Reading view

O problema não é o divórcio. O problema é o conflito | Por Joaquim Manuel da Silva

Durante muitos anos (e ainda hoje) discutimos uma questão que parecia decisiva: será melhor para uma criança crescer com os pais juntos ou com os pais separados?

Hoje sabemos que essa não é a pergunta mais importante.

A investigação científica das últimas décadas tem demonstrado, de forma consistente, que aquilo que mais prejudica o desenvolvimento das crianças não é a separação dos pais em si mesma. O verdadeiro problema é a exposição prolongada ao conflito, ao medo, à insegurança e à perda de relações afetivas significativas.

Uma criança que vive numa família aparentemente intacta, mas marcada por discussões constantes, hostilidade e tensão emocional, pode sofrer mais do que uma criança cujos pais se separaram, mas conseguiram construir uma relação parental respeitadora e cooperante.

Podemos simplificar a realidade em três cenários.

– Pais juntos e em conflito permanente.

– Pais separados e em conflito permanente.

– Pais separados, mas capazes de cooperar e colocar os filhos acima das suas divergências.

A evidência aponta claramente para que este último cenário seja, em regra, o mais favorável ao desenvolvimento da criança.

E aponta também para que o segundo seja frequentemente o mais destrutivo.

Porque ao conflito junta-se a perda da convivência diária com um dos pais, os conflitos de lealdade, os sentimentos de abandono e, muitas vezes, anos de litigância que transformam a infância num campo de batalha.

O problema não está na forma jurídica da família.

Está no conflito.

E hoje sabemos que esse conflito não produz apenas sofrimento emocional.

Produz alterações reais no desenvolvimento da criança.

Afeta a forma como o cérebro se organiza.

Afeta os mecanismos de resposta ao stress.

Afeta a aprendizagem.

Afeta a saúde futura.

A criança não vive o conflito apenas na mente.

Vive-o no corpo inteiro.

Talvez por isso a verdadeira questão ética não seja descobrir quem tem razão.

Nem quem ganhou o processo.

Nem quem venceu a última batalha.

A verdadeira questão é outra:

Que direito tem um adulto de sacrificar o bem-estar dos seus filhos para continuar uma guerra contra o outro progenitor?

Ao longo da minha experiência profissional aprendi uma lição simples.

Os conflitos persistentes raramente sobrevivem quando uma das partes deixa de os alimentar.

Quando deixa de responder à agressão com agressão.

Quando deixa de procurar culpados.

Quando deixa de precisar de vencer.

Quando deixa de precisar de ter razão.

Quando passa a preocupar-se mais com a saúde dos filhos do que com a derrota do outro progenitor.

Ninguém discute sozinho.

Ninguém faz uma guerra sozinho.

O conflito exige cooperação.

A paz também.

É neste contexto que deve ser entendida a residência alternada.

Não como uma solução mágica.

Não como um objetivo em si mesmo.

Mas como um possível instrumento para garantir a presença de ambos os pais na vida da criança e reduzir dinâmicas de exclusão.

O essencial continua a ser o mesmo: reduzir o conflito.

Porque a pergunta decisiva não é:

«Com quem vive a criança?»

A pergunta decisiva é:

«Em que ambiente emocional vive a criança?»

Uma criança criada na paz, no respeito e na cooperação terá normalmente condições para crescer de forma saudável.

Uma criança criada no medo, na hostilidade e na guerra permanente pagará frequentemente esse preço durante muitos anos.

Às vezes durante toda a vida.

E quando isso acontece, não perde apenas a criança.

Perde a família.

Perde a comunidade.

Perde a sociedade inteira.

Talvez esteja na altura de compreendermos uma verdade simples: proteger as crianças não significa escolher um dos pais.

Significa protegê-las da guerra entre eles.

Talvez a verdadeira medida do amor pelos filhos não esteja naquilo que fazemos por eles, mas sim naquilo que somos capazes de deixar de fazer ao outro progenitor por causa deles.

Porque o amor sem segurança não é amor; é apenas uma necessidade adulta disfarçada de afeto.

Nota bibliográfica: As ideias expostas neste texto apoiam-se na prática do autor e, doutrinalmente, entre outros, nos trabalhos de Vincent Felitti, Bruce Perry, Bessel van der Kolk, Jack Shonkoff e John Bowlby sobre trauma, desenvolvimento infantil e teoria do apego.

Leia também: Universidade do Algarve disponibiliza provas digitais gratuitas para preparação das avaliações nacionais | Por Mauro Figueiredo

  •  

Universidade do Algarve disponibiliza provas digitais gratuitas para preparação das avaliações nacionais | Por Mauro Figueiredo

Num momento em que as avaliações externas em formato digital assumem um papel cada vez mais relevante no sistema educativo português, a Universidade do Algarve acaba de disponibilizar uma nova funcionalidade gratuita na plataforma MILAGE APRENDER+, permitindo aos alunos prepararem-se para as provas nacionais em ambiente digital igual ao das avaliações oficiais.

A novidade surge numa altura em que milhares de alunos do ensino básico se preparam para realizar provas e exames em formato digital, exigindo não apenas a consolidação dos conteúdos curriculares, mas também a familiarização com novas formas de interação, navegação e resolução de questões no computador.

Desenvolvida pela Universidade do Algarve e atualmente explorada pela Associação Ser MILAGE, a plataforma MILAGE APRENDER+ passou a permitir a geração automática de provas de treino digitais, estruturadas de forma igual às provas oficiais disponibilizadas pelo EduQA. Os alunos podem realizar múltiplas tentativas, praticar ao seu próprio ritmo e receber feedback imediato sobre o seu desempenho, identificando mais facilmente os conteúdos em que apresentam maiores dificuldades.

MAURO FIGUEIREDO – Coordenador do Projeto MILAGE APRENDER+ da Universidade do Algarve
Os resultados alcançados demonstram a crescente adesão da comunidade educativa a este modelo de aprendizagem

Esta funcionalidade integra-se num projeto educativo que, ao longo dos últimos anos, tem vindo a apoiar escolas de diferentes regiões do país na integração das tecnologias digitais ao serviço das aprendizagens. Resultado da investigação académica e da experiência acumulada em contexto escolar, a plataforma MILAGE APRENDER+ procura responder a um dos grandes desafios da educação contemporânea: utilizar a tecnologia não apenas como um recurso complementar, mas como uma plataforma educativa capaz de promover uma aprendizagem mais ativa, personalizada e inclusiva.

Disponível gratuitamente para todas as disciplinas, desde o pré-escolar até ao 12.º ano de escolaridade, a plataforma reúne vídeos educativos, recursos digitais interativos, atividades diferenciadas e funcionalidades de acompanhamento que permitem aos professores monitorizar o progresso dos seus alunos em tempo real.

O modelo pedagógico da MILAGE assenta em princípios reconhecidos pela investigação educacional como potenciadores do sucesso escolar. A autonomia dos alunos é incentivada através da realização de atividades ao seu próprio ritmo, enquanto mecanismos de gamificação contribuem para aumentar a motivação e o envolvimento nas tarefas propostas. Paralelamente, os processos de autoavaliação e avaliação entre pares promovem a reflexão crítica sobre as aprendizagens e o desenvolvimento de competências de responsabilidade e autorregulação.

Uma das características mais valorizadas pelos professores é a possibilidade de diferenciar percursos de aprendizagem dentro da mesma turma. Através da plataforma, é possível identificar dificuldades específicas, acompanhar a evolução individual dos alunos e disponibilizar recursos adequados às necessidades de cada um, promovendo uma resposta educativa mais equitativa e ajustada à diversidade existente nas escolas.

Também as famílias assumem um papel importante neste processo. Através das contas de encarregado de educação, os pais podem acompanhar o percurso dos seus educandos, consultar o trabalho realizado e participar de forma mais ativa no acompanhamento das aprendizagens.

A plataforma promove igualmente a participação ativa da comunidade educativa, incentivando professores e alunos a criar e partilhar recursos educativos digitais que podem ser reutilizados por outros utilizadores, promovendo uma cultura de colaboração, inovação pedagógica e construção coletiva do conhecimento.

A introdução das novas provas digitais de treino representa mais um passo na evolução deste ecossistema educativo. Além de apoiar os alunos na preparação para as avaliações externas, a plataforma permite agora aos professores criar gratuitamente testes digitais de avaliação sumativa, utilizando questões próprias ou recorrendo ao vasto banco de recursos educativos já disponível.

