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Goleiro Vozinha torce por novo contrato: "lugar onde possa ser feliz"

Logo Agência Brasil

Um goleiro cabo-verdiano, de 40 anos, sem contrato ativo com um clube, estreando na Copa do Mundo contra uma das favoritas para ganhar o Mundial: a Espanha. Ao fim da partida, foi ele o principal responsável pelo empate de 0 a 0, o que o transformou em uma celebridade mundial e no melhor jogador em campo, segundo a Federação Internacional de Futebol (Fifa).

O feito rendeu a Josimar José Évora Dias, o Vozinha, mais de 12 milhões de seguidores nas redes sociais e um lugar no coração dos brasileiros.

Notícias relacionadas:

O guarda-redes, como é chamada a posição de goleiro em Cabo Verde, se profissionalizou aos 25 anos, muito depois do que costuma ser o padrão no futebol.

E, se tarde entrou para o nível de alto rendimento, não seria cedo que desistiria de seguir carreira. Vozinha espera que a visibilidade alcançada renda um novo contrato para que seja “feliz” nos seus últimos anos de atuação.

 

Goleiro Vozinha, de Cabo Verde Goleiro Vozinha, de Cabo Verde
Goleiro Vozinha, de Cabo Verde - Reprodução Instagram @vozinha

Outra esperança do cabo-verdiano da ilha de São Vicente é que os jovens atletas de seu país se beneficiem da fama recente da seleção e conquistem melhores condições para a prática do esporte.

Em entrevista exclusiva ao jornalista André Vieira (que está em Cabo Verde), correspondente da Telesur ─ parceira da TV Brasil ─, Vozinha contou a expectativa dos jogadores da seleção para as próximas partidas, e um pouco da própria história e dos laços com a cultura brasileira.

Confira os principais trechos da entrevista 

André Vieira: Vozinha, aqui em Cabo Verde, estão dizendo que era 1% de chance e 99% de fé. Como está o clima para vocês após esse empate?

Vozinha: Tranquilo. Obviamente, que a malta [galera] ficou muito feliz pelo resultado, pelo esforço e pela exibição que conseguimos. Mas nós sabemos da qualidade do nosso grupo. Sabemos das nossas limitações também, mas sabemos que podemos competir com qualquer seleção.

Tudo pode acontecer em 90 minutos, mas nós estamos aqui para competir, como eu disse, para dignificar o nome de Cabo Verde. Estamos felizes com o resultado, estamos satisfeitos, mas ainda não acabou. Tem um longo caminho pela frente.

 

Entrevista do jogador de futebol e goleiro de Cabo Verde, Vozinha, a Telesur e à TV Brasil. Frame: Telesur/TV Brasil/Reprodução Entrevista do jogador de futebol e goleiro de Cabo Verde, Vozinha, a Telesur e à TV Brasil. Frame: Telesur/TV Brasil/Reprodução
Entrevista do jogador de futebol e goleiro de Cabo Verde, Vozinha, a Telesur e à TV Brasil. Telesur/TV Brasil/Reprodução

André Vieira: No Brasil, não se fala de outra pessoa. Você é uma sensação nesse momento. E uma das coisas que têm circulado bastante é o seu aumento gigantesco, fenomenal de seguidores nas redes sociais. Como você está lidando com isso?

Vozinha: Tem sido realmente incrível, não esperava por isso. Não sei como é que vou continuar a ser a mesma pessoa e o mesmo Vozinha de sempre. Mas gostaria de agradecer a todos que aderiram a isso, a todos os seguidores, a todos os brasileiros e a todas as pessoas que fizeram isso acontecer.

André Vieira: E sua mãe? Explica um pouquinho desse processo, como é que está?

Vozinha: Há muitas coisas que estão distorcidas. A minha mãe nunca viajou para fora de Cabo Verde. Ela nem gosta de ir para as outras ilhas. Para tirar ela de São Vicente e ir para outras ilhas, já é com muito esforço. Então, no primeiro momento, a minha mãe não queria vir.

Quando ouviu que eu tinha que pagar a caução de US$ 15 mil [exigência dos Estados Unidos para entrada no país], ela disse que não valia, que preferia que eu desse o dinheiro a ela. E, como ela nunca teve passaporte, ela não ligou para aquilo. Depois, já no final, quando ela viu que o meu pai já tinha ido tratar do visto, ela se sensibilizou e sentiu que era bom estar aqui. E, nesse momento, está tudo a ser tratado.

Há muitas notícias que são falsas, há muita gente que tem tentado ajudar e agradeço por isso, do fundo do coração, mas todas as providências que têm que ser tratadas, estão sendo. Vou tentar ver se convenço a minha mãe a vir, porque eu gostaria que ela estivesse cá também, mas é sempre complicado a minha mãe viajar, e espero que também consiga alguém para viajar com ela, porque ela não fala línguas estrangeiras e nunca viajou.

>> Depois da entrevista, a mãe de Vozinha obteve o visto para viajar para a Copa do Mundo

 

Vozinha, de Cabo Verde, comemora após a partida
15 de junho de 2026 IMAGN IMAGES via Reuters/Brett Davis Vozinha, de Cabo Verde, comemora após a partida
15 de junho de 2026 IMAGN IMAGES via Reuters/Brett Davis
Vozinha, de Cabo Verde, comemora após empate com a Espanha. Reuters/Brett Davis/Proibida reprodução

André Vieira: Eu queria que você falasse como foi seu começo no futebol. E também contasse um pouquinho do motivo do “Vozinha”.

Vozinha: O meu pai jogou futebol por diversão. Na minha casa, todos amam futebol e, desde sempre, tive aquela paixão por futebol, como vocês dizem no Brasil, né, desde o jardim de infância.

Sempre gostei de ir à baliza e também gostava de jogar de central, mas, quando cheguei à idade dos infantis, o treinador disse que tinha que decidir entre a baliza ou ser jogador de campo. E, como eu sempre amei a baliza, comecei por lá. No início, foi tudo muito bom, porque, na idade do sub-12, todo mundo era da mesma altura. Sempre fui um dos melhores guarda-redes da minha ilha.

