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Governo anuncia a criação de nova Alfândega de Sines

9 June 2026 at 17:20

O governo anunciou a criação da Alfândega de Sines esta terça-feira. Na cerimónia de apresentação, o ministro de Estado e das Finanças assinalou a importância crescente da região na “dinamização da economia nacional”. A alfândega funcionará nas instalações do Porto de Sines a partir do dia 1 de janeiro de 2027.

“Os investimentos que Sines tem conseguido atrair e as manifestações de interesse que
continuamos a receber, mostram que, além de um relevante complexo industrial, Sines é hoje um
marco na atração de investimento e mão-de-obra altamente qualificados, posicionando o país na
rota da inovação e desenvolvimento tecnológico”, indicou o ministro.

Paralelamente, o Governo indicou que, “no âmbito da reorganização territorial dos serviços aduaneiros desconcentrados, proceder-se-á à eliminação da Alfândega do Jardim do Tabaco [Lisboa], prevendo-se a sua reconfiguração como delegação aduaneira”.

Empresas têm dificuldade em gerar margem de lucro com IA

9 June 2026 at 07:00

Existe um fosso crescente entre o potencial tecnológico da Inteligência Artificial (IA) e a sua capacidade de gerar resultados financeiros tangíveis devido a barreiras estruturais e operacionais. Esta é uma das conclusões do estudo “300.000 Voices”, do Oliver Wyman Forum, que analisa cinco anos de evolução das atitudes e expectativas laborais em mais de 16 países.

Segundo Pilar de Arriba, partner de Telecomunicações, Media e Tecnologia e Líder da Plataforma de Performance Transformation da consultora Oliver Wyman, identificam-se quatro obstáculos principais que impedem que o aumento da eficiência se converta em margem de lucro. O primeiro são os modelos operacionais obsoletos, o que indica que a IA está a ser implementada como uma ferramenta sobreposta ao trabalho existente, em vez de servir para redesenhar os processos.

O segundo é a adoção desigual, na qual a velocidade de uma organização é frequentemente definida pelos colaboradores mais lentos na adaptação à tecnologia, criando um desequilíbrio interno entre quem já cria agentes de IA e quem ainda não compreende o seu impacto. A responsável acrescenta que a evolução da IA a um ritmo muito superior à capacidade das empresas de reformularem processos, governação e incentivos provoca uma espécie de “estrangulamento humano”. Por fim, aponta para a “falácia da produtividade”, indicando que “mil horas poupadas pela tecnologia não se tornam automaticamente mil horas monetizadas”, avança ao Jornal Económico (JE).

Os dados do estudo indicam que apenas 35% dos líderes empresariais consideram que a sua organização possui uma visão estratégica clara e comunica eficazmente os progressos da IA. Pilar de Arriba explica ao JE que isso acontece porque muitas organizações ainda não responderam às perguntas mais difíceis: “quais os fluxos de trabalho que vão mudar primeiro, quais as decisões que serão aumentadas ou automatizadas, que riscos não serão assumidos, que competências precisam de ser desenvolvidas, como vão evoluir as funções e como se vai medir o progresso. É isso que gera essa perceção de falta de clareza estratégica”. “Há colaboradores entusiasmados com a IA e que já a utilizam para multiplicar a sua capacidade de ação. Outros preocupam-se com a substituição, a perda de relevância ou com serem obrigados a aprender mais depressa do que se sentem capazes”, acrescenta.

Menos despesa de TI, mais transformação

O estudo revela que muitas das maiores empresas estão a começar a medir a IA menos como uma despesa de TI e mais como um portefólio de transformação. “Ao nível mais básico, as empresas medem a adoção: quem utiliza a IA, com que frequência, para que tarefas e com que nível de satisfação ou qualidade. É útil, mas utilização não é impacto”.

Para Pilar de Arriba, a verdadeira disciplina é a conversão financeira: “as empresas precisam de distinguir entre tempo poupado e valor capturado. Este é o problema do ‘último quilómetro’: o valor é criado pela tecnologia, mas capturado no modelo operacional. É por isso que a medição da IA não pode ficar apenas com as equipas de tecnologia; as finanças, os recursos humanos, as operações, o risco e o negócio têm de definir o que conta como valor, como mudam as funções e os fluxos de trabalho e para onde vai a capacidade libertada. Na ausência de métricas de ROI (Return On Investment) perfeitas, as empresas precisam de observabilidade — uma forma de ver a adoção, os pontos de fricção, as mudanças de comportamento e o impacto no negócio à medida que a transformação avança.”

97% dos executivos reconhecem o valor estratégico da IA

O estudo “300.000 Voices” indica ainda que os líderes empresariais estão a apostar na inteligência artificial como um potente motor de desempenho. Neste contexto, 97% dos executivos reconhecem o valor estratégico da IA, mas apenas 35% consideram que a sua empresa tem uma visão estratégica clara e que mantém os seus colaboradores informados sobre os avanços. Por outro lado, apenas 5% afirmam obter um retorno significativo do investimento.

No entanto, a utilização da IA e a perceção sobre a mesma variam entre gerações e países. A utilização frequente cresceu 65% a nível global. Para muitos colaboradores mais velhos, aproveitar os benefícios da IA é mais difícil, enquanto os mais jovens têm 1,7 vezes mais probabilidades de frequentar formações em IA, o dobro das probabilidades de referir melhorias nas suas competências, 2,3 vezes mais probabilidades de afirmar que a IA melhora o seu desempenho e o triplo de referir melhorias no equilíbrio entre a vida pessoal e profissional.

A Geração Z é um dos grupos mais adaptáveis, empenhados e estrategicamente valiosos da força de trabalho moderna. Para as empresas, encontra-se na intersecção dos três grandes motores que estão a transformar o trabalho: realização, competências e IA.

Na Europa, existem diferenças evidentes ao nível do uso e da aplicação. Em Espanha, por exemplo, 37% dos colaboradores utilizam IA pelo menos três vezes por semana e 14% fazem-no diariamente, valores acima da média europeia (32% e 12%, respetivamente). Também ao nível da perceção do impacto, 44% dos colaboradores espanhóis acreditam que a IA criará novas oportunidades de emprego, face a 40% no Reino Unido e em França, 37% em Itália e 35% na Alemanha, evidenciando diferentes níveis de confiança entre países. O mercado português não foi avaliado para este estudo.

A Europa está a avançar na adoção da IA mas a um ritmo mais lento do que outras regiões. Tal deve-se a uma menor confiança, já que apenas 20% dos colaboradores confiam plenamente na IA, aproximadamente metade do registado na Ásia – e a um investimento público mais limitado. Ainda assim, a Europa está a recuperar terreno, apesar do forte foco regulatório, registando o maior crescimento anual (13%) na adoção da IA no trabalho entre 2024 e 2025.

