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Pesquisa Quaest: por que Lula sobe e Flávio Bolsonaro perde terreno

A pesquisa Genial/Quaest nacional desse mês de junho registra dois movimentos simultâneos: Lula (PT) cresce e Flávio Bolsonaro (PL) recua. A leitura apressada pode tratar os dois como faces do mesmo fenômeno, como se Lula melhorasse porque Flávio piorou. Não é a realidade.

Flávio perde porque o caso Banco Master deteriorou sua posição fora do bolsonarismo e os números são específicos sobre isso. Lula avança porque suas políticas públicas estão produzindo efeitos percebidos pelo eleitorado e a pesquisa deixa isso claro.

São dinâmicas independentes, com origens distintas, e entender a diferença entre elas é essencial para não afundar em pessimismo ou decolar em empolgação.

Recuo

No confronto direto, Flávio aparece com 38% e Lula com 44%. A diferença de 6 pontos ganha peso quando comparada a maio: há um mês, o senador tinha 41% e o presidente, 42%. O empate técnico de 30 dias atrás transformou-se numa vantagem de 6 pontos para o líder petista.

O recuo não veio de dentro do bolsonarismo. Flávio ainda concentra 94% das intenções de voto do grupo e mantém 70% de voto consolidado, índice praticamente igual ao que Lula tem com o seu eleitorado à esquerda. O problema é que o bolsonarismo não vence uma eleição presidencial sozinho. Os eleitores da chamada "direita bolsonarista" representam cerca de 13% apenas. Para Flávio vencer é preciso ter a "direita não bolsonarista" e os independentes.

A soma da direita bolsonarista com a direita não bolsonarista representa 33% do eleitorado. Flávio aparece com 29% no primeiro turno. Ele não consegue fechar nem o campo que deveria ser todo seu. Uma parcela da direita que não se identifica como bolsonarista não migrou para o senador. Os 4 pontos que faltam para completar os 33% estão dispersos ou indecisos.

Independentes

A série entre os independentes, aqueles que declaram não ser nem direita e nem esquerda, torna o movimento negativo para Flávio ainda mais preciso. Em janeiro, o filho de Bolsonaro liderava esse grupo: 29% contra 26% de Lula. Em fevereiro já havia perdido a dianteira: 23% contra 27%. Em junho, a distância se aprofundou para 24% contra 37% de Lula.

O candidato da oposição saiu da liderança entre os independentes e ficou 13 pontos atrás. A coincidência com o período de maior visibilidade do caso Banco Master não é casual.

Sustentação

Já o crescimento na aprovação do presidente tem explicação própria, separada da queda do adversário.

Entre os beneficiários do Bolsa Família, a aprovação do governo chega a 60%. Entre os não beneficiários, cai para 43%. A distância de 17 pontos mostra que o programa segue funcionando como base de sustentação política.

A isenção do Imposto de Renda alcançou 32% dos entrevistados. Desse grupo, 57% já percebem ganho financeiro concreto: 23% afirmam que a renda aumentou significativamente e 34%, um pouco. São efeitos que chegam ao bolso e depois vão à urna.

O Desenrola 2.0 registra aprovação combinada de 70%, onde 50% consideram boa ideia e 20% avaliam que ajuda um pouco. Apenas 25% o classificam como má ideia. O número tem peso porque inclui parcelas do eleitorado não alinhadas ao governo.

Foi especificamente nesses pontos que Lula cresceu.

Estrutura

Em resumo, Flávio Bolsonaro encolheu fora do bolsonarismo e não porque Lula melhorou.

Já Lula melhorou porque suas políticas estão produzindo efeitos percebidos e não porque Flávio caiu.

Entender isso é importante para evitar depressão ou empolgação. O jogo ainda está aberto, principalmente se for para o segundo turno.

© Ricardo Stuckert/PR: Andressa Anholete/Agência Senado

Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL)
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O PSB usa o Brasil para pressionar por apoio em Pernambuco

A relação entre PT e PSB em Pernambuco não é complicada por acidente ou por capricho. Ela é difícil por cálculo feito de lado a lado. O que parece uma disputa local sobre quem Lula vai abraçar de verdade no estado é, na prática, um único capítulo de uma negociação nacional maior que só terá desfecho nas convenções. O PSB sabe disso e por isso pressiona.

