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Atlas vê melhora regulatória, mas mantém cautela sobre novos investimentos

Após anunciar que suspendeu os planos de US$ 1 bilhão em novos investimentos no Brasil diante do aumento dos cortes de geração renovável e das incertezas regulatórias do setor elétrico, a Atlas Renewable Energy avalia que o ambiente para novos projetos começa a apresentar sinais de melhora.

A empresa, no entanto, evita falar em retomada de aportes e afirma que uma eventual volta dos investimentos dependerá da consolidação de medidas regulatórias ainda em discussão. Em entrevista à CNN Brasil durante o Enase (Encontro Nacional do Setor Elétrico), o CEO da Atlas no país, Fabio Bortoluzo, afirmou que o Brasil ficou “on hold” para a companhia entre 2025 e 2026, período marcado pelo agravamento do chamado “curtailment”, quando usinas solares e eólicas são obrigadas a reduzir a produção por limitações do sistema elétrico.

A empresa, que tem como investidora a Global Infrastructure Partners (GIP), fundo ligado ao BlackRock, continua analisando oportunidades no mercado brasileiro, mas condiciona qualquer decisão a uma série de definições regulatórias consideradas fundamentais para restaurar a confiança dos investidores.

“Hoje a gente está estudando investimentos em baterias, principalmente, e eventuais novos projetos a depender desse desenrolar regulatório. A gente entende que tem muito potencial no Brasil e olha o país no longo prazo”, afirmou.

Entre elas estão a formalização do “termo de compromisso” que busca solucionar disputas relacionadas aos cortes de geração, as definições da Consulta Pública 45 da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) e o novo marco regulatório para sistemas de armazenamento de energia.

Na avaliação da Atlas, o avanço da regulamentação das baterias foi o sinal mais relevante recebido pelo setor nos últimos meses.

“Esse é o fato mais relevante de todos esses. Esse é o sinal mais positivo que a gente recebeu recentemente no ambiente regulatório e que eu entendo que pode destravar bastante investimento no Brasil”, disse Bortoluzo. “Foi mais importante do que o anúncio do leilão de sistemas de armazenamento para este ano”, acrescenta.

Embora o mercado esteja concentrando atenções no futuro leilão de baterias, o executivo considera que a regulamentação permanente para o armazenamento terá impacto mais profundo por permitir a associação dos equipamentos tanto a usinas existentes quanto a novos empreendimentos.

A Atlas já acumula experiência na área em outros mercados. A companhia desenvolve atualmente projetos de baterias no Chile e considera a tecnologia uma das principais ferramentas para reduzir os efeitos dos cortes de geração e viabilizar novos investimentos em renováveis.

Apesar do maior otimismo, a empresa evita indicar qualquer decisão de investimento no curto prazo. Questionado sobre a possibilidade de o Brasil voltar a receber aportes a partir de 2027, Bortoluzo respondeu que o potencial existe, mas depende do resultado das discussões em curso.

“O mercado brasileiro tem potencial para ter investimentos em 2027 de maneira geral e nós estamos estudando a depender do desenrolar regulatório”, afirmou.

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No espelho das cidades, os desafios do desenvolvimento

Costuma-se dizer que as cidades são o espelho de um país. A afirmação é verdadeira, mas talvez incompleta. As cidades não apenas refletem os desafios nacionais: elas são o lugar onde esses desafios se encontram, interagem e produzem seus efeitos mais concretos.

É nelas que se manifestam os gargalos da infraestrutura, as limitações da produtividade, os efeitos das mudanças climáticas, as dificuldades de mobilidade, os déficits habitacionais, as deficiências do saneamento e, cada vez mais, os desafios associados à transformação digital.

Ainda assim, continuamos tratando boa parte dessas questões como agendas independentes, desconectadas entre si e frequentemente afastadas do debate sobre desenvolvimento econômico.

Essa fragmentação talvez ajude a explicar uma das principais contradições do debate público brasileiro. Quando discutimos competitividade, normalmente pensamos em política industrial, ambiente de negócios ou comércio exterior. Quando discutimos inovação, pensamos em tecnologia. Quando discutimos sustentabilidade, pensamos em meio ambiente. Quando discutimos crescimento econômico, recorremos aos indicadores macroeconômicos.

