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Portugal de Lés-a-Lés: De Oásis em Oásis até ao descanso nas termas

Animação extraordinária ajudou a ultrapassar etapa abrasadora entre Alcochete e São Pedro do Sul

Foi um dia quente, muito quente mesmo, o vivido na segunda etapa do 28.º Portugal de Lés-a-Lés que levou a longa caravana mototurística de Alcochete a São Pedro do Sul. A temperatura andou regularmente acima dos 35º C e só a gigantesca animação nos setes (!) Oásis ajudou a ultrapassar as dificuldades dos 413 quilómetros ampliadas pela intensa canícula. Mais um dia de grande intensidade e elevada exigência para ficar na história da grande aventura gizada pela Federação de Motociclismo de Portugal. Um ‘esforço’ que todos reconheceram “ter valido bem a pena”, num dia em que a regularidade foi palavra de ordem para cumprir o percurso dentro das 11 horas e 20 minutos previstas.

Talvez por isso os participantes apresentaram-se sem atrasos à partida da Avenida D. Manuel I, despedindo-se de Alcochete com Lisboa em pano de fundo, tentando também escapar à confusão do trânsito normal de uma sexta-feira, ampliada pelas centenas de motociclistas que só queriam sair dali rumo às estradas mais despovoadas da lezíria ribatejana. As longas retas até Santo Estevão ajudaram a acordar os mais renitentes, mas não preparam ninguém para a grande festa instalada pelos elementos do Almansor Motor Clube, com apoio da Junta de Freguesia e da Câmara Municipal de Benavente. O mais divertido dos controlos que contou com importante contributo da Cambota, a vaca que era necessário desafiar para conseguir o furinho na tarjeta que atesta a passagem na totalidade dos controlos horários.

Desafio e correrias à frente do pequeno bovino que abriram o apetite para as bifanas e chouriço assado bem como para a gigantesca variedade de bolos e doçarias a acompanhar o café do pote. Bolos de laranja, de iogurte, de bolacha, de noz, de cerveja, de lima, de limão, de coco, tartes de feijão e de amêndoa e tantos outros bolos caseiros, feitos e oferecidos por toda a comunidade de Santo Estevão. A oferta era tão extensa que a grande dificuldade estava mesmo na escolha.

Quem não teve esse embaraço foi o pequeno José Ledo que, aos sete anos, cumpriu um sonho que dura, imagine-se há quatro anos. Desde que o pai, com o mesmo nome, lhe ofereceu uma pequena moto que “chateia sem parar para vir ao Lés-a-Lés. E agora que tem idade legal para andar de moto não havia como não o trazer”. Misturando uma grande alegria com a timidez própria da idade, o mais pequeno dos Zés reconheceu, entre sorrisos, que “o calor fez sofrer um bocadinho, mas já estava preparado para aguentar”.

Mais interessante foi a resposta ao melhor momento desta grande aventura ao longo do País: “Sem dúvida as bolas de Berlim da Honda! Os bolos de Santo Estevão? Pareciam ótimos, mesmo sem ter provado, porque ainda estava muito cheio do pequeno-almoço no hotel”. E lá seguiu supersatisfeito à pendura do pai e com a companhia de amigos de Esposende, mas também de outras localidades do Minho e até da vizinha Galiza.

Valiosa e demonstrando grande conhecimento de causa, foi também a dica dada por Rodrigo Ribeiro em Santo Estevão de que “as vacas são mais perigosas porque marram de olhos abertos, ao contrário dos bois que fecham os olhos quando investem”. Curiosamente, o ex-deputado do PSD aprendeu esta singularidade bem conhecido do mundo tauromáquico graças aos ensinamentos de João Oliveira, ex-presidente da bancada parlamentar… do PCP.

Retas e mais retas… antes de muitas curvas

Saídos de Santo Estevão, lá continuaram as intermináveis retas num dia em que as paisagens foram bem mais variadas do que as estradas, que variaram entre as retas, até à travessia do Tejo, em Constância, seguindo-se um festival de curvas, com uma segunda parte da etapa em troços de montanha.

