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VoxPop: Uma comunidade dividida: quando ser português no Canadá ainda depende de ser ‘da ilha’ ou ‘do continente’

Créditos: MDC Media Group

Apesar de milhares de quilómetros de distância, a comunidade portuguesa no Canadá continua a carregar uma divisão silenciosa — mas persistente — entre continentais, açorianos e madeirenses. O que começou como identidade regional transformou-se, ao longo das décadas de emigração, em fronteiras invisíveis dentro da própria diáspora. Em festas, associações e até na vida social quotidiana, ainda há quem sinta que não basta ser português: é preciso ser “do grupo certo”. Entre a preservação das raízes e a criação de muros internos, esta realidade levanta uma pergunta desconfortável — estaremos realmente unidos enquanto comunidade, ou apenas a viver lado a lado, separados por origens que nunca ficaram para trás? 

Maria Silva, 62 anos (Açoriana)
Porque acha que ainda existe uma separação tão visível entre portugueses continentais e açorianos (e, em menor escala, madeirenses) na comunidade luso-canadiana?
Porque essa separação já vinha de trás. As pessoas emigraram com as suas identidades muito marcadas e nunca houve uma verdadeira fusão entre comunidades. Cada grupo acabou por criar os seus próprios espaços.

Já sentiu ou testemunhou essa divisão no dia a dia? Pode dar um exemplo?
Sim, várias vezes. Em festas comunitárias ou eventos culturais, nota-se logo a divisão nas conversas e até nas mesas. Já ouvi comentários a diferenciar “os das ilhas” e “os do continente” como se fossem quase comunidades diferentes.

Na sua opinião, essa divisão tem raízes culturais e históricas trazidas de Portugal e das ilhas, ou foi algo que se desenvolveu já no Canadá? Porquê?
Tem as duas coisas. Já existia em Portugal, mas no Canadá ficou mais visível porque as comunidades cresceram separadas e criaram as suas próprias associações.

Até que ponto esta separação ajuda ou prejudica a força, a representatividade e a afirmação da comunidade portuguesa no Canadá?
Prejudica. Em vez de uma comunidade forte e unida, ficamos divididos em pequenos grupos.


João Pereira, 45 anos (Continental)
Porque acha que ainda existe uma separação tão visível entre portugueses continentais e açorianos (e, em menor escala, madeirenses) na comunidade luso-canadiana?
Porque ainda existe muito orgulho regional e pouca abertura para ultrapassar essas diferenças. Muitas pessoas continuam a ver mais o que nos separa do que o que nos une.

Já sentiu ou testemunhou essa divisão no dia a dia? Pode dar um exemplo?
Sim. Em alguns clubes e associações, percebe-se que certas decisões são sempre dominadas pelos mesmos grupos regionais. Já vi situações em que pessoas de fora do “grupo principal” acabam por não ter a mesma voz.

Na sua opinião, essa divisão tem raízes culturais e históricas trazidas de Portugal e das ilhas, ou foi algo que se desenvolveu já no Canadá? Porquê?
Veio de Portugal, mas no Canadá ficou mais forte porque cada comunidade se organizou de forma independente e isolada.

Até que ponto esta separação ajuda ou prejudica a força, a representatividade e a afirmação da comunidade portuguesa no Canadá?
Prejudica bastante. Enfraquece a nossa representação coletiva.


Sofia Almeida, 27 anos (descendente de madeirenses)
Porque acha que ainda existe uma separação tão visível entre portugueses continentais e açorianos (e, em menor escala, madeirenses) na comunidade luso-canadiana?
Porque a identidade regional ainda é muito forte, especialmente entre gerações mais velhas que mantiveram essas diferenças vivas no Canadá.

Já sentiu ou testemunhou essa divisão no dia a dia? Pode dar um exemplo?
Sim. Já estive em contextos sociais onde se fazem distinções entre “ilhas” e “continente” de forma quase automática. Já me disseram diretamente que “não sou bem de lado nenhum”, o que é estranho sendo portuguesa.

Na sua opinião, essa divisão tem raízes culturais e históricas trazidas de Portugal e das ilhas, ou foi algo que se desenvolveu já no Canadá? Porquê?
Veio dos dois lados, mas no Canadá ficou mais rígida porque as comunidades cresceram separadas e com pouca interação entre si.

Até que ponto esta separação ajuda ou prejudica a força, a representatividade e a afirmação da comunidade portuguesa no Canadá?
Prejudica, mas também preserva tradições. O problema é quando isso vira exclusão.


Tony Martins, 35 anos (nascido no Canadá)
Porque acha que ainda existe uma separação tão visível entre portugueses continentais e açorianos (e, em menor escala, madeirenses) na comunidade luso-canadiana?
Porque é mais fácil as pessoas se identificarem com grupos pequenos e familiares do que construírem uma identidade portuguesa única no estrangeiro.

Já sentiu ou testemunhou essa divisão no dia a dia? Pode dar um exemplo?
Sim. Em eventos culturais ou sociais, nota-se que as pessoas se agrupam por origem e há pouca mistura real entre esses grupos.

Na sua opinião, essa divisão tem raízes culturais e históricas trazidas de Portugal e das ilhas, ou foi algo que se desenvolveu já no Canadá? Porquê?
Acho que se desenvolveu mais no Canadá. Aqui, a distância e o tempo fizeram com que as diferenças regionais ficassem mais fixas do que em Portugal.

Até que ponto esta separação ajuda ou prejudica a força, a representatividade e a afirmação da comunidade portuguesa no Canadá?
Prejudica a representatividade global da comunidade.


Ricardo Sousa, 50 anos (Continental)
Porque acha que ainda existe uma separação tão visível entre portugueses continentais e açorianos (e, em menor escala, madeirenses) na comunidade luso-canadiana?
Porque existe uma mentalidade antiga que nunca foi ultrapassada. Há uma tendência para cada grupo se ver como “mais autêntico” do que o outro, e isso nunca desapareceu completamente.

Já sentiu ou testemunhou essa divisão no dia a dia? Pode dar um exemplo?
Sim, e vou ser direto: já vi pessoas serem ignoradas ou afastadas de associações apenas por não pertencerem ao grupo regional dominante. Isso ainda acontece, mesmo que muita gente não queira admitir.

Na sua opinião, essa divisão tem raízes culturais e históricas trazidas de Portugal e das ilhas, ou foi algo que se desenvolveu já no Canadá? Porquê?
Veio de Portugal, mas no Canadá foi amplificada. Aqui, em vez de desaparecer, foi organizada em estruturas comunitárias separadas que reforçaram essa divisão.

Até que ponto esta separação ajuda ou prejudica a força, a representatividade e a afirmação da comunidade portuguesa no Canadá?
Prejudica muito. E enquanto continuarmos a fingir que isto é só “diferença cultural”, vamos continuar fragmentados e sem uma voz forte.

Romulo M. Avila/MS

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Mais do que uma só comunidade: A identidade portuguesa no Canadá entre tradição, diversidade e união

Créditos: MDC Media Group

Num Canadá construído pela força do multiculturalismo, a comunidade portuguesa continua a afirmar-se através das suas raízes, tradições e identidade coletiva. Mas dentro dessa realidade existe uma diversidade muitas vezes invisível para quem observa de fora: açorianos, madeirenses e portugueses do continente carregam histórias migratórias distintas, experiências próprias e fortes ligações regionais que ajudaram a moldar o percurso da diáspora luso-canadiana ao longo de décadas. Embora essas diferenças tenham, por vezes, criado comunidades mais segmentadas, líderes associativos defendem que a diversidade interna não deve ser vista como fator de divisão, mas sim como uma das maiores riquezas da presença portuguesa no Canadá. 

Entre memórias de imigração, preservação cultural e desafios de representação, cresce hoje uma nova visão de unidade — uma comunidade capaz de preservar as suas identidades regionais sem perder a força de uma voz comum. É nessa realidade que Suzanne da Cunha, presidente da Casa dos Açores do Ontário, e Matthew Correia, conselheiro da diáspora açoriana, refletem sobre o passado, o presente e o futuro da comunidade portuguesa no Canadá.

Suzanne da Cunha. DR.