Em todos esses casos, porém, raramente voltamos o olhar para os territórios onde esses fenômenos efetivamente acontecem. Como se produtividade, competitividade ou inovação existissem em abstrato, independentemente da qualidade das cidades em que pessoas vivem, trabalham, empreendem e investem.

A realidade sugere exatamente o contrário. A produtividade de uma economia depende não apenas da qualificação de sua força de trabalho ou da sofisticação de suas empresas, mas também da capacidade de seus sistemas urbanos funcionarem adequadamente. Trabalhadores que passam horas em deslocamentos diários perdem tempo, renda e qualidade de vida. Empresas instaladas em regiões com infraestrutura deficiente enfrentam custos mais elevados e menor competitividade. Territórios incapazes de oferecer serviços básicos adequados tornam-se menos atrativos para investimentos e para a retenção de talentos.

Em outras palavras, aquilo que frequentemente classificamos como problema urbano produz consequências diretas sobre o desempenho econômico do país.

O saneamento básico talvez seja um dos exemplos mais emblemáticos dessa interdependência. Durante décadas, o tema foi tratado principalmente como uma política de saúde pública, o que é compreensível diante de seus impactos sobre doenças, mortalidade e qualidade de vida.

Entretanto, seus efeitos ultrapassam em muito essa dimensão. A universalização do saneamento reduz custos hospitalares, melhora indicadores educacionais, aumenta a produtividade do trabalho, valoriza ativos imobiliários e amplia a capacidade de atração de investimentos. Quando uma cidade expande sua infraestrutura sanitária, ela não está apenas promovendo dignidade; está fortalecendo as condições para o desenvolvimento econômico de longo prazo.

O mesmo raciocínio pode ser aplicado à habitação. O déficit habitacional não representa apenas a ausência de moradias adequadas. Ele influencia padrões de ocupação do solo, pressiona sistemas de transporte, amplia desigualdades territoriais e dificulta o acesso da população a oportunidades de emprego, educação e serviços públicos.

Da mesma forma, mobilidade urbana não pode ser compreendida apenas como uma questão de deslocamento. Trata-se de um elemento central para a integração econômica dos territórios, para a eficiência dos mercados de trabalho e para a própria dinâmica de crescimento das cidades.

A gestão de resíduos oferece outra perspectiva interessante sobre essa mudança de visão. Durante muito tempo, resíduos sólidos foram tratados quase exclusivamente como um passivo ambiental. Hoje, a expansão da economia circular demonstra que eles também podem ser compreendidos como ativos econômicos. O que antes era percebido como custo passa gradualmente a ser entendido como oportunidade.

Essa lógica torna-se ainda mais evidente quando observamos a emergência da infraestrutura digital. Datacenters, conectividade, processamento de dados, inteligência artificial e capacidade computacional costumam aparecer em debates relacionados à tecnologia, mas sua relevância já extrapola esse campo.

Cada vez mais, eles influenciam decisões de investimento, estratégias empresariais e a competitividade dos territórios. Se o século XX foi marcado pela expansão de rodovias, redes de energia e sistemas de saneamento, o século XXI provavelmente será caracterizado pela combinação entre infraestrutura física e infraestrutura digital como elementos indissociáveis do desenvolvimento.

Ao mesmo tempo, a crescente complexidade desses desafios evidencia as limitações de abordagens excessivamente fragmentadas. Questões relacionadas à mobilidade, logística, drenagem urbana, saneamento ou destinação de resíduos frequentemente ultrapassam fronteiras municipais, exigindo coordenação regional e mecanismos mais sofisticados de governança.

Não por acaso, instrumentos como consórcios públicos e modelos de cooperação interfederativa vêm ganhando importância crescente. Em um país altamente urbanizado, a capacidade de coordenar políticas entre diferentes entes federativos deixa de ser uma questão meramente administrativa e passa a representar um fator estratégico para a execução de projetos estruturantes.

Há ainda uma dimensão internacional que merece atenção. Em um contexto de crescente competição global por investimentos, tecnologia, capital humano e infraestrutura estratégica, a qualidade dos territórios tornou-se um ativo econômico relevante.

Cidades competem por centros logísticos, polos industriais, hubs tecnológicos e empreendimentos capazes de gerar emprego e renda. A atratividade de um país depende, em grande medida, da atratividade de suas cidades. E cidades competitivas não são construídas apenas com incentivos econômicos; dependem de planejamento, infraestrutura, sustentabilidade, governança e capacidade de adaptação.

