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Preços dos títulos da zona do euro registram maior alta desde fevereiro

Os preços dos títulos do governo da zona do euro subiram pelo quinto dia consecutivo nesta terça-feira, registrando a maior alta desde fevereiro.

A alta acontece em um cenário de arrefecimento das expectativas de inflação e cautela antes da primeira reunião de Kevin Warsh como presidente do Federal Reserve.

O preço do petróleo caiu para menos de US$ 80 por barril, uma queda de 10% desde segunda-feira, após os Estados Unidos e o Irã anunciarem que haviam chegado a um acordo sobre a estrutura de um acordo de paz , a ser assinado em Genebra na sexta-feira.

Como resultado, os rendimentos dos títulos – que se movem inversamente aos preços – despencaram e as ações dispararam, juntamente com ativos sensíveis às taxas de juros, como o ouro.

Os rendimentos dos títulos alemães de referência com vencimento em 10 anos caíram 1,6 ponto base, para 2,9242%, com os preços subindo pela maior taxa desde meados de fevereiro, antes do início da guerra com o Irã.

Os rendimentos ainda estão quase 30 pontos-base acima do nível do final de fevereiro, mas recuaram acentuadamente em relação às máximas de 15 anos atingidas no mês passado, próximas a 3,2%.

Os rendimentos dos títulos de dois anos, que tendem a reagir mais às mudanças nas expectativas de inflação e taxas de juros, recuaram mais lentamente.

Os rendimentos dos títulos Schatz de dois anos — que na quarta-feira estavam em queda de 1,3 bps, a 2,5715% — estão mais de 55 bps acima do nível registrado na véspera da guerra, em 27 de fevereiro.

Mais um aumento da taxa de juros do BCE

Os investidores esperam mais um aumento da taxa de juros pelo Banco Central Europeu ainda este ano, após o aumento de 0,25 ponto percentual na última quinta-feira. Há uma semana, o total de três aumentos previstos para 2026 era considerado excessivo pela maioria dos analistas de mercado.

O economista-chefe do BCE, Philip Lane, disse em entrevista na conferência Reuters NEXT Europe , em Londres, na terça-feira, que o banco central continuaria “proativo” em sua luta contra a alta inflação.

O estrategista do Deutsche Bank, Jim Reid, observou as preocupações contínuas do BCE.

“Portanto, mesmo com a queda dos preços do petróleo, os mercados ainda estão precificando integralmente um segundo aumento da taxa de juros do BCE antes do final do ano, após a medida da semana passada”, disse ele.

A inflação na zona do euro subiu 0,1% em maio em comparação com o mês anterior, em linha com as expectativas, segundo dados divulgados pelo Eurostat nesta terça-feira. A inflação anual manteve-se estável em 3,2%, em linha com a previsão da Reuters.

A inflação subjacente, que exclui energia, alimentos, álcool e tabaco, ficou em 2,6% em relação ao ano anterior, ligeiramente acima das previsões de 2,5%.

“Apesar da mudança de postura do BCE na semana passada, que adotou uma postura mais agressiva, os títulos do governo têm apresentado valorização e os rendimentos têm caído, à medida que a redução dos preços do petróleo alivia as expectativas de inflação e suaviza as perspectivas futuras para o BCE”, afirmou Ipek Ozkardeskaya, analista sênior de mercado do Swissquote Bank.

“Se a guerra no Oriente Médio terminar e os preços da energia caírem de forma sustentável, o BCE poderá descartar outro aumento da taxa de juros e, dependendo da reação das economias da zona do euro , poderá até mesmo ser levado a reverter a última medida”, acrescentou ela.

Se os preços do petróleo permanecerem baixos por um período prolongado, é provável que as taxas de juros também permaneçam baixas — uma dinâmica favorável para os títulos, disse Ozkardeskaya.

Os rendimentos dos títulos italianos de 10 anos caíram 1,3 pontos base no dia, para 3,6377%, mantendo seu prêmio sobre os rendimentos dos títulos alemães (Bunds) pouco abaixo de 70 pontos base. 

Saiba como identificar se um banco é seguro para investir

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Titulação de terra quilombola no Marajó é inédita, celebram lideranças

Logo Agência Brasil

Quando ouviu nomes de territórios que seriam titulados pelo presidente Lula, na quinta-feira (11), a coordenadora estadual das associações das comunidades remanescentes de quilombo do Pará, Carlene Printes, comemorou.

