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Estudo revela mais associações genéticas ligadas à ansiedade

Investigação com quase 700 mil pessoas revela genes específicos ligados à ansiedade e mostra que fatores ambientais pesam mais do que a genética.

© Getty Images/iStockphoto

Estudo descobriu ainda "uma vasta gama de correlações genéticas entre a ansiedade e condições de saúde mental e física"
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Investigadores da UAlg estudam ratinho espinhoso africano resistente a tumores

Uma equipa de investigadores do Algarve Biomedical Center Research Institute (ABC-Ri), da Universidade do Algarve (UAlg), e do Instituto de Investigação Biomédica Sols-Morreale (IIBM-CSIC-UAM) publicou na revista Scientific Reports um estudo sobre o ratinho espinhoso africano, conhecido cientificamente como Acomys.

A espécie é conhecida pela elevada capacidade de regeneração tecidular e pela resistência ao desenvolvimento de tumores, características que estão agora a abrir novas perspetivas de investigação sobre mecanismos biológicos associados à prevenção do cancro e à medicina regenerativa.

Ao contrário da maioria dos mamíferos, que cicatrizam após uma lesão, este roedor consegue regenerar pele, músculo e até recuperar ligações funcionais na medula espinhal, tornando-se um modelo de grande interesse para o estudo da regeneração dos tecidos.

Durante décadas, o cancro foi descrito como “uma ferida que nunca cicatriza”, uma vez que tanto a reparação dos tecidos como o desenvolvimento tumoral envolvem uma intensa multiplicação de células. Esta semelhança levou os investigadores a questionar se organismos com maior capacidade de regeneração poderiam ter também maior propensão para desenvolver cancro.

Ratinho espinhoso resistiu à formação de tumores

Os resultados do estudo apontam, no entanto, em sentido contrário. A equipa comparou a resposta do ratinho espinhoso africano com a de ratinhos de laboratório convencionais, da espécie Mus musculus, depois de ambos serem submetidos a um modelo experimental de indução de tumores na pele.

Enquanto os ratinhos convencionais desenvolveram vários tumores, os ratinhos espinhosos não desenvolveram nenhum.

Para compreender esta diferença, os investigadores analisaram, ao longo de 28 dias, a atividade dos genes das duas espécies. Os dados mostram que o ratinho espinhoso desencadeia uma resposta biológica distinta quando exposto a fatores capazes de provocar cancro.

Este animal ativa mais rapidamente genes que ajudam a impedir o desenvolvimento do processo cancerígeno e apresenta uma resposta imunitária mais eficaz, envolvendo células capazes de eliminar células potencialmente cancerígenas. Quando o dano é controlado, a atividade destes genes regressa rapidamente aos níveis normais.

Outro dos aspetos observados foi o aumento da morte celular programada nas zonas lesionadas, mecanismo que permite eliminar células com alterações genéticas antes de estas se transformarem em células cancerígenas.

Investigação pode ajudar a identificar novos alvos terapêuticos

Para Wolfgang Link, investigador do CSIC e autor correspondente do estudo, os resultados mostram que regeneração e resistência ao cancro podem estar ligadas.

“Estes resultados indicam que a capacidade regenerativa e a resistência ao cancro não são incompatíveis, podendo antes estar relacionadas”, explica o investigador.

“O ratinho espinhoso desenvolveu mecanismos altamente eficazes para controlar a proliferação celular, ativando tanto o sistema imunitário como vias supressoras de tumores”, acrescenta.

O estudo posiciona os mecanismos de regeneração tecidular como uma possível chave para a prevenção do cancro. Compreender como o ratinho espinhoso africano consegue controlar a multiplicação celular poderá contribuir para identificar novos alvos terapêuticos e apoiar o desenvolvimento de estratégias inovadoras para a prevenção e tratamento do cancro humano.

A investigação poderá ainda abrir caminho a novos avanços na medicina regenerativa, ao permitir compreender melhor como alguns organismos conseguem reparar tecidos sem desencadear processos tumorais.

A equipa responsável pelo estudo e pela publicação do artigo é composta por Marta Vitorino, Gonçalo G. Pinheiro, Inês Grenho, Inês M. Araújo, Bibiana Ferreira, Wolfgang Link e Gustavo Tiscornia, investigadores da Universidade do Algarve.

Artigo disponível em: Resistance to tumorigenesis in the african spiny mouse (Acomys) correlates with upregulation of multiple tumor suppressor genes

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El impactante descubrimiento de un grupo de buzos que ayuda a desvelar uno de los mayores secretos de los agujeros azules

Los océanos siguen guardando numerosos secretos pese a décadas de exploración científica. Entre los fenómenos más enigmáticos se encuentran los llamados agujeros azules, enormes sumideros submarinos que alcanzan profundidades sorprendentes y que todavía plantean muchas preguntas a los expertos sobre su origen, su ecosistema y las formas de vida que albergan.

Un hallazgo inesperado en las profundidades

El interés por estas formaciones ha vuelto a crecer tras una reciente inmersión en el Agujero de Amberjack, situado a unos 50 kilómetros de la costa de Florida. Durante la expedición, un grupo de buzos localizó en el fondo los restos de dos peces sierra de dientes pequeños, una especie considerada en peligro de extinción.

Los agujeros azules son relativamente frecuentes en zonas como el golfo de México, aunque también pueden encontrarse en lugares como Belice, Florida, México o China. Su enorme profundidad y las condiciones extremas de sus aguas convierten estos espacios en auténticos laboratorios naturales para la investigación marina.

Una de las cuestiones que más intriga a los científicos es qué ocurre en las capas más profundas de estos sumideros. Lo que sí se sabe es que, a medida que aumenta la profundidad, disminuyen notablemente los niveles de oxígeno, creando un entorno muy diferente al de las aguas superficiales.