Retas que levaram o pelotão até Fazendas de Almeirim, onde foram bem exaltadas as tradições ribatejanas do toureio, mas também da sopa da pedra e do pampilho. Mais um arraial montado na Junta de Freguesia, com o apoio da BMW Motorrad, dos Aceleras da Charneca e d’Os Cagões das BMW, além da animação do Rancho Folclórico local, e que até contou com cerimoniosa visita do presidente da Câmara Municipal de Almeirim, Joaquim Catalão.

Momento de festa ímpar, ora com uma tourinha, o boneco de touro para treinar as pegas de caras, ora dançando ao som de um artista local, ora cumprindo um dos principais desígnios do Lés-a-Lés: a descoberta gastronómica! Quer provando a bem conhecida sopa da pedra como o doce típico de Santarém, o pampilho, homenagem aos campinhos que na lezíria guardam os touros. O nome foi escolhido pela semelhança com a vara comprida usada pelos campinos para dirigir os animais, e o doce foi criado, há cerca de 30 anos, na Pastelaria Acides, local onde os alunos da Escola Agrária da região e a elite dos ‘forcados de Santarém’ se reuniam habitualmente para confraternizar.

Desta maneira foi criada uma doce homenagem às gentes ribatejanas, ligando os mais conhecidos ‘ex-líbris’ do Ribatejo (o touro e o cavalo), com um doce com cerca de 19/20 cm de comprimento por 4,5 cm de largura e 2 cm de espessura, numa cor amarelo-vidrada e tostada na parte superior, tendo como ingredientes farinha, açúcar em pó, ovos e manteiga e um recheio de doce de ovos com amêndoa.

Digestão dos bolos e da galhofa

Para fazer a digestão dos tesouros gastronómicos, mas também da barrigada de galhofa e boa disposição, nada como as estradinhas entre os verdejantes campos que aproveitam a fertilidade do vale do Tejo, antes da passagem por terras de fortes tradições no motocrosse. Benavente, Salvaterra de Magos, Glória do Ribatejo, Paço dos Negros e Raposa são nomes bem conhecidos dos adeptos da modalidade graças às pistas ali existentes.

E que ficarão na memória do galego Agustin Abalde Grela que viu a Serveta Jet 200 ficar com o depósito seco, talvez pela ‘estonteante’ velocidade que as longas retas permitiram a esta moto, fabricada em Espanha entre as décadas de 1960 e ’80 sob licença da Lambretta. Mais um problema “a juntar aos verificados no primeiro dia, quando a roda traseira desapertou-se ou as tampas laterais que caíram”. Quem parecia mais divertido com azares alheios era o companheiro, Pedro de La Fuente, normalmente vítima maior de todos os contratempos na sua Lambretta LI 150. E que, por esses e por outros obstáculos, só à terceira tentativa conseguiu cumprir o desejo de participar no Portugal de Lés-a-Lés. Primeiro foi a pandemia de Covid-19 em 2020 e no ano passado foram os problemas na máquina”.

Quem também teve problemas mecânicos foi o ex-piloto de enduro e Todo-o-Terreno Rodolfo Sampaio, que viu saltar o veio da transmissão da raríssima Honda 50 importada dos Estados Unidos. Uma falha já na parte final do dia que obrigou a reparação de improviso na berma da estrada, mas não ensombrou o mesmo sorriso que, curiosamente, se vira durante a manhã, mesmo à entrada de Santo Estevão, num grande cartaz de consultor imobiliário.

