-se nos 11,58% em abril – e de 9,86 p.p. relativamente ao mesmo mês de 2025 (20,74%).

Os dados divulgados por classe de despesa mostram que nos transportes, habitação e alimentação os preços cresceram acima da média nacional. Na classe dos “transportes”, que registou o maior crescimento do índice de preços, a variação foi de 15,73% em relação a maio do ano passado. Na “habitação, água, eletricidade e combustíveis” o índice foi de 14,32%, na “educação” de 13,40% e na “alimentação e bebidas não alcoólicas” de 11,33%. Esta foi a classe que, em maio, mais contribuiu para a subida do nível geral de preços, com 6,90 p.p.

Por província, Luanda encontra-se no meio da tabela, tendo registado uma variação homóloga de 10,61%. Nos extremos, Cabinda teve a maior variação (16,56%) e Huambo a menor (7,72%). Além desta última, nas províncias do Namibe, Cuanza Norte, Lunda Norte e Cunene a taxa já passou para um dígito.

Em maio, o governador do BNA Manuel António Tiago Dias comunicou que o Comité de Política Monetária do Banco Nacional de Angola (BNA) “reviu em baixa projeção da taxa de inflação para 11,5% em 2026”, considerando a trajetória registada até abril e “não se vislumbrando pressões inflacionistas preocupantes nos próximos meses”.

É o 22.º mês consecutivo de desaceleração, com a taxa a aproximar-se de um dígito.

Banco central angolano defende mais produção interna para inflação continuar a baixar

Suíça discute limitar população a 10 milhões de habitantes

9 June 2026 at 10:56

Suíça discute limitar a população a 10 milhões de habitantes. O tema vai ser votado num referendo considerado o “Brexit suíço”. A iniciativa é do partido de direita nacionalista Partido Popular Suíço (SVP), maior força política do país.

“No fim das contas, o que queremos é proteger aquilo que amamos, garantir que a Suíça continue a ser um lugar maravilhoso para se viver. Não vamos acabar com os congestionamentos da noite para o dia, mas isso permitir-nos-á adaptar a infraestrutura rodoviária e ferroviária e construir moradias. Mas não a um ritmo que acabaria por nos impedir de absorver esse enorme fluxo de pessoas”, diz o parlamentar Yvan Pahud, do SVP.

“Essa iniciativa é extremamente perigosa. É perigosa porque, em primeiro lugar, é absolutamente xenófoba. No fundo, transforma os estrangeiros em bodes expiatórios, como se fossem a resposta para todos os males da sociedade. É perigosa porque é enganosa. Não resolverá a questão da sustentabilidade, como o seu nome afirma, ostensivamente. Pelo contrário, corre o risco de empobrecer a Suíça e de enfraquecer fundamentalmente os acordos que atualmente temos com a União Europeia, que são mais importantes do que nunca”, afirma, por sua vez, Delphine Klopfenstein, do Partido Verde.

Atualmente, a Suíça tem pouco mais de nove milhões de habitantes. E os estrangeiros representam quase 28% da população.

Segunda a proposta, se a população ultrapassar 9,5 milhões, o governo seria obrigado a tomar medidas para impedir que chegue a 10 milhões.

Ou seja, encerrar acordos que incentivam o crescimento populacional, incluindo a livre circulação com a União Europeia.

As empresas temem que um “sim” limite o acesso à mão de obra qualificada e prejudique as relações com o principal mercado de exportação da Suíça.

“Na Suíça, por exemplo, mais de 50% da nossa equipa hoteleira são estrangeiros. Se não tivermos mais acesso a esses trabalhadores qualificados, seria muito difícil continuar a operar o setor de hotelaria e gastronomia na Suíça no nível atual”, diz Martin von Moos, da associação do setor hoteleiro da Suíça.

A população está dividida. A pesquisa mais recente indica 47% a favor do limite e 52% contra.

