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Eletrificação não trouxe melhorias ao Algarve e ainda circulam comboios com mais de meio século

“Os comboios refletem de forma precisa a cultura do país: o país sórdido e miserável tem caminhos de ferro sórdidos e miseráveis; a nação orgulhosa e eficiente reflete-se de forma semelhante no seu parque ferroviário” — Paul Theroux em O velho Expresso da Patagónia

Às seis e cinquenta e quatro da manhã – horário cumprido com sucesso - tem início em Lagos uma viagem de três horas e pouco de comboio. Na verdade, teve início um pouco antes com a chegada do maquinista para “aquecer os motores” e ver se está tudo em ordem. Engane-se quem pensa que o destino é Lisboa ou outro distrito qualquer ou até um país europeu vizinho. A aventura é do Algarve até ao Algarve. Há uma linha que separa o homem da natureza; a linha férrea à saída de Lagos: à direita vê-se o sol roubar, aos poucos, a escuridão ao céu; vê-se o mar, ondas, areia, dunas, ervas e, ao longe, uma miniatura da Ponta da Piedade. Do lado esquerdo hotéis, casas que dificilmente um habitante local consegue pagar, obras e campos de golfe. No meio, viaja uma centopeia cansada, a arfar e a arrastar-se, como faz diariamente desde os anos 50.

O laranja começou cedo a pincelar a cidade porque o verão aproxima-se. Se fosse inverno, o passageiro teria de levantar os pés para evitar ser atingido pelo vento gelado proveniente das saídas de ar que estão perto do chão, logo após o ar condicionado da automotora ser ligado. Demora uns minutos até sair quente. Desta vez o azar falou mais alto e os passageiros têm ao seu dispor um transporte modernizado, mas não é a modernização que esperam há anos; são apenas os graffitis que decoram o seu exterior. Nem os vidros escaparam. Afinal, o que é uma viagem de comboio sem janelas? Apenas uma carruagem possui bancos com encosto de cabeça. As restantes têm uma espécie de ferro que não é muito amigo de nucas. Esta diferença faz o passageiro não-habitual achar que viaja em primeira classe, pelo menos até entrar na casa de banho e perceber que a sanita é um buraco com vista para os carris. Como não existem cortinas, o utente tem de conhecer a posição do sol em relação ao comboio se quiser evitar que, durante a viagem, o lado da cara que está virado para a janela fique vermelho. Talvez os «artistas» que vandalizaram os comboios estivessem, na verdade, a lutar contra escaldões. “Que incrível este comboio «novo» que circula no Algarve” é uma frase que nas últimas décadas seria impossível de proferir (e ainda é). Hoje, e já há vários anos, uma das maiores reivindicações dos algarvios é a aquisição de comboios modernos. O Jornal do Algarve questionou a CP e a Infraestruturas de Portugal sobre esta e outras questões, mas até ao fecho desta edição não obteve respostas. "A Chegada do Comboio à Estação", dos irmãos Lumière, foi um dos primeiros filmes da história do cinema, no final do século 19. Já “A Chegada dos Comboios Elétricos ao Algarve” também poderia ser um filme, talvez de ficção científica. O trailer foi lançado mais ou menos há um ano quando um comboio elétrico cir...

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Caminhos da Reportagem aborda Pink money e o valor da diversidade

O termo pink money ou dinheiro rosa, em tradução livre, ganhou força nos Estados Unidos na década de 1980 e se refere ao poder de consumo da população LGBTQIAPN+.

De acordo com a consultoria Out Now, esse consumo pode chegar a R$ 420 bilhões por ano no Brasil. Ricardo Sales, presidente do Instituto Mais Diversidade, explica que, historicamente, esse mercado era associado a nichos específicos de consumo:

"Nos anos 80 e 90, a gente associava a noção de pink money muito à viagem, lazer, entretenimento e muitas vezes o fazia isso de uma forma até bastante estereotipada.” 

Nos anos 1990, o mercado brasileiro esteve muito ligado aos espaços considerados seguros para a comunidade, com bares e casas noturnas. Com isso, a noite paulistana moldou a carreira de figuras icônicas como a drag queen e apresentadora Silvetty Montilla. 

“Quando eu comecei, eu falei: ‘eu não quero ser artista de um lugar só’. [...] Quando eu vi que o dinheiro estava entrando, aí eu decidi ficar só na noite”, explica.

A partir dos anos 2000, o mercado voltado para pessoas LGBT+ começou a crescer no país. “Foi quando a gente sentiu, por exemplo, que a Parada de São Paulo teve um grande crescimento. Por quê? As pessoas estavam mais tranquilas em ficar fora do armário”, afirma Clovis Casemiro, gerente de membros da Associação Mundial de Turismo LGBT+ (IGLTA).

Dados da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) mostram que, em 2025, o evento movimentou cerca de R$ 550 milhões na economia paulistana. Contudo, a dificuldade para captar patrocínios ainda é uma questão:

"As empresas aqui no Brasil investem pouco em relação ao que elas investem em outros eventos”, enfatiza Nelson Matias Pereira, presidente da Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo (APOLGBT-SP).

