Reading view

As The World Turns

Photo: @copyright

Another week, and more of the same.  In the middle east there are cease-fires announced while the bombing and killing continues, and DT announcing that he’s told Israel to cease attacking Lebanon, whilst Israel attacks Lebanon.  It’s like a bad soap, (not that there are any good ones), the story keeps getting spun the same way, and we go about our business, knowing full well that we’re just being played. 

The problem is that the atrocities committed are all boiled down to no more than another news story, whose narrative we can’t control or even truly understand.  We are nothing more than spectators; helpless and shell-shocked to a point of ineptitude.  We are now just game pieces on a board and the elites are having a great time rolling the dice.  DT runs freely on the backs of every leader, and in turn, the rest of us.  The press struggles to tell the truth, as oligarch-run media outlets spin the tales in favour of the perpetrators.  Seasoned journalists in the US are being turfed for trying to tell the facts as they really are, while others stay quiet as their country’s leader insults them for asking pertinent and obvious questions that he doesn’t want to answer.

There’s already a trail of journalists and other TV personalities that have been let go, following a public rant by fearless leader.  And those who support him, (besides the Israeli lobbyists), seem to be either in a delusional state, or in sheer panic of losing whatever they might have that they hold dear.  The blatant lying to support their leader’s buffoonery is beyond any scope.  Pam Bondi, Kash Patel, Peter Hegseth, and many others have put their neck in the noose for this guy.  They must be as deranged as he is.  Even if initially, they didn’t see how this would pan out, from what I can see, they’re in way too deep to back out now, although that would be the only way they could attempt to make things right.  It would be the cleanest way to break this troglodyte.  Don’t make him a martir, and don’t give him any excuses.  If he dies, there’s backlash, if he loses, he won’t accept it, but if his own staffers turn on him, then he will be cornered, like a cockroach.  No excuses, even for the dummies that love him, seeing as they believe everything that spews out of his mouth.  Many are convinced that he’s sent by a higher power!  Of course they do.  Many don’t care what he says, even if they know he’s lying.  That is the level of ignorance that has been created in the United States; your’re free, but also unsupported in any way.  You’re free to be an idiot, and your ignorance is as respected as someone else’s intelligence.  Hell, DT has already stated that he doesn’t like intelligent people, (no s**t).  But he has weapons and credit, so the intelligent and rational world is forced to use diplomacy, stretching it to its ripping point.

  At least there have been a few small victories that have torn down some of his egotistical and racist wonts; feel good victories for us, but they barely scratch the surface.  The truth is that he continues to do whatever he pleases, while Israel hides under his skirt.  Both are destroying whatever we have achieved globally, in terms of any semblance of order and peace, all for the gain of individual profits and power.  In the meantime, there’s the world cup of soccer, the circus that will serve to distract while ‘Rome burns’.  We’ll all be happily cheering for our teams while others can’t.  They’ll be busy with more important things.  Imagine what the good ol’ boys will be able to get away with while we’re lining up to trade our savings for a ticket.

Fiquem bem!

Raul Freitas/MS

  •  

O magnífico Dr. A.

– E eu tenho por esta lei muito carinho…

Assim rezou o palestrante. Para o magnífico Dr. A., esse decreto com que coabitava todos os dias, como se fosse cão, gato ou filho, era muito lá de casa. Poucas vezes ouvimos alguém confessar estes afectos subterrâneos. São verberadas pelo catecismo e pelos amigos mais moralistas as paixões que têm por alvos mudos objectos: dinheiro, móveis, roupas, até empregos. E, neste país, para o bem e para o mal, gostamos mais de contornar legislação do que de sublinhá-la. Ali estava o magnífico Dr. A. para contrariar o carácter nacional.

