'I used these 70p strips for 10 days and my teeth got whiter after each use'





Mamdani publicou vídeo nas redes sociais, no último sábado (13), antes do jogo Brasil e Marrocos, pela Copa do Mundo nos Estados Unidos.
Notícias relacionadas:
“O futebol criou movimentos, ajudou a derrubar ditadores e, por 90 minutos, não só nos permitiu esquecer nossos problemas, como também encontrar maneiras de superá-los. Que jogo lindo”, ressaltou o prefeito.
Mayor Mamdani Hosts “The Morning Pitch” to Provide Traffic and Weather Updates Ahead of World Cup https://t.co/UzNwqD24zf
— Mayor Zohran Kwame Mamdani (@NYCMayor) June 13, 2026
“Enquanto nos preparamos para celebrar a Copa do Mundo aqui em Nova York, estamos criando e comemorando algo muito maior do que gols marcados e desarmes realizados. Estamos celebrando um esporte que deu a milhões de pessoas, em todo o mundo, tantas delas pobres e esquecidas, um senso de pertencimento, uma conexão com o próximo, um sentimento de solidariedade”, disse Mamdani.
A Democracia Corinthiana foi um movimento que fez história no futebol brasileiro e visava a maior participação dos jogadores e demais empregados nas decisões do clube. Por voto, eles ganharam o direito de escolher coisas como horário dos treinos e detalhes da concentração. Em 1982, Waldemar Pires foi eleito presidente do Corinthians e passou a fazer esse diálogo com os jogadores do elenco profissional.
Entre esses atletas, estavam Sócrates, Wladimir, Casagrande, Biro-Biro, Zé Maria e Zenon, lideranças politizadas que ganharam espaço como vozes do grupo. A influência da equipe não se restringiu ao futebol e, naquele período, o Corinthians estampou em suas camisas frases de cunho político como "Diretas Já", em uma época em que movimentos sociais se articulavam para lutar pela volta da democracia ao país.
A Democracia Corinthiana durou alguns anos e começou a perder força em 1984, quando Casagrande foi para o São Paulo e Sócrates se transferiu para a Fiorentina. No período, o time venceu o Campeonato Paulista três vezes (1982, 1983 e 1988) e, em 1990, venceria o Campeonato Brasileiro pela primeira vez em sua história.
No vídeo, o prefeito Zohran Mamdani, lembrou da atuação de Sócrates como meio-campo brasileiro nas décadas de 1970 e 80, incluindo a Copa do Mundo de 1982, quando foi capitão da equipe.
“Foram anos difíceis para o Brasil. Uma ditadura militar repressiva governava o país, impondo seu domínio pela força. No Corinthians, clube que capitaneou, Sócrates e seus companheiros participaram do que todo brasileiro comum sonhava: democracia. Eles iniciaram um experimento de autogoverno chamado Democracia Corintiana. Independentemente de ser o craque do ataque ou o funcionário da lavanderia, todos tinham o mesmo voto”, exaltou.
“E, enquanto a ditadura militar torturava e assassinava seus cidadãos, Sócrates liderava os jogadores em campo, vestindo jaquetas com os dizeres ‘Quero votar no meu presidente’”, lembrou Mamdani.
O Brasil estreou contra o Marrocos na Copa do Mundo, no sábado, em jogo no MetLife Stadium, em Nova Jersey, cidade que é uma das sedes do campeonato junto com Nova York. A partida pelo Grupo C terminou em empate, em 1 a 1.
O democrata Zohran Mamdani, de 34 anos, tomou posse em janeiro deste ano como prefeito de umas das cidades mais importantes dos Estados Unidos. Ele é o primeiro muçulmano a comandar a cidade e o mais jovem a ocupar o posto desde 1892.
O prefeito novaiorquino é descendente de imigrantes, se considera socialista, é crítico ao presidente dos Estados Unidos Donald Trump e é favorável à causa palestina.
Mamdani publicou vídeo nas redes sociais, no último sábado (13), antes do jogo Brasil e Marrocos, pela Copa do Mundo nos Estados Unidos.
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Mayor Mamdani Hosts “The Morning Pitch” to Provide Traffic and Weather Updates Ahead of World Cup https://t.co/UzNwqD24zf
— Mayor Zohran Kwame Mamdani (@NYCMayor) June 13, 2026
“Enquanto nos preparamos para celebrar a Copa do Mundo aqui em Nova York, estamos criando e comemorando algo muito maior do que gols marcados e desarmes realizados. Estamos celebrando um esporte que deu a milhões de pessoas, em todo o mundo, tantas delas pobres e esquecidas, um senso de pertencimento, uma conexão com o próximo, um sentimento de solidariedade”, disse Mamdani.
A Democracia Corinthiana foi um movimento que fez história no futebol brasileiro e visava a maior participação dos jogadores e demais empregados nas decisões do clube. Por voto, eles ganharam o direito de escolher coisas como horário dos treinos e detalhes da concentração. Em 1982, Waldemar Pires foi eleito presidente do Corinthians e passou a fazer esse diálogo com os jogadores do elenco profissional.
Entre esses atletas, estavam Sócrates, Wladimir, Casagrande, Biro-Biro, Zé Maria e Zenon, lideranças politizadas que ganharam espaço como vozes do grupo. A influência da equipe não se restringiu ao futebol e, naquele período, o Corinthians estampou em suas camisas frases de cunho político como "Diretas Já", em uma época em que movimentos sociais se articulavam para lutar pela volta da democracia ao país.
A Democracia Corinthiana durou alguns anos e começou a perder força em 1984, quando Casagrande foi para o São Paulo e Sócrates se transferiu para a Fiorentina. No período, o time venceu o Campeonato Paulista três vezes (1982, 1983 e 1988) e, em 1990, venceria o Campeonato Brasileiro pela primeira vez em sua história.
No vídeo, o prefeito Zohran Mamdani, lembrou da atuação de Sócrates como meio-campo brasileiro nas décadas de 1970 e 80, incluindo a Copa do Mundo de 1982, quando foi capitão da equipe.
