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Diz-me com quem chegas, dir-te-ei para onde vais

26 March 2026 at 18:52

O Chega entrou na vida política portuguesa dizendo-se um partido diferente. Tinha vindo para, entre outras, acabar com a corrupção, com os amiguismos, com a bandalheira, com a “bandidagem”, assim, nesta linguagem de tasca que resolveu importar até ao parlamento e que, ao que parece, rende votos…
Sucederam-se casos atrás de casos, dos mais graves e sérios às tragicomédias das malas e outros quejandos. Apesar do somatório de polémicas e anedotas, o partido lá foi sobrevivendo e consolidando poder. Até então o povo sempre encarou – ou quis encarar – como casos isolados ou, se preferirmos, falhas pessoais, separando os homens dos políticos.
Entramos agora, numa nova era. O Chega é poder (ou tem poder) nalgumas autarquias, pelo que os pecados, os erros, as incompatibilidades e as acções deixam de ser dos homens (na sua abstracção) e passam a ser dos eleitos. Deixam de poder lutar contra o sistema, de apontar o dedo, de propalar a diferença e de querer acabar com a bandalheira se se comportarem exactamente como os outros. É a prova do algodão – e que começa já com manchas!
Bruno Mascarenhas é o exemplo mais recente – e talvez o mais elucidativo! – e que trará um rombo sério ao partido, ao ponto de Rita Matias exigir a sua demissão e colocar André Ventura em cheque. É que não está em causa apenas o que fazer. Está em causa uma escolha pessoal do líder como o candidato à Câmara de Lisboa. O juízo, ou a falta dele, das suas qualidades pessoais, da sua ética, dos seus valores.
E isto, à semelhança de tantas outras demissões dos eleitos do Chega que se vão sucedendo por esse país fora, levantam a ponta do véu: não se trata de convicções, de crenças, de novas formas de fazer política. Trata-se do refugo dos outros partidos, daqueles que, por falta de capacidade, de competência, de seriedade ou de espinha dorsal, jamais vingariam, encontrando aqui terreno fértil para a sua mesquinhez e ambições pessoais. Assim que as alcançam renegam o partido como Pedro renegou Cristo!
E a safra ainda vai no início…

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