Pink washing

Muitas empresas lucram com os símbolos LGBT+, especialmente em junho, Mês do Orgulho, mas sem promover direitos para essa comunidade. Tal conceito é conhecido como pink washing.

Para combater essa prática, o Fórum de Empresas e Direitos LGBTI+ reúne empresas que assinaram a carta Dez Compromissos da Empresa com a Promoção dos Direitos LGBTI+.

O Grupo Heineken é uma delas. A multinacional investe no empoderamento de funcionários LGBT+ e na formação de bares parceiros para o mundo dos negócios:

“A gente apadrinhou esses bares que eram de proprietários LGBT para que a gente fizesse essa jornada, uma trilha de desenvolvimento mesmo, para que esse dinheiro volte e prospere para a comunidade de maneira saudável e segura”, explica Vetusa Pereira, gerente de diversidade, equidade e inclusão do Grupo Heineken.

Outros eventos têm chamado a atenção do público LGBT+, como o Todo Mundo no Rio, que arrastou milhões de pessoas para a praia de Copacabana com os shows de Madonna (2024), Lady Gaga (2025) e Shakira (2026).

São Paulo (SP), 03/06/2026 - Caminhos da Reportagem PINK MONEY - A drag queen Silvetty Montilla se apresenta no show “Segunda Dose com Montilla”, em uma casa noturna de São Paulo..
Frame TV Brasil São Paulo (SP), 03/06/2026 - Caminhos da Reportagem PINK MONEY - A drag queen Silvetty Montilla se apresenta no show “Segunda Dose com Montilla”, em uma casa noturna de São Paulo..
Frame TV Brasil
A drag queen Silvetty Montilla apresenta o show Segunda Dose com Montilla, em uma casa noturna de São Paulo - Frame TV Brasil

De acordo com a Prefeitura do Rio, o evento movimentou cerca de R$ 800 milhões na economia carioca, um retorno financeiro quarenta vezes maior que o investimento no show: “90% do público que frequenta a loja nessas datas são LGBT”, diz Siluana Bezerra, dona de uma loja no Saara, coração do comércio popular carioca, que vende roupas e acessórios para fãs de divas pop.

A rede hoteleira também tem faturado: “A gente acabou de passar por uma expansão que fez com que a gente dobrasse a capacidade até para conseguir pegar mais esse público agora nesse momento”, explica Pedro Barroso, general manager de um hostel que fica a quatro quadras da praia de Copacabana.

Apesar dos avanços, o preconceito ainda traz grandes prejuízos para a economia brasileira. De acordo com um estudo do Banco Mundial, o país perde anualmente mais de R$ 94 bilhões com a exclusão de pessoas LGBT+ do mercado de trabalho.

População trans

A população trans é ainda mais afetada pelo desemprego. Em 2023, segundo o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, apenas 25% tinham emprego formal, com salários 32% menores que a média nacional. 

A assessora parlamentar Andréa Brazil teve dificuldades para permanecer no mercado de trabalho formal. “Eu fui operadora de telemarketing por mais de três anos na minha vida. Eu tomava bronca por causa da minha voz”, explica.

Ter seu próprio negócio foi a forma que Andréa encontrou para ter mais dignidade. Ela abriu um salão de beleza e, logo após, conseguiu realizar o sonho de ser estilista:

“Eu comecei a pensar nos looks que tivessem as bandeiras para que as pessoas se sentissem vestindo, abraçando a causa.”

O empreendimento da Andréa cresceu e se tornou um projeto social, o Capacitrans, que capacita a população LGBT+, especialmente pessoas trans e travestis, em ofícios como maquiagem, corte de cabelo e design de roupas. 

O jornalista Francisco Borges, pai solo de seis filhos adotivos, vê essa transformação de perto. Para ele, a sociedade está mais atenta à maneira como empresas e demais instituições trabalham com as pautas do universo LGBT+.

"Quando eu vou colocar um filho na escola, eu não quero só saber se eles têm Dia da Família, porque isso é o mínimo. Eu quero entender como eles se colocam frente aos personagens históricos, de livros infantis, por exemplo, que tipo de histórias, que tipo de autores eles têm ali?”, explica.

O episódio Pink Money: o Valor da Diversidade, do Caminhos da Reportagem, vai ao ar às 23h desta segunda-feira (8), na TV Brasil.

>> Clique aqui e saiba como sintonizar a TV Brasil

Ficha técnica

Produção e reportagem: Thiago Padovan
Apoio à produção: Lucas Cruz
Apoio operacional à produção: Acácio Barros
Reportagem cinematográfica: JM Barboza e Marcelo Padovan
Apoio à reportagem cinematográfica: Denis Vianna, Eduardo Guimarães e Rodolpho Rodrigues
Auxílio técnico: Rafael Carvalho e Caio Araujo
Apoio à imagem: Yuri Ledesma
Edição de texto: Márcio Garoni
Edição e finalização de imagem: Rodrigo Botosso
Assessoria: Maura Martins
Arte: André Maciel, Aleixo Leite e Carol Ramos

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Caminhos da Reportagem aborda Pink money e o valor da diversidade

O termo pink money ou dinheiro rosa, em tradução livre, ganhou força nos Estados Unidos na década de 1980 e se refere ao poder de consumo da população LGBTQIAPN+.