Anualmente, o projeto promove a Conferência Internacional de Aprendizagem Móvel no Projeto MILAGE e os Prémios MILAGE APRENDER+, iniciativas que visam divulgar boas práticas educativas e reconhecer o trabalho desenvolvido por alunos e professores em escolas de todo o país. A edição de 2026 realiza-se nos dias 8 e 9 de julho, em Matosinhos.

Os resultados alcançados demonstram a crescente adesão da comunidade educativa a este modelo de aprendizagem. Atualmente, a plataforma MILAGE APRENDER+ disponibiliza cerca de 80 mil recursos educativos digitais e registou, apenas no presente ano letivo, mais de um milhão de problemas resolvidos pelos alunos. Desde a sua criação, a plataforma já impactou mais de 223 mil alunos.

A dimensão nacional do projeto reflete-se também na diversidade de escolas, regiões, disciplinas e níveis de ensino envolvidos. Da educação pré-escolar ao ensino secundário, os professores utilizam diariamente a plataforma para apoiar as aprendizagens, criar recursos educativos digitais, acompanhar o progresso dos alunos e promover práticas pedagógicas mais personalizadas e inclusivas.

Os dados recolhidos em diferentes contextos educativos evidenciam igualmente resultados encorajadores. Em várias escolas que integraram iniciativas apoiadas pela plataforma MILAGE APRENDER+, verificaram-se melhorias significativas nos desempenhos dos alunos.

Os números representam apenas uma parte do impacto alcançado. Mais significativa é a forma como professores, alunos e famílias reconhecem na plataforma uma ferramenta capaz de tornar a aprendizagem mais motivadora, mais personalizada e mais próxima das necessidades reais de cada estudante.

Ao longo dos últimos anos temos acompanhado milhares de alunos, professores e famílias que utilizam diariamente a plataforma. Essa proximidade às escolas tem-nos permitido compreender melhor os desafios que enfrentam e desenvolver soluções que procuram responder às necessidades reais dos diferentes contextos educativos.

Num contexto em que a transformação digital da educação continua a colocar novos desafios às escolas, a experiência acumulada ao longo dos últimos anos reforça a convicção de que a inovação tecnológica produz melhores resultados quando é colocada ao serviço das pessoas e integrada em práticas pedagógicas que valorizam o papel dos professores.

A plataforma encontra-se disponível gratuitamente em webmilage.ualg.pt, permitindo a qualquer aluno, professor ou encarregado de educação explorar os seus recursos e funcionalidades. Mais informações sobre a Conferência Internacional de Aprendizagem Móvel no Projeto MILAGE e os Prémios MILAGE APRENDER+ podem ser consultadas em milagelearnmore.org.

Continuaremos, por isso, a trabalhar para que a tecnologia contribua para uma educação mais inclusiva, mais humana e mais capaz de responder aos desafios de uma sociedade em permanente transformação.

MILAGE APRENDER+ em números

  • 223 278 alunos impactados desde 2016
  • 79 660 recursos educativos digitais criados
  • 1 086 328 problemas resolvidos em 2025/2026
  • Recursos disponíveis do pré-escolar ao 12.º ano
  • Utilização em escolas de norte a sul do país
  • Plataforma gratuita: webmilage.ualg.pt
  • Conferência e Prémios MILAGE 2026: milagelearnmore.org

Leia também: Dia da Cidade traz Delfins à Praça da República em Tavira

  •  

Infantário Pimpão: mais de 40 anos dedicados à infância em Tavira

A funcionar como creche para crianças dos 0 aos 2 anos e jardim de infância dos 3 aos 5, o Infantário Pimpão é hoje uma das instituições de referência na educação de infância em Tavira. Fundado em fevereiro de 1983, o espaço acompanha há mais de quatro décadas várias gerações de famílias tavirenses.

Numa fase inicial, o infantário funcionou onde é hoje a Escola D. Manuel I em Tavira, acolhendo sobretudo filhos de funcionários do Ministério da Educação. Em setembro de 1989, abriu portas para a restante comunidade e mudou-se para as instalações construídas de raiz, onde continua a funcionar até hoje.

Maria Luís, presidente da direção, e Eugénia Sousa, diretora pedagógica, estão ligadas ao Pimpão há 42 anos. As duas educadoras assumiram a direção em 1996, numa altura marcada por dificuldades financeiras que chegaram a colocar em risco a continuidade da instituição.

“Pegámos nisto para salvar o nosso posto de trabalho e o das restantes funcionárias”, recordam as responsáveis. Com uma gestão rigorosa e muito esforço pessoal, conseguiram recuperar a estabilidade da instituição sem comprometer o projeto educativo nem a qualidade do trabalho desenvolvido com as crianças.

Educação participativa e ligação próxima às famílias

Ao longo dos anos, o Pimpão distinguiu-se pela aposta numa educação participativa, próxima das famílias e centrada no desenvolvimento infantil. “Nunca vimos a creche apenas como um espaço para guardar crianças”, sublinham ao POSTAL.

A instituição trabalha segundo as orientações curriculares estruturadas em três áreas fundamentais: formação pessoal e social, expressão e comunicação e conhecimento do mundo para a educação infantil, desenvolvendo projetos pedagógicos adaptados aos interesses e necessidades das crianças, referiu a presidente ao POSTAL.

A aprendizagem é construída através da exploração, da comunicação e da interação com o meio envolvente, numa metodologia que valoriza a curiosidade natural dos mais novos.

A relação com as famílias continua a ser uma das principais marcas do infantário. Os pais podem acompanhar de perto o quotidiano das crianças, numa lógica de “porta aberta” que, segundo as responsáveis, fortalece a confiança e o envolvimento familiar.

“As crianças são o melhor veículo de comunicação. São elas que mostram aos pais aquilo que aprenderam e viveram aqui”, acrescenta Maria Luís ao POSTAL.

Gerações de tavirenses continuam ligadas ao Pimpão

Ao longo das últimas décadas, o Infantário Pimpão estabeleceu ainda parcerias com diversas entidades locais, escolas profissionais, universidades e instituições internacionais.

Atualmente, muitas das crianças que passaram pelo infantário regressam enquanto pais dos novos alunos, algo que as responsáveis encaram como reflexo do impacto que o Pimpão continua a ter na comunidade tavirense.

Para Eugénia Sousa, o segredo continua a estar na forma como vivem diariamente a profissão. “Transformar as ações educativas numa festa é o mais importante”, afirma, acrescentando que “se nós não estivermos motivadas, também não conseguimos motivar as crianças.”

Já Maria Luís resume o percurso no Pimpão como “um privilégio”.

“Transformar a educação num prazer continua a ser o mais importante”, concluem as responsáveis.

EJ/CM

Leia também: Dia da Cidade traz Delfins à Praça da República em Tavira

  •  

Partos aumentaram 3,7% em Portugal em 2025, com mães estrangeiras concentradas no Algarve e Lisboa

Portugal registou 87.130 partos em 2025, mais 3.071 do que no ano anterior, o que representa um aumento de 3,7%, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE)

A subida interrompe a quebra verificada entre 2023 e 2024 e retoma a tendência de crescimento observada desde 2022. De acordo com a publicação “Estatísticas dos partos”, o número de partos aumentou em todas as regiões do país, com exceção da Madeira, onde se registou uma diminuição de 3,3%.

Os dados do INE destacam ainda o crescimento da proporção de partos de mães de nacionalidade estrangeira, que passou de 26,3%, em 2024, para 28,8%, em 2025. Estas parturientes residem sobretudo em municípios do Algarve e da Grande Lisboa.

“O conjunto de nacionalidades estrangeiras mais representadas manteve-se em relação ao ano anterior, reforçando o peso no total de partos, com destaque para o Brasil (10,5% do total de partos em 2025)”, salienta o INE.

A região Norte registou o maior número de partos de mulheres residentes em Portugal, com 29,8% do total, seguindo-se a Grande Lisboa, com 25,6%, e a região Centro, com 13,7%. Nos últimos 20 anos, aumentou também a idade das parturientes.

Entre 2003 e 2025, a proporção de partos de mães com 35 ou mais anos passou de 17,2% para 32%. O INE sublinha ainda que as cesarianas aumentaram de 27,1% para 38,6% dos partos realizados em hospitais entre 1999 e 2024. Em 2025, 98,5% dos nascimentos ocorreram em estabelecimentos hospitalares.

