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Relator de contas do governo Lula destaca preocupação com gestão fiscal

11 June 2026 at 01:55

O TCU (Tribunal de Contas da União) aprovou nesta quarta-feira (10), com ressalvas, as contas do presidente da República relativas ao exercício financeiro de 2025. O parecer do relator, ministro Benjamin Zymler, pela aprovação foi seguido por unanimidade.

Em seu voto, o relator apontou pontos de preocupação na condução não só das contas públicas, mas na gestão fiscal do governo. Segundo o ministro, o resultado previdenciário manteve-se como um dos principais fatores de pressão estrutural nas contas públicas.

“A mensagem final dessa análise, desse parecer prévio, é no sentido de que haja atenção do Congresso, do governo e da sociedade a alguns aspectos fundamentais que tornam a análise feita problemática ainda. A trajetória da dívida pública preocupa, a rigidez do gasto público no Brasil e a governança das renúncias de receitas tal qual colocado no nosso trabalho”, disse Zymler.

A aprovação com ressalvas reconhece a conformidade geral das contas com os princípios constitucionais e legais, mas registra não conformidades ou distorções materialmente relevantes. Isso significa que as irregularidades apontadas não comprometem a fidedignidade global das informações, mas evidenciam fragilidades que demandam aprimoramento por parte do Executivo.

A análise da Corte de Contas elenca oito “achados” relacionados a riscos, fragilidades e impactos nas contas públicas.

Correios

O TCU constatou falhas relevantes no procedimento de análise e aprovação de garantia da União aos Correios na aprovação de crédito de R$ 12 bilhões em dezembro de 2025, como parte do plano de reestruturação financeira da estatal.

Na avaliação da Corte de Contas, houve ausência de exame crítico das premissas do Plano de Reestruturação (projeções de receitas, despesas e fluxos de caixa). Segundo o TCU, a validação de dados fornecidos pela própria empresa ocorreu sem verificação independente.

Além disso, o tribunal considerou que a União, como acionista controladora, atuou tardiamente diante do agravamento da situação econômico-financeira da estatal.

Esforço fiscal projeto insuficiente

O governo cumpriu a meta fiscal de 2025, mas foi materialmente insuficiente para estabilizar a dívida pública. Para os auditores do TCU, é necessário um superávit de 1,94% do PIB por ano para estabilizar a dívida em 2029. Para este ano, a equipe econômica projeta um superávit de 0,25% do PIB.

Cumprimento da meta fiscal

O TCU considerou que o alcance da meta de 2025 não se traduziu, na prática, em resultado compatível com o fortalecimento do equilíbrio fiscal. Em seu parecer, o tribunal ressalta a exclusão de R$ 48,7 bilhões do cálculo da meta e uma alteração legal (Lei 15.246/2025) para assegurar o cumprimento da regra fiscal mirando o limite inferior, após a Corte de Contas registrar controvérsia sobre o tema.

Para o TCU, a mudança legal evidenciou flexibilização do parâmetro operacional de ajuste fiscal no curso do exercício, fragilizando a previsibilidade das regras.

Receitas e despesas fora do Orçamento

A fiscalização identificou mecanismos institucionais que permitem a destinação de receitas sem o devido recolhimento à CUTN (Corte Única do Tesouro Nacional) e sem a inclusão nas leis orçamentárias anuais. Para isso, verificou-se a existência de duas estratégias: descaracterização das receitas como públicas e não recolhimento à Conta Única. Entre os arranjos identificados, está a remuneração da PPSA (empresa Petróleo Pré-Sal S.A.) sem trânsito pela CUTN.

Gastos tributários

A renúncia fiscal de 2025 foi estimada em R$ 544,4 bilhões. Segundo o TCU, 74% dos gastos não passaram por avaliação recente, apesar da avaliação periódica ser regra; e 42% dos benefícios criados em 2012 possuem prazo indeterminado ou superior a 5 anos, embora a regra seja vigência máxima de 5 anos.