Lições gravadas na pedra

Também ele apreciou as vistas Oásis Yamaha/Bluemotor, com vistas sobre o Castelo de Almourol, onde o ‘road-book’ oferecia mais uma lição de história ao ensinar a muitos que as ameias da construção defensiva criada pelos mouros e reforçada pelo templário Gualdim Pais foram, afinal, colocadas durante o Estado Novo. E, depois da travessia por bucólicos azinhais e carvalhais, árvores que os motociclistas ajudam a proteger com a campanha Reflorestar Portugal de Lés-a-Lés, tempo para novo Oásis, do Grupo Jomotos, em Santiago da Guarda, mesmo junto ao interessante Solar dos Condes de Castelo Melhor, antes de nova paragem em Vila Nova de Poiares, bem no centro da Capital da Chanfana.

Depois atravessando e bordejando o Mondego, a caravana foi vivendo a mudança de paisagens rumo a Penacova, com destino final à centenária Mata Nacional do Bussaco para mais uma animada e bem nutrida paragem na Porta de Sula. Local onde o Grupo Multimoto montou mais um Oásis, bem encostado aos muros que protegem a magia de mais de 40 hectares de uma floresta ímpar que a Fundação Mata do Bussaco gentilmente permitiu aceder de moto, passando pela Porta da Rainha rumo ao palácio mandado construir pelo Rei D. Carlos I e onde havia a obrigação de parar. Se não para apreciar o Palácio do Bussaco, pelo menos para fazer mais um furo na tarjeta, saindo depois pela Porta das Ameias em direção ao Luso.

Já com São Pedro do Sul no pensamento dos aventureiros, mais um Oásis, no espetacular parque de São João do Monte, onde a Cross-Pro ofereceu a água mais fresca do dia e um pão de chouriço, recheado também com cogumelos e azeitonas.

De barriga cheia, preparados para aguardar o momento de subida ao palanque, os mototuristas ainda tiveram tempo para uma boa dose de diversão no fantástico sobe-e-desce em estradas do Caramulo, pela Torre de Alcofra, a mais bem preservada das três de Vouzela, antes de passar pelas Termas de São Pedro do Sul e chegar, logo depois, à sede de concelho no Vale de Lafões. Local de onde parte a última tirada, até Vizela, que, mesmo sendo a mais curta, com ‘apenas’ 320 quilómetros de extensão será ‘osso duro de roer’. Ou não estivesse o Lés-a-Lés no norte de Portugal.

(Colaboração do Gabinete de Imprensa do Portugal de Lés-a-Lés)

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Calor intenso ampliou dificuldades na 1.ª etapa do Lés-a-Lés entre Faro e Alcochete

Etapa longa de 425 quilómetros com emoções fortes e muito entusiasmo

Prometia muito e não desiludiu a primeira etapa do 28.º Portugal de Lés-a-Lés, com muitas surpresas e emoções fortes na ligação entre Faro e Alcochete, longa de 425 quilómetros. Foram mais do que as previstas 10 horas e meia entre a capital algarvia e a Avenida D. Manuel I sobranceira ao estuário do Tejo, num dia com estradas para todos os gostos. Desde a recurvada serra algarvia às retas da lezíria, do pitoresco e pouco conhecido barrocal algarvio aos verdejantes arrozais do Sado, passando pelas praias da Costa Vicentina, numa tirada por vezes bem rebuscada para encontrar alternativas a algumas das estradas aluídas no último inverno.

Para aproveitar ao máximo toda a potencialidade da jornada inaugural da grande maratona mototurística havia que ser madrugador, com o arranque do centro de Faro a partir das 6 horas e passagem rápida pela placa que, em Portugal, assinala a maior distância entre localidades, com os 738,5 km da sempre festejada N2 que leva até Chaves. Apesar de tocar várias vezes na Estrada Património, era diferente o caminho da caravana, saindo por entre laranjais, alfarrobeiras, oliveiras e figueiras, à descoberta de um Algarve bem diferente das turísticas paisagens da orla costeira.

Uma região bem representada por Alte, conhecida como a aldeia mais típica do Algarve, distinta pela arquitetura mediterrânica, com casas caiadas de branco e chaminés rendilhadas que contrastam com o arvoredo e com o rosa e laranja das buganvílias. Aldeia de Alte, que disputou com Monsanto o título da Aldeia Mais Portuguesa de Portugal em 1938 acabando por ganhar o título de Aldeia Cultural.