En el caso del Agujero de Amberjack, los investigadores detectaron una sorprendente comunidad microbiana que representaba cerca del 60% de los organismos presentes. Así lo explicó Nastassia Patin, investigadora de la Universidad de Miami y la NOAA, en declaraciones recogidas por la revista de divulgación científica Daily Galaxy.

Ecosistemas únicos bajo el mar

Otros agujeros azules también han dejado imágenes sorprendentes. En el cenote Green Banana, ubicado en Florida, los exploradores describieron una sensación de vacío absoluto en las profundidades. “Estás en medio del Golfo de México y no ves nada a tu alrededor”, explicó Emily Hall, científica del Laboratorio Marino Mote, en declaraciones recogidas por The New York Times.

Entre el misterio y la biodiversidad

Aunque las zonas más profundas parecen deshabitadas a simple vista, los agujeros azules funcionan como auténticos refugios de biodiversidad. En los situados frente a las costas de Florida, los investigadores encuentran primero praderas marinas y corales blandos, antes de llegar a áreas donde habitan numerosas especies marinas.

Entre los animales observados en estas zonas destacan tortugas, medusas luna, barracudas, delfines y una gran variedad de peces que encuentran en estos entornos condiciones favorables para desarrollarse.

Además de su valor científico, estas formaciones presentan importantes desafíos para la exploración. Algunos agujeros azules pueden superar los 125 metros de profundidad, una circunstancia que aumenta los riesgos para los buceadores debido a fenómenos como la narcosis por nitrógeno, capaz de alterar la percepción conforme se incrementa la presión bajo el agua.

Por todo ello, los agujeros azules continúan siendo uno de los grandes misterios de los océanos y un foco permanente de atención para la comunidad científica internacional.

© istock

El impactante descubrimiento de un grupo de buzos que ayuda a desvelar uno de los mayores secretos de los agujeros azules
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UAlg acolhe lançamento de plataforma europeia de formação gratuita em Aquacultura 4.0

AQUATECHinn 4.0 oferece formação gratuita e certificada para preparar profissionais da Aquacultura 4.0. Será apresentado em Faro, na Universidade do Algarve (UAlg) a 17 de junho de 2026.

O conteúdo UAlg acolhe lançamento de plataforma europeia de formação gratuita em Aquacultura 4.0 aparece primeiro em Barlavento.

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O coração que se defende batendo | Por Isabel Duarte

O coração bate. Bate antes do primeiro choro e só cessa quando o corpo cessa. No adulto, repete o gesto cerca de cem mil vezes por dia, sem férias nem domingos. Recebe sangue oxigenado, nutrientes em abundância, vasos sanguíneos por toda a parte. À luz da biologia que se aprende na escola, deveria ser um terreno fértil para o cancro: rico, irrigado, vivo. E, no entanto, é uma das raríssimas excepções.

Os tumores primários do coração são tão pouco frequentes que ocupam um parágrafo apenas nos manuais de patologia. Durante décadas, várias hipóteses tentaram explicar esta resistência. Dizia-se que as células do coração já não se dividem, que o tecido cardíaco é demasiado muscular para acomodar um tumor, que a circulação rápida não permite às metástases fixarem-se. Nenhuma destas explicações era inteiramente convincente. O coração permanecia um enigma anatómico, vizinho dos pulmões, do fígado, do estômago (todos eles vulneráveis), mas aquele protegido por uma razão que ninguém sabia justificar.

Crédito: pexels

Em Abril de 2026, uma equipa italiana do International Centre for Genetic Engineering and Biotechnology de Trieste, liderada por Giulio Ciucci e Serena Zacchigna, publicou na revista Science uma explicação tão simples que parece literatura: O que defende o coração do cancro é o próprio bater do coração.

A intuição partiu de uma observação clínica. Em doentes com insuficiência cardíaca grave, quando se implanta um dispositivo que assume a função de bombear o sangue, o coração descansa, e as suas células voltam a multiplicar-se, coisa que normalmente não fazem no adulto. Os cardiomiócitos regeneram-se a uma taxa de apenas cerca de 1% ao ano. Aliviada a pressão, retomam o hábito esquecido de se dividirem.

E se essa mesma pressão impedisse também as células cancerosas de proliferar?

Para testar esta hipótese, foi necessário fazer algo inverosímil: Construir um coração vivo que não batesse. Os investigadores transplantaram um segundo coração de ratinho para o pescoço de outro ratinho, ligado à sua circulação. O órgão recebia sangue, oxigénio e nutrientes, mas não bombeava, não suportava pressão, e como tal não batia. Em seguida, injectaram células cancerosas humanas em ambos os corações: O nativo, que continuava o seu normal batimento, e o transplantado, condenado a um repouso forçado. Os resultados foram claros. No coração imóvel, o tumor multiplicou-se sem restrição. No coração que batia, o tumor ocupou apenas cerca de 20% do tecido. O restante tecido cardíaco resistiu ao desenvolvimento tumoral.

Mais do que observar e medir esta resistência à progressão tumoral, os cientistas precisaram de a compreender. Identificaram uma proteína, a Nesprin-2 [https://www.uniprot.org/uniprotkb/Q8WXH0/entry], situada entre a membrana da célula e o seu núcleo, que age como um mensageiro mecânico: traduz a pressão física da contracção em sinais que chegam ao ADN e silenciam os genes da proliferação. A célula “sente” que está a ser comprimida e “decide” não se dividir. O cancro, que é (de uma forma simplificada) uma divisão descontroloda das células, encontra ali uma parede sem porta. Não é um gene que o detém. É o processo rítmico que o impede.

E é esta constatação que me parece mais notável, e que justifica esta crónica: A natureza do mecanismo. Estamos habituados a pensar que o corpo se defende com biomoléculas: anticorpos, enzimas, hormonas, células “assassinas”. Quase toda a medicina moderna se construiu sobre moléculas que se ligam a outras moléculas. Aqui, pela primeira vez com tanta clareza, descobre-se que o corpo se defende também com movimento. Que a fisicalidade do bater, o ritmo, a compressão que se repete, é em si uma forma de imunidade. A vida, ao mover-se, protege-se.

