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easyJet já contribuiu com 8,3 mil milhões para PIB algarvio e projeta criar base permanente

18 June 2026 at 02:00

A easyJet já teve um impacto de 8,3 mil milhões de euros na economia regional desde que começou a voar de e para Faro, em 1999. A celebrar agora os cinco anos da base de Verão no Algarve, um dos seus cinco mais importantes destinos sazonais na Europa, há ainda «muito potencial para explorar» e o objetivo é criar viabilidade para uma operação permanente.

A empresa celebrou ontem, quarta-feira, 17 de Junho, o 5º aniversário da sua base em Faro, juntando parceiros institucionais num almoço realizado num pomar, em parceria com a AlgarOrange – Associação de Operadores de Citrinos do Algarve, associando o laranja da sua cor a um dos produtos mais simbólicos da região.

Desde o início das suas operações em Faro, há 27 anos, a easyJet já transportou cerca de 27 milhões de passageiros, que expressam um «impacto brutal» na economia da região, evidenciado com outros números pelo diretor para Portugal da segunda companhia aérea mais importante a operar no Aeroporto Gago Coutinho.

«Neste momento, o nosso impacto anual no PIB da região é de 650 milhões de euros e, desde que começámos a voar, há 27 anos, o nosso contributo para o PIB da região já é superior a 8,3 mil milhões de euros», enquadrou aos jornalistas José Lopes.

Estes dados são fornecidos pela IATA – Associação Internacional de Transportes Aéreos e medem o impacto de cada passageiro na economia direta, através das receitas geradas diretamente para as companhias de aviação e aeroportos, e na economia indireta, nomeadamente junto da hotelaria e restauração.

«Este é um contributo muito importante, mas, logicamente, não é um caminho que fazemos sozinhos, fazemos lado a lado com os nossos parceiros regionais», destacou o responsável.

Em 2021, no meio «de uma pandemia, de uma crise muito difícil», quando havia companhias aéreas a cortar voos, a easyJet teve «uma ideia que parecia louca, para investir e crescer», criando uma base sazonal no Algarve, que reforçou o papel de «big-five, os cinco destinos de Verão mais importantes». Os outros quatro são em Espanha.

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Cinco anos depois, o balanço é positivo e, no Verão de 2026, já conta com uma oferta de 1,7 milhões de lugares – mais 3% do que no mesmo período do ano passado – e 18 rotas, uma delas em estreia neste ano (Faro-Newcastle).

«O projeto era agressivo, visionário, mas implementámos um pacote estratégico a cinco anos, a completar agora o seu primeiro ciclo, que entendemos como a decisão correta a tomar naquele momento. Faro liderou aquilo que foi a retoma e recuperação rápida da easyJet pós-pandemia», sustentou José Lopes.

No Aeroporto Gago Coutinho, a easyJet conta no Verão com um total de nove aeronaves, quatro delas baseadas, e no Inverno trabalha com cinco aviões, nenhum deles baseado, assegurando também 150 postos de trabalho diretos.

Para os próximos cinco anos, o objetivo será «continuar a esbater a dependência da sazonalidade», invertendo os fluxos que fazem de Faro «o aeroporto português que mais depende do tráfego inbound [visitantes], entre 95 a 98%».

«Temos de olhar seriamente para a tentativa de passar a ter uma base mais anual», disse José Lopes. Há muito «potencial por explorar», acrescentou, mas há um desafio que tem de ser ultrapassado «em conjunto com todos os parceiros», entre os quais aeroporto, Região de Turismo do Algarve e Turismo de Portugal.

«O desafio que nós temos, em conjunto, é explorar e descobrir oportunidades que sejam economicamente viáveis para desenvolver esse tipo de tráfego, aumentando a oferta durante o período de Inverno», para que a operação seja «rentável» durante todo o ano, argumentou José Lopes.

São exemplos as pessoas com segunda residência na região e os membros da diáspora algarvia, como emigrantes de segunda e terceira geração. «São as gerações de descendentes portugueses que vivem lá fora e podem ajudar a sustentar o destino no futuro», referiu.

Neste momento, «infelizmente, a conjuntura internacional não está do nosso lado e os custos de combustível subiram exponencialmente, mas queremos acreditar que, sendo alcançada a paz, estes preços comecem a baixar», vincou o diretor para Portugal da easyJet, reforçando que os futuros planos para o Algarve estão dependentes «da conjuntura internacional e da diversificação do turismo» na região.

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José Lopes

O responsável abordou ainda os problemas relacionados com a entrada em vigor do Sistema Europeu de Entrada/Saída (EES, na sigla em inglês), que tem causado enormes filas no controlo de passageiros nas infraestruturas aeroportuárias portuguesas.

«É um sistema que, mesmo num mundo perfeito, em que tenhamos todos os funcionários a preencher as boxes, em que o sistema de software não vá abaixo, que o sistema de hardware funcione… Mas, mesmo que tudo isto fosse perfeito, o número de check-ins que são feitos atualmente são muito mais do que eram feitos antes», explicou José Lopes.

Um passageiro que antes «era processado num minuto, sem nenhuma disrupção», se for de um país como o Reino Unido «demora cerca de três minutos», e se for de um destino não considerado seguro «passa para seis minutos», prosseguiu.

O sistema «tem um impacto logístico muito grande» e a easyJet defende que deve ser desligado de forma mais preventiva quando as filas começam a acumular, «que não se deixe que cheguem ao extremo».