Depois, já na idade do sub-17, eu era um pouco baixinho. Então, muitas vezes, os treinadores abdicavam de mim, porque era muito baixinho e metiam os guarda-redes [goleiros] maiores e mais altos.

Mas eu sempre cresci entre casa e rua. Eu passava mais tempo na rua a jogar futebol do que em casa. Acho que sempre fui uma pessoa muito focada, muito dedicada, muito disciplinada. Sempre sonhei com o futebol, em ser profissional.

Cresci com os meus avós, daí que vem o meu nome, porque era muito rebelde, andava sempre na rua. Às vezes, levava alguma porrada, no jogo ou fora do jogo, e, às vezes, não conseguia dar, porque as outras pessoas eram maiores ou eram mais fortes. E eu ficava com raiva e falava que ia fazer queixa aos meus avós.

Os meus avós sempre estiveram lá para mim e a minha mãe. E é isso. Sou um miúdo da ilha da São Vicente e cresci na rua. Cresci, sempre tive casa, mas passava mais tempo da minha infância na rua jogando futebol.

Comecei a jogar nos juniores, com 17 anos, e representei os clubes Ribeira Bote, Derby, Mindelense, Batuque. Depois, surgiu a oportunidade de ir a Angola, no Progresso, onde comecei minha trajetória profissional.

Ainda joguei seis meses em Cabo Verde, queria ir para Europa. Joguei uma época no Zimbru [da Moldávia], depois estive no Gil Vicente [Portugal] por uma época, e joguei cinco anos no Chipre, no AEL Limassol ─ a equipe em que eu joguei mais tempo. Depois, tive uma experiência na Eslováquia, e, nos dois últimos anos, joguei no GD Chaves, de Portugal.

O meu contrato terminou em maio e, nesse momento, sou um jogador livre. Estou aqui focado na seleção e no Mundial, pronto para ajudar o meu país.

 

Soccer Football - FIFA World Cup 2026 - Group H - Spain v Cape Verde - Atlanta Stadium, Atlanta, Georgia, U.S. - June 15, 2026
Cape Verde's Vozinha and Diney Borges in action with Spain's Fabian Ruiz REUTERS/Bernadett Szabo Soccer Football - FIFA World Cup 2026 - Group H - Spain v Cape Verde - Atlanta Stadium, Atlanta, Georgia, U.S. - June 15, 2026
Cape Verde's Vozinha and Diney Borges in action with Spain's Fabian Ruiz REUTERS/Bernadett Szabo
Vozinha, goleiro de Cabo Verde, brilhou na estreia contra a Espanha. REUTERS/Bernadett Szabo/Proibida reprodução

André Vieira: O que o futebol mudou na sua vida, na vida da sua família, e qual a importância que tem esse esporte para você?

Vozinha: Eu amo o futebol. O futebol conseguiu me dar condições para ajudar a minha avó, que foi alguém que fez tudo para que eu tivesse uma boa educação e que, no final, teve Alzheimer e é uma pessoa que precisava muito de mim. Consegui ajudá-la, consegui ajudar a minha mãe, consegui construir a casa da minha mãe. Graças a Deus, sempre tive as três refeições por dia, porque os meus avós e os meus pais, mesmo não estando na mesma casa, sempre estiveram presentes na minha vida, mas o futebol deu-me tudo.

Tornou-me no que eu sou: uma pessoa ─ acho que ─ muito humilde, uma pessoa muito respeitadora, amiga de todos, uma pessoa muito disciplinada e trabalhadora. E uma pessoa muito resiliente, porque começar a jogar o futebol profissional com 25 anos, próximo de ter 26, ainda mais para um guarda-redes que não teve formação de base. É muito tarde, mas os anos todos que eu tive no futebol são anos gratificantes. Tive momentos altos e baixos, mesmo na seleção. Eu sempre fiz com amor e eu amo o meu país, eu amo representar a minha seleção.

André Vieira: A gente percebe em Cabo Verde a influência da novela e a influência do próprio futebol. Eu queria saber de você como o Brasil te influenciou, para além de jogador, como pessoa?

Vozinha: Nós, em Cabo Verde, apesar de sermos muito ricos na cultura, na música, sempre ouvimos os artistas brasileiros, ainda mais os das décadas passadas. O meu avô gostava de Roberto Carlos, por exemplo. Ivete Sangalo também ouvimos, por causa das músicas do carnaval, e Cidade Negra, Revelação, Seu Jorge. Então, sempre consumimos um pouco da música brasileira em Cabo Verde.

André Vieira: A gente esteve em uma escola de futebol e muitos dos meninos, não só os goleiros, têm você como ídolo. Quem é o seu ídolo?

Vozinha: Eu já tive muitos ídolos, mas eu gostava muito do Michel Preud’homme, que era guarda-redes do Benfica e da seleção da Bélgica, porque eu era um adepto do Benfica. Gostava muito do Rogério Ceni e do [José Luis] Chilavert, porque, quando era miúdo, gostava de bater pênaltis. O [Gianluigi] Buffon, para mim, é uma referência da baliza mundial, e gostava muito do [Edwin] van der Sar. O Buffon, dentro da baliza, e o van der Sar, por ser versátil e muito bom com os pés.

 

Soccer Football - FIFA World Cup 2026 - Group H - Spain v Cape Verde - Atlanta Stadium, Atlanta, Georgia, U.S. - June 15, 2026 Cape Verde's Vozinha in action with Spain's Gavi, Cape Verde's Kevin Pina, Spain's Mikel Oyarzabal and Cape Verde's Diney Borges IMAGN IMAGES via Reuters/Jordan Godfree Soccer Football - FIFA World Cup 2026 - Group H - Spain v Cape Verde - Atlanta Stadium, Atlanta, Georgia, U.S. - June 15, 2026 Cape Verde's Vozinha in action with Spain's Gavi, Cape Verde's Kevin Pina, Spain's Mikel Oyarzabal and Cape Verde's Diney Borges IMAGN IMAGES via Reuters/Jordan Godfree
Vozinha parou o ataque espanhol e garantiu o empate na estreia da Copa - Reuters/Jordan Godfree/ Proibido reprodução

André Vieira: Você falando da sua família, da importância do futebol, o que que te emociona, o que toca o seu coração?