Suzanne da Cunha: “Identidades açoriana, madeirense e continental fortalecem a comunidade” 

Em entrevista, a presidente da Casa dos Açores do Ontário, Suzanne da Cunha, sublinha que a perceção de alguma separação entre os diferentes grupos dentro da comunidade portuguesa resulta sobretudo de “um processo histórico de imigração feito em diferentes fases e com realidades sociais distintas”.

Segundo a responsável, muitos açorianos chegaram ao Canadá nas décadas de 1950 e 1960, frequentemente em contextos de maior vulnerabilidade económica e com forte ligação ao trabalho agrícola e operário. Já os emigrantes provenientes do continente português chegaram em diferentes períodos e com outras dinâmicas profissionais e sociais, o que contribuiu para a criação de redes comunitárias mais segmentadas. “A forma como a comunidade se organizou inicialmente, através de bairros, igrejas e associações ligadas à origem regional, ajudou a criar laços muito fortes dentro de cada grupo, mas também alguma separação natural entre eles”, explica a professora Suzanne da Cunha.

Apesar dessa realidade histórica, a presidente da Casa dos Açores do Ontário rejeita a ideia de que as diferenças regionais representem um problema estrutural. Pelo contrário, considera-as uma mais-valia.

“A cultura açoriana, madeirense e continental complementam-se. Essa diversidade é uma riqueza que torna a nossa comunidade mais viva, mais representativa e mais forte dentro do mosaico multicultural canadiano”, afirma. Ainda assim, reconhece que, quando estas identidades são vividas de forma demasiado isolada, podem limitar a capacidade de ação conjunta da comunidade portuguesa enquanto bloco social e institucional. “O desafio não é eliminar as diferenças, mas garantir que elas não se transformam em barreiras. A identidade portuguesa deve ser suficientemente ampla para acolher todas as suas expressões regionais”, defende salientando no entanto, por exemplo, que a Casa dos Açores do Ontário foi a primeira organização a ceder gratuitamente as suas instalações para os eventos da Casa da Madeira, e o mesmo faria caso outra qualquer precisasse de apoio e ajuda.

Para Suzanne da Cunha, instituições como a Casa dos Açores do Ontário, os clubes sociais, as associações culturais e os meios de comunicação social desempenham um papel determinante na construção de pontes entre gerações e origens. Estas estruturas, refere, devem apostar em iniciativas conjuntas que promovam o encontro entre diferentes segmentos da comunidade, desde eventos culturais a celebrações nacionais e projetos direcionados para os jovens luso-descendentes. “Temos de criar mais espaços de partilha entre açorianos, madeirenses e continentais. Quando trabalhamos juntos, a nossa voz torna-se mais forte e mais influente no contexto canadiano”, sublinha. Também os media comunitários são chamados a desempenhar uma função agregadora, valorizando narrativas comuns e histórias partilhadas de integração e sucesso no Canadá.

Apesar das diferenças históricas e culturais, há um ponto de convergência cada vez mais evidente: as novas gerações. Nascidos ou criados no Canadá, muitos jovens já se identificam como luso-canadianos, combinando heranças regionais com uma identidade portuguesa mais ampla e uma forte ligação ao país de acolhimento. “É nesse futuro que devemos apostar”, conclui Suzanne da Cunha. “Uma comunidade portuguesa unida na diversidade, orgulhosa das suas raízes e, ao mesmo tempo, capaz de falar a uma só voz quando necessário.”

Matthew Correia. DR.

Matthew Correia defende valorização das raízes açorianas como parte essencial da comunidade luso-canadiana

A emigração açoriana teve um papel fundamental na formação da comunidade portuguesa no Canadá, sobretudo na Grande Área de Toronto. Para Matthew Correia, conselheiro da diáspora açoriana, essa herança continua viva na identidade de milhares de luso-canadianos. “Trouxeram consigo não apenas a língua e as tradições, mas também uma profunda saudade das suas ilhas”, afirma.

Foi dessa ligação às origens que nasceram muitas das instituições comunitárias ainda hoje centrais na vida portuguesa em Ontário. Clubes, associações culturais, irmandades religiosas e festas tradicionais mantêm forte influência açoriana. Segundo Correia, esse legado está presente nas celebrações do Divino Espírito Santo e do Senhor Santo Cristo, nos grupos folclóricos, filarmónicas, touradas à corda e festas organizadas por entidades como a Casa dos Açores do Ontário e o Graciosa Community Centre.

Para muitos filhos e netos de emigrantes, a açorianidade vai além de uma identidade regional. “Ser açoriano é também uma forma de entender as nossas origens, cultura e ligação a Portugal”, sublinha.

Questionado sobre alguma distância entre açorianos e portugueses do continente dentro da comunidade luso-canadiana, Matthew Correia reconhece diferenças históricas, mas rejeita a ideia de divisão. Explica que muitos açorianos emigraram por percursos diferentes e criaram redes muito ligadas às suas ilhas de origem. Além disso, os Açores possuem tradições, sotaques e costumes próprios dentro da identidade portuguesa.

“A questão não é separação, mas sim reconhecimento”, afirma. “Os açorianos merecem ver a sua história e contributos refletidos na comunidade portuguesa. Não há portugueses de primeira nem de segunda.”

Com esse objetivo, Correia impulsionou a criação do Azores Parkette, em Little Portugal, Toronto. O espaço procura homenagear o contributo açoriano para a comunidade portuguesa e para a sociedade canadiana. “Faltava um espaço que reconhecesse a presença e o legado da comunidade açoriana”, explica.

Sobre as novas gerações, Matthew Correia acredita que é possível preservar as identidades regionais sem perder a unidade da comunidade portuguesa. “Um jovem pode sentir-se canadiano, português e açoriano ao mesmo tempo”, refere. Para isso, considera essencial investir em programas juvenis, ensino da língua portuguesa, intercâmbios culturais e participação associativa.

Defende ainda que as instituições luso-canadianas devem ser mais inclusivas e abertas à diversidade regional. “Devemos ser acolhedores e não insulares”, afirma. Para o conselheiro, a diversidade interna é uma das maiores forças da comunidade portuguesa no Canadá. “A unidade não significa que todos tenham de ser iguais. A riqueza da nossa comunidade está precisamente na diversidade das suas tradições e experiências.”

 “O objetivo deve ser construir uma comunidade unida por uma herança comum e pelo compromisso de manter as futuras gerações ligadas às suas raízes portuguesas. Porque, como diz o velho ditado: ‘A união faz a força.’”, rematou.

Concluindo, o desafio que permanece é o da continuidade: preservar a riqueza das raízes sem permitir que elas se transformem em fronteiras. Porque é na capacidade de reconhecer a diversidade interna como força comum que a comunidade portuguesa encontrará não apenas a sua unidade, mas também a sua relevância futura. No fim, a mensagem que emerge é clara — a identidade portuguesa no Canadá não se define pela origem de cada um, mas pela vontade coletiva de manter viva uma herança comum, aberta ao mundo e às gerações que virão.

Romulo M. Avila/MS

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Laurentino Esteves defende mais diálogo para ultrapassar divisões na comunidade portuguesa

Photo: @copyright

Conselheiro das Comunidades Portuguesas acredita que as diferenças entre continentais, açorianos e madeirenses podem transformar-se numa força cultural para as futuras gerações.

A diversidade regional sempre fez parte da identidade portuguesa. No entanto, dentro da comunidade luso-canadiana, especialmente na Grande Área de Toronto (GTA), continuam a existir diferenças e sensibilidades que, por vezes, dificultam uma participação mais unificada. Para Laurentino Esteves, Conselheiro das Comunidades Portuguesas no Canadá, estas divergências não devem ser encaradas como uma separação, mas sim como uma realidade complexa, influenciada pela história, pela cultura e pela própria experiência migratória.

Nesta entrevista, Laurentino Esteves reflete sobre as origens dessas diferenças, o impacto que têm na vida associativa e na representação coletiva dos portugueses no Canadá, defendendo um maior conhecimento mútuo entre continentais, açorianos e madeirenses e apelando ao diálogo como caminho para fortalecer a portugalidade além-fronteiras.

Milénio Stadium: Na sua perspetiva, por que razão continua a ser tão visível a separação entre continentais, açorianos e madeirenses dentro da comunidade portuguesa na GTA, mesmo após várias gerações no Canadá?