28.º Portugal de Lés-a-Lés

E se é certo que ninguém viu a cascata mais imponente do distrito, a famosa Queda do Vigário, e que dizem ser a mais ‘instagramável’ de Portugal, nem as 500 camisolas com que Pedro Pirralho, do café Germano BiciArte, decora a rua para a passagem das provas de ciclismo nas mesmas estradas divertidas e com belas paisagens que a caravana atravessou, outras coisas viu a longa e heterogénea caravana.

Vacas dançantes, burros casadoiros e outros animais bizarros

Viu as já famosas e divertidas ‘vaquinhas’ do Moto Clube de Albufeira mais os seus pastores e ‘pastoras’ e viu gente inquebrantável que luta contra a desertificação do interior. População bem representada pela presidente da Junta de Freguesia, Elisabete Luz, sempre entusiasmada e incansável na tentativa procurar apoios para a fixação dos mais jovens e da natalidade bem como de combater o envelhecimento dos pouco mais de 1700 residentes numa freguesia que conta com 1558 eleitores inscritos. É só fazer as contas…

Vá lá que vão surgindo alguns estrangeiros que se apaixonam perdidamente pela região, sobretudo belgas e franceses, mas também um curioso casal anglo-australiano que, além das várias propriedades que possui no concelho e entre os vários investimentos concretizados, produz várias qualidades de cerveja artesanal. Que, pasme-se!, são batizadas com o nome dos burros da casa, como Clara que dá título comercial à Blonde Ale, Baltazar, a cerveja mais potente, ou Chico Bento, o burro capado, para a cerveja sem álcool. Mais curioso é o facto de estar marcada para dia 19 de junho a ‘festa de noivado’ da Clara e do Baltazar, no preciso dia em que a burra faz anos esperando-se mais burrinhos dentro de pouco mais de ano.

Uma manhã que começou fresca e que viu os participantes arrancarem o mais cedo possível para fugir à canícula que se adivinhava. Temperaturas elevadas que os ciclistas bem conhecem da Volta ao Algarve, utilizando as mesmas estradas para subir ao Alto do Malhão. Um privilégio descobrir por onde passaram Juan Ayuso, Jonas Vingegard, Remco Evenepoel, João Almeida e outros nomes grande do pelotão mundial e pensar que pedalaram por estas encostas e pelas divertidas e paisagísticas estradas da crista da serra.

28.º Portugal de Lés-a-Lés

O que eles não fizeram, ao contrário de todos os participantes do Portugal de Lés-a-Lés, foi a travessia a vau da ribeira de Odelouca. Na verdade, um pequeno fio de água, que mal deu para molhar os pneus, ao contrário do que se verificou no início do ano onde só de barco a motor ou, na melhor das hipóteses, de moto de água se conseguiria passar. Também sem complicações foram cumpridos os 900 metros em piso de terra para que o ‘road-book’ alertava e que, afinal, estavam em melhor estado que muitas estradas asfaltadas que o pelotão encontraria um pouco mais tarde.

Mas o pó que o calor ajudava a levantar à passagem de cada moto foi ‘limpo’ no Oásis de São Marcos da Serra com um excelente sumo natural, espremido ali mesmo das laranjas de Silves era acompanhado pelos ‘Esses’, bolos caseiros de forma bem condizente com as estradas da região, e o café de panela, adocicado com casca de limão. Simplesmente delicioso!

Aliás, se algo fica na memória dos participantes deste dia de aventura mototurística, foi o autêntico festival de descobertas gastronómicas proporcionado durante toda a etapa, havendo tempo para provar o Bolo do Tacho de Monchique, também conhecido por Bolo de Milho ou Bolo de Maio. Um doce tradicional feito com café, milho, especiarias e mel, bastante denso, aromático e cheio de sabor, e que é cozido no forno. E que está inscrito no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial segundo anúncio publicado no Diário da República nº 67/2025, Série II de 4 de abril de 2025. Ah, pois é!

