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A aposta no hidrogénio volta a ganhar força no setor da energia, numa altura em que Espanha e outros países europeus procuram formas de garantir eletricidade estável sem depender apenas do sol ou do vento. A tecnologia agora testada aponta para uma solução pensada para apoiar redes elétricas com cada vez mais renováveis.
Neste sentido, a empresa finlandesa Wärtsilä anunciou que conseguiu operar um motor alimentado a 100% por hidrogénio e fornecer eletricidade à rede nacional de Espanha, num teste realizado no seu laboratório de Bermeo, no norte do país. Segundo a própria Wärtsilä, citada pela Euronews, trata-se da primeira demonstração mundial, em grande escala, de um motor a hidrogénio puro ligado à rede elétrica em condições reais.
A tecnologia foi desenvolvida para responder a um dos principais desafios das energias renováveis: garantir produção elétrica quando a energia solar e eólica não são suficientes. Ao contrário das pilhas de combustível, este sistema usa um motor de combustão adaptado para funcionar apenas com hidrogénio, mantendo uma lógica de produção flexível.
De acordo com a empresa finlandesa, este tipo de motor poderá ser usado no futuro em centrais elétricas formadas por várias unidades, capazes de produzir energia sempre que a rede precise de apoio. Defende que a solução pode ajudar a equilibrar sistemas elétricos com forte presença de fontes renováveis variáveis.
A principal vantagem apontada pela fabricante é o facto de o motor funcionar com hidrogénio puro, sem emissões diretas de carbono na produção de eletricidade. A empresa apresenta esta tecnologia como um passo além dos sistemas apenas preparados para hidrogénio, por já ter demonstrado funcionamento real com 100% deste combustível.
Na prática, o hidrogénio pode funcionar como uma forma de armazenar energia renovável em excesso e usá-la mais tarde, quando há menos produção solar ou eólica. Esta lógica ganha importância à medida que aumenta o peso das renováveis nas redes elétricas, como também sublinha a Agência Internacional de Energia (IEA) nas suas projeções para a expansão global destas fontes até 2030.
O teste foi realizado em Espanha numa altura em que o país continua a reforçar a presença das renováveis no sistema elétrico. Segundo a Red Eléctrica, em 2025 foram instalados quase 10 GW de nova potência eólica e solar fotovoltaica, valor que sobe para 11,6 GW quando se inclui o autoconsumo.
A mesma entidade indica que as renováveis representaram 55,5% da produção elétrica espanhola em 2025, percentagem que sobe para 56,6% quando é considerado o autoconsumo. Estes números ajudam a explicar a importância de soluções capazes de dar resposta quando a produção renovável baixa.
Apesar do avanço tecnológico, a utilização de hidrogénio em grande escala continua dependente de fortes investimentos em produção, armazenamento e transporte. Em Espanha, o Governo autorizou provisoriamente a Enagás a desenvolver redes de hidrogénio reconhecidas como Projetos de Interesse Comum europeu, incluindo ligações com Portugal e França, segundo o MITECO.
Essa decisão inclui o interconector de hidrogénio Portugal-Espanha, infraestruturas interiores em território espanhol, uma ligação Espanha-França e instalações de armazenamento no País Basco e na Cantábria. O enquadramento mostra que o hidrogénio é visto como relevante para a descarbonização, mas também confirma que a escala industrial exige planeamento, regulação e investimento.
O teste da Wärtsilä, citado pela Euronews, não significa que os motores a hidrogénio vão substituir de imediato outras formas de produção elétrica. Representa, antes, mais um passo na procura de tecnologias capazes de apoiar redes onde a eletricidade depende cada vez mais do sol e do vento.
A Agência Internacional de Energia prevê que a capacidade renovável global aumente quase 4.600 GW entre 2025 e 2030, com a energia solar a representar perto de 80% desse crescimento. Quanto maior for o peso destas fontes variáveis, maior será também a necessidade de soluções flexíveis para garantir estabilidade na rede.
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La ley dice: mermelada ayer y mermelada mañana, pero nunca mermelada hoy”. Esa frase redonda de Alicia a través del espejo le sienta como anillo al dedo a la dieta electoral a la que se está sometiendo la socialdemocracia, una familia política con más de 150 años de historia que dominó la segunda mitad del siglo XX europeo (mermelada ayer) y cuyos líderes prometen una y otra vez que contraatacará con fuerza (mermelada mañana), pero que hace tiempo que no cata la dichosa mermelada, metida en una cura de adelgazamiento larga, más larga que esa gira de Bob Dylan llamada Never Ending Tour. En medio de la marea derechista y ultraderechista, y con una fragmentación política formidable en su espacio, el centroizquierda europeo sobrevive hoy como una fuerza de tamaño medio, a veces tirando a welter. Boxea muy por debajo de su peso histórico. A menudo se queda en tierra de nadie. Y está en franco declive; le falta punch, últimamente acaba en la lona elección tras elección. Esa suave decadencia, que dura ya décadas, se ha transformado en hundimiento en algunos países: Francia y Alemania —el SPD está ligeramente por encima del 10% en intención de voto —, nada menos; subsiste en otros (Italia, Portugal) y logra sacar la cabeza y conservar el poder en unos pocos (Dinamarca, con políticas migratorias durísimas, y Reino Unido y España, con enormes dificultades).