O candidato com pouca rejeição que 70% dos eleitores não conhecem
A pesquisa Genial/Quaest de junho coloca Renan Santos (Missão) com 3% das intenções de voto no primeiro turno. O número é baixo, mas a leitura que para por aí perde o que o levantamento tem de mais interessante sobre o líder do Movimento Missão.
Desconhecimento
Renan é um dos candidatos mais desconhecidos entre todos os testados pela pesquisa. Apenas 30% dos entrevistados o conhecem, contra 98% que conhecem Lula e 95% que conhecem Flávio Bolsonaro. Com 70% do eleitorado sem saber quem ele é, a intenção de voto de 3% não mede força eleitoral consolidada, mas o alcance de uma candidatura que ainda não chegou à maior parte do país.
Potencial
O índice de possibilidade de voto muda a perspectiva. Entre os eleitores que conhecem Renan, 10% dizem que votariam nele e apenas 20% o rejeitam. É uma das menores rejeições entre todos os candidatos testados. Lula tem 53% de rejeição entre os que o conhecem. Flávio Bolsonaro, 56%.
Renan não carrega o peso da polarização. Quem o conhece abre espaço para o voto com uma frequência bem maior do que ocorre com os dois líderes. O problema é que quase ninguém o conhece.
Posição
Com 2% entre os independentes, Renan ocupa exatamente o segmento que Flávio Bolsonaro perdeu e que Lula não consegue conquistar. É um espaço pequeno hoje, mas estrategicamente situado no centro do eleitorado mais disputado da eleição.
Uma candidatura que cresce nesse segmento não precisa de muito para alterar a aritmética do primeiro turno. Lula aparece com 39% e carrega 53% de rejeição entre os que o conhecem, o que coloca seu teto eleitoral em torno de 47%. Os 3 pontos que separam esse teto da maioria absoluta estão disputados por candidaturas como a de Renan, que atuam exatamente no espaço dos eleitores sem identificação com os polos esquerda ou direita. Cada ponto dos independentes que fica fora do campo petista aumenta a probabilidade de o confronto ir para o segundo turno.
Limite
O obstáculo de Renan nesta eleição não é rejeição, é invisibilidade. Candidatos com alta rejeição precisam convencer quem já os conhece e os recusa. Renan precisa, antes, ser conhecido. São problemas diferentes, com soluções diferentes e custos diferentes.
Se a campanha resolver o problema do desconhecimento terá um candidato com baixa resistência à frente. A questão é se há tempo, dinheiro e estrutura para fazer isso antes de outubro ou só em 2030.


© Cauê Del Valle/Divulgação MBL