Ela correu até o palco, abraçou Lula e celebrou durante o encontro nacional de mulheres quilombolas, no Distrito Federal. A reunião de mais de 600 mulheres vai até este domingo (14).

Notícias relacionadas:

“A gente foi surpreendido positivamente com três decretos de territórios que a gente vem há muitos anos esperando e conseguimos alcançar aqui neste feito histórico”, disse Carlene em entrevista à Agência Brasil.

“A gente nunca teve um título no Marajó. Somos ameaçados por arrozeiros, fazendeiros e mineradoras. A titulação é o que minimamente nos dá segurança”, destacou.

Proteção

Para Carlene, a titulação é um fôlego de esperança para o povo. “Isso impacta diretamente na proteção dos nossos povos”, pois permite acesso a políticas públicas e aumenta a segurança das famílias.

O representante da comunidade de Santa Luzia, no Marajó, Hilário Moraes, presente ao evento, estava também eufórico.

“Esse decreto hoje, que o presidente Lula nos entrega, é uma resposta e um ato de reparação. Até agora estou sem acreditar”.

Ele testemunha que a comunidade sofre ameaças de todos os tipos. “De todos os eiros, sojeiros, arrozeiros, grileiros, madeireiros,” desabafou.

O quilombo tem 19 famílias com território de 526 hectares. “É uma comunidade que vive da agricultura familiar que tem essa alta disponibilidade da floresta e que a trata muito. Somos nós que mais protegemos o bioma da Amazônia”, contou.

A liderança diz que apenas o reconhecimento, sem a demarcação de terra, ainda não garantia as políticas públicas necessárias.

 “A gente esperava esse título como se espera um diamante que está se lapidando. É o caminho para que mais títulos, tanto na Ilha do Marajó, como em todo o estado e também na Amazônia possam chegar”.

Pelo Brasil

Outra beneficiada pela titulação foi a comunidade de Invernada dos Negros, em Campos novos, em Santa Catarina. A liderança Adriana Ferreira da Silva, que recebeu o título de terra homenageou mulheres que foram vítimas, como Mãe Bernadete.

“Estamos felizes pelas políticas públicas que chegaram até nós. Não somos mulheres apenas para estar dentro de casa. Somos para estar no mundo. O mundo é nosso”, comemorou.

Os territórios quilombolas são espaços rurais ou urbanos ocupados por comunidades negras, formadas por descendentes de pessoas escravizadas durante a colonização do Brasil. As áreas entregues finalizam um longo processo de regularização, abrangendo 11,6 mil hectares e beneficiando 1.780 famílias.

Incra

Durante o evento, o Incra anunciou a publicação de uma portaria de reconhecimento do território Porto Leocádio, em Goiás, beneficiando 20 famílias em uma área de 1,5 mil hectares.

Também foram anunciados cinco novos Relatórios Técnicos de Identificação e Delimitação (RTIDs) para os territórios Brejão dos Aipins (PI), Baía Formosa (RJ), Sapatu (SP), Sítio Grossos (RN) e Engenho da Cruz (BA), contemplando cerca de 800 famílias e aproximadamente 22 mil hectares.

O RTID é um relatório histórico e antropológico da ocupação e define os marcos territoriais da área tradicionalmente ocupada por famílias quilombolas.

>> Confira a distribuição dos 18 títulos quilombolas concedidos, divididos por território:

  • Kalunga do Mimoso (Arraias e Paranã/TO): quatro títulos, beneficiando 250 famílias em 4.211 hectares;
  • Kalunga (Cavalcante, Monte Alegre e Teresina de Goiás/GO): dois títulos para 888 famílias, abrangendo 6.221 hectares;
  • Invernada dos Negros (Abdon Batista e Campos Novos/SC): cinco títulos para 84 famílias em 111 hectares;
  • Charco/Juçaral (São Vicente Férrer/MA): três títulos para 137 famílias em 690 hectares;
  • Mel da Pedreira (Macapá/AP): um título para 14 famílias em 127 hectares;
  • Nova Batalhinha (Bom Jesus da Lapa/BA): um título para 20 famílias em 67 hectares;
  • Mata de São Benedito (Itapecuru-Mirim/MA): um título para 35 famílias em 194 hectares;
  • Piqui/Santa Maria dos Pretos (Itapecuru-Mirim/MA): um título para 352 famílias em 51 hectares.
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Titulação de terra quilombola no Marajó é inédita, celebram lideranças

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Quando ouviu nomes de territórios que seriam titulados pelo presidente Lula, na quinta-feira (11), a coordenadora estadual das associações das comunidades remanescentes de quilombo do Pará, Carlene Printes, comemorou.