“Foram anos difíceis para o Brasil. Uma ditadura militar repressiva governava o país, impondo seu domínio pela força. No Corinthians, clube que capitaneou, Sócrates e seus companheiros participaram do que todo brasileiro comum sonhava: democracia. Eles iniciaram um experimento de autogoverno chamado Democracia Corintiana. Independentemente de ser o craque do ataque ou o funcionário da lavanderia, todos tinham o mesmo voto”, exaltou.
“E, enquanto a ditadura militar torturava e assassinava seus cidadãos, Sócrates liderava os jogadores em campo, vestindo jaquetas com os dizeres ‘Quero votar no meu presidente’”, lembrou Mamdani.
O Brasil estreou contra o Marrocos na Copa do Mundo, no sábado, em jogo no MetLife Stadium, em Nova Jersey, cidade que é uma das sedes do campeonato junto com Nova York. A partida pelo Grupo C terminou em empate, em 1 a 1.
O democrata Zohran Mamdani, de 34 anos, tomou posse em janeiro deste ano como prefeito de umas das cidades mais importantes dos Estados Unidos. Ele é o primeiro muçulmano a comandar a cidade e o mais jovem a ocupar o posto desde 1892.
O prefeito novaiorquino é descendente de imigrantes, se considera socialista, é crítico ao presidente dos Estados Unidos Donald Trump e é favorável à causa palestina.







A candidatura ao edital 2026-2027 do Programa Memória do Mundo foi oficializada em 26 de novembro de 2025 pelo Ministério das Relações Exteriores e pelo Arquivo Nacional. O resultado deverá ser revelado no final de 2027, durante a Conferência Geral da Unesco.
Nascido livre e vendido pelo pai como escravo, Gama aprendeu a ler e escrever aos 17 anos, mas foi impedido pelo preconceito racial de se formar em Direito. Mesmo assim, ele assistiu às aulas do curso como ouvinte e se tornou rábula, pessoa com direito de atuar nos tribunais. A partir daí, se destacou na defesa da libertação de negros escravizados e na concessão de registros de identidade para ex-escravizados.
Pesquisadora e professora da Universidade Federal do Estado de São Paulo (Unifesp), Lígia Fonseca Ferreira disse, em entrevista à Agência Brasil, que Luiz Gama também se destaca entre os abolicionistas por ter vivenciado a escravização.
“Tudo que escreveu e a maneira como, depois, se voltou para a libertação de indivíduos tem um olhar particular, quase de caso a caso, entendendo aqueles com quem tratou”, acrescentou.
Lígia Ferreira é pesquisadora da trajetória de Luiz Gama e autora dos livros Com a palavra, Luiz Gama e Lições de resistência: Artigos de Luiz Gama na imprensa de São Paulo e do Rio de Janeiro, que reúnem textos, cartas e poemas do abolicionista.
Por ser negro, Gama foi impedido de frequentar o curso da Faculdade de Direito do Largo do São Francisco, no qual tinha tentado ingressar em 1850. Segundo a professora, ele começou a atuar em meados dos anos 1860, após receber autorização para advogar em primeira instância.
Em reconhecimento ao trabalho que desenvolveu, Luiz Gama foi homenageado, em 2015, pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), com um título póstumo de advogado e carteirinha com registro profissional da instituição.
Luiz Gama nasceu liberto, filho da africana Luiza Mahin, que foi trazida à força da região africana atualmente pertencente ao Benim. Aos 10 anos, no entanto, foi vendido em Salvador, como escravizado, pelo próprio pai, o fidalgo português branco Antônio Agostinho Carlos Pinto da Gama, em troca de dinheiro para saldar uma dívida. O menino foi levado para São Paulo, onde vivenciou a escravidão.
“Nos seus escritos jornalísticos em primeira pessoa, em que fala das origens, ele se refere aos escravizados não como os outros, ele diz meus irmãos de infortúnio. Ele fala em nós”, completou Lígia Fonseca Ferreira.
Só aos 18 anos, Gama conseguiu provar que tinha direito à liberdade e saiu do cativeiro.
O título da candidatura apresentada à Unesco é Presença Negra no Arquivo: Luiz Gama, articulador da liberdade (1830-1882). O material foi organizado pelo Arquivo Público do Estado de São Paulo (Apesp), responsável pelo acervo, que já foi inscrito no Programa Memória do Mundo pelo Comitê Regional para a América Latina e o Caribe (MoWLAC) da Unesco.
Conforme os critérios estabelecidos pela organização das Nações Unidas, o Brasil pôde inscrever na organização internacional uma segunda candidatura, Coleção Documental: Passaportes de Pessoas Escravizadas, Libertas, Pessoas Livres e Africanos Repatriados (1821-1889), produzida pelo Arquivo Público do Estado da Bahia.
Entre os mais importantes documentos do acervo de Luiz Gama, estão as cartas de alforria guardadas no Arquivo Público do Estado de São Paulo. Segundo o pesquisador do Apesp Marcelo Quintanilha, o material foi produzido na época em que Gama era escrivão de uma delegacia de São Paulo.
De acordo com Quintanilha, a equipe do APESP envolvida na produção do dossiê de candidatura levou entre sete e oito meses para juntar os documentos.
O diretor do arquivo público paulista, Thiago Nicodemo, contou que, após o envio da candidatura, o Apesp conseguiu, por meio da inteligência artificial, dar rostos às pessoas que Gama libertou.
“É uma questão de reparação importante, mas também de alcance público importante”, pontuou. “É como se estivéssemos devolvendo para elas a sua condição de gente”.
Mesmo liberto e alfabetizado, Gama teve dificuldade em encontrar emprego por ser negro e ex-escravizado no Brasil do Século 19. Ele acabou aceitando uma vaga no chamado corpo policial, primeiro como porteiro da delegacia e, depois, como escrivão e amanuense, função dada à pessoa que escreve os documentos à mão.
“Um escravo liberto e novo como ele, apesar de alfabetizado, não tinha emprego. Então, ele entrou para o corpo policial e ganhava bem pouco”, contou Marcelo Quintanilha.