‘Olh’á Bola de Berlim’, grita-se na praia

Para digerir tão distinta gulodice nada como as estradas e estradinhas sinuosas rumo a Odemira, o concelho com a maior área em Portugal, entrando no Alentejo pela ribeira de Seixe, através da quietude do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, havendo quem tenha feito um pequeno desvio até ao Cabo Sardão, seguindo o conselho do ‘road-book’ para ver o farol construído ao contrário, com a torre voltada para terra e a casa do faroleiro virada para o Atlântico.

Uma raridade técnica e arquitetónica que ficou a dever-se a desentendimentos entre os engenheiros e o construtor deste farol com 15 metros de altura. que entrou em funcionamento em 1915, na ponta mais ocidental da costa alentejana. Não menos curioso foi o avistamento de zebras, Kobus Leche e avestruzes mesmo antes da descida para a praia do Carvalhal.

E ainda a pensar num dos mais bizarros faróis da nossa costa e nos animais exóticos, lá foram os mototuristas através da Zambujeira do Mar até Almograve onde se voltou a ver o Atlântico, debaixo de uma tenda que proporcionou um momento de muito apreciada frescura. Espaço montado pela Honda onde foi possível hidratar e descansar um pouco, enquanto saboreavam as melhores Bolas de Berlim do Mundo. Bem, pelo menos do Lés-a-Lés, esse evento mototurístico onde as surpresas podem estar ao virar de qualquer curva.

‘Pôrra, estás na Abela’

Às portas de Porto Covo, mas sem entrar no lugar imortalizado pela voz lânguida de Rui Veloso, a despedida do litoral encaminhou a trupe para a grande surpresa do dia. Uma autêntica romaria montada em Abela que deixou todos de ‘queixos no chão’, proporcionada pelos habitantes da aldeia do concelho de Santiago do Cacém, liderados pela Guida e Josélia, as esposas do André e Orlando que, entretanto, andavam a divertir-se com os amigos no Lés-a-Lés, pois claro.

28.º Portugal de Lés-a-Lés

Mais a sério, a festa foi tal que, sobretudo depois da fabulosa açorda à alentejana e dos doces regionais acompanhados por jovens cantadores e música de baile, muitos ponderaram seriamente não mais sair dali até à noite, quase esquecendo que ainda faltavam bastantes quilómetros até Alcochete.

Para ganhar tempo e evitar ‘voltas e revoltas’, sobretudo devido ao aluimento da estrada em S. Romão do Sado, valeu a ajuda do piloto de todo-o-terreno e Campeão Europeu de Bajas, David Megre, que permitiu a travessia do Sado pela Herdade de Benagasil. Onde não faltaram ‘As meninas da Ribeira do Sado’ e alguma areia. E se às primeiras, resultado da divertida e profícua parceria entre o Moto Clube do Porto e Motards do Ocidente, todos acharam graças, o mesmo não se pode dizer da areia fofa que valeu alguns sustos, mesmo aos mais experientes.

Mas houve estreantes que quase se aventuravam, como aconteceu com Sameiro Sá Carneiro que, depois de 20 edições à pendura do marido, Filipe Raposo, ganhou coragem para encarar a longa maratona aos comandos da Honda CB500F. Para trás, garante, “ficou a descontração e maior possibilidade de apreciar a paisagem que se usufruiu do lugar do passageiro, e aumentou o stress de condução, sempre atenta à estrada, sobretudo para quem só tem a carta de condução há um ano e com pouco mais de mil quilómetros de experiência”. Mas, chegados à areia, foi o próprio marido, preocupado com o bem-estar da esposa (e talvez para evitar possíveis custos de oficina…) que se prontificou a atravessar uma centena de metros de piso mais movediço e algo traiçoeiro.