De acordo com a consultoria Out Now, esse consumo pode chegar a R$ 420 bilhões por ano no Brasil. Ricardo Sales, presidente do Instituto Mais Diversidade, explica que, historicamente, esse mercado era associado a nichos específicos de consumo:

"Nos anos 80 e 90, a gente associava a noção de pink money muito à viagem, lazer, entretenimento e muitas vezes o fazia isso de uma forma até bastante estereotipada.” 

Nos anos 1990, o mercado brasileiro esteve muito ligado aos espaços considerados seguros para a comunidade, com bares e casas noturnas. Com isso, a noite paulistana moldou a carreira de figuras icônicas como a drag queen e apresentadora Silvetty Montilla. 

“Quando eu comecei, eu falei: ‘eu não quero ser artista de um lugar só’. [...] Quando eu vi que o dinheiro estava entrando, aí eu decidi ficar só na noite”, explica.

A partir dos anos 2000, o mercado voltado para pessoas LGBT+ começou a crescer no país. “Foi quando a gente sentiu, por exemplo, que a Parada de São Paulo teve um grande crescimento. Por quê? As pessoas estavam mais tranquilas em ficar fora do armário”, afirma Clovis Casemiro, gerente de membros da Associação Mundial de Turismo LGBT+ (IGLTA).

Dados da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) mostram que, em 2025, o evento movimentou cerca de R$ 550 milhões na economia paulistana. Contudo, a dificuldade para captar patrocínios ainda é uma questão:

"As empresas aqui no Brasil investem pouco em relação ao que elas investem em outros eventos”, enfatiza Nelson Matias Pereira, presidente da Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo (APOLGBT-SP).

Pink washing

Muitas empresas lucram com os símbolos LGBT+, especialmente em junho, Mês do Orgulho, mas sem promover direitos para essa comunidade. Tal conceito é conhecido como pink washing.

Para combater essa prática, o Fórum de Empresas e Direitos LGBTI+ reúne empresas que assinaram a carta Dez Compromissos da Empresa com a Promoção dos Direitos LGBTI+.

O Grupo Heineken é uma delas. A multinacional investe no empoderamento de funcionários LGBT+ e na formação de bares parceiros para o mundo dos negócios:

“A gente apadrinhou esses bares que eram de proprietários LGBT para que a gente fizesse essa jornada, uma trilha de desenvolvimento mesmo, para que esse dinheiro volte e prospere para a comunidade de maneira saudável e segura”, explica Vetusa Pereira, gerente de diversidade, equidade e inclusão do Grupo Heineken.

Outros eventos têm chamado a atenção do público LGBT+, como o Todo Mundo no Rio, que arrastou milhões de pessoas para a praia de Copacabana com os shows de Madonna (2024), Lady Gaga (2025) e Shakira (2026).

São Paulo (SP), 03/06/2026 - Caminhos da Reportagem PINK MONEY - A drag queen Silvetty Montilla se apresenta no show “Segunda Dose com Montilla”, em uma casa noturna de São Paulo..
Frame TV Brasil São Paulo (SP), 03/06/2026 - Caminhos da Reportagem PINK MONEY - A drag queen Silvetty Montilla se apresenta no show “Segunda Dose com Montilla”, em uma casa noturna de São Paulo..
Frame TV Brasil
A drag queen Silvetty Montilla apresenta o show Segunda Dose com Montilla, em uma casa noturna de São Paulo - Frame TV Brasil

De acordo com a Prefeitura do Rio, o evento movimentou cerca de R$ 800 milhões na economia carioca, um retorno financeiro quarenta vezes maior que o investimento no show: “90% do público que frequenta a loja nessas datas são LGBT”, diz Siluana Bezerra, dona de uma loja no Saara, coração do comércio popular carioca, que vende roupas e acessórios para fãs de divas pop.

A rede hoteleira também tem faturado: “A gente acabou de passar por uma expansão que fez com que a gente dobrasse a capacidade até para conseguir pegar mais esse público agora nesse momento”, explica Pedro Barroso, general manager de um hostel que fica a quatro quadras da praia de Copacabana.

Apesar dos avanços, o preconceito ainda traz grandes prejuízos para a economia brasileira. De acordo com um estudo do Banco Mundial, o país perde anualmente mais de R$ 94 bilhões com a exclusão de pessoas LGBT+ do mercado de trabalho.

População trans

A população trans é ainda mais afetada pelo desemprego. Em 2023, segundo o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, apenas 25% tinham emprego formal, com salários 32% menores que a média nacional. 

A assessora parlamentar Andréa Brazil teve dificuldades para permanecer no mercado de trabalho formal. “Eu fui operadora de telemarketing por mais de três anos na minha vida. Eu tomava bronca por causa da minha voz”, explica.

Ter seu próprio negócio foi a forma que Andréa encontrou para ter mais dignidade. Ela abriu um salão de beleza e, logo após, conseguiu realizar o sonho de ser estilista:

“Eu comecei a pensar nos looks que tivessem as bandeiras para que as pessoas se sentissem vestindo, abraçando a causa.”