Esmagado sob o peso da própria gravidade, entrara na sala, secundado por um adjunto e uma secretária. O adjunto sentou-se e ficou responsável por passar os slides da apresentação. Era o “melhor técnico” com que o Dr. já tinha trabalhado.  A secretária, o seu “braço direito”, era alguém em quem o Dr. confiava cegamente. Competentíssima, proba, foi passando atrás das cadeiras para ir registando tudo. De bico selado, não ousou fazer o mínimo ruído a tirar fotografias. Mesmo tendo aquele aspecto protuberante e nervoso, A. quase murmurava. Quando lhe pediram que falasse mais alto, denunciou logo a má acústica do sítio. Se pudessem, franziriam o sobrolho os arcos das abóbadas brancas.

Abriu as hostilidades cuspindo o seu currículo extenso. Conhecia este, conhecia aquele, tinha muito a dever a fulano que chegara a director, era uma voz indómita à mesa dos ministros. Para queimar tempo, pediu à audiência que se apresentasse. À medida que das vozes trémulas iam escapando o nome e a formação, o magnífico Dr. A. ia arrolando vítimas para a sua peça. Que não se encolhesse o antigo inspector das Finanças: toda a gente desconfiava desses coca-bichinhos! Também ele conhecia e apreciava uma inspectora. Partilhavam, aliás, o leito matrimonial. E a rapariga que tinha acabado de entrar no primeiro emprego que tivesse paciência, levantasse a mão quando não percebesse alguma coisa. Dali a três ou quatro anos, já dominaria aquilo de trás para a frente. Se conseguisse entender alguma coisa, entretanto. Que se resignasse o tipo que tinha abandonado a instituição em que o Dr. pontificava. Tinha cometido um erro, deslizado numa traição. Acima de tudo, era preciso ter muita humildade. Dobrar o pescoço, fazer recuar o nariz até despontar o focinho. Muita humildade, apontaram?

Depois veio o vídeo, feito por inteligência artificial, que explicava a história da instituição a que o Dr. pertencia. Tivemos de engolir o chorrilho de banalidades, o dinamismo das palavras repetidas, o discurso redondinho. As colunas não funcionavam? Que se levantassem os ouvintes e se acocorassem à volta do ecrã para ouvir a voz soprada do Além. Lá fomos, vergados, beber da sapiência do cérebro etéreo.  

A comunicação prosseguiu sem sobressaltos. O Dr. salientou quanto se tinha sacrificado, ao longo de tantos e tantos anos, em prol do bem público. Confessou ter recusado rendosos cargos para servir a comunidade. Tinham-lhe agitado franjas de ouro e de prata junto às pupilas. E ele resistira.  O cidadão comum saberia o significado desta abnegação? Podia-se lá esperar solidariedade do povo! Mas a ingratidão não o amargava, as dificuldades não o demoviam. O seu magnífico nariz pairava acima de qualquer monturo.

Se alguém começava a falar com o colega do lado, interrompia o discurso.

– Não querem partilhar com os restantes? Pode interessar a outros colegas.

Qualquer murmuração se poderia transformar em insolência. Havia que prevenir. Por mais que tentasse passar o testemunho àquelas cabeças ocas, mil acidentes perturbavam o seu caminho. Um infeliz tentou lentamente desembrulhar um rebuçado. Uma apoplexia espreitou atrás de uma das orelhas do Dr. 

– Só tu é que não reparaste que está toda a gente a olhar para ti!

Como se nada fosse, o dedo do adjunto continuou a premir o botão da seta.  A secretária dançava ao compasso dos cliques, na nossa sombra.

A. voltou à lição, sentado contra uma das mesas, de costas para o lado que menos lhe interessava. Desfiava frases feitas, lia o que os seus subordinados tinham despejado na apresentação. Lançava, contra o tipo traidor, perguntas sobre decretos e programas. Vinham à baila as dificuldades enfrentadas pelo Estado e saltava para a garupa do inspector. Lembrava-se, a espaços, que tinha sido investido da nobre missão de pregar aos peixinhos e aludia à doce inexperiência da juventude, que a rapariga tão bem encarnava.  

