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Received — 12 June 2026 Agência Brasil

Produção de automóveis acumula 7,1% de aumento em relação a 2025

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A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) divulgou os dados de produção e vendas para o mês de maio. Foram fabricados 253,5 mil veículos e emplacados 274,7 mil. O único segmento que não apresentou alta foi o de caminhões e ônibus, para o qual há expectativa de aumento de vendas com os subsídios do programa Move Brasil 2.

Segundo a entidade, o índice representa alta de 15,2% quando comparado com o mês de maio de 2025 e foi o melhor resultado para um mês desde 2019. Com 1,1 milhão de unidades produzidas, se registrou também uma alta de 7,1% sobre os cinco primeiros meses de 2025. 

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"A força desse ritmo produtivo vem da alta nas vendas de automóveis (+21,5%), o que inclui o bom desempenho dos carros de entrada com o programa Carro Sustentável. Comerciais leves, como picapes, vans e furgões, também vêm crescendo (+7,7%), enquanto os caminhões (-15,1%) e os ônibus (-16,3%) ainda estão em queda", indicou a análise do setor.

O aumento dos preços globais de combustíveis tem se apresentado como um fator econômico preocupante, pois aumentam os custos de produção e acumulam na ponta da cadeia, nos consumidores, pressionando a inflação e o ritmo da queda de juros por parte do Banco Central, avaliou a Anfavea.

Vendas tiveram ritmo semelhante

O mês de maio teve a melhor média diária de vendas desde dezembro de 2014, com 13,7 mil autoveículos (soma de leves e pesados) vendidos por dia. Os emplacamentos totais em maio foram de 274,7 mil unidades, 21,7% a mais do que o vendido em maio do ano passado. O acumulado das vendas também superou o marco simbólico de 1 milhão de unidades um mês antes de 2025, com 1.148,2 mil unidades, crescimento acumulado de 16,4%.

Os fabricantes apontaram a alta das vendas dos veículos eletrificados (elétricos, híbridos e híbridos plug-in) como uma parcela relevante desse resultado positivo. A participação do segmento passou de 10,6% em junho de 2025 para 19,5% em maio. Foi o mês com maior venda de elétricos puros, chegando a 21 mil unidades, enquanto a soma dos híbridos vendidos foi 30,7 mil. 

Exportações em queda, importações em alta

As vendas para o exterior em 2026 têm tido queda expressiva, principalmente para os parceiros da América do Sul. O principal parceiro continua sendo a Argentina, que comprou 89,6 mil unidades, recuo de 33,3%. Os mexicanos compraram 31,6 mil unidades, recuo de 0,5% e os colombianos 17,7 mil, aumento de 14,5%. As vendas também caíram para o Chile (-19,6%) e para o Uruguai (-34,5%), parceiros que compraram menos de 10 mil veículos cada.

O principal fornecedor de veículos para o mercado brasileiro em 2026 passou a ser a China, de quem importamos 108,4 mil unidades entre janeiro e maio, alta de 86,6%. Os modelos argentinos recuaram, 16,8%, com um total 71,3 mil. As vendas de importados em maio foram de 55 mil unidades, totalizando 223 mil nos cinco primeiros meses, elevação de 17,4%, mais que o dobro da venda de nacionais. 

 

Polícia Científica conclui laudo sobre explosão de gás em Jaguaré

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A Polícia Científica concluiu o laudo técnico sobre a explosão na rede de gás no bairro do Jaguaré, na zona oeste da cidade de São Paulo, no último 11 de maio, e que causou a morte de duas pessoas. 

De acordo com o governo estadual, as equipes mapearam a área, examinaram tubulações e solo, além de itens dos moradores e dos trabalhadores afetados.

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"O trabalho pericial foi realizado por uma força-tarefa multidisciplinar de peritos criminais, com atuação no local para coleta, preservação, documentação e análise de vestígios materiais", informou.

O trabalho técnico analisou amostras de gás subterrâneo, exames geofísicos de eletrorresistividade e sísmica rasa. Também fizeram parte do laudo os exames necroscópicos realizados pelo Instituto Médico Legal.

"A definição sobre eventuais responsabilidades caberá ao inquérito policial – a partir do conjunto de elementos apurados – que é conduzido pela 3ª Central Especializada de Repressão a Crimes e Ocorrências Diversas da Polícia Civil na capital", complementou o governo estadual.