Pilar de Arriba sublinha que a mudança trazida pela IA traz um desafio de comunicação muito mais exigente do que nas vagas tecnológicas anteriores. “Os colaboradores não precisam de certeza absoluta — nenhuma empresa a pode garantir num ambiente de IA que muda de poucos em poucos meses —, mas precisam de uma direção credível e de uma explicação concreta do que a IA significa para o seu trabalho.”

Novabase conclui operações de aumento e redução de capital

8 June 2026 at 18:23

A Novabase – Sociedade Gestora de Participações Sociais, S.A. informou o mercado, esta segunda-feira, 8 de junho, sobre o registo de um conjunto de operações de alteração ao seu capital social, em cumprimento das deliberações tomadas na Assembleia Geral de 22 de maio de 2026.

As operações, que já foram objeto de inscrição junto da Conservatória do Registo Comercial, visam a otimização da estrutura de balanço da tecnológica. A estratégia financeira da empresa foi executada em dois passos fundamentais.

De acordo com comunicado, a que o JE teve acesso, numa primeira fase, a Novabase procedeu a um aumento do seu capital social, que passou de 1.152.569,19 euros para 52.633.993,01 euros, que foi realizado através da incorporação de 51.481.423,82 euros provenientes da reserva de prémios de emissão.
No âmbito desta operação, o valor nominal de cada ação subiu de forma expressiva em 1,34 euros, fixando-se temporariamente nos 1,37 euros. Após este reforço, a tecnológica avançou para uma redução do capital social, ajustando-o para os atuais 37.266.403,81 euros. Segundo o comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), esta redução teve como objetivo a “libertação de excesso de capital”. Como resultado direto desta redução, o valor nominal de cada uma das ações representativas do capital social da Novabase desceu dos 1,37 euros para os finais 0,97 euros.
De acordo com a Novabase, com esta reestruturação a empresa “consolida a sua posição financeira, ajustando os meios próprios da sociedade às necessidades operacionais e estratégicas do grupo”.

Castro Almeida alarga prazo para apoios à reconstrução de habitações vai ser alargado

8 June 2026 at 17:50

O ministro da Economia, Castro Almeida, admitiu esta segunda-feira alargar o prazo para a análise das candidaturas à reconstrução de habitações danificadas pelas tempestades em Leiria e na Marinha Grande que terminava a 30 de junho.

Falando à margem do lançamento da campanha “Nem tudo o que vês é jogo seguro”, promovida pela Direção-Geral do Consumidor (DGC) para combater o jogo ilegal online, Castro Almeida esclareceu que “o prazo de 30 de junho era um prazo indicativo, foi uma meta que os próprios municípios e as Comissões de Coordenação de Desenvolvimento Regional (CCDR) se impuseram a si próprios”.

“Foi uma data indicativa. Se tiver que ir para depois de julho, quer dizer que não foi possível fazer antes”, declarou.

Segundo o ministro, o prazo de 30 de junho [para conclusão das candidaturas aos apoios] “foi um consenso que se estabeleceu numa reunião com vários outros membros do Governo e com as Comissões de Coordenação de Desenvolvimento Regional e com as comunidades internas municipais”.

O ministro da Economia reagia a uma notícia do Jornal de Notícias, indicando que os municípios da Marinha Grande e de Leiria não vão conseguir concluir, até 30 de junho, a análise de mais de 14 mil candidaturas (3365 na Marinha Grande e 10.808 em Leiria) a apoios de até dez mil euros para reconstruir habitações danificadas pelas tempestades do início do ano.

Segundo o jornal, o prazo foi estipulada pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Centro, em articulação com a Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria, mas há candidaturas que ainda nem sequer foram analisadas, o que pode significar que milhares de lesados não vão receber apoio para reerguer as suas casas até ao final do mês.

“Já há bastante tempo que chegámos à conclusão de que em três ou quatro concelhos esse objetivo pode ser difícil, mas na esmagadora maioria dos concelhos o objetivo continua de pé e creio que vai ser alcançado”, declarou o ministro, recordando que só o município de Leiria tem praticamente um terço das candidaturas.

“É compreensível que em Leiria possa demorar, mas essa exceção não é regra”, acrescentou.

Castro Almeida afirmou que “mais do que 90% das situações vão ficar resolvidas até o dia 30 de junho”, devendo as restantes candidaturas ser “resolvidas mais tarde”.

A 6 de junho, a plataforma do Governo indicava que apenas 10% dos processos da Marinha Grande tinham sido analisados pela autarquia, de um total de 3.365.

Meio milhão de euros para apoiar projetos que cruzem tecnologia e cultura

8 June 2026 at 17:24
Balseiro Lopes

O Fundo de Fomento Cultural vai atribuir 500 mil euros a projetos que cruzem Cultura e Tecnologia, no âmbito de um programa de apoio que será lançado este mês pelo Governo, anunciou esta segunda-feira a ministra da Cultura.

“Gostaria de anunciar que o Governo vai lançar, no próximo dia 15 de junho e através do Fundo de Fomento Cultural, um Programa de apoio a projetos de cruzamento entre a Cultura e a Tecnologia – com uma dotação de 500 mil euros”, afirmou hoje a ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, no MuseuZero, em Santa Catarina da Fonte do Bispo, Tavira, na sessão de abertura do 4.º Fórum Cultura, a decorrer no Algarve.

De acordo com a governante, o novo programa de apoio destina-se “a apoiar projetos que utilizem ferramentas tecnológicas para promover o acesso à Cultura, reforçar a mediação cultural, valorizar o património, criar novas experiências culturais, e aproximar diferentes públicos da criação artística”.

“Acima de tudo, aquilo que se pretende é criar condições para que instituições, estruturas, artistas e agentes culturais possam continuar a experimentar, inovar e desenvolver projetos que explorem novas possibilidades”, disse.

Na mesma ocasião, Margarida Balseiro Lopes anunciou que o novo portal 360, que reúne bens culturais de museus, monumentos, palácios e sítios arqueológicos portugueses, estará disponível a partir de 01 de julho.

Atualmente, os bens culturais digitalizados no âmbito do projeto “Património Cultural 360”, que permite disponibilizar de forma universal e gratuita o Património Cultural, já podem ser acedidos através do arquivo ‘online’ do Património Cultural, I.P..

Os bens culturais digitalizados foram previamente escolhidos pelos diretores de museus, monumentos, palácios e sítios arqueológicos e entre eles estão os bens classificados como “tesouro nacional” e bens de várias escalas, tipologias e materiais, como uma pequena peça de ourivesaria, uma peça de vestuário, uma pintura, uma fotografia ou uma escultura de várias toneladas.

Além dos bens culturais, através dos mesmos ‘links’ é possível aceder-se a visitais virtuais, a edifícios, como museus, mosteiros, à Sé de Lisboa e ao Panteão Nacional, a sítios arqueológicos tutelados e a documentários.

No âmbito do projeto foram concretizadas 67 visitas virtuais e 13 documentários.

