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Acabou a novela Mourinho, mas o universo das águias pode estar a preparar-se para outra saga: a entrada de investidores no capital com uma posição relevante e ambição.
Enquanto os benfiquistas debatiam propostas de renovação, promessas da direção, juras de amor do special one ao encarnados, mas também a sua participação em campanhas eleitorais de Florentino Pérez no Real Madrid (com maior ou menor interferência da inteligência artificial), outro tema brotava com muito menos destaque mediático, mas com possibilidade de alterar o equilíbrio de forças na SAD.
“Traição” entre investidores
A 27 de abril deste ano, José António dos Santos (mais conhecido como “Rei dos Frangos”), concretizou algo que já se esperava: a venda da sua participação de 16,38% do capital social da SAD do Benfica. O negócio de 45,2 milhões foi feito com o fundo norte-americano Entrepreneur Equity Partners. Em maio do ano passado, o fundo de investimento Lenore Sports Partners já tinha comprado 5,24% do capital da Benfica SAD (deste pacote total, parte das ações pertenciam a Luís Filipe Vieira, antigo presidente do clube) tornando-se detentor de uma posição qualificada.
Com 5,24% do capital no bolso, o investidor Jean-Marc Chapus, responsável do Lenore Sports Partners, quis mais e, sabe o JE, reuniu um grupo de investidores para comprar as ações detidas pelo Rei dos Frangos.
Tim Leiweke foi um dos investidores convidados por Chapus para investir no Benfica e nas conversas entre estes responsáveis o projeto Benfica District foi abordado como um empreendimento suficientemente interessante para se avançar para o negócio.
Sabe o JE que Tim Leiweke ficou tão entusiasmado pelo projeto encarnado que, sem que Jean-Marc Chapus soubesse, decidiu avançar sozinho para a compra das ações de José António dos Santos. O negócio viria a concretizar-se no final de abril. Mas com o fecho da compra das ações surgem outras questões e a principal é: o que vai este investidor norte-americano fazer com esta participação?
Quem é Tim Leiweke?
Entre conquistas, quedas, perdões presidenciais e regressos à ribalta, a vida do investidor norte-americano dava um filme. Durante 18 anos, o empresário liderou os destinos do Anschutz Entertainment Group (AEG) e ajudou-a a conquistar um lugar de destaque como uma das maiores agências de gestão de arenas de entretenimento do mundo.
A saída do AEG, em 2013, não foi pacífica já que envolveu cláusulas de confidencialidade e relatos de bónus de milhões que acabaram por não ser pagos.
Tim deixa o projeto de uma vida e dois anos depois cria a Oak View Group, especializada no desenvolvimento, gestão e operação de espaços desportivos e de entretenimento. O Oak View Group torna-se parceiro da Live Nation (produtora que trouxe os concertos de Bad Bunny a Portugal) no negócio da gestão de arenas.
É reconhecido no mundo dos negócios como um especialista na rentabilização de arenas e de espaços de entretenimento e encontra espaço na Europa para desenvolver esse negócio, nomeadamente no Reino Unido (Cardiff e Manchester) e até com algumas ramificações a Portugal, nomeadamente na Meo Arena, desde que a Live Nation adquiriu a posição maioritária (51%) que estava anteriormente na posse de Luís Montez, num negócio avaliado em mais de 40 milhões de euros.
Em dezembro de 2025, os destinos de Leiweke e Trump cruzam-se: o empresário foi acusado pela justiça norte-americana de manipular um processo de licitação de uma arena no Texas mas o presidente dos EUA assinou um perdão “total e incondicional” para Leiweke.
Apesar do perdão, Leiweke viu a sua reputação manchada e já não voltou ao Oak View Group, mas surge associado à Entrepeneur Equity Partners que acabaria por comprar as ações ao rei dos frangos. Este grupo tem como protagonista outra empresária: Francesa Bodie, filha da mulher de Tim Leiweke e que assumiu a presidência do Veneza, que subiu esta época à Serie A. O Veneza vai gastar 500 milhões num novo estádio e entra na lógica de rentabilização dos recintos desportivos.
É aqui que entra o Benfica District, o megaprojeto de modernização imobiliária e desportiva promovido pelas “águias”, orçamentado em 220 milhões e no qual o empresário norte-americano quer ter uma palavra a dizer. Resta saber se o Benfica vai utilizar o artigo 13º que permite à SAD bloquear aquisições de participantes acima de 2% do capital por parte de investidores que tenham interesses concorrentes.