Laurentino Esteves. DR.

Laurentino Esteves: Esta é uma velha questão e tem vários ângulos de abordagem. Eu quero crer que não é necessariamente uma separação; é mais uma clivagem, e mais acentuada realmente entre continentais e açorianos e vice-versa.

Primeiro, temos que ter em conta que os nossos compatriotas açorianos são, de facto, a maior parte da nossa comunidade. Chegaram primeiro cá, têm e tiveram raízes e o maior entrosamento na dita comunidade (mainstream). Afirmaram-se mais depressa no Canadá e muitos sem nenhuma intenção de voltar aos Açores.

Há depois a parte cultural e identitária. A Região Autónoma dos Açores é isso mesmo, autónoma, e há quem entenda autonomia como independência. Eu estou muito à vontade para abordar estas questões. Tenho muitos amigos, e bem próximos, gente dos Açores com quem troco muitas vezes ideias e impressões deste género.

Queria trazer à equação um aspeto que para mim é fundamental. No meu tempo de escola, o que nos foi dado a saber sobre os Açores ou a Madeira foi muito pouco, apenas o básico e nada mais. Já falei muito e escrevi sobre isto. Eu vim conhecer a cultura dos Açores e da Madeira depois de chegar a Toronto, nos anos 80. Novamente, mais dos Açores. Eu vim conhecer as tradições, os costumes e a gastronomia (riquíssima). Aliado a isto, as cantorias, de que sou um enorme entusiasta e confesso fã. Quem me conhece sabe que consigo acompanhar no Pézinho e na Desgarrada. Estou há algum tempo a tentar aprender as “Velhas da Terceira” e hei-de lá chegar.

Há depois um último senão, visto por muitos, em particular pelos adeptos da discórdia, que é o sotaque diferente de praticamente todas as ilhas dos Açores, com maior preponderância em São Miguel. Sendo a maior ilha e tendo muitos dos seus no Canadá, é o padrão pelo qual incorretamente acabam por ser medidos todos os açorianos. Esta condição não deveria nunca ser um demérito, mas sim um valor e uma riqueza da nossa língua. Este estigma vem muito do berço e é uma barreira difícil, imposta por dogmas antigos e pouco informados.

Conheço e sei que muitos açorianos preferem falar inglês do que português e fazem um esforço acrescido para não terem de usar o seu português com sotaque. Está provado que as gerações mais antigas de açorianos aprenderam mais rápido e melhor inglês do que os continentais. Isso não foi mau de todo. Abriu-lhes outras oportunidades no campo laboral, social e até político.

MS: Na sua opinião, esta separação resulta mais de fatores culturais e históricos trazidos de Portugal ou de dinâmicas criadas já na diáspora canadiana?

LE: Parte da resposta creio que está dada na primeira pergunta. No entanto, depois cada comunidade tem as suas particularidades e dinâmicas próprias.

MS: Que impacto tem esta divisão na construção de uma identidade portuguesa unificada no Canadá, sobretudo junto das gerações mais jovens?

LE: O impacto por vezes é visível e acentuado na comunidade. Afasta as pessoas das iniciativas comunitárias e, por arrasto, do próprio movimento associativo. Têm sido feitos alguns esforços pontuais para que haja cada vez mais interação entre todos os portugueses, sem exceção.

Por exemplo, entre nós, as celebrações do Dia de Portugal são um espaço onde todos se deveriam sentir incluídos. A Parada do Dia de Portugal tem tido a participação da Madeira, através da Casa da Madeira. Esta situação é mais simples porque é a única representação madeirense na área de Toronto.

Há quem diga que a participação dos Açores fica aquém do número de clubes e associações oriundos das nove ilhas açorianas. Seria um tema para aprofundar e ter uma discussão profunda, séria e necessária com os interessados.

A ACAPO, como uma espécie de federação das associações e clubes portugueses do Ontário, deveria ser a primeira a promover este diálogo entre todos os interessados.

Na minha humilde capacidade de Conselheiro das Comunidades Portuguesas, estarei disponível para contribuir para esse diálogo. Curiosamente, os mais jovens, na minha opinião, estão mais flexíveis e serão também os mais interessados e possivelmente os mais beneficiados.

MS: Até que ponto esta fragmentação interna enfraquece a representação da comunidade portuguesa junto das instituições canadianas e o reconhecimento do seu contributo coletivo?

LE: Naturalmente, uma comunidade fragmentada ou dividida é mais fraca e tem menos argumentos para se impor quando é necessário mostrar uma frente robusta e unida. Isto pode ter consequências nefastas junto das instituições, a começar pelas do Canadá, o nosso país de acolhimento. Estou convicto e otimista de que seremos capazes de ultrapassar esta “clivagem” e outras que teremos pela frente.

Queria ainda trazer outro ponto de vista que tenho sobre isto há muito tempo. Um dos grandes problemas é o desconhecimento e a diferença. Ora, nem os continentais conhecem os Açores nem os açorianos conhecem o continente, geralmente falando, claro.

Quando se fala em tarifas aéreas subsidiadas para isto e para aquilo, deveria ser um desígnio nacional do Estado apoiar os cidadãos portugueses a viajar entre os arquipélagos da Madeira e dos Açores e o continente. Esta medida, usada noutros locais, para além de aproximar as pessoas e combater a insularidade, seria ainda um fator económico relevante.

Ainda a propósito, o facto de o Senhor Presidente da República ter escolhido a ilha Terceira para as celebrações oficiais do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, e depois ter seguido para a Madeira, é um passo na direção certa.

Por fim, repito, quero estar confiante e acredito que saberemos, em conjunto, ultrapassar estas diferenças, que não passam disso mesmo: diferenças. Importante é saber transformá-las num potencial cultural rico da nossa portugalidade.

Viva Portugal.

Vivam as comunidades portuguesas.

Vivam todos os portugueses.

Laurentino Esteves/MS

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Uma comunidade, várias identidades

Photo: @copyright

A comunidade portuguesa da Grande Área de Toronto é frequentemente apontada como uma das mais dinâmicas da diáspora portuguesa. E é, sem dúvida, no entanto, continua a evidenciar-se uma forte identificação regional entre os portugueses os lusodescendentes que aqui residem. Açorianos, madeirenses e continentais, parecem por vezes divididos ou se preferirem afastados, Como se estivesse cada um no seu canto. Esta é uma realidade que se reflete nas várias associações, clubes e estruturas comunitárias. Esta diversidade representa, sem dúvida, uma enorme riqueza cultural, mas por vezes pode dificultar a afirmação de uma voz coletiva mais forte. José A. Rodrigues, Presidente da Mesa da Assembleia Geral da Casa da Madeira e Conselheiro da Diáspora Madeirense no Canadá, considera que as diferenças regionais não são, por si só, um problema. Com uma visão plena de lucidez e bom-senso, José A. Rodrigues defende que o desafio está em garantir que essas identidades funcionem como elementos de união e não de separação.

Milénio Stadium: Na sua perspetiva, por que razão continua a ser tão visível a separação entre continentais, açorianos e madeirenses dentro da comunidade portuguesa na GTA, mesmo após várias gerações no Canadá?

José A. Rodrigues. DR.

José A. Rodrigues: É uma questão complexa, e a resposta varia de comunidade para comunidade. Em muitos casos, não existe um verdadeiro afastamento, mas sim uma tendência para cada grupo socializar mais dentro dos seus próprios círculos culturais e familiares.

Alguns fatores contribuem para esse fenómeno. Tanto os açorianos como os madeirenses possuem uma identidade insular muito marcada, com tradições, sotaques e histórias próprias. Além disso, as diferentes vagas de imigração fizeram com que as comunidades se estabelecessem em momentos distintos e criassem redes sociais e associativas próprias.

As associações e clubes regionais desempenharam um papel fundamental na preservação das tradições, mas também contribuíram para reforçar identidades regionais específicas. As pessoas sentem-se naturalmente atraídas por quem partilha referências culturais semelhantes.

Há ainda a questão da transmissão geracional. Muitos filhos e netos de emigrantes cresceram a ouvir expressões como “nós somos açorianos”, “nós somos madeirenses” ou “nós somos minhotos”. Esse orgulho regional foi sendo transmitido juntamente com a história familiar.