«Perante a importância que o turismo tem num país como Portugal, o sistema deve ser gerido com alguma flexibilidade. Os gregos deixaram simplesmente de implementar, disseram que o turismo era demasiado importante», frisou o diretor da empresa low-cost.

Há passageiros que «perdem os voos por causa do sistema de EES» e esses passageiros «depois não voltam», avisou José Lopes. «Temos de proteger esta atividade, que em Portugal é fundamental para a sua economia. Pede-se mais flexibilidade e bom-senso», concluiu.

Para assinalar a efeméride, a easyJet promoveu também o sorteio “Laranja Dourada”, que premiou cinco viajantes que partiram do aeroporto de Faro com voos de ida e volta para o Algarve.

O evento de celebração contou também com as presenças de José Apolinário, presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve, André Gomes, presidente da Região de Turismo do Algarve, Pedro Bettencourt, gestor operacional do Aeroporto de Faro, e José Oliveira, presidente da AlgarOrange.

Fotos: Luz Venceslau | Sul Informação

Nota: Luz Venceslau é aluna finalista do curso de Fotografia Profissional 24|26 da ETIC_Algarve – Escola de Tecnologias, Inovação e Criação do Algarve e está a fazer o seu estágio curricular no Sul Informação

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José Lopes corta o bolo de aniversário

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Portugal tem de ter voz ativa em Bruxelas para evitar filas nos aeroportos no Verão

7 June 2026 at 09:49

A RENA – Associação das Companhias Aéreas em Portugal aplaude as medidas para minimizar os constrangimentos no controlo de fronteiras dos aeroportos, mas alerta que o problema pode voltar no verão e que Portugal deve ter voz ativa em Bruxelas.

Ao podcast da Lusa, o LusaExtra, o diretor executivo da RENA, António Moura Portugal, elogia o reforço de meios humanos e materiais promovido pelo Governo e pela ANA – Aeroportos, mas alerta que Portugal deve preparar desde já uma segunda fase de resposta para os meses de julho e agosto.

“Melhorámos, estamos bem no momento, mas agora isto não é para ficar a dizer ‘ok, está resolvido e nada a fazer até vir a próxima onda’, porque ela virá”, considerou o responsável da RENA.

Moura Portugal defendeu que Portugal deve continuar a acompanhar de perto a evolução do processo e assumir uma posição ativa em Bruxelas, procurando garantir soluções que evitem a repetição dos constrangimentos no período de maior procura turística.

Defende, por exemplo, que Portugal lidere, junto das instituições europeias, a defesa da manutenção de mecanismos de flexibilidade para evitar novos episódios de congestionamento no verão, altura em que acredita que a pressão nos controlos fronteiriços voltará.

Nos últimos meses registaram-se longas filas de espera nos aeroportos de Lisboa, Porto e Faro – sobretudo na capital – dado os constrangimentos causados pela entrada em vigor do sistema digital (Entry Exit System, EES), que regista eletronicamente a entrada e saída de cidadãos de países terceiros no espaço de livre circulação Schengen, substituindo os carimbos manuais por registos biométricos e digitais.  

No final de maio foram implementadas mais boxes e mais ‘e-gates’ e reforçados meios humanos para o controlo de passaportes.

Está ainda previsto como medida de contingência a possibilidade de se suspender pontualmente a recolha de dados biométricos (impressões digitais e reconhecimento facial) dos passageiros, cabendo à autoridade de fronteira, que neste caso é a PSP, avaliar a necessidade de recorrer a este mecanismo.

O EES está a funcionar a 100% desde 10 de abril e desde então, tal como avançou à Lusa o porta-voz da Polícia de Segurança Pública (PSP) esta tem recorrido à suspensão parcial da recolha dos dados biométricos em “circunstâncias excecionais”, nomeadamente quando “o tempo de espera num posto de fronteira aérea se torne excessivo”.

“Ainda que tenham natureza excecional a PSP admite recorrer, sempre que necessário, durante o período inicial previsto de 90 dias e complementar de 60 dias, às medidas previstas em regulamento tendentes a garantir um equilíbrio entre segurança das fronteiras externas e tempos aceitáveis de espera”, afirmou Sérgio Soares.

Assim, na quinta-feira, o ministro da Administração Interna, Luís Neves, disse à Lusa, no Luxemburgo, estar mais otimista, face a um passado recente, sobre um verão sem problemas nas fronteiras dos aeroportos.

Por seu lado, as companhias aéreas consideram que as medidas tomadas “foram muito positivas”, mas que é preciso mais.

“Em julho acaba-se, segundo o regulamento, essa possibilidade, já muito limitada, das suspensões serem só de seis horas. E, portanto, (…) é importante preparar já o passo seguinte”, insiste Moura Portugal, explicando que um desses passos deve ser Portugal “pressionar, pugnar pela alteração e pela manutenção, no mínimo dessa flexibilidade e desse poder dos Estados-membros poderem suspender” o sistema.

António Moura Portugal diz que é importante que Portugal esteja na linha da frente e que quando vai a Bruxelas deve estar “preparado em termos de documentação e em termos de discurso para dizer ‘atenção que isto está a correr mal e nós estamos a ser altamente penalizados com isto'”.

“Não pode haver silêncio, não pode haver um não assumir a liderança num dossier que é fundamental para a nossa economia [o turismo é dos principais motores de crescimento do PIB] e deixar isto entregue a outros”, conclui.

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