A ministra da Cultura, Juventude e Desporto salientou que o novo portal permite “um acesso mais integrado e centralizado ao património cultural”.

No inicio de abril já eram mais de 61 mil os bens culturais de museus, monumentos, palácios e sítios arqueológicos portugueses digitalizados e disponíveis ‘online’ para poderem ser vistos por qualquer pessoa em qualquer ponto do mundo.

O “Património Cultural 360”, concluído em 31 de março deste ano, foi financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), com cerca de 14,4 milhões de euros, aos quais se juntaram 250 mil euros, do Património Cultural, I.P.

A execução do projeto iniciou-se em abril de 2024, sob responsabilidade do Património Cultural I.P., contou com mais de 20 entidades parceiras, entre organismos públicos, autarquias, fundações e arquivos, e envolveu mais de 50 especialistas de áreas como informática, conservação e restauro, modelação e design gráfico e fotografia, bem como investigadores e equipas de 65 museus, monumentos, palácios e sítios arqueológicos.

Embora o projeto “Património Cultural 360” tenha sido dado como concluído em abril, a digitalização de bens não terminou.

Atualmente estão abrangidos 83 imóveis, entre museus, monumentos e palácios, de 36 concelhos e 15 distritos, mas o coordenador do projeto, Luís Sebastian, quer que os números aumentem. Para o concretizar diz que seriam precisos mais 15 milhões de euros, “um sonho”, reconheceu, em declarações à Lusa em abril, na Sessão Pública de Encerramento do projeto.

O 4.º Fórum Cultura, organizado pelo Ministério da Cultura, da Juventude e do Desporto, que decorre hoje e na terça-feira em Loulé, Tavira e Faro, é dedicado a dois temas: Tecnologia e Música.

O Fórum Cultura, promovido pela tutela, pretende promover uma “reflexão coletiva, construtiva e agregadora” do setor, contando com a participação de profissionais de várias áreas do setor cultural.

A primeira edição aconteceu em outubro do ano passado em Lisboa. A segunda edição decorreu em janeiro deste ano no Porto e a terceira em abril em Ponta Delgada.

A jornada de hoje do 4.º Fórum Cultura encerra em Loulé, com a entrega da Medalha de Mérito Cultural à escritora Lídia Jorge, numa sessão que conta Margarida Balseiro Lopes e as participações do artista Dino D’Santiago e de um quinteto de sopros do Conservatório de Música de Loulé.

Para a ministra da Cultura, “esta é a oportunidade de reconhecer uma das grandes intérpretes do Portugal contemporâneo, com uma obra que reflete, de forma sensível e profunda, as transformações sociais das últimas décadas”, numa referência à autora de “Os Memoráveis” e “Misericórdia”.

BdP: Recurso a intermediários no crédito pessoal está associado a TAEG mais alta

8 June 2026 at 16:47
créditos ao consumo Banco de Portugal garantia pública

O recurso a intermediários no crédito pessoal está associado a uma TAEG mais alta do que na contratação direta na instituição, de acordo com uma análise do Banco de Portugal disponível no Boletim Económico de junho.

Segundo a análise divulgada esta segunda-feira, os empréstimos de crédito pessoal semelhantes concedidos a mutuários semelhantes através de intermediários apresentam, em média, uma taxa anual de encargos efetiva global (TAEG) cerca de 1,2 pontos percentuais acima da observada na contratação direta.

Esta diferença pode demonstrar que o consumidor está disposto a pagar para não ter de procurar diretamente e ter a ajuda de um intermediário para comparar propostas, indica o banco central.

“Pode ainda refletir caraterísticas de risco do mutuário que não são observáveis e, por isso, o seu efeito não estará a ser medido”, ressalva.

Por outro lado, no crédito automóvel não se observa um diferencial na TAEG na utilização de intermediário.

Esta análise centrou-se no crédito pessoal e automóvel, sendo que os intermediários de crédito registados estão maioritariamente ligados à venda de automóveis e estão distribuídos por todo o país.

Em 2025, cerca de 51% do montante de crédito aos consumidores e de 56% do montante de crédito à habitação foi comercializado com a intervenção de intermediário.

De acordo com os resultados desta análise, o recurso a intermediários é mais provável para pessoas com menor literacia financeira, indivíduos mais velhos e com menor escolaridade.

“Os mutuários que recorrem a intermediários de crédito tendem a ser mais velhos, com menor escolaridade e menor rendimento do que aqueles que recorrem diretamente às instituições financeiras”, indica o BdP, salientando que os intermediários podem “descomplicar” o processo.

É também mais provável nos locais onde a rede bancária é mais esparsa.

A análise conclui que enquanto a rede de estabelecimentos dos intermediários de crédito se tem expandido, a rede de agências bancárias tem-se reduzido, duas tendências que “podem estar relacionadas”.

Walmart diz aos trabalhadores que a IA vai melhorar os seus empregos, não roubá-los

8 June 2026 at 15:51

O maior empregador privado dos EUA e gigante do retalho está a mergulhar de cabeça na Inteligência Artificial para apoiar uma série de tarefas, desde a criação de vestuário à gestão de frotas de camiões, numa aposta que os executivos transmitiram a milhares de funcionários que se deslocaram à sede da empresa no Arkansas no início desta semana. A Walmart anunciou que qualquer funcionário nos EUA pode agora obter certificação na utilização da OpenAI.

De acordo com o Financial Times (FT) a adoção da IA pela empresa surge em meio à ansiedade gerada pelo potencial da tecnologia para tornar certos trabalhadores redundantes. A IA tem sido a principal razão apontada pelas empresas norte-americanas para o corte de postos de trabalho em cada um dos últimos três meses, de acordo com a Challenger, Gray and Christmas, uma empresa de recolocação profissional.

Na assembleia geral anual de quinta-feira, os acionistas tentaram sem sucesso que a Walmart elaborasse um relatório sobre o impacto da IA nos trabalhadores da empresa. As equipas de tecnologia e design de produto da empresa anunciaram no mês passado centenas de despedimentos, sem os associar à IA.

A FT indica que os executivos presentes na Associates Week da Walmart traçaram um futuro em que a IA vai mudar a forma como as pessoas trabalham, não necessariamente quantas trabalham. “A tecnologia vai impulsionar o nosso futuro. Mas os nossos colaboradores vão liderá-lo”, disse Donna Morris, diretora de recursos humanos da Walmart, numa intervenção recebida com grande entusiasmo numa arena de basquetebol, na sexta-feira.

A Walmart acelerou a adoção da IA no ano passado com a contratação, em agosto, de Daniel Danker, proveniente da empresa de tecnologia alimentar Instacart, para o cargo de vice-presidente executivo para a aceleração da IA, produto e design. Foi-lhe paga uma remuneração de 44 milhões de dólares no ano passado (38,2 milhões de euros) , incluindo ações condicionadas, um valor superior ao do CEO cessante Doug McMillon.