“Bem, digamos apenas que, considerando o tamanho do país, já temos mais do que suficiente. Quero dizer, com mais de 10 milhões [de habitantes], o que vamos fazer? Onde vamos colocar todas essas pessoas? É muito bonito acolhê-las, mas o que elas vão fazer? Ficar na rua?”, afirma um morador de Orbe.

“As pessoas estão a ser bombardeadas com esse medo de imigrantes e da imigração, quando na realidade sabemos muito bem que a economia suíça não pode sobreviver sem a imigração. E admito que gostaria de ver mais gente na Suíça, porque, quando eu me aposentar, precisaremos de pessoas a trabalhar para sustentar o sistema de previdência [segurança social]”, diz, por outro lado, uma moradora de Genebra.

Assim como outros países europeus, a Suíça também enfrenta o envelhecimento da população. Até 2055, a proporção de pessoas em idade ativa (entre 20 e 64 anos) deve cair de 60% para 56%.

Ao mesmo tempo, a parcela de idosos com mais de 65 anos deve aumentar significativamente, de 21% para 27%, segundo o Escritório Federal de Estatísticas da Suíça.

Referendos são um pilar da política suíça, com os eleitores a ir às urnas cerca de quatro vezes por ano para decidir sobre diferentes questões nacionais e regionais.

O referendo sobre limitar a população do país será realizado no dia 14 de junho.

Wall Street: Nasdaq e S&P 500 terminam dia em alta

8 June 2026 at 22:09

A tecnologia protagonizou a sessão desta segunda-feira em Wall Street, com o Nasdaq a valorizar 0,86% (25,929.66 pontos) aquando do fecho da sessão, seguido do S&P500 (+0,30%). Em destaque estiveram os ganhos das fabricantes de chips, à procura de recuperar terreno após o “sell-off” de sexta-feira passada.

As ações da Apple caíram apresentou a sua nova plataforma de inteligência artificial (IA),

O Dow Jones, por outro lado, terminou a negociação a cair 0,16%.

A marcar a sessão está também o anúncio de Irão e Israel de interrupção dos ataques iniciados há mais de 24 horas, o que aliviou o sentimento dos investidores.

O petróleo que chegou a subir 5%, abrandou a escalada depois que o Irão e Israel se comprometeram a suspender os ataques retaliatórios, após pedidos do Presidente norte-americano, que continua a estar confiante de que um acordo entre os EUA e o Irão será alcançado.

A cotação do barril de petróleo Brent para entrega em agosto terminou hoje no mercado de futuros de Londres em alta de 1,25%, para 94,25 dólares, pela tensão no Médio Oriente, apesar dos apelos de Donald Trump à contenção. Já o crude WTI subiu 0,84% para 91,30 dólares.

A tensão geopolítica entre Israel e Irão continua assim a influenciar os mercados, embora sinais de redução do conflito tenham ajudado o sentimento dos investidores. Os investidores continuam a equilibrar o otimismo com a IA, a política monetária da Fed e os riscos geopolíticos.

 

Salário mínimo continua a aproximar-se do salário mediano e atinge 91% em 2025, alerta BdP

8 June 2026 at 18:53

O salário mínimo nacional continua a aproximar-se do salário mediano e, no ano passado, e já representava 91% dos níveis centrais da distribuição salarial, de acordo com o boletim económico do Banco de Portugal (BdP) de junho, apoiado nos microdados da Segurança Social.

Em seis anos, passou de 87% (2019) para 91% (2025). Esta atualização confirma a tendência de aumento dos salários mais baixos acima dos mais altos. “A evolução recente da distribuição salarial, num contexto de atualizações expressivas do salário mínimo nacional, traduziu-se numa subida do índice de Kaitz (rácio entre o salário mínimo e o salário mediano), refletindo a aproximação do salário mínimo aos níveis centrais da distribuição salarial”, lê-se no relatório publicado esta segunda-feira pelo banco central.