Foi nesse cargo, considerado de confiança, que sua luta a favor do abolicionismo ganhou força. Com acesso aos passaportes de negros escravizados, Gama pôde constatar que muitos deles eram africanos trazidos ilegalmente para o Brasil. Na época, o tráfico de pessoas escravizadas já havia sido proibido.
“Quando vinha o dono dos escravizados pedir o passaporte [na delegacia], ele notava que o escravizado era muito novo e não falava nem português. Ele perguntava de onde [o escravizado] era e, então, [Gama entendia que] era um escravo ilegal, contrabandeado”, afirmou.
Nesses casos, Gama não entregava o passaporte e apreendia a pessoa escravizada, para que não permanecesse com quem se intitulava dono de forma ilegal.
“Como o delegado, o chefe dele, era permissivo, esses escravizados acabaram se tornando libertos. Aí, ele foi criando inimizades, pegando [escravizados] de gente poderosa”, explicou.
A partir desse trabalho, o abolicionista começou a fazer os registros dessas pessoas, e elas passaram a ter uma identidade no país. Essa atuação resultou em sua expulsão da polícia, em 1869.
Segundo o pesquisador, tudo está documentado em um livro escrito por Luiz Gama, com a lista de 123 africanos livres. O livro é um dos documentos importantes que estão no dossiê da candidatura na Unesco e faz parte do acervo do Apesp.
“Foi feito à mão por ele. A gente nota que ele se esforçou muito na descrição, para contar a história desses escravos. É muito interessante o livro”, apontou.
Quintanilha destacou que, para incluir pessoas escravizadas que tinham sido contrabandeadas, Luiz Gama fez uma interpretação do que significava o conceito de cidadão.
“Ele era um jurista muito inteligente. Criava soluções naquela sociedade conservadora que, até então, ninguém tinha aventado”, concluiu.
O advogado e pesquisador da história do abolicionista Bruno Rodrigues de Lima destacou outra luta de Luiz Gama que ficou conhecida como a Questão Netto, considerada por historiadores como a maior ação coletiva de libertação de escravizados das Américas.
O processo tratava da liberdade de pessoas que constavam como patrimônio do comendador português Manoel Joaquim Ferreira Netto, um dos homens mais ricos do Império. Ao fazer o testamento, o escravista determinou a libertação de 217 escravizados após a sua morte.
Ao saber disso, Gama procurou verificar se a ordem tinha sido cumprida e teve que enfrentar uma batalha com a família do comendador, que disputava os bens dele e não queria dar liberdade às pessoas escravizadas.
Bruno Lima analisou os documentos guardados no Arquivo Público do Estado de São Paulo que desvendaram a atuação de Gama para a libertação e identificação desses escravizados.
Esse trabalho contribuiu para embasar a candidatura que, em 2025, conquistou o registro do Comitê Regional para a América Latina e o Caribe (MoWLAC) da Unesco. Agora, a pesquisa também serve de base para a candidatura mundial.
O reconhecimento da Unesco aos documentos, segundo Lima, representa muito para o Brasil, porque será a primeira vez que uma obra abolicionista do país que mais teve pessoas escravizadas no mundo será incluída.
“Uma obra abolicionista é uma obra de afirmação da liberdade, da emancipação humana e da igualdade entre todos e todas em um país que mais afirmou o contrário disso. A desigualdade, a violência e a escravização, que, no limite, é a forma mais brutal de exploração do homem e da mulher”, observou.
Bruno é autor de Luiz Gama contra o Império: a luta pelo direito no Brasil da Escravidão e organizador dos 11 volumes das Obras Completas de Luiz Gama. Em 2024, ganhou o Prêmio Jabuti Acadêmico, categoria Direito, com o volume Direito, 1870-1875, um dos 11 que compõem Obras Completas de Luiz Gama.
A candidatura ao edital 2026-2027 do Programa Memória do Mundo foi oficializada em 26 de novembro de 2025 pelo Ministério das Relações Exteriores e pelo Arquivo Nacional. O resultado deverá ser revelado no final de 2027, durante a Conferência Geral da Unesco.
Nascido livre e vendido pelo pai como escravo, Gama aprendeu a ler e escrever aos 17 anos, mas foi impedido pelo preconceito racial de se formar em Direito. Mesmo assim, ele assistiu às aulas do curso como ouvinte e se tornou rábula, pessoa com direito de atuar nos tribunais. A partir daí, se destacou na defesa da libertação de negros escravizados e na concessão de registros de identidade para ex-escravizados.
Pesquisadora e professora da Universidade Federal do Estado de São Paulo (Unifesp), Lígia Fonseca Ferreira disse, em entrevista à Agência Brasil, que Luiz Gama também se destaca entre os abolicionistas por ter vivenciado a escravização.
“Tudo que escreveu e a maneira como, depois, se voltou para a libertação de indivíduos tem um olhar particular, quase de caso a caso, entendendo aqueles com quem tratou”, acrescentou.
Lígia Ferreira é pesquisadora da trajetória de Luiz Gama e autora dos livros Com a palavra, Luiz Gama e Lições de resistência: Artigos de Luiz Gama na imprensa de São Paulo e do Rio de Janeiro, que reúnem textos, cartas e poemas do abolicionista.
Por ser negro, Gama foi impedido de frequentar o curso da Faculdade de Direito do Largo do São Francisco, no qual tinha tentado ingressar em 1850. Segundo a professora, ele começou a atuar em meados dos anos 1860, após receber autorização para advogar em primeira instância.
Em reconhecimento ao trabalho que desenvolveu, Luiz Gama foi homenageado, em 2015, pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), com um título póstumo de advogado e carteirinha com registro profissional da instituição.
Luiz Gama nasceu liberto, filho da africana Luiza Mahin, que foi trazida à força da região africana atualmente pertencente ao Benim. Aos 10 anos, no entanto, foi vendido em Salvador, como escravizado, pelo próprio pai, o fidalgo português branco Antônio Agostinho Carlos Pinto da Gama, em troca de dinheiro para saldar uma dívida. O menino foi levado para São Paulo, onde vivenciou a escravidão.
