O PSB usa o Brasil para pressionar por apoio em Pernambuco
A relação entre PT e PSB em Pernambuco não é complicada por acidente ou por capricho. Ela é difícil por cálculo feito de lado a lado. O que parece uma disputa local sobre quem Lula vai abraçar de verdade no estado é, na prática, um único capítulo de uma negociação nacional maior que só terá desfecho nas convenções. O PSB sabe disso e por isso pressiona.
João Campos quer uma coisa simples e custosa para os petistas: que o PT diga, sem ambiguidade, que ele é o candidato do campo lulista em Pernambuco, sem palanque duplo com Raquel Lyra (PSD). O PT não pode dizer isso sem custo para Lula e para o projeto nacional. Porque toda concessão que faz ao PSB num estado cria precedente para o que vai negociar nos outros. E há muita negociação em aberto ainda.
O PSB nacional, presidido pelo próprio Campos, negocia simultaneamente em pelo menos seis estados onde a relação com o PT ainda não está resolvida. A indefinição nesses fronts é a munição que o partido usa para manter a pressão sobre Brasília.
O mapa das tensões
Em São Paulo, o PT vai às urnas com Haddad (PT) e ainda discute se Márcio França (PSB) entra como vice ou disputa o Senado. O PSB quer o Senado. O PT quer que ele fique na vice.
Em Minas Gerais, o projeto original desmoronou. Rodrigo Pacheco havia trocado o PSD pelo PSB para viabilizar uma candidatura ao Palácio Tiradentes como nome de consenso com Lula, mas desistiu no fim de maio e anunciou saída da política. O PSB decidiu lançar candidato próprio, com quatro nomes em avaliação que os petistas não aceitam. PT e PSB seguem sem acordo no segundo maior colégio eleitoral do país.
No Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB) renunciou ao governo para concorrer ao Senado e passou a apoiar Ricardo Ferraço (MDB) como seu sucessor. O PT mantém a candidatura própria de Helder Salomão (PT). O PSB discute internamente se apoia Ferraço ou recua para preservar a aliança nacional com os petistas. Dois candidatos do mesmo campo em lados diferentes.
No Paraná, o PT decidiu apoiar Requião Filho (PDT), enquanto o PSB resiste à composição e avalia neutralidade. Terreno hostil para a esquerda e os dois partidos ainda não acharam o caminho juntos.
No Maranhão, a situação é nebulosa. O governador Carlos Brandão e o vice Felipe Camarão (PT) romperam. O PSB discute apoiar Eduardo Braide (PSD), mas pode rever a posição dependendo do que o PT decidir.
O DF como trunfo
O caso mais revelador é o do Distrito Federal. Lá, PT e PSB travam impasse em que os dois partidos podem efetivamente entrar em campo com nomes opostos na mesma disputa. O PT lançou Leandro Grass (PT). O PSB insiste em Ricardo Cappelli (PSB), ex-interventor federal na segurança pública após o 8 de janeiro. O PT não quer Capelli.
Os números explicam a resistência petista. Cappelli é desconhecido por 64% do eleitorado e aparece com 2,4% numa pesquisa espontânea recente. Grass, no mesmo levantamento, pontua 23,9%, praticamente empatado com o ex-governador Arruda em segundo lugar, atrás apenas de Celina Leão (PP), favorita à sucessão.
Se Cappelli desistir e o partido embarcar na chapa de Grass, o candidato petista no Distrito Federal ganha uma carga de palanque e financiamento que o coloca em posição real de segundo turno. O problema é que, se ceder, o PSB abre mão de uma candidatura com visibilidade nacional para ficar como vice num segundo lugar ou nem isso, já que não está descartada pelo PT uma aliança com Arruda também. É politicamente custoso aos socialistas. E é exatamente esse custo que o partido precisa transformar em moeda de troca em Pernambuco.
Agosto
Até as convenções partidárias, entre 20 de julho e 5 de agosto, PT e PSB vão manter o protocolo. O PT dirá que apoia João Campos em Pernambuco. O PSB entenderá isso como declaração de apoio exclusivo. A ambiguidade é funcional e proposital. Ela evita que Lula precise escolher entre Campos e Raquel antes de resolver o que fará em São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná, Maranhão e Distrito Federal.
Depois das convenções, o jogo será outro. As chapas estarão registradas, os palanques formalizados e a margem para o discurso dúbio vai desaparecer. Lula terá que subir num palanque ou no outro em Pernambuco. Ou nos dois, o que é bem provável.


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