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VoxPop: Uma comunidade dividida: quando ser português no Canadá ainda depende de ser ‘da ilha’ ou ‘do continente’

12 June 2026 at 16:47
Créditos: MDC Media Group

Apesar de milhares de quilómetros de distância, a comunidade portuguesa no Canadá continua a carregar uma divisão silenciosa — mas persistente — entre continentais, açorianos e madeirenses. O que começou como identidade regional transformou-se, ao longo das décadas de emigração, em fronteiras invisíveis dentro da própria diáspora. Em festas, associações e até na vida social quotidiana, ainda há quem sinta que não basta ser português: é preciso ser “do grupo certo”. Entre a preservação das raízes e a criação de muros internos, esta realidade levanta uma pergunta desconfortável — estaremos realmente unidos enquanto comunidade, ou apenas a viver lado a lado, separados por origens que nunca ficaram para trás? 

Maria Silva, 62 anos (Açoriana)
Porque acha que ainda existe uma separação tão visível entre portugueses continentais e açorianos (e, em menor escala, madeirenses) na comunidade luso-canadiana?
Porque essa separação já vinha de trás. As pessoas emigraram com as suas identidades muito marcadas e nunca houve uma verdadeira fusão entre comunidades. Cada grupo acabou por criar os seus próprios espaços.

Já sentiu ou testemunhou essa divisão no dia a dia? Pode dar um exemplo?
Sim, várias vezes. Em festas comunitárias ou eventos culturais, nota-se logo a divisão nas conversas e até nas mesas. Já ouvi comentários a diferenciar “os das ilhas” e “os do continente” como se fossem quase comunidades diferentes.

Na sua opinião, essa divisão tem raízes culturais e históricas trazidas de Portugal e das ilhas, ou foi algo que se desenvolveu já no Canadá? Porquê?
Tem as duas coisas. Já existia em Portugal, mas no Canadá ficou mais visível porque as comunidades cresceram separadas e criaram as suas próprias associações.

Até que ponto esta separação ajuda ou prejudica a força, a representatividade e a afirmação da comunidade portuguesa no Canadá?
Prejudica. Em vez de uma comunidade forte e unida, ficamos divididos em pequenos grupos.


João Pereira, 45 anos (Continental)
Porque acha que ainda existe uma separação tão visível entre portugueses continentais e açorianos (e, em menor escala, madeirenses) na comunidade luso-canadiana?
Porque ainda existe muito orgulho regional e pouca abertura para ultrapassar essas diferenças. Muitas pessoas continuam a ver mais o que nos separa do que o que nos une.

Já sentiu ou testemunhou essa divisão no dia a dia? Pode dar um exemplo?
Sim. Em alguns clubes e associações, percebe-se que certas decisões são sempre dominadas pelos mesmos grupos regionais. Já vi situações em que pessoas de fora do “grupo principal” acabam por não ter a mesma voz.

Na sua opinião, essa divisão tem raízes culturais e históricas trazidas de Portugal e das ilhas, ou foi algo que se desenvolveu já no Canadá? Porquê?
Veio de Portugal, mas no Canadá ficou mais forte porque cada comunidade se organizou de forma independente e isolada.

Até que ponto esta separação ajuda ou prejudica a força, a representatividade e a afirmação da comunidade portuguesa no Canadá?
Prejudica bastante. Enfraquece a nossa representação coletiva.


Sofia Almeida, 27 anos (descendente de madeirenses)
Porque acha que ainda existe uma separação tão visível entre portugueses continentais e açorianos (e, em menor escala, madeirenses) na comunidade luso-canadiana?
Porque a identidade regional ainda é muito forte, especialmente entre gerações mais velhas que mantiveram essas diferenças vivas no Canadá.

Já sentiu ou testemunhou essa divisão no dia a dia? Pode dar um exemplo?
Sim. Já estive em contextos sociais onde se fazem distinções entre “ilhas” e “continente” de forma quase automática. Já me disseram diretamente que “não sou bem de lado nenhum”, o que é estranho sendo portuguesa.

Na sua opinião, essa divisão tem raízes culturais e históricas trazidas de Portugal e das ilhas, ou foi algo que se desenvolveu já no Canadá? Porquê?
Veio dos dois lados, mas no Canadá ficou mais rígida porque as comunidades cresceram separadas e com pouca interação entre si.

Até que ponto esta separação ajuda ou prejudica a força, a representatividade e a afirmação da comunidade portuguesa no Canadá?
Prejudica, mas também preserva tradições. O problema é quando isso vira exclusão.


Tony Martins, 35 anos (nascido no Canadá)
Porque acha que ainda existe uma separação tão visível entre portugueses continentais e açorianos (e, em menor escala, madeirenses) na comunidade luso-canadiana?
Porque é mais fácil as pessoas se identificarem com grupos pequenos e familiares do que construírem uma identidade portuguesa única no estrangeiro.

Já sentiu ou testemunhou essa divisão no dia a dia? Pode dar um exemplo?
Sim. Em eventos culturais ou sociais, nota-se que as pessoas se agrupam por origem e há pouca mistura real entre esses grupos.

Na sua opinião, essa divisão tem raízes culturais e históricas trazidas de Portugal e das ilhas, ou foi algo que se desenvolveu já no Canadá? Porquê?
Acho que se desenvolveu mais no Canadá. Aqui, a distância e o tempo fizeram com que as diferenças regionais ficassem mais fixas do que em Portugal.

Até que ponto esta separação ajuda ou prejudica a força, a representatividade e a afirmação da comunidade portuguesa no Canadá?
Prejudica a representatividade global da comunidade.


Ricardo Sousa, 50 anos (Continental)
Porque acha que ainda existe uma separação tão visível entre portugueses continentais e açorianos (e, em menor escala, madeirenses) na comunidade luso-canadiana?
Porque existe uma mentalidade antiga que nunca foi ultrapassada. Há uma tendência para cada grupo se ver como “mais autêntico” do que o outro, e isso nunca desapareceu completamente.

Já sentiu ou testemunhou essa divisão no dia a dia? Pode dar um exemplo?
Sim, e vou ser direto: já vi pessoas serem ignoradas ou afastadas de associações apenas por não pertencerem ao grupo regional dominante. Isso ainda acontece, mesmo que muita gente não queira admitir.

Na sua opinião, essa divisão tem raízes culturais e históricas trazidas de Portugal e das ilhas, ou foi algo que se desenvolveu já no Canadá? Porquê?
Veio de Portugal, mas no Canadá foi amplificada. Aqui, em vez de desaparecer, foi organizada em estruturas comunitárias separadas que reforçaram essa divisão.

Até que ponto esta separação ajuda ou prejudica a força, a representatividade e a afirmação da comunidade portuguesa no Canadá?
Prejudica muito. E enquanto continuarmos a fingir que isto é só “diferença cultural”, vamos continuar fragmentados e sem uma voz forte.

Romulo M. Avila/MS

Mais do que uma só comunidade: A identidade portuguesa no Canadá entre tradição, diversidade e união

12 June 2026 at 16:34
Créditos: MDC Media Group

Num Canadá construído pela força do multiculturalismo, a comunidade portuguesa continua a afirmar-se através das suas raízes, tradições e identidade coletiva. Mas dentro dessa realidade existe uma diversidade muitas vezes invisível para quem observa de fora: açorianos, madeirenses e portugueses do continente carregam histórias migratórias distintas, experiências próprias e fortes ligações regionais que ajudaram a moldar o percurso da diáspora luso-canadiana ao longo de décadas. Embora essas diferenças tenham, por vezes, criado comunidades mais segmentadas, líderes associativos defendem que a diversidade interna não deve ser vista como fator de divisão, mas sim como uma das maiores riquezas da presença portuguesa no Canadá. 

Entre memórias de imigração, preservação cultural e desafios de representação, cresce hoje uma nova visão de unidade — uma comunidade capaz de preservar as suas identidades regionais sem perder a força de uma voz comum. É nessa realidade que Suzanne da Cunha, presidente da Casa dos Açores do Ontário, e Matthew Correia, conselheiro da diáspora açoriana, refletem sobre o passado, o presente e o futuro da comunidade portuguesa no Canadá.

Suzanne da Cunha. DR.

Suzanne da Cunha: “Identidades açoriana, madeirense e continental fortalecem a comunidade” 

Em entrevista, a presidente da Casa dos Açores do Ontário, Suzanne da Cunha, sublinha que a perceção de alguma separação entre os diferentes grupos dentro da comunidade portuguesa resulta sobretudo de “um processo histórico de imigração feito em diferentes fases e com realidades sociais distintas”.

Segundo a responsável, muitos açorianos chegaram ao Canadá nas décadas de 1950 e 1960, frequentemente em contextos de maior vulnerabilidade económica e com forte ligação ao trabalho agrícola e operário. Já os emigrantes provenientes do continente português chegaram em diferentes períodos e com outras dinâmicas profissionais e sociais, o que contribuiu para a criação de redes comunitárias mais segmentadas. “A forma como a comunidade se organizou inicialmente, através de bairros, igrejas e associações ligadas à origem regional, ajudou a criar laços muito fortes dentro de cada grupo, mas também alguma separação natural entre eles”, explica a professora Suzanne da Cunha.

Apesar dessa realidade histórica, a presidente da Casa dos Açores do Ontário rejeita a ideia de que as diferenças regionais representem um problema estrutural. Pelo contrário, considera-as uma mais-valia.

“A cultura açoriana, madeirense e continental complementam-se. Essa diversidade é uma riqueza que torna a nossa comunidade mais viva, mais representativa e mais forte dentro do mosaico multicultural canadiano”, afirma. Ainda assim, reconhece que, quando estas identidades são vividas de forma demasiado isolada, podem limitar a capacidade de ação conjunta da comunidade portuguesa enquanto bloco social e institucional. “O desafio não é eliminar as diferenças, mas garantir que elas não se transformam em barreiras. A identidade portuguesa deve ser suficientemente ampla para acolher todas as suas expressões regionais”, defende salientando no entanto, por exemplo, que a Casa dos Açores do Ontário foi a primeira organização a ceder gratuitamente as suas instalações para os eventos da Casa da Madeira, e o mesmo faria caso outra qualquer precisasse de apoio e ajuda.

Para Suzanne da Cunha, instituições como a Casa dos Açores do Ontário, os clubes sociais, as associações culturais e os meios de comunicação social desempenham um papel determinante na construção de pontes entre gerações e origens. Estas estruturas, refere, devem apostar em iniciativas conjuntas que promovam o encontro entre diferentes segmentos da comunidade, desde eventos culturais a celebrações nacionais e projetos direcionados para os jovens luso-descendentes. “Temos de criar mais espaços de partilha entre açorianos, madeirenses e continentais. Quando trabalhamos juntos, a nossa voz torna-se mais forte e mais influente no contexto canadiano”, sublinha. Também os media comunitários são chamados a desempenhar uma função agregadora, valorizando narrativas comuns e histórias partilhadas de integração e sucesso no Canadá.

Apesar das diferenças históricas e culturais, há um ponto de convergência cada vez mais evidente: as novas gerações. Nascidos ou criados no Canadá, muitos jovens já se identificam como luso-canadianos, combinando heranças regionais com uma identidade portuguesa mais ampla e uma forte ligação ao país de acolhimento. “É nesse futuro que devemos apostar”, conclui Suzanne da Cunha. “Uma comunidade portuguesa unida na diversidade, orgulhosa das suas raízes e, ao mesmo tempo, capaz de falar a uma só voz quando necessário.”

Matthew Correia. DR.

Matthew Correia defende valorização das raízes açorianas como parte essencial da comunidade luso-canadiana

A emigração açoriana teve um papel fundamental na formação da comunidade portuguesa no Canadá, sobretudo na Grande Área de Toronto. Para Matthew Correia, conselheiro da diáspora açoriana, essa herança continua viva na identidade de milhares de luso-canadianos. “Trouxeram consigo não apenas a língua e as tradições, mas também uma profunda saudade das suas ilhas”, afirma.

Foi dessa ligação às origens que nasceram muitas das instituições comunitárias ainda hoje centrais na vida portuguesa em Ontário. Clubes, associações culturais, irmandades religiosas e festas tradicionais mantêm forte influência açoriana. Segundo Correia, esse legado está presente nas celebrações do Divino Espírito Santo e do Senhor Santo Cristo, nos grupos folclóricos, filarmónicas, touradas à corda e festas organizadas por entidades como a Casa dos Açores do Ontário e o Graciosa Community Centre.

Para muitos filhos e netos de emigrantes, a açorianidade vai além de uma identidade regional. “Ser açoriano é também uma forma de entender as nossas origens, cultura e ligação a Portugal”, sublinha.

Questionado sobre alguma distância entre açorianos e portugueses do continente dentro da comunidade luso-canadiana, Matthew Correia reconhece diferenças históricas, mas rejeita a ideia de divisão. Explica que muitos açorianos emigraram por percursos diferentes e criaram redes muito ligadas às suas ilhas de origem. Além disso, os Açores possuem tradições, sotaques e costumes próprios dentro da identidade portuguesa.

