Rui Rodrigues enaltece “mística vitoriana” e conhecimento de Fernando Meira
O candidato da lista D às eleições do Vitória SC, Rui Rodrigues, acredita que a escolha do ex-jogador Fernando Meira para diretor desportivo vai conferir “mística vitoriana” no seio do futebol e conhecimento do ‘mercado’.
O ainda vice-presidente na direção demissionária liderada por António Miguel Cardoso crê que o antigo internacional português, que, em Portugal, jogou no Vitória e no Benfica, vai transmitir a “mística” desde os benjamins à equipa principal, caso a candidatura ‘Conquistar o futuro’ vença o sufrágio de sábado.
“Sabe como o Vitória funciona, conhece perfeitamente a mística vitoriana. É a personificação do que queremos para o projeto, porque é aquela pessoa que veio da base até à equipa A do Vitória, incorporando todo o conhecimento desportivo do futebol moderno e do ‘mercado’. Estou muito feliz por ter o Fernando Meira ao nosso lado”, realçou, em entrevista à Lusa.
A contratação do antigo defesa de 48 anos, hoje agente de jogadores, visa “potenciar os valores da formação”, que Rui Rodrigues quer ver responsável por cerca de 50% das futuras equipas e também reconhecer a experiência necessária para completar os plantéis.
“Poderá haver alterações na forma de recrutamento dos atletas. Vamos definir uma estratégia com procedimentos e regras para a contratação de um atleta. Eu e o Fernando Meira teremos a palavra final depois de recolhermos todas as informações do ‘scouting’”, completa.
Ligado aos órgãos sociais do Vitória nos últimos quatro anos, primeiro como vice-presidente do conselho fiscal e, a partir de 2024, como vice-presidente do clube, além de administrador da SAD, confessa que a demissão de António Miguel Cardoso, anunciada em 14 de abril, foi “um choque muito grande”.
“O meu pior dia como dirigente foi a conferência de imprensa da demissão e da não recandidatura. Como é óbvio, isso cria-nos um período difícil em que ainda estamos a assimilar a decisão. No momento da conferência de imprensa, mal saí da sala, comecei logo a ser abordado porque seria uma oportunidade e eu poderia ser uma pessoa com capacidades para me candidatar”, recorda.
Responsável pela área financeira na SAD, o candidato realça que o emblema vimaranense se confronta com um passivo elevado desde 2021, que advém da presidência de Miguel Pinto Lisboa – era de 61,7 milhões de euros (ME) no final de 2020/21 – mas que, apesar desse fardo, está mais forte no futebol profissional e na formação.
Ciente de que o passivo da SAD ronda os 75 ME, após contabilizado o valor da transferência do médio Diogo Sousa para os franceses do Estrasburgo, selada por 11 ME, Rui Rodrigues estima que esse passivo tenha subido ao longo da época pela opção da administração em não vender em janeiro de 2026, e projeta “contas no verde” em 30 de junho.
O ‘rosto’ da lista D estima igualmente que o passivo de curto prazo, que tem de ser pago num prazo de 12 meses, se encontra em cerca de 47 ME, afirma estar prevista uma restruturação de cerca de 25 ME de dívida para um prazo entre seis e sete anos e esclarece que o empréstimo contraído junto do grupo norte-americano MSD, com juros de 11%, vai ser pago com dinheiro oriundo das transferências, a partir de 01 de julho.
Presente em todo o processo que liga o Vitória de Guimarães e o fundo V Sports, desde a aquisição de 46% da SAD pelo proprietário do Aston Villa em março de 2023 à redução da sua participação para 29% em junho de 2023, por imposição da UEFA, Rui Rodrigues considera possível aprofundar a parceria.
“Se ganharmos as eleições, vamos ter uma participação completamente diferente com eles. Não queremos dinheiro. O único aporte financeiro é um aporte que nos possa ajudar a reter algum valor, para potenciá-lo mais e não ter necessidade de o vender, tendo em conta as necessidades correntes do Vitória”, antecipa, considerando “inegociável” a venda da maioria da SAD pelo emblema vitoriano.
Essa parceria também pode abarcar a futura academia do clube a oeste da cidade, com Rui Rodrigues a avisar que é difícil estimar prazos para a sua construção, face à incerteza em torno da data em que os terrenos estarão disponíveis.
Sem revelar a posição quanto à continuidade de Gil Lameiras no comando técnico do plantel principal do Vitória, o ‘rosto’ da lista D ambiciona uma equipa que lutar sempre pelos cinco primeiros lugares da I Liga e ambicione sempre as finais, da Taça de Portugal ou da Taça da Liga.
Rui Rodrigues promete ainda apostar no alto rendimento dos jogadores, com otimização “da ’performance’, da medicina, do ‘scouting’, dos metadados, da nutrição e da psicologia”, trabalhar para o Vitória atingir os 40 mil sócios e investir cerca de cinco milhões de euros na melhoria do Estádio D. Afonso Henriques, em parceria com uma instituição financeira.
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