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Clientes da Spinumviva já podem ser consultados na declaração de interesses de Luís Montenegro

9 June 2026 at 19:58

A lista de clientes da Spinumviva já se encontra disponível para consulta pública na plataforma da Entidade para a Transparência (EpT) na declaração única de interesses do primeiro-ministro, Luís Montenegro.

A informação, constatou a Lusa, está agora visível no campo “Outras situações” do separador “Registo de interesses” da plataforma eletrónica da EpT, cumprindo a exigência feita pelo órgão responsável por fiscalizar a declaração única de rendimentos, património e interesses dos titulares de cargos políticos.

Em abril de 2025, a Transparência rejeitou a entrega dos clientes da Spinumviva feita pelo primeiro-ministro por ter sido através de um ficheiro anexo, uma vez que esse formato inviabiliza o acesso público à informação.

Até há algumas semanas não constava naquela área qualquer informação relativa aos clientes da Spinumviva, porém esses dados são agora visíveis na declaração mais recente entregue pelo primeiro-ministro, datada do passado dia 05 de maio.

A lista de clientes agora publicada na plataforma da EpT não traz novidades relativamente àquela que já tinha sido divulgada por Luís Montenegro, em março deste ano, e pelo semanário Expresso, em abril de 2025.

O primeiro-ministro indicou os seguintes clientes: Rádio Popular, SA; Lopes Barata, Consultoria e Gestão, Lda; CLIP – Colégio Luso Internacional do Porto, SA; Ferpinta – Indústrias de Tubo de Aço de Fernando Pinho Teixeira, S.A; Solverde, Sociedade de Investimentos Turísticos da Costa Verde, S.A; Cofina S.A; Grupo Joaquim de Barros Rodrigues & Filhos Lda, Rodáreas – Áreas de Serviço, Lda; ITAU SA; Sogenave SA; Portugalenses Transportes SA; Beetsteel ; INETUM PORTUGAL SA e Grupel SA.

A maioria dos serviços prestados pela Spinumviva, também agora identificados na declaração de interesses, incidiu sobre proteção de dados pessoais e aplicação do Regime Geral de Proteção de Dados (RGPD), nos casos da INETUM, Grupel, Sogenave, Solverde, Ferpinta, CLIP, Lopes Barata, Cofina e Rádio Popular.

A empresa prestou também serviços de consultoria de gestão empresarial à Portucalense Beetsteel e à Portugalenses Transportes.

Um terceiro tipo de serviço identificado prende-se com a “reestruturação de uma empresa familiar de comércio de combustíveis” a envolver consultadoria de gestão, planeamento estratégico, apoio e “embandeiramento de estações de serviço” do grupo Joaquim de Barros e Rodrigues & Filhos, a gasolineira sediada em Braga.

Nesta nova declaração é ainda possível perceber que o primeiro-ministro apresentou um pedido de oposição à consulta da matriz do seu património imobiliário, como já tinha sido noticiado pelo Correio da Manhã a 04 de junho.

O mesmo jornal adiantou ainda, citando uma resposta oficial do Tribunal Constitucional, que o primeiro-ministro interpôs dois novos recursos contra decisões da Entidade para a Transparência com o objetivo de impedir a consulta das contas bancárias e dos serviços prestados pela Spinumviva e dos números das matrizes dos imóveis do chefe do Governo.

Nesse dia, primeiro-ministro reiterou, numa nota enviada à Lusa, que não existe qualquer incumprimento declarativo no âmbito do caso relacionado com a sua antiga empresa familiar, Spinumviva, indicando que as questões em discussão têm natureza jurídica e aguardam decisão do Tribunal Constitucional.

O gabinete do primeiro-ministro negou terem sido apresentados novos recursos, indicando que a troca de correspondência com o Tribunal Constitucional se limitou à necessidade de “adaptar a instância a uma nova deliberação da Entidade para a Transparência”, mantendo-se, porém, inalterados o objeto e a questão jurídica em apreciação.

