Com o arranque do Mundial de Futebol 2026, Portimão lança um apelo à responsabilidade ambiental através da campanha #JogarLimpo, que incentiva boas práticas na gestão de resíduos e no uso do espaço público. A iniciativa foi lançada esta quinta-feira, 11 de junho, pela Empresa Municipal de Águas e Resíduos de Portimão (EMARP), aproveitando o início da competição para promover a adoção de comportamentos ambientalmente responsáveis e reforçar o sentido de responsabilidade coletiva na utilização do espaço público.
Sob o mote “O Mundial começa na sua rua”, a iniciativa procura associar a emoção e o espírito de união do futebol à importância da manutenção de uma cidade limpa e sustentável, incentivando os cidadãos a adotarem comportamentos responsáveis no que diz respeito à deposição de resíduos.
Num contexto em que o futebol mobiliza milhões de pessoas e atravessa gerações, a EMARP pretende utilizar a atenção gerada pelo evento desportivo para transmitir uma mensagem de proximidade: “Tal como uma equipa precisa do empenho de todos os jogadores para alcançar a vitória, também a qualidade do espaço público depende da participação de cada cidadão”, pode ler-se na nota de imprensa.
A identidade visual da campanha apresenta cinco ecopontos, representando as diferentes soluções de deposição de resíduos disponibilizadas nas ilhas ecológicas: o trifluxo (embalagens de plástico e metal, papel/cartão e vidro), os resíduos orgânicos (restos de comida) e os resíduos indiferenciados. A mensagem é clara: cada cidadão conta para o resultado.
A campanha apela ao orgulho pelo lugar onde se vive, incentivando os residentes a olharem para a sua rua, com respeito e sentido de responsabilidade. O objetivo, segundo a EMARP, é “reforçar a ideia de que uma comunidade mais educada e uma cidade limpa constroem-se através da colaboração de todos, tal como uma equipa vencedora se constrói com o contributo de cada jogador”.
Ao longo das próximas semanas, a iniciativa estará presente em suportes de comunicação de rua e nas plataformas digitais da empresa, procurando envolver a população e estimular o orgulho pelo espaço público.
“Porque antes dos grandes jogos, das grandes vitórias e das grandes celebrações, há um desafio que começa todos os dias, à porta de casa. O Mundial começa na sua rua”, conclui a nota de imprensa.
O distrito de Faro integra hoje o grupo de 12 distritos do continente com cerca de 100 concelhos em perigo máximo de incêndio rural, de acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
Em perigo máximo de incêndio rural estão concelhos dos distritos de Bragança, Guarda, Viseu, Coimbra, Castelo Branco, Portalegre, Santarém, Lisboa, Setúbal, Évora, Beja e Faro.
O IPMA prevê que o perigo de incêndio rural se agrave e se mantenha muito elevado pelo menos até segunda-feira.
Este nível de risco, determinado pelo instituto, apresenta cinco graus, que variam entre reduzido e máximo, sendo calculado com base na temperatura do ar, humidade relativa, velocidade do vento e quantidade de precipitação nas 24 horas anteriores.
Portugal continental vai registar temperaturas elevadas até sábado, com valores máximos a variar entre os 27 e os 38 graus Celsius esta quinta-feira e entre os 35 e os 40 graus na sexta-feira.
Para hoje está prevista uma subida “mais acentuada” da temperatura máxima, podendo subir cerca de 10 graus Celsius em alguns locais.
Segundo o IPMA, sexta-feira será o dia mais quente, com a temperatura máxima a variar entre 35 e 40 graus na generalidade do território.
A temperatura mínima deverá também subir em todo o território, prevendo-se que em alguns locais do país sejam registados valores próximos ou acima de 20 graus até à noite de sábado para domingo.
A casca de ostra serviu de ponto de partida para a exploração de novas ideias, materiais e aplicações num workshop realizado no passado dia 3 de junho, na Ilha da Culatra.
A iniciativa procurou valorizar este recurso local enquanto matéria-prima com potencial inovador em áreas como a arquitetura, o design, a biocerâmica e a bioconstrução. Ao longo da sessão, os participantes tiveram oportunidade de visitar viveiros tradicionais de ostras, contactar diretamente com a comunidade local e partilhar experiências, conhecendo projetos em desenvolvimento que estão a transformar a forma como se olham os recursos endógenos do Algarve.