O empreendimento da Andréa cresceu e se tornou um projeto social, o Capacitrans, que capacita a população LGBT+, especialmente pessoas trans e travestis, em ofícios como maquiagem, corte de cabelo e design de roupas. 

O jornalista Francisco Borges, pai solo de seis filhos adotivos, vê essa transformação de perto. Para ele, a sociedade está mais atenta à maneira como empresas e demais instituições trabalham com as pautas do universo LGBT+.

"Quando eu vou colocar um filho na escola, eu não quero só saber se eles têm Dia da Família, porque isso é o mínimo. Eu quero entender como eles se colocam frente aos personagens históricos, de livros infantis, por exemplo, que tipo de histórias, que tipo de autores eles têm ali?”, explica.

O episódio Pink Money: o Valor da Diversidade, do Caminhos da Reportagem, vai ao ar às 23h desta segunda-feira (8), na TV Brasil.

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Ficha técnica

Produção e reportagem: Thiago Padovan
Apoio à produção: Lucas Cruz
Apoio operacional à produção: Acácio Barros
Reportagem cinematográfica: JM Barboza e Marcelo Padovan
Apoio à reportagem cinematográfica: Denis Vianna, Eduardo Guimarães e Rodolpho Rodrigues
Auxílio técnico: Rafael Carvalho e Caio Araujo
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Edição de texto: Márcio Garoni
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Assessoria: Maura Martins
Arte: André Maciel, Aleixo Leite e Carol Ramos

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Entrevista a Hugo Soares: “Não vejo razão nenhuma para fazer falta no Governo”

Entrevista

Hugo Soares recebe O MINHO no seu gabinete na Assembleia da República, no fim de mais uma semana parlamentar. É a partir daqui que o braço direito de Luís Montenegro, líder parlamentar e secretário-geral do PSD gere as diferentes sensibilidades políticas para tentar levar avante a agenda do governo minoritário da AD.

Uma longa conversa sobre Braga, o Parlamento, o partido, a família e o futuro, numa sala onde o busto de Sá Carneiro está em destaque, assim como uma serigrafia com fundadores do partido em 1974.

Em cima da secretária de Hugo Soares encontram-se fotografias da família. Outra mesa, a um canto, está reservada para fotos mais institucionais ou de âmbito partidário. 

Às sextas, a que horas sai do Parlamento? 

Sexta é dia de respirar e rumar a casa. Normalmente, o Parlamento não tem trabalhos à tarde. As votações duram até cerca das duas horas da tarde.

Eu, não tendo mais agenda, nem sequer almoço. Tento ir diretamente para Braga mal o plenário acaba para fazer uma coisa que raramente ou nunca consigo fazer, que é apanhar os meus filhos no colégio. Nem sempre consigo, porque aproveito para ter agenda partidária sexta-feira à noite, para não ocupar depois o fim de semana.

Hoje, por exemplo, só sairei de Lisboa à meia-noite em ponto, porque vou participar no “Expresso da Meia-Noite”, na SIC Notícias. Só vou conseguir chegar a Braga por volta das três da manhã. Espero ver os meus filhos amanhã de manhã, quando acordarem.

No fim de semana, o que é que faz? 

Há coisas que faço religiosamente, como ver os jogos dos meus dois filhos. Nenhum dos dois, creio, será jogador de futebol, vou ver os jogos porque sei que é importante para eles.

Depois, dedico o tempo todo à família para tentar mitigar, nunca para compensar, porque isso não se compensa, mas para mitigar o facto de não estar com a minha mulher, nem com os meus filhos de segunda a sexta. 

Outra coisa que procuro fazer, ao sábado de manhã ou ao domingo de manhã, dependendo dos jogos, é sair com a família para dar uma volta à pé no centro da cidade.

Sinto muita falta de passear na Avenida Central, descer a rua do Souto, tomar um café n’ A Brasileira e sentir a cidade, ver as pessoas que conheço, que me viram nascer, crescer e trabalhar. 

Quando está na rua, as pessoas colocam-lhe questões ou problemas concretos? 

Honestamente, a maior parte das pessoas procura não incomodar. As pessoas olham, quando me reconhecem, e comentam. Muitas abordam, mas sempre de uma perspetiva muito simpática. Às vezes colocam questões mais concretas, porque têm um problema aqui ou acolá, e perguntam a opinião e querem saber como é que se resolve.

Normalmente as abordagens são até de incentivo.

Em Braga, as pessoas, espero eu, têm um carinho diferente, se calhar, pelo meu percurso, independentemente das lógicas partidárias, por saberem que sou de Braga. 

Sendo natural e eleito pelo círculo de Braga, acha que o distrito tem razões para estar satisfeito com as decisões do Governo?

O distrito tem muitas razões para estar satisfeito, modéstia à parte, mesmo muito modéstia à parte. Sem querer ser presunçoso, tenho procurado, junto daquilo que é a minha esfera de influência, ajudar a que o distrito tenha esse tipo de decisão política de investimento.

