BCE corta projeção de crescimento para este ano e vê mais inflação

Mais inflação, menos crescimento: o Banco Central Europeu (BCE) cortou nas projeções para o crescimento da zona euro este ano e no próximo enquanto atualizou em alta as expectativas para a inflação, citando a questão energética como principal motivo para as revisões.
A autoridade monetária europeia aponta agora a um avanço de 0,8% no PIB este ano, antes de o bloco da moeda única crescer 1,2% e 1,5% em 2027 e 2028, respetivamente. Antes, nas projeções de março, a expectativa passava por um crescimento de 0,9% este ano, 1,3% no próximo e 1,4% em 2028.
“As perspetivas permanecem incertas, com riscos ascendentes para a inflação e descendentes para o crescimento. As implicações totais da guerra na inflação de médio prazo e no crescimento dependerão da intensidade e duração do choque energético, bem como na magnitude dos seus efeitos indiretos e de segunda ordem”, lê-se no comunicado do banco central desta quinta-feira.
Do lado dos preços, os técnicos do BCE apontam agora a 3% este ano, ou seja, uma revisão significativa em relação aos 2,6% previamente esperados. Para 2027, a projeção passa por 2,3%, também acima dos 2% anteriormente previstos, e para 2028 o banco aponta agora a 2%, ou seja, marginalmente abaixo dos 2,1% inscritos nas previsões de março.
Já nas anteriores projeções o banco explicitava a questão energética como o principal motor da inflação, embora, à altura, a dinâmica se prendesse sobretudo com medidas orçamentais e fiscais relacionadas com a transição energética. Agora, com novo choque energético a assolar o Velho Continente, a expectativa é de um alastramento das pressões aos restantes sectores.
Isso mesmo é reconhecido no comunicado do banco, que fala numa “trajetória mais elevada para os preços da energia que, de alguma forma, é expectável que se transmita aos bens alimentares, bens e serviços”.
[notícia atualizada às 13h31]