Leia também: Dia da Cidade traz Delfins à Praça da República em Tavira

  •  

Irritações cívicas | Por Mendes Bota

Num raro momento de generosidade para com os contribuintes, a Assembleia da República aprovou em 2006 uma nova Lei das Finanças Locais (Lei 2/2007 de 15 de Janeiro), na qual conferiu a cada Município 5% das receitas do IRS liquidado anualmente por quem tenha domicílio fiscal na sua área geográfica. Mas também foi dada a cada autarquia a possibilidade de devolver essa receita aos cidadãos, total ou parcialmente, assim aliviando a carga fiscal que asfixia a grande maioria (de quem paga impostos). Uma consulta ao sítio electrónico da Autoridade Tributária traz algumas revelações interessantes. Apenas seis dos municípios algarvios decidiram no sentido de devolver essas quantias na sua totalidade: Albufeira, Alcoutim, Aljezur, Lagos, Loulé e Vila do Bispo. Outros, ficam-se a meio caminho. S. Brás de Alportel, Silves e Vila Real de Santo António não devolvem um tusto, mas compreende-se. A um falta-lhe dimensão orçamental e territorial, outro deve ter uma visão ideológica do problema, e o terceiro continua afogado em dívidas passadas. Agora, dois dos municípios mais pujantes do Algarve, são dos mais avarentos. Faro, devolve a ninharia de 0,5%, e Olhão prescinde apenas de 1%. Há um elo comum chamado António Pina. Liderava Olhão, e agora chefia Faro. O sovina é o mesmo.

Claro que este é o tipo de irritação que encontra nos políticos o alvo mais fácil, o bode expiatório de todos os males, o exutório da frustração colectiva feita de um cúmulo de frustrações individuais. Aqui, o alvo está mesmo ali à frente como numa tenda de feira onde se atiram bolas de trapos para derrubar os bonecos. O pior são as irritações que advêm da falta de civismo dos cidadãos, e quando se multiplicam os exemplos quotidianos da falta de ética, onde prevalece o chico-espertismo de alguns, em claro desrespeito pelo próximo e pelas regras de convivência de toda a comunidade. Existem hoje condições no sistema escolar como nenhum de nós alguma vez sonhou. Todos os anos sai das universidades um número inacreditável de doutores, mestres, prof-docs. O analfabetismo clássico roça taxas marginais. A (des)informação tomou conta em excesso do nosso quotidiano, mas – porém todavia contudo como se costumava recitar antigamente – parece que os valores cívicos estão em queda livre.

Nunca houve tantas leis, tantas posturas municipais, tantos regulamentos, tantos sinais e códigos proibitivos, mas impressiona o número de indivíduos que têm prazer em vandalizar infraestruturas que pertencem a todos, como jardins, transportes, mobiliário urbano, monumentos, fachadas, contentores de lixo até. Independentemente da guerra dos guarda-sóis que subitamente se declarou nas nossas praias, é irritante ver quem se levanta cedo só para marcar com toalhas os espaços de areia que outros virão ocupar mais tarde, ou cativam espreguiçadeiras nas piscinas de prédios e hotéis. É irritante ver como certos automobilistas não respeitam as filas de trânsito, e intrometem-se mais à frente dos outros, sem vergonha nem rebuço. Há demasiados loucos na estrada, que se mocam dos limites de velocidade e da segurança de terceiros. Irrita que a polícia raramente esteja onde se pensa que faz falta. Irrita, ver certos adiantados mentais estacionar em lugares destinados a veículos de pessoas com certas dificuldades. Já para não falar, nos transportes públicos, de quem ocupa lugares reservados para idosos ou pessoas com mobilidade reduzida.

Causa irritação ver tanta gente de telemóvel na mão, ou nas orelhas, a falar aos gritos no meio da rua ou no interior de uma carruagem de combóio ou de autocarro, incomodando os outros, esparramando a sua própria privacidade como se estivesse numa cabine telefónica sem porta. Há um acréscimo de gente que atira garrafas, restos de comida, papéis, papelões e detritos de jardinagem para o meio da rua, sabendo que alguém terá de limpar a porcaria que faz. Tudo isto são irritações cívicas. Já agora, redireccionando os binóculos na direcção de quem manda nisto tudo, é revoltante ver a escassez de lugares destinados ao público que se encontra nas gares rodoviárias, ferroviárias ou aeroportuárias. Está tudo feito para o negócio, e para a exploração do zé povinho. Esgotados os parcos assentos disponíveis, a alternativa é ficar de pé, ou pagar comes e bebes para ficar sentado no espaço dos concessionários. Num país onde a taxa de atraso dos transportes é gigantesca, ninguém parece preocupado em servir o público como deve ser. É preciso é que pague e que consuma, mesmo que não lhe apeteça. Falta-nos cada vez mais a dimensão ética na atitude cívica. Que se lixem os princípios, salve-se quem puder, parece ser o mote dos tempos que correm.

O autor escreve de acordo com a antiga ortografia

Leia também: Já não há bitoques grátis | Por Mendes Bota

  •  

Três dias de festa assinalam os 555 anos de Moncarapacho

Moncarapacho celebra, entre os dias 19 e 21 de junho, os seus 555 anos de existência, com três dias de programação dedicada à cultura, à música, ao património, à história e à participação comunitária.

A efeméride assinala mais de meio milénio de identidade, tradição e ligação à comunidade, num programa que convida a população e os visitantes a associarem-se a um dos momentos mais marcantes da história da freguesia.

Segundo a Freguesia de Moncarapacho, as comemorações pretendem assinalar “mais de meio milénio de identidade, património, tradição e comunidade”, valorizando o percurso histórico de uma das mais antigas freguesias do Algarve.

Para Jorge Pereira, presidente da Freguesia de Moncarapacho, “celebrar 555 anos de Moncarapacho é celebrar gerações de homens e mulheres que construíram esta terra, preservaram a sua identidade e transmitiram o seu legado. Estas comemorações pretendem ser um momento de encontro entre a história e o futuro, envolvendo toda a comunidade numa homenagem ao património, às coletividades e às pessoas que fazem de Moncarapacho uma terra única”.

“Mais do que assinalar uma data, estas festividades pretendem afirmar o orgulho de ser moncarapachense e reforçar a valorização da história, identidade e património, de uma das mais antigas freguesias do Algarve”, conclui.

Três dias dedicados à identidade e ao património local

Organizadas pela Freguesia de Moncarapacho, com o apoio do Município de Olhão, as comemorações arrancam na sexta-feira, dia 19, às 18:00, no antigo edifício da Junta de Freguesia, com a abertura de uma exposição dedicada ao Rancho Folclórico de Moncarapacho.

O programa prossegue na Praça Major João Xavier de Castanheda, junto ao Largo da Junta de Freguesia, com atos solenes, incluindo o hastear da bandeira ao som do Hino Nacional, pela Banda Filarmónica 1.º de Dezembro de Moncarapacho e pelas vozes de Pedro Viola e Teresa Viola.

A noite inclui ainda uma homenagem a antigos presidentes e cidadãos da freguesia, a leitura do histórico discurso de Cristóvão Norte no Parlamento, em 20 de junho de 1991, sobre a elevação de Moncarapacho a vila, e um concerto da Banda Filarmónica 1.º de Dezembro de Moncarapacho, às 21:45.

Casa-Museu, tradição, debate e música no programa

No sábado, dia 20, o programa é dedicado ao património e à tradição, com uma demonstração etnográfica do Rancho Folclórico de Moncarapacho, no Mercado.

Um dos momentos centrais será a reabertura da Casa-Museu Dr. José Fernandes Mascarenhas, seguida de um roteiro por vários espaços religiosos e culturais da vila.

Às 17:30, na Santa Casa da Misericórdia de Moncarapacho, será apresentada a obra “Moncarapacho – História e Património”, de Francisco Lameira e Martina Del Rio. A noite prossegue na Praça Major João Xavier de Castanheda com um concerto de harpa de Helena Madeira, às 21:45, e a atuação da Beira Mar Band, às 23:15.

No domingo, dia 21, as comemorações começam com o 5.º Passeio de Carros Clássicos de Moncarapacho, às 09:30, seguindo-se uma Missa de Ação de Graças, às 12:00, na Igreja Matriz.

A tarde será marcada por um debate sobre os desafios e oportunidades do património local, às 16:00, em colaboração com a APOS, e por uma sessão de teatro com o grupo AlmaMonca, às 17:30, na Santa Casa da Misericórdia de Moncarapacho.

O encerramento das festividades estará a cargo do Agrupamento de Música de Câmara da Orquestra do Algarve, num concerto às 19:00, na Igreja Matriz, integrado no Ciclo APOS e no âmbito do Bicentenário da Câmara Municipal de Olhão.