O grupo de Trieste trabalha agora com um grupo de engenheiros, num dispositivo para vestir no combate ao melanoma (um agressivo tipo de cancro da pele) que comprime os tecidos na cadência aproximada de um batimento cardíaco. Os primeiros resultados, dizem, são encorajadores. Imaginar a medicina futura como um exercício de aplicar pressões certas, em sítios certos, no instante certo, é hoje menos absurdo do que era ontem.

Mas há algo aqui que vai muito além da prática clínica. Aprendemos, desde Hipócrates, a pensar a doença como um excesso ou uma falta (de bílis, de açúcar, de células, de oxigénio). Raramente a pensamos como uma falha de ritmo. E todavia o coração, que é por definição rítmico, sugere-nos agora que a saúde pode ser, em parte, uma questão de cadência. De insistência. De voltar sempre ao mesmo gesto.

O coração não bate para sobreviver. Bate porque é essa a sua maneira de existir. E ao fazê-lo, sem saber, sem propósito, sem destino, defende-se daquilo que nem imaginava ter de combater.

Referências:

Ciucci, G. et al. Mechanical load inhibits cancer growth in mouse and human hearts. Science 392, eads9412 (2026). doi:10.1126/science.ads9412.

Fieldhouse, R. How your heartbeat could keep cancer at bay. Nature News (23 Abril 2026). doi:10.1038/d41586-026-01296-z.

Leia também: O dia em que a doença chegou antes dos sintomas | Por Isabel Duarte

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Cientistas descobriram um efeito inesperado de trabalhar no turno da noite

A mudança é subtil, mas está literalmente a alterar a estrutura física do próprio cérebro. Trabalhar no turno da noite até pode parecer bastante tranquilo. É verdade que é preciso estar atento a figuras suspeitas e a ladrões, mas o mundo está mais silencioso, mais calmo. É fácil perceber o apelo. Pelo menos até se conhecer a ciência que mostra como o trabalho noturno pode reduzir o volume de algumas partes do cérebro. Num novo estudo, recentemente publicado na revista NeuroImage, uma equipa de investigadores analisou dados de 14.198 participantes do UK Biobank. Concluíram que as pessoas que trabalham regularmente

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Lei institui no Rio de Janeiro o Marco Legal Mães na Ciência

Logo Agência Brasil

O Rio de Janeiro conta, a partir desta segunda-feira (8), com novo instrumento de promoção da equidade de gênero na produção científica. A Lei 11.213, que trata do assunto, foi sancionada pelo governador em exercício, desembargador Ricardo Couto, já publicada no Diário Oficial do estado, que institui o Marco Legal Mães na Ciência.

A legislação estabelece diretrizes para garantir apoio a mães e adotantes na graduação e na pós-graduação, assegurando condições mais justas para a permanência e para a progressão acadêmica.

Notícias relacionadas:

A lei veda a adoção de critérios discriminatórios contra candidatas por motivo de gestação, parto, nascimento de filho, adoção ou guarda judicial para fins de adoção em todos os processos seletivos e de renovação de bolsas de pesquisa, ensino e extensão.

Ao mesmo tempo, a lei proíbe a formulação de perguntas sobre planejamento familiar em entrevistas, avaliações ou documentos de inscrição, salvo quando a candidata manifestar a intenção de tratar do tema.

As universidades públicas estaduais, bem como a Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), devem adotar mecanismos de equidade e reconhecimento no âmbito do Marco Legal Mães na Ciência.

A legislação vai observar autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira das instituições de ensino superior e os objetivos do Programa Estadual de Incentivo ao Protagonismo das Mulheres na Ciência.

A lei reconhece o trabalho de cuidado, especialmente da maternidade e da adoção, na avaliação de mérito acadêmico, produtividade científica e análise curricular, para fins de pontuação em processos seletivos de bolsas e editais de monitoria, iniciação científica, extensão, mestrado, doutorado e pós-doutorado.

Fortalecimento

Segundo o governo fluminense, por meio de sua assessoria de imprensa, a Faperj já mantém ações voltadas ao fortalecimento da participação feminina na ciência.

O Marco Legal Mães na Ciência vem reforçar, entre outras ações da Faperj, o Programa de Apoio às Cientistas Mães, destinado a pesquisadoras vinculadas a instituições de pesquisa do estado do Rio de Janeiro.

A iniciativa oferece auxílio de até R$ 120 mil por projeto para apoiar a retomada e a continuidade da produção científica por pesquisadoras que tiveram filhos nos últimos anos e também mães de crianças com deficiência.

Foram adotadas também pela Fundação medidas que consideram o período de licença-maternidade na avaliação de currículos acadêmicos, a concessão de licença-maternidade para bolsistas e a possibilidade de inclusão de despesas relacionadas ao cuidado infantil em determinados editais de fomento.

De acordo com a presidente da Faperj, Caroline Alves, “quando apoiamos uma mãe cientista, não estamos investindo apenas em uma pesquisadora. Estamos investindo em uma família, em uma geração futura e no fortalecimento de toda a ciência”. Admitiu que, durante longo tempo, as mulheres precisaram escolher entre a maternidade e a carreira acadêmica.

“Hoje, nosso compromisso é garantir que nenhuma mulher precise abrir mão de um sonho para realizar o outro”, afirmou Caroline.

Mais incentivo

Segundo a Faperj, o incentivo à participação feminina na ciência ocorre ainda por meio do Programa de Apoio à Jovem Cientista Mulher Dra. Tatiana Sampaio.

