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Cela: Financiamento de renováveis avança em 2025, mas não supera pico

Um estudo realizado pela Cela (Clean Energy Latin America), companhia especializada em assessoria financeira e consultoria estratégica para o setor de transição energética, aponta que o financiamento de fontes renováveis tem crescido, mas ainda se mantém distante do pico histórico registrado em 2022.

Os dados, que englobam o período entre 2019 e 2025, revelam que o último ano registrou uma alta anual de 10,6% no volume de financiamento para projetos de geração renovável no Brasil, somando R$ 36,3 bilhões. Ainda assim, o número fica 22% abaixo do patamar de 2022, que alcançou R$ 46,3 bilhões.

Camila Ramos, CEO da Cela, afirma que os principais desafios que mantêm essa distância entre os cenários de 2022 e 2025 são os juros elevados, o curtailment sem mecanismos de ressarcimento e “um mercado que ainda busca os instrumentos adequados para precificar e contratar a complementaridade entre fontes”.

Variação de financiamento por tecnologia

A Cela destaca que o desempenho não é uniforme entre as modalidades de geração de energia e reflete as dinâmicas e os desafios de cada tecnologia.

O estudo destaca a resiliência da geração distribuída solar após seu ápice há quatro anos.

Essa modalidade apresentou o melhor desempenho entre os sistemas em 2022, sendo responsável, sozinha, por mais de R$ 21,8 bilhões em financiamento para renováveis. Nos anos seguintes, registrou números na faixa de R$ 13 bilhões a R$ 14,7 bilhões.

Segundo o estudo, o desempenho observado em 2022 ocorreu em razão do direito adquirido previsto na Lei 14.300, que instituiu o marco legal da micro e minigeração distribuída e determinou que os produtores que protocolassem pedidos de conexão até janeiro de 2023 permaneceriam sob as regras antigas de compensação tarifária até 2045, gerando uma corrida pela tecnologia.

Já a resiliência seria explicada pelo menor impacto da nova regulação graças à simultaneidade entre geração e consumo, mantendo a modalidade mais atrativa ao consumidor, além da carteira remanescente de projetos remotos com direito adquirido. Trata-se de usinas de geração compartilhada e de autoconsumo remoto protocoladas antes de janeiro de 2023 e que seguem sendo financiadas.

As grandes usinas fotovoltaicas, por sua vez, recuaram de R$ 15,1 bilhões registrados em 2022 para R$ 9 bilhões em 2025.

O levantamento atribui a queda à alta da Selic, que elevou significativamente o custo de capital dos projetos, e à produção concentrada no período diurno, que provoca excesso de oferta e pressão sobre os preços da energia. O cenário é agravado pelo curtailment e pela ausência de mecanismos de ressarcimento.

A Cela aponta que, em média, 17,1% das usinas foram atingidas por curtailment entre abril de 2024 e março de 2025, o que, somado à ausência de mecanismos de compensação pelos cortes forçados, se tornou um dos principais entraves para essa fonte de geração.

O financiamento de energia eólica registrou R$ 12,5 bilhões em 2025, após ter alcançado R$ 8,9 bilhões em 2024, o menor valor da série histórica, período também marcado pelos juros elevados e pelo curtailment. A consultoria destaca que o mercado livre de energia e a autoprodução ampliaram a base de projetos viáveis fora do ambiente regulado.

A energia eólica também passou a ocupar um papel estratégico na composição de contratos do mercado livre e passou a ser procurada por consumidores interessados em compor portfólios capazes de entregar energia de forma mais constante ao longo do dia.

Os financiamentos em BESS (Battery Energy Storage System) atingiram R$ 126 milhões em 2025, um crescimento em comparação com os R$ 117 milhões de 2024, mas ainda distante do maior número registrado pela tecnologia, que foi de R$ 280 milhões em 2023.

Ainda assim, a pesquisa aponta que a irregularidade dos mecanismos de captação de recursos para esses projetos, somada à redução drástica dos custos dos sistemas de armazenamento — que recuaram 90% desde 2010 —, faz com que os dados não reflitam plenamente o desenvolvimento da tecnologia. Além disso, parte relevante dos sistemas contratados ainda está incluída nas linhas de financiamento fotovoltaico.

O documento também destaca que os primeiros leilões dedicados exclusivamente ao armazenamento podem ser realizados ainda em 2026, o que pode inaugurar uma nova fase para a tecnologia, com impacto direto nos volumes de financiamento.

A CEO da consultoria avalia ainda que a energia eólica e os sistemas de armazenamento vêm ganhando um papel estratégico no setor elétrico, ao se mostrarem capazes de solucionar desafios da rede. Segundo ela, essa tendência deve se refletir nos volumes de financiamento dos próximos anos.