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Seguro diz que tem tido uma “boa articulação” com o primeiro-ministro

9 June 2026 at 15:34

Presidente da República, António José Seguro, indicou hoje que tem “havido uma boa articulação” e tem tido “boas reuniões de trabalho” com o primeiro-ministro Luís Montenegro, reafirmando que quer ser “um Presidente de equilíbrio”.

“Tem havido uma boa articulação [com o primeiro-ministro], boas reuniões de trabalho que temos tido semanalmente e, naturalmente, isso corresponde àquilo que eu também assumi como compromisso com os portugueses”, afirmou António José Seguro em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira.

O Presidente da República foi recebido pela representante da República para a Região Autónoma dos Açores, Susana Goulart Costa, numa cerimónia de cumprimentos no âmbito das Comemorações do 10 de Junho, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, no Solar Madre Deus, em Angra do Heroísmo.

Nas declarações aos jornalistas, proferidas no final da cerimónia, lembrou ter assumido perante os portugueses “ser um Presidente acima de todos os partidos, um Presidente de equilíbrio”.

“Vim [para o cargo] para equilibrar o sistema político e sinto-me feliz porque, nestes três meses – faz hoje precisamente três meses que tomei posse como Presidente da República -, tenho conseguido. É a avaliação que eu faço”, concluiu.

António José Seguro respondia a uma pergunta dos jornalistas a propósito das comemorações do 10 de Junho no Luxemburgo, onde esteve acompanhado pelo primeiro-ministro, e onde disse que os dois se completavam.

Hoje, questionado sobre se Presidente da República e primeiro-ministro se completavam porque são diferentes ou porque pensam da mesma forma, respondeu: “Em primeiro lugar, complementámo-nos porque eu decidi pôr a minha assinatura na bandeira nacional na parte verde e o senhor primeiro-ministro na parte vermelha”.

“Mas é evidente que o Presidente da República tem uma responsabilidade muito grande de criar condições para que os Governos e, neste caso concreto, este Governo, tenha, do ponto de vista político e social, condições para executar o seu programa. É assim que os países avançam, com a possibilidade de quem legitimamente é escolhido pelos portugueses, poder concretizar as suas ideias”, afirmou Seguro.

O Presidente da República, António José Seguro, deu hoje início às comemorações oficiais do Dia de Portugal na ilha Terceira, na sua primeira deslocação à Região Autónoma dos Açores.

António José Seguro escolheu o professor universitário açoriano Miguel Monjardino, nascido em Angra do Heroísmo, para presidir às comemorações do 10 de Junho deste ano, as primeiras do seu mandato presidencial, com sede nesta cidade açoriana.

A cerimónia do hastear da bandeira, que normalmente marca o arranque das comemorações, está agendada para as 15:00 locais (mais uma hora em Lisboa), no Pátio da Alfândega, em Angra do Heroísmo.

Na quarta-feira, 10 de Junho, a cerimónia militar do Dia de Portugal terá lugar no Cerrado do Bailão, em Angra do Heroísmo, com discursos do Presidente da República e do presidente das comemorações, Miguel Monjardino, especialista em relações internacionais.

Hoje, o Presidente da República terá ainda um encontro com jovens, na Academia da Juventude, na cidade da Praia da Vitória, receberá cumprimentos do corpo diplomático acreditado em Portugal, no Palácio dos Capitães-Generais, e irá assistir a um concerto na Praça Velha, em Angra do Heroísmo, seguido de um espetáculo de fogo de artifício, na baía de Angra.

Na quarta-feira, a seguir à cerimónia militar do 10 de Junho, o programa do chefe de Estado inclui um almoço com a população, no Pavilhão Multiusos do Porto Judeu, e a cerimónia do arriar da bandeira nacional.

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Mais de 19.000 infrações rodoviárias detetadas durante a campanha Viaje sem Pressa

9 June 2026 at 11:55

Mais de 19.000 infrações rodoviárias foram detetadas durante a campanha Viaje sem Pressa, que terminou na segunda-feira, incluindo a condução sob efeito do álcool e utilização indevida de telemóvel.