Entrevista a Hugo Soares: “Não vejo razão nenhuma para fazer falta no Governo”
Foto: Direitos Reservados

Nós estamos com uma carteira de investimentos muito grande no distrito de Braga, como de resto em todo o País. Mas no distrito de Braga, desde as infraestruturas de mobilidade, por exemplo, em Cabeceiras de Basto, que era uma pretensão antiquíssima das Terras de Basto, para acabar com uma distância que ainda hoje é difícil de fazer e que agora com o nó de ligação [à A7] ficará mais curta.

Depois, os investimento diretos em Braga, desde logo o Nó de Infias e a nova Circular já anunciada, o Hospital Barcelos… 

Vamos ver a primeira pedra da Circular de Braga ser colocada em breve? 

Espero mais do que a primeira pedra. Sinceramente, espero que as obras possam iniciar-se e eventualmente concluir no quadro deste mandato autárquico e no quadro desta legislatura do Governo.

Falava do Hospital Barcelos, cujo projeto já esteve em Orçamento do Estado.

O distrito de Braga pode estar muito satisfeito e orgulhoso com o Governo de Portugal. 

Pelas suas funções enquanto secretário-geral do PSD, acompanha a dinâmica das distritais, incluindo a de Braga. Já falou com Carlos Eduardo Reis depois de ele ter sido eleito líder da distrital?

Confesso que não. Ainda não falei com o Carlos Eduardo Reis desde que ele foi eleito. Não leia isto de forma capciosa ou com algum acinte. Talvez, provavelmente, não tenha falado com um ou outro presidente da distrital desde que foi eleito.

O secretário-geral já fez uma reunião com outros presidentes das distritais e o Carlos não veio. Não esteve nessa ocasião, não falei com ele. Não tive nenhuma iniciativa para a qual tenha sido convidado.

Quero dar nota que é algo natural. Não tem a ver com nenhum problema em relação a uma das maiores distritais, que é a de Braga. 

Olhando para a gestão das autarquias do distrito, acha que, por exemplo, a Câmara de Braga corre o risco de se tornar ingovernável? 

Não. Aliás, a experiência está a demonstrar que não. O Dr. João Rodrigues tem demonstrado uma capacidade de diálogo, o que leva a que consiga fazer as aprovações que precisa na Câmara Municipal.

Espero, honestamente, que a oposição nunca seja uma força de bloqueio. Mas, mais do que isso, está a mostrar uma grande capacidade decisória. E tem conseguido, muitas vezes com o apoio de uns, outras vezes com o apoio de outros, fazer aprovar o que precisa em reunião de Câmara, numa circunstância que é difícil, numa Câmara que ficou muito fragmentada.

Entrevista a Hugo Soares: “Não vejo razão nenhuma para fazer falta no Governo”
Foto: Direitos Reservados
Tanto João Rodrigues como Hugo Soares têm agora o desafio de fazer aprovar os orçamentos municipal e de Estado do próximo ano.

É verdade, mas não vejo isso como um problema. Jamais acreditaria que a oposição em Braga não tivesse a responsabilidade de respeitar a vontade dos eleitores.

É que nós, às vezes, confundimos muito o que é fazer oposição com aquilo que deve ser o papel da oposição. É verdade que os eleitores decidiram que uma Câmara não tem maioria ou que um Governo não tem maioria. Isto está tudo certo. Mas os eleitores não quiseram dizer à oposição que seja uma força de bloqueio, porque escolheram alguém para governar.

Disseram foi que essa pessoa não teria maioria absoluta. E muitas vezes há essa confusão e as oposições confundem muito isso e acham-se ou arrogam-se no direito de poder substituir quem governa e quem foi escolhido para governar, quer numa Câmara, quer no País. Isso é uma ideia muito errada do que é o papel da oposição.

Também existe a expectativa sobre o que é suposto os eleitos fazerem. E aqui puxava por Pedro Passos Coelho que nos habituou a intervenções semanais em que aponta ao Governo uma alegada falta de reformas ou de dinâmica reformista.

Tenho muita consideração pelo Dr. Pedro Passo Coelho. Creio que muitas vezes ele é interpretado de forma errada, porque cada vez que ele fala acham que está a falar mal do governo.

Na última semana, não interpretei aquelas palavras como se fossem para o Governo, até pelo contrário.

A expressão “prostituto sem caráter” deu azo a várias interpretações.

Não creio que tenha sido para o chefe de Governo. No que diz respeito à posição do Dr. Pedro Passo Coelho sobre as reformas, eu estou nas antípodas dele.

O Governo está mesmo a transformar o País. Não quero fazer desta entrevista um exercício político, mas da educação à imigração, à nacionalidade, à habitação, à mobilidade, à fiscalidade, eu elenco um conjunto de transformações enormes que o Governo tem feito num quadro em que não tem maioria absoluta. E, portanto, tudo isso exige uma capacidade de diálogo muito grande, quer com o Partido Socialista, quer com o Chega.

Discordo profundamente dessa posição do Dr. Pedro Passos Coelho. Mas as coisas são o que são.

Não podemos concordar com tudo, senão, como se costuma dizer, o que seria do amarelo?