Detalhando por decil da distribuição salarial, os trabalhadores no primeiro decil, ou seja, com rendimento junto do salário mínimo, tiveram um crescimento médio do salário base superior a 8%. No último decil, ligeiramente abaixo dos três mil euros mensais, o aumento foi quase de 5%, de acordo com o BdP, que recorda os aumentos significativos em termos nominais e reais dos salários nos últimos anos.

“Este padrão, caraterizado por crescimentos mais elevados nos níveis salariais mais baixos, traduz-se numa compressão da distribuição salarial”, alerta a instituição liderada por Álvaro Santos Pereira.

“Nos últimos anos, os salários registaram aumentos significativos em termos nominais e reais. Em 2025, o crescimento anual do salário médio por trabalhador foi de 5,6% em termos nominais, após 6,2% em 2024 e 6,4% em 2023. Em termos reais (descontando a inflação), os salários cresceram 3,1% em 2025, 3,4% em 2024 e 1,5% em 2023”, detalha o banco central.

“Em síntese, a distribuição salarial em Portugal tem registado uma compressão gradual nos últimos anos, refletindo aumentos salariais mais elevados nos níveis salariais inferiores. Esta evolução traduziu-se numa redução da desigualdade salarial, num contexto em que o salário mínimo nacional desempenha um papel central na formação dos salários. A compressão da distribuição salarial em torno do salário mínimo nacional levanta questões importantes relativamente aos incentivos dos trabalhadores e à dinâmica da produtividade da economia”, lê-se no documento.

O Boletim Económico revela que os salários em Portugal se tornaram “menos desiguais” ao longo dos últimos anos, ou seja, a diferença entre quem ganha mais e quem ganha menos diminuiu.

Para esta conclusão o BdP analisou dois indicadores que em conjunto sugerem que houve uma diminuição da desigualdade salarial em Portugal.

O Boletim detalha que “o rácio entre os percentis 90 e 10  da distribuição do salário total diminuiu de 4,1 em 2010 para 3,3 em 2025, indicando uma menor diferença entre os salários mais elevados e os mais baixos. De igual modo, o coeficiente de Gini do salário base reduziu-se de 0,31 para 0,24, enquanto o coeficiente de Gini do salário total passou de 0,33 para 0,28 no mesmo período. Esta evolução sugere uma distribuição mais equilibrada dos rendimentos do trabalho”.

O indicador P90/P10 compara o salário dos trabalhadores que estão entre os 10% mais bem pagos (percentil 90) com o salário dos 10% menos bem pagos (percentil 10). Em 2010, os trabalhadores do grupo superior ganhavam, em média, 4,1 vezes mais do que os do grupo inferior. Em 2025, essa diferença reduziu-se para 3,3 vezes. Isto mostra que os salários mais baixos cresceram relativamente mais do que os salários mais elevados, aproximando os rendimentos dos diferentes grupos de trabalhadores.

O coeficiente de Gini é outro indicador utilizado para medir a desigualdade. O seu valor varia entre 0 e 1: quanto mais próximo de 0, mais igualitária é a distribuição dos rendimentos; quanto mais próximo de 1, maior é a desigualdade. A redução do coeficiente de Gini do salário base de 0,31 para 0,24 e do salário total de 0,33 para 0,28 indica que a distribuição dos salários se tornou mais equilibrada ao longo do período analisado.

A comparação internacional dos indicadores de dispersão salarial mostra que Portugal apresenta atualmente um dos níveis de desigualdade salarial mais reduzidos da área do euro, destaca o Banco de Portugal.

Intermediários de crédito triunfam nos mais velhos, com rendimentos mais baixos e menor literacia financeira

Dados do Banco de Portugal relativos a 2025 revelam que 51% do crédito ao consumo e 56% do crédito à habitação foram comercializados com a intervenção de intermediários de crédito. O fenómeno é mais expressivo junto de mutuários mais velhos, com menor escolaridade e rendimentos mais baixos — e está associado a taxas de juro mais elevadas no crédito pessoal.

