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Soja avança em Chicago com clima nos EUA e expectativa pelo USDA

Os contratos futuros da soja encerraram a sessão desta quarta-feira (10) em alta na Bolsa de Chicago. O vencimento julho teve avanço de 0,83% e fechou cotado a US$ 11,23 por bushel, sustentado por fatores climáticos nos Estados Unidos e pela expectativa em torno do relatório mensal de oferta e demanda do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), que será divulgado nesta quinta-feira (11).

De acordo com a Agrinvest, o complexo soja registrou um dia positivo em Chicago, com destaque para os ganhos da soja em grão e do óleo de soja. Além do suporte vindo do mercado de energia, impulsionado pela valorização do petróleo, as cotações também encontraram respaldo em fundamentos próprios.

Entre eles está o excesso de chuvas em áreas produtoras do Meio-Oeste norte-americano, que mantém a atenção dos investidores sobre o desenvolvimento da safra. O mercado também acompanha de perto o relatório do USDA, embora a expectativa seja de poucas alterações nos números atuais.

Analistas projetam apenas ajustes pontuais, com possível redução dos estoques de passagem da soja nos Estados Unidos. O órgão também pode revisar as estimativas de exportações e de esmagamento, fatores que contribuem para dar sustentação aos preços no curto prazo.

Milho

Os contratos futuros do milho encerraram a sessão com leve queda na Bolsa de Chicago. O contrato com vencimento em julho fechou cotado a US$ 4,19 por bushel, recuo de 0,12% em relação ao fechamento anterior.

Segundo análise da Granar, o mercado apresentou oscilações moderadas ao longo do dia. A recuperação observada nas primeiras horas de negociação, impulsionada por operações de hedge de fundos de investimento, perdeu força perto do meio-dia após a retomada das liquidações de contratos realizadas por esses participantes.

O milho continua pressionado pelas condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento inicial da safra 2026/27 nos Estados Unidos. O cenário de clima adequado em grande parte das principais regiões produtoras reforça as expectativas de uma boa produção e limita avanços mais consistentes nas cotações.

A exceção está na região central das Grandes Planícies, onde áreas do Nebraska ainda enfrentam déficit hídrico. A necessidade de chuvas mais volumosas no estado mantém a atenção do mercado, mas, por enquanto, o quadro geral segue favorável para o desenvolvimento das lavouras norte-americanas.

Trigo

Os contratos futuros do trigo fecharam em alta nesta Bolsa de Chicago. O vencimento para julho avançou 0,38%, encerrando o dia cotado a US$ 5,87 por bushel.

Segundo a Agrinvest, o mercado segue atento às condições das lavouras norte-americanas, que permanecem entre as piores registradas desde 2006. O cenário mantém as preocupações com a oferta de trigo nos Estados Unidos e dá sustentação às cotações internacionais.

Na Europa, os contratos negociados na Euronext também avançaram pela segunda sessão consecutiva. O movimento representa uma recuperação técnica após os preços atingirem os menores níveis em cerca de três meses e meio, acompanhando a melhora observada no mercado de Chicago.

A Granar destacou que os ganhos foram impulsionados por operações de hedge realizadas por fundos de investimento, ainda que de forma moderada, após as fortes perdas acumuladas pelos contratos futuros nas últimas duas semanas.

Além disso, os preços receberam suporte da revisão para baixo da estimativa da safra de trigo de inverno norte-americana, divulgada pelo USDA no início da semana, fator que reforçou as preocupações em relação à disponibilidade do cereal.

Clima e degradação redesenham o lucro no agro e impulsionam integração

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Descompactação do solo impulsiona produção de soja, aponta pesquisa

A compactação do solo, considerada um dos principais desafios para a agricultura em regiões sujeitas a estiagens, pode comprometer a infiltração de água, limitar o desenvolvimento das raízes e reduzir a eficiência do sistema de plantio direto, amplamente adotado na produção de grãos no Brasil.

Estudos conduzidos pelo IFRS (Instituto Federal do Rio Grande do Sul) indicam que práticas de descompactação do solo associadas à aplicação de corretivos agrícolas podem melhorar as condições físicas e químicas das áreas cultivadas, o que favorece o desempenho da soja e aumento da capacidade de retenção de água no solo.

As pesquisas avaliaram diferentes estratégias de manejo em sistema plantio direto, incluindo o uso de descompactação mecânica combinada com calcário e gesso agrícola. O objetivo foi verificar como essas práticas influenciam a infiltração de água e o ambiente radicular das plantas, fatores considerados essenciais para a produtividade em períodos de déficit hídrico.

Os resultados mostraram que a combinação entre descompactação mecânica e calagem apresentou os melhores indicadores de correção da acidez em camadas mais profundas do solo. Segundo os pesquisadores, o pH permaneceu mais elevado nas áreas que receberam o tratamento, indicando maior movimentação do calcário para além da superfície.

Enquanto a aplicação convencional de calcário concentrou seus efeitos nos primeiros 10 centímetros do solo, os manejos associados à descompactação apresentaram resultados observados até cerca de 15 centímetros de profundidade, ampliando a melhoria das condições para o crescimento radicular.

Além dos ganhos químicos, os estudos identificaram benefícios diretos para a produção de grãos. As áreas submetidas à descompactação registraram produtividade média da soja próxima de 200 quilos por hectare acima da média geral do experimento.

Também foram observados aumentos no peso de mil grãos nos tratamentos que receberam correção do solo.

De acordo com os pesquisadores, a melhoria da estrutura física do solo favorece a infiltração e o armazenamento de água, aumentando a capacidade das plantas de suportar períodos de estiagem. O resultado pode contribuir para maior estabilidade produtiva em um cenário de eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes.

Para o diretor da Agross do Brasil, Silmo de Ávila, a busca por soluções que ampliem a resiliência das lavouras tem se tornado estratégica para os produtores rurais. “Hoje, quando o produtor enfrenta estiagens mais frequentes e precisa produzir mais sem ampliar área, olhar para a saúde do solo passou a ser uma questão estratégica. O produtor precisa de soluções que tragam resultado prático e ajudem a construir lavouras mais resilientes no longo prazo”, afirmou.

Os pesquisadores destacam que a adoção de práticas voltadas à descompactação e à melhoria da fertilidade pode representar uma ferramenta importante para elevar a eficiência do uso da água e sustentar o potencial produtivo das lavouras de soja e outras culturas de grãos.

Como o produtor financia a safra no Brasil?

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