“Nos seus escritos jornalísticos em primeira pessoa, em que fala das origens, ele se refere aos escravizados não como os outros, ele diz meus irmãos de infortúnio. Ele fala em nós”, completou Lígia Fonseca Ferreira.
Só aos 18 anos, Gama conseguiu provar que tinha direito à liberdade e saiu do cativeiro.
O título da candidatura apresentada à Unesco é Presença Negra no Arquivo: Luiz Gama, articulador da liberdade (1830-1882). O material foi organizado pelo Arquivo Público do Estado de São Paulo (Apesp), responsável pelo acervo, que já foi inscrito no Programa Memória do Mundo pelo Comitê Regional para a América Latina e o Caribe (MoWLAC) da Unesco.
Conforme os critérios estabelecidos pela organização das Nações Unidas, o Brasil pôde inscrever na organização internacional uma segunda candidatura, Coleção Documental: Passaportes de Pessoas Escravizadas, Libertas, Pessoas Livres e Africanos Repatriados (1821-1889), produzida pelo Arquivo Público do Estado da Bahia.
Entre os mais importantes documentos do acervo de Luiz Gama, estão as cartas de alforria guardadas no Arquivo Público do Estado de São Paulo. Segundo o pesquisador do Apesp Marcelo Quintanilha, o material foi produzido na época em que Gama era escrivão de uma delegacia de São Paulo.
De acordo com Quintanilha, a equipe do APESP envolvida na produção do dossiê de candidatura levou entre sete e oito meses para juntar os documentos.
O diretor do arquivo público paulista, Thiago Nicodemo, contou que, após o envio da candidatura, o Apesp conseguiu, por meio da inteligência artificial, dar rostos às pessoas que Gama libertou.
“É uma questão de reparação importante, mas também de alcance público importante”, pontuou. “É como se estivéssemos devolvendo para elas a sua condição de gente”.
Mesmo liberto e alfabetizado, Gama teve dificuldade em encontrar emprego por ser negro e ex-escravizado no Brasil do Século 19. Ele acabou aceitando uma vaga no chamado corpo policial, primeiro como porteiro da delegacia e, depois, como escrivão e amanuense, função dada à pessoa que escreve os documentos à mão.
“Um escravo liberto e novo como ele, apesar de alfabetizado, não tinha emprego. Então, ele entrou para o corpo policial e ganhava bem pouco”, contou Marcelo Quintanilha.
Foi nesse cargo, considerado de confiança, que sua luta a favor do abolicionismo ganhou força. Com acesso aos passaportes de negros escravizados, Gama pôde constatar que muitos deles eram africanos trazidos ilegalmente para o Brasil. Na época, o tráfico de pessoas escravizadas já havia sido proibido.
“Quando vinha o dono dos escravizados pedir o passaporte [na delegacia], ele notava que o escravizado era muito novo e não falava nem português. Ele perguntava de onde [o escravizado] era e, então, [Gama entendia que] era um escravo ilegal, contrabandeado”, afirmou.
Nesses casos, Gama não entregava o passaporte e apreendia a pessoa escravizada, para que não permanecesse com quem se intitulava dono de forma ilegal.
“Como o delegado, o chefe dele, era permissivo, esses escravizados acabaram se tornando libertos. Aí, ele foi criando inimizades, pegando [escravizados] de gente poderosa”, explicou.
A partir desse trabalho, o abolicionista começou a fazer os registros dessas pessoas, e elas passaram a ter uma identidade no país. Essa atuação resultou em sua expulsão da polícia, em 1869.
Segundo o pesquisador, tudo está documentado em um livro escrito por Luiz Gama, com a lista de 123 africanos livres. O livro é um dos documentos importantes que estão no dossiê da candidatura na Unesco e faz parte do acervo do Apesp.
“Foi feito à mão por ele. A gente nota que ele se esforçou muito na descrição, para contar a história desses escravos. É muito interessante o livro”, apontou.
Quintanilha destacou que, para incluir pessoas escravizadas que tinham sido contrabandeadas, Luiz Gama fez uma interpretação do que significava o conceito de cidadão.
“Ele era um jurista muito inteligente. Criava soluções naquela sociedade conservadora que, até então, ninguém tinha aventado”, concluiu.
O advogado e pesquisador da história do abolicionista Bruno Rodrigues de Lima destacou outra luta de Luiz Gama que ficou conhecida como a Questão Netto, considerada por historiadores como a maior ação coletiva de libertação de escravizados das Américas.
O processo tratava da liberdade de pessoas que constavam como patrimônio do comendador português Manoel Joaquim Ferreira Netto, um dos homens mais ricos do Império. Ao fazer o testamento, o escravista determinou a libertação de 217 escravizados após a sua morte.
Ao saber disso, Gama procurou verificar se a ordem tinha sido cumprida e teve que enfrentar uma batalha com a família do comendador, que disputava os bens dele e não queria dar liberdade às pessoas escravizadas.
Bruno Lima analisou os documentos guardados no Arquivo Público do Estado de São Paulo que desvendaram a atuação de Gama para a libertação e identificação desses escravizados.
Esse trabalho contribuiu para embasar a candidatura que, em 2025, conquistou o registro do Comitê Regional para a América Latina e o Caribe (MoWLAC) da Unesco. Agora, a pesquisa também serve de base para a candidatura mundial.
O reconhecimento da Unesco aos documentos, segundo Lima, representa muito para o Brasil, porque será a primeira vez que uma obra abolicionista do país que mais teve pessoas escravizadas no mundo será incluída.
“Uma obra abolicionista é uma obra de afirmação da liberdade, da emancipação humana e da igualdade entre todos e todas em um país que mais afirmou o contrário disso. A desigualdade, a violência e a escravização, que, no limite, é a forma mais brutal de exploração do homem e da mulher”, observou.
