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Neuroarquitetura: como a decoração impacta nas reações do seu cérebro?

É comum que alguns ambientes provoquem sensação de abraço e acolhimento enquanto outros despertam uma agitação inexplicável. Não se trata apenas de mera impressão ou energia do lugar. A ciência explica que o cérebro está, a todo tempo, reagindo aos estímulos que cercam o espaço. E é justamente nessa intersecção que nasce a neuroarquitetura.

Longe de ser apenas uma tendência de decoração para criar os famosos espaços instagramáveis, essa disciplina investiga a fundo como as construções impactam na biologia. Como o próprio nome sugere, é a união entre arquitetura e neurociência.

 

“Ela estuda como os ambientes influenciam nossas emoções, comportamentos, saúde e bem-estar”, define a arquiteta Grace Santiago, especialista no tema, à CNN Brasil.

Segundo ela, o objetivo principal vai muito além da estética: “Busca criar ambientes que promovam qualidade de vida, equilíbrio emocional e experiências positivas para quem os utiliza”.

Na prática, o cérebro funciona como um radar. “A iluminação, as cores, os sons, os aromas, as texturas, a altura do pé-direito e até a disposição dos móveis influenciam diretamente nossas emoções”, explica Grace.

Enquanto um espaço excessivamente carregado pode se tornar um gatilho para o estresse e a ansiedade, um planejamento assertivo é capaz de transmitir segurança e acolhimento.

Diminuindo o estresse a ansiedade

Para quem busca diminuir o ritmo frenético do dia a dia, a especialista aponta alguns caminhos certeiros, como o uso de tons claros de azul, verde e cores inspiradas na natureza, além do conforto emocional trazido pela madeira e pela iluminação indireta. Outro pilar fundamental é o design biofílico.

“A presença de plantas, pedras, texturas naturais, fontes de água e elementos que remetem à natureza reduzem os níveis de estresse e aumentam a sensação de bem-estar”, revela a arquiteta. “Temos uma conexão natural com esses elementos”.

As plantas, inclusive, deixaram de ser meros acessórios decorativos. Ao trazer um pouco de verde para dentro de casa, Grace garante que o ganho é cerebral: “Ganhamos bem-estar, redução do estresse e maior conexão emocional com o espaço. O contato com a natureza ajuda a diminuir a fadiga mental e melhora o humor”.

Projeto Sala
Projeto Sala • Divulgação

Luz e foco: as ferramentas do home office

Se a ideia é calibrar a produtividade, a alma do ambiente costuma ser a iluminação, que dita o ritmo do nosso relógio biológico.

Grace desmistifica o uso das lâmpadas: “A luz branca estimula atenção, foco e produtividade, sendo indicada para ambientes de trabalho, cozinhas e áreas de estudo. Já a luz amarela transmite acolhimento, conforto e relaxamento, sendo ideal para salas, quartos e ambientes de permanência”.

Para quem ainda enfrenta a rotina do home office e quer evitar o esgotamento mental, pequenos ajustes na mesa de trabalho operam milagres. A arquiteta sugere priorizar a luz natural, investir em ergonomia e usar as cores de forma estratégica.

“Tons de verde favorecem equilíbrio, concentração e reduzem a fadiga mental. Já cores mais quentes, quando usadas de forma pontual, podem estimular energia, criatividade e produtividade”, orienta.

O segredo, segundo ela, é o equilíbrio visual: o cérebro não precisa de uma perfeição cirúrgica, mas o excesso de bagunça gera sobrecarga.

“Ambientes organizados tendem a favorecer concentração, mas objetos que contam histórias e representam a identidade da pessoa são importantes para gerar pertencimento”.

Além das cores: o maior mito do design

Muitas vezes, a psicologia das cores é vendida como uma receita de bolo, mas a profissional faz um alerta: o maior mito da área é acreditar que basta pintar uma parede para transformar totalmente as sensações de um espaço. Embora o azul acalme e o amarelo estimule a criatividade, a percepção humana é complexa e individual.

“A psicologia das cores é uma ferramenta importante, mas ela é apenas uma parte da equação. A forma como percebemos um espaço também depende da iluminação, das texturas, das proporções do ambiente e até das experiências pessoais de cada indivíduo”, pontua.

“O verdadeiro impacto acontece quando todos os elementos do ambiente trabalham juntos.”