Também existem algumas rivalidades informais e perceções que foram sendo perpetuadas ao longo do tempo, mesmo quando já não têm fundamento real.

No entanto, há igualmente muitos exemplos de colaboração. Em festivais, eventos culturais, iniciativas de solidariedade ou causas comunitárias, açorianos, madeirenses e continentais trabalham frequentemente lado a lado.

Talvez a questão mais importante seja perguntar o que nos une. A língua portuguesa, os valores familiares, a herança cultural, a gastronomia, a fé para muitos e a experiência comum da emigração são frequentemente muito mais fortes do que as diferenças regionais.

Como Presidente da Mesa da Assembleia da Casa da Madeira e Conselheiro da Diáspora Madeirense, tenho observado que os projetos comunitários mais bem-sucedidos são aqueles que conseguem celebrar as identidades regionais sem perder de vista uma identidade portuguesa comum. Afinal, Madeira, Açores e Continente são diferentes expressões da mesma cultura e da mesma nação: Portugal.

MS: Até que ponto considera que esta divisão tem raízes históricas importadas de Portugal e até que ponto é algo que se reforça já em contexto canadiano?

JAR: Na minha opinião, a divisão tem algumas raízes históricas importadas de Portugal, mas é sobretudo reforçada e perpetuada no contexto da diáspora.

Em Portugal existem identidades regionais fortes, especialmente nos Açores e na Madeira, mas a maioria das pessoas convive diariamente com pessoas de outras regiões sem que isso constitua uma barreira significativa.

Na diáspora acontece um fenómeno interessante. Quando uma comunidade emigra, tende a preservar a identidade que trouxe consigo no momento da partida. As tradições, os costumes e até algumas rivalidades regionais ficam, de certa forma, “congelados no tempo” e acabam por ganhar mais importância do que teriam no país de origem.

Na GTA, esta realidade foi reforçada porque as primeiras redes de apoio foram criadas por pessoas da mesma origem regional. As festas, os clubes e as associações desenvolveram-se em torno dessas identidades, e a própria liderança comunitária organizou-se muitas vezes segundo essas mesmas linhas.

Existe também um fator emocional importante. Muitos emigrantes não trouxeram apenas Portugal consigo; trouxeram a sua ilha, a sua freguesia, o seu concelho. Para muitos madeirenses, a Madeira era a principal referência identitária. Para muitos açorianos, a sua ilha de origem desempenhava esse papel.

O desafio surge quando o orgulho regional deixa de ser um elemento de enriquecimento cultural e passa a ser um fator de separação.

Pessoalmente, penso que o futuro passa por uma identidade em camadas: ser simultaneamente madeirense, açoriano ou continental, mas também português e luso-canadiano. Estas identidades não são concorrentes; podem complementar-se.

MS: Que peso têm as associações culturais, clubes e estruturas comunitárias na manutenção destas identidades regionais?

JAR: Diria que têm uma influência significativa, embora não necessariamente negativa.

As associações culturais, clubes e casas regionais desempenharam um papel fundamental na preservação da língua, das tradições e do sentido de pertença dos emigrantes. Sem elas, uma parte importante do património cultural português poderia ter-se perdido ao longo das gerações.

No entanto, existe um efeito secundário inevitável. Ao preservarem identidades regionais específicas, também contribuem para a sua continuidade e, por vezes, para alguma separação.

Uma Casa da Madeira existe para promover a cultura madeirense. Um clube açoriano promove a cultura açoriana. Uma associação regional do Minho ou de Trás-os-Montes faz o mesmo relativamente às suas tradições. Tudo isso é legítimo e valioso.

O problema surge quando essa missão não é acompanhada por uma visão mais ampla da comunidade portuguesa.

Muitas destas organizações nasceram numa época em que os emigrantes procuravam sobretudo pessoas da sua terra, da sua ilha ou até da sua freguesia. Essas estruturas funcionaram tão bem que continuam a moldar a vida comunitária décadas depois.

Existe também uma questão relacionada com a liderança. Muitas vezes os dirigentes dedicam enormes esforços à sua própria organização, mas existem poucos espaços permanentes de cooperação entre instituições.

Curiosamente, não creio que a principal divisão seja entre madeirenses, açorianos e continentais. Muitas vezes as maiores divisões surgem entre organizações, entre gerações, entre diferentes estilos de liderança ou entre quem privilegia a colaboração e quem procura protagonismo.

Por isso, talvez a verdadeira questão seja saber se as identidades regionais estão a funcionar como pontes ou como fronteiras.

MS: Acredita que esta fragmentação interna limita a capacidade de afirmação política, social e cultural da comunidade portuguesa no Canadá?

JAR: Sim, acredito que até certo ponto limita.

Não porque as diferenças regionais sejam um problema em si mesmas, mas porque uma comunidade fragmentada tende a ter menos capacidade de mobilização, menos influência política e uma voz pública menos forte do que uma comunidade capaz de articular interesses comuns.

Quando diferentes organizações trabalham separadamente, os recursos humanos e financeiros dispersam-se, as mensagens transmitidas aos decisores políticos tornam-se menos consistentes, a capacidade de atrair os mais jovens diminui e o impacto mediático acaba por ser menor.

Por outro lado, quando a comunidade fala a uma só voz em questões importantes, como o ensino da língua portuguesa, o apoio às instituições comunitárias, o reconhecimento cultural ou as relações com Portugal, o seu peso político e social aumenta significativamente.

Importa, contudo, não confundir unidade com uniformidade. A comunidade portuguesa nunca será uma organização única, nem precisa de o ser. A diversidade regional faz parte da sua riqueza.

Na minha perspetiva, a fragmentação mais prejudicial não é cultural, mas institucional e pessoal.

Os momentos de maior projeção da comunidade portuguesa aconteceram precisamente quando houve cooperação entre organizações, líderes e regiões diferentes. Nesses momentos, o que prevalece não é a origem insular ou continental, mas a força coletiva de uma comunidade que representa milhares de luso-canadianos e as suas ligações a Portugal e ao Canadá.

MS: O que poderia ser feito, de forma prática, para aproximar estas diferentes origens regionais sem apagar as suas especificidades culturais?

JAR: A solução não passa por diluir as identidades regionais, mas por criar mais espaços de encontro e colaboração entre elas.

Seria importante promover mais eventos conjuntos entre associações madeirenses, açorianas e continentais, como festivais culturais, galas comunitárias, conferências sobre a história da imigração portuguesa ou iniciativas de solidariedade.

Poderia também ser criado um Conselho Permanente das Organizações Portuguesas, funcionando como um fórum de diálogo regular entre dirigentes associativos para discutir desafios comuns e coordenar esforços.

A juventude deve ser uma prioridade. Projetos de liderança jovem, voluntariado, intercâmbios culturais e empreendedorismo podem aproximar descendentes de diferentes origens regionais em torno de objetivos comuns.

Outro aspeto importante é valorizar a história de todas as regiões portuguesas. Muitas vezes as pessoas conhecem pouco as realidades dos outros. O conhecimento gera respeito, compreensão e aproximação.

Também é fundamental desenvolver causas comuns. As comunidades unem-se mais facilmente em torno de desafios concretos do que de discursos sobre unidade. A promoção da língua portuguesa, o apoio aos idosos, a integração de recém-chegados, as bolsas de estudo ou a preservação do património cultural são bons exemplos.

Por fim, as lideranças têm um papel decisivo. Quando os líderes se conhecem, se respeitam e trabalham juntos, as bases tendem a seguir o mesmo exemplo.

Talvez seja necessário mudar a narrativa de “somos madeirenses, açorianos ou continentais” para “somos madeirenses, açorianos e continentais, e todos fazemos parte da mesma comunidade luso-canadiana”.

No fundo, o objetivo não deve ser criar uma identidade única. A riqueza da comunidade portuguesa na GTA reside precisamente na diversidade das suas origens. O desafio é construir uma cultura de cooperação onde as diferenças regionais sejam vistas como património partilhado e não como linhas de separação.

Acredito que instituições como a Casa da Madeira podem desempenhar um papel importante neste processo: mostrar que é possível celebrar a identidade madeirense com orgulho, ao mesmo tempo que se estende a mão às restantes expressões da portugalidade presentes no Canadá.