Leia também: Duas igrejas de Tavira estão na corrida às Novas 7 Maravilhas de Portugal

  •  

Câmara de Faro esclarece situação após colapso de edifício na Rua Cunha Matos

O Município de Faro esclarece que continua a acompanhar a situação relacionada com o colapso de um edifício localizado na Rua Cunha Matos, ocorrido no passado dia 16 de abril.

Segundo a autarquia, desde a ocorrência do sinistro têm sido desenvolvidas “todas as diligências necessárias com vista à mitigação dos impactos decorrentes do sinistro”, mantendo contactos permanentes com os representantes do edifício afetado e com a entidade titular da obra de construção de um edifício habitacional e comercial no gaveto da Rua Aboim Ascensão com a Rua Cunha Matos.

De acordo com o Município, esta intervenção esteve na origem da ocorrência, tendo os trabalhos da obra sido imediatamente suspensos após o colapso.

Face à gravidade da situação, à complexidade técnica das intervenções realizadas e das que ainda faltam executar, bem como à necessidade de garantir a segurança do edificado adjacente e do espaço público envolvente, a Câmara Municipal de Faro solicitou a colaboração técnica do Instituto Superior de Engenharia da Universidade do Algarve.

Rua Cunha Matos mantém-se condicionada por razões de segurança

A colaboração do Instituto Superior de Engenharia tem como objetivo apoiar a avaliação das causas do sinistro e das condições de segurança no local.

Das análises realizadas, concluiu-se que, nesta fase, ainda não estão reunidas as condições necessárias para proceder à reabertura da Rua Cunha Matos.

O Município sublinha que “A manutenção do condicionamento da via constitui uma medida indispensável para garantir a segurança de pessoas e bens”, bem como para permitir a conclusão das averiguações, perícias técnicas e trabalhos de demolição considerados necessários.

Paralelamente, com base nas conclusões técnicas emitidas pelo Instituto Superior de Engenharia, foi possível apurar que o projeto de estabilidade, escavação e contenção periférica da obra “não observava requisitos técnicos essenciais previstos nas normas legais e regulamentares aplicáveis”.

Câmara manifesta intenção de declarar nulidade da licença

Neste contexto, por deliberação tomada em reunião de Câmara realizada em 8 de junho, foi manifestada a intenção de declarar a nulidade da licença da referida obra.

A Câmara Municipal de Faro reafirma, no comunicado, “o seu compromisso com a salvaguarda da segurança pública” e garante que continuará a acompanhar a situação “com a máxima atenção e celeridade”.

A autarquia adianta ainda que continuará a promover todas as medidas necessárias à reposição da normalidade logo que estejam reunidas as condições técnicas e de segurança adequadas.

O Município agradece a compreensão e colaboração de todos os munícipes e apela ao “rigoroso respeito pelos perímetros de segurança atualmente instalados no local”.

Leia também: Duas igrejas de Tavira estão na corrida às Novas 7 Maravilhas de Portugal

  •  

Faro reforça oferta de lazer com abertura da NEOFUN

A NEOFUN abriu portas em Faro e trouxe ao Algarve uma nova experiência de entretenimento interativo indoor, dirigida a famílias, grupos de amigos, empresas e turistas.

O novo espaço apresenta-se como um centro de jogos interativos e tecnológicos, inspirado em conceitos internacionais de entretenimento imersivo que têm vindo a ganhar destaque em vários países.

Segundo a NEOFUN, o centro “combina atividade física, tecnologia e trabalho em equipa através de desafios interativos onde os participantes entram literalmente dentro do jogo”.

Com várias salas equipadas com sensores, iluminação inteligente e tecnologia de última geração, os jogadores são desafiados a cumprir dezenas de missões que testam rapidez, coordenação, estratégia e espírito de equipa.

Entretenimento imersivo para diferentes idades

A experiência foi pensada para diferentes idades e níveis de habilidade, oferecendo uma alternativa moderna aos formatos tradicionais de entretenimento.

De acordo com a empresa, os jogos foram desenhados para “incentivar o movimento físico, a cooperação e a competição saudável”, promovendo momentos de lazer ativos e participativos.

A abertura da NEOFUN representa também um investimento na diversificação da oferta de entretenimento da região, contribuindo para reforçar a atratividade de Faro como destino turístico e de lazer durante todo o ano.

O novo espaço está localizado na Rua Francisco Barreto, n.º 28, em Faro, e funciona de quarta-feira a domingo, entre as 11:00 e as 19:00.

Mais informações podem ser obtidas através do email geral@neofun.pt, do website www.neofun.pt e das redes sociais da NEOFUN, no Instagram @neofun.pt e no Facebook NEOFUN.

Leia também: Duas igrejas de Tavira estão na corrida às Novas 7 Maravilhas de Portugal

  •  

Faro celebra motricidade infantil com mais de 2.500 alunos

A Pista de Atletismo de Faro acolhe a primeira edição da Festa da Motricidade, uma iniciativa que reúne mais de 2.500 alunos dos agrupamentos de escolas do concelho.

O evento arrancou esta semana, nos dias 11 e 12 de junho, com a participação de 600 crianças de 31 turmas da educação pré-escolar, integradas no projeto “Crescer Ativo”, dinamizado pelo Departamento de Desporto e Juventude da Câmara Municipal de Faro.

Ao longo destes dois dias, os mais novos participaram em jogos, percursos motores e atividades de deslizamento com trotinetes, skates e bicicletas, num ambiente que o Município descreve como marcado “pela aprendizagem, pela diversão e pelo movimento”.

Iniciativa promove atividade física desde a infância

A Festa da Motricidade prossegue entre os dias 15 e 19 de junho, com a participação dos alunos do 1.º, 2.º e 3.º anos do ensino básico.

Os alunos do 1.º e 2.º anos integram o projeto “Saber Correr, Saltar e Lançar”, que promove a aprendizagem e o aperfeiçoamento das habilidades motoras fundamentais associadas à corrida, ao salto e aos lançamentos.

Já os alunos do 3.º ano participam no projeto “Saber Pedalar”, que visa a aquisição e consolidação das competências básicas de utilização da bicicleta, sensibilizando para hábitos de mobilidade ativa, segura e sustentável.

Segundo a autarquia, o evento assinala o encerramento das atividades desenvolvidas ao longo do ano letivo no âmbito do Programa de Apoio à Educação Física e ao Desporto Escolar.

Mais do que uma demonstração das aprendizagens realizadas, esta primeira edição pretende afirmar-se como “um momento anual de celebração da atividade física e do desenvolvimento infantil”, proporcionando às crianças experiências positivas associadas ao movimento, ao convívio e à prática desportiva.

O Município de Faro sublinha que mantém o compromisso com a promoção de estilos de vida ativos, saudáveis e inclusivos desde a infância.

A autarquia agradece ainda o envolvimento dos agrupamentos de escolas do concelho e o apoio da Escola Profissional D. Francisco Gomes de Avelar, através da participação dos alunos dos cursos de Técnico de Ação Educativa e de Animador Sociocultural, que contribuíram para a organização e dinamização da iniciativa.

Leia também: Duas igrejas de Tavira estão na corrida às Novas 7 Maravilhas de Portugal

  •  

Arraial Solidário angaria fundos para melhorar refeitório da Associação de Paralisia Cerebral de Faro

A Associação Portuguesa de Paralisia Cerebral (APPC) de Faro  promove, no próximo dia 19 de junho, a partir das 18:00, o XIII Arraial Solidário.

A iniciativa decorre no pátio exterior da sede da APPC Faro, situada na Rua da Guiné-Bissau, n.º 2, em Faro, nas traseiras do Centro de Saúde, e prolonga-se até às 24:00.

Segundo a associação, o evento tem este ano como finalidade “angariar fundos para a requalificação do refeitório dos nossos clientes”, contribuindo para melhorar as condições de conforto, funcionalidade e bem-estar durante as refeições.

Aberto a toda a comunidade, o arraial terá entrada no valor de cinco pólenes, com direito a prato de comida.

Noite junta música, marcha popular e solidariedade

A animação musical ficará a cargo do grupo “Gerações”, estando também prevista a atuação da Marcha da APPC Faro.

De acordo com a organização, o XIII Arraial Solidário pretende ser uma noite de convívio, animação e solidariedade, envolvendo a comunidade numa causa ligada à melhoria das condições de vida das pessoas apoiadas pela instituição.