Transformação ao alcance do bolso (e do sono)

Engana-se quem pensa que aplicar os conceitos da neuroarquitetura exige reformas milionárias. Se o orçamento estiver apertado, o conselho é começar pelo básico: abrir as janelas para a luz natural, reorganizar os móveis, desapegar dos excessos, apostar em aromas agradáveis e espalhar algumas plantas pela casa.

Para que a mudança seja certeira, o olhar de um profissional ajuda a evitar gastos desnecessários.

“Muitas vezes pequenas alterações estratégicas geram grandes resultados sem a necessidade de reformas complexas. O olhar técnico ajuda a identificar quais mudanças realmente terão impacto na rotina, tornando o investimento muito mais assertivo”, destaca a profissional.

Projeto "Banho Público", Casacor Goiás 2026
Projeto “Banho Público”, Casacor Goiás 2026 • Divulgação

Se o objetivo final for a tão sonhada noite de sono perfeita, o conselho de ouro da arquiteta é categórico: transforme o quarto em um refúgio.

“Utilize iluminação mais quente e indireta, reduza estímulos visuais, evite excesso de eletrônicos e escolha materiais que transmitam acolhimento. O ambiente precisa comunicar ao cérebro que aquele é um lugar de descanso”, finaliza Grace.

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Ver o mundo de uma forma sempre nova

Nasceu em 1929, em Toronto, e tornou-se cidadão dos EUA em 1954. Frank Gehry, de seu nome, estudou nas Universidades de Southern California e Harvard, e fixou-se em Los Angeles como arquiteto independente em 1963. A partir de finais da década de 1970 Gehry começa a desenvolver o seu estilo pessoal, baseado em jogos geométricos e interpenetrações de formas volumétricas simples – cubos, prismas, cilindros, etc. – constituídos por diferentes materiais e cores.

Gehry entende a arquitetura como a arte de produzir esculturas habitáveis, afirmando que escultores como Brancusi têm mais influência na sua obra do que os grandes mestres da arquitetura. O seu traço está presente um pouco por todo o mundo, na sequência de convites para realizar grandes obras, sobretudo relacionadas com a arte. Exemplos? O Museu de Design da Vitra em Weil-am-Rhein (1987-89), na Alemanha, o Museu de Arte da Universidade do Minnesota (1990), em Minneapolis e a Sala de Concertos Walt Disney (1989), em Los Angeles, EUA, ou o Museu Guggenheim (1993-1997), em Bilbau, Espanha, onde ficou patente também a sua grande aceitação pelo público.

Uma longa amizade com Siza

Em 1989, foi distinguido com o Pritzker, o Nobel da arquitetura, pela sua capacidade de transformar circunstâncias comuns em oportunidades de encontro, onde até os espaços intermédios podem ser lidos como um único vocabulário de movimento e emoção, respondendo ao espírito de cada lugar e ao skyline de cada cidade. Ao mesmo tempo, Gehry foi inventando algumas das mais profundas mudanças de paradigma dos séculos XX e XXI. E é precisamente isso que a exposição “O Século de Gehry”, no Museu de Serralves, Porto, ilustra ao longo de 19 projetos e oito capítulos temáticos. 96 anos de criação, desde a intimidade rebelde da sua casa em Santa Mónica até à coreografia urbana da Loyola Law School, passando pela monumentalidade fragmentada dos Escritórios Chiat/Day ou pelas marés de titânio do Guggenheim de Bilbau.

A exposição revela ainda o diálogo duradouro de Gehry com artistas e outros arquitetos, em particular com Álvaro Siza, com quem colaborou no âmbito do plano diretor para o ArtCenter College of Design, em Pasadena, e cuja amizade motivou inúmeros intercâmbios entre os EUA e Portugal.

O Século de Gerhy | 12 JUN-30 SET | Museu de Serralves, Porto

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O turista que se apaixonou por Faro lança livro sobre património modernista da cidade

Quando chegou a Faro pela primeira vez como um mero turista, Richard Walker desconhecia o legado modernista na arquitetura local. Apaixonou-se pela capital algarvia e agora, 20 anos depois, publica um livro para dar a conhecer esta faceta da cidade, mas que também espreita outras localidades da região.

“Faro Modernism”, obra com chancela da Batsford Books, com 240 páginas e que inclui cerca de 300 fotografias tiradas durante todo este período de duas décadas, foi apresentado no dia 21 de Maio, no AP Eva Senses.