Essa combinação de orgulho nas raízes e abertura ao diálogo é, muitas vezes, o caminho mais eficaz para fortalecer toda a comunidade.

Madalena Balça/MS

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Vox Pop: Toronto no centro do mundo: vozes sobre o Mundial 2026 e o sonho português

 

Toronto prepara-se para fazer história ao receber o primeiro jogo de sempre de um Mundial masculino em solo canadiano, num momento que coloca a cidade sob os holofotes do futebol mundial. Sob o tema “The World in a City”, ouvimos a opinião de comentadores do programa desportivo Fora de Jogo — Patrícia Borges, Rui Alves, Carlos Carneiro, Sérgio Esteves e Luís Costa — que analisam a capacidade de Toronto para acolher um evento desta dimensão e partilham ainda as suas expectativas para a Seleção Nacional no Mundial 2026, incluindo o nome que gostariam de ver a erguer o troféu caso Portugal chegue à final.

 

Patricia Borges

Toronto vai receber o primeiro jogo de sempre de um Mundial masculino em solo canadiano. Achas que a cidade está preparada para mostrar ao mundo o que significa ser ‘The World in a City’?

Toronto teve muitos anos para se preparar para receber um evento desta dimensão e, apesar dos esforços feitos, ainda existem aspetos que levantam algumas dúvidas. Em vários pontos da cidade nota-se que algumas intervenções foram concluídas muito perto do prazo, incluindo estruturas temporárias no estádio, o que naturalmente gera alguma preocupação entre os adeptos.

Acredito que tudo tenha sido realizado de acordo com os padrões de segurança exigidos, mas um Mundial é um evento que exige excelência em todos os detalhes. Organização, planeamento e infraestrutura são fundamentais para garantir que jogadores, adeptos e visitantes possam desfrutar desta grande festa do futebol com conforto, tranquilidade e segurança.

Toronto é uma cidade multicultural e vibrante, conhecida por acolher pessoas de todo o mundo. Agora terá a oportunidade de mostrar essa identidade ao planeta inteiro, e espero sinceramente que esteja à altura desse desafio.

Se Portugal chegasse à final do Mundial 2026, qual seria o jogador que mais gostavas de ver levantar a taça — e porquê? O que esperas de Portugal?

Gostava muito de ver Portugal chegar à final do Mundial 2026. A nossa seleção tem qualidade, talento e alguns dos melhores jogadores do mundo. Mas, mais do que isso, será fundamental haver união, espírito de equipa e a capacidade de acreditar até ao último minuto de cada jogo.

Se tivesse de escolher um jogador para levantar a taça, seria o nosso capitão, Cristiano Ronaldo. Depois de tudo o que conquistou ao longo da carreira e de tudo o que representou para a seleção nacional, seria um momento histórico vê-lo erguer o troféu mais importante do futebol. É um sonho partilhado por muitos portugueses e um reconhecimento merecido por anos de dedicação e entrega ao país.

Acima de tudo, espero que Portugal faça um grande Mundial, jogue com ambição e mostre ao mundo a qualidade do futebol português. E quem sabe? Talvez 2026 seja finalmente o ano em que trazemos a taça para casa. 

Rui Alves

Toronto vai receber o primeiro jogo de sempre de um Mundial masculino em solo canadiano. Achas que a cidade está preparada para mostrar ao mundo o que significa ser ‘The World in a City’?

Penso que sim: Toronto está preparada para mostrar ao mundo que sabe organizar grandes eventos. É difícil encontrar uma cidade tão multicultural como Toronto, onde se falam tantas línguas e convivem pessoas de origens tão diversas.

Temos verdadeiramente um mundo dentro desta cidade, com inúmeras culturas a demonstrarem as suas tradições e paixões. Uns vivem intensamente o futebol, enquanto outros acompanham com entusiasmo o hóquei, o basquetebol, o basebol e muitas outras modalidades.

Gostaria também de destacar a excelência da restauração local. Os visitantes encontrarão uma enorme variedade gastronómica, representando sabores de praticamente todos os cantos do mundo. Estou convencido de que Toronto deixará uma excelente impressão em todos os amantes deste Mundial de 2026, tal como aconteceu no Mundial Sub-20 de 2007. Tive o prazer de assistir ao jogo entre Portugal e a Nova Zelândia, bem como à grande final, na qual a Argentina se sagrou campeã do mundo.

Se Portugal chegasse à final do Mundial 2026, qual seria o jogador que mais gostavas de ver levantar a taça — e porquê? O que esperas de Portugal?

Portugal já contou com grandes jogadores ao longo da sua história. Eusébio, por exemplo, levou o nome de Portugal aos mais altos patamares do futebol mundial. No entanto, se a taça vier para Portugal, acredito que, apesar de considerar que temos atualmente uma geração de grande qualidade e de não concordar com a titularidade de Cristiano Ronaldo, ele merece a honra de levantar o troféu. Por tudo o que conquistou, pelos recordes que bateu e pelo impacto que teve no futebol mundial, seria um reconhecimento justo da sua extraordinária carreira. Quanto à seleção portuguesa, espero, no mínimo, uma presença nas meias-finais, embora acredite que temos qualidade suficiente para sonhar com algo ainda maior.

Carlos Carneiro

Toronto vai receber o primeiro jogo de sempre de um Mundial masculino em solo canadiano. Achas que a cidade está preparada para mostrar ao mundo o que significa ser ‘The World in a City’?

Sim, acredito sinceramente que Toronto estará preparada para receber um evento desta dimensão. É uma cidade moderna, multicultural e habituada a acolher grandes acontecimentos internacionais. Durante esse período, os olhos do mundo estarão voltados para Toronto, e isso trará uma enorme responsabilidade, mas também uma grande oportunidade para mostrar a sua capacidade de organização, hospitalidade e diversidade. Tenho confiança de que a cidade saberá responder à altura do desafio e proporcionar uma experiência memorável para todos os que a visitarem.

Se Portugal chegasse à final do Mundial 2026, qual seria o jogador que mais gostavas de ver levantar a taça — e porquê? O que esperas de Portugal?

Quanto a Portugal, o meu maior desejo é vê-lo chegar à final. Seria um momento de enorme orgulho para todos os portugueses espalhados pelo mundo. E, se pudesse escolher uma história perfeita para esse percurso, gostaria que Cristiano Ronaldo fosse uma das figuras centrais. Não apenas pelo jogador extraordinário que é e por todos os recordes que conquistou, mas sobretudo pelo caminho que percorreu para chegar onde chegou. A sua história é um exemplo de trabalho, disciplina, sacrifício e perseverança. Cristiano Ronaldo é muito mais do que um jogador de futebol: é um símbolo de perseverança, ambição e orgulho nacional. Ao longo da sua carreira, levou o nome de Portugal ao mundo e inspirou milhões de pessoas.

Sérgio Esteves

Toronto vai receber o primeiro jogo de sempre de um Mundial masculino em solo canadiano. Achas que a cidade está preparada para mostrar ao mundo o que significa ser ‘The World in a City’?

Penso que Toronto estará totalmente preparada para receber um evento desta dimensão. O aumento da capacidade do BMO Field, a excelente oferta hoteleira, os inúmeros bares e restaurantes, a qualidade dos transportes públicos e, acima de tudo, a hospitalidade dos seus habitantes criam as condições ideais para uma experiência inesquecível. Além disso, Toronto é uma das cidades mais multiculturais do mundo, o que significa que contará com adeptos de praticamente todas as seleções participantes. Estou convicto de que será um momento memorável para a cidade e para todos aqueles que a visitarem.

Se Portugal chegasse à final do Mundial 2026, qual seria o jogador que mais gostavas de ver levantar a taça — e porquê? O que esperas de Portugal?

Se Portugal chegar à final e conquistar o tão desejado título, acredito que será Cristiano Ronaldo, o nosso eterno capitão, a erguer a taça. Seria uma forma perfeita de encerrar a sua extraordinária carreira ao serviço da Seleção Nacional e, ao mesmo tempo, uma espécie de homenagem do próprio futebol a tudo aquilo que CR7 deu ao jogo ao longo de mais de duas décadas.