A APPC Faro apela à participação da população, sublinhando: “Juntos, podemos contribuir para a melhoria das condições de vida das pessoas apoiadas pela APPC Faro. Participe, divirta-se e faça a diferença!”

Leia também: Duas igrejas de Tavira estão na corrida às Novas 7 Maravilhas de Portugal

  •  

Projeto ‘Vilas em Movimento’ leva bicicletas elétricas partilhadas a Alcoutim

A Fundação Galp e o Município de Alcoutim inauguraram esta sexta-feira um novo sistema de bicicletas elétricas partilhadas, no âmbito do projeto Vilas em Movimento.

A iniciativa representa um investimento superior a 100 mil euros e pretende promover soluções de mobilidade mais sustentáveis, incentivar estilos de vida ativos e reforçar a valorização do território.

O sistema foi inaugurado numa cerimónia que contou com a presença de Paulo Paulino, presidente da Câmara Municipal de Alcoutim, e de Sandra Aparício, diretora-executiva da Fundação Galp.

A nova infraestrutura disponibiliza 14 bicicletas elétricas e quatro estações de partilha, localizadas na Biblioteca Municipal, no Centro Náutico, na praia fluvial e no parque de caravanas.

Sistema quer facilitar deslocações e valorizar o território

Segundo a Fundação Galp, o sistema ficará ao serviço de residentes e visitantes, “facilitando deslocações no concelho e promovendo uma forma mais sustentável de descobrir Alcoutim”.

Desenvolvido pela CME – Construção e Manutenção Eletromecânica, empresa portuguesa especializada em soluções de mobilidade partilhada, o sistema integra bicicletas elétricas, estações de carregamento e uma plataforma digital de gestão e utilização, adaptada às características do território.

Inserida numa região de elevado valor ambiental, junto ao rio Guadiana, a iniciativa contribui para uma utilização mais sustentável do espaço público, promove a mobilidade suave e reforça a ligação das pessoas à natureza e ao património local.

Para Paulo Paulino, presidente da Câmara Municipal de Alcoutim, “este projeto representa mais um passo na estratégia que temos vindo a desenvolver para valorizar Alcoutim enquanto território sustentável, inovador e com qualidade de vida”.

O autarca acrescenta que “com este sistema de bicicletas elétricas partilhadas, oferecemos novas formas de mobilidade para residentes e visitantes, promovemos hábitos mais saudáveis e reforçamos a ligação ao património natural e cultural do concelho”.

Sandra Aparício, diretora-executiva da Fundação Galp, afirma que “Este sistema de bicicletas elétricas é um exemplo concreto de como a sustentabilidade pode gerar valor para as comunidades, promovendo uma mobilidade mais sustentável e reforçando a ligação das pessoas ao território”.

Este investimento integra uma estratégia mais ampla que a Fundação Galp tem vindo a desenvolver no Baixo Guadiana, em parceria com o Município de Alcoutim, a ODIANA e outras entidades locais.

O sistema de bicicletas elétricas partilhadas integra o programa de investimento social da Galp e da Fundação Galp em Alcoutim, que inclui iniciativas nas áreas da energia, mobilidade sustentável, inclusão social e desenvolvimento comunitário.

Entre estas iniciativas destaca-se o projeto Vilas em Movimento Baixo Guadiana 2.0, desenvolvido pela ODIANA com o apoio da Fundação Galp, que promove o envelhecimento ativo e combate o isolamento social e geográfico da população mais idosa dos concelhos de Alcoutim, Castro Marim e Vila Real de Santo António.

Desenvolvido em parceria com o Município de Alcoutim e agentes locais, este programa pretende gerar benefícios duradouros para a população, promovendo a valorização do território, a coesão social e a melhoria da qualidade de vida das comunidades do Baixo Guadiana.

Leia também: Duas igrejas de Tavira estão na corrida às Novas 7 Maravilhas de Portugal

  •  

Duas igrejas de Tavira estão na corrida às Novas 7 Maravilhas de Portugal

As igrejas da Misericórdia e de Santa Maria do Castelo, em Tavira, estão apuradas para a próxima fase das Novas 7 Maravilhas de Portugal, na categoria religião.

Segundo o Município de Tavira, ambas as candidaturas assumem particular relevância por serem “as únicas igrejas algarvias a concurso nesta edição”, representando não só Tavira, mas também o património religioso, artístico e histórico da região.

Fachada da Igreja da Misericórdia de Tavira. Crédito: CMT

A autarquia sublinha que este apuramento constitui “um importante reconhecimento do trabalho desenvolvido, ao longo dos últimos anos, em prol da valorização, promoção e dinamização do património religioso”, reforçando a importância destes monumentos na identidade cultural e turística do concelho.

A Igreja da Misericórdia de Tavira surge no concurso como um dos monumentos mais relevantes da arte e da consciência humanista no Sul do país. Fundada em 1541 pela Santa Casa da Misericórdia, é apresentada pela organização como “a mais notável expressão da arquitetura renascentista no Algarve”.

Duas igrejas representam Tavira e o Algarve

A Igreja da Misericórdia distingue-se pelo portal escultórico, pelos retábulos barrocos e pelos painéis de azulejos de 1760, que representam as 14 obras de misericórdia.

Interior da Igreja da Misericórdia de Tavira. Crédito: CMT

Já a Igreja de Santa Maria do Castelo impõe-se, segundo a candidatura, como “um verdadeiro palimpsesto da história portuguesa”, reunindo elementos da verticalidade gótica, da exuberância manuelina e das marcas neoclássicas deixadas após o terramoto de 1755.

A autarquia destaca que este monumento é “muito mais do que um edifício religioso: é um lugar onde se cruzam reconquista, memória nacional e identidade cultural profunda”.

Igreja de Santa Maria do Castelo de Tavira. Crédito: CMT

A votação pode ser feita através dos números 761 207 095, para a Igreja da Misericórdia de Tavira, e 761 207 096, para a Igreja de Santa Maria do Castelo de Tavira. Também é possível votar através da App TVI Pass. Cada voto tem o custo de 1 euro, acrescido de IVA.

A meia-final regional do Algarve realiza-se no dia 27 de junho, em Olhão, às 15:00. Os dois patrimónios mais votados em cada categoria seguem para a final regional, sendo que a lista final dos apurados desta fase será conhecida a 11 de julho.

Mais informações aqui.

Leia também: Buscas por jovem britânico prosseguem com apoio de drones em Albufeira

  •  

“Silves Subterrânea” dá a conhecer espaços arqueológicos escondidos da cidade

O Município de Silves promove, este sábado, dia 13 de junho, a iniciativa “Silves Subterrânea”, integrada nas Jornadas Europeias de Arqueologia 2026.

A atividade inclui um conjunto de visitas guiadas a espaços arqueológicos e estruturas históricas existentes sob a cidade, dando a conhecer ao público parte do património menos visível de Silves.

Segundo a autarquia, a iniciativa permitirá descobrir “alguns dos mais importantes espaços arqueológicos e estruturas históricas existentes sob a cidade”, proporcionando aos participantes “uma perspetiva única sobre o património escondido de Silves”.

Reconhecida pela riqueza do seu legado histórico e arqueológico, Silves conserva sob ruas, edifícios e monumentos vários testemunhos de diferentes épocas, que ajudam a compreender a evolução da cidade ao longo dos séculos.

Visitas revelam património escondido sob a cidade

O programa inclui visitas acompanhadas às ruínas arqueológicas localizadas sob a Biblioteca Municipal de Silves, à Couraça Islâmica, ao Poço-Cisterna, à Cisterna da Rua do Castelo e às Ruínas Arqueológicas da Arrochela.

Estas visitas decorrem às 10:00 e às 16:00, tendo como ponto de encontro a Biblioteca Municipal de Silves.

Ao longo do dia, será ainda possível visitar o Poço-Cisterna, integrado no Museu Municipal de Arqueologia, e a Cisterna da Rua do Castelo, situada a norte da Sé Catedral, entre as 10:00 e as 13:00 e das 15:00 às 18:00, através de visitas acompanhadas.

De acordo com o Município de Silves, a iniciativa pretende “aproximar a comunidade do património arqueológico local”, sensibilizando para a sua importância histórica, científica e cultural.

A autarquia sublinha ainda que estas ações procuram promover a valorização e salvaguarda deste legado para as gerações futuras.

Integradas nas Jornadas Europeias de Arqueologia, as atividades associam Silves a uma rede de centenas de cidades europeias que, todos os anos, abrem os seus sítios arqueológicos ao público e promovem o conhecimento da arqueologia.