Talvez por isso o principal desafio brasileiro não seja a ausência de diagnósticos. O país conhece boa parte de seus gargalos e dispõe de soluções técnicas para enfrentá-los.

A dificuldade parece residir em outra questão: continuamos analisando problemas que são interdependentes como se fossem agendas isoladas. Habitação, saneamento, mobilidade, resíduos, infraestrutura digital, adaptação climática e desenvolvimento econômico não compõem capítulos separados de uma mesma história. São partes de um único processo de transformação territorial.

Se as cidades são o espelho do país, talvez seja hora de reconhecer que elas também são o mapa. É nelas que convergem os desafios relacionados à produtividade, competitividade, sustentabilidade, inovação e qualidade de vida.

E será nelas, igualmente, que o Brasil encontrará as condições para superar seus gargalos históricos e construir uma estratégia consistente de desenvolvimento para as próximas décadas.

*Bruno Sindona, presidente do Instituto da Cidades

Os artigos publicados pelo CNN Infra buscam estimular o debate, a reflexão e dar luz a visões sobre os principais desafios, problemas e soluções enfrentados pelo Brasil e por outros países do mundo. Os textos publicados neste espaço não refletem, necessariamente, a opinião da CNN Brasil.
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Mercado de caminhões prevê segundo semestre mais positivo

Com a proximidade da Fenatran, principal feira de transporte e logística da América Latina, e uma nova edição do Move Brasil, programa de crédito do governo federal voltado à renovação de frota lançado em maio, o mercado nacional de caminhões projeta um segundo semestre mais positivo do que foi o início deste ano.

Apesar do crescimento geral do setor automotivo, que registrou mais de 479,6 mil veículos emplacados em abril, o segmento de caminhões apresentou baixa no período.

Dados da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores) mostraram que foram emplacadas 8,6 mil unidades, representando uma queda de 3,24% em relação ao mesmo mês do ano anterior.

Em maio, o governo federal anunciou a segunda edição do Move Brasil, disponibilizando R$ 21,2 bilhões em linhas de crédito para aquisição de caminhões e ônibus. Desse valor, R$ 2 bilhões serão destinados especificamente aos motoristas autônomos.

Para o CEO da ABC Cargas, Danilo Guedes, empresa especializada no transporte de caminhões zero quilômetro, a iniciativa tem potencial para destravar investimentos que estavam represados desde os últimos anos.

“Existe uma demanda reprimida muito significativa no mercado. Muitas empresas adiaram a renovação de suas frotas em razão do custo elevado do crédito e da incerteza econômica. Com uma linha de financiamento mais robusta e condições mais acessíveis, a tendência é que parte desses investimentos volte a acontecer ao longo do segundo semestre”, avaliou.

Além da linha de crédito, a Fenatran, principal feira de transporte e logística da América Latina, é tradicionalmente responsável por movimentar negócios, lançamentos e investimentos em renovação de frota diante do ambiente propício para os frequentadores do evento.

“A combinação entre crédito disponível, necessidade de renovação dos veículos e o ambiente de negócios gerado pela Fenatran cria uma perspectiva positiva para o segundo semestre”, disse o executivo.

Ainda segundo ele, o mercado seguirá atento aos indicadores econômicos, mas há motivos concretos para acreditar em uma recuperação gradual da atividade do setor.

 

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TCU valida reassentamento e obras do Anel Rodoviário de BH podem avançar

As obras para a duplicação do Anel Rodoviário de Belo Horizonte, no trecho da BR-381 entre a Avenida Cristiano Machado e o Rio das Velhas, tiveram um novo capítulo na última semana. O TCU (Tribunal de Contas da União) validou processo do ano passado relacionado ao reassentamento de famílias que vivem na área afetada pelas intervenções e tomou uma decisão que pode contribuir para destravar o empreendimento, aguardado há anos.

A Corte de Contas considerou que foram cumpridas as determinações feitas anteriormente no processo que acompanha a remoção e o reassentamento das famílias impactadas pelas obras. 

Segundo o tribunal, o acordo de permuta de áreas firmado entre o DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), a Prefeitura de Belo Horizonte e a Urbel (Companhia Urbanizadora e de Habitação de Belo Horizonte) permitirá o reassentamento de cerca de 900 famílias que ocupam a faixa de domínio da rodovia.