“A questão não é separação, mas sim reconhecimento”, afirma. “Os açorianos merecem ver a sua história e contributos refletidos na comunidade portuguesa. Não há portugueses de primeira nem de segunda.”

Com esse objetivo, Correia impulsionou a criação do Azores Parkette, em Little Portugal, Toronto. O espaço procura homenagear o contributo açoriano para a comunidade portuguesa e para a sociedade canadiana. “Faltava um espaço que reconhecesse a presença e o legado da comunidade açoriana”, explica.

Sobre as novas gerações, Matthew Correia acredita que é possível preservar as identidades regionais sem perder a unidade da comunidade portuguesa. “Um jovem pode sentir-se canadiano, português e açoriano ao mesmo tempo”, refere. Para isso, considera essencial investir em programas juvenis, ensino da língua portuguesa, intercâmbios culturais e participação associativa.

Defende ainda que as instituições luso-canadianas devem ser mais inclusivas e abertas à diversidade regional. “Devemos ser acolhedores e não insulares”, afirma. Para o conselheiro, a diversidade interna é uma das maiores forças da comunidade portuguesa no Canadá. “A unidade não significa que todos tenham de ser iguais. A riqueza da nossa comunidade está precisamente na diversidade das suas tradições e experiências.”

 “O objetivo deve ser construir uma comunidade unida por uma herança comum e pelo compromisso de manter as futuras gerações ligadas às suas raízes portuguesas. Porque, como diz o velho ditado: ‘A união faz a força.’”, rematou.

Concluindo, o desafio que permanece é o da continuidade: preservar a riqueza das raízes sem permitir que elas se transformem em fronteiras. Porque é na capacidade de reconhecer a diversidade interna como força comum que a comunidade portuguesa encontrará não apenas a sua unidade, mas também a sua relevância futura. No fim, a mensagem que emerge é clara — a identidade portuguesa no Canadá não se define pela origem de cada um, mas pela vontade coletiva de manter viva uma herança comum, aberta ao mundo e às gerações que virão.

Romulo M. Avila/MS

Laurentino Esteves defende mais diálogo para ultrapassar divisões na comunidade portuguesa

12 June 2026 at 16:27
Photo: @copyright

Conselheiro das Comunidades Portuguesas acredita que as diferenças entre continentais, açorianos e madeirenses podem transformar-se numa força cultural para as futuras gerações.

A diversidade regional sempre fez parte da identidade portuguesa. No entanto, dentro da comunidade luso-canadiana, especialmente na Grande Área de Toronto (GTA), continuam a existir diferenças e sensibilidades que, por vezes, dificultam uma participação mais unificada. Para Laurentino Esteves, Conselheiro das Comunidades Portuguesas no Canadá, estas divergências não devem ser encaradas como uma separação, mas sim como uma realidade complexa, influenciada pela história, pela cultura e pela própria experiência migratória.

Nesta entrevista, Laurentino Esteves reflete sobre as origens dessas diferenças, o impacto que têm na vida associativa e na representação coletiva dos portugueses no Canadá, defendendo um maior conhecimento mútuo entre continentais, açorianos e madeirenses e apelando ao diálogo como caminho para fortalecer a portugalidade além-fronteiras.

Milénio Stadium: Na sua perspetiva, por que razão continua a ser tão visível a separação entre continentais, açorianos e madeirenses dentro da comunidade portuguesa na GTA, mesmo após várias gerações no Canadá?

Laurentino Esteves. DR.

Laurentino Esteves: Esta é uma velha questão e tem vários ângulos de abordagem. Eu quero crer que não é necessariamente uma separação; é mais uma clivagem, e mais acentuada realmente entre continentais e açorianos e vice-versa.

Primeiro, temos que ter em conta que os nossos compatriotas açorianos são, de facto, a maior parte da nossa comunidade. Chegaram primeiro cá, têm e tiveram raízes e o maior entrosamento na dita comunidade (mainstream). Afirmaram-se mais depressa no Canadá e muitos sem nenhuma intenção de voltar aos Açores.

Há depois a parte cultural e identitária. A Região Autónoma dos Açores é isso mesmo, autónoma, e há quem entenda autonomia como independência. Eu estou muito à vontade para abordar estas questões. Tenho muitos amigos, e bem próximos, gente dos Açores com quem troco muitas vezes ideias e impressões deste género.

Queria trazer à equação um aspeto que para mim é fundamental. No meu tempo de escola, o que nos foi dado a saber sobre os Açores ou a Madeira foi muito pouco, apenas o básico e nada mais. Já falei muito e escrevi sobre isto. Eu vim conhecer a cultura dos Açores e da Madeira depois de chegar a Toronto, nos anos 80. Novamente, mais dos Açores. Eu vim conhecer as tradições, os costumes e a gastronomia (riquíssima). Aliado a isto, as cantorias, de que sou um enorme entusiasta e confesso fã. Quem me conhece sabe que consigo acompanhar no Pézinho e na Desgarrada. Estou há algum tempo a tentar aprender as “Velhas da Terceira” e hei-de lá chegar.

Há depois um último senão, visto por muitos, em particular pelos adeptos da discórdia, que é o sotaque diferente de praticamente todas as ilhas dos Açores, com maior preponderância em São Miguel. Sendo a maior ilha e tendo muitos dos seus no Canadá, é o padrão pelo qual incorretamente acabam por ser medidos todos os açorianos. Esta condição não deveria nunca ser um demérito, mas sim um valor e uma riqueza da nossa língua. Este estigma vem muito do berço e é uma barreira difícil, imposta por dogmas antigos e pouco informados.

Conheço e sei que muitos açorianos preferem falar inglês do que português e fazem um esforço acrescido para não terem de usar o seu português com sotaque. Está provado que as gerações mais antigas de açorianos aprenderam mais rápido e melhor inglês do que os continentais. Isso não foi mau de todo. Abriu-lhes outras oportunidades no campo laboral, social e até político.

MS: Na sua opinião, esta separação resulta mais de fatores culturais e históricos trazidos de Portugal ou de dinâmicas criadas já na diáspora canadiana?

LE: Parte da resposta creio que está dada na primeira pergunta. No entanto, depois cada comunidade tem as suas particularidades e dinâmicas próprias.

MS: Que impacto tem esta divisão na construção de uma identidade portuguesa unificada no Canadá, sobretudo junto das gerações mais jovens?

LE: O impacto por vezes é visível e acentuado na comunidade. Afasta as pessoas das iniciativas comunitárias e, por arrasto, do próprio movimento associativo. Têm sido feitos alguns esforços pontuais para que haja cada vez mais interação entre todos os portugueses, sem exceção.

Por exemplo, entre nós, as celebrações do Dia de Portugal são um espaço onde todos se deveriam sentir incluídos. A Parada do Dia de Portugal tem tido a participação da Madeira, através da Casa da Madeira. Esta situação é mais simples porque é a única representação madeirense na área de Toronto.

Há quem diga que a participação dos Açores fica aquém do número de clubes e associações oriundos das nove ilhas açorianas. Seria um tema para aprofundar e ter uma discussão profunda, séria e necessária com os interessados.

A ACAPO, como uma espécie de federação das associações e clubes portugueses do Ontário, deveria ser a primeira a promover este diálogo entre todos os interessados.

Na minha humilde capacidade de Conselheiro das Comunidades Portuguesas, estarei disponível para contribuir para esse diálogo. Curiosamente, os mais jovens, na minha opinião, estão mais flexíveis e serão também os mais interessados e possivelmente os mais beneficiados.

MS: Até que ponto esta fragmentação interna enfraquece a representação da comunidade portuguesa junto das instituições canadianas e o reconhecimento do seu contributo coletivo?

LE: Naturalmente, uma comunidade fragmentada ou dividida é mais fraca e tem menos argumentos para se impor quando é necessário mostrar uma frente robusta e unida. Isto pode ter consequências nefastas junto das instituições, a começar pelas do Canadá, o nosso país de acolhimento. Estou convicto e otimista de que seremos capazes de ultrapassar esta “clivagem” e outras que teremos pela frente.

Queria ainda trazer outro ponto de vista que tenho sobre isto há muito tempo. Um dos grandes problemas é o desconhecimento e a diferença. Ora, nem os continentais conhecem os Açores nem os açorianos conhecem o continente, geralmente falando, claro.

Quando se fala em tarifas aéreas subsidiadas para isto e para aquilo, deveria ser um desígnio nacional do Estado apoiar os cidadãos portugueses a viajar entre os arquipélagos da Madeira e dos Açores e o continente. Esta medida, usada noutros locais, para além de aproximar as pessoas e combater a insularidade, seria ainda um fator económico relevante.

Ainda a propósito, o facto de o Senhor Presidente da República ter escolhido a ilha Terceira para as celebrações oficiais do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, e depois ter seguido para a Madeira, é um passo na direção certa.

Por fim, repito, quero estar confiante e acredito que saberemos, em conjunto, ultrapassar estas diferenças, que não passam disso mesmo: diferenças. Importante é saber transformá-las num potencial cultural rico da nossa portugalidade.

Viva Portugal.

Vivam as comunidades portuguesas.

Vivam todos os portugueses.

Laurentino Esteves/MS

Uma comunidade, várias identidades

12 June 2026 at 16:16
Photo: @copyright

A comunidade portuguesa da Grande Área de Toronto é frequentemente apontada como uma das mais dinâmicas da diáspora portuguesa. E é, sem dúvida, no entanto, continua a evidenciar-se uma forte identificação regional entre os portugueses os lusodescendentes que aqui residem. Açorianos, madeirenses e continentais, parecem por vezes divididos ou se preferirem afastados, Como se estivesse cada um no seu canto. Esta é uma realidade que se reflete nas várias associações, clubes e estruturas comunitárias. Esta diversidade representa, sem dúvida, uma enorme riqueza cultural, mas por vezes pode dificultar a afirmação de uma voz coletiva mais forte. José A. Rodrigues, Presidente da Mesa da Assembleia Geral da Casa da Madeira e Conselheiro da Diáspora Madeirense no Canadá, considera que as diferenças regionais não são, por si só, um problema. Com uma visão plena de lucidez e bom-senso, José A. Rodrigues defende que o desafio está em garantir que essas identidades funcionem como elementos de união e não de separação.

Milénio Stadium: Na sua perspetiva, por que razão continua a ser tão visível a separação entre continentais, açorianos e madeirenses dentro da comunidade portuguesa na GTA, mesmo após várias gerações no Canadá?

José A. Rodrigues. DR.

José A. Rodrigues: É uma questão complexa, e a resposta varia de comunidade para comunidade. Em muitos casos, não existe um verdadeiro afastamento, mas sim uma tendência para cada grupo socializar mais dentro dos seus próprios círculos culturais e familiares.

Alguns fatores contribuem para esse fenómeno. Tanto os açorianos como os madeirenses possuem uma identidade insular muito marcada, com tradições, sotaques e histórias próprias. Além disso, as diferentes vagas de imigração fizeram com que as comunidades se estabelecessem em momentos distintos e criassem redes sociais e associativas próprias.

As associações e clubes regionais desempenharam um papel fundamental na preservação das tradições, mas também contribuíram para reforçar identidades regionais específicas. As pessoas sentem-se naturalmente atraídas por quem partilha referências culturais semelhantes.

Há ainda a questão da transmissão geracional. Muitos filhos e netos de emigrantes cresceram a ouvir expressões como “nós somos açorianos”, “nós somos madeirenses” ou “nós somos minhotos”. Esse orgulho regional foi sendo transmitido juntamente com a história familiar.

Também existem algumas rivalidades informais e perceções que foram sendo perpetuadas ao longo do tempo, mesmo quando já não têm fundamento real.

No entanto, há igualmente muitos exemplos de colaboração. Em festivais, eventos culturais, iniciativas de solidariedade ou causas comunitárias, açorianos, madeirenses e continentais trabalham frequentemente lado a lado.

Talvez a questão mais importante seja perguntar o que nos une. A língua portuguesa, os valores familiares, a herança cultural, a gastronomia, a fé para muitos e a experiência comum da emigração são frequentemente muito mais fortes do que as diferenças regionais.

Como Presidente da Mesa da Assembleia da Casa da Madeira e Conselheiro da Diáspora Madeirense, tenho observado que os projetos comunitários mais bem-sucedidos são aqueles que conseguem celebrar as identidades regionais sem perder de vista uma identidade portuguesa comum. Afinal, Madeira, Açores e Continente são diferentes expressões da mesma cultura e da mesma nação: Portugal.

MS: Até que ponto considera que esta divisão tem raízes históricas importadas de Portugal e até que ponto é algo que se reforça já em contexto canadiano?

JAR: Na minha opinião, a divisão tem algumas raízes históricas importadas de Portugal, mas é sobretudo reforçada e perpetuada no contexto da diáspora.