A participação é gratuita. Para mais informações, os interessados podem contactar o setor de Património/Arqueologia através do número 282 440 800 ou do email arqueologia@cm-silves.pt.

Leia também: Buscas por jovem britânico prosseguem com apoio de drones em Albufeira

  •  

“O que devo ter em atenção para fazer compras mais saudáveis?”

CONSULTÓRIO DO CONSUMIDOR / DECO

O que devo ter em atenção para fazer compras mais saudáveis?

A DECO INFORMA… 

Fazer escolhas alimentares equilibradas e saudáveis é essencial para a saúde e bem-estar de todos. Cada escolha influencia o ambiente, a economia local e o futuro da alimentação. Sejam alimentos frescos ou processados e embalados é preciso dar atenção ao rótulo, à origem, ao prazo de validade e às condições de conservação. 

Sabendo que somos o que comemos, a DECO apresenta algumas dicas para que faça compras saudáveis: 

  1. Antes de ir às compras:  

Defina o seu orçamento; 

Planeie as refeições da semana; 

Faça a lista de compras. 

  1. Durante as compras: 

Leia atentamente os rótulos: ingredientes, prazo de validade, modo de conservação e utilização; 

Procure a declaração nutricional: atenção às gorduras, açúcares e sal. 

Informe-se sobre as datas de validade: 

  • “Consumir até”: indica segurança alimentar e não deve ser ultrapassada. 
  • “De preferência antes de”: indica a qualidade do alimento que ainda pode ser consumido se mantiver bom aspeto e odor. 

Cuidado com as alegações nutricionais e de saúde como “rico em fibra” ou “baixo teor de gordura”. Estas alegações exigem provas científicas.  

Verifique a origem e a frescura dos alimentos: 

  • Frutas e legumes: devem estar firmes, com cor viva e sem manchas; 
  • Peixe: deve ter olhos brilhantes, guelras vermelhas e odor fresco a mar; 
  • Carne: deve apresentar cor viva e aspeto húmido, sem odor forte. 
  1. Conservar os alimentos em casa 

Arrume os alimentos frescos corretamente no frigorifico (temperatura 0–5 º C); 

Os alimentos congelados conservam a sua qualidade nutricional (temperatura – 18 Cº). 

                    DICA DECO: 

Descongele os alimentos no frigorífico e não volte a congelá-los.  

  1. Faça escolhas sustentáveis  

Escolha produtos locais e sazonais, com menor impacte ambiental; 

Opte por comprar a granel ou avulso sempre que possível; 

Evite desperdícios alimentares. 

Conhecer os seus DIREITOS enquanto consumidores de bens e serviços é o primeiro passo para ser um cidadão mais ativo, interventivo e participativo. Acompanhe o projecto da DECO – TUDO A QUE TEM DIREITO – QUE pretende tornar os serviços de informação e apoio ao consumidor mais acessíveis e próximos em todo o território nacional.  

Este projeto é cofinanciado pela União Europeia, através do Single Market Programme.

 Leia também: “Como escolher produtos duráveis, reparáveis e recicláveis que me ajudem a poupar?”

  •  

Cantor tavirense Kássio leva música ao “Domingão” em Quarteira

O artista Kássio atua este domingo, 14 de junho, no programa “Domingão”, da SIC, numa emissão especial realizada a partir da cidade de Quarteira.

A presença do cantor promete levar música, animação e proximidade ao público, numa tarde marcada pelo ambiente festivo característico do formato televisivo.

Reconhecido como uma das vozes da música ligeira portuguesa, Kássio conta com uma carreira de mais de duas décadas e prepara-se para subir ao palco itinerante da SIC, levando os seus temas ao público presente em Quarteira e aos telespectadores em todo o país.

Música e animação em direto a partir de Quarteira

A atuação no “Domingão” será também uma oportunidade para celebrar o espírito festivo da época e para o público acompanhar alguns dos maiores sucessos do artista, num programa conhecido pela energia, pela interação com as ruas e pela proximidade com as comunidades locais.

Natural de Tavira, Kássio é um cantor e artista português com uma carreira consolidada de mais de 25 anos, ligada à música ligeira, ao pop e à presença em programas de televisão.

Leia também: Buscas por jovem britânico prosseguem com apoio de drones em Albufeira

  •  

Jazz, pôr do sol e Ria Formosa marcam nova aposta cultural em Olhão

O Olhão South Jazz apresentou oficialmente o cartaz da sua primeira edição, marcada para os dias 24 e 25 de julho de 2026, no Parque Ribeirinho Poente, em Olhão.

A apresentação pública decorreu no dia 9 de junho, ao pôr do sol, numa sessão aberta à comunidade realizada no Parque Ribeirinho Poente, com vista para a Ria Formosa.

Durante o encontro foram revelados a imagem oficial do evento, o cartaz, o mapa do recinto, os espaços previstos e os dois palcos que irão receber os artistas: o Palco Principal e o Palco Cantaloupe.

Segundo a organização, o momento contou ainda com uma atuação ao vivo de Sara Badalo, que antecipou “a atmosfera que se quer criar nos dias 24 e 25 de julho: música ao vivo, fim de tarde, encontros ao pôr do sol, magnífica vista sobre a Ria e uma experiência pensada para ser vivida ao ar livre”.

Evento estreia-se com dois dias de música junto à Ria Formosa

A primeira edição do Olhão South Jazz vai decorrer ao longo de dois dias, entre as 18:00 e as 00:00, no Parque Ribeirinho Poente, junto à Marina de Olhão.

O cartaz reúne nomes nacionais ligados ao jazz e a outras sonoridades, incluindo Júlio Resende, Áurea, Orquestra de Jazz do Algarve e Sara Badalo.

Para Ricardo Calé, presidente da Câmara Municipal de Olhão, “o Olhão South Jazz é mais um passo na afirmação de Olhão como uma cidade aberta à cultura e às experiências ao ar livre. Este evento valoriza o Parque Ribeirinho Poente como espaço de convívio e fruição pública, aproximando a comunidade da música e contribuindo para uma programação cultural cada vez mais diversificada e acessível”.

Recinto terá lounge, food trucks e Ria Market

Para além dos concertos, o recinto contará com zona lounge, food trucks, bar, photospot, espaços de ativação e o Ria Market, uma área dedicada ao artesanato, marcas independentes e projetos locais.

Depois da apresentação pública, a organização deixa o convite para os dias 24 e 25 de julho, quando “todos os caminhos levam ao Parque Ribeirinho Poente, junto à Marina de Olhão, onde a música, o pôr do sol e a Ria Formosa se encontram para dar vida à primeira edição do Olhão South Jazz”.

Os bilhetes já se encontram disponíveis e podem ser adquiridos através do link de bilheteira disponibilizado no website e nas redes sociais do Olhão South Jazz.

Toda a informação sobre o evento e o acesso à bilheteira podem ser consultados no site oficial olhaosouthjazz.pt e nas redes sociais do festival, no Instagram @olhão.southjazz e no Facebook Olhão South Jazz.

Leia também: Jovem britânico de 23 anos desaparece após ir a banhos na praia do Peneco em Albufeira

  •  

Filosofia portuguesa, a provável existência | Por Jorge Queiroz

Há uma filosofia portuguesa? Foram diversas as tentativas de sínteses da História da Filosofia Portuguesa.

Nos séculos XVI e XVII a teoria geocêntrica foi substituída pela heliocêntrica, a Terra deixou de ser centro do universo, provou-se girar à volta do sol, a descoberta provocou mudanças profundas. As ciências autonomizaram-se da religião, a filosofia ganhou asas, capacidades e liberdade critica.

Encontramos centenas de obras de filosofia produzidas por autores portugueses ou de períodos anteriores à nacionalidade. As marcas são o debate do cristianismo primitivo face às heresias, identidades, o “encoberto” e o messianismo, sebastianismo, e o Destino, Quinto Império, problemáticas psicanalíticas mais recentes sobre “ser português”.

Da filosofia, repositório de temas da existência, uma breve viagem sobre Portugal.

JORGE QUEIROZ
Sociólogo

Na Idade Media surgiram teólogos como Paulo Orósio do século V, natural de Bracara Augusta, foi a Hipona conhecer Santo Agostinho, ambos escreveram obras inspiradas na tomada de Roma por Alarico I, o primeiro a “História contra os Pagãos” e Agostinho na “Cidade de Deus” reflecte sobre os Bárbaros e o ataque a Roma.