Até por razões internacionais, as previsões económicas mais recentes apontam para um abrandamento da economia. Portanto, o famoso bolso dos portugueses não está a sentir essa melhoria, até pelo contrário, está a assistir-se a um aumento do custo de vida. 

Permita-me discordar. É verdade que os últimos meses foram talvez um bocado mais difíceis por força do aumento, sobretudo, do preço dos combustíveis. Como é que eu lhe vou dizer isto para não parecer pretensioso…

Nós embarcamos muito numa espécie de bolha mediática em que aquilo que se diz torna-se uma realidade que se impõe às pessoas. E não deve ser assim.

Os portugueses foram afetados e ainda o são hoje pelo aumento dos preços dos combustíveis por força da guerra entre os Estados Unidos, Israel e Irão. 

O Governo, por via da diminuição dos impostos nos combustíveis, conseguiu que não se sentisse tanto esse aumento, porque fomos sempre diminuindo aquilo que era a margem do governo no IVA em mais de vinte cêntimos por litro.

Ainda assim, o preço subiu e isso criou uma pressão maior na vida das famílias. Nos bens alimentares, não creio que os portugueses tenham sentido uma diferença muito grande.

O preço de alguns bens alimentares subiu, mas não de uma forma que crie dificuldades às famílias. Eu sei que não é popular dizer isto, mas é verdade.

Se fizermos uma análise realista daquilo que é a vida das pessoas, as pessoas hoje têm mais rendimento no final do mês. Não pode ser de outra maneira, por uma razão simples. Este Governo fez por quatro vezes uma baixa do IRS.

As pessoas hoje têm mais rendimento líquido porque os impostos baixaram.  

Mas os custos, da habitação ao supermercado, aumentaram. 

Os preços da habitação e das prestações bancárias não aumentaram. Têm até vindo a diminuir. Há agora uma pressão maior.

Vamos ver como é que se vai comportar. E isso, sim, tem influência direta na vida das pessoas. Mas se quisermos fazer uma análise daquilo que é o rendimento disponível dos portugueses, esse aumentou. E tem que aumentar.

Descemos quatro vezes o IRS. Aumentámos as pensões e aumentamos extraordinariamente as pensões mais baixas. Aumentámos o Componente Solidário para Idosos. Fizemos uma revisão de mais de 40 carreiras na Administração Pública.

As pessoas que estão na Administração Pública sabem-no, aumentando a sua remuneração no final do mês. 

Entrevista a Hugo Soares: “Não vejo razão nenhuma para fazer falta no Governo”
Foto: Direitos Reservados

Nos últimos dois anos, entre os 38 países da OCDE, Portugal foi aquele onde a carga fiscal, isto é, os impostos sobre os rendimentos do trabalho, sobre os ordenados, mais desceu. Isto é motivo de orgulho para os portugueses, não é para o Governo.

Há muita gente que não entende esta descida de impostos como uma reforma estrutural, mas é. 

Nós queremos muito que os portugueses paguem menos impostos, que é a via mais fácil de terem mais rendimentos no final do mês, tal como fizemos também a diminuição de impostos sobre as empresas, para que as empresas possam pagar melhores salários.

É evidente que se cria uma perceção, sobretudo nos momentos em que a inflação sobe ligeiramente, mas não estamos perto do que aconteceu, por exemplo, no covid.

Lembro que o Governo de então só atuou um ano depois da escalada dos preços. 

Estamos hoje com condições que não tínhamos há muitos anos. Crescemos acima da média europeia, temos uma dívida pública abaixo de 90% do PIB, o que nos dá uma garantia de financiamento no mercado a taxas de juros incríveis, o que permite que o País esteja sólido do ponto de vista financeiro.

Apresentámos dois excedentes orçamentais seguidos, e isso atribui-nos uma credibilidade externa para não teremos de impor os sacrifícios que outrora foram impostos aos portugueses, caso haja um momento de turbulência, que eu espero que não venha.

Sendo que as sondagens não estão a beneficiar a AD. 

Se fosse pelas sondagens o eng.º Carlos Moedas nunca teria ganho a Câmara de Lisboa, nem nós nunca teríamos ganho as legislativas com a diferença com que ganhamos.

Não estou a desvalorizar, mas há sondagens para todos os gostos.

O PSD também faz sondagens. Eu também trabalho com base em dados.

Essas sondagens internas são mais positivas para o PSD?

Não vou falar sobre isso, até porque nunca falei publicamente sobre isso. É a primeira vez que estou a fazê-lo. Mas se nós governássemos para as sondagens, aí sim, o País estaria em causa.

Cada vez que houvesse uma sondagem que nos dava um bocadinho mais abaixo do Partido Socialista, como estas últimas, nós íamos a correr governar a pensar nas eleições. 

O ambiente na rua não está mais tenso? Vamos na segunda greve geral em pouco tempo. 

Honestamente, não. Para já, não confundo as greves organizadas pelas centrais sindicais com os sentimentos dos pequenos trabalhadores e da população em geral.

Sinto, evidentemente, que a guerra no Irão trouxe uma pressão maior nos preços e as pessoas sentiram isso. Isso é evidente.

Sinto que as pessoas compreendem o caminho que o País está a fazer.