Vozinha: No nosso país, o reconhecimento é muito pouco. Somos um país sem muitas referências nacionais. E isso, eu acho, é um grande erro. Graças a Deus e ao esforço de toda a federação e de todos os jogadores, mesmo os anteriores, hoje em dia, a seleção, os Tubarões Azuis, têm um nome e já vemos muitas pessoas com a euforia, com o amor próprio, o orgulho de ser cabo-verdianos. As crianças se espelhando na gente.

E me emociono porque, nesses momentos, gostaria que os avós fossem vivos, porque foram as pessoas, tirando os meus pais, que deram tudo para eu ser o Vozinha que sou hoje.

André Vieira: Em que você acha que Brasil e Cabo Verde se parecem?

Vozinha: É uma cultura muito igual. Somos países de língua portuguesa e também fomos colonizados. Então, acho que a alegria do cabo-verdiano e do brasileiro é similar. O clima, as praias. E vocês gostam muito de se divertir, das festas, nós também, mas, culturalmente, Brasil e Cabo Verde são países muito ricos culturalmente.

André Vieira: Tem algum lugar que você gostaria de chegar depois de ter conquistado tanta coisa, agora participando de uma Copa do Mundo?

Vozinha: Nesse momento, eu quero ajudar Cabo Verde a chegar o mais longe possível no Mundial. Sei que não vai ser fácil, temos que trabalhar muito por isso. Eu acho que, pela carreira que eu fiz, por tudo o que eu fiz como pessoa e como jogador, talvez merecesse jogar em campeonatos de dimensões maiores, mas também sei que, muitas vezes, vão ver a idade.

Nesse momento, eu espero que, sinceramente, depois disso tudo, apareça algum lugar onde eu possa ser feliz, fazer um bom contrato e estar satisfeito. Vamos ver o que o futebol e a vida têm guardado para mim para esses últimos dois, três ou quatro anos da minha carreira.

Eu sou grato por estar aqui na Copa e estar a representar o meu país. Era só um sonho e eu estou na realidade. No futebol, o dia de amanhã, não sabemos, mas o que importa é o dia de hoje. Vamos trabalhar para dignificar Cabo Verde. E, quiçá, eu abro portas para alguns mercados, onde me queiram mesmo com a minha idade e onde possa ser feliz.

 

Soccer Football - FIFA World Cup 2026 - Group H - Spain v Cape Verde - Atlanta Stadium, Atlanta, Georgia, U.S. - June 15, 2026
Cape Verde's Vozinha in action as he makes a save IMAGN IMAGES via Reuters/Brett Davis Soccer Football - FIFA World Cup 2026 - Group H - Spain v Cape Verde - Atlanta Stadium, Atlanta, Georgia, U.S. - June 15, 2026
Cape Verde's Vozinha in action as he makes a save IMAGN IMAGES via Reuters/Brett Davis
Vozinha foi eleito pela Fifa o melhor jogador da partida de estreia contra a Espanha. - Reuters/Brett Davis/Proibida reprodução

André Vieira: Vem aí Uruguai e Arábia Saudita. Qual é a principal dificuldade desses dois grupos, desses dois times que vocês vão enfrentar logo, logo?

Vozinha: Acho que vai ser muito difícil. O Uruguai é uma seleção que tem uma alma, uma garra, que é extraordinária. Uma seleção que já foi campeã mundial, com jogadores top mundiais. Vamos estar a fazer de tudo para contrariar o Uruguai.

Arábia também é uma seleção que já tem mais andanças no Mundial que a gente. Uma seleção que ganhou da Argentina no último Mundial. Mas temos que pensar em nós, entrar no campo como entramos com a Espanha, não vendo caras, não vendo nomes, e fazer o que tiver ao nosso alcance.

André Vieira: E, para finalizar, uma mensagem para o mundo, para o seu povo e para todo mundo que te acompanha.

Vozinha: Agradecer por todo o carinho que tenho recebido, por tudo que têm feito por mim, os apoios todos. Só dizer obrigado. Obrigado mesmo, de coração. Estou de coração cheio. E continuem apoiando Cabo Verde.

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Goleiro Vozinha torce por novo contrato: "lugar onde possa ser feliz"

Logo Agência Brasil

Um goleiro cabo-verdiano, de 40 anos, sem contrato ativo com um clube, estreando na Copa do Mundo contra uma das favoritas para ganhar o Mundial: a Espanha. Ao fim da partida, foi ele o principal responsável pelo empate de 0 a 0, o que o transformou em uma celebridade mundial e no melhor jogador em campo, segundo a Federação Internacional de Futebol (Fifa).

O feito rendeu a Josimar José Évora Dias, o Vozinha, mais de 12 milhões de seguidores nas redes sociais e um lugar no coração dos brasileiros.

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O guarda-redes, como é chamada a posição de goleiro em Cabo Verde, se profissionalizou aos 25 anos, muito depois do que costuma ser o padrão no futebol.

E, se tarde entrou para o nível de alto rendimento, não seria cedo que desistiria de seguir carreira. Vozinha espera que a visibilidade alcançada renda um novo contrato para que seja “feliz” nos seus últimos anos de atuação.

 

Goleiro Vozinha, de Cabo Verde Goleiro Vozinha, de Cabo Verde
Goleiro Vozinha, de Cabo Verde - Reprodução Instagram @vozinha

Outra esperança do cabo-verdiano da ilha de São Vicente é que os jovens atletas de seu país se beneficiem da fama recente da seleção e conquistem melhores condições para a prática do esporte.