Com a decisão, o tribunal determinou que o processo permaneça suspenso por um período de um ano. Após esse prazo, o caso voltará a ser analisado para que a Corte decida se o acompanhamento deve continuar ou se as determinações poderão ser encerradas.

A duplicação do Anel Rodoviário está condicionada justamente à execução do plano de remoção e reassentamento das famílias de baixa renda que vivem na região. A ação será conduzida pela Urbel, enquanto os repasses financeiros ficarão a cargo do DNIT.

A proposta inicial previa a compra de terrenos para a construção de 630 unidades habitacionais vinculadas ao programa federal Minha Casa, Minha Vida. Para isso, em 2013, o município adquiriu 47 lotes da Caixa Econômica Federal pelo valor de R$ 4,9 milhões.

No entanto, após a aquisição, o MPF (Ministério Público Federal) e a Defensoria Pública da União passaram a atuar em defesa das comunidades afetadas. A intervenção resultou em um acordo judicial que suspendeu os repasses e determinou que o reassentamento fosse conduzido com apoio de peritos judiciais. Com isso, os terrenos comprados não chegaram a ser utilizados para a construção das moradias previstas.

A execução do projeto foi retomada apenas em outubro de 2016, por meio de uma nova modalidade de “compra assistida”, que previa a aquisição de imóveis já edificados para entrega direta às famílias beneficiadas.

Entretanto, em 2019, foi constatado que os terrenos adquiridos inicialmente continuavam sem utilização para os fins previstos no acordo e já haviam sido ocupados irregularmente. Segundo os registros do processo, não houve medidas efetivas para impedir novas invasões nas áreas compradas para o reassentamento.

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Brazil Iron descarta competição do “ferro verde” com minério tradicional

A Brazil Iron descarta que o chamado “ferro verde” vá competir diretamente com o minério de ferro tradicional no mercado global.

Em entrevista ao Mapa da Mina, programa da CNN Brasil dedicado ao setor mineral, Emerson Souza, vice-presidente de Relações Institucionais da Brazil Iron, afirmou que o produto terá um mercado próprio, voltado a siderúrgicas e indústrias pressionadas a reduzir emissões de carbono.

Segundo ele, a tese da empresa não é substituir integralmente o minério de ferro usado atualmente pela indústria siderúrgica, mas ocupar uma fatia específica da cadeia, associada à descarbonização da produção de aço.

“Se a gente pensar no mercado global do minério de ferro, esse produto não vai se posicionar no mesmo patamar que o minério de ferro tradicional. Não vamos ter a substituição do minério de ferro original 100%. O que vai acontecer é a ampliação da participação do ferro verde na fabricação do aço por algumas questões”, disse.

A Brazil Iron tenta desenvolver na Bahia um projeto integrado de mineração e produção de HBI, sigla em inglês para “Hot Briquetted Iron”, ou ferro briquetado a quente. O produto é uma forma compactada de ferro reduzido diretamente, usado como insumo pela indústria siderúrgica.

Na prática, trata-se de um produto intermediário entre o minério de ferro e o aço.O HBI já passa por uma etapa industrial anterior, com maior valor agregado, e pode ser usado em rotas menos intensivas em carbono do que o processo tradicional baseado em carvão.

Souza argumenta que o mercado para esse tipo de produto será puxado por exigências climáticas, políticas públicas e compromissos de descarbonização assumidos por siderúrgicas e grandes consumidores industriais.

Um dos principais exemplos é o CBAM, mecanismo de ajuste de carbono na fronteira da União Europeia. A regra busca cobrar uma espécie de preço sobre as emissões embutidas em determinados produtos importados pelo bloco, incluindo ferro e aço. A Comissão Europeia define o mecanismo como uma forma de assegurar que um preço tenha sido pago pelas emissões de carbono incorporadas em mercadorias importadas.

Na avaliação da Brazil Iron, instrumentos desse tipo tendem a aumentar o interesse de siderúrgicas por insumos de menor emissão, especialmente em mercados como Europa e Ásia.

O executivo também citou o Japão como exemplo de país que tem criado políticas para financiar a descarbonização da indústria. O país tem usado instrumentos públicos, incluindo subsídios ligados à transição climática, para apoiar investimentos em novas rotas siderúrgicas, como fornos elétricos e processos menos dependentes de carvão.