McMillon passou o leme ao novo presidente John Furner, referindo que o seu sucessor estava “de forma única capacitado” para liderar a empresa numa transformação impulsionada pela IA. Na sexta-feira, Furner atribuiu um prémio a dois engenheiros da Walmart que desenvolveram uma plataforma de “vibe coding” atualmente em uso em toda a empresa, que permite a funcionários com salário horário criar código para resolver problemas de negócio.

O número total de funcionários da Walmart a nível global diminuiu ligeiramente ao longo dos últimos cinco anos, mesmo com as receitas a dispararem 151 mil milhões de dólares para 713 mil milhões em 2025. «Não sabemos o que o futuro reserva, mas temos sido um grande empregador e continuaremos a sê-lo», disse um porta-voz ao FT.

Lo Stomski, diretora de talentos da Walmart, elogiou um gestor de transporte de mercadorias que tinha programado uma forma de encontrar as melhores cargas para os motoristas perto do fim da sua semana de trabalho. “Reduz as quilometragens em vazio. Poupa dinheiro à empresa e ajuda a Walmart a cumprir o compromisso de fazer com que os motoristas cheguem a casa”, disse Stomski.

Danker, em entrevista, disse que a IA poderia transformar o processo de armazenamento, agrupamento e expedição de mercadorias, passando de “determinístico” a “preditivo” e capaz de antecipar picos de procura. “O que espero, a espécie de estrela-guia que imagino, é que, se houver uma vaga de calor repentina, de repente todos os artigos de que precisaria numa vaga de calor estejam ali, disponíveis para entrega em 30 minutos ou menos”, disse Danker.

Os gestores falaram também de usar a IA para sintetizar opiniões dos consumidores com vista ao desenvolvimento de novos produtos e para apoiar os terminais de self-checkout na identificação de produtos frescos sem código de barras.

Teerão suspende operações ofensivas após confrontos com Israel

8 June 2026 at 13:05

O comando conjunto das Forças Armadas iranianas anunciou esta segunda-feira a suspensão das operações ofensivas após os primeiros confrontos diretos entre Israel e o Irão desde o cessar-fogo declarado há dois meses.

De acordo com a “Agência Lusa”, o comando militar iraniano anunciou, num comunicado, que as operações ofensivas ficam interrompidas, uma decisão que surge após uma escalada militar que ameaçou arrastar novamente o Médio Oriente para um conflito de larga escala.

O regime de Teerão avisou que responderá de forma mais dura a quaisquer novos ataques, que constituíram a mais grave violação do cessar-fogo em vigor desde o acordo alcançado entre Washington e Teerão.

De acordo com o jornal britânico, “The Guardian”, ainda não foi possível verificar este relato de forma independente e Israel não emitiu qualquer comentário em resposta. O Quartel-General Central Khatam ol-Anbiya foi citado a dizer que “em apoio ao povo oprimido do Líbano” o Irão deu uma “resposta dolorosa” a Israel depois de este ter atacado os subúrbios sul de Beirute no dia anterior. “Consequentemente, anuncia-se a suspensão das operações das forças armadas; mas sublinha-se que, se as agressões e os males continuarem, incluindo no sul do Líbano, medidas muito mais severas e esmagadoras estarão a caminho.”

 

Euribor volta a subir a três meses para novo máximo desde abril de 2025

8 June 2026 at 11:58

A Euribor subiu hoje a três e a seis meses, no prazo mais curto para um máximo desde abril de 2025, e desceu a 12 meses face a sexta-feira. Com as alterações de segunda-feira, a taxa a três meses, que avançou para 2,351%, continuou abaixo das taxas a seis (2,586%) e a 12 meses (2,816%).

A taxa Euribor a seis meses, que passou em janeiro de 2024 a ser a mais utilizada em Portugal nos créditos à habitação com taxa variável, avançou hoje, ao ser fixada em 2,586%, mais 0,002 pontos do que na sexta-feira.

Dados do Banco de Portugal (BdP) referentes a abril indicam que a Euribor a seis meses representava 39,56% do ‘stock’ de empréstimos para a habitação própria permanente com taxa variável.

Os mesmos dados indicam que as Euribor a 12 e a três meses representavam 31,53% e 24,55%, respetivamente.

No prazo de 12 meses, a taxa Euribor recuou esta segunda-feira, para 2,816%, menos 0,026 pontos do que na sessão anterior.

Em sentido contrário, a Euribor a três meses avançou hoje, ao ser fixada em 2,351%, mais 0,039 pontos que na sexta-feira e um novo máximo desde abril de 2025.

Esta semana realiza-se a reunião de política monetária do Banco Central Europeu (BCE), que termina na quinta-feira e é a terceira depois do início da guerra com o Irão, e o mercado prevê que a entidade suba as taxas diretoras, pela primeira vez em quase três anos.

Na anterior reunião, em 30 de abril, o BCE manteve as taxas diretoras, pela sétima reunião de política monetária consecutiva, como tinha sido antecipado pelo mercado e depois de oito reduções desde que a entidade iniciou o ciclo de cortes em junho de 2024.

A média mensal da Euribor subiu, de novo, nos três prazos em maio, mas de forma menos acentuada do que em abril.

Em maio, a média mensal da Euribor subiu 0,051 pontos para 2,226% a três meses.

Já a seis e a 12 meses, a média da Euribor avançou 0,082 pontos para 2,536% e 0,057 pontos para 2,804%, respetivamente.

As Euribor são fixadas pela média das taxas às quais um conjunto de 19 bancos da zona euro está disposto a emprestar dinheiro entre si no mercado interbancário.

O que esperar do lançamento de IA no iPhone e no software da Apple

8 June 2026 at 10:42

A Apple vai apresentar esta segunda-feira, 8 de junho, uma nova estratégia de inteligência artificial (IA), durante a sua conferência anual Worldwide Developers Conference (WWDC), numa tentativa de recuperação dois anos após o seu primeiro lançamento de IA ter sido marcado por tecnologia abaixo das expectativas e funcionalidades adiadas.

Isso faz com que o conjunto de atualizações deste ano relembre lançamentos anteriores voltados para melhorias de qualidade, como o Mac OS X Snow Leopard, em 2009, e o iOS 12, em 2018.

A Apple também está a desenvolver mais funcionalidades para utilizadores corporativos e consumidores em mercados emergentes, com o objetivo de ampliar a sua presença em países como a Índia, Indonésia, Malásia e outras partes do Sudeste Asiático. A nova versão do software do iPhone incluirá ainda mudanças internas que darão suporte à interface de um iPhone dobrável previsto para chegar ainda este ano.

Como parte das melhorias em inteligência artificial, os desenvolvedores poderão integrar IA nas suas aplicações com mais facilidade por meio de um novo sistema chamado CoreAI. Além disso, desenvolvedores de agentes de inteligência artificial poderão aceder à Siri e às aplicações e serviços de IA desenvolvidos internamente pela Apple.