Alcance das metas do PPA 2024-2027

O TCU aponta que apenas 50,1% dos objetivos do Plano Plurianual foram cumpridas. O órgão indica também que somente 45,1% das entregas atingiram as metas estabelecidas.

Obras paradas

A programação orçamentária da Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba) e dos ministérios das Cidades e do Desenvolvimento Regional incluiu novos projetos sem que os empreendimentos em andamento fossem concluídos. A norma exige que os projetos em andamento e conservação de patrimônio têm prioridade sobre novas inclusões.

Regra de ouro pressionada

As projeções para o período 2026-2029 evidenciam desequilíbrio estrutural e maior dependência de operações de crédito para financiamento de despesas decorrentes. O cumprimento de 2025 foi viabilizado por remanejamento de fontes e uso de superávit de exercícios anteriores (margem de R$ 79,2 bilhões).

As ressalvas às contas públicas registram não conformidades ou distorções materialmente relevantes identificadas na auditoria. Para analisar as inconformidades, a nova metodologia da análise das contas dividiu o relatório em quatro capítulos temáticos:

  • Execução orçamentária e financeira;
  • Conformidade da gestão fiscal;
  • Resultado da atuação governamental;
  • Demonstrações contábeis (Balanço Geral da União).

Os alertas nas Contas do Presidente sinalizam ao Poder Executivo Federal fatores de risco, deficiências ou situações que, embora não configurem irregularidade passível de ressalva, demandam atenção e adoção de providências. Diferencia-se da ressalva por não fundamentar modificação da opinião de auditoria.

Correios e gastos tributários; as ressalvas do TCU às contas do governo

10 June 2026 at 20:55

O TCU (Tribunal de Contas da União) aprovou, com ressalvas, as contas do presidente da República relativas ao exercício financeiro de 2025. Com isso, o parecer prévio será encaminhado ao Congresso Nacional, responsável pelo julgamento definitivo das contas presidenciais.

A modalidade reconhece a conformidade geral das contas com os princípios constitucionais e legais, mas registra não conformidades ou distorções materialmente relevantes. Isso significa que as irregularidades apontadas não comprometem a fidedignidade global das informações, mas evidenciam fragilidades que demandam aprimoramento por parte do Executivo.

A análise da Corte de Contas elenca oito “achados” relacionados a riscos, fragilidades e impactos nas contas públicas.

Correios

O TCU constatou falhas relevantes no procedimento de análise e aprovação de garantia da União aos Correios na aprovação de crédito de R$ 12 bilhões em dezembro de 2025, como parte do plano de reestruturação financeira da estatal.

Na avaliação da Corte de Contas, houve ausência de exame crítico das premissas do Plano de Reestruturação (projeções de receitas, despesas e fluxos de caixa). Segundo o TCU, a validação de dados fornecidos pela própria empresa ocorreu sem verificação independente.

Além disso, o tribunal considerou que a União, como acionista controladora, atuou tardiamente diante do agravamento da situação econômico-financeira da estatal.

Esforço fiscal projeto insuficiente

O governo cumpriu a meta fiscal de 2025, mas foi materialmente insuficiente para estabilizar a dívida pública. Para os auditores do TCU, é necessário um superávit de 1,94% do PIB por ano para estabilizar a dívida em 2029. Para este ano, a equipe econômica projeta um superávit de 0,25% do PIB.

Cumprimento da meta fiscal

O TCU considerou que o alcance da meta de 2025 não se traduziu, na prática, em resultado compatível com o fortalecimento do equilíbrio fiscal. Em seu parecer, o tribunal ressalta a exclusão de R$ 48,7 bilhões do cálculo da meta e uma alteração legal (Lei 15.246/2025) para assegurar o cumprimento da regra fiscal mirando o limite inferior, após a Corte de Contas registrar controvérsia sobre o tema.