Em Portugal existem identidades regionais fortes, especialmente nos Açores e na Madeira, mas a maioria das pessoas convive diariamente com pessoas de outras regiões sem que isso constitua uma barreira significativa.

Na diáspora acontece um fenómeno interessante. Quando uma comunidade emigra, tende a preservar a identidade que trouxe consigo no momento da partida. As tradições, os costumes e até algumas rivalidades regionais ficam, de certa forma, “congelados no tempo” e acabam por ganhar mais importância do que teriam no país de origem.

Na GTA, esta realidade foi reforçada porque as primeiras redes de apoio foram criadas por pessoas da mesma origem regional. As festas, os clubes e as associações desenvolveram-se em torno dessas identidades, e a própria liderança comunitária organizou-se muitas vezes segundo essas mesmas linhas.

Existe também um fator emocional importante. Muitos emigrantes não trouxeram apenas Portugal consigo; trouxeram a sua ilha, a sua freguesia, o seu concelho. Para muitos madeirenses, a Madeira era a principal referência identitária. Para muitos açorianos, a sua ilha de origem desempenhava esse papel.

O desafio surge quando o orgulho regional deixa de ser um elemento de enriquecimento cultural e passa a ser um fator de separação.

Pessoalmente, penso que o futuro passa por uma identidade em camadas: ser simultaneamente madeirense, açoriano ou continental, mas também português e luso-canadiano. Estas identidades não são concorrentes; podem complementar-se.

MS: Que peso têm as associações culturais, clubes e estruturas comunitárias na manutenção destas identidades regionais?

JAR: Diria que têm uma influência significativa, embora não necessariamente negativa.

As associações culturais, clubes e casas regionais desempenharam um papel fundamental na preservação da língua, das tradições e do sentido de pertença dos emigrantes. Sem elas, uma parte importante do património cultural português poderia ter-se perdido ao longo das gerações.

No entanto, existe um efeito secundário inevitável. Ao preservarem identidades regionais específicas, também contribuem para a sua continuidade e, por vezes, para alguma separação.

Uma Casa da Madeira existe para promover a cultura madeirense. Um clube açoriano promove a cultura açoriana. Uma associação regional do Minho ou de Trás-os-Montes faz o mesmo relativamente às suas tradições. Tudo isso é legítimo e valioso.

O problema surge quando essa missão não é acompanhada por uma visão mais ampla da comunidade portuguesa.

Muitas destas organizações nasceram numa época em que os emigrantes procuravam sobretudo pessoas da sua terra, da sua ilha ou até da sua freguesia. Essas estruturas funcionaram tão bem que continuam a moldar a vida comunitária décadas depois.

Existe também uma questão relacionada com a liderança. Muitas vezes os dirigentes dedicam enormes esforços à sua própria organização, mas existem poucos espaços permanentes de cooperação entre instituições.

Curiosamente, não creio que a principal divisão seja entre madeirenses, açorianos e continentais. Muitas vezes as maiores divisões surgem entre organizações, entre gerações, entre diferentes estilos de liderança ou entre quem privilegia a colaboração e quem procura protagonismo.

Por isso, talvez a verdadeira questão seja saber se as identidades regionais estão a funcionar como pontes ou como fronteiras.

MS: Acredita que esta fragmentação interna limita a capacidade de afirmação política, social e cultural da comunidade portuguesa no Canadá?

JAR: Sim, acredito que até certo ponto limita.

Não porque as diferenças regionais sejam um problema em si mesmas, mas porque uma comunidade fragmentada tende a ter menos capacidade de mobilização, menos influência política e uma voz pública menos forte do que uma comunidade capaz de articular interesses comuns.

Quando diferentes organizações trabalham separadamente, os recursos humanos e financeiros dispersam-se, as mensagens transmitidas aos decisores políticos tornam-se menos consistentes, a capacidade de atrair os mais jovens diminui e o impacto mediático acaba por ser menor.

Por outro lado, quando a comunidade fala a uma só voz em questões importantes, como o ensino da língua portuguesa, o apoio às instituições comunitárias, o reconhecimento cultural ou as relações com Portugal, o seu peso político e social aumenta significativamente.

Importa, contudo, não confundir unidade com uniformidade. A comunidade portuguesa nunca será uma organização única, nem precisa de o ser. A diversidade regional faz parte da sua riqueza.

Na minha perspetiva, a fragmentação mais prejudicial não é cultural, mas institucional e pessoal.

Os momentos de maior projeção da comunidade portuguesa aconteceram precisamente quando houve cooperação entre organizações, líderes e regiões diferentes. Nesses momentos, o que prevalece não é a origem insular ou continental, mas a força coletiva de uma comunidade que representa milhares de luso-canadianos e as suas ligações a Portugal e ao Canadá.

MS: O que poderia ser feito, de forma prática, para aproximar estas diferentes origens regionais sem apagar as suas especificidades culturais?

JAR: A solução não passa por diluir as identidades regionais, mas por criar mais espaços de encontro e colaboração entre elas.

Seria importante promover mais eventos conjuntos entre associações madeirenses, açorianas e continentais, como festivais culturais, galas comunitárias, conferências sobre a história da imigração portuguesa ou iniciativas de solidariedade.

Poderia também ser criado um Conselho Permanente das Organizações Portuguesas, funcionando como um fórum de diálogo regular entre dirigentes associativos para discutir desafios comuns e coordenar esforços.

A juventude deve ser uma prioridade. Projetos de liderança jovem, voluntariado, intercâmbios culturais e empreendedorismo podem aproximar descendentes de diferentes origens regionais em torno de objetivos comuns.

Outro aspeto importante é valorizar a história de todas as regiões portuguesas. Muitas vezes as pessoas conhecem pouco as realidades dos outros. O conhecimento gera respeito, compreensão e aproximação.

Também é fundamental desenvolver causas comuns. As comunidades unem-se mais facilmente em torno de desafios concretos do que de discursos sobre unidade. A promoção da língua portuguesa, o apoio aos idosos, a integração de recém-chegados, as bolsas de estudo ou a preservação do património cultural são bons exemplos.

Por fim, as lideranças têm um papel decisivo. Quando os líderes se conhecem, se respeitam e trabalham juntos, as bases tendem a seguir o mesmo exemplo.

Talvez seja necessário mudar a narrativa de “somos madeirenses, açorianos ou continentais” para “somos madeirenses, açorianos e continentais, e todos fazemos parte da mesma comunidade luso-canadiana”.

No fundo, o objetivo não deve ser criar uma identidade única. A riqueza da comunidade portuguesa na GTA reside precisamente na diversidade das suas origens. O desafio é construir uma cultura de cooperação onde as diferenças regionais sejam vistas como património partilhado e não como linhas de separação.

Acredito que instituições como a Casa da Madeira podem desempenhar um papel importante neste processo: mostrar que é possível celebrar a identidade madeirense com orgulho, ao mesmo tempo que se estende a mão às restantes expressões da portugalidade presentes no Canadá.

Essa combinação de orgulho nas raízes e abertura ao diálogo é, muitas vezes, o caminho mais eficaz para fortalecer toda a comunidade.

Madalena Balça/MS

Mês da Herança Portuguesa

12 June 2026 at 00:26
Foto: Manuel DaCosta

A questão da coexistência cultural dentro das fronteiras nacionais tem desafiado as sociedades desde a sua formação. Ruturas no equilíbrio cultural para fins egoístas são autocentradas e prejudiciais para o tecido do que constitui um país. Valeria a pena salvar uma cultura que se está a fraturar ao longo das linhas de separação cultural? Na minha perspetiva sim, e daí a razão para uma discussão sobre o continente de Portugal e as ilhas dos Açores e da Madeira. As três componentes que constituem o todo de Portugal coexistem há centenas de anos e, embora tenha havido desafios no passado, tais como conversas de separação, as mentes mais moderadas prevaleceram e o país permaneceu unido. No entanto, atualmente, na era dos meios de comunicação social e da provocação e saturação do pensamento intelectual, um tipo diferente de separatismo está a erguer a sua cabeça feia.

Um microcosmo do que Portugal é existe no Canadá, um país que aceitou imigrantes portugueses há 73 anos e proporcionou condições de prosperidade que, por razões políticas, Portugal não quis resolver. Açorianos, continentais e madeirenses têm vivido num sistema harmonioso nos últimos 73 anos no Canadá, mesmo que diferenças internas baseadas no “bairrismo” tenham criado instâncias de racismo e tendências misóginas, particularmente entre continentais e açorianos. As referidas diferenças lógicas no desenvolvimento comunitário têm frequentemente desafiado a nossa diversidade cultural e processo de pensamento, o qual tem sido baseado na ignorância de autoproclamados líderes vindos do continente.

A perpetuação de retórica que promove uma versão de complexo de inferioridade intelectual tem colocado barreiras no desenvolvimento positivo das nossas comunidades, ignorando sinais de que a autodeterminação, combinada com o respeito mútuo pela importância cultural de outras comunidades e a sobrevivência de subculturas distintas dentro de uma nação, depende de variáveis estruturais e sociais. As comunidades que controlam o seu próprio património experimentam frequentemente níveis mais elevados de coesão social e sobrevivência cultural. Muitas vezes, líderes comunitários individualistas sentem que são os donos do comboio que transporta uma comunidade para o seu ponto de encontro final.

O poder cultural unificado constrói comunidades fortes, resultando numa melhor influência a todos os níveis de inclusão política e geográfica; mas, pelo contrário, se não reconhecermos direitos unificados de existência cultural, resultará em “roubo cultural” e assimilação forçada. Parece haver uma perceção dentro da comunidade portuguesa de que existe um número de líderes que controlam a governação da diversidade social e cultural e que apenas eles sabem o que é melhor para o valor da diversidade. Isto, claro, é espalhado por narcisistas egoístas autonomeados que frequentemente se auto engrandecem pela perceção de um poder falso. A influência não vem de quem molda o poder à sua conveniência, mas sim das pessoas que acreditam num conjunto de princípios baseados no equilíbrio e na justiça do respeito pelo desenvolvimento. Alargar as nossas mentes para glorificar uma comunidade não significa enriquecimento pessoal, mas sim cooperação por uma causa justa.

Junho é o mês da Herança Portuguesa no Canadá, o que proporciona uma oportunidade para nos elevarmos acima de envolvimentos de interesse próprio, inspirando todos aqueles que ainda não sentiram a cultura portuguesa. No dia 13 de junho, o desfile do Dia de Portugal faz parte da humanização de quem somos enquanto comunidade. Alguns clubes decidiram boicotar este evento tão importante, não compreendendo que a cultura portuguesa associada a clubes e associações é muito maior do que qualquer indivíduo que boicote e/ou assuma a propriedade daquilo que o desfile e o mês de Junho representam. A separação por parte de alguns na comunidade açoriana como forma de protesto rouba a muitos a oportunidade de mostrar os corações e as mentes dos açorianos. É um pensamento de curto alcance que se refere a outros aspetos onde a separação cultural ignora propositadamente contributos que outros membros da comunidade poderiam valorizar se participassem. Aqueles que silenciosamente se dedicam ao roubo da cultura deveriam reavaliar a sua própria hierarquia individualista, porque o resultado será o conflito interno. A cultura dentro das comunidades promove a sobrevivência das suas diferenças e dá prioridade à resiliência cultural e à autodeterminação.

Ajude a construir, não a destruir, aquilo que leva tanto tempo a tornar-se quem somos.

Manuel DaCosta/MS


Portuguese Heritage Month

The question of cultural co-existence within national borders has challenged societies since their formation.  Ruptures in the cultural balance for egotistical purposes are self-serving and injurious to the fabric of what makes a country.  Is culture that is fracturing along the lines of physical separation worth saving?  In my view yes, and thus the reason for a discussion about Portugal’s mainland and the islands of Azores and Madeira. The three components, which make up the whole of Portugal and co-existed for hundreds of years and while there have been past challenges, such as talk of separation, cooler heads have prevailed and the country has remained whole.  However, currently in the age of media plus intellectual thought provocation and saturation, a different type of separatism is rearing its ugly head.

A microcosm of what Portugal is, exists in Canada, a country that accepted Portuguese immigrants 73 years ago and provided conditions for prosperity  which for political reasons, Portugal didn’t want to provide.  Azoreans, mainlanders, and Madeirans have lived in an harmonious system for the past 73 years in Canada, even if internal differences based on “bairrismo” created instances of racism and misogynistic tendencies, particularly between mainlanders and Azoreans.  Said logical differences in community development have often challenged our cultural diversity and thought process, which has been based on ignorance of so-called leaders from the mainland.  The perpetuation of rhetoric promotion of a version of intellectual inferiority complex has provided barriers in the positive development of our communities, dismissing signs that self-determination combined with mutual respect for the cultural importance of other communities and the survival of distinct sub-cultures within a nation and its dependence and structural and social variables.  Communities who control their own heritage often experience improved higher levels of social cohesion and cultural survival.  Often, individualistic community leaders feel that they own the train that carries a community to its ultimate meeting point.