O discurso foi-se enrolando e desfazendo. Gradualmente, foi sobrando pouco para ler e dizer. Quando, enfim, deu por terminada a sessão, a vozearia instalou-se. Era como se tivessem tirado a rolha da garrafa de espumante. Pressentindo que a tensão se dissipava, as línguas voltaram ao ataque.

Mas eis que, sem aviso, o dedo inquisidor de um ouvinte se ergueu acima do emaranhado de timbres. Havia uma pergunta para o Dr.!

– Força!

A palma aberta estalou contra a mesa. O silêncio desceu como um milhafre sobre a presa inquieta. Todos os olhos se arregalaram. As bocas contorceram-se em esgares aflitos. O homem dera mesmo uma pancada no tampo? Bastara um gesto, um gesto apenas, para que o tempo suspendesse o curso e engatasse a marcha-atrás. Subitamente, cada um dos ouvintes regressou aos terrores da infância, à solidão da secretária em frente do quadro preto. A. aproximou-se do perguntador, não dando muita importância ao espanto da audiência. A secretária e o adjunto entreolharam-se. Só eles saberiam quantos acessos de tirania lhe sacudiam o corpo todos os dias.

Finda a função, esperou que todos saíssem. Acompanhado pelos dois súbditos, abandonou a sala. Deve ter sorrido, satisfeito. O seu propósito tinha sido cumprido. Mais um passo fora dado para diminuir a ignorância universal.

Sul Informação
Caricatura de Odilon Barrot de Honoré Daumier (1851)

Gostou do que leu? Ajude-nos a continuar!
 
O nosso compromisso é levar até si notícias rigorosas, relevantes e próximas da sua comunidade. Para continuarmos a fazer o que fazemos, precisamos do seu apoio. Qualquer donativo, por mais pequeno que seja, faz a diferença e ajuda a garantir a continuidade deste projeto. Juntos, mantemos a informação viva no Algarve e no Alentejo.
Obrigado por fazer parte desta missão!
Contribua aqui!

O conteúdo O magnífico Dr. A. aparece primeiro em Sul Informação.

  •  

Fundação Nova Era Jean Pina: Um elo solidário entre a diáspora e o interior de Portugal

O empresário e benemérito luso-francês João Pina (à direita) durante a receção nos Paços do Concelho da Guarda pelo presidente da Câmara. @DR

Ao longo das últimas décadas, a diáspora portuguesa tem afirmado, de forma consistente, um notável espírito de solidariedade, um dos mais elevados valores que enobrecem a condição humana e conferem verdadeiro sentido à vida em comunidade. Este desígnio manifesta-se tanto no apoio aos compatriotas radicados no estrangeiro como na permanente ligação solidária a Portugal, numa demonstração inequívoca de coesão, pertença e responsabilidade coletiva.

Entre os múltiplos exemplos que ilustram esta vocação solidária, destaca-se, de forma particularmente expressiva, a ação desenvolvida pela Fundação Nova Era Jean Pina. Constituída em 2019 pelo empresário português João Pina, radicado na região de Paris, esta instituição tem vindo a afirmar-se como um dos mais relevantes agentes de intervenção social no seio da comunidade luso-francesa, a mais numerosa comunidade portuguesa na Europa.

Natural de Trinta, no concelho da Guarda, João Pina emigrou para França na década de 1980, então com apenas 19 anos, acompanhando o percurso de milhares de portugueses que procuravam melhores condições de vida na pátria gaulesa. Apesar das dificuldades inerentes ao processo migratório, construiu um percurso empresarial sólido e bem-sucedido na área da construção civil. Atualmente, enquanto administrador do Grupo Pina Jean, sediado nos arredores de Paris, lidera um conjunto diversificado de empresas com atividade nos setores da construção, limpeza e reciclagem de resíduos.

