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GoParity prepara entrada no capital de startups com rondas de 300 mil a 1 milhão de euros

A empresa, que liga pequenos investidores a projetos com impacto ambiental e social, prepara agora um novo capítulo: a entrada no financiamento através de capital (equity), após a aquisição de uma concorrente espanhola.

Durante a apresentação Blue Finance Pitch, no Oeiras Bluetech Ocean Forum 2026, Francisco Silva, representante da GoParity, plataforma de investimento sustentável destacou o percurso de crescimento da empresa, sublinhando a aceleração registada a partir de 2020. “O nosso objetivo é democratizar o acesso ao investimento sustentável, permitindo que qualquer cidadão possa participar no financiamento de projetos com impacto real”, afirmou.

A plataforma tem centrado a sua atividade na concessão de empréstimos conectando investidores individuais a pequenas e médias empresas com projetos já em operação. Entre as áreas prioritárias de investimento destacam-se a economia azul, verde e social, bem como sistemas híbridos que cruzam diferentes dimensões de sustentabilidade.

Entre os exemplos mais recentes de financiamento está a empresa portuguesa Seaforester, que recebeu um empréstimo de cerca de meio milhão de euros para expandir as suas atividades de restauração marinha. A empresa dedica-se à monitorização de carbono e recuperação de ecossistemas oceânicos.

Outro caso relevante é o da Valciano, um dos maiores parceiros da plataforma, que já beneficiou de mais de quatro milhões de euros em financiamento. A britânica Exacotec surge também como exemplo de inovação apoiada, desenvolvendo soluções tecnológicas para reduzir a mortalidade na produção agrícola.

Apesar do foco histórico na dívida, a GoParity prepara-se agora para diversificar a sua oferta. Com a aquisição em 2025 da plataforma espanhola Bolsa Social, plataforma espanhola de equity crowdfunding especializada em PME com missão social e ambiental, a fintech portuguesa passa assim a oferecer aquilo que descreve como um “financing full stack” para empresas em diferentes estágios de maturidade — permitindo-lhe entrar no segmento de equity crowdfunding, possibilitando o investimento direto em capital de startups. “Trata-se de um passo estratégico que poderá ter um impacto significativo no ecossistema empreendedor português”, referiu Silva.

“No novo modelo, a GoParity prevê participar em rondas de investimento entre 300 mil e um milhão de euros com a Goparity a assumir tickets entre 75 mil e 300 mil euros, normalmente representando cerca de 20% do total”, explica na apresentação.

A estrutura é montada através de um Special Purpose Vehicle (SPV), sem calendário de reembolso, e exige a presença de um investidor líder que assegure mais de 30% da ronda antes do lançamento da campanha. Esta abordagem visa mitigar riscos e assegurar uma maior robustez na seleção dos projetos.

Mas a ambição da plataforma não se esgota na expansão do portefólio. A Goparity introduziu também um conjunto de critérios de elegibilidade que pretende trazer rigor e previsibilidade ao processo de seleção. Entre os requisitos obrigatórios estão capital próprio positivo, contabilidade organizada, ausência de dívidas fiscais ou à Segurança Social e pelo menos um exercício fiscal completo. A empresa reforça ainda a necessidade de um modelo de negócio com impacto social ou ambiental positivo, alinhado com a sua missão fundacional.

Do ponto de vista financeiro, a análise segue métricas clássicas: equity/ativos acima de 20%, current ratio igual ou superior a 1, EBITDA positivo (resultados antes de juros e impostos, depreciações e amortizações) e dívida líquida/EBITDA até 5 vezes. Para empresas em fase inicial, onde o EBITDA tende a ser negativo, a Goparity flexibiliza a grelha, mas exige runway mínimo de seis meses, prova de conceito, autonomia financeira acima de 30% e um horizonte de tesouraria compatível com a maturidade do financiamento.

Com esta dupla abordagem — dívida para projetos consolidados e capital para empresas emergentes — a Goparity posiciona-se como um ator híbrido num mercado onde a fragmentação das fontes de financiamento continua a ser um dos principais entraves ao crescimento. A aquisição da Bolsa Social não só reforça a presença ibérica da empresa, como também a aproxima de um ecossistema europeu onde o investimento de impacto ganha tração e escala.

Com uma comunidade de cerca de mil utilizadores ativos e uma base alargada de apoiantes, a GoParity procura reforçar o seu papel como ponte entre o investimento cidadão e a sustentabilidade. A entrada no capital de empresas representa, assim, uma evolução natural do seu modelo de negócio, num contexto em que o financiamento alternativo ganha cada vez mais relevância.

A empresa acredita que esta nova fase poderá contribuir para impulsionar o crescimento de startups portuguesas e europeias, ao mesmo tempo que oferece aos investidores novas oportunidades de participação em projetos de impacto.

 

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