Para o TCU, a mudança legal evidenciou flexibilização do parâmetro operacional de ajuste fiscal no curso do exercício, fragilizando a previsibilidade das regras.

Receitas e despesas fora do Orçamento

A fiscalização identificou mecanismos institucionais que permitem a destinação de receitas sem o devido recolhimento à CUTN (Corte Única do Tesouro Nacional) e sem a inclusão nas leis orçamentárias anuais. Para isso, verificou-se a existência de duas estratégias: descaracterização das receitas como públicas e não recolhimento à Conta Única. Entre os arranjos identificados, está a remuneração da PPSA (empresa Petróleo Pré-Sal S.A.) sem trânsito pela CUTN.

Gastos tributários

A renúncia fiscal de 2025 foi estimada em R$ 544,4 bilhões. Segundo o TCU, 74% dos gastos não passaram por avaliação recente, apesar da avaliação periódica ser regra; e 42% dos benefícios criados em 2012 possuem prazo indeterminado ou superior a 5 anos, embora a regra seja vigência máxima de 5 anos.

Alcance das metas do PPA 2024-2027

O TCU aponta que apenas 50,1% dos objetivos do Plano Plurianual foram cumpridas.O órgão indica também que somente 45,1% das entregas atingiram as metas estabelecidas.

Obras paradas

A programação orçamentária da Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba) e dos ministérios das Cidades e do Desenvolvimento Regional incluiu novos projetos sem que os empreendimentos em andamento fossem concluídos. A norma exige que os projetos em andamento e conservação de patrimônio têm prioridade sobre novas inclusões.

Regra de ouro pressionada

As projeções para o período 2026-2029 evidenciam desequilíbrio estrutural e maior dependência de operações de crédito para financiamento de despesas decorrentes. O cumprimento de 2025 foi viabilizado por remanejamento de fontes e uso de superávit de exercícios anteriores (margem de R$ 79,2 bilhões).

As ressalvas às contas públicas registram não conformidades ou distorções materialmente relevantes identificadas na auditoria. Para analisar as inconformidades, a nova metodologia da análise das contas dividiu o relatório em quatro capítulos temáticos:

  • Execução orçamentária e financeira;
  • Conformidade da gestão fiscal;
  • Resultado da atuação governamental;
  • Demonstrações contábeis (Balanço Geral da União).

Os alertas nas Contas do Presidente sinalizam ao Poder Executivo Federal fatores de risco, deficiências ou situações que, embora não configurem irregularidade passível de ressalva, demandam atenção e adoção de providências. Diferencia-se da ressalva por não fundamentar modificação da opinião de auditoria.

TCU aprova contas do governo Lula com ressalvas sobre Correios e dívida

10 June 2026 at 17:51

O TCU (Tribunal de Contas da União) aprovou, com ressalvas, as contas do presidente da República relativas ao exercício financeiro de 2025. O julgamento ocorreu na manhã desta quarta-feira (10), e o parecer do relator, ministro Benjamin Zymler, foi aprovado por unanimidade.

Entretanto, apesar de os outros ministros concordarem com as ressalvas do relator, eles apresentaram em seus votos outros apontamentos, além de também recomendarem a aprovação.

A análise feita pelo TCU verifica se os dados apresentados pela União representam as posições financeira, orçamentária, contábil e patrimonial, e se a gestão dos recursos públicos observou os princípios e as normas constitucionais e legais que regem a administração pública federal.

No voto que recomendou a aprovação, o relator apontou pontos de preocupação na condução não só das contas públicas, mas na gestão fiscal do governo.

“A mensagem final dessa análise, desse parecer prévio, é no sentido de que haja atenção do Congresso, do governo e da sociedade a alguns aspectos fundamentais que tornam a análise feita problemática ainda. A trajetória da dívida pública preocupa, a rigidez do gasto público no Brasil e a governança das renúncias de receitas tal qual colocado no nosso trabalho”, disse Zymler.