Esse programa é dirigido a pesquisadoras com até 12 anos de doutoramento e objetiva ampliar a presença de mulheres em posições de liderança científica. Em 2026, o edital recebeu investimento de R$ 10 milhões.

Além do fomento financeiro, a Faperj promove ações de valorização e visibilidade das pesquisadoras fluminenses, como o evento Mulheres na Ciência, que reúne pesquisadoras, gestoras e instituições para debater desafios e políticas públicas voltadas à equidade de gênero, e o Prêmio Mulheres na Ciência, que reconhece trajetórias de destaque em diversas áreas do conhecimento.

 

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Lei institui no Rio de Janeiro o Marco Legal Mães na Ciência

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O Rio de Janeiro conta, a partir desta segunda-feira (8), com novo instrumento de promoção da equidade de gênero na produção científica. A Lei 11.213, que trata do assunto, foi sancionada pelo governador em exercício, desembargador Ricardo Couto, já publicada no Diário Oficial do estado, que institui o Marco Legal Mães na Ciência.

A legislação estabelece diretrizes para garantir apoio a mães e adotantes na graduação e na pós-graduação, assegurando condições mais justas para a permanência e para a progressão acadêmica.

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A lei veda a adoção de critérios discriminatórios contra candidatas por motivo de gestação, parto, nascimento de filho, adoção ou guarda judicial para fins de adoção em todos os processos seletivos e de renovação de bolsas de pesquisa, ensino e extensão.

Ao mesmo tempo, a lei proíbe a formulação de perguntas sobre planejamento familiar em entrevistas, avaliações ou documentos de inscrição, salvo quando a candidata manifestar a intenção de tratar do tema.

As universidades públicas estaduais, bem como a Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), devem adotar mecanismos de equidade e reconhecimento no âmbito do Marco Legal Mães na Ciência.

A legislação vai observar autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira das instituições de ensino superior e os objetivos do Programa Estadual de Incentivo ao Protagonismo das Mulheres na Ciência.

A lei reconhece o trabalho de cuidado, especialmente da maternidade e da adoção, na avaliação de mérito acadêmico, produtividade científica e análise curricular, para fins de pontuação em processos seletivos de bolsas e editais de monitoria, iniciação científica, extensão, mestrado, doutorado e pós-doutorado.

Fortalecimento

Segundo o governo fluminense, por meio de sua assessoria de imprensa, a Faperj já mantém ações voltadas ao fortalecimento da participação feminina na ciência.

O Marco Legal Mães na Ciência vem reforçar, entre outras ações da Faperj, o Programa de Apoio às Cientistas Mães, destinado a pesquisadoras vinculadas a instituições de pesquisa do estado do Rio de Janeiro.

A iniciativa oferece auxílio de até R$ 120 mil por projeto para apoiar a retomada e a continuidade da produção científica por pesquisadoras que tiveram filhos nos últimos anos e também mães de crianças com deficiência.

Foram adotadas também pela Fundação medidas que consideram o período de licença-maternidade na avaliação de currículos acadêmicos, a concessão de licença-maternidade para bolsistas e a possibilidade de inclusão de despesas relacionadas ao cuidado infantil em determinados editais de fomento.

De acordo com a presidente da Faperj, Caroline Alves, “quando apoiamos uma mãe cientista, não estamos investindo apenas em uma pesquisadora. Estamos investindo em uma família, em uma geração futura e no fortalecimento de toda a ciência”. Admitiu que, durante longo tempo, as mulheres precisaram escolher entre a maternidade e a carreira acadêmica.

“Hoje, nosso compromisso é garantir que nenhuma mulher precise abrir mão de um sonho para realizar o outro”, afirmou Caroline.

Mais incentivo

Segundo a Faperj, o incentivo à participação feminina na ciência ocorre ainda por meio do Programa de Apoio à Jovem Cientista Mulher Dra. Tatiana Sampaio.

Esse programa é dirigido a pesquisadoras com até 12 anos de doutoramento e objetiva ampliar a presença de mulheres em posições de liderança científica. Em 2026, o edital recebeu investimento de R$ 10 milhões.

Além do fomento financeiro, a Faperj promove ações de valorização e visibilidade das pesquisadoras fluminenses, como o evento Mulheres na Ciência, que reúne pesquisadoras, gestoras e instituições para debater desafios e políticas públicas voltadas à equidade de gênero, e o Prêmio Mulheres na Ciência, que reconhece trajetórias de destaque em diversas áreas do conhecimento.

 

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Universidade de Coimbra coordena descoberta de novas orquídeas africanas

Duas novas espécies de orquídeas descobertas na África Central estão a ajudar cientistas a compreender melhor como plantas tropicais interagem com os seus polinizadores e a revelar um tipo de polinização raramente observado na natureza. O estudo, coordenado pelo Centro de Ecologia Funcional (CFE) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra mostra, ainda, que estas espécies, agora identificadas, já se encontram ameaçadas de extinção.

As espécies, pertencentes ao género Rhipidoglossum, foram identificadas através de uma abordagem que combinou trabalho de campo, análise morfológica e dados de distribuição geográfica. Para além da descoberta, os investigadores conseguiram algo pouco comum: observar diretamente a interação com os seus polinizadores, neste caso mariposas noturnas, um comportamento raramente documentado.

Estas observações ajudam a confirmar que a forma das flores está intimamente adaptada aos insetos que as polinizam, revelando relações ecológicas altamente especializadas.

As novas espécies foram encontradas em regiões da África Central, incluindo áreas montanhosas e florestas tropicais, consideradas importantes centros de biodiversidade. No entanto, apresentam uma distribuição limitada e já foram classificadas como ameaçadas, sobretudo devido à destruição de habitat.

Para os investigadores, este trabalho demonstra que a biodiversidade tropical é não só mais rica do que se pensava, mas também mais complexa nas suas interações ecológicas. A falta de dados e a pressão sobre os ecossistemas tornam urgente continuar a estudar e proteger estas espécies antes que desapareçam.