Unified cultural power builds strong communities, resulting in improved influence at all levels of political and geographical inclusion, but in the opposite, if we don’t acknowledge unified rights of cultural existence, “cultural theft” and forced assimilation will result.  There appears to be a perception being perpetuated within the Portuguese community that there are a number of leaders, which control the governance of social and cultural diversity and only they know what is best for the value of diversity.  This, of course, is spread by self-appointed egotistic narcissists who often are self-aggrandized by the perception of fake power.  Influence comes not from who configures power to suit but from the people who believe in a set of principles based on balance and fairness of developmental respect.  Broadening our minds to glorify a community does not mean self-enrichment but co-operation for a just cause.

June is Portuguese Heritage month in Canada which provides an opportunity to rise above self serving engagement, inspiring all that still have not felt Portuguese culture.  On June 13th, the Portugal Day parade is part of the humanization of who we are as a community.  Some clubs have decided to boycott this most important event, not understanding that Portuguese culture associated with clubs and associations is much bigger than any individual who boycotts and/or assumes ownership of what the parade and June are all about.  The separation by some in the Azorean community as a means of protest robs many of the opportunity to showcase the hearts and minds of Azoreans.  It’s short thinking but it extends to other aspects where culture separation purposely ignores contributions that other members of the community may enhance if they participated.  Those who quietly go about the theft of culture should reassess their own individualistic hierarchy because the result will be internal conflict.  Culture within the communities promotes survival of differences and prioritizes cultural resilience and self-determination.

Help build, not destroy what took so long to become who we are.

José Mourinho fala em honra e privilégio de ter treinado o Benfica

12 June 2026 at 00:24
Créditos: JN

O treinador José Mourinho agradeceu a honra e o privilégio de ter treinado o Benfica, numa mensagem publicada nas redes sociais um dia depois de ter sido oficializada a sua saída do clube da I Liga de futebol.

“Agradeço ao presidente Rui Costa a oportunidade que me foi concedida de trabalhar ao serviço do Sport Lisboa e Benfica. Representar este clube foi uma honra e um privilégio”, escreveu Mourinho.

O treinador quis dar também “uma palavra de reconhecimento a todos os profissionais do Benfica Campus, cujo profissionalismo, dedicação e competência foram exemplares”, antes de agradecer aos futebolistas dos “encarnados”.

“Aos jogadores com quem tive o prazer de trabalhar, deixo um sincero agradecimento e os votos do maior sucesso pessoal e profissional. Levo comigo a convicção de que, mais do que um momento, criámos uma ligação duradoura: meu jogador um dia, meu jogador para sempre”, garantiu.

O Benfica oficializou na terça-feira (9) a saída do treinador José Mourinho para o Real Madrid, que pagou 15 milhões de euros (ME) de indemnização, segundo o comunicado enviado pelo clube da I Liga de futebol ao regulador do mercado.

JN/MS

Fernando Meira considera Cristiano Ronaldo “o melhor de todos os tempos”

12 June 2026 at 00:23
Créditos: JN

O capitão da seleção portuguesa de futebol Cristiano Ronaldo “continua a ser uma grande referência”, segundo o antigo internacional português Fernando Meira, que espera “muitos golos” no Mundial 2026 do “melhor de todos os tempos”.

“Ao olhar para trás até me arrepia, o que ele representa para nós, para Portugal, para todo o mundo e para os mais jovens, em que é visto como um exemplo. Ele sempre demonstrou que é alguém que supera as expectativas, que trabalha e se dedica de forma ímpar e foi um orgulho tremendo acompanhar a sua evolução e desempenho. É o melhor de todos os tempos”, afirmou Fernando Meira, em declarações à agência Lusa.

O antigo defesa central e médio defensivo, de 48 anos, esteve presente na estreia de Ronaldo em fases finais de um Campeonato do Mundo, em 2006 na Alemanha, onde Portugal terminou no quarto lugar, a segunda melhor classificação de sempre, depois do terceiro na estreia em 1966.

Para Meira, Ronaldo, com 41 anos, já não apresenta as mesmas características de outros tempos, mas continua a ser uma mais-valia para o grupo às ordens do espanhol Roberto Martínez.

“Não tem as características naturais e físicas de outros tempos, mas continua a ser uma grande referência, como jogador e como capitão. É uma mais-valia”, salientou.

Fernando Meira, internacional português em 54 ocasiões e que representou clubes como Vitória de Guimarães, Benfica, Estugarda, Galatasaray, Zenit São Petersburgo ou Saragoça, acredita que a presença de Ronaldo significa golos e que pode até abrir muitos espaços para os companheiros de equipa. “Vai atrair atenções e esperemos que consiga fazer um bom Mundial, com muitos golos. Hoje em dia não desequilibra no um para um, mas, na finalização, os golos falam por si e abre espaços para outros”, destacou, lembrando a qualidade individual das opções disponíveis em Portugal, com “alguns dos melhores na atualidade mundial”.

O Mundial 2026 arranca na quinta-feira e decorre até 19 de julho nos Estados Unidos, no Canadá e no México.

Portugal vai disputar o Grupo K e tem estreia marcada para 17 de junho frente à República Democrática do Congo, em Houston, numa partida com início marcado para as 12 horas (18 h em Portugal).

Segue-se o estreante Uzbequistão em 23 de junho, também em Houston e igualmente com início agendado para as 12 horas (18 h), ficando o grupo fechado em 27 de junho, com Portugal a defrontar a Colômbia em Miami, num jogo que começa às 19.30 horas (00.30 h de 28 de junho).

JN/MS

Caetano Veloso: O Eterno

11 June 2026 at 23:51
Photo: @copyright

À quarta tentativa frustrada de entrevistar o mestre Caetano Veloso, o desânimo já ameaçava vencer-nos. Contudo, num gesto nobre que soube a um sincero pedido de desculpas, o seu manager abriu-nos as portas e ofereceu-nos entrada livre para este ritual sagrado –  o seu grandioso concerto. A nossa equipa deixa um agradecimento profundo e de coração cheio a toda a equipa de Caetano Veloso por nos permitir fazer parte da magia. 

O regresso de Caetano Veloso a Portugal prometia ser apenas mais uma paragem da sua nova digressão. Aos 84 anos, o cantor baiano não subiu ao palco para desafiar o tempo, mas sim para mostrar que a grande poesia e a melodia sincera moram numa dimensão onde o tempo simplesmente não manda. A expectativa antes do espetáculo era palpável na atmosfera da sala esgotada e do trânsito infernal. Quando as luzes finalmente se apagaram, o som da multidão ecoou como de quem aguarda um velho amigo. Ao entrar em palco de braços abertos durante os acordes iniciais de “Branquinha”, Caetano fez o que poucos fazem: reduziu a grande arena à intimidade calorosa de uma sala de estar. O seu sorriso, funcionou como um abraço entre o Brasil e Portugal. 

A energia contagiante de “Gente” fez levantar as plateias, transformando o recinto num mar de corpos em movimento, embalados pelos passos de dança leves e elegantes do próprio artista. Em clássicos absolutos como “Vaca Profana” e “Divino Maravilhoso”, a Super Bock Arena reencontrou o espírito do psicodelismo tropicalista, envolvida num desenho de luzes vibrantes que parecia pintar a própria música. Caetano canta com a frescura de quem descobre o prazer da partilha a cada nota, alimentando-se da energia que recebia de um público inteiramente rendido. Contudo, foram os momentos de recolhimento que elevaram esta noite. Em “Cajuína”, quando o mestre silenciou a sua voz e ergueu os braços para deixar que as milhares de vozes da arena cantassem o refrão sozinhas, sentiu-se um arrepio coletivo. O visível movimento do artista ao agradecer com um sentido “Que beleza estar no Porto” contatou-se a verdade mais profunda da sua arte: Caetano é eterno. 

Pouco depois, a interpretação de “Sozinho”, apenas amparada pela sua guitarra acústica e apontamentos subtis da banda, criou um vazio acústico absoluto ao nosso redor. Naquele instante, era apenas a plateia, ele e a dolorosa beleza daquela canção. O apogeu emocional da noite, contudo, estava reservado para o momento em que Caetano decidiu parar o alinhamento planeado para partilhar uma memória íntima. Ao recordar a sua infância em Santo Amaro da Purificação, o músico revelou que, com apenas dez ou onze anos, era o único rapaz da sua terra natal que decorava e cantava fados, imitando o sotaque lusitano que ouvia nas vozes de artistas portugueses. O anúncio de que iria cantar o primeiro fado que aprendeu na vida trouxe um silêncio enorme à sala. Quando os primeiros versos de “A Rosinha dos Limões” ecoaram na voz do baiano, o tempo parou. Não era apenas um músico brasileiro a interpretar uma canção tradicional portuguesa; era um menino de 84 anos a regressar à pureza das suas primeiras paixões musicais. Ao cantar o fado no Porto, Caetano devolveu a Portugal uma parte da identidade que transportou consigo ao longo de toda a vida. 

A reação da assistência, que fez a arena tremer numa ovação interminável, foi a resposta justa e grata a um dos maiores atos de amor cultural que este país já testemunhou. Ver Caetano Veloso dançar com leveza após este pico de emoção, recuperando o fôlego e a festa com clássicos como “Alegria, Alegria”, foi um testemunho da sua imortalidade artística. Se em 2023, na digressão “Meu Coco”, o próprio artista sugeria que aquela poderia ser a sua última grande despedida dos palcos portugueses, a passagem por esta nova digressão provou precisamente o contrário. Caetano está mais vivo, mais relevante e mais necessário do que nunca. O concerto na Super Bock Arena transcende a mera celebração de um catálogo musical histórico. Foi um manifesto sobre a memória, sobre o envelhecimento digno e sobre o papel da música enquanto ponte indestrutível entre as duas margens do Atlântico. O Porto não assistiu apenas a um concerto; participou numa página viva da história da nossa língua comum, assinada por um homem que continua a emocionar-nos pela simplicidade com que transforma o simples em eterno.

Paulo Perdiz/MS

Queijada de cerveja

11 June 2026 at 23:49
Créditos: MDC Media Group

Ingredientes

  • 2 ovos inteiros mais 1 gema
  • 300 g de açúcar
  • 100 g de farinha
  • Açúcar em pó para polvilhar
  • 1 cerveja (33 cl)
  • 100 g de margarina derretida
  • Raspa de 1 limão

Modo de preparação

Bata os ovos, a gema e o açúcar até obter um creme leve e suave. Junte a margarina derretida e a raspa de limão e misture bem. Certifique-se de que a margarina está morna e não quente, para envolver bem na massa sem cozer os ovos. Adicione a cerveja e mexa suavemente. Junte a farinha e envolva tudo até obter uma massa homogénea.

Misture apenas até ficar ligado para que as queijadas fiquem leves e macias depois de cozidas. Unte as formas individuais com margarina e polvilhe com farinha. Distribua a massa pelas formas.

Não encha as formas até acima. Deixe um pequeno espaço para a massa crescer ligeiramente. Leve ao forno pré-aquecido a 180°C durante 25 minutos. Retire do forno e deixe arrefecer completamente. Depois de frias, polvilhe com açúcar em pó. Coloque cada queijada numa forminha de papel antes de servir.

Até à próxima receita!

Rosa Bandeira/MS

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Cancro do pâncreas: Dos maiores desafios da medicina a uma nova era de esperança

11 June 2026 at 23:46
Photo: @copyright

O cancro do pâncreas continua a ser uma das doenças oncológicas mais agressivas e difíceis de tratar. Durante décadas, foi considerado um dos tumores com pior prognóstico, sobretudo porque evolui de forma silenciosa e é frequentemente diagnosticado em fases avançadas.

Contudo, os mais recentes avanços científicos estão a transformar o panorama desta doença. Pela primeira vez em muitos anos, investigadores e especialistas falam numa mudança de paradigma, graças ao desenvolvimento de novos tratamentos direcionados e às ferramentas de diagnóstico precoce que prometem aumentar significativamente as hipóteses de sobrevivência dos doentes. 

Porque é tão difícil de detetar?

O pâncreas é um órgão localizado profundamente no abdómen, atrás do estômago. Desempenha funções essenciais na digestão dos alimentos e na regulação dos níveis de açúcar no sangue através da produção de insulina. Um dos grandes problemas do cancro do pâncreas é que, nas fases iniciais, raramente provoca sintomas específicos. Dor abdominal ligeira, fadiga, perda de apetite ou emagrecimento podem facilmente ser confundidos com outras condições menos graves.

Quando surgem sinais mais evidentes, como a icterícia (coloração amarelada da pele e dos olhos), a doença encontra-se muitas vezes numa fase avançada. É precisamente este diagnóstico tardio que explica, em grande parte, a elevada mortalidade associada a este tipo de cancro.

Fatores de risco

Embora possa afetar qualquer pessoa, existem fatores que aumentam o risco de desenvolver a doença:

  • Tabagismo;
  • Obesidade e sedentarismo;
  • Diabetes de aparecimento recente;
  • Pancreatite crónica;
  • História familiar de cancro do pâncreas;
  • Alterações genéticas hereditárias, incluindo mutações dos genes BRCA.