Apesar do otimismo da empresa, ainda existem dúvidas no mercado sobre o tamanho real da demanda e, principalmente, sobre a disposição dos compradores em pagar mais caro por produtos de menor emissão.

A chamada “premiação verde” é um dos pontos centrais dessa discussão.

Em tese, siderúrgicas e consumidores finais poderiam aceitar pagar mais por insumos de baixa emissão para cumprir metas climáticas, atender regras regulatórias ou vender produtos com menor pegada de carbono. Na prática, porém, essa disposição ainda depende do avanço da agenda ESG, da pressão de governos, da regulação de carbono e da demanda de setores como automóveis, construção civil e bens industriais.

Grandes siderúrgicas europeias já apontaram que o custo da transição continua sendo um obstáculo e que o mercado ainda nem sempre aceita pagar prêmios suficientes por aço de menor emissão.

Por isso, embora o ferro verde seja visto como uma rota promissora para reduzir emissões da siderurgia, sua viabilidade comercial em larga escala ainda depende de uma combinação de fatores: regulação climática mais dura, crédito público, compradores dispostos a pagar prêmio, certificação confiável de emissões e contratos de longo prazo.

Souza argumenta, no entanto, que os próprios contratos de venda futura negociados pela Brazil Iron mostram que existe interesse concreto pelo produto.

A empresa afirma ter dois contratos de offtake “muito amarrados”, equivalentes a dez anos de produção do projeto e avaliados em aproximadamente US$ 30 bilhões. Segundo o executivo, os compradores estão localizados principalmente na Ásia e na Europa.

Contratos de offtake são acordos de compra futura firmados antes do início da produção. No setor mineral, eles são considerados importantes para viabilizar projetos de grande porte, porque ajudam a comprovar demanda e podem dar mais segurança a financiadores, investidores e potenciais sócios.

“Tem siderúrgica e indústria final. Nossos compradores estão basicamente localizados na Ásia e na Europa. Esses são os mercados mais interessados nesse produto”, afirmou Souza.

A tese da Brazil Iron é que o ferro verde terá uma lógica comercial diferente da commodity tradicional. Enquanto o minério de ferro convencional segue muito ligado à demanda chinesa, ao teor do minério e ao ciclo global da construção e da indústria, o HBI de baixa emissão seria negociado em um mercado mais específico, associado à transição energética e à descarbonização da siderurgia.

O projeto da empresa está localizado na Bahia e prevê a integração entre mina, beneficiamento mineral, produção de pelotas e fabricação de HBI. A companhia estima investimento de US$ 5,7 bilhões.

A rota defendida pela empresa passa inicialmente pelo uso de gás natural, com menor emissão em relação ao processo tradicional a carvão. No futuro, a companhia afirma estudar a transição para hidrogênio verde e o uso de mecanismos de captura de carbono.

O projeto, no entanto, ainda precisa superar etapas decisivas antes de sair do papel. Entre os principais desafios estão o fechamento do financiamento, o avanço do licenciamento ambiental, a definição da infraestrutura logística, a contratação de energia e gás, a certificação da pegada de carbono do produto e a comprovação de que haverá mercado disposto a pagar pelo ferro de menor emissão.

 

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Brazil Iron diz ter US$ 30 bi em offtakes “amarrados” com Ásia e Europa

A Brazil Iron, mineradora anglo-brasileira que ainda nem começou a produzir no país, afirma já ter contratos de offtake “muito amarrados” para a venda de ferro verde a compradores da Ásia e da Europa.

Segundo Emerson Souza, vice-presidente de Relações Institucionais da Brazil Iron, os acordos equivalem a cerca de dez anos de produção do projeto que a empresa pretende desenvolver na Bahia e somam aproximadamente US$ 30 bilhões.

“Já temos, na verdade, dois contratos de offtake muito amarrados, que correspondem a dez anos de produção desse produto de ferro verde. Isso nos dá uma cifra de mais ou menos US$ 30 bilhões em contratos de offtake”, disse.

As declarações foram dadas ao Mapa da Mina, programa da CNN Brasil dedicado ao setor mineral.

Contratos de offtake são acordos de compra futura firmados antes do início da produção.