A empresa lançará as novas tecnologias para os consumidores no segundo semestre, aproximadamente no mesmo período em que versões atualizadas do iPhone e do Apple Watch chegarão ao mercado.

Naturalmente, algumas funcionalidades poderão sofrer alterações ou ser disponibilizadas posteriormente, dependendo do andamento do desenvolvimento da Apple.

O evento começa na segunda-feira às 10h horas locais (18h em Lisboa), na sede da Apple em Cupertino, Califórnia.

Bestseller investe 15 milhões para duplicar número de lojas

7 June 2026 at 15:00

Passar das atuais nove lojas para 12 até final deste ano e no próximo chegar às 22 é o plano da Bestseller, produtora dinamarquesa de têxtil e moda, para Portugal, e no qual vai investir 15 milhões de euros. Diogo Bartolomeu, country manager do grupo em Portugal, explica a estratégia de negócios ao Jornal Económico (JE), que passa por continuar a apostar na venda em wholesale (vendas a grosso a outras empresas) – sobretudo fora dos centros urbanos –, e investir no crescimento da rede de lojas próprias. E ainda lançar uma nova marca de moda, e respetiva loja, até final do ano.

Foi na venda de têxtil a outras empresas (wholesale) que a Bestseller tem marcado presença em Portugal nos últimos 20 anos, contudo, hoje, esse negócio não ultrapassa o 10% daquilo que é a faturação do grupo em Portugal. Por isso mesmo, a estratégia mudou há cinco anos, quando o grupo nórdico decidiu abrir escritório e showroom em Lisboa. Diogo Bartolomeu justifica a alteração de planos pelo mercado português ser hoje um dos “mais dinâmicos do sul da Europa” e, sobretudo, pela necessidade de estar mais presente junto dos consumidores com as suas marcas. O que levou à decisão de abrir lojas de moda feminina das marcas Vero Moda e Only e, também, da Jack & Jones, de roupa masculina, que em setembro vai inaugurar o seu maior espaço em Portugal, uma loja com 500 metros quadrados, no Centro Comercial Colombo, em Lisboa.

Sobre a evolução do negócio, Diogo Bartolomeu diz que o grupo tem vindo a crescer constantemente a dois dígitos ao ano “e este ano vamos repetir, com certeza”, afirma. Contudo, está ciente de o ritmo de crescimento não se irá manter indefinidamente sobretudo em tempos de incerteza. “Depois de cinco anos a crescer, é complicado projetarmos os próximos anos, sobretudo por questões micro e macroeconómicas e ainda pela instabilidade geopolítica atual. Mas temos de trabalhar com as condições que existem”, elucida, sublinhando que todos esses fatores têm também alterado o comportamento e da forma de comprar. “Reparamos que o consumidor tem hoje menos confiança, está mais reticente e tem mais informação. Contudo, sabemos que no primeiro trimestre deste ano existiu um crescimento do consumo de moda têxtil de 8%”. Explica que tal se deve à inflação e também pelo ganho de quota de mercado que está a acontecer com outros retalhistas. “O mercado português neste momento está a ficar polarizado, e vemos ainda os grandes players em crescimento constante e um forte crescimento do online”, salienta.

Nova marca em Portugal
Uma das novidades para este ano é a Balmohk, marca de moda urbana que a empresa vai lançar em Portugal. É originária de Espanha e a primeira criada totalmente fora da casa-mãe, na Dinamarca. “É uma marca que se difere das outras marcas por ser mais próxima do consumidor do Sul da Europa, quer a nível de estilo, tamanhos e mesmo nos tecido”, explica Diogo Bartolomeu. “É é importante para termos uma proximidade com o consumidor. Queremos muito chegar ao final deste ano aqui em Portugal com pelo menos uma abertura”. Neste momento o grupo está a negociar a localização, mas o certo é que será uma loja de rua. Em Espanha, a Balmohk tem seis lojas.

Outro negócio no qual a Bestseller tem vindo a apostar, mas do qual fala pouco, é o fabrico de roupa de moda e de merchadising para clubes de futebol. “Muitos dos grandes clubes europeus de futebol têm roupa feita por nós, entre eles o Bayern Munique, FC Barcelona ou o Borrussia e um clube grande em Portugal”, que Diogo Bartolomeu não quis relevar preferindo sublinhar que têm conseguido “trazer a moda para dentro da roupa mais desportiva”. Outra área de negócio que tem crescido são as fardas para hotéis e restauração, um mercado “muito é importante para a Bestseller” ou não fosse Portugal um país com a economia sustentada. sobretudo, no turismo.

Sofia Tenreiro: “Adoro esta velocidade com que vivemos”

5 June 2026 at 07:22

A ideia de fazer este almoço com Sofia Tenreiro tornou-se num convite da Siemens Portugal para conhecer a sede da empresa. No meio da zona industrial de Alfragide rodeada de armazéns com ruas sem passeio, e muitos camiões a circular, a empresa alemã tem construído desde 1989 uma espécie de “oásis” com espaços verdes, árvores, lagos e campos de padel. Já dentro de uma sala dedicada a almoços da administração, espero pela CEO que chega cinco minutos depois, apressada, após ter-se libertado de uma reunião.

A conversa começa logo ali, à beira da janela com vista para as muitas árvores e bancos onde alguns trabalhadores fazem pausas. Sofia Tenreiro sublinha a importância de ter um espaço assim para o equilíbrio entre trabalho e bem-estar dos três mil trabalhadores da sede da empresa. Já sentados no centro de uma mesa comprida e servidos de um creme de espargos, relembro-lhe que recentemente disse que três pessoas tiveram uma grande influência na sua vida. Sofia deixa escapar um sorriso e fala de imediato do pai, da mãe e da avó materna.

Começa pelo pai, de origens humildes, nascido na região da Serra da Estrela, filho de um sapateiro. “Uma figura forte, militar, da Marinha, que me educou para não ter limites a nível profissional, quase como eu, que fui a primeira filha, fosse uma figura masculina”. “Educou-me para eu ter a carreira que quisesse, desde que trabalhasse arduamente com os valores certos, com lealdade e respeitasse as hierarquias. No fundo, os valores militares que me quis passar e que me moldaram”. Conta que isso sempre a ajudou a tomar decisões importantes na sua vida, por mais complexas que fossem.

O percurso profissional de Sofia Tenreiro, 51 anos, é feito de cargos de decisão. Trabalhou na Procter & Gamble, depois foi para o grupo Sonae, onde esteve na Optimus e no marketing do jornal Público. Mais tarde passou sete anos na Microsoft, foi diretora geral da Cisco em Portugal, diretora de operações comerciais da Galp e, antes de entrar na Siemens Portugal, esteve na Deloitte.
De regresso às influências, fala agora da avó, “uma das primeiras dentistas em Portugal”. E não disfarça a sua admiração. “Era uma lutadora, ficou viúva muito cedo, com quatro filhos pequenos, e trabalhou muito para manter o nível de vida necessário para os educar.” Recorda que para colmatar as ausências dos jantares em família, por causa do trabalho, pedia a uma babysitter para jantar e conversar, por vezes em francês, com os filhos. “Ela foi esse mulherão com um espírito muito aberto. Já velhinha continuava curiosa e interessada, navegava na internet e jogava sudoku. Só estava proibida de ver jogos do Benfica por causa do coração”.