Uma revolução silenciosa nos tratamentos

Durante muitos anos, as opções terapêuticas foram limitadas. A cirurgia continua a ser a única possibilidade de cura, mas apenas uma minoria dos doentes reúne condições para ser operada no momento do diagnóstico.

Nos casos mais avançados, a quimioterapia constituiu durante décadas a principal arma terapêutica. Contudo, os resultados obtidos eram frequentemente modestos.

Esta realidade poderá começar a mudar. Recentemente, investigadores apresentaram resultados considerados históricos para um novo medicamento direcionado contra mutações genéticas presentes na maioria dos tumores pancreáticos.  Em ensaios clínicos internacionais, este tratamento conseguiu praticamente duplicar a sobrevivência de doentes com doença metastática quando comparado com a quimioterapia convencional. Especialistas internacionais consideram este um dos avanços mais importantes alguma vez alcançados no tratamento do cancro do pâncreas.  Embora não represente ainda uma cura, este avanço demonstra que é possível desenvolver terapias mais eficazes e mais direcionadas para os mecanismos biológicos que alimentam o crescimento do tumor.

O futuro: diagnosticar antes, tratar melhor

A combinação entre medicina de precisão, inteligência artificial e novas terapias direcionadas está a abrir uma nova fase na luta contra o cancro do pâncreas.

O objetivo já não passa apenas por tratar melhor os tumores existentes, mas também por identificá-los antes de se tornarem agressivos e potencialmente fatais. Vários grupos de investigação trabalham atualmente no desenvolvimento de estratégias capazes de detetar lesões precursoras e até impedir a progressão para cancro invasivo. 

Uma esperança realista

O cancro do pâncreas continua a ser uma das doenças mais difíceis da medicina contemporânea. Contudo, pela primeira vez em muitos anos, os avanços científicos permitem falar de uma esperança sustentada por resultados concretos. Ainda não existe uma cura universal. Mas os novos medicamentos, as terapias de precisão, a imunoterapia e as ferramentas de inteligência artificial estão a mudar o curso da doença e a oferecer perspetivas que, há poucos anos, pareciam inalcançáveis. O que antes era visto como um dos tumores mais difíceis de combater começa agora a entrar numa nova era de possibilidades. 

O que cada um pode fazer?

Apesar dos avanços científicos, a prevenção continua a desempenhar um papel fundamental:

  • Não fumar;
  • Manter um peso saudável;
  • Praticar atividade física regular;
  • Adotar uma alimentação equilibrada, rica em frutas, legumes e fibras;
  • Procurar aconselhamento médico quando existe história familiar da doença ou fatores de risco relevantes.
  • A investigação está a avançar rapidamente, mas a deteção precoce e os estilos de vida saudáveis continuam a ser os aliados mais importantes na luta contra o cancro do pâncreas.

MS

Seguro faz distinção entre bandeiras de “causas humanitárias” e “posições político-partidárias”

11 June 2026 at 23:38
Créditos: JN

O presidente da República, António José Seguro, justifica o seu veto ao decreto do Parlamento sobre a utilização de bandeiras em edifícios públicos com a distinção entre “causas humanitárias com reconhecimento constitucional e convencional expresso” e “posições político-partidárias”.

Na carta dirigida ao presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, à qual a Lusa teve acesso, o chefe de Estado fundamenta o seu primeiro veto político.

António José Seguro afirma que, ao exercer este veto, não desconhece ou desvaloriza as “preocupações legítimas que terão presidido à iniciativa legislativa, nomeadamente a de preservar a dignidade e a neutralidade dos espaços institucionais do Estado”.

“Não obstante, não se pode ignorar que as causas humanitárias com reconhecimento constitucional e convencional expresso se colocam numa posição distinta das posições político-partidárias, na medida em que o Estado assumiu já compromissos normativos relativamente a estas”, lê-se na mensagem.

“Quando um titular de cargo político hasteia uma bandeira que simboliza a paz, os direitos humanos ou a proteção do clima, não está a imprimir ao Estado uma orientação que lhe seja estranha: está a expressar compromissos que a própria Constituição e o direito internacional vinculativo já incorporaram como valores da República”, acrescenta na mensagem que será lida esta tarde na abertura da sessão plenária no Parlamento.

António José Seguro sustenta que não existe “impedimento ao hastear de bandeiras que simbolizem causas humanitárias, desde que tal se faça em contexto adequado, com proporcionalidade e sem desvio dos fins próprios do cargo”.

O presidente da República devolve o diploma “para que a Assembleia da República possa, sendo esse o seu entendimento, proceder à sua reapreciação atendendo às objeções formuladas. O CDS-PP já anunciou que pretende confirmar o diploma.

A 17 de abril, o texto de substituição da Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias foi aprovado em plenário, na generalidade, especialidade e votação final global, com os votos favoráveis do PSD, Chega e CDS-PP, contra de PS, PAN, Livre, BE e PCP e a abstenção da IL.

JN/MS

Professores de português no estrangeiro contra novo regime que aumenta precariedade

11 June 2026 at 23:37
Créditos: JN

Os membros da rede de Ensino de Português no Estrangeiro (EPE) contestaram as alterações ao regime jurídico, previsto pelo Governo, que dizem acentuar a precariedade e diminuir a qualidade da oferta, colocando em risco os lugares destes profissionais.

Numa carta aberta enviada por ocasião do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, os profissionais da rede EPE (coordenadores, adjuntos, docentes e leitores) manifestam “enorme apreensão a nova proposta de revisão do regime jurídico” do ensino, com um “enquadramento remuneratório” que “aprofunda a precariedade existente”.

O novo regime “mantém profissionais num regime sem vínculo estável, limita a continuidade das funções desempenhadas e coloca em causa a permanência de centenas de trabalhadores atualmente ao serviço do Estado português no estrangeiro”, acusam.

No documento, os subscritores apelam ao Presidente da República, à Assembleia da República, ao Governo e a várias estruturas executivas e forças políticas para que “promovam um processo de diálogo efetivo com os profissionais da rede e procedam à revisão desta proposta, garantindo a estabilidade profissional, a valorização das condições de trabalho, a continuidade dos projetos educativos e a sustentabilidade” do EPE. Os subscritores recordam que o ensino do português fora de Portugal “constitui um dos mais importantes instrumentos da política externa cultural portuguesa”, principalmente numa “língua pluricêntrica e global como é o português”.

O “ensino da língua é um elemento essencial da diplomacia cultural de Portugal, contribuindo para o fortalecimento das comunidades portuguesas, da CPLP e da projeção internacional do país” e, “ao longo de décadas, esta rede foi construída graças ao trabalho, dedicação e elevada qualificação dos seus profissionais”, consolidando “projetos educativos” e “parcerias com escolas e universidades”, procurando estabelecer “redes de cooperação internacional” e “a presença da língua portuguesa em contextos cada vez mais exigentes e competitivos”, pode ler-se.

“Trata-se de uma medida com efeitos práticos equivalentes aos de um despedimento coletivo de profissionais altamente qualificados que têm sido responsáveis pela construção e consolidação da rede EPE”, ao fazer cessar os contratos, sujeitando os lugares a novos concursos.

Na carta, perante a “possibilidade de recrutamento através de mecanismos simplificados e com menores exigências de qualificação”, os subscritores manifestam “sérias dúvidas quanto à preservação da qualidade pedagógica e científica” do EPE.

Atualmente, persistem problemas por resolver, como “remunerações desatualizadas, subsídios de residência e apoios à instalação inexistentes e/ou desajustados às responsabilidades exercidas e ao custo de vida dos países de colocação”, pode também ler-se.

“A instabilidade agora criada coloca em causa não apenas percursos profissionais, mas também a segurança e o futuro de famílias inteiras que confiaram no compromisso do Estado português”, acrescenta.

O processo negocial do novo regime tem previstas três reuniões: 15 e 29 de junho e 13 de julho.

JN/MS

Mural “Unity in Diversity” celebra a diversidade e o espírito comunitário na Rogers Road

11 June 2026 at 17:18
Créditos: Francisco Pegado

A diversidade que faz de Toronto uma das cidades mais multiculturais do mundo ganhou novas cores na Rogers Road com a inauguração do mural Unity in Diversity (Unidade na Diversidade).

A obra, criada pela artista peruana Estefania Cox mais conhecida por (Fefa Cox) e produzida pela Creativo Arts, em parceria com a Rogers Road BIA e a vereadora de Davenport, Alejandra Bravo, foi instalada numa parede cedida pela Farmácia GO, com o apoio do proprietário Babak Khazra. O mural retrata crianças com equipamentos de futebol de vários países, numa imagem que representa a diversidade de Toronto, Davenport e da comunidade da Rogers Road. Entre cores vibrantes e rostos sorridentes, a obra celebra a convivência entre diferentes culturas e o espírito de união do bairro.

A artista Fefa Cox sublinhou que o projeto nasce da própria diversidade de Toronto, uma cidade onde diferentes culturas convivem diariamente e que considera “única”. Explicou ainda que o mural celebra a união, a inclusão e a comunidade através do futebol, uma linguagem universal que aproxima pessoas de todas as origens, destacando as crianças como símbolo do futuro e reforçando a importância da arte pública estar próxima da comunidade.

Rodrigo Ardiles, da Creativo Arts, destacou o impacto coletivo da iniciativa “é arte pública feita com a comunidade e para a comunidade, que une pessoas.”

Em representação da Rogers Road BIA, Giovanny Restrepo reforçou o espírito do bairro “aqui somos todos diferentes, mas somos uma só comunidade.” A vereadora de Davenport, Alejandra Bravo, sublinhou o momento especial vivido na área “estamos a celebrar a comunidade e a alegria de viver juntos.”

O cônsul-geral adjunto do Peru em Toronto, José Exebio, destacou o orgulho na participação de uma artista peruana num projeto de grande valor cultural. Através do futebol, linguagem universal, o mural transmite mensagens de amizade, respeito e inclusão, num momento em que Toronto e Vancouver recebem jogos do Campeonato do Mundo FIFA 2026. As celebrações terminaram com a campanha “Soccer Lives Here”, numa verdadeira festa comunitária.

Mais do que um mural, esta obra deixa uma mensagem de união, pertença e orgulho comunitário na Rogers Road. O mural pode ser visitado na 324 Silverthorne Avenue, do lado da Rogers Road.

FP/MS

Casa do Benfica de Toronto celebra 58.º aniversário com torneio de golfe

11 June 2026 at 17:07

Golfe   

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Fotos: Adriana Paparella

A Casa do Benfica de Toronto assinalou o seu 58.º aniversário com a realização de mais um torneio de golfe, uma iniciativa integrada no calendário de atividades da ACAPO, no âmbito das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.

Num ambiente de grande convívio e boa disposição, o torneio anual voltou a reunir dezenas de participantes, confirmando-se como uma das atividades desportivas mais aguardadas pela comunidade portuguesa. Com condições ideais para a prática da modalidade, o dia ficou marcado pela competição saudável, pelo espírito de amizade e pela celebração das raízes portuguesas.

O presidente da Casa do Benfica de Toronto, John Santos, deu as boas-vindas aos participantes e agradeceu o apoio contínuo da comunidade. “Graças a Deus estamos cheios outra vez. O apoio da comunidade não podia ser melhor. Quero agradecer a todos os patrocinadores e a toda a gente que gosta de estar connosco e passar um dia bem divertido”, afirmou.

John Santos destacou ainda que, apesar de se tratar de uma iniciativa da Casa do Benfica, o objetivo principal é reunir a comunidade portuguesa “somos Benfica de Toronto, mas somos portugueses primeiro. Vamos celebrar o Dia de Portugal com os nossos colegas e com toda a comunidade. E quem nos quiser visitar, temos sempre as portas abertas para todos.” Para além da vertente desportiva, a iniciativa serviu também para assinalar uma data de grande significado para os portugueses dentro e fora de Portugal, reforçando os laços que unem a comunidade luso-canadiana.

O golfe, uma modalidade que combina técnica, concentração e precisão, proporcionou igualmente momentos de convívio e contacto com a natureza. Foi precisamente esse equilíbrio que voltou a marcar mais uma edição do torneio. Ao longo do percurso, participantes de diferentes clubes, gerações e experiências partilharam a mesma paixão pelo golfe, num ambiente aberto, acolhedor e inclusivo. Entre jogadores experientes e estreantes, o mais importante foi o convívio e a oportunidade de celebrar a comunidade.

Paulo Pereira, participante habitual do torneio, mostrou-se satisfeito com mais uma edição da iniciativa “o dia tem sido excelente. Já é a quarta vez que participo neste torneio da Casa do Benfica. Nem sou benfiquista, mas apoio a iniciativa a cem por cento”, disse, aproveitando também para deixar uma mensagem especial “quero desejar um feliz Dia de Portugal a todos.”