Em entrevista exclusiva ao jornalista André Vieira (que está em Cabo Verde), correspondente da Telesur ─ parceira da TV Brasil ─, Vozinha contou a expectativa dos jogadores da seleção para as próximas partidas, e um pouco da própria história e dos laços com a cultura brasileira.

Confira os principais trechos da entrevista 

André Vieira: Vozinha, aqui em Cabo Verde, estão dizendo que era 1% de chance e 99% de fé. Como está o clima para vocês após esse empate?

Vozinha: Tranquilo. Obviamente, que a malta [galera] ficou muito feliz pelo resultado, pelo esforço e pela exibição que conseguimos. Mas nós sabemos da qualidade do nosso grupo. Sabemos das nossas limitações também, mas sabemos que podemos competir com qualquer seleção.

Tudo pode acontecer em 90 minutos, mas nós estamos aqui para competir, como eu disse, para dignificar o nome de Cabo Verde. Estamos felizes com o resultado, estamos satisfeitos, mas ainda não acabou. Tem um longo caminho pela frente.

 

Entrevista do jogador de futebol e goleiro de Cabo Verde, Vozinha, a Telesur e à TV Brasil. Frame: Telesur/TV Brasil/Reprodução Entrevista do jogador de futebol e goleiro de Cabo Verde, Vozinha, a Telesur e à TV Brasil. Frame: Telesur/TV Brasil/Reprodução
Entrevista do jogador de futebol e goleiro de Cabo Verde, Vozinha, a Telesur e à TV Brasil. Telesur/TV Brasil/Reprodução

André Vieira: No Brasil, não se fala de outra pessoa. Você é uma sensação nesse momento. E uma das coisas que têm circulado bastante é o seu aumento gigantesco, fenomenal de seguidores nas redes sociais. Como você está lidando com isso?

Vozinha: Tem sido realmente incrível, não esperava por isso. Não sei como é que vou continuar a ser a mesma pessoa e o mesmo Vozinha de sempre. Mas gostaria de agradecer a todos que aderiram a isso, a todos os seguidores, a todos os brasileiros e a todas as pessoas que fizeram isso acontecer.

André Vieira: E sua mãe? Explica um pouquinho desse processo, como é que está?

Vozinha: Há muitas coisas que estão distorcidas. A minha mãe nunca viajou para fora de Cabo Verde. Ela nem gosta de ir para as outras ilhas. Para tirar ela de São Vicente e ir para outras ilhas, já é com muito esforço. Então, no primeiro momento, a minha mãe não queria vir.

Quando ouviu que eu tinha que pagar a caução de US$ 15 mil [exigência dos Estados Unidos para entrada no país], ela disse que não valia, que preferia que eu desse o dinheiro a ela. E, como ela nunca teve passaporte, ela não ligou para aquilo. Depois, já no final, quando ela viu que o meu pai já tinha ido tratar do visto, ela se sensibilizou e sentiu que era bom estar aqui. E, nesse momento, está tudo a ser tratado.

Há muitas notícias que são falsas, há muita gente que tem tentado ajudar e agradeço por isso, do fundo do coração, mas todas as providências que têm que ser tratadas, estão sendo. Vou tentar ver se convenço a minha mãe a vir, porque eu gostaria que ela estivesse cá também, mas é sempre complicado a minha mãe viajar, e espero que também consiga alguém para viajar com ela, porque ela não fala línguas estrangeiras e nunca viajou.

>> Depois da entrevista, a mãe de Vozinha obteve o visto para viajar para a Copa do Mundo

 

Vozinha, de Cabo Verde, comemora após a partida
15 de junho de 2026 IMAGN IMAGES via Reuters/Brett Davis Vozinha, de Cabo Verde, comemora após a partida
15 de junho de 2026 IMAGN IMAGES via Reuters/Brett Davis
Vozinha, de Cabo Verde, comemora após empate com a Espanha. Reuters/Brett Davis/Proibida reprodução

André Vieira: Eu queria que você falasse como foi seu começo no futebol. E também contasse um pouquinho do motivo do “Vozinha”.

Vozinha: O meu pai jogou futebol por diversão. Na minha casa, todos amam futebol e, desde sempre, tive aquela paixão por futebol, como vocês dizem no Brasil, né, desde o jardim de infância.

Sempre gostei de ir à baliza e também gostava de jogar de central, mas, quando cheguei à idade dos infantis, o treinador disse que tinha que decidir entre a baliza ou ser jogador de campo. E, como eu sempre amei a baliza, comecei por lá. No início, foi tudo muito bom, porque, na idade do sub-12, todo mundo era da mesma altura. Sempre fui um dos melhores guarda-redes da minha ilha.

Depois, já na idade do sub-17, eu era um pouco baixinho. Então, muitas vezes, os treinadores abdicavam de mim, porque era muito baixinho e metiam os guarda-redes [goleiros] maiores e mais altos.

Mas eu sempre cresci entre casa e rua. Eu passava mais tempo na rua a jogar futebol do que em casa. Acho que sempre fui uma pessoa muito focada, muito dedicada, muito disciplinada. Sempre sonhei com o futebol, em ser profissional.

Cresci com os meus avós, daí que vem o meu nome, porque era muito rebelde, andava sempre na rua. Às vezes, levava alguma porrada, no jogo ou fora do jogo, e, às vezes, não conseguia dar, porque as outras pessoas eram maiores ou eram mais fortes. E eu ficava com raiva e falava que ia fazer queixa aos meus avós.

Os meus avós sempre estiveram lá para mim e a minha mãe. E é isso. Sou um miúdo da ilha da São Vicente e cresci na rua. Cresci, sempre tive casa, mas passava mais tempo da minha infância na rua jogando futebol.

Comecei a jogar nos juniores, com 17 anos, e representei os clubes Ribeira Bote, Derby, Mindelense, Batuque. Depois, surgiu a oportunidade de ir a Angola, no Progresso, onde comecei minha trajetória profissional.

