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Preços em Moçambique disparam 2,32% num mês elevando inflação homóloga a 7,22%

Os preços em Moçambique dispararam 2,32% em maio, quase quadruplicando face a abril, elevando a inflação homóloga a 7,22%, segundo dados divulgados esta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), num mês marcado pela subida nos combustíveis.

O Índice de Preços no Consumidor (IPC) de maio do INE indica que Moçambique “registou um aumento de preços na ordem de 2,32%”, face a abril (0,63%), agora influenciado pelos setores do Transporte e da Alimentação e bebidas não alcoólicas, contribuindo, respetivamente, com 1,80 e 0,32 pontos percentuais.

Após uma crise no fornecimento de combustíveis durante o mês de abril, em Moçambique, devido ao conflito no Médio oriente, o preço do litro de gasóleo subiu 45,5% em 07 de maio e o de gasolina 12,1%.

No relatório de maio do IPC destaca-se, juntamente com os combustíveis, a variação mensal dos preços nos transportes semicoletivos urbanos e suburbanos de passageiros (11,9%), de transportes de longo curso de passageiros por autocarro (26,3%) e por táxi (23,5%), mas também no peixe fresco (11,7%) e tomate (5,7%), que representaram no total 2,10 pontos percentuais da subida mensal.

O IPC de maio refere que a inflação acumulada desde janeiro de 2026 se cifra já nos 5,19%, enquanto a variação homóloga disparou para 7,22%.

Os preços em Moçambique aumentaram 3,23% em todo o ano de 2025, segundo dados anteriores do INE, abaixo do registo de 2024 e das previsões do Governo.

Moçambique chegou a registar oito recuos mensais (deflação) no índice dos preços ao consumidor, em menos de um ano e meio, quatro dos quais entre abril e julho do ano passado, retomando as subidas a partir de agosto.

A inflação acumulada de 2024, segundo dados anteriores do INE, fixou-se nos 4,15%, que compara com os 5,3% de 2023, mas abaixo do pico de quase 13% atingido em julho de 2022.

O Governo previa para 2025 uma inflação em torno de 7% em Moçambique, tal como a estimativa para 2026.

O Banco de Moçambique decidiu em 25 de maio manter a taxa de juro de referência em 9,25%, aumentou o coeficiente de reservas obrigatórias em moeda nacional e admitiu que a inflação possa disparar para dois dígitos devido à crise dos combustíveis provocada pelo conflito no Médio oriente.

“Esta decisão decorre da prevalência de elevadas incertezas quanto à duração do conflito no Médio Oriente e ao seu impacto sobre a cadeia logística e a oferta de bens, assim como sobre os preços internacionais e domésticos dos combustíveis e alimentos”, explicou então o governador do banco central, Rogério Zandamela.

A posição foi assumida no final da reunião do Comité de Política Monetária (CPMO), em Maputo, que se realiza a cada dois meses, e que decidiu manter a taxa inalterada, tal como já o tinha feito em março, então após 12 cortes (24 meses) consecutivos desde janeiro de 2024, com Zandamela a admitir que a continuidade da pausa neste “relaxamento” da taxa MIMO depende da evolução do contexto nacional e internacional.

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Wall Street: Tecnologia cai e agravamento de discurso contra Teerão ofusca dados da inflação

Os principais índices bolsistas de Wall Street negoceiam no vermelho no início da sessão desta quarta-feira, dia marcado pela divulgação dos números da inflação em maio (4,2%), que não se afastaram das expectativas do mercado.

No setor tecnológico, o Nasdaq cai 1,34%, o S&P500 recua 0,94% e o Dow Jones desvaloriza 1,12% (16:20, hora de Portugal).

Mas a marcar o dia estão as mais recentes declarações de Donald Trump dirigidas ao Irão, com o presidente dos EUA a afirmar nas redes sociais que Teerão “vai pagar o preço” por ter demorado “muito tempo a negociar um acordo“, numa altura em que as conversações estão num impasse.

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Inflação nos EUA acelera para 4,2% em maio em linha com o esperado

A taxa de inflação nos EUA subiu para 4,2% em maio, numa comparação homóloga, correspondendo às expectativas do mercado, de acordo com o Departamento de Estatísticas do Trabalho norte-americano.

O índice de preços no consumidor terá atingido o nível mais elevado desde abril de 2023, impulsionado pelos custos da energia, que aumentaram 23,5% em maio, significativamente acima da subida de 17,9% registada em abril, devido ao choque energético provocado pelo conflito com o Irão.

“O índice da energia representou mais de 60% do aumento mensal do índice geral”, lê-se no boletim do Bureau of Labor Statistics (BLS) publicado esta quarta-feira. Em maio, os preços da gasolina dispararam 40,5%, após um aumento de 28,4%.

Na habitação (3,4%) e na alimentação (3,1%) a inflação voltou a acelerar, expondo uma pressão crescente nos orçamentos das famílias e uma preocupação que deverá marcar a campanha para as eleições intercalares em novembro.

Numa leitura em cadeia, o IPC aumentou 0,5% (0,6% em abril), igualmente em linha com as previsões. Os preços da energia subiram 3,9% e representaram mais de 60% do aumento mensal.

A inflação subjacente, que não considera a energia e alimentos dada a sua natureza volátil, fixou-se em 2,9% em maio, em termos homólogos, ligeiramente acima dos 2,8% observados no mês anterior, mas que subiu menos do que o esperado.

Dada a evolução da inflação e o terceiro aumento consecutivo em termos homólogos, com o conflito no Médio Oriente a determinar a alta dos preços dos produtos energéticos, um cenário de mudança nas taxas de juro poderá não acontecer no curto prazo.

Na última reunião presidida por Jerome Powell, no final de abril, o Comité de Política Monetária (FOMC, na sigla em inglês) deliberou manter a taxa de referência entre os 3,50%-3,75%, numa reunião de forte divergência no sentido de voto.

A próxima reunião de política monetária será já liderada por Kevin Warsh como novo presidente da Fed, estando agendada para os dias 16 e 17 de junho.

EUA: Inflação sobe para 3,8% em abril e toca máximos de 2023

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BCE deve subir juros como "tiro de aviso" contra a inflação

Primeira subida de juros em três anos deverá ser de 25 pontos-base. Intenção é sinalizar que BCE não irá tolerar que se forme uma escalada súbita da inflação, como aconteceu em 2022.

© CHRISTOPHE PETIT TESSON/EPA

Christine Lagarde sucedeu a Mario Draghi na liderança do BCE
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