Segundo o balanço da campanha hoje divulgado pela Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR), Guarda Nacional Republicana (GNR) e Polícia de Segurança Pública (PSP), foram fiscalizados presencialmente e por radar 47.099 veículos nos distritos de Aveiro, Faro e Lisboa.

As autoridades reportaram ainda infrações relacionadas com a não utilização de dispositivos de segurança e com algumas condições técnicas dos veículos.

No âmbito desta campanha, foram sensibilizados 500 condutores e passageiros, a quem foram transmitidas mensagens relacionadas com a necessidade de adequar a velocidade às condições da via, do trânsito e meteorológicas, respeitar os limites legais de velocidade, manter a distância de segurança e evitar comportamentos agressivos e manobras perigosas.

Durante o período da campanha, foram registados a nível nacional (continente e regiões autónomas) 2.664 acidentes, dos quais resultaram dez vítimas mortais, 71 feridos graves e 845 feridos ligeiros.

Relativamente ao período homólogo de 2025, verificaram-se menos 13 acidentes, mais uma vítima mortal, mais 15 feridos graves e menos 54 feridos ligeiros.

Esta campanha pretendeu alertar os condutores para os riscos da velocidade excessiva ou inadequada às condições da via, promovendo uma condução mais segura, responsável e adequada às circunstâncias rodoviárias e ambientais.

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Custos da construção nova aumentam 5,9% em abril com subidas na mão-de-obra e materiais

9 June 2026 at 11:52

Os custos de construção de habitação nova subiram 5,9% em termos homólogos em abril, tendo havido subidas no preço dos materiais (4,7%) e da mão-de-obra (7,3%), segundo a estimativa do INE hoje divulgada.

Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), a taxa de variação homóloga de 5,9% do Índice de Custos de Construção de Habitação Nova (ICCHN) em abril é 0,2 pontos percentuais (p.p.) mais alta que no mês anterior.

No mês em análise, os preços dos materiais aumentaram, em termos homólogos, 4,7% e os custos com mão-de-obra avançaram 7,3% contra, respetivamente, 3,7% e 8,1% no mês anterior e 0,8% e 7,2% um ano antes.

O custo da mão-de-obra contribuiu com 3,4 pontos percentuais (3,7 pontos percentuais no mês anterior) para a formação da taxa de variação homóloga do ICCHN, enquanto os materiais registaram um contributo de 2,5 pontos percentuais (2,0 pontos percentuais no mês de março).

De acordo com o INE, entre os materiais que mais influenciaram positivamente a variação agregada do preço estão o gasóleo, com uma subida de cerca de 30%, e o fio de cobre nu e revestido e os azulejos e mosaicos, com subidas de 15% acima do período homólogo.

Em sentido inverso, os aparelhos de climatização desceram cerca de 25% e os produtos pré-fabricados de betão recuaram 5%.

Quanto à taxa de variação mensal (em abril face a março) do ICCHN foi de 0,8%, menos 0,4 pontos percentuais do que no mês anterior e 0,1 pontos percentuais acima de abril de 2025.

Para a variação mensal, a mão-de-obra contribuiu com 0,1 pontos percentuais e o preço dos materiais com 0,7 p.p. (0,2 e 1,0 p.p. em março, respetivamente).

No destaque hoje divulgado, o INE reviu em baixa em 0,1 p.p. a variação do ICCHN em março para 5,7%, em resultado da revisão em baixa do custo da mão-de-obra em 0,1 p.p..

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Exportações caem 1,4% e importações sobem 4,7% até abril

9 June 2026 at 11:50

As exportações de bens caíram 1,4% e as importações aumentaram 4,7% até abril, em termos homólogos, o que agravou o défice comercial em 2.104 milhões de euros, para 11.431 milhões, avançou hoje o INE.

Segundo as estatísticas do comércio internacional do Instituto Nacional de Estatística (INE), se excluídas as transações TTE, ou seja, com vista a ou na sequência de trabalhos por encomenda (sem transferência de propriedade), regista-se um acréscimo de 4,6% nas exportações e acentua-se o crescimento nas importações para 7,4%.