Ainda joguei seis meses em Cabo Verde, queria ir para Europa. Joguei uma época no Zimbru [da Moldávia], depois estive no Gil Vicente [Portugal] por uma época, e joguei cinco anos no Chipre, no AEL Limassol ─ a equipe em que eu joguei mais tempo. Depois, tive uma experiência na Eslováquia, e, nos dois últimos anos, joguei no GD Chaves, de Portugal.

O meu contrato terminou em maio e, nesse momento, sou um jogador livre. Estou aqui focado na seleção e no Mundial, pronto para ajudar o meu país.

 

Soccer Football - FIFA World Cup 2026 - Group H - Spain v Cape Verde - Atlanta Stadium, Atlanta, Georgia, U.S. - June 15, 2026
Cape Verde's Vozinha and Diney Borges in action with Spain's Fabian Ruiz REUTERS/Bernadett Szabo Soccer Football - FIFA World Cup 2026 - Group H - Spain v Cape Verde - Atlanta Stadium, Atlanta, Georgia, U.S. - June 15, 2026
Cape Verde's Vozinha and Diney Borges in action with Spain's Fabian Ruiz REUTERS/Bernadett Szabo
Vozinha, goleiro de Cabo Verde, brilhou na estreia contra a Espanha. REUTERS/Bernadett Szabo/Proibida reprodução

André Vieira: O que o futebol mudou na sua vida, na vida da sua família, e qual a importância que tem esse esporte para você?

Vozinha: Eu amo o futebol. O futebol conseguiu me dar condições para ajudar a minha avó, que foi alguém que fez tudo para que eu tivesse uma boa educação e que, no final, teve Alzheimer e é uma pessoa que precisava muito de mim. Consegui ajudá-la, consegui ajudar a minha mãe, consegui construir a casa da minha mãe. Graças a Deus, sempre tive as três refeições por dia, porque os meus avós e os meus pais, mesmo não estando na mesma casa, sempre estiveram presentes na minha vida, mas o futebol deu-me tudo.

Tornou-me no que eu sou: uma pessoa ─ acho que ─ muito humilde, uma pessoa muito respeitadora, amiga de todos, uma pessoa muito disciplinada e trabalhadora. E uma pessoa muito resiliente, porque começar a jogar o futebol profissional com 25 anos, próximo de ter 26, ainda mais para um guarda-redes que não teve formação de base. É muito tarde, mas os anos todos que eu tive no futebol são anos gratificantes. Tive momentos altos e baixos, mesmo na seleção. Eu sempre fiz com amor e eu amo o meu país, eu amo representar a minha seleção.

André Vieira: A gente percebe em Cabo Verde a influência da novela e a influência do próprio futebol. Eu queria saber de você como o Brasil te influenciou, para além de jogador, como pessoa?

Vozinha: Nós, em Cabo Verde, apesar de sermos muito ricos na cultura, na música, sempre ouvimos os artistas brasileiros, ainda mais os das décadas passadas. O meu avô gostava de Roberto Carlos, por exemplo. Ivete Sangalo também ouvimos, por causa das músicas do carnaval, e Cidade Negra, Revelação, Seu Jorge. Então, sempre consumimos um pouco da música brasileira em Cabo Verde.

André Vieira: A gente esteve em uma escola de futebol e muitos dos meninos, não só os goleiros, têm você como ídolo. Quem é o seu ídolo?

Vozinha: Eu já tive muitos ídolos, mas eu gostava muito do Michel Preud’homme, que era guarda-redes do Benfica e da seleção da Bélgica, porque eu era um adepto do Benfica. Gostava muito do Rogério Ceni e do [José Luis] Chilavert, porque, quando era miúdo, gostava de bater pênaltis. O [Gianluigi] Buffon, para mim, é uma referência da baliza mundial, e gostava muito do [Edwin] van der Sar. O Buffon, dentro da baliza, e o van der Sar, por ser versátil e muito bom com os pés.

 

Soccer Football - FIFA World Cup 2026 - Group H - Spain v Cape Verde - Atlanta Stadium, Atlanta, Georgia, U.S. - June 15, 2026 Cape Verde's Vozinha in action with Spain's Gavi, Cape Verde's Kevin Pina, Spain's Mikel Oyarzabal and Cape Verde's Diney Borges IMAGN IMAGES via Reuters/Jordan Godfree Soccer Football - FIFA World Cup 2026 - Group H - Spain v Cape Verde - Atlanta Stadium, Atlanta, Georgia, U.S. - June 15, 2026 Cape Verde's Vozinha in action with Spain's Gavi, Cape Verde's Kevin Pina, Spain's Mikel Oyarzabal and Cape Verde's Diney Borges IMAGN IMAGES via Reuters/Jordan Godfree
Vozinha parou o ataque espanhol e garantiu o empate na estreia da Copa - Reuters/Jordan Godfree/ Proibido reprodução

André Vieira: Você falando da sua família, da importância do futebol, o que que te emociona, o que toca o seu coração?

Vozinha: No nosso país, o reconhecimento é muito pouco. Somos um país sem muitas referências nacionais. E isso, eu acho, é um grande erro. Graças a Deus e ao esforço de toda a federação e de todos os jogadores, mesmo os anteriores, hoje em dia, a seleção, os Tubarões Azuis, têm um nome e já vemos muitas pessoas com a euforia, com o amor próprio, o orgulho de ser cabo-verdianos. As crianças se espelhando na gente.

E me emociono porque, nesses momentos, gostaria que os avós fossem vivos, porque foram as pessoas, tirando os meus pais, que deram tudo para eu ser o Vozinha que sou hoje.

André Vieira: Em que você acha que Brasil e Cabo Verde se parecem?

Vozinha: É uma cultura muito igual. Somos países de língua portuguesa e também fomos colonizados. Então, acho que a alegria do cabo-verdiano e do brasileiro é similar. O clima, as praias. E vocês gostam muito de se divertir, das festas, nós também, mas, culturalmente, Brasil e Cabo Verde são países muito ricos culturalmente.

André Vieira: Tem algum lugar que você gostaria de chegar depois de ter conquistado tanta coisa, agora participando de uma Copa do Mundo?