Bruno é autor de Luiz Gama contra o Império: a luta pelo direito no Brasil da Escravidão e organizador dos 11 volumes das Obras Completas de Luiz Gama. Em 2024, ganhou o Prêmio Jabuti Acadêmico, categoria Direito, com o volume Direito, 1870-1875, um dos 11 que compõem Obras Completas de Luiz Gama.
Dez anos depois do início do projeto, Débora foi reconhecida como a professora mais influente do mundo, em nova categoria da premiação. Convidada para a edição 2026, realizada em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, a educadora recebeu o prêmio Global Teacher Influencer of the Year, um reconhecimento por sua trajetória docente que extrapola o cotidiano escolar. Na última quinta-feira (11), a professora voltou a ser homenageada, com o Prêmio Faz Diferença 2025, na categoria Educação, em cerimônia na Casa Firjan, no Rio de Janeiro.
Em entrevista à Agência Brasil, Débora Garofalo contou sobre a origem do projeto, os obstáculos e as conquistas decorrentes desse trabalho. Ela compartilhou também sua visão sobre o uso de tecnologia no processo de aprendizagem de crianças e jovens, e como isso não depende necessariamente de telas.
Agência Brasil: Como você começou o projeto de robótica na escola pública em que trabalhava?
Débora Garofalo: O projeto de robótica com sucata nasceu no ano de 2015, na EMEF [Escola Municipal de Ensino Fundamental] Almirante Ary Parreiras, que é uma escola concentrada entre quatro grandes favelas da cidade de São Paulo, com alto índice de violência, alto índice de tráfico de drogas. Ali, também enxerguei a oportunidade de sair da minha zona de conforto, como uma professora de língua portuguesa, para me candidatar a uma vaga de tecnologia e inovação que tinha surgido.
Eu fui com esse olhar, de ressignificar aquele território educativo, trabalhando com programação e robótica. A partir disso, fiz uma avaliação com a escola inteira e me surpreendi, porque 70% dos estudantes relataram que o lixo era um problema na vida deles, que impedia essas crianças de chegar à escola e trazia doenças como dengue e leptospirose. Diante daquele cenário, eu falei: “Bom, eu só tenho dois caminhos. Ou vou me lamentar ou eu vou pegar esse lixo como objeto de conhecimento. Eu preferi a segunda opção, mesmo sabendo que ia dar muito trabalho.
O primeiro protótipo que nós fizemos virou uma febre na escola. Era um carrinho [feito] com o lixo que a gente retirou da rua, utilizando uma bexiga e a lei da física, a Terceira Lei de Newton. No dia seguinte, uma colega bateu assim no meu ombro e falou: “Débora, eu não sei o que você fez com as crianças ontem, mas ali fora tem um monte de criança com tampinha, com rolinho, com bexiga, falando que quer ter aula com a professora de robótica”. Eu soube que tinha encontrado um caminho, só precisava ser lapidado.
Agência Brasil: Como vocês alcançaram o envolvimento dos responsáveis e da comunidade?
Débora Garofalo: A gente fazia uma feira de tecnologias, que era uma forma de integrar a comunidade. Nossa última feira, que foi em 2019, tinha mais de 500 pessoas. Para as crianças, foi o máximo. Tinha desde pipoqueira feita com latinha a protótipos incríveis, como filtro de água e sensor para avisar aos moradores que o córrego ia transbordar. Foram coisas fantásticas. Então, as crianças começaram a criar uma cultura diferenciada.
Em três anos e meio de trabalho, a gente saltou no Ideb da escola, nos anos finais, de 4,2 para 5,2, que era a média do país na época. Nós retiramos mais de uma tonelada de lixo das ruas e transformamos em diferentes protótipos. Reduzimos a evasão escolar em 93%, olhando para as crianças com potencial de risco e trazendo para a escola, para que elas ficassem comigo o dia inteiro, ajudando as outras crianças a desenvolverem seus projetos. E, para isso, elas recebiam alimentação e um certificado de voluntariado.
Nós reduzimos o trabalho infantil, que, para mim, era um ponto essencial, em 95%. Comecei também a fazer um trabalho, trazendo o setor público, trazendo o juiz para dentro da escola, para conscientizar os familiares da importância de não haver esse tipo de situação. Então, foi um trabalho que impactou realmente toda aquela comunidade.
Agência Brasil: Como o projeto se tornou política pública em São Paulo?
Débora Garofalo: Eu aceitei o convite para ir para a Secretaria Estadual de Educação para tornar esse trabalho currículo do Estado de São Paulo e implementar para 5,4 mil escolas e 3,7 milhões de estudantes. Foi um desafio muito grande, porque eu não queria que os professores recolhessem o lixo nas ruas como eu, mas eu queria que eles trabalhassem com essa questão do material por entender o poder da criatividade, e a importância disso para o processo de ensino-aprendizagem.
Só que, estando ali no estado, a gente entendeu que dava para fazer muito mais coisas. Começamos a criar uma prática que chamamos de Expo Movimento Inova, que reuniu os estudantes de todo o estado. Ali, percebemos que o currículo precisava ter a cara dos estudantes, para que a rede tivesse esse pertencimento.
Criamos uma outra política pública integrada a isso, que é o Centro de Inovação da Educação Básica Paulista. Eram escolas ociosas, com grande risco de fechar por questões demográficas. Transformamos em centros de inovação, para que as crianças também tivessem um local onde elas pudessem pensar coisas diferentes, produzir os seus projetos. Em 2022, eu deixei o estado com 18 dessas unidades, mais uma carreta móvel que circulava pelo estado de São Paulo e um currículo de tecnologia e inovação que foi pioneiro, antes da BNCC [Base Nacional Comum Curricular] da Computação.
Então, eu fui para o Rio de Janeiro, porque eles criaram um projeto muito parecido, mas que faltava estruturar, que são GETs [Ginásios Educacionais Tecnológicos]. Fiquei dois anos e nós lançamos 300 escolas vocacionadas ao uso de tecnologia e inovação. Depois disso, eu comecei a apoiar, através de formação docente e de consultoria, outros estados e municípios.
Agência Brasil: E ainda veio uma surpresa do Global Teacher Prize este ano?