João Campos quer uma coisa simples e custosa para os petistas: que o PT diga, sem ambiguidade, que ele é o candidato do campo lulista em Pernambuco, sem palanque duplo com Raquel Lyra (PSD). O PT não pode dizer isso sem custo para Lula e para o projeto nacional. Porque toda concessão que faz ao PSB num estado cria precedente para o que vai negociar nos outros. E há muita negociação em aberto ainda.

O PSB nacional, presidido pelo próprio Campos, negocia simultaneamente em pelo menos seis estados onde a relação com o PT ainda não está resolvida. A indefinição nesses fronts é a munição que o partido usa para manter a pressão sobre Brasília.

O mapa das tensões

Em São Paulo, o PT vai às urnas com Haddad (PT) e ainda discute se Márcio França (PSB) entra como vice ou disputa o Senado. O PSB quer o Senado. O PT quer que ele fique na vice.

Em Minas Gerais, o projeto original desmoronou. Rodrigo Pacheco havia trocado o PSD pelo PSB para viabilizar uma candidatura ao Palácio Tiradentes como nome de consenso com Lula, mas desistiu no fim de maio e anunciou saída da política. O PSB decidiu lançar candidato próprio, com quatro nomes em avaliação que os petistas não aceitam. PT e PSB seguem sem acordo no segundo maior colégio eleitoral do país.

No Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB) renunciou ao governo para concorrer ao Senado e passou a apoiar Ricardo Ferraço (MDB) como seu sucessor. O PT mantém a candidatura própria de Helder Salomão (PT). O PSB discute internamente se apoia Ferraço ou recua para preservar a aliança nacional com os petistas. Dois candidatos do mesmo campo em lados diferentes.

No Paraná, o PT decidiu apoiar Requião Filho (PDT), enquanto o PSB resiste à composição e avalia neutralidade. Terreno hostil para a esquerda e os dois partidos ainda não acharam o caminho juntos.

No Maranhão, a situação é nebulosa. O governador Carlos Brandão e o vice Felipe Camarão (PT) romperam. O PSB discute apoiar Eduardo Braide (PSD), mas pode rever a posição dependendo do que o PT decidir.

O DF como trunfo

O caso mais revelador é o do Distrito Federal. Lá, PT e PSB travam impasse em que os dois partidos podem efetivamente entrar em campo com nomes opostos na mesma disputa. O PT lançou Leandro Grass (PT). O PSB insiste em Ricardo Cappelli (PSB), ex-interventor federal na segurança pública após o 8 de janeiro. O PT não quer Capelli.

Os números explicam a resistência petista. Cappelli é desconhecido por 64% do eleitorado e aparece com 2,4% numa pesquisa espontânea recente. Grass, no mesmo levantamento, pontua 23,9%, praticamente empatado com o ex-governador Arruda em segundo lugar, atrás apenas de Celina Leão (PP), favorita à sucessão.

Se Cappelli desistir e o partido embarcar na chapa de Grass, o candidato petista no Distrito Federal ganha uma carga de palanque e financiamento que o coloca em posição real de segundo turno. O problema é que, se ceder, o PSB abre mão de uma candidatura com visibilidade nacional para ficar como vice num segundo lugar ou nem isso, já que não está descartada pelo PT uma aliança com Arruda também. É politicamente custoso aos socialistas. E é exatamente esse custo que o partido precisa transformar em moeda de troca em Pernambuco.

Agosto

Até as convenções partidárias, entre 20 de julho e 5 de agosto, PT e PSB vão manter o protocolo. O PT dirá que apoia João Campos em Pernambuco. O PSB entenderá isso como declaração de apoio exclusivo. A ambiguidade é funcional e proposital. Ela evita que Lula precise escolher entre Campos e Raquel antes de resolver o que fará em São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná, Maranhão e Distrito Federal.

Depois das convenções, o jogo será outro. As chapas estarão registradas, os palanques formalizados e a margem para o discurso dúbio vai desaparecer. Lula terá que subir num palanque ou no outro em Pernambuco. Ou nos dois, o que é bem provável.

© reprodução

Lula e o presidente nacional do PT Edinho Silva
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