Considerando apenas o mês de abril, as exportações e as importações de bens registaram subidas homólogas nominais de, respetivamente, 15,5% e 8,9% (11,0% e 12,3%, pela mesma ordem, em março de 2026).

Quando excluídas as transações TTE, os aumentos foram mais expressivos em ambos os fluxos: 16,9% nas exportações e 15,3% nas importações (14,9% e 12,7%, respetivamente, em março de 2026).

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Taxas Euribor sobem e a 3 meses para novo máximo desde março de 2025

9 June 2026 at 11:48

A Euribor subiu hoje a três, a seis e a 12 meses, no prazo mais curto para um máximo desde março de 2025, face a segunda-feira.

Com as alterações de hoje, a taxa a três meses, que avançou para 2,373%, continuou abaixo das taxas a seis (2,606%) e a 12 meses (2,866%).

A taxa Euribor a seis meses, que passou em janeiro de 2024 a ser a mais utilizada em Portugal nos créditos à habitação com taxa variável, avançou hoje, ao ser fixada em 2,606%, mais 0,020 pontos do que na segunda-feira.

Dados do Banco de Portugal (BdP) referentes a abril indicam que a Euribor a seis meses representava 39,56% do ‘stock’ de empréstimos para a habitação própria permanente com taxa variável.

Os mesmos dados indicam que as Euribor a 12 e a três meses representavam 31,53% e 24,55%, respetivamente.

No prazo de 12 meses, a taxa Euribor subiu hoje, para 2,866%, mais 0,050 pontos do que na sessão anterior.

No mesmo sentido, a Euribor a três meses avançou hoje, ao ser fixada em 2,373%, mais 0,022 pontos que na segunda-feira e um novo máximo desde março de 2025.

Esta semana realiza-se a reunião de política monetária do Banco Central Europeu (BCE), que termina na quinta-feira e é a terceira depois do início da guerra com o Irão, e o mercado prevê que a entidade suba as taxas diretoras, pela primeira vez em quase três anos.

Na anterior reunião, em 30 de abril, o BCE manteve as taxas diretoras, pela sétima reunião de política monetária consecutiva, como tinha sido antecipado pelo mercado e depois de oito reduções desde que a entidade iniciou o ciclo de cortes em junho de 2024.

A média mensal da Euribor subiu, de novo, nos três prazos em maio, mas de forma menos acentuada do que em abril.

Em maio, a média mensal da Euribor subiu 0,051 pontos para 2,226% a três meses.

Já a seis e a 12 meses, a média da Euribor avançou 0,082 pontos para 2,536% e 0,057 pontos para 2,804%, respetivamente.

As Euribor são fixadas pela média das taxas às quais um conjunto de 19 bancos da zona euro está disposto a emprestar dinheiro entre si no mercado interbancário.

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Fernando Meira considera que Portugal justifica ser um dos candidatos à vitória no Mundial2026

9 June 2026 at 09:17

O antigo internacional português Fernando Meira considerou hoje que Portugal “merece” ser um dos candidatos à vitória no Campeonato do Mundo de futebol de 2026, alertando para a necessária gestão física do grupo às ordens de Roberto Martínez.

“Vejo como um candidato, pela qualidade individual e coletiva de Portugal, neste que será um Mundial especial, porque deve ser o último de Neymar, Messi e Ronaldo, três jogadores lendários. Portugal tem tido um percurso em que merece essa distinção, merece a carga e responsabilidade de ser um dos favoritos. Tem um grupo acessível e depois é importante ter um pouco de sorte num percurso, que esperemos, leve até à final”, disse Meira, em declarações à agência Lusa.

Portugal integra o Grupo K e vai estrear-se frente à República Democrática do Congo, em Houston, no dia 17 de junho, às 12:00 (18:00 horas de Lisboa).

Segue-se o estreante Uzbequistão, em 23 de junho, também em Houston e igualmente com início agendado para as 12:00 (18:00), ficando o agrupamento fechado no dia 27 de junho, quando Portugal a defrontar a Colômbia em Miami, a partir das 19:30 (00:30 de 28 de junho).