A análise fria faz-se nas eleições. É aí que as pessoas fazem o balanço.

As pessoas reconhecerão a transformação que Portugal está a sofrer. 

Entrevista a Hugo Soares: “Não vejo razão nenhuma para fazer falta no Governo”
Foto: Direitos Reservados
Há dias Miguel Relvas dizia na rádio Observador que “falta um comando político no Governo” e acrescentava: “Há uma pessoa muito boa, mas que se desgasta desnecessariamente. O Dr. Hugo Soares é uma pessoa de primeira água, um indivíduo de primeira qualidade, mas está a desgastar-se desnecessariamente.”

Agradeço ao Miguel a simpatia, mas é do meu feitio. É do meu feitio não me poupar no exercício das funções que ocupo.

Portanto, ele que não tenha problemas com isso, porque eu ainda tenho muito por onde desgastar. 

O que é que ele queria dizer com isso?

Não sei. No fundo, leio-lhe mais até uma crítica ao Governo, no sentido de dizer que se calhar o Hugo Soares fazia falta no Governo, talvez fosse isso que o Miguel quisesse dizer, procurando dizer que o Governo tem menos comando ou coordenação política.

Registo a simpatia das palavras na parte elogiosa. No resto, não faço mais nenhuma análise. 

O Hugo Soares faz falta no Governo? 

De todo. Portugal tem um Governo extraordinário. Tem mesmo. E com ministros de grande qualidade, de gente que veio de fora da política, que está neste momento a dar o seu contributo.

Não vejo razão nenhuma para o Hugo Soares fazer falta no Governo. 

Nas presidenciais apoiou um candidato, Marques Mendes, que teve um desempenho muito abaixo do esperado. É possível fazer já um balanço dos primeiros meses do mandato presidencial de António José Seguro?

É impossível fazer um balanço do mandato de alguém que está na Presidência há dois meses. Não é justo, nem é adequado. 

O relatório sobre a Presidência Aberta dedicada à resposta às tempestades foi um pouco criticado pelas críticas que apresentava… 

Eu não sou comentador político, sou ator político e, portanto, um relatório do senhor Presidente da República não deve ser comentado por quem tem responsabilidades políticas.

O que nós devemos fazer é ler o relatório com atenção, como fiz, tomar boa nota e registar. Mais nada a dizer sobre o tema. 

Em breve vai iniciar as negociações para o Orçamento do Estado, que será um dos momentos mais complicados que tem pela frente este ano. Nesta área,  qual o papel que deve Belém desempenhar? 

Belém tem sempre um papel a desempenhar e a chamada magistratura de influência de um Presidente da República é muito grande. E não tenho dúvidas de que o senhor Presidente da República terá a sua intervenção e exercerá a sua magistratura de influência na apresentação do Orçamento do Estado para o ano 2027. 

A entrevista está quase a chegar ao fim e ainda não falamos de André Ventura.

É bom sinal. 

Qual foi o momento em que se apercebeu que a política portuguesa estava a tornar-se agressiva e polarizada?

Percebi que a política portuguesa era completamente diferente daquela que eu conhecia no dia em que voltei a entrar neste Parlamento. Fui deputado de 2011 a 2019 e voltei em 2024. Quando saí não havia Chega e quando voltei já havia um Chega grande.

A transformação do Parlamento é brutal, em tudo, na educação, na urbanidade, no institucionalismo, no respeito. O Parlamento e a política mudaram. Não digo isso para amesquinhar ou maltratar o Chega. Pelo contrário, tenho o maior respeito pelas pessoas.

Mas é verdade que o comportamento transformou-se e a política ficou muito mais polarizada, muito mais agressiva. Vive muito mais da falsidade, porque o populismo usa muito a alteração dos factos para poder vender uma narrativa. E isso é perigoso. 

Ou seja, há uma desconfiança constante perante o Chega?

Não é uma questão de desconfiança. Tem sido possível governar, às vezes com o Partido Socialista, às vezes com o Chega. Nós temos levado a nossa estratégia a bom porto.

Mas às vezes é difícil porque temos um partido como o Chega, extremamente populista, que em cada negociação quer impor coisas absolutamente impossíveis de concretizar num país que quer ser sustentável e que não quer acabar amanhã. Por outro lado, há um Partido Socialista muito imobilista, muito preso ao passado.

Mas, a vida política é muito mais do que aquilo que é a perceção pública. As pessoas conversam e ainda bem que conversam.

E vai-se conseguindo estabelecer pontes com os outros partidos e isso é importante. 

Vimo-lo bastante animado quando recebeu André Villas-Boas aqui no Parlamento.

Não me viu mais animado do que nos outros dias, mas sim, foi um momento importante para quem é portista, como eu, que é uma coisa pública e sabida.

Foi um dia diferente para deputados de todos os partidos, que tiveram a oportunidade de jantar com o presidente Villas-Boas e com a direção do Porto, que é uma tradição de há muitos anos no Parlamento.

No ano passado veio o presidente do Sporting e este ano veio o André Villas-Boas e espero que para o ano venha outra vez o André Villas-Boas. 

