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Ovos processados têm melhor resultado desde 2006 nas exportações

As exportações brasileiras de ovos processados registraram o melhor desempenho para o período entre janeiro e maio desde o início da série histórica, em 2006. O resultado ocorre em meio a uma retração dos embarques totais de ovos e a um mercado interno mais fraco, marcado pela desaceleração da demanda e queda nos preços.

Dados da  Secex (Secretaria de Comércio Exterior), compilados pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), mostram que o Brasil exportou 12,39 mil toneladas de ovos in natura e processados nos cinco primeiros meses de 2026. O volume representa uma queda de 32,5% em relação ao mesmo período do ano passado, quando os embarques somaram 18,36 mil toneladas.

Somente em maio, as exportações totalizaram 2,18 mil toneladas, recuo de 5,7% frente a abril e de 59% na comparação com maio de 2025.

Apesar da redução no volume total exportado, os ovos processados ganharam espaço na pauta exportadora. Entre janeiro e maio, o Brasil embarcou 3,99 mil toneladas dessa categoria, o equivalente a 32% das exportações nacionais de ovos.

Segundo pesquisadores do Cepea, trata-se da maior participação dos produtos processados nas vendas externas para o período desde 2006, indicando uma mudança gradual no perfil das exportações brasileiras do setor.

Enquanto os embarques mostram uma maior presença de produtos com valor agregado, o mercado doméstico enfrenta um cenário de demanda mais fraca. De acordo com levantamento da Scot Consultoria, após uma primeira quinzena marcada por reajustes positivos, o mercado perdeu força nas últimas semanas.

A consultoria aponta que o consumo mais contido obrigou o varejo a realizar promoções para manter o giro das mercadorias, pressionando as cotações ao longo da cadeia.

Nas granjas de São Paulo, o preço da caixa com 30 dúzias de ovos recuou 3% na semana, sendo comercializada, em média, a R$ 131,50. No atacado, a queda foi de 2,9%, com a caixa negociada a R$ 136,00, em média.

Segundo a Scot, a queda das temperaturas tem evitado desvalorizações mais intensas, uma vez que o clima mais frio aumenta a durabilidade dos ovos e reduz a pressão por vendas imediatas. Ainda assim, a expectativa para o curto prazo é de manutenção de um mercado enfraquecido, com demanda limitada e preços pressionados.

https://stories.cnnbrasil.com.br/?post_type=web-story&p=587567

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União Europeia oficializa veto à carne brasileira a partir de setembro

A União Europeia (UE) oficializou a proibição da importação de carnes, tripas, peixe e mel produzidos no Brasil. A medida, publicada no Diário Oficial do bloco na última sexta-feira (5), entrará em vigor a partir do dia 3 de setembro deste ano.

O anúncio ocorre cerca de um mês após o início da vigência provisória do acordo comercial entre o Mercosul e a UE.

Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não apresentou garantias documentais de que sua cadeia produtiva cumpre as exigências sanitárias do bloco. A principal divergência envolve o uso de medicamentos antimicrobianos para tratar e prevenir infecções em animais, prática monitorada de perto pela política europeia de segurança alimentar e saúde pública, conhecida como One Health.

Substâncias restritas e exigências

Em abril, o governo brasileiro chegou a proibir parte dos antimicrobianos utilizados para estimular o crescimento e a produtividade animal, mas a UE considerou as salvaguardas insuficientes. A restrição europeia atinge diretamente substâncias como:

  • Virginiamicina;
  • Avoparcina;
  • Tilosina;
  • Espiramicina;
  • Avilamicina;
  • Bacitracina.

A decisão tem caráter regulatório e foca na rastreabilidade sanitária e na certificação, não significando que os alimentos estejam contaminados por medicamentos.

Para retomar as vendas ao bloco, que figura entre os principais mercados em valor para a carne bovina brasileira, o País precisará comprovar o cumprimento das regras durante todo o ciclo de vida dos animais.

Para isso, as alternativas do setor envolvem a ampliação das restrições legais aos medicamentos ou a criação de mecanismos mais rígidos de rastreabilidade, o que aumenta os custos operacionais de produtores e frigoríficos.

Reação do setor produtivo

Procurada pela reportagem, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) manteve o posicionamento divulgado no mês passado, quando a comissão europeia antecipou a decisão. A entidade afirmou que a produção brasileira atende aos requisitos regulatórios de mais de 170 países por meio de controles oficiais e sistemas de rastreabilidade.

Em nota, a associação declarou que "o setor privado vem trabalhando em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) na elaboração de protocolos voltados ao atendimento das novas exigências europeias, além de manter diálogo técnico e colaboração com as autoridades competentes sobre o tema".

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Guilherme Coelho demonstra preocupação com inclusão da uva em possível tarifa dos EUA

Os Estados Unidos propuseram uma tarifa de importação de 25% sobre uma ampla gama de produtos brasileiros. Somada a uma taxa adicional de 12,5% por supostas falhas no combate ao trabalho forçado, a cobrança pode elevar os impostos sobre exportações brasileiras para até 37,5%.

A medida, anunciada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), ainda está em fase de negociação e consulta pública e só deve entrar em vigor em 15 de julho caso não haja acordo entre os dois países.

Em entrevista à Rádio Jornal nesta sexta-feira (5), o presidente do Conselho de Administração da Embrapa, Guilherme Coelho, afirmou que parte da fruticultura brasileira escapou da proposta tarifária, mas alertou para os impactos sobre a produção de uva do Vale do São Francisco.

“A primeira novidade, que é uma excelente novidade para nós aqui do Vale do São Francisco, chama-se manga. A manga não entra nisso”, afirmou.

Segundo Coelho, frutas como goiaba, abacaxi, abacate, mamão, banana e kiwi também ficaram fora da lista de produtos que poderão ser atingidos pelas novas tarifas. A principal preocupação do setor está concentrada na uva, uma das principais culturas exportadas pela região para o mercado norte-americano.

“O que entra e aperreia muito a gente é a uva. Porque a Califórnia também produz uva e produz fortemente uva. Então, isso é um protecionismo dos Estados Unidos”, declarou.

Para o dirigente, a cobrança adicional pode comprometer a competitividade do produto brasileiro justamente no período em que os produtores se preparam para iniciar novos embarques aos Estados Unidos.

Confira a entrevista completa: 

Negociação e papel da Embrapa

Coelho afirmou que acompanha as negociações conduzidas pelo governo federal para tentar evitar a entrada em vigor das tarifas. Segundo ele, o vice-presidente Geraldo Alckmin tem liderado as conversas com as autoridades americanas em busca de uma solução para o impasse comercial.

“Estão conversando, estão negociando e vamos ver se isso acalma”, disse.

Durante a entrevista, o ex-presidente da Abrafrutas também falou sobre sua nova função à frente do Conselho de Administração da Embrapa e destacou a contribuição da empresa para o desenvolvimento da agricultura brasileira nas últimas décadas.

“A gente tem que se lembrar que, em 1970, a gente era importador de alimentos. Hoje, nós exportamos alimentos”, afirmou.

Coelho ressaltou ainda que a pesquisa agropecuária precisa continuar chegando aos produtores de todos os portes e citou exemplos de tecnologias desenvolvidas pela Embrapa que ajudaram a transformar áreas antes consideradas improdutivas em polos agrícolas.

“A pesquisa tem que chegar e servir para o pequeno, médio e grande agricultor. Não adianta fazer pesquisa se não chegar na ponta”, declarou.

© BETO FIGUEIRÔA/ACERVO JC IMAGEM

Produção de uva do Vale do São Francisco
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