Meira, internacional português em 54 ocasiões, alertou para a importância do embate com os congoleses, num jogo em que Portugal é favorito, mas vai enfrentar uma adversário motivado e em busca de uma surpresa.

“Portugal só tem a perder e a República Democrática do Congo percebe que Portugal é favorito. Temos de entrar com uma concentração exemplar, porque eles vão ter uma motivação extra. No Mundial não existem equipas fáceis, mas sim equipas mais ou menos acessíveis e o [RD] Congo é das mais acessíveis, apesar de ter qualidade”, salientou.

Para o antigo central e médio defensivo, a seleção orientada pelo espanhol Roberto Martínez tem “obrigatoriamente de ganhar” à formação africana, algo que também pode ajudar na gestão da equipa mais à frente no torneio.

“Acredito que vamos vencer e é quase imperial começar como uma vitória, que vai dar confiança e uma tranquilidade diferente. Também pode ajudar, depois, na gestão da sobrecarga, que pode ser marcante e decisiva no Mundial. Temos jogadores já com muitos minutos nas pernas. A parte mental quer muito, vai haver muita motivação para representar Portugal, mas o cansaço também vai estar presente”, explicou.

Fernando Meira, de 48 anos, esteve presente na fase final do Mundial2006, na Alemanha, onde Portugal chegou ao quarto lugar, a segunda melhor classificação de sempre depois da terceira posição na estreia em 1966.

O antigo futebolista, que representou, entre outros, Vitória SC, Benfica, Estugarda, Galatasaray, Zenit São Petersburgo ou Saragoça, explicou que hoje em dia a carga de jogos é “muito maior” do que na sua altura e é algo que merece uma atenção detalhada.

“Queremos todos representar a seleção, todos queremos jogar e por vezes não é fácil perceber que tens de descansar. A parte física é algo que não se consegue controlar”, frisou.

Apesar do cansaço e da ausência de férias, numa época já longa para muitos, Meira, que se sagrou campeão com o Estugarda, na Alemanha, e com Zenit, na Rússia, lembra que representar Portugal na fase final de um Mundial é o momento “mais alto da carreira de um jogador”, e acredita que a motivação não vai faltar.

O Mundial2026 vai decorrer de quinta-feira a 19 de julho nos Estados Unidos, no Canadá e no México.

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Maioria dos portugueses defende prioridade máxima para cuidados paliativos no SNS

9 June 2026 at 08:44

Mais de dois terços dos inquiridos num estudo da Universidade de Coimbra divulgado hoje consideram que os cuidados paliativos devem ter prioridade máxima no Serviço Nacional de Saúde e 65,4% dizem preferir morrer em casa.

O estudo populacional foi realizado entre 08 e 24 de maio de 2026 e envolveu 1.041 adultos residentes em Portugal Continental, tendo como objetivo analisar “a perceção dos portugueses sobre os cuidados paliativos e o local de morte preferencial”.

Os resultados divulgados em comunicado pela Universidade de Coimbra (UC) mostram que 85,4% dos inquiridos reconhecem a importância elevada destes cuidados, dos quais 67,1% defendem que devem ter “prioridade máxima” no SNS e 18,3% “prioridade alta”.

Para a coordenadora do estudo, Bárbara Gomes, investigadora da Faculdade de Medicina da UC (FMUC) e do Centro de Inovação em Biomedicina e Biotecnologia, “os resultados trazem novos dados para apoiar as políticas públicas e reforçar a resposta do SNS no apoio aos cuidados em fim de vida”.

Bárbara Gomes salienta a necessidade de “alinhar os serviços com as preferências e necessidades reais da população”.

Os dados revelam também que 65,4% dos participantes preferem morrer em casa, com 58,1% a ter preferência pela própria habitação, 7,3% em casa de familiares ou amigos, enquanto 8,1% escolheria uma unidade de cuidados paliativos.

