Nvidia lança “superchip” para portáteis
Nos últimos anos, as apresentações de Jensen Huang, CEO da Nvidia, obedeciam a um guião previsível: revelar semicondutores, software e sistemas cada vez mais avançados para alimentar aplicações de inteligência artificial em centros de dados. No início deste mês, Huang aproveitou a Computex, uma feira anual da indústria tecnológica realizada em Taiwan, para apresentar uma nova frente de expansão.
Apresentou o RTX Spark, um chip para computadores pessoais (PCs) que será lançado ainda este ano, desenvolvido em colaboração com a Microsoft. A Nvidia está a desafiar a Intel e a AMD, os fabricantes de chips que dominam este segmento, apostando que a próxima fase da IA não se desenrolará apenas nos centros de dados, mas também nos dispositivos de ponta (“edge devices”).
Nos últimos anos, os PCs têm sido um dos setores menos dinâmicos da tecnologia. O Evercore, banco de investimento, estima que, na última década, as vendas unitárias de chips para computadores de secretária caíram 4% ao ano, enquanto as destinadas a portáteis permaneceram praticamente estáveis. O que está a renovar o interesse é o surgimento da IA “agêntica” (“agentic AI”), um software capaz de realizar tarefas complexas de forma autónoma.
A Nvidia argumenta que isso exigirá um novo tipo de máquina. Os PCs dependem de unidades centrais de processamento (CPUs), chips de uso geral que executam tarefas que vão desde o processamento de texto até à navegação na internet. As CPUs podem coordenar o trabalho dos agentes de IA, mas os modelos em que esses agentes se apoiam necessitam de outro tipo de chip: as unidades de processamento gráfico (GPUs), um mercado amplamente dominado pela Nvidia. Com o RTX Spark, a empresa combina os dois tipos de processadores num “superchip”. Segundo Huang, o resultado é a reinvenção do PC pela primeira vez em 40 anos, substituindo o modelo tradicional — em que os seres humanos faziam a maior parte dos cliques e da escrita — por outro em que agentes de IA executam grande parte do trabalho.