Richard Walker, pintor e artista plástico que já expôs em todo o mundo, chegou a Faro, «há cerca de 20 anos», como apenas mais um dos muitos turistas ingleses que passam pela capital algarvia.

Foi «uma surpresa» para o artista multidisciplinar quando, nos primeiros passeios pela cidade, se começou a aperceber do património modernista existente.

«Tudo foi uma surpresa, o que era ótimo. E acho que o livro é sobre isso. É sobre esta surpresa de ver as coisas pela primeira vez e entusiasmar-se com o que se vê pela primeira vez», afirma, em declarações ao Sul Informação.

Ao aprofundar o conhecimento sobre «a arquitetura e o legado modernista que se vê por toda a cidade», Walker questionava-se por que razão ainda «não havia nada publicado a retratar o que existia».

«Eu pensava: “Esta arquitetura parece interessante”, e não conseguia perceber porque é que ninguém estava a prestar atenção a isto», frisa.

A partir daí, começou a registar o que via através da máquina fotográfica e acabou por conhecer «outras pessoas que pensavam da mesma forma».

Duas dessas pessoas foram Christophe e Angélique de Oliveira, proprietários do alojamento local The Modernist e fundadores do The Modernist Weekend.

Sul Informação
Autor ladeado por Christophe e Angélique de Oliveira

Desde então, tem colaborado na organização desse evento – que este ano avança para a sua 5ª edição –, não só com a realização de visitas guiadas, mas também participando em exposições com pinturas de sua autoria.

Depois, «no meio disto tudo», a Batsford Books, editora sediada em Londres, lançou-lhe um desafio.

«“Estamos muito interessados na arquitetura que está a fotografar. Talvez possamos fazer um livro”, disseram-me. Este trabalho veio ter comigo, eu não estava à procura dele. Tudo o que fiz desde que cheguei a Portugal aconteceu por acaso. Não estava em busca de nada. Portanto, tenho muita sorte nesse aspeto», revelou o artista.

A obra de Richard Walker retrata e explica o contexto histórico de muitos edifícios, especialmente os de Manuel Gomes da Costa, que «é o principal arquiteto» e deixou «uma grande marca» na cidade e na região.

«Mas também me interessou muito o contexto, todos os outros arquitetos que trabalharam na mesma época, toda a história do Algarve desde os anos 20. Portanto, o livro abrange todo este período. Foi um trabalho árduo», enquadra.

E o que torna Faro e o Algarve tão singular no modernismo do sul da Europa?

«Bem, acho que é porque permaneceu desconhecido até agora e, de repente, está a ser revelado. E fico muito feliz por fazer parte deste processo, porque ninguém o conhecia. Regresso a Inglaterra e, quando falo de Faro e deste legado, dizem-me: “Não, não tínhamos a mínima ideia disso”, responde.

Apesar de abordar o passado, através do património modernista em Faro e na região, Richard Walker sente que os seus textos e ensaios, bem como os das pessoas que convidou para escrever, «estão virados para o futuro». «Portanto, não se trata apenas do passado, mas do presente e do futuro, são estas três coisas em conjunto», sublinha.

Sul Informação

Questionado se a capital algarvia ainda não aproveita este legado da melhor maneira, o artista observa que «está a tornar-se mais ciente» do que tem.

Além de destacar o contributo do The Modernist Weekend (Fim de Semana Modernista), aponta ter reparado nas suas últimas visitas que há «cada vez mais casas a serem restauradas, o que não acontecia antes».

«E há outras cidades com um certo passado modernista, como Olhão e Loulé. Isto vai atrair cada vez mais pessoas. Lancei o livro para que as pessoas comecem a observar esta arquitetura, para que vejam Faro de uma forma diferente. Em quase todas as ruas de Faro – às vezes podemos ter de caminhar um bocadinho mais e olhar com atenção, mas vamos sempre descobrir qualquer coisa interessante, algo com inspiração modernista», concluiu.

Em paralelo, Richard Walker inaugurou uma exposição com obras de inspiração modernista, que ficará patente no AP Eva Senses até final de Julho.

O livro “Faro Modernism” pode ser adquirido no site da editora Batsford Books.

Fotos: Edgar Pires | Sul Informação

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Autor ladeado por Christophe e Angélique de Oliveira

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