“No grande quebra-cabeças que é a biodiversidade tropical, cada nova amostra ou registo pode representar uma peça ainda desconhecida pela ciência. Estes ecossistemas estão entre os mais ricos em biodiversidade do planeta, mas também entre os mais ameaçados e com maiores lacunas de informação. Estudos que combinem coleções biológicas, trabalho de campo e colaboração internacional são essenciais para compreender esta diversidade e apoiar estratégias de conservação antes que muitas destas espécies desapareçam”, refere Arthur Macedo, doutorando do CFE.

Os investigadores registaram ainda interações entre grilos e flores de orquídeas, um fenómeno extremamente raro e pouco documentado em escala global. Esta observação representa uma descoberta inédita e sugere que estes insetos poderão desempenhar um papel ecológico mais relevante na polinização de algumas espécies tropicais do que se pensava anteriormente.

“A grande diversidade floral de Rhipidoglossum deixa adivinhar muitas interações desconhecidas. Quem sabe se os grilos não poderão ser os polinizadores principais de alguma espécie na flora da África Tropical?”, questiona João Farminhão, investigador do CFE e orientador principal.

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'La hostIA que viene', Jon Hernández advierte de un futuro donde la inteligencia humana "valdrá cero"

Jon Hernández, divulgador y experto en IA

El mundo tal y como lo conocemos está desapareciendo bajo una marea de algoritmos. No es una predicción a largo plazo, es un proceso que ya está aquí. Jon Hernández divulgador y experto en inteligencia artificial acaba de publicar 'La hostIA que viene', un libro en el que analiza la velocidad a la que se está imponiendo esta tecnología en todos los aspectos de nuestras vidas.

El fin de la inteligencia humana

La inteligencia humana, nuestro principal valor de diferenciación a lo largo de los siglos, está siendo amenazada. "Hemos creado una máquina que hace lo mismo que los humanos venimos haciendo con nuestra cabeza", explica el autor.

Jon Hernández compara esta irrupción de la inteligencia artificial con la Revolución Industrial. Eso sí, con la importante diferencia de la velocidad a la que se está produciendo. "Este proceso será diez veces más grande y diez veces más rápido. Si aquello tardó 40 años, esto son cuatro", advierte el divulgador. Hace referencia a ese acontecimiento histórico para explicar que ahora son los propios trabajadores los que tendrán que readaptarse y no la siguiente generación, "es el propio tejedor o carpintero el que tiene que reconvertirse, no sus hijos".

Hernández señala que la ventaja competitiva de la máquina es la optimización, "el nivel de inteligencia que tenía en diciembre de 2024, en diciembre de 2025 le cuesta 4.000 veces menos. Mi inteligencia no ha mejorado tanto" ironiza. Este avance desmesurado pone en el punto de mira el valor económico que aportamos, es decir, para las empresas ha dejado de ser eficiente el ser humano en ciertas tareas básicas, asegura el experto.

El riesgo para las nuevas generaciones

Uno de los puntos en los que enfatiza el autor en el libro es cómo los más pequeños se están enfrentado a este cambio. La irrupción de la inteligencia artificial en las aulas asusta a la gran mayoría. "No sabemos que efectos puede tener a largo plazo" resalta haciendo referencia al peligro que puede correr el desarrollo cognitivo de los más pequeños, "el peligro es que al delegar demasiado en la IA el cerebro de un joven no llegue a formar las estructuras necesarias para el pensamiento crítico".

Sin embargo, para el autor, no es un motivo para la prohibición o el rechazo a esta nueva tecnología, considera que el sistema educativo actual está basado en un "itinerario caducado". En su lugar propone presentar la inteligencia artificial como una "brújula". "Si no sabemos lo que va a venir, no les podemos preparar. Lo que podemos hacer es darles herramientas para que ellos mismos puedan reaccionar", explica.

La clave está en enseñar a los niños no solo a usar la IA, si no a razonar con ella, fomentando el pensamiento en lugar de la respuesta masticada. "Preparar a las nuevas generaciones para lo que viene. Ahora estudiarse los ríos de España no tiene mucho sentido, le pides a ChatGPT que te geolocalice y te dice en qué río estás". Hernández plantea con esto utilizar la inteligencia artificial como "tutores personalizados".

La regulación frente al "desarme" de la IA

La regulación es el gran campo de batalla actual para aquellos en contra del desarrollo de esta tecnología —para aquellos a favor también—, incluso el Papa León XIV llegó a pedir el "desarme" de la IA en su 'Magnifica Humanitas'. Para Hernández el problema es la lentitud de los legisladores, en su opinión se están dedicando a "apagar fuegos" en lugar de planificar.

Según explica el autor, el problema técnico para la regulación es la trazabilidad. Europa, una de las cosas que exige a la hora de permitir ciertas inteligencias artificiales es entender por qué una IA toma una decisión, pero Jon Hernández lo compara con "el día que aprendes a nadar" argumentando que, más o menos, sabes en qué periodo fue pero no el día y la hora exactas. "Es una red neuronal que no entendemos por dentro. No podemos exigir la trazabilidad cuando la IA no tiene ni por qué saber de dónde ha sacado esa decisión". Aunque destaca que no por ello las respuestas carecen de validez.

Además, existe el riesgo de la pérdida de competitividad. Advierte que una regulación estrictamente europea podría ser "una patada al tercer mundo" en términos económicos — aún más si China y EEUU no siguen las mismas normas—. "Necesitamos una regulación global. Cualquier regulación local o regional no nos va a ayudar". Menciona además que ya hay herramientas potentes que no se despliegan en Europa por miedo regulatorio y que esto nos está dejando en desventaja como continente.