No setor mineral, eles costumam ser considerados instrumentos importantes para viabilizar projetos de grande porte, porque ajudam a demonstrar demanda pelo produto e podem dar mais segurança a financiadores, investidores e potenciais sócios.

No caso da Brazil Iron, os acordos são vistos como parte central da estratégia para tirar do papel um projeto estimado em US$ 5,7 bilhões na Bahia, voltado à produção de HBI, sigla em inglês para “Hot Briquetted Iron”, ou ferro briquetado a quente.

O produto é uma espécie de ferro pré-processado, usado como insumo pela indústria siderúrgica. A tese da empresa é que o HBI produzido no Brasil pode ajudar siderúrgicas globais a reduzir emissões de carbono, especialmente em um momento em que a indústria do aço busca alternativas ao uso intensivo de carvão.

Souza afirmou que os contratos têm cláusulas de confidencialidade e, por isso, não poderia revelar os nomes das empresas envolvidas. Ele disse, no entanto, que os compradores incluem tanto siderúrgicas quanto consumidores industriais finais.

“Mas posso dizer que tem siderúrgica e indústria final. Nossos compradores estão basicamente localizados na Ásia e na Europa. Esses são os mercados mais interessados nesse produto”, afirmou.

A busca por HBI e outros insumos de menor emissão tem crescido com a pressão de governos, investidores e consumidores por cadeias industriais menos intensivas em carbono.

A siderurgia é uma das atividades industriais mais difíceis de descarbonizar e depende, em grande parte, de carvão mineral em rotas tradicionais de produção de aço.

Nesse contexto, empresas que conseguem produzir minério de alta qualidade, pelotas e ferro reduzido com menor pegada de carbono tentam ocupar um espaço considerado estratégico na transição energética. A Europa aparece como um dos mercados mais relevantes por causa de metas climáticas mais rígidas e da criação de mecanismos de cobrança sobre emissões embutidas em produtos industriais importados.

Além dos acordos de venda futura, a Brazil Iron também mantém conversas com o BNDES. Segundo Souza, as tratativas ainda estão em estágio inicial, mas há possibilidade de participação do banco no projeto.

“Existe uma possibilidade de o BNDES participar do nosso negócio”, disse o executivo, ao afirmar que uma eventual entrada do banco seria interessante para a companhia.

O movimento ocorre em meio ao interesse do BNDES em ampliar sua atuação no setor de minerais críticos e estratégicos, inclusive por meio da BNDESPar, braço de participações do banco. A instituição tem avaliado operações em que poderia entrar como sócia de empresas com projetos minerais no Brasil, em especial aqueles ligados à transição energética, à descarbonização e à agregação de valor no país.

Para a Brazil Iron, a presença do banco público poderia ajudar a dar mais robustez financeira e institucional ao empreendimento.

O projeto da emresa está localizado na Bahia e prevê a integração entre mina, beneficiamento mineral, produção de pelotas e fabricação de HBI. A Brazil Iron afirma que o empreendimento terá como base minério de ferro de alto teor e poderá aproveitar a oferta de energia renovável no Nordeste.

A empresa estima investimento de US$ 5,7 bilhões.

Apesar do avanço comercial informado pela companhia, o empreendimento ainda precisa superar etapas decisivas antes de sair do papel. Entre os principais pontos estão o fechamento do financiamento, o avanço do licenciamento ambiental, a definição da infraestrutura logística, o fornecimento de gás natural ou outras rotas energéticas e a comprovação, por certificação, da pegada de carbono do produto.

A rota tecnológica defendida pela empresa passa inicialmente pelo uso de gás natural para produzir HBI com menor emissão em comparação ao processo tradicional baseado em carvão. A Brazil Iron também afirma estudar, no futuro, a transição para hidrogênio verde e o uso de mecanismos de captura de carbono.

O HBI é considerado um produto intermediário entre o minério de ferro e o aço. Ele é produzido a partir do ferro reduzido diretamente, ou DRI, e compactado em briquetes para facilitar transporte, armazenagem e uso industrial. Por ter maior teor metálico e poder ser usado em rotas menos emissoras, o produto é visto como uma das apostas para a descarbonização da siderurgia global.

Se avançar, o projeto pode colocar a Bahia em uma nova etapa da cadeia global do aço, não apenas como fornecedora de matéria-prima, mas como polo de produção de ferro de baixo carbono.

 

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