Acredito que Portugal tem qualidade, talento e experiência para vencer a competição. No entanto, não podemos ignorar o enorme potencial de outras seleções candidatas ao título. França, Espanha, Argentina e Inglaterra possuem plantéis de enorme qualidade e certamente terão uma palavra importante a dizer na luta pelo troféu. Ainda assim, tenho confiança de que Portugal reúne todas as condições para sonhar alto e lutar pelo maior objetivo de todos.

Luis Costa

Toronto vai receber o primeiro jogo de sempre de um Mundial masculino em solo canadiano. Achas que a cidade está preparada para mostrar ao mundo o que significa ser ‘The World in a City’?

Acho que ainda não estamos totalmente preparados para receber o Mundial, tanto ao nível das infraestruturas como das condições de acesso. Existem vários aspetos que ainda precisam de ser melhor trabalhados para garantir uma experiência mais fluida, segura e confortável para os adeptos. As bancadas que foram montadas no BMO Field, por exemplo, deixam um pouco a desejar, tanto em termos de qualidade como de organização. Ainda assim, espero que tudo corra bem, porque sabemos que este é um grande desafio para a organização e envolve muita responsabilidade.

Se Portugal chegasse à final do Mundial 2026, qual seria o jogador que mais gostavas de ver levantar a taça — e porquê? O que esperas de Portugal?

A nossa seleção tem tudo para chegar à final, qualidade não falta e o grupo é forte, mas como já estamos habituados a fazer algumas contas de calculadora ao longo das fases da competição, espero que desta vez isso não seja necessário, até porque somos cabeças de série. No entanto, se conseguirmos chegar ao título de campeões, para mim o Ronaldo deveria ser o capitão e quem levanta o troféu, por tudo o que já fez por nós ao longo da carreira e pela importância que sempre teve na nossa seleção.

Romulo M. Avila/MS

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“O Canadá não está preparado para receber um Campeonato do Mundo” – José Carlos Silva

Créditos: CBC

Com décadas de ligação ao futebol luso-canadiano e ao Gil Vicente Toronto, em particular, José Carlos Silva olha para o Campeonato do Mundo de 2026 com um misto de entusiasmo e ceticismo. Embora reconheça a dimensão histórica do torneio que terá o Canadá como um dos países anfitriões, considera que o evento deixará sobretudo um impacto económico, sem provocar mudanças profundas na realidade do futebol canadiano. Nesta entrevista ao Milénio Stadium, analisa a preparação do país para receber a competição, avalia as hipóteses da seleção canadiana e partilha as suas expectativas para Portugal e para as principais candidatas ao título mundial.

Milénio Stadium: O Campeonato do Mundo de 2026 será o maior da história e terá o Canadá como um dos países anfitriões. Que impacto acredita que este evento terá no desporto canadiano e na forma como o futebol é encarado no país a longo prazo?

José Carlos Silva. DR.

José Carlos Silva: Ok, eu vou ser muito simples. O impacto que vai ter para mim como uma pessoa ligada ao futebol há tantos anos, a nível da comunidade, há 30 e tal anos, não vai ser nenhum.

A mentalidade não mudou. Vai ter impacto a nível financeiro. A nível desportivo, zero.

Porque, para mim, a nível profissional das pessoas ligadas ao futebol rei, a cidade de Toronto em si e o Canadá não estavam preparados (e não estão…) para receber um evento desta dimensão, como um campeonato do mundo.  No Canadá continuam a ser o hóquei, o basquetebol e o basebol os desportos mais protegidos. O Governo, não aposta no futebol.

Por isso, para mim, não vai ser haver impacto nenhum. Vai passar aquela euforia a nível de imigrantes, Alemanha, Portugal e outros imigrantes aqui dos nossos países da Europa, Brasil e o resto, para mim, não vai ter impacto nenhum

MS: Toronto acolherá seis jogos do Campeonato do Mundo, incluindo o primeiro jogo da seleção canadiana em solo nacional. O que significa para uma cidade tão multicultural receber um evento desta dimensão?JCS: Pode significar muito, como de um momento para o outro, nada. Primeiro, não temos estruturas preparadas para fazer jogos desse tipo, como a Europa tem, como a América tem. Isso é um ponto de partida.

Continuo a dizer, nós, canadianos, Toronto, as suas autoridades, as suas pessoas, não estávamos preparados para receber jogos como o campeonato do mundo. E nota-se isso a nível do nosso BMO, do nosso clube de Toronto. Não há nível da Europa e dos outros países que já realizaram o campeonato do mundo. Para mim, vai ser um fracasso. 

MS: O Canadá conta atualmente com uma geração de jogadores que elevou o estatuto da seleção nacional. Até onde acredita que a equipa poderá chegar neste Campeonato do Mundo disputado em casa?

JCS: Cada jogo tem uma história.

Cada equipa depende de si, mas depende também do adversário que vai ter pela frente. Para mim, o Canadá tem 3, 4 jogadores que sobressaem. De resto, não são jogadores de alto gabarito.

São jogadores que a nível internacional se nota que não estão nos grandes patamares, como temos jogadores portugueses, alemães, franceses, etc. 

MS: A comunidade portuguesa é uma das maiores e mais apaixonadas comunidades futebolísticas do Canadá. Que expectativas tem em relação à seleção portuguesa e ao seu desempenho no torneio?

JCS: Eu vou ser sincero. Temos uma geração incrível a nível de jogadores, desde o guarda-redes ao avançado, mas tudo depende do nosso selecionador. É preciso saber pôr as pedras no sítio.

E eu noto que isso não tem acontecido regularmente. Temos um líder, capitão, mas que já não é jogador para 90 minutos. Eu espero que o treinador tenha a força e a coragem de pôr aqueles que estão preparados para fazer 90 minutos e que nos deem a grande alegria.

MS: Olhando para o panorama internacional, quais são, na sua opinião, as três seleções com maior probabilidade de conquistar o Campeonato do Mundo de 2026 e porquê?

JCS: A Alemanha, a Espanha e a Argentina têm sempre uma palavra a dizer, como o Brasil. Mas o Brasil tem sido uma seleção de altos e baixos. E tem havido muitos problemas a nível interno, no balneário, e isso não é bom para um grupo.

Para mim, a Argentina, a Alemanha e a Espanha. A Espanha porque é uma equipa jovem, com muito talento. A Alemanha também. Vem a construir uma equipa com muita força e muito talento.

Madalena Balça/MS

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“Espero que inspire as futuras gerações e desperte um novo sentimento de orgulho e paixão pelo Canadá” – Dwayne De Rosario

Créditos: CBC

Quando Dwayne De Rosario vestia a camisola da seleção canadiana, dificilmente imaginaria que um dia o Canadá receberia jogos de um Campeonato do Mundo de Futebol. Considerado um dos maiores jogadores da história do futebol canadiano, o antigo internacional acompanhou de perto a evolução da modalidade no país e acredita que o Mundial de 2026 representa um momento transformador para o futebol canadiano.

Atualmente embaixador da Cidade de Toronto para o Campeonato do Mundo de Futebol 2026, De Rosario vê o torneio como uma oportunidade única para inspirar as futuras gerações, fortalecer o orgulho nacional e consolidar o crescimento que o futebol tem registado nas últimas décadas. Na sua opinião, a chegada da Major League Soccer ao Canadá foi determinante para mudar a realidade da modalidade, criando novas oportunidades para jovens atletas e aproximando as comunidades em torno do jogo.

Nesta entrevista ao Milénio Stadium, fala sobre o significado de ver o Canadá acolher um Mundial, as expectativas para a seleção nacional, o legado que espera deixar às próximas gerações e as possibilidades de Portugal numa competição que promete captar a atenção do mundo inteiro.

Milénio Stadium: Como antigo internacional canadiano e atual embaixador do Campeonato do Mundo de 2026, o que sente ao ver o Canadá receber, pela primeira vez, jogos de um Mundial masculino em casa?

Dwayne De Rosario: É um momento histórico para o desporto no Canadá, mas sobretudo para o crescimento e a evolução do futebol no país.

MS: Toronto e Vancouver estarão no centro das atenções do mundo do futebol durante várias semanas. Que legado espera que este evento deixe para as futuras gerações de jogadores canadianos?