Ainda antes de falar da mãe, a terceira grande figura na sua vida, chega à mesa o prato principal, um lombo de corvina com legumes, do menu previamente escolhido para este almoço. Sofia Tenreiro assume que tem hoje um grande cuidado com a alimentação, deixou de beber café, prefere matcha, e dá muita importância ao sono, embora na maioria das vezes antes das seis da manhã já esteja acordada. Pergunto-lhe se segue a filosofia do “Clube das 5 da manhã”, inspirado no livro best-seller com o mesmo nome sobre as supostas vantagens dos líderes empresariais acordarem mais cedo, como fazem Tim Cook e Jeff Bezos. Tenreiro sorri e partilha que o “movimento” está a deixar de ter tanta aceitação entre os CEO. Prefere dizer que sempre teve necessidade de dormir pouco, mas que hoje a saúde e a longevidade são temas que lhe interessam cada vez mais. Tanto que desde há meses, conta, faz exercício com muita regularidade, inspirada pela sua mãe. “Tem 76 anos e faz duas horas de ginástica por dia, não toma um medicamento, não tem uma dor. Quero chegar aos 130 anos assim”, conta, a sorrir, explicando que para além disso ensinou-a fintar os impossíveis. “Só a morte não tem solução, diz-me com frequência. É uma mulher super positiva em relação à vida e isso influenciou-me a ser super pragmática.”

Um ano de Siemens
O encontro com Sofia Tenreiro ocorreu exatamente uma semana depois de comemorar o seu primeiro ano à frente da Siemens Portugal. Sem reservas, diz que as expectativas “foram superadas”. Acrescenta, já com um discurso típico de CEO, que a empresa é o segredo mais bem guardado de Portugal. “Existimos há 165 anos, estamos há 120 em Portugal e todos conhecem a Siemens, sobretudo pelos eletrodomésticos, que é um negócio que já foi vendido há vários anos. Mas agora, consumidores e clientes estão a começar a descobrir-nos pelo que fazemos com dados e com a Inteligência Artificial, e está a ser uma transformação gigante”, reforça. Uma mudança que não a assusta, antes pelo contrário. “A empresa surpreendeu-me ainda mais por mostrar que a transformação que estamos a viver é mesmo muito profunda. E estamos a liderar esta revolução usando este trinómio de IA, componente tecnológico e experiência industrial”. Pergunto-lhe como vê a sociedade e as empresas a viver as alterações que a IA está a trazer. É direta na resposta: “Algumas tarefas vão ser substituídas totalmente, mas vão surgir outras novas. A IA vai ser um complemento, não um substituto”.

Perante as mudanças, pede aos trabalhadores da Siemens que sejam humanos e não robôs. “Os agentes de IA vão ser mais eficientes em certas tarefas, por isso os humanos têm de trazer a sua individualidade, o conhecimento, o sentido crítico e a socialização. Acredito que é isso que vai acontecer com a IA, quer para uso pessoal, quer para os negócios”. Contudo, avisa que teremos todos de repensar o nosso dia a dia para conseguirmos tirar “o máximo proveito desta simbiose entre humanos e tecnologia”. Explica que há os super entusiastas com a IA, os que ainda estão com um pé atrás e ainda “uma gradiente de cores no meio disso”. “ASiemens é uma organização tão grande que temos de perceber o receio de algumas pessoas em relação à tecnologia, independentemente da idade. Por isso temos criado pequenos vídeos para os colaboradores como exemplos de como usar a IA. E peço, frequentemente, que partilhem o impacto que provoca no dia a dia “.

Para Sofia Tenreiro a transformação não deverá ser difícil. Assume que adora gadgets. E nota-se. Faz-se acompanhar de dois telefones, um tablet e um computador, pousados ao seu lado na mesa de almoço, e ainda usa um smartwatch e um anel inteligente que lhe dá dados sobre o seu corpo. Apenas os headphones são analógicos, de fio. Pergunto se segue a tendência dos mais novos que estão a abandonar os headphones wireless e alguns produtos digitais. Ri-se e responde que é apenas porque já não consegue gerir tantas baterias, mas agrada-lhe assistir a esses fenómenos de regresso às origens. “Acredito que tudo é cíclico e ver como os miúdos se vestem hoje, da mesma forma como me vestia há 40 anos, é muito curioso. Tenho um filho com quase 17 anos e aprendo imenso com ele”. Ainda sobre a tecnologia, faz questão de dizer, antes que o assunto mude, que apesar de ser muito tecnológica não dispensa ler em papel, sobretudo “se forem leituras que exijam reflexão e pensamento”

Viciada na velocidade  do presente
A sobremesa confirma, mais uma vez, as escolhas saudáveis de Sofia. Fruta da época laminada e nada de doces, claro. Tento testar a positividade da CEO apontando para a situação geopolítica imprevísivel e um mundo menos seguro. Assume, pragmática, que este “novo normal” tem tido impacto na empresa. “Nos últimos tempos, todas as semanas acontece qualquer coisa. Ou é uma guerra, ou a descoberta de uma doença que pode dar em pandemia. Antes existiam anos mais atribulados que outros, mas vários sem haver crises. Hoje é diferente e isso traz uma componente de incerteza para cima da mesa com a qual temos de lidar e, com isso, desenvolver uma capacidade de adaptação para antecipar os negócios para qualquer risco ou crise que surja.”
A terminar o almoço, pergunto como olha para o futuro. Prefere responder com o presente. “Adoro esta velocidade que vivemos. Nunca houve tantas oportunidades como agora. É óbvio que há muitos riscos e temos de estar muito alerta, mas olho para as oportunidades com entusiasmo. Tenho a sorte de fazer parte da geração que, provavelmente, mais períodos diferentes viveu. É incrível pensarmos como tudo evoluiu e daqui a cinco ou dez anos o mundo ainda vai ser mais incrível”. E no seu estilo incansável deixa o alerta: “é preciso sermos rápidos para aprender e aproveitar ao máximo as oportunidades”.

Indústria militar espanhola caça talentos: salário médio já ultrapassa os 80 mil euros

4 June 2026 at 19:25

O rearmamento da Europa após a invasão russa da Ucrânia e o subsequente afastamento dos Estados Unidos fizeram com que a indústria militar esteja a viver um momento muito favorável neste lado do Atlântico. Com a perspetiva de a Europa investir o setor com contratos multimilionários nos próximos anos (algo que já começou a acontecer), as empresas de defesa viram as suas cotações bolsistas disparar e lançaram-se a crescer para dar resposta à procura dos Estados, avança o jornal espanhol “Cinco Días”.