Prevenir la catástrofe

La advertencia más repetida a lo largo de las páginas es la prevención de desastres. Para Hernández es importante recalcar que, históricamente, la humanidad solo ha regulado tecnologías peligrosas después de sufrir sus efectos. "Hasta que no hubo un Hiroshima o un Nagasaki, no existió un pacto para frenar las armas nucleares", recuerda Hernández.

El peligro actual reside en los incentivos económicos. Las empresas privadas están en una "guerra armamentística" que las obliga a tomar atajos en seguridad para no quedarse atrás. El autor teme que necesitemos un desastre —como el cierre accidental de una central nuclear por una IA fuera de control— para que la sociedad reaccione. "Deberíamos ser un poco más maduros como sociedad y no llegar a ese extremo. Ser capaces de prevenir y no de curar", afirma Hernández, aunque reconoce que el camino que estamos tomando parece ser el del aprendizaje por el error.

¿Qué nos queda a los humanos?

Ante este panorama, Jon Hernández plantea la pregunta "¿Cuál será nuestro valor cuando nuestra inteligencia valga cero?", el autor sugiere que estamos ante un cambio cultural profundo. "Debemos dejar de ver la IA como una herramienta y empezar a verla como una infraestructura que nos obliga a redefinir lo que el ser humano aporta a la sociedad".

'La hostIA que viene' es, en definitiva, un aviso para navegantes. La inteligencia artificial no es algo que vendrá, es algo que ya está transformando el mundo tal y como lo conocemos. En este nuevo mapa que se está dibujando la IA será la brújula, pero Hernández deja claro que somos nosotros quienes debemos decidir si la usamos para navegar o si permitiremos que nos arrolle.



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Planetas, Lua Nova e Via Láctea fazem de junho um mês especial | Por Fernando J.G. Pinheiro

O primeiro evento astronómico significativo deste mês tem lugar no dia oito, altura em que a Lua atinge a sua fase de quarto minguante junto à constelação do Aquário.

Na noite de dia nove os planetas Vénus e Júpiter apresentar-se-ão a pouco mais de um grau e meio (três vezes o diâmetro da Lua) um do outro. Vénus será o mais brilhante destes dos planetas situando-seentre Júpiter e Pólux, uma estrela situada numa das cabeças da constelação do Gémeos, até junto do planeta Júpiter. Vénus continuará a sua deslocação para leste ao longo do mês, chegando aos limites da constelação do caranguejo no dia doze.

Ao final da madrugada de dia dez a Lua irá nascer junto ao planeta Saturno e, dois dias depois, junto ao planeta Marte.

O planeta Mercúrio atingirá a sua maior elongação (afastamento relativamente à posição do Sol) no dia quinze, coincidindo com a Lua Nova. A presença da Lua na direção do Sol dar-nos-á a oportunidade de observarmos melhor a Via Láctea e alguns objetos do céu profundo como a Nebulosa da Lagoa (ou Messier 8), uma nebulosa interestelar situada na constelação do sagitário, ou os aglomerados estelares Messier 10 e o da Borboleta (Messier 6) situados, respetivamente, na constelação do Ofiúco e do Escorpição. Como o nome “objetos de céu profundo” sugere, a observação destes astros requer a ausência de fontes de poluição luminosa tais como as luzes das cidades.

FERNANDO J.G. PINHEIRO
Astrónomo e investigador do CITEUC – Centro de Investigação da Terra e do Espaço da Universidade de Coimbra

Ao final do dia dezasseis a Lua passará ao lado de Mercúrio e, na madrugada seguinte, junto ao planeta Júpiter. De notar que a distância entre estes dois planetas irá diminuindo aos poucos até chegarmos ao dia vinte e cinco, altura em que distarão em cerca de quatro graus, i.e., pouco menos do que três dedos vistos com o braço estendido.

Por sua vez, ao final de dia dezassete, a Lua passará tão perto da direção do planeta Vénus que será possível ver este planeta a ser ocultado pela lua ao longo de uma faixa que vai do Canadá até ao nordeste brasileiro, passando pelo norte do méxico, e incluindo países como a Venezuela ou Cuba

Na noite de dia dezoito não só iremos observar o alinhamento dos planetas Mercúrio, Júpiter e Vénus, mais a estrela Régulo, como também o crescente da Lua.

De todas as efemérides deste mês, a mais importante irá ocorrer as nove horas e vinte e cinco minutos da manhã de dia vinte e um. Neste dia a Terra atingirá o ponto da sua órbita no qual o hemisfério norte se encontra mais inclinado na direção do Sol: é o que neste hemisfério é conhecido por solstício de verão por marcar o início desta estação.

Ceu a oeste pelas 22:00 de dia 21. Igualmente é indicada a posição da Lua na noite de dia 16

Ao final deste mesmo dia vinte e um a Lua atinge a sua fase de quarto minguante, enquanto que a Lua Cheia chegará ao início da última madrugada do mês. No entanto por esta última fase lunar ocorrer pouco depois da Lua ter atingido o seu apogeu (ponto da órbita mais alto) ela apresentar-se-á ligeiramente mais pequena do que é habitual: é o que se chama de micro Lua cheia.

Leia também: Super Lua Cheia e chuva de estrelas Leónidas iluminam o céu nas noites de novembro | Por Fernando J.G. Pinheiro

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Em Junho, chega o Verão, pode ver-se os objetos de céu profundo e uma micro Lua cheia

O primeiro evento astronómico significativo deste mês de Junho tem lugar no dia 8, altura em que a Lua atinge a sua fase de quarto minguante junto à constelação do Aquário.

Na noite de dia 9, os planetas Vénus e Júpiter apresentar-se-ão a pouco mais de um grau e meio (três vezes o diâmetro da Lua) um do outro. Vénus será o mais brilhante destes dois planetas, situando-se entre Júpiter e Pólux, uma estrela situada numa das cabeças da constelação do Gémeos, até junto do planeta Júpiter. Vénus continuará a sua deslocação para leste ao longo do mês, chegando aos limites da constelação do Caranguejo no dia 12.