Segundo o TCU, os achados de auditoria que configurem irregularidades resultam em ressalvas. Outros achados, que não podem ser classificados dessa forma, motivam os alertas, para indicar ao Poder Executivo situações que demandam atenção e providências.

Entre os alertas, o TCU aponta inconsistências no Fundo Constitucional do Distrito Federal. O relator alertou sobre o uso de dotações destinadas a servidores ativos para o pagamento de inativos e pensionistas, além de falhas na metodologia do RREO (Relatório Resumido de Execução Orçamentária), que omitiu cerca de R$ 5,3 bilhões em despesas previdenciárias.

As ressalvas às contas públicas registram não conformidades ou distorções materialmente relevantes identificadas na auditoria. Para analisar as inconformidades, a nova metodologia da análise das contas dividiu o relatório em quatro capítulos temáticos:

  • Execução orçamentária e financeira
  • Conformidade da gestão fiscal
  • Resultado da atuação governamental
  • Demonstrações contábeis (Balanço Geral da União)

Conformidade da Execução Orçamentária

O Tribunal apontou irregularidades e falta de transparência na PPSA (Petróleo Pré-Sal S.A) devido à execução de receitas e despesas fora da Lei Orçamentária (LOA) e sem trânsito pela Conta Única do Tesouro, e ausência de acompanhamento desses recursos executados à margem do orçamento.

Outra ressalva às contas de 2025 foi sobre a garantia da União à operação de crédito dos Correios. O TCU alega que a concessão foi feita com análise insuficiente da capacidade de pagamento e sobre a viabilidade econômica do plano de reestruturação da estatal. Ainda sobre as estatais, foram feitas ressalvas a aportes em empresas públicas não dependentes, sem monitoramento adequado.

Regularidade da Gestão Fiscal

Sobre a gestão fiscal, o TCU alertou para a concessão de benefícios tributários sem a demonstração integral dos requisitos legais e constitucionais, além de receitas superestimadas na LOA 2025 (Lei Orçamentária Anual), com uma projeção inflada de R$ 60 bilhões em “Outras receitas administradas pela RFB”.

A estabilização da dívida pública também foi alvo de ressalva por parte do ministro relator, que apontou um esforço fiscal insuficiente para a estabilidade da DBGG (Dívida Bruta do Governo Geral).

Ele explicou que o resultado primário ficou aquém do necessário para conter a trajetória de endividamento e alertou para a ausência, no PLDO 2026 (Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias), de resultados primários compatíveis com a estabilização da dívida pública (DBGG/PIB) no horizonte de dez anos.

Gestão Governamental

O relatório alertou para fragilidades estratégicas, como deficiências na gestão de programas, no monitoramento de metas e na articulação com o planejamento estratégico governamental.

Fidedignidade das Demonstrações Contábeis (BGU)

O Tribunal de Contas também analisou o BGU (Balanço Geral da União), publicado pelo Tesouro Nacional. O BGU tem a finalidade de apresentar à sociedade a situação e os resultados orçamentário, financeiro e patrimonial da União.

Ele é composto pelo Balanço Patrimonial, pela Demonstração das Variações Patrimoniais, pelo Balanço Orçamentário, pelo Balanço Financeiro, pela Demonstração dos Fluxos de Caixa e pela Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido.

Foram apontadas distorções de valor nos ativos financeiros, com subavaliação líquida de R$ 38,9 bilhões. Já nos passivos, houve na visão do Tribunal uma superavaliação de R$ 49,4 bilhões.

Anualmente, o TCU analisa as contas do presidente para verificar o cumprimento das principais normas fiscais e orçamentárias, como as metas fiscais, os limites de endividamento, os pisos constitucionais em saúde e educação, entre outros pontos. O parecer foi enviado ao Congresso Nacional para o julgamento da prestação de contas do Presidente da República.

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