Também Sara Dantas destacou a importância do convívio proporcionado pela iniciativa “é uma oportunidade única. Não sou uma jogadora profissional de golfe, mas vou dar o meu melhor e acredito que vai correr bem”, afirmou.

A participante deixou ainda uma mensagem de incentivo à comunidade: “Acreditem nos vossos sonhos.” E, assinalando o Dia de Portugal, acrescentou “tenham orgulho no vosso país, tenham orgulho na vossa língua e, mais importante, vamos ganhar o Mundial.”

Tacadas precisas, desafios amigáveis e muitos momentos de boa disposição marcaram esta jornada nos campos de golfe. Entre excelentes jogadas, sorrisos e reencontros, a Casa do Benfica de Toronto voltou a proporcionar um dia memorável, onde o desporto e a comunidade caminharam lado a lado.

Mais do que uma competição, o torneio foi uma celebração da amizade, da união e do orgulho nas tradições portuguesas. Uma iniciativa que continua a aproximar gerações, fortalecer laços comunitários e preservar a identidade cultural portuguesa no Canadá.

Francisco Pegado/MS

Do West Fest 2026 trouxe vida à Dundas

10 June 2026 at 22:10

 

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Fotos: Romulo Ávila

Toronto voltou a celebrar e a entrar no verão em grande estilo com mais uma edição do Do West Fest, que decorreu entre os dias 5 e 7 de junho de 2026, em Little Portugal. O evento, que já se tornou uma das festas de rua mais emblemáticas da cidade, transformou cerca de 16 quarteirões da Dundas Street West — entre Ossington Avenue e Lansdowne Avenue — num espaço pedonal dedicado à música, arte, gastronomia e cultura comunitária.

A presentado pela Little Portugal Toronto BIA, o festival chegou à sua 13.ª edição com uma programação diversificada e acessível a todas as idades, reforçando o seu papel como ponto de encontro entre residentes, visitantes e artistas locais. Ao longo dos três dias, vários palcos deram vida ao festival, incluindo o Transmit Stage, o Lulaworld Stage e o Community Stage, com atuações de música ao vivo que abrangeram diferentes estilos e influências culturais. 

Paralelamente, artistas de rua e “buskers” animaram o percurso do festival, criando um ambiente contínuo de espetáculo ao ar livre.

A oferta gastronómica foi outro dos grandes destaques, com restaurantes da zona, “food trucks” e esplanadas alargadas a servirem pratos que refletiram a diversidade culinária do bairro. A componente artística também esteve em evidência, com murais, exposições, workshops e intervenções urbanas que reforçaram a identidade criativa da comunidade.

O evento incluiu ainda várias atividades familiares, tornando-se num espaço inclusivo onde crianças e adultos puderam participar em experiências interativas e culturais.

Com entrada gratuita, o Do West Fest voltou a afirmar-se como uma celebração da vida urbana e da cultura local, promovendo o espírito comunitário que caracteriza a Little Portugal. Apesar da grande afluência, o evento decorreu num ambiente festivo e organizado, com restrições de trânsito e desvios de transporte público implementados ao longo do fim de semana.

Tendo registado nesse ano uma participação superior à edição de 2025 e prevendo-se que ultrapassou a marca de um milhão de visitantes ao longo do fim de semana, um número que constituiu um novo recorde do evento. 

“Em balanço da edição deste ano, Anabela Taborda, Chair de Little Portugal Toronto BIA destacou o forte envolvimento da comunidade portuguesa, a adesão crescente dos comerciantes locais e o apoio demonstrado aos vendedores sediados em Toronto. “O festival continua a ser uma oportunidade importante para celebrar o património cultural do bairro, ao mesmo tempo que apoia os negócios locais e reúne a comunidade em geral”, referiu a líder da organização.

Entre os momentos mais marcantes da edição de 2026 esteve a expansão da programação destinada às crianças, através da criação de uma zona familiar dedicada, com espetáculos e atividades especialmente concebidos para os mais novos. Outro dos destaques foi a ativação de um palco junto à Ossington Avenue, transformado num novo centro do festival graças ao apoio da LiUNA Local 183. A mudança de um dos três palcos principais para este espaço permitiu criar uma área mais acessível e confortável para os visitantes.

“Ao realocarmos um dos nossos três palcos principais para este espaço, conseguimos criar um ambiente mais acessível, com assentos suficientes e espaço para os visitantes se reunirem confortavelmente”, explicou Taborda.

Cultura portuguesa em destaque

A celebração da cultura portuguesa manteve-se como um dos pilares centrais do Do West Fest. Ao longo do fim de semana, milhares de visitantes tiveram oportunidade de assistir a desfiles e atuações que refletiram a riqueza das tradições lusas presentes em Toronto. Grupos como o Luso Can Tuna, Os Bombos do Arsenal e o Grupo de Folclore do Centro Comunitário da Associação Migrante de Barcelos levaram às ruas da Dundas Street West manifestações culturais que marcaram o ambiente do festival. Ao mesmo tempo, a organização procurou dar visibilidade a uma nova geração de artistas portugueses radicados na cidade, com atuações de Sara Dantas, Marito Marques e Jonatan Haller Pereira. 

“Orgulhamo-nos de mostrar alguns dos talentos portugueses excecionais da cidade. Estes músicos ajudam a moldar a próxima geração da expressão cultural portuguesa em Toronto”, sublinhou a líder do BIA.

Objetivos alcançados

Para a organização, os objetivos definidos para esta edição foram cumpridos. “Os nossos objetivos principais eram apoiar os negócios locais, celebrar a cultura e o património do bairro e criar um evento comunitário inclusivo, e acreditamos que alcançámos esses objetivos”, afirmou Anabela Taborda.

Ainda assim, a entidade reconhece que um evento desta dimensão traz desafios logísticos e operacionais, garantindo que serão analisadas as lições retiradas desta edição para melhorar futuras realizações.

Futuro passa por consolidar o crescimento

Sem planos para alterar radicalmente o formato do festival, a Chair garante que continuará a procurar formas de reforçar a segurança, apoiar o comércio local e valorizar as diversas culturas que caracterizam o bairro.

“Continuamos a reconhecer tanto as contribuições históricas como as atuais da comunidade portuguesa, que desempenha um papel vital na formação desta área”, destacou.

Numa mensagem dirigida à comunidade, a BIA agradeceu o contributo de residentes, empresários, voluntários, artistas, patrocinadores e visitantes. “O festival existe graças a esta comunidade, e continuamos comprometidos em garantir que ele reflita as pessoas, culturas e negócios locais que tornam Little Portugal um lugar tão especial”, afirmou Anabela Taborda.

A organização acrescenta que continuará a ouvir atentamente o feedback dos moradores e participantes para garantir que o Do West Fest mantenha o espírito comunitário que o caracteriza desde a sua criação.

“Estamos incrivelmente orgulhosos das raízes portuguesas do bairro e das muitas comunidades que agora consideram esta área a sua casa. O Do West Fest é uma oportunidade para celebrar essa história partilhada, apoiar os negócios locais, mostrar talentos locais e reunir pessoas”, concluiu.

Mais do que um festival, o Do West Fest consolidou-se como um retrato vivo de Toronto no início do verão — onde a rua se transforma em palco e a comunidade assume o protagonismo.

Romulo Ávila/MS

Encontro técnico destaca prontidão de Toronto para o Mundial FIFA 2026

8 June 2026 at 14:57
Photo: CBC

A contagem decrescente chegou ao fim. Toronto prepara-se para receber o mundo como uma das cidades anfitriãs do Mundial FIFA 2026, que decorrerá entre 11 de junho e 19 de julho. A cidade acolherá seis jogos da competição e será palco do FIFA Fan Festival Toronto, um dos principais centros de celebração para adeptos, residentes e visitantes durante o torneio.

Num encontro técnico, responsáveis municipais, forças de segurança, operadores de transporte e serviços de emergência apresentaram os últimos detalhes da operação que irá apoiar aquele que é considerado o maior evento desportivo da história da cidade.

A sessão contou com a participação dos seguintes oradores: Julia Oosterman, Diretora de Comunicações da Cidade de Toronto; Sharon Bollenbach, Diretora Executiva do Secretariado FIFA da Cidade de Toronto; Andrew Posluns, Diretor de Gestão do Trânsito e Mobilidade; Robert Johnson, Chefe-Adjunto do Serviço de Polícia de Toronto; Fort Monaco, Diretor de Operações da Comissão de Transportes de Toronto (TTC); e Sean Fuller, Diretor de Operações da Metrolinx.

Estiveram igualmente disponíveis para responder a questões porta-vozes das várias entidades envolvidas, nomeadamente da saúde pública, bombeiros, serviços paramédicos, gestão de emergências, licenciamento municipal, planeamento médico e estacionamento da cidade.

A mensagem deixada pelos vários responsáveis foi clara: Toronto está preparada para receber centenas de milhares de visitantes, graças a um plano integrado que envolve mobilidade, segurança, saúde pública e gestão de multidões.

Em entrevista ao jornal Milénio, Sharon Bollenbach destacou a importância histórica do Mundial para Toronto e para o Canadá, sublinhando que a cidade está preparada para receber o evento “estamos prontos para receber o mundo em Toronto. O estádio está preparado e tivemos uma excelente oportunidade de o testar em maio, com lotação máxima, e tudo correu muito bem”, afirmou.

Sharon Bollenbach destacou também a programação de eventos espalhados pela cidade, sublinhando que a celebração é para todos “não é apenas para visitantes, é também para os residentes de Toronto. Queremos que toda a cidade faça parte desta experiência”, acrescentou.

A segurança será um dos pilares fundamentais da operação durante o Mundial. Em declarações ao Milénio, Robert Johnson, Chefe-Adjunto do Serviço de Polícia de Toronto, explicou que o planeamento começou há mais de três anos e envolveu uma estreita colaboração entre diversas entidades “há mais de três anos que nos preparamos para este evento. Desenvolvemos um modelo de segurança integrada com parceiros municipais, provinciais, federais e internacionais, para garantir que adeptos, residentes e visitantes possam desfrutar do torneio com toda a tranquilidade”, afirmou.

Segundo o dirigente os visitantes podem esperar uma presença policial visível nas zonas de maior afluência, mas o principal objetivo será assegurar um ambiente seguro e acolhedor para todos “os visitantes verão uma presença policial forte e visível, mas o nosso objetivo é garantir que todos possam desfrutar do evento de forma segura e tranquila”, sublinhou.

Os responsáveis presentes deixaram ainda um apelo à colaboração da população e dos adeptos que irão participar nas celebrações.

“Pedimos a todos que sigam as orientações das autoridades e da organização. Quando trabalhamos em conjunto, contribuímos para criar um ambiente seguro e positivo para todos”, referiram.

Para facilitar a deslocação de adeptos e visitantes, a cidade implementará um plano especial de mobilidade. O transporte público será a principal forma de acesso aos jogos e eventos, não estando disponível estacionamento público junto ao Toronto Stadium nem nas zonas de Liberty Village e Fort York.

Os serviços da TTC, GO Transit e UP Express serão reforçados durante o torneio. A partir de 10 de junho, as linhas Lakeshore West e Lakeshore East da GO Transit passarão a operar com frequências de 15 minutos durante grande parte do dia, permitindo responder ao aumento significativo da procura. As autoridades recomendam que os adeptos planeiem as suas viagens com antecedência e privilegiem os transportes públicos, a bicicleta ou os percursos pedonais.

Além dos jogos, o FIFA Fan Festival Toronto promete transformar Fort York e The Bentway num grande espaço de convívio e celebração multicultural. Entre 11 de junho e 19 de julho, os visitantes poderão assistir aos jogos em ecrãs gigantes, desfrutar de animação ao vivo, experiências interativas e uma oferta gastronómica internacional com mais de 30 vendedores de comida.

As celebrações arrancam oficialmente a 10 de junho com o FIFA Countdown Concert, um espetáculo que ligará simultaneamente Toronto, Cidade do México e Los Angeles. O cartaz inclui nomes como Bryan Adams, Nora Fatehi, Sanjoy, Vegedream, AHI e Wyclef Jean, num evento que pretende simbolizar a união entre as três nações anfitriãs do Mundial.

O legado da competição é outro dos aspetos destacados pela cidade. Entre as iniciativas previstas encontram-se a expansão de programas gratuitos de futebol para jovens, a construção de novos mini-campos em parques municipais, o apoio a projetos comunitários e programas de formação e emprego destinados a jovens de comunidades sub-representadas.

Também as infraestruturas desportivas receberam investimentos significativos. Em parceria com a Maple Leaf Sports & Entertainment (MLSE), a cidade concluiu as obras de modernização do Toronto Stadium, num investimento de 157,9 milhões de dólares. As melhorias permitirão não só cumprir os requisitos da FIFA, mas também reforçar a capacidade do recinto para acolher futuros eventos desportivos e culturais.

O Centennial Park servirá igualmente como centro oficial de treinos das seleções participantes. Após o torneio, as instalações serão devolvidas à comunidade, ficando disponíveis para ligas locais e atividades recreativas.