Ao final da madrugada de dia 10, a Lua irá nascer junto ao planeta Saturno e, dois dias depois, junto ao planeta Marte.

O planeta Mercúrio atingirá a sua maior elongação (afastamento relativamente à posição do Sol) no dia 15, coincidindo com a Lua Nova.

A presença da Lua na direção do Sol dar-nos-á a oportunidade de observarmos melhor a Via Láctea e alguns objetos do céu profundo, como a Nebulosa da Lagoa (ou Messier 8), uma nebulosa interestelar situada na constelação do Sagitário, ou os aglomerados estelares Messier 10 e o da Borboleta (Messier 6) situados, respetivamente, na constelação do Ofiúco e do Escorpião.

Como o nome “objetos de céu profundo” sugere, a observação destes astros requer a ausência de fontes de poluição luminosa, tais como as luzes das cidades.

Ao final do dia 16, a Lua passará ao lado de Mercúrio e, na madrugada seguinte, junto ao planeta Júpiter. De notar que a distância entre estes dois planetas irá diminuindo aos poucos, até chegarmos ao dia 25, altura em que distarão em cerca de quatro graus, i.e., pouco menos do que três dedos vistos com o braço estendido.

Por sua vez, ao final de dia 17, a Lua passará tão perto da direção do planeta Vénus que será possível ver este planeta a ser ocultado pela lua ao longo de uma faixa que vai do Canadá até ao nordeste brasileiro, passando pelo norte do México, e incluindo países como a Venezuela ou Cuba

Na noite de dia 18, não só iremos observar o alinhamento dos planetas Mercúrio, Júpiter e Vénus, mais a estrela Régulo, como também o crescente da Lua.

De todas as efemérides deste mês, a mais importante irá ocorrer as 9h25 da manhã de dia 21. Neste dia, a Terra atingirá o ponto da sua órbita no qual o hemisfério norte se encontra mais inclinado na direção do Sol: é o que neste hemisfério é conhecido por solstício de Verão por marcar o início desta estação.

Ao final deste mesmo dia 21, a Lua atinge a sua fase de quarto minguante, enquanto que a Lua Cheia chegará ao início da última madrugada do mês. No entanto, por esta última fase lunar ocorrer pouco depois da Lua ter atingido o seu apogeu (ponto da órbita mais alto), ela apresentar-se-á ligeiramente mais pequena do que é habitual: é o que se chama de micro Lua cheia.

Boas observações!

Sul Informação

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Odemira lança edição zero da Bienal dedicada à arte, ciência e comunidade

A edição zero da Bienal Arte e Ciência de Odemira vai decorrer de 3 e 5 de outubro, numa iniciativa da Câmara Municipal deste concelho do litoral alentejano.

Trata-se de uma nova plataforma internacional de criação, experimentação e pensamento contemporâneo ligada ao território, às comunidades e à diversidade cultural e ecológica da região.

Com curadoria de Hugo Cruz, a iniciativa pretende afirmar Odemira como um espaço de encontro entre arte, ciência, ambiente, educação e participação cidadã, através de um programa que cruza residências artísticas, espetáculos, instalações e obras em espaço público, conversas e oficinas.

Tendo como tema “Tentemos”, esta edição inaugural parte da ideia de experimentação como ponto de ignição para imaginar outras realidades futuras, integrando o exercício de tentar o “e se…” nas práticas artísticas, culturais e sociais do cotidiano.

A Bienal propõe, segundo a Câmara de Odemira, «um espaço de dúvida, escuta e construção coletiva, valorizando processos colaborativos e abordagens interdisciplinares que aproximem pessoas, territórios e saberes diversos».

Com uma forte aposta na colaboração e na criação coletiva, a programação da Bienal desenvolverá um conjunto de residências artísticas que articularão os conhecimentos do território com o pensamento contemporâneo internacional.

Esta abordagem visa estimular novas formas de imaginar e construir o presente e o futuro, entendendo as comunidades como os lugares centrais da experiência cultural e reforçando uma cultura descentralizada, acessível e participativa, com efeito artístico, social e territorial.

De acordo com Hugo Cruz, curador do evento, «esta Bienal pretende ser um cruzamento onde nos encontramos para tomarmos outras direções. A ideia é tentar a construção de um lugar de encontros improváveis e inadiáveis entre as comunidades locais, seus protagonistas e vivências quotidianas, a natureza, os espaços públicos e artistas de Odemira, do país e do mundo».

«É um apelo a tentarmos imaginar-nos de outras formas, a nos reencantarmos com todas possibilidades que a vida pode ter – isso implica que pelo menos TENTEMOS», acrescenta.

Nas palavras de Hélder Guerreiro, presidente da Câmara de Odemira, «esta Bienal inaugura uma das bases estratégicas e é um dos pilares da nossa proposta de ação política: um exercício criativo de cerzir os dois pensamentos distintos que estão no centro da cultura e da ciência, permitindo gerar mais valor e mais conhecimento aplicado que contribua para o aumento da qualidade de vida e atratividade do território. É o que nos move, que nos inspira e que mobiliza para que TENTEMOS a realização desta Bienal».

A edição inaugural decorrerá entre 3 e 5 de outubro e marcará o início de um ciclo de criação e pensamento contemporâneo em Odemira, afirmando a cultura como motor de desenvolvimento territorial, coesão social e sustentabilidade.

O programa completo será lançado em setembro.

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Exposição “Sobre a flora do Baixo Alentejo” pode ser vista em Moura

A exposição “Sobre a flora do Baixo Alentejo”, do Museu Botânico do Instituto Politécnico de Beja, está patente na Galeria do Espírito Santo, em Moura, até 30 de junho.