Débora Garofalo: Eu estava em casa bem quietinha este ano, porque para mim eu já atingi o meu máximo, sabe? Agora, é só continuar a trabalhar, continuar essa militância. Aí, eu recebi uma ligação de madrugada, em um sábado. A pessoa insistiu, 3h da manhã, e eu atendi. Eram os organizadores do prêmio, falando que eu tinha que ir para Dubai. Falei: “Não. Não vou. Não tem nada comprado, este ano não fui convidada”. Disseram: “A gente já comprou a passagem para você, você pega o avião agora uma hora da tarde. Você vai ter um reconhecimento”.
Quando cheguei lá e me deram a programação do prêmio, eu já imaginava. Eles fizeram um jantar muito bonito para reconhecer os professores. No final, começaram a falar do meu trabalho, veio uma luz na minha cabeça, todo mundo olhando para mim. Imagina um auditório, um jantar de 1 mil pessoas, e todo mundo olhando para você. Eles fizeram um júri internacional, era uma categoria nova, o Global Teacher Influencer. Então, eu estava sendo reconhecida pelo impacto do meu trabalho fora da sala de aula, por ter causado todo esse impacto como política pública, e eu fui a primeira a receber esse prêmio. Eu desabei.
Eu estava no mesmo lugar de 2019, mesmo hotel. Eu vou confessar para você que eu estava com a mesma roupa. Passou um filme na minha cabeça, sabe? Naquele momento, eu me senti muito feliz, porque eu não estava ali sozinha. Eu estava com todos os professores brasileiros, com todos os estudantes que diariamente lutam.
Agência Brasil: Quais os obstáculos para que as escolas utilizem a tecnologia em favor da educação?
Débora Garofalo: Estamos num momento especial no nosso país, em que temos um documento norteador, que é a BNCC e agora a BNCC da Computação. Esse documento foi aprovado em 2022, nós estamos em 2026, com a obrigatoriedade de fazer este ano, e os professores não sabem como fazer. Por quê? Se a gente olha os dados, as secretarias não têm suporte técnico, não têm recursos, não têm infraestrutura, não têm equipe técnica, não têm como fazer formação. Temos que evoluir nesses quesitos.
Por outro lado, a tecnologia chega muito rápido na sala de aula. Esses meninos que estão nascendo, já nascem conectados. O que falta? Trazer esse aporte na educação para a gente falar de criticidade, de ética, de responsabilidade. Não dá mais para deixar a tecnologia do lado de fora da sala de aula, é impossível.
Para mim, só proibir celular na sala de aula é um tiro no pé. A gente proibiu o celular porque era muito mais fácil, mas isso não vai resolver o problema da educação. O que resolveria? Trazer uma educação midiática para dentro da sala de aula, ou seja, formar professores para isso e os professores poderem então formar os estudantes para essa concepção.
A tecnologia por si só não resolve o problema, porque ela precisa vir acompanhada de resoluções de problemas, de amabilidade. O estudante precisa passar por erro, por processo de frustração, e é isso que a educação 5.0 vai falar, que a gente precisa humanizar esse processo, trabalhar essas habilidades e competências socioemocionais.
Agência Brasil: O uso de tecnologia na escola não está necessariamente atrelado ao uso de telas em sala de aula, é isso?
Débora Garofalo: Eu queria desmistificar. Vou te dar exemplos práticos: São Paulo tem um tablet para cada estudante. Resolveu o problema da educação e melhorou os índices de aprendizagem? Não. Por quê? Porque isso não está atrelado à questão da intencionalidade pedagógica. A crítica que eu faço não é sobre a questão de ter ou não infraestrutura. Eu vou sempre brigar, até como gestora pública, para que a gente tenha infraestrutura. O ponto que eu quero chegar é a intencionalidade que vai chegar na ponta.
Muitas coisas você faz por atitude. Eu comecei a trabalhar com os meus estudantes, eu não tinha conhecimento, eu queria trabalhar programação, robótica, sem ter um kit específico. Onde eu encontrei a solução? No próprio problema que eles trouxeram. O lixo foi uma solução e abriu portas para que a gente pudesse trabalhar de maneira diferenciada. O que a gente precisa muitas vezes é olhar para o lado e entender que o simples funciona.
Agência Brasil: Você lançou o livro Robótica com Sucata - Uma aventura pela criatividade, pela editora Moderna. Como foi o processo de construção desse almanaque?
Débora Garofalo: O livro foi uma grande alegria, porque muitos professores perguntavam: "como eu aplico o seu projeto em sala de aula?" A ideia foi criar um livro muito “mão na massa”, mas que trouxesse também a questão da leitura e da literatura, para que o estudante pudesse percorrer momentos da história [da ciência].
O livro é uma forma de democratizar um pouco mais esse acesso para meninos e meninas, e entender que eles podem transformar um copo, por exemplo, em um abajur. Essa é a proposta, [mostrar] que a criança pode desmontar um brinquedo e utilizar as peças para criar um robô.
A gente passou muito tempo com uma educação tradicional passiva. E a gente sabe que a aprendizagem, para ser efetiva, ela precisa ser ativa. Para isso, o estudante tem que errar, tem que idealizar, tem que construir, tem que testar, tem que colaborar. Por isso, é tão importante uma educação mão na massa.
O livro traz várias reflexões de como pegar os problemas e transformar em soluções. Deu tão certo, que a gente lançou o primeiro livro Robótica com Sucata e foi um sucesso. Saiu o segundo livro e, vou dar um spoiler, no segundo semestre chega o terceiro.
Dez anos depois do início do projeto, Débora foi reconhecida como a professora mais influente do mundo, em nova categoria da premiação. Convidada para a edição 2026, realizada em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, a educadora recebeu o prêmio Global Teacher Influencer of the Year, um reconhecimento por sua trajetória docente que extrapola o cotidiano escolar. Na última quinta-feira (11), a professora voltou a ser homenageada, com o Prêmio Faz Diferença 2025, na categoria Educação, em cerimônia na Casa Firjan, no Rio de Janeiro.