O workshop integrou o programa “Matéria Adentro – Novos Produtos com base em materiais endógenos”, promovido pela CCDR Algarve no âmbito do projeto INOVA ALGARVE 3.0, dinamizado pela Proactivetur e financiado pelo Programa Regional ALGARVE 2030.
A equipa masculina de Sub-18 de basquetebol do Ginásio Clube Olhanense, vencedora da Taça Nacional 2025/2026, foi recebida esta semana no Salão Nobre dos Paços do Concelho pelo presidente da Câmara Municipal de Olhão, Ricardo Calé, e pelos restantes membros do executivo.
A receção teve como objetivo assinalar a notável conquista alcançada pela formação olhanense, que conquistou o título nacional após vencer o Olivais de Coimbra na final disputada a 24 de maio, no Montijo.
A equipa encerrou a segunda fase da competição e a Final 4 com um percurso irrepreensível, somando 16 vitórias em 16 jogos, um feito que ficará registado na história do clube e do desporto do concelho.
Durante a cerimónia, Ricardo Calé felicitou atletas, equipa técnica e dirigentes pelo desempenho ao longo da temporada, destacando o exemplo que representam para os jovens olhanenses.
“Como antigo atleta do Ginásio Clube Olhanense, sinto um enorme orgulho por ver esta geração alcançar um feito tão marcante. Este título é o resultado do talento, da dedicação e do espírito de equipa demonstrados ao longo de toda a temporada. São um exemplo para a juventude de Olhão e dignificam o nome do nosso concelho em todo o país”, afirmou o autarca.
Além do sucesso desportivo, foi também enaltecido o espírito de fair-play demonstrado pela equipa durante a competição. Nesse âmbito, mereceu especial destaque o atleta Bernardo Gago, distinguido com um Cartão Branco durante a Final 4, após ter reconhecido junto da equipa de arbitragem uma situação de jogo que favorecia a equipa adversária.
Segundo a nota de imprensa, a conquista da Taça Nacional “reforça o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido pelo Ginásio Clube Olhanense na formação de jovens atletas, consolidando o clube como uma das principais referências do basquetebol de formação”.
A escritora algarvia Lídia Jorge foi distinguida com a Medalha de Mérito Cultural, atribuída pelo Ministério da Cultura, Juventude e Desporto, numa cerimónia realizada em Loulé, a sua terra natal. A homenagem, que antecede a celebração dos 80 anos da autora, reconhece uma carreira literária de mais de cinco décadas e o impacto nacional e internacional de uma obra marcada pela reflexão sobre a memória, a condição humana e a democracia.
A distinção foi entregue pela ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, perante uma sala repleta de personalidades da cultura, da política e da sociedade civil algarvia, no Solar da Música Nova, sede do Conservatório de Música de Loulé – Francisco Rosado. Entre os presentes estiveram o presidente da Câmara Municipal de Loulé, Telmo Pinto, o ex-presidente da autarquia, Vítor Aleixo, o companheiro da escritora, Carlos Albino, e diversas figuras ligadas ao setor cultural.
Foi com emoção que a romancista aceitou a distinção, destacando a sensibilidade da Ministra ao assinalar publicamente o seu percurso literário, sublinhando que os mesmos livros e desafios “poderiam ter passado despercebidos”.
Lídia Jorge celebrou o facto de a homenagem acontecer “ao fim da tarde, entre amigos”, na sua terra natal.
“Por natureza, e não por plano, nunca enjeitei o espaço da origem. Pelo contrário, fui somando à experiência primordial da infância, sucessivos círculos concêntricos que se foram alargando, pelas vivências geograficamente longínquas que a vida me tem proporcionado. A propósito desta fidelidade intrínseca, certa vez escrevi sobre este sentimento de pertença – Algarve, minha primeira pátria. O resto do mundo é apenas o seu deslumbrante prolongamento. E assim é. Por isso, Senhora Ministra, à Medalha de Mérito de âmbito nacional, que me atribui, eu devo acrescentar – Medalha de Mérito atribuída em Loulé, Algarve. Esta localização precisa não a restringe, aumenta-a”, declarou.
Durante a cerimónia, Margarida Balseiro Lopes destacou a relevância da escritora no panorama literário contemporâneo, lembrando que a sua obra conquistou leitores e reconhecimento muito para além das fronteiras nacionais.
A ministra recordou que o Algarve permaneceu sempre presente na escrita da autora e referiu “O Dia dos Prodígios” como uma das obras mais importantes produzidas em Portugal após a Revolução de Abril.
Ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes
“Abriu novas possibilidades à narrativa portuguesa contemporânea, construindo uma leitura profundamente original do país, da transformação social e da realidade portuguesa saída da ditadura”, afirmou.
A governante salientou ainda que distinções como o Prémio Ricardo Malheiros, o recente Prémio Pessoa e várias condecorações internacionais refletem a singularidade da obra de Lídia Jorge, mas sublinhou que o verdadeiro legado da autora reside na capacidade da sua escrita para dialogar com sucessivas gerações de leitores e interpretar o presente através da literatura.
Convocado para assumir o papel de “padrinho mais jovem” desta homenagem, o músico Dino D’Santiago subiu ao palco para dirigir palavras de profunda admiração e amizade à escritora. “Lídia Jorge nasceu a 18 de junho de 1946. O céu sorriu! Sorriu porque, de vez em quando, nasce alguém capaz de recordar à Humanidade aquilo que ela se esforça tanto por se esquecer: a sua própria Humanidade!”, afirmou o artista.
“Lídia Jorge nasceu a 18 de junho de 1946. O céu sorriu!”, Dino D’Santiago no palco
Lembrando as raízes da romancista em Boliqueime, “filha daqueles que conhecem o peso do sol sobre os ombros”, o músico destacou o legado único da autora: “Há pessoas que herdam propriedades, outras herdam apelidos, Lídia Jorge herdou uma coisa mais rara: o conhecimento profundo da condição humana”.
Dino D’Santiago contextualizou ainda dia de nascimento da escritora com marcos históricos globais – a revolta contra o Colonialismo em Goa, a escolha da República em Itália que veio pôr termo à “sombra do Fascismo”, e a fundação do Banco Mundial -, associando o nascimento da autora aos valores da Democracia, Libertação e Construção.
“Num tempo em que tanto se escolhe o ruído, ela escolheu escutar”, enfatizou o cantor, concluindo que a obra de Lídia Jorge permanece viva porque “não nasce da ideologia, nasce da compaixão, uma forma superior de inteligência”. “Uma mulher de Boliqueime continua a lembrar-nos que escrever não é simplesmente o ato de organizar palavras, é sim recusar que a Humanidade desapareça”, sublinhou ainda.
Também o presidente da Câmara Municipal de Loulé, Telmo Pinto, destacou a ligação permanente da autora às suas raízes algarvias e a forma como conseguiu transformar a memória coletiva da região numa narrativa universal.
“Nunca esqueceu as suas raízes e, mesmo quando escreve para o mundo, continua a escrever a partir daqui, deste nosso Sul de luz”, afirmou o autarca. “Ela leva-nos daqui para o mundo, mas também traz o mundo até nós.”
Na mesma intervenção, Telmo Pinto anunciou que Lídia Jorge será a patrona da candidatura de Loulé a Capital Portuguesa da Cultura 2028, assumindo um papel central naquele que classificou como um dos mais importantes projetos culturais do concelho.
Já distinguida com a Medalha de Mérito Cultural, a escritora recordou o contexto em que escreveu “O Dia dos Prodígios”, obra inspirada no Portugal rural que conheceu durante a infância e juventude. Confessou que, na época, acreditava numa rápida modernização do país, mas sentiu a necessidade de preservar a memória de um mundo em transformação.
“Desejava que não fosse esquecido o Portugal primitivo que a maior parte de nós, na altura, tinha conhecido”, explicou.
A autora aproveitou ainda a ocasião para refletir sobre os desafios colocados pelas novas tecnologias e pela inteligência artificial, tema que havia debatido horas antes num fórum dedicado à cultura digital, realizado em Tavira.
“A literatura e a poética representam o último porto seguro de resistência à robotização do pensamento, à artificialidade, à despersonalização e à homogeneização”, afirmou.
Apesar das transformações tecnológicas em curso, Lídia Jorge manifestou confiança na criatividade humana e rejeitou a ideia de que as máquinas possam substituir a criação artística.
“Nenhuma máquina poderá rivalizar com a capacidade criativa que nós, os seres humanos, detemos, a capacidade de juntar o que nunca foi reunido antes. A esse compositum novo, que se forma em cada um de nós, chama-se criação”, concluiu.
Com mais de três dezenas de obras publicadas, traduzidas em várias línguas, e uma carreira amplamente premiada, Lídia Jorge soma agora a Medalha de Mérito Cultural ao conjunto de distinções que reconhecem o contributo de uma das mais importantes vozes da literatura portuguesa contemporânea.