São Martinho de Dume, ou de Braga, no século VI, foi um bispo que escreveu o “De Correctione Rusticorum”, influenciado pelos ciclos astrais sugeriu o início equinocial do ano, a mudança da designação romana dos dias da semana para a forma actual.

Pedro Hispano ou João XXI (1215-1277), único Papa português, foi médico, professor, teólogo, escreveu a “Summulæ Logicales”, análise da lógica aristotélica que teve 260 edições em toda a Europa. Papa durante oito meses, morreu em Viterbo soterrado por um desmoronamento no palácio onde vivia.

D. Duarte (1391-1438), décimo rei de Portugal, o “Rei Filosofo”, escreveu o “Leal Conselheiro” e um manual de cavalaria, o “Livro da Ensinança de Bem Cavalgar Toda Sela”. Morreu vitimado pela peste deixando herdeiro menor, o futuro rei Afonso V “o Africano”.

O Infante D. Pedro (1392-1449) o mais culto da dinastia de Avis, “Infante das Sete Partidas” viajou pela Europa, foi regente dez anos por morte do irmão D. Duarte e por vontade popular. A “Carta de Bruges” dirigida ao irmão contém reflexões e recomendações sobre a boa governação ainda actuais. Escreveu o “Tratado da virtuosa benfeitoria”, traduziu o “Livro dos ofícios” de Cícero. Justo e ético, morreu em Alfarrobeira numa cilada da aristocracia feudal, deixou obra relevante, foi injustamente apagado da História de Portugal.

Com a expansão marítima portuguesa, revelou-se Duarte Pacheco Pereira (1460-1533), cosmógrafo que negociou o Tratado de Tordesilhas, estava na armada de Pedro Alvares Cabral que “achou” o Brasil, deixou o misterioso “Esmeraldo Situ Orbis”, desaparecido durante 400 anos, reflecte a ciência sustentada pela prática, a “madre de todas as cousas”.

Damião de Góis (1502-1574) destacou-se nos centros da cultura europeia, foi secretário da feitoria de Antuérpia, guarda-mor da Torre do Tombo, conheceu Erasmo e Loyola, na sua extensa obra destacam-se a Crónica de D. Manuel I, universalista com temas inovadores. Despertou invejas, o companheiro jesuíta Simão Rodrigues denunciou-o à Inquisição como erasmista, foi maltratado e preso. Morreu em Alenquer, terra natal onde hoje existe um museu com o seu nome, dedicado às vítimas do Santo Ofício.

Francisco Sanches (1550-1622), foi um filósofo céptico, adversário do pensamento de Aristóteles, a sua obra de referência é “Quod nihil scitur” ou “O Que nada se sabe”.

O jesuíta Padre António Vieira (1608 -1697), missionário e pregador no Brasil e também filosofo, usou sermões para defender ideais humanistas e os indígenas, a abolição da escravatura. Em 2013 a obra completa de Vieira foi publicada em trinta volumes.

Luís António Verney (1713-1792), filosofo “estrangeirado” foi personalidade destacada do iluminismo português, criticou os jesuítas pela excessiva teorização e dogmatismo, o ensino devia basear-se na experiência. Escreveu o “Verdadeiro Método de Estudar” editado em 1746 a pedido de D. João V, colaborou na reforma do ensino, defendeu que a escola elementar devia ser para ambos os sexos e para todas as classes sociais, paga pelo Estado. Exilou-se em Roma, devido às ameaças, onde morreu.

O atribulado século XIX, com invasões napoleónicas, fuga da corte para o Brasil, guerra civil entre liberais e absolutistas, o ultimato inglês deu origem a acesos debates e à ascensão das correntes republicanas. Sucederam-se pensadores como Silvestre Pinheiro Ferreira (1769-1846) anti idealista defendeu a separação entre filosofia e ciência, teve a oposição de Guerra Junqueiro (1850-1923) Sampaio Bruno (1857-1915), Teófilo Braga (1843.-1924),…

A Geração de 70, reflecte o mal-estar do século XIX, os “Vencidos da Vida” teve continuidade no século XX, no debate entre as visões europeístas e antieuropeístas.

Entre a I Republica e o Estado Novo entre 1910 e 1932 surgiu a revista “A Águia” órgão da Renascença Portuguesa nela escreveu António Sérgio. O movimento filosófico da Escola do Porto, inspirou-se em Sampaio Bruno, Leonardo Coimbra, Amorim Viana e outros.

Em 1943, Álvaro Ribeiro publicou “O Problema da Filosofia Portuguesa”, considerava que o pensamento filosófico em Portugal não era autónomo, porque exposto a sistemas filosóficos estrangeiros, a dialéctica de “castiços” e “estrangeirados”.

Cabral de Moncada afirmou em 1960 que a “preocupação nacionalista mais ou menos extravagante, é fortemente detractora das filosofias estrangeiras e quase xenófoba“, António Braz Teixeira considerava a ideia de Deus, que as relações entre a filosofia e a religião são o cerne do debate especulativo português, Fernando Pessoa como uma «forma de provincianismo mental».

Eduardo Lourenço em finais do século XX afirmou “logo que nos aproximamos da linha tórrida do racional tornamo-nos tímidos, ficamos paralisados, perdemos a imaginação”.

Personalidade filosófica singular e libertária não enquadrável em grupos foi Agostinho da Silva (1904-1994), exiliado político, expulso do ensino por se recusar a assinar a declaração de que não participava em “organizações subversivas”. Foi para o Brasil em 1947 onde leccionou em Universidades, regressou a Portugal em 1969. Deixou extensa obra como as “Sete cartas a um jovem filósofo” (1945), “Carta Vária” (1989) e “Vida conversável” (1994).

Entre os filósofos da segunda metade do século XX de uma corrente com proximidades com a psicologia social e a psicanalise destacaram-se os irmãos Fernando e José Gil, Mário Sotto Mayor Cardia, Eduardo Lourenço.

A filosofia portuguesa é um oceano de turbulências, o mistério de existir.

O autor escreve de acordo com a antiga ortografia

Leia também: Geohistória e alterações climáticas | Por Jorge Queiroz

  •  

Fernand Viégas apresenta “A Alma” na Biblioteca Municipal de Faro

A Biblioteca Municipal de Faro recebe, no dia 3 de julho, às 18:00, a apresentação e palestra em torno do livro “A Alma”, de Fernand Viégas, publicado pelas Edições Vieira da Silva, em Lisboa.

A sessão será dedicada a esta obra de natureza poética e filosófica, apresentada como um ensaio que cruza reflexão espiritual, consciência, psicanálise e neurociências cognitivas.

Uma viagem interior escrita nas margens do Ganges

Escrita em 1979, nas margens do Ganges, em Varanasi, a obra é apresentada como uma viagem que ultrapassa o território físico e se assume, sobretudo, como uma fuga interior.

Concebida como um diálogo entre um homem e a sua alma, a narrativa propõe uma reflexão sobre a consciência humana, os mistérios da existência e os segredos da vida.

Reflexão espiritual acessível a todos

Com uma linguagem poética e filosófica, “A Alma” convida o leitor a acompanhar uma busca espiritual, mas acessível a todos, abrindo espaço à introspeção e ao questionamento interior.

A apresentação decorrerá na Biblioteca Municipal de Faro, situada na Rua Carlos Porfírio, n.º 20, e contará com a presença de Fernand Viégas, autor da obra.

Leia também: Jovem britânico de 23 anos desaparece após ir a banhos na praia do Peneco em Albufeira

  •  

Lisboa e Algarve recebem encontros dedicados ao International Baccalaureate

O International Baccalaureate (IB) vai promover, em junho, dois encontros em Portugal dedicados à educação internacional, ao reconhecimento académico e à preparação dos alunos para o ensino superior e para o futuro profissional.

As iniciativas incluem o Dia da Universidade do IB – Lisboa, marcado para quarta-feira, 17 de junho, e o Dia do IB no Algarve, que se realiza na sexta-feira, 19 de junho, no Nobel Algarve British International School Almancil, reunindo representantes de universidades, escolas, diretores e coordenadores académicos.

Segundo o IB, a organização é “um líder global em educação internacional, com quatro programas para alunos dos 3 aos 19 anos”, procurando oferecer aos estudantes ferramentas para desenvolverem pensamento crítico, capacidade de resolução de problemas e competências para um mundo em rápida mudança.