Sob o lema “The World in a City” (O Mundo numa Cidade), Toronto prepara-se agora para mostrar ao mundo a diversidade cultural que a caracteriza. Com dezenas de iniciativas comunitárias, eventos culturais espalhados pelos bairros e milhares de adeptos esperados ao longo das próximas semanas, a cidade está pronta para viver um momento histórico que promete deixar marcas muito para além do futebol.

Francisco PegadoP/MS

Vox Pop: Toronto no centro do mundo: vozes sobre o Mundial 2026 e o sonho português

5 June 2026 at 15:03

 

Toronto prepara-se para fazer história ao receber o primeiro jogo de sempre de um Mundial masculino em solo canadiano, num momento que coloca a cidade sob os holofotes do futebol mundial. Sob o tema “The World in a City”, ouvimos a opinião de comentadores do programa desportivo Fora de Jogo — Patrícia Borges, Rui Alves, Carlos Carneiro, Sérgio Esteves e Luís Costa — que analisam a capacidade de Toronto para acolher um evento desta dimensão e partilham ainda as suas expectativas para a Seleção Nacional no Mundial 2026, incluindo o nome que gostariam de ver a erguer o troféu caso Portugal chegue à final.

 

Patricia Borges

Toronto vai receber o primeiro jogo de sempre de um Mundial masculino em solo canadiano. Achas que a cidade está preparada para mostrar ao mundo o que significa ser ‘The World in a City’?

Toronto teve muitos anos para se preparar para receber um evento desta dimensão e, apesar dos esforços feitos, ainda existem aspetos que levantam algumas dúvidas. Em vários pontos da cidade nota-se que algumas intervenções foram concluídas muito perto do prazo, incluindo estruturas temporárias no estádio, o que naturalmente gera alguma preocupação entre os adeptos.

Acredito que tudo tenha sido realizado de acordo com os padrões de segurança exigidos, mas um Mundial é um evento que exige excelência em todos os detalhes. Organização, planeamento e infraestrutura são fundamentais para garantir que jogadores, adeptos e visitantes possam desfrutar desta grande festa do futebol com conforto, tranquilidade e segurança.

Toronto é uma cidade multicultural e vibrante, conhecida por acolher pessoas de todo o mundo. Agora terá a oportunidade de mostrar essa identidade ao planeta inteiro, e espero sinceramente que esteja à altura desse desafio.

Se Portugal chegasse à final do Mundial 2026, qual seria o jogador que mais gostavas de ver levantar a taça — e porquê? O que esperas de Portugal?

Gostava muito de ver Portugal chegar à final do Mundial 2026. A nossa seleção tem qualidade, talento e alguns dos melhores jogadores do mundo. Mas, mais do que isso, será fundamental haver união, espírito de equipa e a capacidade de acreditar até ao último minuto de cada jogo.

Se tivesse de escolher um jogador para levantar a taça, seria o nosso capitão, Cristiano Ronaldo. Depois de tudo o que conquistou ao longo da carreira e de tudo o que representou para a seleção nacional, seria um momento histórico vê-lo erguer o troféu mais importante do futebol. É um sonho partilhado por muitos portugueses e um reconhecimento merecido por anos de dedicação e entrega ao país.

Acima de tudo, espero que Portugal faça um grande Mundial, jogue com ambição e mostre ao mundo a qualidade do futebol português. E quem sabe? Talvez 2026 seja finalmente o ano em que trazemos a taça para casa. 

Rui Alves

Toronto vai receber o primeiro jogo de sempre de um Mundial masculino em solo canadiano. Achas que a cidade está preparada para mostrar ao mundo o que significa ser ‘The World in a City’?

Penso que sim: Toronto está preparada para mostrar ao mundo que sabe organizar grandes eventos. É difícil encontrar uma cidade tão multicultural como Toronto, onde se falam tantas línguas e convivem pessoas de origens tão diversas.

Temos verdadeiramente um mundo dentro desta cidade, com inúmeras culturas a demonstrarem as suas tradições e paixões. Uns vivem intensamente o futebol, enquanto outros acompanham com entusiasmo o hóquei, o basquetebol, o basebol e muitas outras modalidades.

Gostaria também de destacar a excelência da restauração local. Os visitantes encontrarão uma enorme variedade gastronómica, representando sabores de praticamente todos os cantos do mundo. Estou convencido de que Toronto deixará uma excelente impressão em todos os amantes deste Mundial de 2026, tal como aconteceu no Mundial Sub-20 de 2007. Tive o prazer de assistir ao jogo entre Portugal e a Nova Zelândia, bem como à grande final, na qual a Argentina se sagrou campeã do mundo.

Se Portugal chegasse à final do Mundial 2026, qual seria o jogador que mais gostavas de ver levantar a taça — e porquê? O que esperas de Portugal?

Portugal já contou com grandes jogadores ao longo da sua história. Eusébio, por exemplo, levou o nome de Portugal aos mais altos patamares do futebol mundial. No entanto, se a taça vier para Portugal, acredito que, apesar de considerar que temos atualmente uma geração de grande qualidade e de não concordar com a titularidade de Cristiano Ronaldo, ele merece a honra de levantar o troféu. Por tudo o que conquistou, pelos recordes que bateu e pelo impacto que teve no futebol mundial, seria um reconhecimento justo da sua extraordinária carreira. Quanto à seleção portuguesa, espero, no mínimo, uma presença nas meias-finais, embora acredite que temos qualidade suficiente para sonhar com algo ainda maior.

Carlos Carneiro

Toronto vai receber o primeiro jogo de sempre de um Mundial masculino em solo canadiano. Achas que a cidade está preparada para mostrar ao mundo o que significa ser ‘The World in a City’?

Sim, acredito sinceramente que Toronto estará preparada para receber um evento desta dimensão. É uma cidade moderna, multicultural e habituada a acolher grandes acontecimentos internacionais. Durante esse período, os olhos do mundo estarão voltados para Toronto, e isso trará uma enorme responsabilidade, mas também uma grande oportunidade para mostrar a sua capacidade de organização, hospitalidade e diversidade. Tenho confiança de que a cidade saberá responder à altura do desafio e proporcionar uma experiência memorável para todos os que a visitarem.

Se Portugal chegasse à final do Mundial 2026, qual seria o jogador que mais gostavas de ver levantar a taça — e porquê? O que esperas de Portugal?

Quanto a Portugal, o meu maior desejo é vê-lo chegar à final. Seria um momento de enorme orgulho para todos os portugueses espalhados pelo mundo. E, se pudesse escolher uma história perfeita para esse percurso, gostaria que Cristiano Ronaldo fosse uma das figuras centrais. Não apenas pelo jogador extraordinário que é e por todos os recordes que conquistou, mas sobretudo pelo caminho que percorreu para chegar onde chegou. A sua história é um exemplo de trabalho, disciplina, sacrifício e perseverança. Cristiano Ronaldo é muito mais do que um jogador de futebol: é um símbolo de perseverança, ambição e orgulho nacional. Ao longo da sua carreira, levou o nome de Portugal ao mundo e inspirou milhões de pessoas.

Sérgio Esteves

Toronto vai receber o primeiro jogo de sempre de um Mundial masculino em solo canadiano. Achas que a cidade está preparada para mostrar ao mundo o que significa ser ‘The World in a City’?

Penso que Toronto estará totalmente preparada para receber um evento desta dimensão. O aumento da capacidade do BMO Field, a excelente oferta hoteleira, os inúmeros bares e restaurantes, a qualidade dos transportes públicos e, acima de tudo, a hospitalidade dos seus habitantes criam as condições ideais para uma experiência inesquecível. Além disso, Toronto é uma das cidades mais multiculturais do mundo, o que significa que contará com adeptos de praticamente todas as seleções participantes. Estou convicto de que será um momento memorável para a cidade e para todos aqueles que a visitarem.

Se Portugal chegasse à final do Mundial 2026, qual seria o jogador que mais gostavas de ver levantar a taça — e porquê? O que esperas de Portugal?

Se Portugal chegar à final e conquistar o tão desejado título, acredito que será Cristiano Ronaldo, o nosso eterno capitão, a erguer a taça. Seria uma forma perfeita de encerrar a sua extraordinária carreira ao serviço da Seleção Nacional e, ao mesmo tempo, uma espécie de homenagem do próprio futebol a tudo aquilo que CR7 deu ao jogo ao longo de mais de duas décadas.

Acredito que Portugal tem qualidade, talento e experiência para vencer a competição. No entanto, não podemos ignorar o enorme potencial de outras seleções candidatas ao título. França, Espanha, Argentina e Inglaterra possuem plantéis de enorme qualidade e certamente terão uma palavra importante a dizer na luta pelo troféu. Ainda assim, tenho confiança de que Portugal reúne todas as condições para sonhar alto e lutar pelo maior objetivo de todos.

Luis Costa

Toronto vai receber o primeiro jogo de sempre de um Mundial masculino em solo canadiano. Achas que a cidade está preparada para mostrar ao mundo o que significa ser ‘The World in a City’?

Acho que ainda não estamos totalmente preparados para receber o Mundial, tanto ao nível das infraestruturas como das condições de acesso. Existem vários aspetos que ainda precisam de ser melhor trabalhados para garantir uma experiência mais fluida, segura e confortável para os adeptos. As bancadas que foram montadas no BMO Field, por exemplo, deixam um pouco a desejar, tanto em termos de qualidade como de organização. Ainda assim, espero que tudo corra bem, porque sabemos que este é um grande desafio para a organização e envolve muita responsabilidade.

Se Portugal chegasse à final do Mundial 2026, qual seria o jogador que mais gostavas de ver levantar a taça — e porquê? O que esperas de Portugal?

A nossa seleção tem tudo para chegar à final, qualidade não falta e o grupo é forte, mas como já estamos habituados a fazer algumas contas de calculadora ao longo das fases da competição, espero que desta vez isso não seja necessário, até porque somos cabeças de série. No entanto, se conseguirmos chegar ao título de campeões, para mim o Ronaldo deveria ser o capitão e quem levanta o troféu, por tudo o que já fez por nós ao longo da carreira e pela importância que sempre teve na nossa seleção.

Romulo M. Avila/MS

“O Canadá não está preparado para receber um Campeonato do Mundo” – José Carlos Silva

5 June 2026 at 14:57
Créditos: CBC

Com décadas de ligação ao futebol luso-canadiano e ao Gil Vicente Toronto, em particular, José Carlos Silva olha para o Campeonato do Mundo de 2026 com um misto de entusiasmo e ceticismo. Embora reconheça a dimensão histórica do torneio que terá o Canadá como um dos países anfitriões, considera que o evento deixará sobretudo um impacto económico, sem provocar mudanças profundas na realidade do futebol canadiano. Nesta entrevista ao Milénio Stadium, analisa a preparação do país para receber a competição, avalia as hipóteses da seleção canadiana e partilha as suas expectativas para Portugal e para as principais candidatas ao título mundial.

Milénio Stadium: O Campeonato do Mundo de 2026 será o maior da história e terá o Canadá como um dos países anfitriões. Que impacto acredita que este evento terá no desporto canadiano e na forma como o futebol é encarado no país a longo prazo?

José Carlos Silva. DR.

José Carlos Silva: Ok, eu vou ser muito simples. O impacto que vai ter para mim como uma pessoa ligada ao futebol há tantos anos, a nível da comunidade, há 30 e tal anos, não vai ser nenhum.

A mentalidade não mudou. Vai ter impacto a nível financeiro. A nível desportivo, zero.

Porque, para mim, a nível profissional das pessoas ligadas ao futebol rei, a cidade de Toronto em si e o Canadá não estavam preparados (e não estão…) para receber um evento desta dimensão, como um campeonato do mundo.  No Canadá continuam a ser o hóquei, o basquetebol e o basebol os desportos mais protegidos. O Governo, não aposta no futebol.

Por isso, para mim, não vai ser haver impacto nenhum. Vai passar aquela euforia a nível de imigrantes, Alemanha, Portugal e outros imigrantes aqui dos nossos países da Europa, Brasil e o resto, para mim, não vai ter impacto nenhum

MS: Toronto acolherá seis jogos do Campeonato do Mundo, incluindo o primeiro jogo da seleção canadiana em solo nacional. O que significa para uma cidade tão multicultural receber um evento desta dimensão?JCS: Pode significar muito, como de um momento para o outro, nada. Primeiro, não temos estruturas preparadas para fazer jogos desse tipo, como a Europa tem, como a América tem. Isso é um ponto de partida.

Continuo a dizer, nós, canadianos, Toronto, as suas autoridades, as suas pessoas, não estávamos preparados para receber jogos como o campeonato do mundo. E nota-se isso a nível do nosso BMO, do nosso clube de Toronto. Não há nível da Europa e dos outros países que já realizaram o campeonato do mundo. Para mim, vai ser um fracasso. 

MS: O Canadá conta atualmente com uma geração de jogadores que elevou o estatuto da seleção nacional. Até onde acredita que a equipa poderá chegar neste Campeonato do Mundo disputado em casa?