Em entrevista à Agência Brasil, Débora Garofalo contou sobre a origem do projeto, os obstáculos e as conquistas decorrentes desse trabalho. Ela compartilhou também sua visão sobre o uso de tecnologia no processo de aprendizagem de crianças e jovens, e como isso não depende necessariamente de telas.
Agência Brasil: Como você começou o projeto de robótica na escola pública em que trabalhava?
Débora Garofalo: O projeto de robótica com sucata nasceu no ano de 2015, na EMEF [Escola Municipal de Ensino Fundamental] Almirante Ary Parreiras, que é uma escola concentrada entre quatro grandes favelas da cidade de São Paulo, com alto índice de violência, alto índice de tráfico de drogas. Ali, também enxerguei a oportunidade de sair da minha zona de conforto, como uma professora de língua portuguesa, para me candidatar a uma vaga de tecnologia e inovação que tinha surgido.
Eu fui com esse olhar, de ressignificar aquele território educativo, trabalhando com programação e robótica. A partir disso, fiz uma avaliação com a escola inteira e me surpreendi, porque 70% dos estudantes relataram que o lixo era um problema na vida deles, que impedia essas crianças de chegar à escola e trazia doenças como dengue e leptospirose. Diante daquele cenário, eu falei: “Bom, eu só tenho dois caminhos. Ou vou me lamentar ou eu vou pegar esse lixo como objeto de conhecimento. Eu preferi a segunda opção, mesmo sabendo que ia dar muito trabalho.
O primeiro protótipo que nós fizemos virou uma febre na escola. Era um carrinho [feito] com o lixo que a gente retirou da rua, utilizando uma bexiga e a lei da física, a Terceira Lei de Newton. No dia seguinte, uma colega bateu assim no meu ombro e falou: “Débora, eu não sei o que você fez com as crianças ontem, mas ali fora tem um monte de criança com tampinha, com rolinho, com bexiga, falando que quer ter aula com a professora de robótica”. Eu soube que tinha encontrado um caminho, só precisava ser lapidado.
Agência Brasil: Como vocês alcançaram o envolvimento dos responsáveis e da comunidade?
Débora Garofalo: A gente fazia uma feira de tecnologias, que era uma forma de integrar a comunidade. Nossa última feira, que foi em 2019, tinha mais de 500 pessoas. Para as crianças, foi o máximo. Tinha desde pipoqueira feita com latinha a protótipos incríveis, como filtro de água e sensor para avisar aos moradores que o córrego ia transbordar. Foram coisas fantásticas. Então, as crianças começaram a criar uma cultura diferenciada.
Em três anos e meio de trabalho, a gente saltou no Ideb da escola, nos anos finais, de 4,2 para 5,2, que era a média do país na época. Nós retiramos mais de uma tonelada de lixo das ruas e transformamos em diferentes protótipos. Reduzimos a evasão escolar em 93%, olhando para as crianças com potencial de risco e trazendo para a escola, para que elas ficassem comigo o dia inteiro, ajudando as outras crianças a desenvolverem seus projetos. E, para isso, elas recebiam alimentação e um certificado de voluntariado.
Nós reduzimos o trabalho infantil, que, para mim, era um ponto essencial, em 95%. Comecei também a fazer um trabalho, trazendo o setor público, trazendo o juiz para dentro da escola, para conscientizar os familiares da importância de não haver esse tipo de situação. Então, foi um trabalho que impactou realmente toda aquela comunidade.
Agência Brasil: Como o projeto se tornou política pública em São Paulo?
Débora Garofalo: Eu aceitei o convite para ir para a Secretaria Estadual de Educação para tornar esse trabalho currículo do Estado de São Paulo e implementar para 5,4 mil escolas e 3,7 milhões de estudantes. Foi um desafio muito grande, porque eu não queria que os professores recolhessem o lixo nas ruas como eu, mas eu queria que eles trabalhassem com essa questão do material por entender o poder da criatividade, e a importância disso para o processo de ensino-aprendizagem.
Só que, estando ali no estado, a gente entendeu que dava para fazer muito mais coisas. Começamos a criar uma prática que chamamos de Expo Movimento Inova, que reuniu os estudantes de todo o estado. Ali, percebemos que o currículo precisava ter a cara dos estudantes, para que a rede tivesse esse pertencimento.
Criamos uma outra política pública integrada a isso, que é o Centro de Inovação da Educação Básica Paulista. Eram escolas ociosas, com grande risco de fechar por questões demográficas. Transformamos em centros de inovação, para que as crianças também tivessem um local onde elas pudessem pensar coisas diferentes, produzir os seus projetos. Em 2022, eu deixei o estado com 18 dessas unidades, mais uma carreta móvel que circulava pelo estado de São Paulo e um currículo de tecnologia e inovação que foi pioneiro, antes da BNCC [Base Nacional Comum Curricular] da Computação.
Então, eu fui para o Rio de Janeiro, porque eles criaram um projeto muito parecido, mas que faltava estruturar, que são GETs [Ginásios Educacionais Tecnológicos]. Fiquei dois anos e nós lançamos 300 escolas vocacionadas ao uso de tecnologia e inovação. Depois disso, eu comecei a apoiar, através de formação docente e de consultoria, outros estados e municípios.
Agência Brasil: E ainda veio uma surpresa do Global Teacher Prize este ano?
Débora Garofalo: Eu estava em casa bem quietinha este ano, porque para mim eu já atingi o meu máximo, sabe? Agora, é só continuar a trabalhar, continuar essa militância. Aí, eu recebi uma ligação de madrugada, em um sábado. A pessoa insistiu, 3h da manhã, e eu atendi. Eram os organizadores do prêmio, falando que eu tinha que ir para Dubai. Falei: “Não. Não vou. Não tem nada comprado, este ano não fui convidada”. Disseram: “A gente já comprou a passagem para você, você pega o avião agora uma hora da tarde. Você vai ter um reconhecimento”.