Vozinha: Nesse momento, eu quero ajudar Cabo Verde a chegar o mais longe possível no Mundial. Sei que não vai ser fácil, temos que trabalhar muito por isso. Eu acho que, pela carreira que eu fiz, por tudo o que eu fiz como pessoa e como jogador, talvez merecesse jogar em campeonatos de dimensões maiores, mas também sei que, muitas vezes, vão ver a idade.

Nesse momento, eu espero que, sinceramente, depois disso tudo, apareça algum lugar onde eu possa ser feliz, fazer um bom contrato e estar satisfeito. Vamos ver o que o futebol e a vida têm guardado para mim para esses últimos dois, três ou quatro anos da minha carreira.

Eu sou grato por estar aqui na Copa e estar a representar o meu país. Era só um sonho e eu estou na realidade. No futebol, o dia de amanhã, não sabemos, mas o que importa é o dia de hoje. Vamos trabalhar para dignificar Cabo Verde. E, quiçá, eu abro portas para alguns mercados, onde me queiram mesmo com a minha idade e onde possa ser feliz.

 

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Cape Verde's Vozinha in action as he makes a save IMAGN IMAGES via Reuters/Brett Davis Soccer Football - FIFA World Cup 2026 - Group H - Spain v Cape Verde - Atlanta Stadium, Atlanta, Georgia, U.S. - June 15, 2026
Cape Verde's Vozinha in action as he makes a save IMAGN IMAGES via Reuters/Brett Davis
Vozinha foi eleito pela Fifa o melhor jogador da partida de estreia contra a Espanha. - Reuters/Brett Davis/Proibida reprodução

André Vieira: Vem aí Uruguai e Arábia Saudita. Qual é a principal dificuldade desses dois grupos, desses dois times que vocês vão enfrentar logo, logo?

Vozinha: Acho que vai ser muito difícil. O Uruguai é uma seleção que tem uma alma, uma garra, que é extraordinária. Uma seleção que já foi campeã mundial, com jogadores top mundiais. Vamos estar a fazer de tudo para contrariar o Uruguai.

Arábia também é uma seleção que já tem mais andanças no Mundial que a gente. Uma seleção que ganhou da Argentina no último Mundial. Mas temos que pensar em nós, entrar no campo como entramos com a Espanha, não vendo caras, não vendo nomes, e fazer o que tiver ao nosso alcance.

André Vieira: E, para finalizar, uma mensagem para o mundo, para o seu povo e para todo mundo que te acompanha.

Vozinha: Agradecer por todo o carinho que tenho recebido, por tudo que têm feito por mim, os apoios todos. Só dizer obrigado. Obrigado mesmo, de coração. Estou de coração cheio. E continuem apoiando Cabo Verde.

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Goleiro Vozinha brilha contra a Espanha e vira destaque na Copa

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Um apelido ecoou no mundo inteiro nesta segunda-feira (15): Vozinha. O goleiro de Cabo Verde é um desses jogadores de futebol que, em tempos em que muitos fazem questão de jogar com nome e sobrenome, ainda vai a campo utilizando um apelido curioso.

A exibição perfeita de Vozinha impediu que a Espanha – segunda colocada no ranking da FIFA - abrisse o placar e segurou o empate em 0 a 0 na partida em Atlanta, nos Estados Unidos, e multiplicou sua fama em apenas 90 minutos.

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Josimar José Évora Dias nasceu na cidade de Mindelo, no arquipélago de Cabo Verde, em 3 de junho de 1986, período em que o México sediava a Copa do Mundo.

Natural, então, para o pai fanático por futebol, que o recém-nascido tivesse o nome de um jogador daquele mundial. O pai queria colocar Valdano, atacante argentino. As autoridades cartoriais de Cabo Verde não deixaram. Daí, a segunda opção foi batizar de Josimar, em homenagem ao lateral-direito brasileiro naquela Copa.

Na ilha de São Vicente, em Cabo Verde, ele não levava desaforo para casa. Jogando bola, detestava tomar gols e voltava para casa bravo se perdia uma simples pelada. Os amigos não perdoaram, passaram a dizer que Josimar estava indo reclamar para seus avós - já que era criado por eles. Assim, virou Vozinha. Um apelido irritante na infância, mas que pegou rapidamente na ilha.

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Começou a jogar em times locais, como Batuque e o Mindelense, com o nome de Josimar. Mas depois foi atuar em Angola, no Progresso Sambizanga e lá já tinha um goleiro com o mesmo nome. Entre virar Josimar Segundo ou adotar oficialmente o Vozinha, prevaleceu a segunda opção.

Aos 40 anos, quando muitos já penduraram as luvas, Vozinha continua atuando em alto nível. Já jogou em times da Moldávia, do Chipre, da Eslováquia e agora está no Chaves, da 2ª Divisão de Portugal. É goleiro da Seleção de Cabo Verde desde 2012, participou quatro vezes da Copa Africana de Nações e já soma 90 jogos com a camisa 1.

Vozinha tem algumas ligações com o Brasil: um irmão que mora em Recife, gosta das novelas, da música e dos craques brasileiros do penta. Lucinha Nobre, porta-bandeira de destaque no carnaval carioca e bisneta de caboverdiana, é amiga do goleiro. Ela já foi seis vezes ao arquipélago de Cabo Verde, participar do chamado Carnaval de Verão, que ocorre justamente na cidade natal do goleiro

“Vozinha é uma lenda em Cabo Verde. Ele é de Mindelo, a família dele é de lá. Tenho prazer de ter amizade com ele. Ele estava em Portugal e se preparou para a Copa. É um grande destaque. Fico feliz que hoje as pessoas tenham oportunidade de conhecê-lo. Ele tem a mão pesada” – diverte-se ao contar sobre o amigo.

A caboverdiana Lourença Brites dos Santos, que mora no Rio de Janeiro, não tem dúvidas, “Vozinha é muito melhor que o Allison!” – declarou, eufórica, antes mesmo do apito final do árbitro.