De coração cheio na Barrosinha

Foi a última ‘exigência’ de um dia longo, mas ainda havia outra paragem, um Oásis num sítio muito especial, a Herdade da Barrosinha que os motociclistas, impulsionados pelo Grupo de Acção Motociclista, ajudaram ao equipar com eletrodomésticos as 17 casas afetadas pelos temporais de janeiro, quando o Sado galgou margens e entrou porta adentro sem pedir licença, destruindo tudo o que encontrou pelo caminho.

28.º Portugal de Lés-a-Lés

No Oásis Cam-Am, montado pelo piloto e preparador ‘dakariano’ Mário Franco, muitos ficaram a conhecer, na primeira pessoa, a história de 17 famílias que, na realidade, é apenas uma. Primas e irmãs, tias e sobrinhas, mães e filhas que tiveram direito a um carinho muito especial de todos os participantes nomeadamente Pedro Guedes, que ficou “enternecido com a história de vida destas mulheres. Uma foto e um miminho era o mínimo que podia fazer por estas pessoas” reconheceu o modelo, ator e ‘influencer’ convidado pela Multimoto para descobrir o Lés-a-Lés.

Agora sim, estava ‘ganho o dia’, e faltava apenas descobrir a estreante Alcochete, com a festa do palanque final e jantar servido pelos três motoclubes locais (Grupo Motard de Alcochete, GM do Convento e Os Flamingos Samouco) na ribeirinha Avenida D. Manuel I, rei aqui nascido em 1469. Local de onde parte a maior caravana mototurística europeia rumo a São Pedro do Sul, para uma jornada de 413 quilómetros, com saída desde as 6 horas e mais de 11 horas de viagem através do Ribatejo e charnecas passando pelos granitos do Caramulo até à famosa vila termal. Onde será complicado antecipar se os participantes ficarão mais satisfeitos por ver os rostos sorridentes da equipa de animadoras do palanque “Lynn & Co.” ou as mãos milagrosas dos osteopatas da Osteomotus. Aceitam-se apostas…

Com colaboração do Gabinete de Imprensa do Portugal de Lés-a-Lés
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Centenas trocaram motos por viagem de barco à Culatra antes do arranque do Portugal de Lés-a-Lés

O passeio de abertura do 28º Portugal de Lés-a-Lés levou esta quarta-feira centenas de motociclistas à ilha da Culatra, «descobrindo o verdadeiro pulmão marinho do sotavento algarvio» antes do arranque do evento mototurístico.

Foi «a primeira vez na história do evento que os participantes deixaram terra firme e trocaram as motos pela viagem no barco, através dos canais da Ria Formosa», refere a Federação de Motociclismo de Portugal (FMP).

Levar todos os participantes no Lés-a-Lés à descoberta de uma das ilhas barreira que delimitam a Ria Formosa a sul obrigou a uma complexa logística de viagens, de e para Faro, em que o barco Mira Sado trabalhou mais do que nos melhores dias de Verão.

A confirmação foi dada por Geraldo Carmo, o presidente da Associação de Moradores da Ilha da Culatra (AMIC), que enalteceu «a vitalização da economia local, nomeadamente da restauração, ao receber um grupo tão grande de pessoas que chegam com um espírito diferente, para divertir-se num animado convívio e numa agradável interação com a população local», lê-se, em comunicado.

À saída do barco, no porto da Culatra, os marinheiros de ocasião foram recebidos, de forma surpreendente e divertida, pelos ilhéus, no ponto alto deste primeiro dia do Portugal de Lés a Lés.

Para os participantes, a jornada começou cedo para as primeiras equipas, com verificações técnicas e documentais desde as 8h30, no Largo de São Francisco.

Na quinta-feira, dia 11, os motociclistas arrancarão a partir das 6h00 para os 425 quilómetros da 1ª etapa, ligando Faro a Alcochete.

Cerca de 10 horas e meia de condução através da serra algarvia, com passagem pelo Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, até às portas ribatejanas de Alcochete, onde os primeiros motociclistas são esperados a partir das 16h30.

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