No caso de Espanha, o Governo disparou o ano passado a despesa militar para 2% do PIB com o anúncio de contratos avultados, como as novas artilharias, adjudicadas à Indra e à Escribano por um valor conjunto de 7240 milhões de euros; o desenvolvimento do novo sistema de formação para pilotos de caças e um novo avião de treino, encomendado à Airbus e à Turkish Aerospace por 2600 milhões; ou a renovação das fragatas F-100 à Navantia, por 3200 milhões.

De acordo com o jornal “Cinco Días”, o nvestimento fez disparar as perspetivas de contratação num setor cuja remuneração média bruta já ultrapassa os 80 mil euros, segundo o relatório “Diagnóstico del sector industrial de la defensa y seguridad en España”, apresentado na terça-feira pelos sindicatos UGT e CC OO e promovido pela associação patronal Confemetal. Este valor representa mais do dobro da remuneração média do setor de serviços. Um aspeto negativo destacado pelo estudo é a fraca presença de mulheres nesta atividade: apenas 20,6%, quase oito pontos abaixo da média da indústria espanhola.

O estudo indica que a defesa emprega atualmente 36 mil trabalhadores diretos, 37 mil indiretos e gera outros 15 mil induzidos — aqueles que resultam do consumo de bens e serviços por parte dos trabalhadores. O relatório alerta, porém, para a falta de mão de obra qualificada, o que poderá criar um estrangulamento no setor. “A elevada complexidade tecnológica das atividades ligadas à defesa, ao espaço, à eletrónica ou à simulação está a fazer disparar a procura de perfis com alta qualificação técnica, num mercado em que as empresas espanholas já competem com grandes grupos industriais europeus para atrair engenheiros, especialistas digitais e profissionais STEM”, refere o relatório dos sindicatos e da patronal.

A isto acresce, segundo os sindicatos e a Confemetal, a necessidade de uma importante renovação geracional. De acordo com o relatório, as atividades relacionadas com o metal terão de preencher 350 milpostos de trabalho nos próximos anos, em parte devido à reforma de 240 mil pessoas na próxima década, algumas delas no setor da defesa.

“Estamos a falar de uma indústria que não só gera emprego de qualidade e altamente qualificado, como pode também funcionar como motor tecnológico e industrial para o conjunto da economia espanhola. O desafio agora é que Espanha seja capaz de formar, atrair e reter o talento de que necessita uma indústria cada vez mais sofisticada e estratégica. A concorrência internacional por estes perfis já é enorme e intensificar-se-á nos próximos anos”, sublinha a UGT.

Restrições da UE ao aço e ao óleo de soja aprofundam atritos com o Brasil após acordo do Mercosul

4 June 2026 at 18:57

A União Europeia adotou recentemente medidas que deverão resultar em novas restrições a produtos exportados pelo Brasil para o bloco, num movimento que aprofunda atritos com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) poucas semanas após a entrada em vigor provisória do acordo de livre comércio com o Mercosul.

Na última reunião do GMC (Grupo Mercado Comum), braço executivo do Mercosul, as delegações do Brasil, da Argentina, do Paraguai e do Uruguai registaram queixas sobre medidas europeias que deverão limitar exportações de aço e óleo de soja. Essas restrições, que se aplicam globalmente e não apenas ao Brasil e aos seus vizinhos, somam-se ao recente veto da Europa à compra de carne brasileira pelo uso de antibióticos.

A UE afirma que a medida contra o aço importado tem como objetivo mitigar os efeitos de uma sobrecapacidade global, ao passo que, no caso da soja, o problema estaria ligado ao efeito indireto sobre a perda de florestas e a degradação do solo.

No que respeita ao aço, os representantes dos países do Mercosul disseram, durante o encontro, que as barreiras previstas pela Europa podem constituir um incumprimento do tratado de livre comércio. A avaliação foi confirmada pelo Itamaraty, que em resposta à “Folha de S.Paulo” afirmou que as medidas, caso adotadas, “podem vir a restringir ou esvaziar concessões obtidas sob o acordo”.

“Para o caso de identificação de incumprimento do acordo, há mecanismos no próprio acordo para lidar com eventual retirada de benefícios acordados, como no mecanismo de reequilíbrio presente no capítulo de solução de controvérsias”, afirmou o ministério, em nota.

O Parlamento Europeu endureceu, em votação realizada a 19 de maio, as regras para a entrada de produtos siderúrgicos nos países da UE. Para além de reduzir para metade o volume que pode entrar sem tarifas — para 18,3 milhões de toneladas métricas —, o bloco elevou de 25% para 50% o imposto sobre o aço extracota.

A decisão deverá vigorar a partir de 1 de julho, com aplicação inclusive para parceiros com os quais a União Europeia tem acordo comercial, como é o caso do Mercosul.

A medida afeta diretamente os interesses da indústria brasileira, uma vez que o acordo entre a UE e o Mercosul previa tarifa zero para diversos produtos siderúrgicos.

O Instituto Aço Brasil entende que deveria prevalecer o que foi acordado no âmbito do acordo Mercosul-União Europeia. Num contexto em que os países se estão a fechar e em que o Brasil está a perder mercado internamente devido às importações predatórias de aço, ter acesso restrito a mais um mercado é extremamente preocupante”, declarou a entidade.

Segundo o Itamaraty, a média das importações europeias provenientes do Brasil dos produtos cujas tarifas estão a ser elevadas foi de cerca de 444 milhões de euros (2,7 mil milhões de reais) entre 2022 e 2024.

A justificativa da UE para aumentar a proteção ao setor siderúrgico é enfrentar a sobrecapacidade global, fenómeno causado pela produção massiva de aço na China para exportação a preços inferiores aos dos concorrentes domésticos.

O problema afeta igualmente as siderúrgicas no Brasil, que classificam a prática chinesa como predatória.

O bloco europeu adota salvaguardas na siderurgia desde 2018, mas eram mais brandas do que as recém-aprovadas e expiram no final de junho. Havia ampla expectativa no Brasil de que os termos de tarifa zero negociados no acordo de livre comércio com o Mercosul prevaleceriam.

A Delegação da União Europeia no Brasil declarou que a medida, além de compatível com as regras da OMC (Organização Mundial do Comércio), é “necessária tendo em conta o nível insustentável de sobrecapacidade global e o crescente número de medidas restritivas ao comércio em outros países, resultando no desvio de comércio para o mercado da UE”.

A missão diplomática acrescentou que a UE está a discutir as implicações da sua proposta com parceiros. Afirmou ainda ser demasiado cedo para avaliar o impacto sobre cada parceiro comercial, mas sublinhou que o novo regulamento “estabelece que os parceiros que tenham um acordo de livre comércio com a UE poderão receber um tratamento especial e diferenciado”.