Os dados do Banco de Portugal mostram que os mutuários que usam intermediários tendem a ser mais velhos — com uma proporção significativamente maior de reformados (17% face a 7% na contratação direta) —, têm menor escolaridade e rendimentos mais baixos.

A menor literacia financeira parece ser um fator relevante na escolha do canal de contratação, segundo o BdP.

Em 2025, existiam 4.835 entidades registadas junto do Banco de Portugal com autorização para exercer esta atividade — um número que não para de crescer desde que o Regime Jurídico dos Intermediários de Crédito (RJIC) entrou em vigor, em janeiro de 2018. Na prática, fazem a ponte entre quem precisa de financiamento e as instituições financeiras que o concedem.

Os dados do Boletim Económico revelam que os intermediários estão espalhados por todo o território nacional. Em sentido inverso, a rede de agências bancárias tem-se contraído — e os dados sugerem que as duas tendências estão correlacionadas negativamente, ou seja, a saída dos bancos de determinadas zonas parece abrir espaço para novos intermediários.

Uma das conclusões mais relevantes da análise prende-se com o preço do crédito. No crédito pessoal, empréstimos semelhantes concedidos a mutuários semelhantes através de intermediários apresentam, em média, uma Taxa Anual de Encargos Efetiva Global (TAEG) cerca de 1,2 pontos percentuais acima da praticada na contratação direta. No crédito automóvel, essa diferença não é estatisticamente significativa.

Isto é que o crédito pessoal sai 1,2 pontos percentuais mais caro no intermediário do que no banco.

O Banco de Portugal admite que o diferencial possa refletir o que o consumidor está disposto a pagar para evitar procurar crédito por conta própria e beneficiar da ajuda do intermediário.

A atividade dos intermediários está fortemente ligada ao crédito automóvel. Cerca de 61% dos intermediários a título acessório registados no BdP têm como atividade principal o comércio de veículos automóveis, motociclos e acessórios. No total, mais de 80% do volume de crédito automóvel concedido em Portugal passa por este canal.

No crédito pessoal, o peso dos intermediários é mais modesto — cerca de 20% do total —, mas tem vindo a crescer. Neste segmento, destacam-se finalidades específicas como saúde, educação, energias renováveis e obras em casa, com uma representação claramente superior à da contratação direta nas instituições.

O Banco de Portugal deixa algumas ressalvas apesar de reconhecer a utilidade do papel dos intermediários financeiros. O supervisor refere que os intermediários de crédito podem trazer benefícios reais ao mercado: simplificam o processo de contratação, reduzem os custos de pesquisa para o consumidor, contribuem para a inclusão financeira de pessoas com menor acesso direto ao sistema bancário e podem reforçar a concorrência entre mutuantes.

Mas o modelo tem riscos. O regulador alerta para a relação de agência — os incentivos do intermediário nem sempre estão alinhados com os interesses do cliente. Na ausência de regulação adequada, um intermediário pode orientar o consumidor para as propostas das instituições que melhor o remuneram, em vez das mais favoráveis para quem contrata. Em Portugal, a grande maioria dos intermediários é remunerada pelas instituições financeiras que representa, não pelo consumidor.

O banco central defende a importância da transparência no mercado e da literacia financeira como condições essenciais para garantir o acesso equitativo ao crédito — sobretudo para os grupos que mais dependem dos intermediários.

Wall Street abre semana em alta com aliviar das tensões no Médio Oriente

8 June 2026 at 14:57

Os principais índices da bolsa de Nova Iorque iniciaram a semana em alta, recuperando do “sell-off” das tecnológicas que empurrou Wall Street no vermelho no final da semana passada. Ao mesmo tempo, os investidores mostram-se otimistas com a recuperação no setor dos chips bem como com o aliviar das tensões no Médio Oriente, depois de Teerão ter anunciado suspender os ataques a Israel.

O Nasdaq é protagonistas nas primeiras horas de negociação ao valorizar 1,30%, seguido do S&P500 (+0,89%) e do Dow Jones (0,41%).