Entrevista a Hugo Soares: “Não vejo razão nenhuma para fazer falta no Governo”
Foto: Direitos Reservados
Qual é que será o seu futuro político? Toda a gente faz a comparação com o percurso de Luís Montenegro, que também foi líder parlamentar.

Não faço ideia de qual será o meu futuro político. Se me perguntarem o que é que eu gostava, que é uma coisa diferente, eu diria que tenho o maior dos compromissos na função que estou a exercer.

Gostaria de poder continuar a dar o meu contributo nesta legislatura para ajudar a transformar Portugal. Não me vejo a fazer uma coisa diferente.

Este governo tem ainda muito para fazer pelo País, mas, terminado este ciclo, vejo-me a voltar à minha vida privada, a voltar ao meu escritório, a trabalhar fora da política.

Apenas isso.

Mas percebe-se que o Hugo Soares gosta muito disto…

Isso não está em questão. Gosto muito da vida pública e só gostando muito é que se suporta isto. Mas eu fiz sempre outras coisas na minha vida.

Eu estive fora da política de 2019 a 2022 e posso dizer que fui extremamente feliz. Talvez tenham sido os anos mais felizes da minha vida, porque dediquei mais tempo à minha família, à minha profissão, senti-me mais valorizado também do ponto de vista da retribuição, daquilo que é o nosso trabalho e o nosso rendimento.

Mas sou um privilegiado, porque gosto muito da política. Não é privilegiado porque tenha privilégios. Sou um privilegiado na vida, porque sempre gostei de ser advogado.

Os meus avós são de Montalegre e sempre gostei muito da agricultura e de tudo o que tem a ver com a terra.

E tive o privilégio de estar ligado a uma empresa agroalimentar muitos anos. Ainda continuo ligado. Tenho concretizado os meus sonhos. 

E funções executivas, como integrar um Governo?

Se me pergunta se tenho essa ambição, respondo que não.

Ao ser secretário-geral do partido e líder parlamentar, sinto que ajudo a mudar a vida das pessoas tanto como se estivesse no Governo.

Além do mais, a composição do Governo é uma competência exclusiva do primeiro-ministro. 

E liderar uma autarquia? 

Se me vejo como presidente de Câmara? Sendo franco, não. 

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Chapéus-de-sol dividem banhistas e concessionários no Algarve

A poucos dias do arranque oficial da época balnear, as praias algarvias tornaram-se palco de uma crescente controvérsia em torno da colocação de chapéus-de-sol particulares em frente às zonas concessionadas. A ausência de uma clarificação definitiva das regras está a gerar conflitos entre banhistas e concessionários, com situações que já obrigaram à intervenção da Polícia Marítima. A Praia de Monte Gordo é um dos exemplos mais visíveis desta disputa. Muitos veraneantes chegam ao areal convencidos de que já não existem restrições à instalação de chapéus-de-sol em frente às concessões, mas acabam por ser confrontados com indicações para se deslocarem para outras áreas da praia. Na origem da polémica está a interpretação de que não existe qualquer legislação que proíba explicitamente a colocação de chapéus-de-sol particulares nessas zonas. As recentes declarações do presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), que classificou como abusiva a proibição imposta em algumas praias, alimentaram a expectativa de mudança. Contudo, essa posição ainda não se refletiu na sinalização existente em vários areais. Enquanto algumas praias já começaram a flexibilizar as regras, outras mantêm o modelo tradicional. Na Praia da Galé, em Albufeira, os banhistas voltaram a ocupar áreas anteriormente reservadas às concessões. Já em Vila Real de Santo António, a proibição continua em vigor. Os operadores de praia argumentam que a manutenção da atual organização é essencial para garantir a segurança dos utilizadores e evitar situações de desordem no areal. Alguns receiam mesmo que uma liberalização total da ocupação das praias transforme determinadas zonas numa verdadeira “selva”, dificultando a circulação e a gestão do espaço. Além das preocupações relacionadas com a segurança, existe também apreensão quanto ao impacto económico da medida. Atualmente, muitos turistas e frequentadores pagam cerca de 20 euros para usufruir dos serviços disponibilizados pelas concessões, incluindo chapéus, espreguiçadeiras e apoio de praia. A possibilidade de qualquer banhista instalar os seus próprios equipamentos em frente a essas áreas poderá reduzir a procura pelos serviços concessionados.

Praia de Monte Gordo

Concessionários pedem regras clarasOs concessionários das praias algarvias defendem que a situação resulta essencialmente da falta de orientações uniformes por parte das entidades competentes. André Sousa, concessionário na Praia do Garrão, afirma que os operadores têm seguido as regras constantes da sinalética e dos editais de praia. “A verdade é que parece que nunca houve nenhuma lei, mas nos editais de praia vinha sempre a dizer que era obrigatório cumprir a sinalética em vigor”, explicou. O empresário rejeita ainda a ideia de que os concessionários tenham atuado de forma abusiva, defendendo que apenas informavam os utentes sobre as zonas destinadas à colocação de chapéus-de-sol particulares. “Nunca obrigámos ninguém a sair. Sempre recomendámos às pessoas, informando tod...

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