Todavia, o seu percurso não se esgota no sucesso empresarial. Reconhecido em França como Jean Pina, tem desenvolvido, de forma contínua e empenhada, uma intervenção solidária de grande alcance, colocando os seus recursos e capacidade organizativa ao serviço dos mais vulneráveis. É precisamente nesta dimensão que se destaca o papel estruturante da Fundação Nova Era Jean Pina, cuja missão assenta no lema “Solidariedade em Movimento”.

Sob a liderança direta do seu presidente — distinguido pelo Governo português, no final do passado mês de abril, com a Medalha de Mérito das Comunidades Portuguesas, no grau de ouro — a instituição tem promovido uma relevante cooperação entre França e Portugal, através da conceção, financiamento e concretização de projetos dirigidos a públicos particularmente fragilizados, como idosos, crianças institucionalizadas e pessoas em situação de desemprego.

Particularmente significativa tem sido a ação da fundação em territórios nacionais de baixa densidade, marcados pelo despovoamento e pelo envelhecimento populacional, aos quais o empresário e benemérito luso-francês tem dedicado especial atenção. Foi precisamente nesse contexto que, durante o passado mês de maio, João Pina deslocou-se aos distritos de Viseu e Guarda para uma série de encontros institucionais e ações sociais marcadas pelo desígnio da solidariedade, da proximidade e do reconhecimento das comunidades locais.

Um dos momentos mais marcantes ocorreu na Santa Casa da Misericórdia de Sernancelhe, no distrito de Viseu, onde João Pina participou numa reunião com o provedor Romeu Santos, os idosos da instituição e a equipa técnica do programa “Vamos Realizar Sonhos de Idosos”. Durante a cerimónia, o responsável da fundação recebeu um diploma de agradecimento pelas mãos do provedor, em reconhecimento pelo trabalho solidário desenvolvido e pelo apoio prestado a diversas causas sociais.

As ações de proximidade prosseguiram em Figueira de Castelo Rodrigo, onde o empresário benemérito assinou um protocolo de cooperação entre a Fundação Nova Era Jean Pina e a Associação Figueira S.O.S., lançando as bases de uma parceria destinada a reforçar projetos de apoio social e a desenvolver novas iniciativas dirigidas às populações mais vulneráveis desta vila raiana do distrito da Guarda.

A visita estendeu-se igualmente ao Município da Guarda, onde João Pina foi recebido pelo presidente da autarquia, Sérgio Costa, que destacou publicamente o trabalho desenvolvido pelo empresário em prol dos mais carenciados da região, sublinhando a importância das iniciativas solidárias e do apoio social promovido pelo filho da terra ao longo dos últimos anos.

Ainda na cidade mais alta do país, o presidente da Fundação Nova Era Jean Pina, a convite da psicóloga Sandra Ladeira, e no âmbito do projeto BrilhanteMente, visitou a Escola Secundária Afonso de Albuquerque, marcando presença numa apresentação científica realizada por duas jovens estudantes, num momento de aprendizagem, partilha e aproximação às novas gerações e às suas preocupações.

Num tempo frequentemente marcado pelo individualismo e pela indiferença, o percurso de João Pina e da Fundação Nova Era Jean Pina constitui um exemplo inspirador da força transformadora da solidariedade. A diáspora portuguesa continua, assim, a revelar-se não apenas um elo de ligação entre Portugal e o mundo, mas também uma extraordinária reserva de humanismo, generosidade e compromisso social. Ao levar esperança, apoio e dignidade às populações mais vulneráveis do interior do país, a Fundação Nova Era Jean Pina demonstra como a emigração portuguesa permanece profundamente ligada às suas raízes e aos territórios de onde partiu, contribuindo de forma concreta para a coesão social e para a valorização do interior de Portugal.

Daniel Bastos/MS

  •  

A política precisa de menos escândalos e mais respeito pelos portugueses!