Esta exposição apresenta algumas das mais emblemáticas plantas alentejanas, que na Primavera e no Verão dão cor agroecossistemas alentejanos.

Os registos fotográficos foram feitos durante levantamentos florísticos realizados por João Portugal, no Baixo Alentejo.

A investigação científica associada a este trabalho é da autoria de Paula Nozes e Luís Mendonça de Carvalho.

A exposição “Sobre a flora do Baixo Alentejo” pode ser visitada de terça-feira a domingo, entre as 09h00 e as 12h30 e as 14h00 e as 17h30.

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Ventos estranhos fornecem as pistas mais convincentes obtidas até à data de atividade magnética em exoplanetas

Uma equipa de astrónomos encontrou as pistas mais convincentes obtidas até à data de que alguns planetas fora do nosso Sistema Solar podem ser magnéticos. Com o auxílio do Very Large Telescope (VLT), do Observatório Europeu do Sul (ESO), e do telescópio Gemini North, os investigadores mediram as velocidades dos ventos em sete exoplanetas muito quentes, semelhantes a Júpiter.

As observações revelaram que os ventos nestes planetas são muito provavelmente regidos por campos magnéticos, proporcionando a primeira medição fiável de magnetismo em planetas fora do Sistema Solar.

“Esta descoberta abre uma nova janela na investigação de exoplanetas. Trata-se da primeira vez que é possível comparar os ambientes magnéticos de outros mundos, um passo fundamental para, em última análise, compreender quais os planetas que podem manter-se habitáveis, conservar a sua água e, talvez, um dia, albergar vida tal como a conhecemos”, diz Julia Seidel, astrónoma no Laboratoire Lagrange, Observatoire de la Côte d’Azur, em França, e autora principal do estudo publicado na Nature Astronomy.

O campo magnético da Terra influencia a nossa atmosfera de maneiras complexas e é, por isso, um factor determinante para compreendermos como é que o nosso planeta é capaz de suportar vida. Existem também campos magnéticos noutros planetas do Sistema Solar, como Júpiter e Saturno. No entanto, nos últimos 15 anos, ainda ninguém tinha conseguido medir diretamente a intensidade de campos magnéticos em exoplanetas, o que aconteceu agora.

A equipa, no entanto, não tinha como objetivo inicial medir campos magnéticos, mas sim ventos. Foram medidas as velocidades do vento em sete exoplanetas que orbitam estrelas diferentes: gigantes gasosos como Júpiter, cada um deles situado muito próximo da sua estrela anfitriã e com acoplamento de maré, ou seja, com a rotação sincronizada com a órbita.

Tal como nós vemos apenas um lado da Lua, também estes planetas mantêm sempre uma face voltada para a sua estrela, o que resulta num lado diurno escaldante e num lado noturno gelado. Esta diferença de temperaturas entre os dois lados do planeta dá origem a um clima muito diferente do existente na Terra, com a criação de ventos tremendamente fortes.

As velocidades dos ventos nos exoplanetas observados variam entre cerca de 7200 km/hora e mais de 25 000 km/hora. Em termos de comparação, em Júpiter os ventos mais rápidos atingem velocidades de cerca de 1500 km/hora.

“Inicialmente queríamos verificar se os ventos atmosféricos se comportavam do mesmo modo em todos os planetas quentes,” explica Seidel, que já trabalhou como astrónoma no ESO, no Chile. Para as medições, a equipa utilizou dados do instrumento ESPRESSO, instalado no VLT do ESO, no deserto chileno do Atacama, e dum instrumento semelhante colocado no telescópio Gemini North, no Havai, EUA.

Ao analisarem como é que a velocidade dos ventos variava em função da temperatura do planeta, os investigadores viram surgir um padrão muito intrigante: quanto mais quente o planeta, mais lento o vento.

“Este resultado é totalmente contraintuitivo porque, em condições iguais, os planetas quentes dispõem, naturalmente, de mais energia para acelerar os ventos! Assim, suspeitámos que algo deveria estar a acontecer para fazer com que a velocidade dos ventos fosse menor nos planetas mais quentes”, explica Vivien Parmentier, coautor do estudo e professor no Laboratoire Lagrange, em França.

A equipa concluiu que a explicação mais plausível para este mistério passa, muito provavelmente, pela presença de campos magnéticos na globalidade do planeta, já que estes campos podem funcionar como um travão, abrandando assim o movimento de partículas carregadas na atmosfera.

Os dados permitiram aos investigadores inferir a intensidade do campo magnético em cada um dos planetas estudados, tendo-se descoberto que é comparável à dos campos encontrados no nosso Sistema Solar: aproximadamente quatro vezes mais forte do que o de Saturno, ou cerca de metade da intensidade do de Júpiter.

Campos magnéticos tão intensos poderão afetar mais do que apenas os ventos nestes planetas distantes. “Na Terra conhecemos a beleza das auroras boreais e austrais, onde partículas carregadas do Sol colidem com o nosso campo magnético e são guiadas para os pólos, colidindo com gases na atmosfera para produzir espetáculos coloridos de verde, rosa e roxo“, explica a coautora do estudo Bibiana Prinoth, ex-doutoranda da Universidade de Lund, na Suécia, e atualmente astrónoma do ESO em Garching, na Alemanha.

Nos exoplanetas estudados, as auroras induzidas magneticamente podem ser ainda mais espetaculares. A equipa aguarda com expetativa a chegada do Extremely Large Telescope do ESO, que ajudará a caracterizar não só grandes exoplanetas, semelhantes a Júpiter, mas também outros mais pequenos, como a Terra, possivelmente até detectando gases que possam produzir auroras nestes mundos distantes. “Gosto de imaginar que alguns destes mundos têm um céu repleto não só de estrelas, mas também de vastas cortinas de luz colorida a dançar sobre um planeta, onde em metade há um dia perpétuo e noutra metade uma noite interminável,” afirma Prinoth.

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