DdR: Acima de tudo, espero que inspire as futuras gerações e desperte um novo sentimento de orgulho e paixão pelo Canadá, algo que ainda não vimos verdadeiramente neste país.

MS: Quando representava o Canadá, imaginava que o país pudesse um dia organizar um Campeonato do Mundo desta dimensão? O que mudou no futebol canadiano para tornar isso possível?

DdR: Nunca imaginei que o Canadá viesse a organizar um Campeonato do Mundo, sobretudo devido à falta de apoio e de reconhecimento que o futebol recebia. O maior fator de mudança foi a chegada da MLS ao Canadá. Foi isso que impulsionou o crescimento da modalidade e criou oportunidades para os jovens sonharem em jogar numa liga profissional e num ambiente de alto nível. Também permitiu que a comunidade futebolística se unisse e partilhasse a paixão pelo jogo todas as semanas. Isso transformou completamente o panorama do futebol no Canadá.

MS: A seleção canadiana vive atualmente um momento de talento e visibilidade sem precedentes. Quais são as suas expectativas para a equipa e qual considera ser um objetivo realista para o Canadá neste torneio?

DdR: Pessoalmente, sinto-me muito orgulhoso e entusiasmado com o futuro da nossa Seleção Nacional. Os nossos jogadores estão a ter um desempenho extraordinário nas suas carreiras individuais e também enquanto equipa nacional. Agora, as associações e os organismos dirigentes provinciais precisam de acompanhar o talento que existe em campo. Precisamos de mais juventude, novas ideias e uma nova energia nos processos de decisão para levar todo o programa do futebol canadiano a um nível ainda mais elevado.

MS: Portugal continua a ser uma das seleções mais respeitadas do futebol mundial e desperta, naturalmente, enorme interesse junto da comunidade luso-canadiana. Como avalia as hipóteses portuguesas no Mundial e quem considera ser o principal candidato ao título em 2026?

DdR: Portugal sempre foi um país com jogadores muito talentosos e uma equipa altamente competitiva. Acredito que tem excelentes hipóteses de chegar longe neste Campeonato do Mundo.

MB/MS

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“Poderá tornar-se um marco decisivo no crescimento do futebol canadiano” – Samuel Gyeke-Amoako

@FIFA

A menos de um ano do arranque do Campeonato do Mundo de Futebol de 2026, a expectativa continua a crescer em todo o Canadá. Pela primeira vez na história, o país será um dos anfitriões da maior competição futebolística do planeta, acolhendo jogos em Toronto e Vancouver e recebendo adeptos de todos os cantos do mundo. Para muitos especialistas, o impacto do torneio irá muito além das quatro linhas, deixando um legado duradouro ao nível do desenvolvimento do futebol, da participação dos jovens e do fortalecimento da identidade multicultural canadiana.

Para analisar o significado deste momento histórico, o Milénio Stadium conversou com Samuel Gyeke-Amoako, Diretor Técnico e Treinador Principal do Sporting FC de Toronto. Com uma vasta experiência no desenvolvimento de atletas e na formação de jovens jogadores, Gyeke-Amoako acredita que o Mundial poderá transformar a forma como o futebol é encarado no Canadá, inspirando futuras gerações e consolidando o crescimento que a modalidade tem registado nos últimos anos. Nesta entrevista, fala ainda sobre as perspetivas para a seleção canadiana, as hipóteses de Portugal e as equipas que considera favoritas à conquista do título mundial.

Milénio Stadium: O Campeonato do Mundo de 2026 será o maior da história e terá o Canadá como um dos países anfitriões. Que impacto acredita que este evento terá para o desporto canadiano e para a forma como o futebol é visto no país a longo prazo?

Samuel Gyeke Amoako. DR.

Samuel Gyeke-Amoako: O Campeonato do Mundo FIFA 2026 representa um momento histórico para o futebol no Canadá. Embora o entusiasmo imediato seja enorme, o verdadeiro impacto será medido pelo legado que permanecer após o torneio. Acredito que veremos um aumento da participação ao nível da formação, um maior investimento em infraestruturas, formação de treinadores e percursos de desenvolvimento para jogadores, bem como uma ligação mais forte entre o futebol profissional e o comunitário.

Durante muitos anos, o futebol foi um dos desportos mais praticados no Canadá, mas nem sempre recebeu o mesmo reconhecimento que outras modalidades. Organizar um Mundial oferece uma oportunidade única para alterar essa perceção. Os jovens poderão ver atletas de classe mundial a competir nas suas próprias comunidades e acreditar que representar o Canadá no palco internacional é um objetivo alcançável. Se o investimento continuar depois de 2026, este torneio poderá tornar-se um marco decisivo no crescimento do futebol canadiano durante gerações.

MS: Toronto receberá seis jogos do Mundial, incluindo o primeiro encontro da seleção canadiana em solo nacional. O que significa para uma cidade tão multicultural acolher um evento desta dimensão?

SGA:Toronto é uma das cidades mais diversificadas do mundo e o futebol é o desporto que melhor reflete essa diversidade. Cada bairro, comunidade e grupo cultural tem uma ligação ao jogo. Receber o Campeonato do Mundo não é apenas um acontecimento desportivo; é também uma celebração da identidade multicultural da cidade.

O ambiente será único, porque adeptos de todas as partes do mundo já chamam Toronto de casa. Será uma oportunidade rara para diferentes comunidades se reunirem, celebrarem as suas origens e partilharem a paixão pelo futebol. Para muitos recém-chegados e famílias imigrantes, o futebol é uma importante ligação às suas raízes, e o Mundial mostrará como o desporto consegue unir pessoas independentemente da língua, cultura ou origem.

MS: O Canadá conta atualmente com uma geração de jogadores que elevou o estatuto da seleção nacional. Até onde acredita que a equipa poderá chegar neste Mundial disputado em casa?

SGA: O Canadá chega a este Campeonato do Mundo com um nível de confiança e experiência internacional que gerações anteriores não tiveram. Jogadores como Alphonso Davies, Jonathan David, Stephen Eustáquio e outros já provaram o seu valor ao mais alto nível do futebol de clubes e ajudaram a estabelecer o Canadá como uma nação respeitada no panorama futebolístico mundial.

Jogar em casa traz pressão adicional, mas também um enorme apoio dos adeptos. Se a seleção conseguir ultrapassar a fase de grupos, acredito que alcançar os oitavos-de-final ou mesmo os quartos-de-final é um objetivo realista. A partir daí, muito dependerá do momento, da confiança e dos detalhes de cada jogo. Embora a conquista do título continue a ser um desafio considerável, esta equipa tem capacidade para realizar exibições memoráveis e inspirar todo um país.

MS: A comunidade portuguesa é uma das maiores e mais apaixonadas comunidades futebolísticas do Canadá. Que expectativas tem em relação à seleção portuguesa e ao seu desempenho no torneio?

SGA: Portugal continua a ser uma das seleções mais talentosas do futebol mundial. O país desenvolveu uma identidade assente na qualidade técnica, inteligência tática e num excelente sistema de formação que continua a produzir jogadores de elite.

Com uma combinação de líderes experientes e jovens talentos emergentes, Portugal entra na competição como um sério candidato ao título. As expectativas da comunidade portuguesa serão naturalmente elevadas, porque o nível apresentado pela seleção nos últimos anos tem sido excecional. Ganhar um Campeonato do Mundo é sempre extremamente difícil, mas Portugal possui a qualidade, profundidade e experiência necessárias para competir com as melhores equipas do mundo e chegar longe na prova.

MS: Olhando para o panorama internacional, quais são, na sua opinião, as três seleções com maiores probabilidades de conquistar o Campeonato do Mundo de 2026 e porquê?

SGA: As minhas três escolhas seriam Portugal, Gana e França.

Portugal continua a ser uma das equipas mais completas do futebol internacional. O seu sistema de formação produz constantemente jogadores tecnicamente evoluídos e taticamente inteligentes, além de possuir um excelente equilíbrio entre experiência e juventude. Tem a qualidade e profundidade necessárias para competir com qualquer seleção.

Gana talvez não seja vista como uma das favoritas tradicionais, mas admito que existe aqui alguma ligação pessoal. Como alguém com raízes ganesas, apoiarei sempre os Black Stars. Ainda assim, Gana tem demonstrado repetidamente a sua capacidade para competir ao mais alto nível, produzindo jogadores talentosos que atuam nas principais ligas europeias. O seu atletismo, paixão e resiliência fazem dela uma equipa capaz de surpreender muita gente.