Photo: @copyright

Meus caros leitores, na política, como na vida, a ambição não é um defeito. O problema surge quando a ambição se transforma numa corrida desenfreada pelo poder, onde vale tudo para alcançar um cargo ou uma posição de destaque. Quando se prometem soluções para todos os problemas, sem explicar como serão concretizadas, corre-se o risco de criar expectativas irrealistas e de aumentar a desconfiança dos cidadãos.

Vivemos tempos difíceis. A economia mundial enfrenta desafios, o custo de vida continua elevado e as incertezas acumulam-se. É precisamente nestes momentos que os portugueses precisam de ser tratados com seriedade e honestidade, e não com promessas que parecem demasiado boas para serem verdade.

E mais uma vez, vindas do mesmo lado, em Portugal voltaram a surgir notícias que não dignificam a política. Investigações, detenções e suspeitas envolvendo figuras ligadas ao poder político levantam novamente questões sobre a transparência e a responsabilidade de quem exerce cargos públicos. Cabe agora à justiça fazer o seu trabalho, com independência e sem pressões.

O que os cidadãos exigem não é perfeição. Exigem apenas que quem os governa coloque o interesse público acima das ambições pessoais ou partidárias. E essa é uma lição que todos os partidos deveriam ter presente. 

Portugal voltou a acordar com notícias de buscas, detenções, suspeitas de corrupção e investigações que envolvem autarquias e estruturas ligadas ao poder político. Desta vez, os holofotes apontam para várias entidades locais e para figuras ligadas ao Partido Socialista, numa situação que está a provocar preocupação e desgaste na confiança dos cidadãos.

Importa dizer, desde já, que num Estado de Direito todos são inocentes até prova em contrário. A justiça deve funcionar com independência, sem interferências políticas e sem julgamentos na praça pública. Mas também é verdade que quando os casos se acumulam, os portugueses começam a questionar se os seus representantes estão verdadeiramente ao serviço do país ou dos seus próprios interesses.

Nos últimos anos, temos assistido a um desgaste contínuo da imagem da política. Não por culpa da maioria dos autarcas, deputados ou governantes, muitos dos quais trabalham honestamente, (alguns que calados eram poetas, criticam quem trabalha), mas porque basta uma minoria para lançar suspeitas sobre todos os restantes. O Partido Socialista atravessa atualmente um período particularmente difícil. Depois de anos no poder, enfrenta problemas internos, divisões, perda de influência e sucessivos casos que têm alimentado a desconfiança popular. Em vez de apresentar uma reflexão profunda sobre os erros cometidos, muitas vezes parece mais preocupado em atacar quem governa do que em reconstruir a sua própria credibilidade.

Por outro lado, o atual Governo tem procurado avançar com algumas reformas que há muito eram reclamadas pelos portugueses. Nem tudo estará perfeito, como é evidente, mas há sinais de tentativa de modernização do Estado e de uma maior descentralização de competências, algo que muitos defendem há anos. É legítimo criticar o Governo quando erra, mas também é justo reconhecer quando existem medidas que vão ao encontro das necessidades do país.

Mas se há algo que deve preocupar todos os partidos, sem exceção, é o crescente afastamento dos cidadãos da vida política. Um exemplo recente foram as eleições diretas no PSD. A reduzida participação dos militantes deveria servir de alerta para todos. Quando até aqueles que pertencem aos partidos demonstram desinteresse em participar nos processos internos, algo não está bem. Como militante e observador da vida política, considero preocupante essa falta de mobilização. Os partidos são pilares fundamentais da democracia e precisam de militantes ativos, motivados e envolvidos. Sem participação não existe renovação, sem renovação não existe confiança, e sem confiança a democracia enfraquece.

Os portugueses estão cansados de guerras partidárias permanentes. Estão cansados de escândalos, suspeitas e ataques pessoais. O que querem é transparência, competência e resultados. Querem políticos que resolvam problemas e não políticos que criem problemas.

