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Emeis | Calor extremo: os cuidados essenciais para proteger os mais velhos neste verão

Com o aumento das temperaturas previsto para os próximos dias e a possibilidade de novas ondas de calor em várias regiões do país, os especialistas alertam para a importância de reforçar os cuidados junto das populações mais vulneráveis. Os seniores são um dos grupos de maior risco, uma vez que apresentam uma menor perceção da […]

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"Queimadura é doença social": especialistas alertam para acidentes no São João

A combinação de fogueiras, fogos de artifício e consumo de álcool transforma o ciclo junino em um período de alerta máximo para as unidades de saúde pernambucanas. O assunto foi tema de debate na Rádio Jornal, que reuniu profissionais de saúde, segurança e história para desmistificar práticas perigosas e orientar a população.

Apenas no Hospital da Restauração (HR), dão entrada cerca de 250 pessoas por mês vítimas de acidentes com fogo, de acordo com Marcos Barreto, cirurgião plástico da unidade de queimados do HR. Durante os festejos de junho, esse número sofre um acréscimo de aproximadamente 25%, concentrado principalmente nas vésperas e dias de São João e São Pedro.

"Queimadura é uma doença social. Você raramente vê um rico queimado, quem sofre é o pobre. Vemos muitas crianças que se queimam na cozinha porque a mãe, que é lavadeira ou trabalha fora, precisa deixar os filhos sozinhos, e uma criança de oito anos acaba cozinhando para uma de quatro", relata o médico.

Tradição e prevenção nas fogueiras

O acendimento das fogueiras, uma herança cultural mantida nas ruas, exige adaptações de segurança nos centros urbanos. Para evitar explosões, o Corpo de Bombeiros Militar de Pernambuco (CBMPE) recomenda o uso exclusivo de acendedores sólidos.

"O risco de acidente é muito reduzido do que usar álcool e gasolina, que são os dois principais vilões, porque a força explosiva desses dois elementos é muito forte", alerta o tenente Thiago André, comandante da primeira seção do Grupamento de Incêndios.

Ele ressalta que grande parte das tragédias ocorre pela falsa crença de que o perigo está distante de quem manuseia o material. A montagem da madeira também deve respeitar o limite de 1,5 metro de altura e manter uma distância segura da fiação elétrica.

Diferentemente da soltura de balões — prática proibida por lei devido ao alto potencial destrutivo —, a fogueira permanece legalizada, mas demanda responsabilidade do público.

"Essa fixação pelo fogo vem de tradições pagãs da Península Ibérica, onde os camponeses celebravam a colheita no solstício de verão. O fogo simbolizava a alegria e a continuação do sol. Trouxemos isso para o Brasil, adaptando para o nosso solstício de inverno e para a colheita do milho. O problema é que essa tradição nasceu no campo e hoje tentamos replicá-la em cidades urbanizadas e apertadas", destaca o historiador Eduardo Castro.

Primeiros socorros e mitos populares

Quando o acidente acontece, o desconhecimento agrava consideravelmente as lesões. A aplicação de receitas caseiras prejudica o tratamento médico e dificulta a realização de curativos no ambiente hospitalar. Em casos de formação de bolhas, a perfuração é estritamente contraindicada e deve ser feita apenas por profissionais em centros especializados.

"Você pode colocar um pano limpo, umedecer esse pano com água corrente, ajuda a aliviar a dor até a chegada do local de tratamento definitivo. Não vai botar pasta de dente, café, nem manteiga, nada disso", orienta Leonardo Gomes, coordenador-geral do Samu Recife.

O coordenador ressalta que o excesso de álcool consumido pelos adultos é um agravante nas ocorrências, pois reduz a capacidade de prestar o socorro adequado e manter o ambiente seguro.

© SÉRGIO BERNARDO/ACERVO JC IMAGEM

Todo cuidado é pouco durante as festas de São João - temporada em que muitos acidentes são relatados pelo manuseio de fogos de artifício e as típicas fogueiras
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