Presidente da ApexBrasil: “Comércio com Europa pode aumentar até mil milhões num ano”

5 June 2026 at 15:00

Quais são as expectativas para o comércio do Brasil com o acordo Mercosul-UE?
São muito boas. É um acordo histórico para o Brasil. Trabalhámos muitos anos com os europeus para conquistá-lo. E entrou em vigor justamente num momento em que alguns países caminham um pouco no sentido contrário, de aumentar tarifas, impor restrições, anular acordos, de questionamento de regras. Até de abandono do multilateralismo. O acordo representa outro caminho: negociação, parceria, entendimento, abertura de mercado e complementaridade.
Há um mês que temos mais de cinco mil produtos com tarifa zero. Fizemos um estudo e considerando apenas 543 desses cinco mil, prevemos que já no curto prazo, nos próximos 12 meses, o Brasil pode aumentar o fluxo de comércio com a Europa até mil milhões de dólares (861,1 milhões de euros).

Pode dar exemplos de produtos?
Uvas, peças para automóveis, motores elétricos, aeronaves…

Ultrapassaram 500 mercados internacionais no final de 2025. Quantos são hoje?
São 616 mercados, divididos por setores e parceiros comerciais.

E qual a próxima meta?
Não temos uma meta, mas vamos continuar a trabalhar para chegar aos 700 e abrir cada vez mais mercados. É um tema do Ministério da Agricultura. Mas isto mostra que o Brasil é um parceiro que merece ter o mercado aberto. Se conseguimos abrir mais de 600 mercados só neste último período, no terceiro mandato do Presidente Lula, é porque os países acham que o Brasil merece essa confiança, tem capacidade e, principalmente, produtos de qualidade.

Que mercado representa uma grande conquista?
Vou dar dois exemplos. O gergelim (sementes de sésamo) – a nossa exportação era praticamente zero e em dois anos e meio/três passámos para 200 milhões de dólares (172,2 milhões de euros). Principalmente porque abrimos o mercado chinês e também nalguns países dos árabes. O gergelim é produzido na quarta safra, então não lhe dávamos muita atenção. Mas abrimos esse mercado e conseguimos aproveitá-lo bem. Também abrimos o mercado de uvas frescas para a China, mas ainda não conseguimos aproveitar muito, por causa da logística. Levar a uva fresca do Brasil para a China é um desafio logístico imenso, então ainda estamos a trabalhar nele.

Qual é o papel ApexBrasil na diplomacia agroeconómica?
O nosso foco é o setor privado. Trabalhamos com a imagem do Brasil para melhorar o ambiente de negócios, e para que os empresários brasileiros levem uma boa imagem do país, porque ninguém faz negócio isoladamente; vendem a partir de um determinado país, então a forma de fazer negócio é muito importante. Por exemplo, aqui na Europa, a imagem do Brasil em 2020 diria que não era muito boa, por causa da desflorestação… Esta semana tivemos a notícia de que o Brasil atingiu um novo patamar no índice de desenvolvimento humano. Podemos dizer ao mundo que somos empresários do Brasil, que estamos a melhorar e que temos boas políticas internas.

Qual é a importância do escritório em Portugal para a vossa missão?
É a casa dos empresários brasileiros. Usamos o escritório para fortalecer e facilitar o relacionamento com os empresários de Portugal. Queremos que as oportunidades que Portugal tem e que o acordo Mercosul-UE estão a levar para o Brasil possam também ser aproveitadas por PME, por cooperativas e cooperativas da agricultura familiar. Ter um escritório aqui ajuda muito. Queremos que o trabalho seja cada vez mais intenso aqui, ter mais atividades, trazer mais empresas brasileiras, para que Portugal possa ser também um hub, uma porta de entrada para a Europa.