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Nova teoria explica como a Terra pode ter recebido os ingredientes da vida

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A un país con las renovables de España le saldría a cuenta parecerse a Noruega

DVD1321(05/06/2026): SEVILLA. Placas solares en el término municipal de Guillena, Sevilla.
FOTO: PACO PUENTES (EL PAÍS)

España vive en una paradoja energética: es, por un lado, uno de los países europeos que más energía solar recibe y, por otro, uno de los que menos está haciendo por aprovechar la lotería de esta privilegiada ubicación geográfica. Es cierto que el despliegue de infraestructura de generación renovable ha alcanzado un ritmo nada desdeñable, merecedor de celebración dentro de nuestras fronteras y de un aplauso generalizado fuera de ellas. La capacidad de España para producir electricidad con fuentes renovables y cómo estas han amortiguado los efectos más inmediatos en el alza de los precios de la energía tras la crisis de Ormuz ha sido alabada, de hecho, por muchos expertos internacionales. Pero, aun así, España se está quedando a medias en la revolución más importante de este siglo: la electrificación.

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O Sistema Solar pode ter tido um quinto gigante gasoso que foi “cuspido”

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Movimentos cívicos criam plataforma nacional contra megaprojetos solares e eólicos

ove movimentos cívicos e associações de todo o país criaram uma plataforma nacional contra a proliferação de megaprojetos solares e eólicos e em defesa de uma transição energética justa e sustentável.

No seu manifesto, o novo Movimento Energia Justa e Sustentável (MEJS) expressa preocupação pela forma como a transição energética tem vindo a ser conduzida no país e contrapõe com “a necessidade inadiável de um Plano de Ordenamento das Energias Renováveis”.

A plataforma integra a associação ProtegeAlentejo e o movimento Juntos Pelo Cercal, no concelho de Santiago do Cacém, distrito de Setúbal, Cidadãos pela Beira Baixa, Movimento Cívico em Defesa de Pedrógão de São Pedro e Bemposta, Movimento Cívico Gardunha Sul e Plataforma de Defesa do Tejo Internacional, no distrito de Castelo Branco.

Também as organizações Juntos pelo Divor – Paisagem e Património, no distrito de Évora, Juntos por São Luís, no concelho de Odemira, distrito de Beja, e a Plataforma pela Sustentabilidade e Biodiversidade do Algarve e Alentejo se juntaram ao novo movimento agregador.

Estes nove fundadores do MEJS consideram, no manifesto, que a transição energética tem privilegiado megaprojetos solares e eólicos.

Todos “com localização e dimensão inaceitáveis, apresentados como receita única e urgente para o cumprimento das metas do PNEC (Plano Nacional de Energia e Clima)”, pode ler-se.

A plataforma diz rejeitar que esta estratégia energética transforme Portugal numa “gigante fábrica de energia”, com “o objetivo da exportação ou da atração de centros de dados”.

No entender das organizações, além de esta opção política causar “impactos claramente irreversíveis” para o país, “jamais deveria sequer ser ponderada sem o esclarecimento e o sufrágio da população portuguesa”.

“A esta opção política, desordenada e obscura, contrapomos a necessidade inadiável de um Plano de Ordenamento das Energias Renováveis, ampla e efetivamente participado aos níveis local, regional e nacional, que respeite vinculativamente a vontade popular”, sugere a plataforma.

Para que este plano “seja elaborado com a transparência que o ordenamento exige, terão que ser colocadas na praça pública informações e escolhas que nunca foram partilhadas e acordadas com as comunidades”, argumentam os subscritores do manifesto.

E que, eventualmente, alerta o MEJS, “exigirão uma reavaliação das metas do PNEC”, como “qual a potência energética de que Portugal de facto necessita e para que usos, quais as previsões de crescimento de consumos e em que setores e que ‘mix’ energético deve ser considerado nesta fase de transição”.

O documento reitera a necessidade de ser avaliado “o efeito acumulado de todos os projetos e infraestruturas associadas”, tais como “Linhas de Muito Alta Tensão [e] subestações” previstas em todo o país e não apenas cada projeto de forma isolada.

O Plano de Ordenamento das Energias Renováveis deve respeitar os “sujeitos rurais” e respetivos territórios, “enquanto lugares vivos e habitados”, defende a plataforma, rejeitando “a artificialização de vastas áreas naturais”.

Em alternativa aos grandes projetos, o movimento quer “uma política robusta de apoio à produção renovável descentralizada, incluindo o autoconsumo individual e coletivo”, a criação das “comunidades de energia renovável” e do “pequeno sistema agrovoltaico integrado”.

Deve ainda ser dada primazia às “pequenas centrais em zonas degradadas ou artificializadas e [aos] sistemas locais de armazenamento associados”, acrescenta.

Além de se referir aos projetos ligados ao hidrogénio e aos centros de dados como “elefantes brancos”, o movimento nacional sustenta que o “recurso à figura do interesse público” deve “estar ao serviço do coletivo”, só devendo ser usado “em condições excecionais”.

No que respeita ao combate às alterações climáticas, o movimento, que diz ser apartidário, apontou como soluções o sequestro das emissões de carbono, a regeneração dos solos, das boas práticas agrícolas e florestais e o restauro de habitats.

No manifesto, o Movimento Energia Justa e Sustentável apela também “a todos os cidadãos, associações, autarquias, instituições científicas e decisores políticos para que participem ativamente neste debate fundamental para o futuro do país”.

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