A França continua a ser uma das grandes potências do futebol mundial. A profundidade do seu talento e a experiência acumulada em grandes competições fazem dela uma candidata permanente ao título. Tem demonstrado capacidade para chegar às fases decisivas dos grandes torneios e adaptar-se a diferentes adversários e contextos de jogo.

Se me fosse permitida uma quarta escolha, seria sem dúvida o Canadá. Existe algum favoritismo, naturalmente, por ser o meu país, mas a verdade é que o crescimento do futebol canadiano na última década tem sido notável. A jogar em casa, apoiado por adeptos apaixonados e liderado por uma geração talentosa de jogadores, o Canadá tem a oportunidade de criar momentos especiais e continuar a inspirar as futuras gerações de futebolistas.

A beleza do Campeonato do Mundo está precisamente na sua imprevisibilidade. Estas são as minhas escolhas, mas todos os torneios produzem surpresas e é isso que faz do Mundial o evento desportivo mais fascinante do planeta.

Madalena Balça/MS

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Campeonato do Mundo de Futebol: A bola vai começar a rolar

FIFA Fan Festival @Toronto

Vamos começar por lembrar o que já todos sabem – pela primeira vez na história, o Campeonato do Mundo de Futebol vai disputar-se também em solo canadiano (para além dos jogos nos EUA e México). Toronto e Vancouver são as duas cidades canadianas, do total de 16 cidades anfitriãs. Toronto acolhe seis partidas entre junho e julho de 2026, incluindo o histórico jogo inaugural da seleção canadiana a 12 de junho. Esta será a primeira vez que uma seleção masculina de futebol do Canadá jogará um Mundial em casa.

Para além dos jogos no BMO Field, a cidade criou um espaço de celebração coletiva acessível a todos: o FIFA Fan Festival@Toronto. Localizado em Fort York National Historic Site e The Bentway, o festival será o ponto de encontro oficial dos adeptos durante todo o torneio. Trata-se, afinal, de um espaço oficial da FIFA onde residentes e visitantes poderão assistir aos jogos em ecrãs gigantes, participar em atividades culturais e viver o ambiente do Mundial sem precisar de entrar no estádio. O tema escolhido pela cidade, “The World in a City”, reflete a identidade multicultural de Toronto, uma das cidades mais diversas do mundo, onde mais de 200 línguas são faladas e onde o futebol é uma paixão transversal a muitas das comunidades aqui residentes.

O FIFA Fan Festival@Toronto democratiza assim o acesso ao Mundial: quem não tem bilhete para o estádio pode viver a experiência da competição com a mesma intensidade, rodeado de adeptos de todo o mundo, em pleno coração da cidade. As entradas gratuitas esgotaram rapidamente, mas quem puder e quiser gastar algum dinheiro, há ainda disponíveis bilhetes Premium que dão acesso a locais com visão privilegiada e condições logísticas diferenciadas.

Preparem os cachecóis, as bandeiras, afinem as gargantas e treinem o coração para emoções fortes. A bola vai começar a rolar. Que ganhe o melhor!  

Clique AQUI para garantir o Calendário oficial dos jogos do mundial.

 

FASE DE GRUPOS

  • Portugal x RD Congo
  • Data: 17 de junho de 2026
  • Hora no Canadá: 13:00 (EDT)
  • Local: NRG Stadium, Houston (Texas, EUA)

  • Portugal x Uzbequistão
  • Data: 23 de junho de 2026
  • Hora no Canadá: 13:00 (EDT)
  • Local: NRG Stadium, Houston (Texas, EUA)
  • Colômbia x Portugal
  • Data: 27 de junho de 2026
  • Hora no Canadá: 19:30 (EDT)
  • Local: Hard Rock Stadium, Miami Gardens (Flórida, EUA)

 

  • Canadá x Bósnia e Herzegovina
  • Data: Sexta-feira, 12 de junho de 2026
  • Hora: 15:00
  • Local: BMO Field (Toronto, ON)
  • Canadá x Qatar
  • Data: Quinta-feira, 18 de junho de 2026
  • Hora: 18:00
  • Local: BC Place (Vancouver, BC)
  • Suíça x Canadá
  • Data: Quarta-feira, 24 de junho de 2026
  • Hora: 15:00
  • Local: BC Place (Vancouver, BC)

Os números do Campeonato

  • 48 seleções
  • 1.248 jogadores
  • 104 partidas disputadas no Canadá, México e Estados Unidos

  • 57 jogadores retornam após terem integrado pelo menos uma convocação para Campeonatos do Mundo anteriores

  • 891 atletas disputarão o torneio pela primeira vez

  • Mais de 25 anos separam o jogador mais velho da competição, o guarda-redes escocês Craig Gordon (43 anos e 162 dias), do mais jovem, o mexicano Gilberto Mora (17 anos e 240 dias)

  • 22 jogadores têm menos de 20 anos

  •  7 atletas têm 40 anos ou mais

  • 22 campeões mundiais retornarão ao principal palco do futebol internacional.

  • Cabo Verde, Curaçao, Jordânia e Uzbequistão disputarão o Campeonato do Mundo da FIFA pela primeira vez

  • Lionel Messi, Cristiano Ronaldo e Guillermo Ochoa estão prestes a disputar o 6º Campeonato do Mundo, estabelecendo um novo recorde de participações

  • Carlos Queiroz, atualmente à frente de Gana, que trabalhará no seu 5º Campeonato do Mundoconsecutivo.

Seleção Portuguesa

Guarda-redes

Diogo Costa (Porto – Portugal) José Sá (Wolverhampton – Inglaterra) Rui Silva (Sporting – Portugal) Ricardo Velho (Gençlerbirligli – Turquia)

Defensores

Diogo Dalot (Manchester United – Inglaterra) Matheus Nunes (Manchester City – Inglaterra) Nélson Semedo (Fenerbahce – Turquia) João Cancelo (Barcelona – Espanha) Nuno Mendes (Paris Saint-Germain – França) Gonçalo Inácio (Sporting – Portugal) Renato Veiga (Villarreal – Espanha) Rúben Dias (Manchester City – Inglaterra) Tomás Araújo (Benfica – Portugal)

Meio-campistas

Rúben Neves (Al-Hilal – Arábia Saudita) Samuel Costa (Mallorca – Espanha) João Neves (Paris Saint-Germain – França) Vitinha (Paris Saint-Germain – França) Bruno Fernandes (Manchester United – Inglaterra) Bernardo Silva (Manchester City – Inglaterra)

Atacantes

João Félix (Al-Nassr – Arábia Saudita) Francisco Trincão (Sporting – Portugal) Francisco Conceição (Juventus – Itália) Pedro Neto (Chelsea – Inglaterra) Rafael Leão (Milan – Itália) Gonçalo Guedes (Real Sociedad – Espanha) Gonçalo Ramos (Paris Saint-Germain) Cristiano Ronaldo (Al-Nassr – Arábia Saudita)

Seleção Canadiana

O técnico Jesse Marsch convocou 26 jogadores para representar a seleção masculina do Canadá na Copa do Mundo. A lista oficial é liderada por grandes nomes como Alphonso Davies e Jonathan David.

Confira a lista completa de convocados:

Guarda-redes:

  • Maxime Crépeau
  • Owen Goodman
  • Dayne St. Clair

Defesas:

  • Moïse Bombito
  • Derek Cornelius
  • Alphonso Davies
  • Luc de Fougerolles
  • Alistair Johnston
  • Alfie Jones
  • Richie Laryea
  • Niko Sigur
  • Joel Waterman

Médios:

  • Ali Ahmed
  • Tajon Buchanan
  • Mathieu Choinière
  • Stephen Eustáquio
  • Ismaël Koné
  • Liam Millar
  • Jonathan Osorio
  • Nathan Saliba
  • Jacob Shaffelburg
  • Marcelo Flores

Avançados:

  • Jonathan David
  • Promise David
  • Cyle Larin
  • Tani Oluwaseyi

Clique AQUI para obter o infográfico com as informações acima.

Créditos: MDC Media Group 

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