Quando cheguei lá e me deram a programação do prêmio, eu já imaginava. Eles fizeram um jantar muito bonito para reconhecer os professores. No final, começaram a falar do meu trabalho, veio uma luz na minha cabeça, todo mundo olhando para mim. Imagina um auditório, um jantar de 1 mil pessoas, e todo mundo olhando para você. Eles fizeram um júri internacional, era uma categoria nova, o Global Teacher Influencer. Então, eu estava sendo reconhecida pelo impacto do meu trabalho fora da sala de aula, por ter causado todo esse impacto como política pública, e eu fui a primeira a receber esse prêmio. Eu desabei.
Eu estava no mesmo lugar de 2019, mesmo hotel. Eu vou confessar para você que eu estava com a mesma roupa. Passou um filme na minha cabeça, sabe? Naquele momento, eu me senti muito feliz, porque eu não estava ali sozinha. Eu estava com todos os professores brasileiros, com todos os estudantes que diariamente lutam.
Agência Brasil: Quais os obstáculos para que as escolas utilizem a tecnologia em favor da educação?
Débora Garofalo: Estamos num momento especial no nosso país, em que temos um documento norteador, que é a BNCC e agora a BNCC da Computação. Esse documento foi aprovado em 2022, nós estamos em 2026, com a obrigatoriedade de fazer este ano, e os professores não sabem como fazer. Por quê? Se a gente olha os dados, as secretarias não têm suporte técnico, não têm recursos, não têm infraestrutura, não têm equipe técnica, não têm como fazer formação. Temos que evoluir nesses quesitos.
Por outro lado, a tecnologia chega muito rápido na sala de aula. Esses meninos que estão nascendo, já nascem conectados. O que falta? Trazer esse aporte na educação para a gente falar de criticidade, de ética, de responsabilidade. Não dá mais para deixar a tecnologia do lado de fora da sala de aula, é impossível.
Para mim, só proibir celular na sala de aula é um tiro no pé. A gente proibiu o celular porque era muito mais fácil, mas isso não vai resolver o problema da educação. O que resolveria? Trazer uma educação midiática para dentro da sala de aula, ou seja, formar professores para isso e os professores poderem então formar os estudantes para essa concepção.
A tecnologia por si só não resolve o problema, porque ela precisa vir acompanhada de resoluções de problemas, de amabilidade. O estudante precisa passar por erro, por processo de frustração, e é isso que a educação 5.0 vai falar, que a gente precisa humanizar esse processo, trabalhar essas habilidades e competências socioemocionais.
Agência Brasil: O uso de tecnologia na escola não está necessariamente atrelado ao uso de telas em sala de aula, é isso?
Débora Garofalo: Eu queria desmistificar. Vou te dar exemplos práticos: São Paulo tem um tablet para cada estudante. Resolveu o problema da educação e melhorou os índices de aprendizagem? Não. Por quê? Porque isso não está atrelado à questão da intencionalidade pedagógica. A crítica que eu faço não é sobre a questão de ter ou não infraestrutura. Eu vou sempre brigar, até como gestora pública, para que a gente tenha infraestrutura. O ponto que eu quero chegar é a intencionalidade que vai chegar na ponta.
Muitas coisas você faz por atitude. Eu comecei a trabalhar com os meus estudantes, eu não tinha conhecimento, eu queria trabalhar programação, robótica, sem ter um kit específico. Onde eu encontrei a solução? No próprio problema que eles trouxeram. O lixo foi uma solução e abriu portas para que a gente pudesse trabalhar de maneira diferenciada. O que a gente precisa muitas vezes é olhar para o lado e entender que o simples funciona.
Agência Brasil: Você lançou o livro Robótica com Sucata - Uma aventura pela criatividade, pela editora Moderna. Como foi o processo de construção desse almanaque?
Débora Garofalo: O livro foi uma grande alegria, porque muitos professores perguntavam: "como eu aplico o seu projeto em sala de aula?" A ideia foi criar um livro muito “mão na massa”, mas que trouxesse também a questão da leitura e da literatura, para que o estudante pudesse percorrer momentos da história [da ciência].
O livro é uma forma de democratizar um pouco mais esse acesso para meninos e meninas, e entender que eles podem transformar um copo, por exemplo, em um abajur. Essa é a proposta, [mostrar] que a criança pode desmontar um brinquedo e utilizar as peças para criar um robô.
A gente passou muito tempo com uma educação tradicional passiva. E a gente sabe que a aprendizagem, para ser efetiva, ela precisa ser ativa. Para isso, o estudante tem que errar, tem que idealizar, tem que construir, tem que testar, tem que colaborar. Por isso, é tão importante uma educação mão na massa.
O livro traz várias reflexões de como pegar os problemas e transformar em soluções. Deu tão certo, que a gente lançou o primeiro livro Robótica com Sucata e foi um sucesso. Saiu o segundo livro e, vou dar um spoiler, no segundo semestre chega o terceiro.
Agentes de la Guardia Civil han detenido a seis motoristas por conducción temeraria en grupo en la A-7, en la provincia de Valencia, según ha informado el Instituto Armado en un comunicado. Sobre las 18 horas de este sábado se recibieron numerosos avisos de ciudadanos a través del 112 informando la circulación temeraria de un grupo de unas 25 motocicletas, la mayoría sin matrícula, con grave riesgo de ocasionar siniestros viales. Los motoristas estaban realizando “caballitos” y reteniendo la circulación en la A-7, a la altura de Torrent.

Hemos recibido al papa León XIV, que ha venido a confirmarnos en la fe, la esperanza y la caridad. Nos ha dado nueva vida. Nos ha animado a seguir creyendo que Dios nos propone un camino de comunión fraterna y de entrega, y que lo hace en la persona de su Hijo Jesucristo.

La admiración exige el desconocimiento de la persona idolatrada. Escudriñado de cerca, quien es objeto de veneración siempre defrauda. El último ejemplo de esta ley de la gravedad del comportamiento humano se vive estos días en la carne de los zapaterófilos. La imagen de papa laico que tenían del expresidente español, superior moralmente a todo ser viviente, representante en la tierra de la bondad más pura negada a los demás, ha quedado pulverizada.