A justiça deve continuar o seu trabalho, doa a quem doer. Os partidos devem fazer a sua reflexão interna. E os cidadãos devem continuar atentos e exigentes. Porque a democracia não se fortalece com silêncio nem com fanatismos. Fortalece-se com responsabilidade, participação e verdade.

O país precisa de menos ruído político e de pessoas aflitas pelo poder, que parece que obrigam o cidadão a ser o que eles querem. O que o país precisa é de mais respeito pelos portugueses.

Bom fim de semana.

  •  

Toronto’s Island Airport expansion… good idea or bad?

Foto: Creative Commons

Toronto’s downtown airport, officially known as Billy Bishop Toronto City Airport, has long been the subject of debate. Located on the Toronto Islands just minutes from the city’s financial district, the airport provides convenient regional air service while occupying a unique and sensitive location on Toronto’s waterfront.

Over the past decade, proposals to expand the airport have generated intense discussion among residents, businesses, politicians, urban planners, and environmental groups. Supporters argue that expansion would strengthen Toronto’s economy, improve transportation options, and create jobs. Opponents contend that a larger airport would fundamentally alter the charter of the waterfront, increase noise and pollution, and prioritize commercial interests over community needs.

The central question remains: would expanding the island airport serve the people of Toronto, or would it primarily serve the interest of the aviation industry and airport operations?

Billy Bishop Airport operates under a tripartite agreement involving the federal government, the City of Toronto, and the Toronto Port Authority. The agreement governs airport operations, including restrictions on runway length and aircraft types. Historically. The airport was intended to remain a relatively small urban airport. Expansion proposals have included runway extensions, accommodation of larger aircraft, and increased passenger capacity. Such changes would transform the airport from a regional facility into a more significant transportation hub. Because the airport sits adjacent to densely populated neighborhoods and valuable public waterfront land, and expansion carries consequences far beyond aviation.

The strongest argument against major expansion is that Toronto already possesses a larger international airport in Pearson. Critics ask why valuable downtown waterfront land should be used to duplicate infrastructure that already exists elsewhere in the region. The strongest argument in favour is convenience. A larger downtown airport could provide faster access for millions of travellers and support economic growth in Canada’s largest city. The question therefore becomes one of priorities…. should Toronto’s waterfront be primarily a transportation corridor, or should it remain focused on recreation, housing, public space, and environmental stewardship?

Doug Ford has pulled off a significant political victory in Ontario politics in my humble opinion with the premiere being able to convince the mayor of Toronto Olivia Chow and the Prime Minister of Canada to go along with the expropriation and move on the Island airport that no other government has ever pulled off. Doug Ford has done what no other single politicians has ever been able to maneuverer this deal with all levels of government being on side. Whether the stars all lined up at the same time, or did Doug Ford make this happen?

Expanding Billy Bishop Toronto City Airport offers clear economic and transportation benefits. Increased connectivity, job creation, and business access could strengthen Toronto’s position as a major North American city. However, those benefits must be weighed against substantial costs, including noise, environmental impacts, pressure on surrounding neighborhoods, and potential loss of waterfront opportunities.

Whether the tripartite agreement serves the public interest depends largely on one’s view of what Toronto’s waterfront should become. If economic growth and transportation efficiency are the primary goals, expansion appears attractive. If preserving public waterfront space, neighborhood quality of life, and environmental sustainability are the priorities, significant expansion becomes much harder to justify.

The debate is not simply about an airport. It is a broader discussion about the future identity of Toronto itself and how the city chooses to balance growth, mobility, and quality of life.

Ford appears to have won the political battle to get Billy Bishop expansion moving, but the broader fight over whether the project is a good idea-and how much of it ultimately gets built-is still being contested.

Love it or loathe it, Toronto Island Airport has mastered one thing better than most airports; keeping an entire city talking before passengers even leave the ground. 