Ela correu até o palco, abraçou Lula e celebrou durante o encontro nacional de mulheres quilombolas, no Distrito Federal. A reunião de mais de 600 mulheres vai até este domingo (14).

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“A gente foi surpreendido positivamente com três decretos de territórios que a gente vem há muitos anos esperando e conseguimos alcançar aqui neste feito histórico”, disse Carlene em entrevista à Agência Brasil.

“A gente nunca teve um título no Marajó. Somos ameaçados por arrozeiros, fazendeiros e mineradoras. A titulação é o que minimamente nos dá segurança”, destacou.

Proteção

Para Carlene, a titulação é um fôlego de esperança para o povo. “Isso impacta diretamente na proteção dos nossos povos”, pois permite acesso a políticas públicas e aumenta a segurança das famílias.

O representante da comunidade de Santa Luzia, no Marajó, Hilário Moraes, presente ao evento, estava também eufórico.

“Esse decreto hoje, que o presidente Lula nos entrega, é uma resposta e um ato de reparação. Até agora estou sem acreditar”.

Ele testemunha que a comunidade sofre ameaças de todos os tipos. “De todos os eiros, sojeiros, arrozeiros, grileiros, madeireiros,” desabafou.

O quilombo tem 19 famílias com território de 526 hectares. “É uma comunidade que vive da agricultura familiar que tem essa alta disponibilidade da floresta e que a trata muito. Somos nós que mais protegemos o bioma da Amazônia”, contou.

A liderança diz que apenas o reconhecimento, sem a demarcação de terra, ainda não garantia as políticas públicas necessárias.

 “A gente esperava esse título como se espera um diamante que está se lapidando. É o caminho para que mais títulos, tanto na Ilha do Marajó, como em todo o estado e também na Amazônia possam chegar”.

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Outra beneficiada pela titulação foi a comunidade de Invernada dos Negros, em Campos novos, em Santa Catarina. A liderança Adriana Ferreira da Silva, que recebeu o título de terra homenageou mulheres que foram vítimas, como Mãe Bernadete.

“Estamos felizes pelas políticas públicas que chegaram até nós. Não somos mulheres apenas para estar dentro de casa. Somos para estar no mundo. O mundo é nosso”, comemorou.

Os territórios quilombolas são espaços rurais ou urbanos ocupados por comunidades negras, formadas por descendentes de pessoas escravizadas durante a colonização do Brasil. As áreas entregues finalizam um longo processo de regularização, abrangendo 11,6 mil hectares e beneficiando 1.780 famílias.

Incra

Durante o evento, o Incra anunciou a publicação de uma portaria de reconhecimento do território Porto Leocádio, em Goiás, beneficiando 20 famílias em uma área de 1,5 mil hectares.

Também foram anunciados cinco novos Relatórios Técnicos de Identificação e Delimitação (RTIDs) para os territórios Brejão dos Aipins (PI), Baía Formosa (RJ), Sapatu (SP), Sítio Grossos (RN) e Engenho da Cruz (BA), contemplando cerca de 800 famílias e aproximadamente 22 mil hectares.

O RTID é um relatório histórico e antropológico da ocupação e define os marcos territoriais da área tradicionalmente ocupada por famílias quilombolas.

>> Confira a distribuição dos 18 títulos quilombolas concedidos, divididos por território:

  • Kalunga do Mimoso (Arraias e Paranã/TO): quatro títulos, beneficiando 250 famílias em 4.211 hectares;
  • Kalunga (Cavalcante, Monte Alegre e Teresina de Goiás/GO): dois títulos para 888 famílias, abrangendo 6.221 hectares;
  • Invernada dos Negros (Abdon Batista e Campos Novos/SC): cinco títulos para 84 famílias em 111 hectares;
  • Charco/Juçaral (São Vicente Férrer/MA): três títulos para 137 famílias em 690 hectares;
  • Mel da Pedreira (Macapá/AP): um título para 14 famílias em 127 hectares;
  • Nova Batalhinha (Bom Jesus da Lapa/BA): um título para 20 famílias em 67 hectares;
  • Mata de São Benedito (Itapecuru-Mirim/MA): um título para 35 famílias em 194 hectares;
  • Piqui/Santa Maria dos Pretos (Itapecuru-Mirim/MA): um título para 352 famílias em 51 hectares.
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