Fundado em 1968, o International Baccalaureate está atualmente presente em mais de 163 países, com mais de 6.230 escolas e mais de dois milhões de alunos. Em Portugal, o IB está ativo desde 1986 e conta com programas disponibilizados em 18 escolas independentes.

Encontros em Lisboa e no Algarve reforçam debate educativo

O Dia da Universidade do IB – Lisboa dirige-se a representantes de universidades em Portugal e pretende promover o diálogo sobre o acesso ao ensino superior, o reconhecimento do Diploma do IB e os desafios enfrentados pelos alunos na transição da escola para a universidade.

De acordo com a organização, o evento reúne “universidades, escolas do IB e parceiros internacionais numa tarde de diálogo e reflexão sobre o acesso à educação superior, o reconhecimento do Diploma do IB e os desafios que os alunos enfrentam ao fazerem a transição da escola para a universidade”.

O programa inclui um painel com representantes de universidades, que irão partilhar perspetivas sobre admissões, reconhecimento académico e o valor do perfil da comunidade de aprendizagem do IB.

Dois dias depois, o Dia do IB no Algarve reunirá diretores e coordenadores académicos de escolas públicas e privadas de Portugal, num encontro dedicado à colaboração, ao intercâmbio de experiências e à partilha de boas práticas.

Após uma primeira edição realizada em Lisboa, em 2022, o Dia do IB volta a Portugal com sessões interativas lideradas por escolas autorizadas e candidatas do IB, momentos de networking com a equipa da organização e contacto com a comunidade educativa nacional.

Programas preparam alunos para universidade e mundo profissional

O IB afirma que os seus programas procuram formar jovens resilientes e equilibrados, com conhecimento, competências e sentido de propósito para contribuir para um mundo melhor.

A organização sublinha que o seu currículo é deliberadamente flexível, permitindo que alunos, professores e escolas adaptem a aprendizagem à cultura, ao contexto, às necessidades e aos interesses de cada comunidade educativa.

Os programas disponibilizados pelo IB abrangem diferentes faixas etárias: o Programa da Escola Primária, dos 3 aos 12 anos; o Programa dos Anos Intermédios, dos 11 aos 16; o Programa do Diploma, dos 16 aos 19; e o Programa de formação profissional, também dos 16 aos 19 anos.

O Programa do Diploma é apresentado como uma qualificação rigorosa e reconhecida internacionalmente, preparando os alunos para a universidade através de disciplinas académicas e componentes centrais como Teoria do Conhecimento, Criatividade, Atividade, Serviço e Monografia.

Segundo o IB, as competências necessárias para o sucesso no ensino superior ou na carreira profissional vão hoje além do conteúdo académico tradicional.

A organização defende que os seus graduados estão preparados para compreender melhor as complexidades do mundo, com competências, empatia e mentalidade adequadas a um contexto em rápida transformação.

Leia também: Jovem britânico de 23 anos desaparece após ir a banhos na praia do Peneco em Albufeira

  •  

Algarve: Reino da Água no Império de Aquém e Além-Mar | Por Virgílio Machado

As relações entre água, sociedade e poder são estudadas na geopolítica. Neste cantinho da Península Ibérica que foi Reino multisecular e de Aquém e Além-Mar cumpre discernir significados e sentidos políticos associadas à hidrografia de massas de água como ribeiros, rios, açudes, correntes, barragens, lagos, mares e oceanos.

Afinal, Portugal foi Império construído na água, segundo Jerry Brotton em Trading Territories. Faz sentido. Mas teria o Algarve, esse ufanado Reino, algum antecedente nessa construção? A hipótese é ousada. Aceita-se o desafio. Com observação atenta e estrutural.

Existe um fortíssimo legado de água em toponímias de cidades ou lugarejos no Algarve. Lagos, Lagoa, Olhão, Albufeira são hoje sedes de município. Fontes da Benémola, Santa em Quarteira, do Poço do Bispo, de Boliqueime, Sítio das Fontes, Olhos de Água induzem urbanidade no seu controlo e domínio.

VIRGÍLIO MACHADO, Professor da UAlg e autor dos livros
“Viagem ao Reino do Algarve” e “Portugal Geopolítico”

Nomes atuais de rios e ribeiras (Guadiana, Odeleite, Odelouca), provindos do wad árabe, constituíram reforço de uma cultura hidrológica perene, fonte de riqueza e poder para atividades humanas diversas como agricultura, produção de energia ou fluxo de água para orientação no transporte e comércio.

O respeito do Guadiana como fronteira natural entre Portugal e Castela no Tratado de Badajoz de 1267 na fundação do Reino do Algarve português. Facto geopolítico singular na história medieval peninsular prenunciador da importância da água na demarcação  e aceitação das ordens políticas. O mar, a sul e ocidente, seriam outros elementos naturais para domínio e controlo do Reino, facto hidropolítico que o vincularia à procura de outras margens além-mar, na existência de ameaças inimigas que nele se transportavam para saque, pirataria e captura de escravos.

Fortaleza de Sagres. Fonte (Município de Faro, 2026)

Eventos dramáticos têm consequências geopolíticas dinâmicas. Ainda que faltem dados científicos decisivos, secas como as 1385-1398 ou 1412-1413, marcaram escassez de trigo com a necessidade de sua procura para o Norte de África. Assim como de ouro para pagamento do financiamento da guerra com Castela até 1411. O Algarve seria apoio decisivo nas expedições marítimas e militares consequentes.

O controlo apurar-se-ia no tempo. Cartas marítimas precisas que localizavam rotas de navegação, mercados e mercadorias. Implantação de portos e ilhas chave em bacias hidrográficas com água potável. Conhecimento prático de ventos, marés e inclinações de sol e lua para eficiência no transporte marítimo. O respeito toponímico da cultura hidrológica no Algarve é causa e reflexo da expansão geopolítica de Portugal. Os reis recusaram a expressão Império. Preferiram Reino dos Algarves de Aquém e Além-Mar.

A assimilação dos mouros foi outro fator decisivo. A miscigenação e o casamento inter-racial foram mote inspirador. J. H. Parry e Boies Penrose em Europe and a Wider World e The Age of Discovery apontam aqui a fragilidade da eficiência administrativa e prática na ordem imperial portuguesa face aos congéneres europeus. Pela mistura inter-racial que prejudicou capacidades de hierarquia e controlo. Mas a História do Algarve teve outros antecedentes.

Nas periferias dos Impérios, em reação militar, formam-se outros Impérios. O Império Otomano na periferia do Bizantino. Ou as confederações bárbaras nos confins do Romano. Por sua vez, na Baixa Idade Média, as tribos nómadas berberes do Norte de África procuraram em sociedades agrárias ou com boas localizações comerciais, extorsão de recursos, coleta de impostos ou termos favoráveis de troca. O Sul Ibérico seria cobiçado e conquistado.

Entre o desmembramento do Califado de Córdova(1031) e a conquista do Algarve(1249-1250), dois Impérios berberes formaram-se, os Almorávidas e os Almoadas, caracterizadas por um sunismo ortodoxo religioso e monoteísmo profundo. Chegaram a ter entre 1 e 2 milhões de km2 de extensão.

Rio Guadiana. Fonte (Município de Faro, 2026)

A resposta do Portugal cristão vitorioso seria nomádica e mimética. O fim dos Almoadas no Algarve nunca deixou de criar um efeito reflexo, como desejo de um Império- Espelho alimentado por brilhos de outrora e ameaças atuais sobre capacidade militar, desafios no acesso renovado a trigo, cobiça em ouro para meio de pagamento e escravos para mão de obra no Norte de África. O Algarve fronteira seria o território logístico conveniente.

É a História do Império nomádico português causa das suas forças e fraquezas. Marítimo, com vocação agrária assente em produtos exportáveis, menor capacidade de coleta de impostos populacionais, dependência de pontos-chave críticos para vantagem no transporte e comércio, matriz energética e de produção alimentar dispersas. O Algarve inspirou matricialmente a experiência hidrográfica.

Nas falésias de Sagres, fronteiras da bacia do Guadiana ou nas águas da Ria Formosa respira-se uma das belas Histórias HidroPolíticas do Mundo. A Água como suporte de identidade geopolítica. Não há melhor forma de inspirar o respeito do Poder pela Natureza!

Virgílio Machado, autor dos livros “Viagem ao Reino do Algarve” e Portugal Geopolítico” (http:reinosdoalgarve.com).

Leia também: O primeiro mapa geopolítico de Portugal (e do Algarve) | Por Virgílio Machado

  •  
❌