Ao deixar o gramado em Atlanta, carregando o troféu de melhor jogador em campo, Vozinha disse aos repórteres que sonhou a vida inteira com este momento. O goleiro já sabe que quando voltar ao arquipélago será reverenciado por todos os 530 mil compatriotas e que, definitivamente, o controverso apelido ficará eternizado na história das Copas.

Numa Copa do Mundo em que todo mundo quer ver Mbappé, Messi, Vinícius Júnior, Vozinha virou celebridade global e alcançou 7 milhões de seguidores nas redes sociais logo após a partida. Agora, a expectativa é como será a próxima atuação do “paredão” caboverdiano, contra o Uruguai, dia 21 de junho, às 19 horas (horário de Brasília).

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Goleiro Vozinha brilha contra a Espanha e vira destaque na Copa

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Um apelido ecoou no mundo inteiro nesta segunda-feira (15): Vozinha. O goleiro de Cabo Verde é um desses jogadores de futebol que, em tempos em que muitos fazem questão de jogar com nome e sobrenome, ainda vai a campo utilizando um apelido curioso.

A exibição perfeita de Vozinha impediu que a Espanha – segunda colocada no ranking da FIFA - abrisse o placar e segurou o empate em 0 a 0 na partida em Atlanta, nos Estados Unidos, e multiplicou sua fama em apenas 90 minutos.

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Josimar José Évora Dias nasceu na cidade de Mindelo, no arquipélago de Cabo Verde, em 3 de junho de 1986, período em que o México sediava a Copa do Mundo.

Natural, então, para o pai fanático por futebol, que o recém-nascido tivesse o nome de um jogador daquele mundial. O pai queria colocar Valdano, atacante argentino. As autoridades cartoriais de Cabo Verde não deixaram. Daí, a segunda opção foi batizar de Josimar, em homenagem ao lateral-direito brasileiro naquela Copa.

Na ilha de São Vicente, em Cabo Verde, ele não levava desaforo para casa. Jogando bola, detestava tomar gols e voltava para casa bravo se perdia uma simples pelada. Os amigos não perdoaram, passaram a dizer que Josimar estava indo reclamar para seus avós - já que era criado por eles. Assim, virou Vozinha. Um apelido irritante na infância, mas que pegou rapidamente na ilha.

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Começou a jogar em times locais, como Batuque e o Mindelense, com o nome de Josimar. Mas depois foi atuar em Angola, no Progresso Sambizanga e lá já tinha um goleiro com o mesmo nome. Entre virar Josimar Segundo ou adotar oficialmente o Vozinha, prevaleceu a segunda opção.

Aos 40 anos, quando muitos já penduraram as luvas, Vozinha continua atuando em alto nível. Já jogou em times da Moldávia, do Chipre, da Eslováquia e agora está no Chaves, da 2ª Divisão de Portugal. É goleiro da Seleção de Cabo Verde desde 2012, participou quatro vezes da Copa Africana de Nações e já soma 90 jogos com a camisa 1.

Vozinha tem algumas ligações com o Brasil: um irmão que mora em Recife, gosta das novelas, da música e dos craques brasileiros do penta. Lucinha Nobre, porta-bandeira de destaque no carnaval carioca e bisneta de caboverdiana, é amiga do goleiro. Ela já foi seis vezes ao arquipélago de Cabo Verde, participar do chamado Carnaval de Verão, que ocorre justamente na cidade natal do goleiro

“Vozinha é uma lenda em Cabo Verde. Ele é de Mindelo, a família dele é de lá. Tenho prazer de ter amizade com ele. Ele estava em Portugal e se preparou para a Copa. É um grande destaque. Fico feliz que hoje as pessoas tenham oportunidade de conhecê-lo. Ele tem a mão pesada” – diverte-se ao contar sobre o amigo.

A caboverdiana Lourença Brites dos Santos, que mora no Rio de Janeiro, não tem dúvidas, “Vozinha é muito melhor que o Allison!” – declarou, eufórica, antes mesmo do apito final do árbitro.

Ao deixar o gramado em Atlanta, carregando o troféu de melhor jogador em campo, Vozinha disse aos repórteres que sonhou a vida inteira com este momento. O goleiro já sabe que quando voltar ao arquipélago será reverenciado por todos os 530 mil compatriotas e que, definitivamente, o controverso apelido ficará eternizado na história das Copas.

Numa Copa do Mundo em que todo mundo quer ver Mbappé, Messi, Vinícius Júnior, Vozinha virou celebridade global e alcançou 7 milhões de seguidores nas redes sociais logo após a partida. Agora, a expectativa é como será a próxima atuação do “paredão” caboverdiano, contra o Uruguai, dia 21 de junho, às 19 horas (horário de Brasília).

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Vozinha foi “herói” de Cabo Verde na estreia no mundial

VTM

Num encontro disputado no Estádio Mercedes-Benz, em Atlanta, a formação orientada por Pedro Leitão Brito mostrou organização e uma enorme capacidade de sofrimento perante uma das seleções mais fortes do panorama internacional. O grande destaque da partida foi, sem margem para dúvidas, o guarda-redes Vozinha, que atuou no GD Chaves as duas últimas épocas.

Desde os minutos iniciais, a Espanha assumiu o controlo do jogo, instalando-se no meio-campo cabo-verdiano e criando sucessivas oportunidades de golo. A defensiva de Cabo Verde resistiu à pressão da La Roja, com Vozinha a destacar-se com várias intervenções de elevado nível.

A melhor oportunidade da primeira parte surgiu aos 39 minutos, quando Ferran Torres acertou na trave da baliza cabo-verdiana. Na recarga, Mikel Oyarzabal desperdiçou uma ocasião flagrante ao rematar por cima. Até ao intervalo, o guardião cabo-verdiano continuou a brilhar, mantendo intactas as suas redes e alimentando o sonho dos africanos.