A maioria dos inquiridos (55,1%) revelou já ter cuidado ou apoiado um familiar ou amigo próximo nos últimos meses de vida.

“As conclusões do estudo permitem inferir uma vontade populacional de reforço das estruturas de respostas domiciliárias, garantindo que os cuidados paliativos chegam às pessoas onde elas realmente desejam estar e fomentar políticas públicas com foco no doente”, afirma a coautora do trabalho e investigadora da FMUC, Mayra Delalibera.

Mayra Delalibera salienta que “a percentagem de pessoas que prefere morrer em casa é superior à obtida num inquérito semelhante realizado em 2010 (65% vs. 51%), o que indica um aumento desta preferência”.

Bárbara Gomes complementa: “Temos hoje sensivelmente o mesmo número de equipas domiciliárias de cuidados paliativos no SNS que tínhamos há dez anos; e teríamos menos não fosse o apoio de cinco novas equipas pela Fundação “la Caixa” desde 2021, no âmbito do Programa Humaniza”.

“Sabemos que estas equipas especializadas duplicam as chances de os doentes morrerem em casa com melhor controlo sintomático”, afirma.

Para Bárbara Gomes, “é urgente reforçar ou redirecionar verba da saúde para aumentar o número destas equipas e para incentivar financeiramente as carreiras dos profissionais que nelas trabalham, para reter e atrair mais”.

“A população pede e as vidas de milhares de doentes e de famílias em situação de doença terminal (adultos e crianças) não esperam pelo próximo Orçamento de Estado”, defende.

O estudo foi financiado pela Cátedra Floriani em Cuidados Paliativos da FMUC e pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia.

Em defesa de um acesso equitativo a cuidados paliativos de qualidade, a Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos lançou uma petição, que já reúne cerca de 8.000 assinaturas e pode ser assinada em https://peticaopublica.com/?pi=PT131164.

“Em Portugal, mais de 150 mil pessoas vivem anualmente com sofrimento associado a doença grave, progressiva e incurável. Destas, entre 70 e 85 mil morrem todos os anos com necessidade de cuidados paliativos. A elas juntam-se ainda milhares de crianças e jovens com doenças complexas que beneficiariam deste acompanhamento especializado”, lê-se na petição.

Segundo recomendações europeias, o país necessitaria de mais de 100 equipas comunitárias e intra-hospitalares e cerca de 1.000 camas especializadas, mas segundo a associação “a cobertura existente representa apenas uma fração desse valor, com fortes assimetrias territoriais e falta de respostas adequadas em várias regiões do país”.

Os peticionários apelam à expansão destas equipas em todo o país e ao reforço da Rede Nacional de Cuidados Paliativos, através do aumento de camas e respostas especializadas para adultos e crianças, tanto em hospitais de agudos como na rede.

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Meio milhão de euros para programa de apoio a projetos que cruzem Tecnologia e Cultura

8 June 2026 at 23:25

O Fundo de Fomento Cultural vai atribuir 500 mil euros a projetos que cruzem Cultura e Tecnologia, no âmbito de um programa de apoio que será lançado este mês pelo Governo, anunciou hoje a ministra da Cultura.

“Gostaria de anunciar que o Governo vai lançar, no próximo dia 15 de junho e através do Fundo de Fomento Cultural, um Programa de apoio a projetos de cruzamento entre a Cultura e a Tecnologia – com uma dotação de 500 mil euros”, afirmou hoje a ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, no MuseuZero, em Santa Catarina da Fonte do Bispo, Tavira, na sessão de abertura do 4.º Fórum Cultura, a decorrer no Algarve.

De acordo com a governante, o novo programa de apoio destina-se “a apoiar projetos que utilizem ferramentas tecnológicas para promover o acesso à Cultura, reforçar a mediação cultural, valorizar o património, criar novas experiências culturais, e aproximar diferentes públicos da criação artística”.

“Acima de tudo, aquilo que se pretende é criar condições para que instituições, estruturas, artistas e agentes culturais possam continuar a experimentar, inovar e desenvolver projetos que explorem novas possibilidades”, disse.