Óleo de Soja

A renegociação tarifária do aço na OMC não é a única ação da União Europeia que é alvo de críticas no governo Lula. Na mesma reunião do GMC, realizada nos dias 19 e 20 de maio, os delegados do Mercosul queixaram-se de uma recente normativa europeia que classificou a soja como produto de alto risco de Mudança Indireta do Uso do Solo (ILUC, na sigla em inglês).

O ILUC é um conceito utilizado na União Europeia para estimar se o aumento da produção de determinadas culturas para biocombustíveis pode provocar, indiretamente, perda de florestas e outras alterações no uso da terra.

Ao incluir a soja numa lista de alto risco de ILUC, os europeus posicionam a cultura como uma espécie de vetor indireto de desflorestação. A consequência mais imediata é que o óleo de soja deixará de poder ser contabilizado para o cumprimento das metas europeias de utilização de biocombustíveis, tendo de deixar de ser usado para esse fim até 2030.

A nova regra foi introduzida a 10 de abril pela Comissão Europeia e aguarda análise do Parlamento e do Conselho Europeu.

André Nassar, presidente-executivo da Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais), afirma que a medida “basicamente vai banir o óleo de soja como insumo para biocombustíveis” na Europa.

Embora o óleo de soja represente apenas 7% dos biocombustíveis utilizados na UE, Nassar prevê reflexos negativos para o consumo do produto também no setor alimentar, uma vez que a soja recebeu uma espécie de rótulo de causadora indireta de desflorestação.

“Quando o óleo de palma foi classificado como de alto risco de ILUC, as importações europeias caíram drasticamente”, declara. “A indústria alimentar europeia também vai começar a consumir menos óleo de soja.”

Segundo dados do Ministério da Agricultura, o Brasil exportou 6,2 milhões de toneladas de soja em grão — matéria-prima do óleo tanto para biocombustíveis como para outras finalidades da indústria alimentar — para a União Europeia em 2025

Contactado, o Itamaraty disse que o Brasil “não concorda com a metodologia adotada pela União Europeia nem com as conclusões dela decorrentes”. Afirmou ainda que a medida se restringe aos biocombustíveis, mas que “eventuais restrições futuras, entretanto, podem produzir efeitos sobre a cadeia de exportação da soja”.

A Delegação da UE no Brasil defendeu a diretiva no âmbito dos esforços de descarbonização do bloco, afirmando que, pela proposta, “os biocombustíveis de soja não serão elegíveis para as metas de descarbonização da UE após 2030”.

“Existem soluções alternativas que podem ser disponibilizadas aos países do Mercosul para contrabalançar as implicações esperadas”, disse.

Destacou ainda que os biocombustíveis identificados como de baixo risco de ILUC estão isentos da redução gradual e que a Comissão Europeia está em processo de revisão das regras de certificação, “o que poderia proporcionar uma abordagem mais matizada”.

A delegação afirmou que a “UE continuará dependendo da soja como reserva alimentar essencial no setor agrícola, com uma procura constante por importações de soja”.

PR alerta que envelhecimento é “bomba-relógio” e pede “melhor resposta” do Estado

4 June 2026 at 18:42

O Presidente da República, António José Seguro, alertou esta quinta-feira que o envelhecimento do país constitui uma “bomba-relógio” e sublinhou que a solidariedade da sociedade civil “não pode nunca substituir a responsabilidade primeira do Estado”.

Falando em Braga, na abertura do 15.º Congresso Nacional da Misericórdias, Seguro disse que Portugal “deve dar uma resposta melhor do que tem sido dada” e avisou que não deixará de lembrar o Estado que tem de cumprir as suas obrigações.

“Manuel Lemos [presidente da União das Misericórdias] chama-lhe tsunami social, eu tenho utilizado a imagem da bomba-relógio, mas ambos chamamos a atenção para os efeitos dramáticos das alterações demográficas no nosso país e para o aumento da pressão do envelhecimento sobre os setores da saúde e da segurança social, duas áreas em que já vivemos situações críticas”, referiu.

Lembrou que as misericórdias, mesmo com dificuldades crescentes, têm dado um contributo fundamental para ajudar a suprir os problemas que vão surgindo, mas vincou que é ao Estado a quem cabe, em primeira instância, assegurar as respostas necessárias.

“Estas são realidades que o Estado conhece, agora e no passado recente. E é aqui que tenho de ser direto, sem dramatismos e sem ambiguidade: a solidariedade da sociedade civil não pode nunca substituir a responsabilidade primeira do Estado português”, referiu.

Como exemplo, apontou o caso da resposta ao internamento social nos hospitais, que “só está a ser conseguida graças às camas disponibilizadas pelas misericórdias”.

“É mais uma vez o setor social a suprir o que o Estado não tem e é uma situação que não pode ser aceite como um novo normal”, vincou.

Para Seguro, “é tempo, e já vamos tarde, para políticas estruturais que atenuem as consequências do envelhecimento populacional”.

“Políticas que atravessem legislaturas, que não dependam de calendários eleitorais, que construam respostas para um problema que se vai agravar antes de melhorar. Os problemas mais relevantes exigem planeamento que atravesse várias legislaturas, precisam de estabilidade política e de convergência entre as principais forças políticas”, defendeu.

Fazendo um retrato do país, Seguro lembrou, desde logo, que, segundo a OCDE, Portugal é o terceiro país da União Europeia com menos camas para idosos em lares.

“No setor privado, sem comparticipação, uma cama custa duas vezes e meia o valor de uma reforma média. Com as mensalidades dos lares a subir entre 200 e 250 euros num ano, esta é uma conta que não bate certo com o rendimento das pessoas e é uma conta que milhares de famílias portuguesas tentam fazer todos os meses, com angústia”, afirmou.

Disse ainda que o panorama das residências seniores em Portugal acrescenta “mais um dado preocupante”.

“A falta de lares e o aumento do número de idosos, além da pressão sobre os preços, estão também a aumentar as listas de espera”, frisou, apontando que 70% das unidades estão totalmente ocupadas e com listas de espera, sendo que em 36% dos casos o tempo de espera ultrapassa os seis meses.

A estes dados, o Presidente juntou o agravamento da questão demográfica, com o “significativo envelhecimento” da população.

“Somos dos países mais velhos da Europa e a situação vai agravar-se nas próximas décadas. Em 2050, seremos o quarto país do mundo com maior proporção de população acima dos 65 anos”, alertou.

Como consequência, frisou, a saúde e segurança social “vão estar fortemente pressionados”.

António José Seguro disse que o “tsunami social que aí vem não se enfrenta com improvisação”, mas sim de uma evolução que depende de todos, desde as misericórdias ao Estado, passando pelas famílias e pela sociedade.

“Contem com o Presidente da República como aliado nesse caminho, como uma voz que amplifica as vossas causas, que nomeia as vossas dificuldades e lembra ao Estado o cumprimento das suas obrigações”, disse ainda.

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