A explosão afetou cerca de 800 moradias, das quais 302 casas e 488 apartamentos em condomínios, sendo que 66 ficaram completamente destruídas. Duas pessoas morreram, uma delas um trabalhador terceirizado a serviço da Sabesp. A companhia fazia uma obra no local.

As concessionárias - Sabesp e Comgás - pagaram um auxílio às famílias que tiveram os imóveis afetados e reformaram 45 imóveis com danos mais significativos, dos quais 39 já foram entregues.

A Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) alterou parte dos protocolos para obras em subsolo em áreas com compartilhamento de infraestrutura e criou um grupo técnico permanente voltado à prevenção de acidentes.

Relembre o caso 

A explosão na Rua Doutor Benedito de Moraes Leme, no bairro do Jaguaré, ocorreu por volta das 16h10 do dia 11 de maio. A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) fazia uma obra no local.

Segundo informações da Defesa Civil, a explosão pode ter sido causada por um problema na tubulação de gás natural encanado da Comgás atingida durante uma obra externa da Sabesp. 

Agência dos Estados Unidos confirma início do fenômeno El Niño

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A Agência Nacional para Oceanos e Atmosfera (NOAA, na sigla em inglês), do governo dos Estados Unidos, declarou ter observado condições condizentes com o fenômeno El Niño ao longo da primeira semana de junho. Segundo a agência, a previsão é que o fenômeno continue até o final do inverno no hemisfério norte, em fevereiro de 2027.

O órgão afirmou que o início do período de aquecimento é percebido em medições ao longo de toda a faixa tropical do Oceano Pacífico.

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Em geral o período é classificado como de El Niño quando a média das temperaturas medidas ao longo da faixa equatorial do oceano, entre a Indonésia e a América Central, é de 0,5 grau Celsius acima da média histórica. Na primeira semana de julho as medições apontaram 0,7 grau acima.

A análise dos cientistas do NOAA apontou, ainda, que a probabilidade de um aquecimento com mais de dois graus celsius acima da média é de 63%. Isso configura um El Niño bastante intenso, concentrado entre novembro de 2026 e fevereiro de 2027.

No Brasil, isso determina um período de chuvas mais curto e menos intenso nas regiões Norte e Nordeste, ampliando a possibilidade de secas, além de uma concentração considerável de chuvas na região Sul, afetando principalmente Santa Catarina e Rio Grande do Sul. As duas condições foram observadas em 2024, última incidência do fenômeno, quando o Rio Grande do Sul enfrentou enchentes históricas.

Aquecimento dos oceanos

O professor Ricardo de Camargo, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP, explicou que é difícil fazer afirmações sobre o aumento da frequência ou a redução do intervalo entre fenômenos relacionados ao aquecimento dos oceanos, bem como estabelecer uma relação direta de que esses eventos estejam mais intensos. 

“É importante considerar que a região monitorada é bastante extensa e ela ficando mais quente que o normal é de se esperar que as médias globais de temperatura aumentem, o que aconteceu nesses últimos anos. Também precisamos considerar que os oceanos estão acumulando boa parte desse calor. A gente precisa tomar cuidado para não confundir mudança climática com variabilidade climática. Fenômenos como o El Niño fazem parte da variabilidade natural do planeta”, explica 

Para o professor, os critérios de avaliação do NOAA são consolidados e refletem pesquisas acadêmicas atuais e dados de uma rede ampla de coleta, com dados coletados na atmosfera, na superfície e através de uma rede de boias de profundidade.

"No entanto, a gente sabe que os pesquisadores desses órgãos federais americanos estão enfrentando restrições do uso de certos termos, que foram meio que banidos pela administração Federal nos Estados Unidos, negacionista quanto à importância das mudanças climáticas”, pondera o pesquisador, que destaca a existência de outros centros importantes, como os europeus, o japonês e o australiano. 

Segundo Camargo, as telemetrias e os modelos adotados por esses centros são confiáveis, porém a rede de bóias de profundidade é mantida basicamente pelos Estados Unidos, e sua perda pode afetar consideravelmente a qualidade dos dados. 

O governo Trump já sinalizou o interesse em desligar tanto a rede de bóias do Pacífico e seu equivalente, no Atlântico.

A próxima avaliação do NOAA para o El Niño deve ser publicada em 9 de julho.

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