Na segunda parte a Espanha continuou a dominar e a ter mais posse de bola e a procurar espaços na muralha cabo-verdiana. O selecionador espanhol, Luis de la Fuente, lançou várias opções ofensivas, incluindo o jovem talento Lamine Yamal, aos 71 minutos, na tentativa de desbloquear o marcador.

No entanto, nem as alterações conseguiram ultrapassar um inspirado Vozinha. O guarda-redes, de 40 anos, terminou a partida com sete defesas decisivas, sendo a figura do encontro e principal responsável por um resultado que ficará para sempre na história do futebol cabo-verdiano.

No final da partida, a emoção tomou conta do herói dos Tubarões Azuis.

“Sonhei toda a minha vida com este momento, em estar nestes palcos”, afirmou Vozinha, visivelmente emocionado, acrescentando que “consegui contribuir com a minha experiência. Sabíamos que não seria fácil, porque a Espanha é uma das melhores seleções do mundo. Estamos satisfeitos e agora é continuar a trabalhar”.

Vozinha fez ainda questão de agradecer o apoio dos adeptos cabo-verdianos espalhados pelos quatro cantos do mundo.

“Esperámos muito por este momento e estamos muito felizes. Obrigado a todos os cabo-verdianos que estiveram no estádio e aos que nos apoiaram em todo o mundo”, vincou.

Com este empate, Cabo Verde inicia da melhor forma a sua caminhada no Grupo H do Campeonato do Mundo de 2026.

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Empate entre Cabo Verde e Espanha registra primeiro 0 a 0 da Copa do Mundo

A seleção de Cabo Verde arrancou um resultado histórico diante da Espanha ao segurar um empate sem gols nesta segunda-feira (15), em partida válida pela primeira rodada do Grupo H da Copa do Mundo de 2026. O confronto entrou para a história do torneio por registrar o primeiro placar de 0 a 0 da competição.

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Embora tenha controlado amplamente as ações ofensivas, a equipe espanhola não conseguiu superar a forte resistência defensiva dos africanos. Com ampla vantagem na posse de bola e diversas chegadas ao ataque, a Espanha pressionou durante praticamente todo o jogo, mas encontrou pela frente uma atuação decisiva do goleiro Vozinha.

Vozinha brilha e garante ponto histórico para Cabo Verde

Principal nome da partida, o experiente arqueiro cabo-verdiano foi fundamental para impedir a vitória espanhola. Em sua 90ª apresentação pela seleção nacional, Vozinha realizou sete defesas e protagonizou intervenções importantes nos momentos de maior pressão adversária.

Aos 40 anos, o goleiro segue como uma das referências da equipe dos Tubarões Azuis e figura entre os atletas mais experientes desta edição da Copa do Mundo. Além disso, ocupa a segunda posição entre os jogadores com mais partidas disputadas pela seleção de Cabo Verde.

Com o empate, espanhóis e cabo-verdianos somaram o primeiro ponto no Grupo H. A chave também conta com Arábia Saudita e Uruguai, que se enfrentam ainda nesta segunda-feira (15) para completar a rodada de abertura.

Na próxima rodada, a Espanha terá pela frente a seleção saudita, enquanto Cabo Verde buscará manter a boa campanha diante do Uruguai.

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Espanha para em Vozinha e estreia com empate diante de Cabo Verde no Mundial

A estreia da Espanha na Copa do Mundo de 2026 terminou com uma das primeiras surpresas do torneio. Favorita no Grupo H, a seleção europeia ficou no empate sem gols com Cabo Verde nesta segunda-feira (15), no Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta, diante de mais de 67 mil torcedores.

O grande nome da partida foi o experiente goleiro Vozinha. Aos 40 anos, o capitão cabo-verdiano realizou defesas decisivas e foi fundamental para garantir o primeiro ponto da história de seu país em uma Copa do Mundo. Com uma atuação segura, ele frustrou as principais investidas da equipe comandada por Luis de la Fuente.

A Espanha dominou a posse de bola durante praticamente todo o confronto e passou boa parte da partida pressionando o adversário no campo defensivo. No entanto, encontrou dificuldades para superar a organização tática dos africanos, que apostaram em uma marcação compacta e em rápidas tentativas de contra-ataque.

Na etapa final, De la Fuente lançou mão de sua principal estrela. O atacante Lamine Yamal entrou em campo e recebeu uma recepção calorosa dos torcedores espanhóis presentes no estádio. Mesmo com a mudança, a seleção europeia continuou encontrando dificuldades para transformar o controle da partida em chances claras de gol.

Antes da estreia, o treinador espanhol já havia alertado para o perigo representado por Cabo Verde. Segundo ele, a equipe africana reúne jogadores fisicamente fortes, velozes e disciplinados taticamente, características que ficaram evidentes ao longo dos 90 minutos.

Enquanto os espanhóis buscavam espaços, os cabo-verdianos comemoravam cada desarme e cada avanço ao ataque. A torcida dos “Tubarões Azuis” manteve a festa nas arquibancadas durante toda a partida e celebrou o resultado como uma vitória.

Vozinha, principal personagem do confronto, carrega uma história curiosa. O apelido surgiu ainda na infância, quando era criado pelos avós. Em entrevista ao site da Fifa, o goleiro contou que costumava voltar irritado para casa após discussões e partidas de futebol na rua, o que motivou as brincadeiras dos familiares que acabaram originando o apelido pelo qual ficou conhecido.

O empate mantém viva a tradição de estreias complicadas da Espanha em Copas do Mundo. Em 17 participações no torneio, a seleção soma agora cinco vitórias, seis empates e seis derrotas em partidas de abertura. O retrospecto, porém, não impede campanhas históricas. Em 2010, ano do único título mundial espanhol, a equipe iniciou sua trajetória com derrota para a Suíça.

Com o resultado, Cabo Verde soma um ponto em sua primeira participação em Mundiais e ganha confiança para a sequência da competição. A equipe africana volta a campo no domingo (21), quando enfrenta o Uruguai, em Miami.

A Espanha, por sua vez, permanece em Atlanta para encarar a Arábia Saudita também no domingo, em busca da primeira vitória no torneio.

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