Na mesma ocasião, Margarida Balseiro Lopes anunciou que o novo portal 360, que reúne bens culturais de museus, monumentos, palácios e sítios arqueológicos portugueses, estará disponível a partir de 01 de julho.

Atualmente, os bens culturais digitalizados no âmbito do projeto “Património Cultural 360”, que permite disponibilizar de forma universal e gratuita o Património Cultural, já podem ser acedidos através do arquivo ‘online’ do Património Cultural, I.P., em https://arquiva.patrimoniocultural.gov.pt/, ou através do ‘site’ https://makingof360.patrimoniocultural.gov.pt/.

Os bens culturais digitalizados foram previamente escolhidos pelos diretores de museus, monumentos, palácios e sítios arqueológicos e entre eles estão os bens classificados como “tesouro nacional” e bens de várias escalas, tipologias e materiais, como uma pequena peça de ourivesaria, uma peça de vestuário, uma pintura, uma fotografia ou uma escultura de várias toneladas.

Além dos bens culturais, através dos mesmos ‘links’ é possível aceder-se a visitais virtuais, a edifícios, como museus, mosteiros, à Sé de Lisboa e ao Panteão Nacional, a sítios arqueológicos tutelados e a documentários.

No âmbito do projeto foram concretizadas 67 visitas virtuais e 13 documentários.

A ministra da Cultura, Juventude e Desporto salientou que o novo portal permite “um acesso mais integrado e centralizado ao património cultural”.

No inicio de abril já eram mais de 61 mil os bens culturais de museus, monumentos, palácios e sítios arqueológicos portugueses digitalizados e disponíveis ‘online’ para poderem ser vistos por qualquer pessoa em qualquer ponto do mundo.

O “Património Cultural 360”, concluído em 31 de março deste ano, foi financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), com cerca de 14,4 milhões de euros, aos quais se juntaram 250 mil euros, do Património Cultural, I.P.

A execução do projeto iniciou-se em abril de 2024, sob responsabilidade do Património Cultural I.P., contou com mais de 20 entidades parceiras, entre organismos públicos, autarquias, fundações e arquivos, e envolveu mais de 50 especialistas de áreas como informática, conservação e restauro, modelação e design gráfico e fotografia, bem como investigadores e equipas de 65 museus, monumentos, palácios e sítios arqueológicos.

Embora o projeto “Património Cultural 360” tenha sido dado como concluído em abril, a digitalização de bens não terminou.

Atualmente estão abrangidos 83 imóveis, entre museus, monumentos e palácios, de 36 concelhos e 15 distritos, mas o coordenador do projeto, Luís Sebastian, quer que os números aumentem. Para o concretizar diz que seriam precisos mais 15 milhões de euros, “um sonho”, reconheceu, em declarações à Lusa em abril, na Sessão Pública de Encerramento do projeto.

O 4.º Fórum Cultura, organizado pelo Ministério da Cultura, da Juventude e do Desporto, que decorre hoje e na terça-feira em Loulé, Tavira e Faro, é dedicado a dois temas: Tecnologia e Música.

O Fórum Cultura, promovido pela tutela, pretende promover uma “reflexão coletiva, construtiva e agregadora” do setor, contando com a participação de profissionais de várias áreas do setor cultural.

A primeira edição aconteceu em outubro do ano passado em Lisboa. A segunda edição decorreu em janeiro deste ano no Porto e a terceira em abril em Ponta Delgada.

A jornada de hoje do 4.º Fórum Cultura encerra em Loulé, com a entrega da Medalha de Mérito Cultural à escritora Lídia Jorge, numa sessão que conta Margarida Balseiro Lopes e as participações do artista Dino D’Santiago e de um quinteto de sopros do Conservatório de Música de Loulé.

Para a ministra da Cultura, “esta é a oportunidade de reconhecer uma das grandes intérpretes do Portugal contemporâneo, com uma obra que reflete, de forma sensível e profunda, as transformações sociais das últimas décadas”, numa referência à autora de “Os Memoráveis” e “Misericórdia”.

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