Whether it was a “win” for Doug Ford depends on your viewpoint.

Vincent Nigro/MS

  •  

A BANDEIRA DA INCLUSÃO

Photo: @copyright

“Sou um órfão do mar que navega de uma identidade para outra.” – Michael Gouveia, O Herdeiro

Até 1978, celebrava-se o nosso 10 de Junho com a designação de “Dia de Camões e da Raça Portuguesa”, na lógica de um simbolismo nacionalista que retratava o espírito imperial do Estado Novo. Só depois da Revolução dos Cravos, o Dia de Portugal passou a chamar-se “Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas”. Esta alteração teve a ver com a consciência de que Portugal, desfeito o império, não era apenas um país confinado à sua parte continental e insular, mas abrangia também todas as comunidades de emigrantes espalhadas pelo mundo, tendo-se passado, assim, a valorizar a nossa diáspora. Contas feitas, direi que estamos a dois anos de completar 50 anos de reconhecimento do papel de todos os portugueses que, em determinada altura das suas vidas, procuraram fora o que não encontraram cá dentro. E foram muitos!

É, por isso, cada vez mais incompreensível que a maioria dos que estão ausentes, condene os movimentos migratórios que, nos últimos anos, têm chegado a Portugal. Pior ainda, é concluirmos que toda essa má vontade está expressamente ligada ao facto de terem uma cor de pele e hábitos culturais diferentes dos nossos, como se isso, por si só, fosse um crime. Quando se deram as grandes vagas migratórias dos portugueses, não existiam redes sociais, pelo que o retrato que deles foi feito ficou circunscrito a artigos de opinião e fotografias que agora fazem parte de arquivos históricos que ninguém consulta, salvo um diminuto grupo de estudiosos da matéria. Nos tempos que correm, tudo está exposto e ganha uma amplitude nunca antes experimentada. Já para não falar dos inúmeros vídeos falsos e das frases curtas de grande impacto, que determinados grupos se encarregam de manipular, tornando-se na “vox populi, vox dei” como se de verdades se tratasse.

O fenómeno é novo? Não, apenas no que aos meios de divulgação diz respeito. Basta-nos recuar uns séculos e fazermos uma visita ao nosso poeta, cronista e músico Garcia de Resende, que viveu entre 1470 e 1536. Num dos seus poemas, depois de se indignar por ver “(…) muito espalhar/ Portugueses no viver;/ Brasil, ilhas povoar/ e às Índias ir morar,/ natureza lhe esquecer.”, remata com o seguinte: “Vemos no reino meter/ tantos cativos crescer/ (…)/ que se assim for serão mais/ eles que nós a meu ver. Ou seja, já Garcia de Resende aflorava a Teoria da Substituição (Grand Remplacement), apesar de esta só ter surgido em 2011, imbuída de uma retórica de incitamento ao ódio e à violência.

Passados quase quinhentos anos sobre a morte do nosso cronista e depois de séculos de tantas misturas étnicas, nada mudou na nossa matriz cultural, mantendo-nos fiéis à tão discutida lusitanidade que se receava poder ser beliscada.

A pergunta que se deve colocar é, então, a seguinte: “Por que motivo, estamos agora a levantar a questão do risco de descaraterização iminente de um povo que, desde sempre, foi o resultado de vários encontros (leia-se como um eufemismo) de povos com que se foi cruzando, viajando de identidade em identidade? Porquê agora?” A resposta é óbvia: para satisfazer desígnios ocultos que fazem crescer e aumentar o ódio contra o outro, como se o conceito de alteridade tivesse sido descoberto no século XXI.