Preveem abrir algum escritório num outro país lusófono?
Temos uma estratégia diferenciada para África, onde queremos ter uma presença mais intensa e chegar, pelo menos, a quatro escritórios para que possamos cobrir as regiões. (já existem desks na África do Sul e Nigéria). Uma das nossas prioridades são os PALOP. A Apex quer fazer com que o comércio também seja uma ferramenta de cooperação para o desenvolvimento. Como apoiar os países africanos no acesso à tecnologia brasileira da genética bovina. Vendemos a nossa tecnologia, que ajuda a que desenvolvam a sua produção. É o que temos feito com a Embrapa.

A diplomacia que faz crescer o negócio da fruta brasileira

5 June 2026 at 11:30

Pode ultrapassar os mil euros por quilo. É a segunda especiaria mais cara do mundo, atrás apenas do açafrão, e chegou a superar o preço da prata. “Esta espécie é a vanilla phaeantha ou bahiana. Traz notas mais amadeiradas, de amêndoas”, descreve Fernando Souza Rocha, um dos investigadores da Embrapa Cerrados, em Planaltina, no nordeste do Distrito Federal brasileiro, em frente a uma fileira de plantas de baunilha nativa, altamente procuradas pela alta gastronomia.

É ali, numa das 43 unidades da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), instituição científica do mundo tropical, que são desenvolvidas tecnologias e soluções para uma agricultura sustentável. E que se criam ferramentas de diplomacia.

De país importador a um dos maiores exportadores de alimentos do mundo, o Brasil faturou 1,45 mil milhões de dólares (cerca de 1,24 mil milhões de euros) no ano passado só no setor da fruticultura. Um recorde – o terceiro consecutivo –, que cimenta uma reputação internacional.

Além do desenvolvimento das baunilhas brasileiras, várias equipas trabalham naquele complexo de laboratórios ao ar livre da Embrapa do Cerrado, o segundo maior bioma do país em área logo atrás da Amazónia, com diferentes variedades de pitaya, baru e açaí, entre outros.

Hoje, o Brasil é o terceiro maior produtor de frutas em volume, depois da China e da Índia, com a produção paulista a pesar nos números. O setor emprega cinco milhões de pessoas no país.

Lula agrícola
Por trás do sucesso está a diplomacia agroeconómica entusiasta do Governo de Lula da Silva, que em 2009 criou a figura do adido agrícola. Tem projetado o agronegócio brasileiro no plano internacional, tendo já aberto mais de 600 mercados desde 2023.

Pedro Neto, responsável pela área do agronegócio da ApexBrasil, destaca o “avanço rápido” do comércio de gergelim com a China, com o Brasil a tornar-se o terceiro maior exportador da semente para aquele mercado em apenas três meses. A partir da sede da agência, em Brasília, o responsável sublinhou a importância de se “aumentar o uso económico de frutas brasileiras”, dando o exemplo do baru, fruto de uma árvore nativa do Cerrado brasileiro que já entrou no mercado europeu. Este e outros frutos, ainda com baixos níveis de produção e menos conhecidos, contam com o papel Central do Cerrado, que reúne cooperativas de produtos nativos do bioma.

Portugal é o sexto maior destino de fruta brasileira, mercado onde o Brasil faturou 52,9 milhões de dólares (45,5 milhões de euros) em 2025. Mas o maior cliente são os Países Baixos, para onde seguiram 559 mil toneladas no ano passado, sobretudo manda, limão e melão. E, também, figo roxo de Valinhos.

É na Campal Frutas e Hortaliças, empresa familiar com mais de 60 anos, que é produzida, ao longo de 170 hectares, aquela que é uma das variedades de figo mais conhecidas e cultivadas no Brasil. “No ano passado, 37,8% do volume de figos foi exportado por nós”, conta Rafael Fabiano, diretor comercial de uma das várias produtoras e exportadoras localizadas na região, conhecida como a capital do figo roxo. A Campal cultiva ainda goiaba, carambola e atemoia, e entrou também no negócio da compra de manga e abacate para exportação. O valor agregado do figo é, naturalmente, superior: mais de três vezes o da manga, de acordo com números avançados pelo diretor-geral da Campal, Rodrigo Fabiano. Para Portugal, exportam cerca de 600 toneladas de fruta por ano.

