Reading view

Investigadores desenvolvem tecnologia para criar ecrãs flexíveis que dobram e esticam sem se partir

Uma equipa de investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) desenvolveu um novo condutor transparente e ultra-resiliente que promete transformar o futuro dos dispositivos wearables, dos ecrãs táteis e de tecnologias de recolha de energia.

Esta investigação propõe uma solução inovadora para um dos principais desafios da eletrónica moderna: desenvolver filmes condutores que são simultaneamente transparentes e elásticos, capazes de se esticar, dobrar e acompanhar o movimento humano sem comprometer o seu desempenho elétrico.

No centro desta descoberta está uma arquitetura nanométrica tridimensional em forma de giroide, preenchida com metal líquido. Esta estrutura geométrica avançada permite que o material suporte deformações extremas, incluindo alongamentos, torções e compressões, mantendo uma condutividade elétrica estável e eficiente.

estudo, publicado na revista npj Flexible Electronics, do grupo Nature, resulta de uma colaboração entre o Instituto de Sistemas e Robótica (ISR), o Departamento de Engenharia Electrotécnica e de Computadores e o Departamento de Física da FCTUC.

Segundo os investigadores, a nova abordagem ultrapassa as limitações dos condutores tradicionais, que tendem a partir ou degradar-se quando sujeitos a esforços mecânicos repetidos. Para além da elevada elasticidade, o novo composto combina duas características raramente conciliáveis: elevada condutividade elétrica e transparência ótica, essenciais para aplicações em tecnologias de visualização e interfaces inteligentes.

“Os ecrãs, touchscreens e células solares atuais continuam a ser fundamentalmente frágeis. O nosso objetivo é criar eletrónica macia, resiliente e sustentável, capaz de resistir a dobragens, alongamentos, impactos e até perfurações sem perder funcionalidade”, explica Mahmoud Tavak, líder do estudo e investigador do ISR.

“Os resultados incluem dispositivos eletroluminescentes capazes de esticar até 600%, enquanto o próprio condutor transparente suporta deformações até 1400%, o que significa que pode esticar até 14 vezes o seu comprimento original”, acrescenta.

Para validar o potencial da inovação, a equipa integrou o novo condutor em dispositivos optoeletrónicos e sistemas de eletroluminescência, demonstrando a sua aplicabilidade em contextos reais.

De acordo com Mahmoud Tavak, este avanço representa “um passo decisivo rumo a uma eletrónica verdadeiramente integrada no quotidiano”, aproximando a tecnologia da flexibilidade e adaptabilidade dos sistemas biológicos.

Este trabalho de investigação é financiado pelo projeto Liquid 3D do Conselho Europeu de Investigação (ERC) (Grant Agreement n.º 101045072).

Sul Informação

O conteúdo Investigadores desenvolvem tecnologia para criar ecrãs flexíveis que dobram e esticam sem se partir aparece primeiro em Sul Informação.

  •  

Estudo de investigadores do ABC sobre ratinho espinhoso africano abre pistas na investigação do cancro

Um estudo de uma equipa de investigadores do Algarve Biomedical Center Research Institute (ABC- Ri) sobre o ratinho espinhoso africano lança novas pistas sobre a investigação do cancro, revelou a Universidade do Algarve (UAlg).

Os resultados do estudo, realizado em parceria com o Instituto de Investigação Biomédica Sols-Morreale (IIBM-CSIC-UAM), «abrem novas perspetivas de investigação sobre os mecanismos biológicos que podem contribuir para a prevenção do cancro e para avanços na medicina regenerativa», lê-se, em comunicado.

O ratinho espinhoso africano (Acomys) alvo do estudo publicado na revista Scientific Reports é uma espécie conhecida «pela sua elevada capacidade de regeneração tecidular e resistência ao desenvolvimento de tumores».

Ao contrário da maioria dos mamíferos, que cicatrizam quando sofrem uma lesão, este roedor consegue regenerar pele, músculo e até recuperar ligações funcionais na medula espinhal.

«Esta capacidade tornou-o um modelo de grande interesse para o estudo da regeneração dos tecidos», explica a academia.

Durante décadas, o cancro foi descrito como “uma ferida que nunca cicatriza”, porque tanto a reparação dos tecidos como o desenvolvimento tumoral envolvem uma intensa multiplicação de células.

Esta semelhança levou os investigadores a considerar que «os organismos com maior capacidade de regeneração poderiam também ter uma maior propensão para desenvolver cancro».

No entanto, os resultados deste estudo apontam noutra direção: os investigadores compararam a resposta do ratinho espinhoso com a de ratinhos de laboratório convencionais (Mus musculus), após ambos serem submetidos a um modelo experimental de indução de tumores na pele.

«Enquanto os ratinhos convencionais desenvolveram vários tumores, os ratinhos espinhosos não desenvolveram nenhum», concluíram.

Para perceber as razões desta diferença, a equipa analisou, ao longo de 28 dias, a atividade dos genes das duas espécies.

Os resultados mostram que o ratinho espinhoso «desencadeia uma resposta biológica diferente» quando exposto a fatores que podem provocar cancro.

Em concreto, este animal «ativa mais rapidamente genes que ajudam a impedir o desenvolvimento do processo cancerígeno e apresenta também uma resposta imunitária mais eficaz, envolvendo células capazes de eliminar células potencialmente cancerígenas».

Além disso, quando o dano é controlado, «a atividade destes genes regressa rapidamente aos níveis normais».

Outro aspeto importante observado foi o aumento da morte celular programada nas zonas lesionadas. Este mecanismo permite eliminar células com alterações genéticas antes que estas se transformem em células cancerígenas.

«Estes resultados indicam que a capacidade regenerativa e a resistência ao cancro não são incompatíveis, podendo antes estar relacionadas», explica Wolfgang Link, investigador do CSIC e autor correspondente do estudo.

«O ratinho espinhoso desenvolveu mecanismos altamente eficazes para controlar a proliferação celular, ativando tanto o sistema imunitário como vias supressoras de tumores», esclarece.

Este trabalho posiciona os mecanismos de regeneração tecidular «como uma possível chave para a prevenção do cancro».

Compreender como o ratinho espinhoso consegue controlar a multiplicação celular «poderá ajudar a identificar novos alvos terapêuticos e contribuir para o desenvolvimento de estratégias inovadoras para a prevenção e tratamento do cancro humano, bem como para avanços na medicina regenerativa.

A equipa responsável pelo estudo e pela publicação do artigo é composta por Marta Vitorino, Gonçalo G. Pinheiro, Inês Grenho, Inês M. Araújo, Bibiana Ferreira, Wolfgang Link e Gustavo Tiscornia, investigadores da Universidade do Algarve.

O conteúdo Estudo de investigadores do ABC sobre ratinho espinhoso africano abre pistas na investigação do cancro aparece primeiro em Sul Informação.

  •  
❌