Para que o Dia de Portugal seja celebrado na sua plenitude, é imperativo que aprendamos a juntar às nossas Comunidades todas as outras que connosco se estão a misturar. Para que se sintam incluídas, para que possam fazer parte de um todo que se chama Portugal, esteja ele onde estiver nas suas tão díspares coordenadas geográficas. Sentir-nos-emos, orgulhosos quando, em cada 10 de junho, içarmos a bandeira de Portugal, cantando bem alto:

 – Contra a exclusão, marchar, marchar!

Aida Batista/MS

  •  

Amparar os nossos idosos nas comunidades portuguesas

Photo: @copyright

Quem está fora de Portugal sabe que emigrar é um ato de coragem. No entanto, envelhecer longe do nosso país, sem a devida proteção do Estado que se ajudou a construir além-fronteiras, é uma injustiça profunda. Como alguém que vive a realidade da diáspora e conhece de perto o pulsar das nossas comunidades no exterior, recuso-me a aceitar o silêncio e a inércia perante o sofrimento dos portugueses espalhados pelo mundo. A denúncia que o Grupo Parlamentar do Partido Socialista fez na Assembleia da República não é apenas uma interpelação política; é um grito de socorro que exige uma resposta imediata e sem tibiezas do Governo português.

Existem graves e insustentáveis atrasos no pagamento do Apoio Social para Idosos Carenciados a inúmeros cidadãos portugueses residentes na Venezuela e no Brasil. Falamos de pessoas idosas, muitas vezes doentes e isoladas, que têm neste apoio de sobrevivência a sua única e exclusiva tábua de salvação para garantir o básico: alimentação, medicamentos e habitação. Para agravar o cenário, na Venezuela, os atrasos no pagamento das pensões de reforma pela Segurança Social portuguesa já superam um ano. Isto não é apenas burocracia; é uma situação de desespero absoluto que atenta contra a dignidade humana.

O Apoio Social para Idosos Carenciados foi pensado como um instrumento mínimo de proteção social do Estado português junto das comunidades emigrantes mais fragilizadas. O valor atribuído é, por si só, reduzido, variando entre os 30 euros e o valor da pensão mínima do regime contributivo, sendo pago trimestralmente. Retardar estas verbas, cujas transferências deveriam ter sido efetuadas em março, significa empurrar centenas de idosos para a miséria extrema. A desculpa da falta de verbas ou de bloqueios nos mecanismos bancários e na emissão de cheques na Venezuela não pode servir de escudo para a incompetência operacional. Se existem constrangimentos bancários crónicos na Venezuela, o Estado tem o dever de encontrar e implementar soluções alternativas urgentes.

Não podemos tolerar que os nossos postos consulares fiquem de mãos atadas por falta de articulação central. A nossa diáspora não é um peso; é parte integrante da identidade e do património de Portugal. É inaceitável que cidadãos que dedicaram as suas vidas ao trabalho e mantiveram viva a ligação ao país fiquem meses sem receber as prestações sociais e as pensões a que têm pleno direito, privados de informação clara e de respostas eficazes.

Por isso, exigem-se esclarecimentos claros ao Governo: quantos idosos estão afetados por estes bloqueios? Quando será regularizado, integralmente, o pagamento do Apoio Social para Idosos Carenciados e das pensões em atraso? E que mecanismos estruturais serão criados para garantir que estes atrasos vergonhosos nunca mais se repitam? A solidariedade nacional não devia terminar dentro  das fronteiras geográficas do retângulo continental. Proteger os portugueses no estrangeiro, especialmente os mais vulneráveis, é um imperativo moral e constitucional do qual Portugal nunca deve abdicar. Ignorar esta realidade é falhar com a nossa própria história. O Governo deve agir de imediato, retificando estes erros operacionais e logísticos, assegurando que o apoio financeiro chegue a quem dele depende para sobreviver. Cuidar dos nossos idosos na diáspora não é uma escolha política ou uma benesse partidária, mas sim um ato elementar de justiça, respeito e humanidade para com aqueles que, mesmo distantes, sempre honraram Portugal .

Vitor M. Silva/MS

  •  
❌