De acordo com Rafael Fabiano, já da quarta geração da família na empresa, a Campal é a maior exportadora em valor dos aeroportos de Guarulhos e Viracopos, dois pesos-pesados do transporte aéreo de carga. Em março, Viracopos, aeroporto internacional em Campinas, tornou pública “uma operação inédita”: a exportação de frutas e legumes num voo direto para a Ilha do Sal, em Cabo Verde, evitando pela primeira vez escalas em aeroportos europeus. No cargueiro seguiram cinco toneladas de produtos, e o figo roxo faz parte da lista que o aeroporto internacional fez questão de divulgar.

Para a safra 2025/2026, a Prefeitura de Valinhos prevê 2,5 milhões de caixas de 1,6 quilos. São cerca de quatro mil toneladas. Naquela região, a figueira produz ao longo de sete meses, uma vantagem competitiva ultrapassada pela Turquia, o maior exportador de figos do mundo.

Entre os muitos exemplos de empresas familiares que formam o setor da fruticultura está também a CitrusTree, localizada em Mogi Mirim, no interior de São Paulo. Graziele Tagliari é sócia-proprietária da “empresa pioneira na exportação” de limão tahiti (lima em Portugal). Fundada pelo seu bisavô em 1970, começou por dedicar-se ao algodão e milho, transitando para a exportação de lima em exclusivo, contando com 450 hectares, entre produtores parceiros.

É o terceiro fruto mais exportado pelo Brasil. Segundo Graziele, há um aumento claro da concorrência. “O mercado europeu está difícil, não vem sendo animador”, explica, acrescentando que o “Brasil concorre com ele mesmo”. Lá fora, Índia, México, China e Argentina são os principais concorrentes. Mas também o Vietname entrou na corrida e já vende à Europa. De acordo com a empresária brasileira de origem italiana, é na época da Copa do Mundo (campeonato mundial de futebol) que as vendas tipicamente disparam.
No ano passado, as exportações de lima e limão (siciliano) ultrapassaram os 199 milhões de dólares, de acordo com a Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas).

Mirtilo desponta
Não é uma planta nativa do Brasil, mas há um crescente interesse de produtores pelo mirtilo – de clima frio e temperado -, movidos pelo alto valor agregado do fruto. Em 2019, Leandra e Evaldo Alvarenga trocaram a cidade pelo campo e, numa propriedade em Sobradinho, Brasília, nasceu a Cerrado Blue. Investiram em formação em agropecuária e agronegócio, e apostaram também em turismo rural associado à produção de mirtilo. Segundo Evaldo, as variedades de clima quente chegaram ao Brasil há 15 anos, do Peru, o maior exportador mundial de mirtilos. No Rio Grande do Sul, a realidade é outra. Grande parte da área de cultivo de mirtilo encontra-se naquele estado brasileiro. Foi pela Embrapa que os primeiros ensaios com mirtilo no Brasil foram feitos, em 1983, pela Embrapa Clima Temperado (Pelotas – RS), com a introdução da coleção de cultivares de baixa exigência em frio, oriundas da Universidade da Flórida.

“Ninguém tem a quantidade de produtos para oferecer ao mundo que o Brasil tem”, afirmou Lula da Silva na ‘Feira Brasil na Mesa’, que aconteceu na Embrapa Cerrados, Planaltina, onde o JE esteve a convite da Apex. A ideia partiu do presidente brasileiro, que desafiou a Embrapa a organizar uma feira de promoção da diversidade alimentar do país: 150 alimentos, 50 nativos.

Sobre o acordo Mercosul-UE, Lula da Silva afirmou que o país dispõe de “540 produtos na bandeja para entregar aos europeus”. “Não queremos destruir os produtos deles. Queremos uma política de complementaridade. Estou muito otimista (…) Quais mais sofisticados formos, mais mercado ganhamos e podemos disputar os mercados mais sofisticados. Temos tecnologia, mão-de-obra e expertise”, sublinhou.

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