JCS: Cada jogo tem uma história.

Cada equipa depende de si, mas depende também do adversário que vai ter pela frente. Para mim, o Canadá tem 3, 4 jogadores que sobressaem. De resto, não são jogadores de alto gabarito.

São jogadores que a nível internacional se nota que não estão nos grandes patamares, como temos jogadores portugueses, alemães, franceses, etc. 

MS: A comunidade portuguesa é uma das maiores e mais apaixonadas comunidades futebolísticas do Canadá. Que expectativas tem em relação à seleção portuguesa e ao seu desempenho no torneio?

JCS: Eu vou ser sincero. Temos uma geração incrível a nível de jogadores, desde o guarda-redes ao avançado, mas tudo depende do nosso selecionador. É preciso saber pôr as pedras no sítio.

E eu noto que isso não tem acontecido regularmente. Temos um líder, capitão, mas que já não é jogador para 90 minutos. Eu espero que o treinador tenha a força e a coragem de pôr aqueles que estão preparados para fazer 90 minutos e que nos deem a grande alegria.

MS: Olhando para o panorama internacional, quais são, na sua opinião, as três seleções com maior probabilidade de conquistar o Campeonato do Mundo de 2026 e porquê?

JCS: A Alemanha, a Espanha e a Argentina têm sempre uma palavra a dizer, como o Brasil. Mas o Brasil tem sido uma seleção de altos e baixos. E tem havido muitos problemas a nível interno, no balneário, e isso não é bom para um grupo.

Para mim, a Argentina, a Alemanha e a Espanha. A Espanha porque é uma equipa jovem, com muito talento. A Alemanha também. Vem a construir uma equipa com muita força e muito talento.

Madalena Balça/MS

“Espero que inspire as futuras gerações e desperte um novo sentimento de orgulho e paixão pelo Canadá” – Dwayne De Rosario

5 June 2026 at 14:25
Créditos: CBC

Quando Dwayne De Rosario vestia a camisola da seleção canadiana, dificilmente imaginaria que um dia o Canadá receberia jogos de um Campeonato do Mundo de Futebol. Considerado um dos maiores jogadores da história do futebol canadiano, o antigo internacional acompanhou de perto a evolução da modalidade no país e acredita que o Mundial de 2026 representa um momento transformador para o futebol canadiano.

Atualmente embaixador da Cidade de Toronto para o Campeonato do Mundo de Futebol 2026, De Rosario vê o torneio como uma oportunidade única para inspirar as futuras gerações, fortalecer o orgulho nacional e consolidar o crescimento que o futebol tem registado nas últimas décadas. Na sua opinião, a chegada da Major League Soccer ao Canadá foi determinante para mudar a realidade da modalidade, criando novas oportunidades para jovens atletas e aproximando as comunidades em torno do jogo.

Nesta entrevista ao Milénio Stadium, fala sobre o significado de ver o Canadá acolher um Mundial, as expectativas para a seleção nacional, o legado que espera deixar às próximas gerações e as possibilidades de Portugal numa competição que promete captar a atenção do mundo inteiro.

Milénio Stadium: Como antigo internacional canadiano e atual embaixador do Campeonato do Mundo de 2026, o que sente ao ver o Canadá receber, pela primeira vez, jogos de um Mundial masculino em casa?

Dwayne De Rosario: É um momento histórico para o desporto no Canadá, mas sobretudo para o crescimento e a evolução do futebol no país.

MS: Toronto e Vancouver estarão no centro das atenções do mundo do futebol durante várias semanas. Que legado espera que este evento deixe para as futuras gerações de jogadores canadianos?

DdR: Acima de tudo, espero que inspire as futuras gerações e desperte um novo sentimento de orgulho e paixão pelo Canadá, algo que ainda não vimos verdadeiramente neste país.

MS: Quando representava o Canadá, imaginava que o país pudesse um dia organizar um Campeonato do Mundo desta dimensão? O que mudou no futebol canadiano para tornar isso possível?

DdR: Nunca imaginei que o Canadá viesse a organizar um Campeonato do Mundo, sobretudo devido à falta de apoio e de reconhecimento que o futebol recebia. O maior fator de mudança foi a chegada da MLS ao Canadá. Foi isso que impulsionou o crescimento da modalidade e criou oportunidades para os jovens sonharem em jogar numa liga profissional e num ambiente de alto nível. Também permitiu que a comunidade futebolística se unisse e partilhasse a paixão pelo jogo todas as semanas. Isso transformou completamente o panorama do futebol no Canadá.

MS: A seleção canadiana vive atualmente um momento de talento e visibilidade sem precedentes. Quais são as suas expectativas para a equipa e qual considera ser um objetivo realista para o Canadá neste torneio?

DdR: Pessoalmente, sinto-me muito orgulhoso e entusiasmado com o futuro da nossa Seleção Nacional. Os nossos jogadores estão a ter um desempenho extraordinário nas suas carreiras individuais e também enquanto equipa nacional. Agora, as associações e os organismos dirigentes provinciais precisam de acompanhar o talento que existe em campo. Precisamos de mais juventude, novas ideias e uma nova energia nos processos de decisão para levar todo o programa do futebol canadiano a um nível ainda mais elevado.

MS: Portugal continua a ser uma das seleções mais respeitadas do futebol mundial e desperta, naturalmente, enorme interesse junto da comunidade luso-canadiana. Como avalia as hipóteses portuguesas no Mundial e quem considera ser o principal candidato ao título em 2026?

DdR: Portugal sempre foi um país com jogadores muito talentosos e uma equipa altamente competitiva. Acredito que tem excelentes hipóteses de chegar longe neste Campeonato do Mundo.

MB/MS

“Poderá tornar-se um marco decisivo no crescimento do futebol canadiano” – Samuel Gyeke-Amoako

5 June 2026 at 14:16
@FIFA

A menos de um ano do arranque do Campeonato do Mundo de Futebol de 2026, a expectativa continua a crescer em todo o Canadá. Pela primeira vez na história, o país será um dos anfitriões da maior competição futebolística do planeta, acolhendo jogos em Toronto e Vancouver e recebendo adeptos de todos os cantos do mundo. Para muitos especialistas, o impacto do torneio irá muito além das quatro linhas, deixando um legado duradouro ao nível do desenvolvimento do futebol, da participação dos jovens e do fortalecimento da identidade multicultural canadiana.

Para analisar o significado deste momento histórico, o Milénio Stadium conversou com Samuel Gyeke-Amoako, Diretor Técnico e Treinador Principal do Sporting FC de Toronto. Com uma vasta experiência no desenvolvimento de atletas e na formação de jovens jogadores, Gyeke-Amoako acredita que o Mundial poderá transformar a forma como o futebol é encarado no Canadá, inspirando futuras gerações e consolidando o crescimento que a modalidade tem registado nos últimos anos. Nesta entrevista, fala ainda sobre as perspetivas para a seleção canadiana, as hipóteses de Portugal e as equipas que considera favoritas à conquista do título mundial.

Milénio Stadium: O Campeonato do Mundo de 2026 será o maior da história e terá o Canadá como um dos países anfitriões. Que impacto acredita que este evento terá para o desporto canadiano e para a forma como o futebol é visto no país a longo prazo?

Samuel Gyeke Amoako. DR.

Samuel Gyeke-Amoako: O Campeonato do Mundo FIFA 2026 representa um momento histórico para o futebol no Canadá. Embora o entusiasmo imediato seja enorme, o verdadeiro impacto será medido pelo legado que permanecer após o torneio. Acredito que veremos um aumento da participação ao nível da formação, um maior investimento em infraestruturas, formação de treinadores e percursos de desenvolvimento para jogadores, bem como uma ligação mais forte entre o futebol profissional e o comunitário.

Durante muitos anos, o futebol foi um dos desportos mais praticados no Canadá, mas nem sempre recebeu o mesmo reconhecimento que outras modalidades. Organizar um Mundial oferece uma oportunidade única para alterar essa perceção. Os jovens poderão ver atletas de classe mundial a competir nas suas próprias comunidades e acreditar que representar o Canadá no palco internacional é um objetivo alcançável. Se o investimento continuar depois de 2026, este torneio poderá tornar-se um marco decisivo no crescimento do futebol canadiano durante gerações.

MS: Toronto receberá seis jogos do Mundial, incluindo o primeiro encontro da seleção canadiana em solo nacional. O que significa para uma cidade tão multicultural acolher um evento desta dimensão?

SGA:Toronto é uma das cidades mais diversificadas do mundo e o futebol é o desporto que melhor reflete essa diversidade. Cada bairro, comunidade e grupo cultural tem uma ligação ao jogo. Receber o Campeonato do Mundo não é apenas um acontecimento desportivo; é também uma celebração da identidade multicultural da cidade.

O ambiente será único, porque adeptos de todas as partes do mundo já chamam Toronto de casa. Será uma oportunidade rara para diferentes comunidades se reunirem, celebrarem as suas origens e partilharem a paixão pelo futebol. Para muitos recém-chegados e famílias imigrantes, o futebol é uma importante ligação às suas raízes, e o Mundial mostrará como o desporto consegue unir pessoas independentemente da língua, cultura ou origem.

MS: O Canadá conta atualmente com uma geração de jogadores que elevou o estatuto da seleção nacional. Até onde acredita que a equipa poderá chegar neste Mundial disputado em casa?

SGA: O Canadá chega a este Campeonato do Mundo com um nível de confiança e experiência internacional que gerações anteriores não tiveram. Jogadores como Alphonso Davies, Jonathan David, Stephen Eustáquio e outros já provaram o seu valor ao mais alto nível do futebol de clubes e ajudaram a estabelecer o Canadá como uma nação respeitada no panorama futebolístico mundial.

Jogar em casa traz pressão adicional, mas também um enorme apoio dos adeptos. Se a seleção conseguir ultrapassar a fase de grupos, acredito que alcançar os oitavos-de-final ou mesmo os quartos-de-final é um objetivo realista. A partir daí, muito dependerá do momento, da confiança e dos detalhes de cada jogo. Embora a conquista do título continue a ser um desafio considerável, esta equipa tem capacidade para realizar exibições memoráveis e inspirar todo um país.

MS: A comunidade portuguesa é uma das maiores e mais apaixonadas comunidades futebolísticas do Canadá. Que expectativas tem em relação à seleção portuguesa e ao seu desempenho no torneio?

SGA: Portugal continua a ser uma das seleções mais talentosas do futebol mundial. O país desenvolveu uma identidade assente na qualidade técnica, inteligência tática e num excelente sistema de formação que continua a produzir jogadores de elite.

Com uma combinação de líderes experientes e jovens talentos emergentes, Portugal entra na competição como um sério candidato ao título. As expectativas da comunidade portuguesa serão naturalmente elevadas, porque o nível apresentado pela seleção nos últimos anos tem sido excecional. Ganhar um Campeonato do Mundo é sempre extremamente difícil, mas Portugal possui a qualidade, profundidade e experiência necessárias para competir com as melhores equipas do mundo e chegar longe na prova.

MS: Olhando para o panorama internacional, quais são, na sua opinião, as três seleções com maiores probabilidades de conquistar o Campeonato do Mundo de 2026 e porquê?

SGA: As minhas três escolhas seriam Portugal, Gana e França.

Portugal continua a ser uma das equipas mais completas do futebol internacional. O seu sistema de formação produz constantemente jogadores tecnicamente evoluídos e taticamente inteligentes, além de possuir um excelente equilíbrio entre experiência e juventude. Tem a qualidade e profundidade necessárias para competir com qualquer seleção.

Gana talvez não seja vista como uma das favoritas tradicionais, mas admito que existe aqui alguma ligação pessoal. Como alguém com raízes ganesas, apoiarei sempre os Black Stars. Ainda assim, Gana tem demonstrado repetidamente a sua capacidade para competir ao mais alto nível, produzindo jogadores talentosos que atuam nas principais ligas europeias. O seu atletismo, paixão e resiliência fazem dela uma equipa capaz de surpreender muita gente.

A França continua a ser uma das grandes potências do futebol mundial. A profundidade do seu talento e a experiência acumulada em grandes competições fazem dela uma candidata permanente ao título. Tem demonstrado capacidade para chegar às fases decisivas dos grandes torneios e adaptar-se a diferentes adversários e contextos de jogo.

Se me fosse permitida uma quarta escolha, seria sem dúvida o Canadá. Existe algum favoritismo, naturalmente, por ser o meu país, mas a verdade é que o crescimento do futebol canadiano na última década tem sido notável. A jogar em casa, apoiado por adeptos apaixonados e liderado por uma geração talentosa de jogadores, o Canadá tem a oportunidade de criar momentos especiais e continuar a inspirar as futuras gerações de futebolistas.

A beleza do Campeonato do Mundo está precisamente na sua imprevisibilidade. Estas são as minhas escolhas, mas todos os torneios produzem surpresas e é isso que faz do Mundial o evento desportivo mais fascinante do planeta.

Madalena Balça/MS

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