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Seleção nacional vai aterrar no futuro aeroporto Donald Trump

A seleção portuguesa de futebol já levantou voo rumo aos Estados Unidos da América (EUA).

Destino? Palm Beach International Airport, no estado da Flórida. Mas este aeroporto vai passar a chamar-se President Donald J. Trump International Airport a partir de 1 de julho.

É uma estreia nos EUA, ter um aeroporto com o nome de um presidente ainda no cargo.

A seleção das quinas vai ficar sediada neste condado a norte da cidade de Miami.

O seu hotel é o Four Seasons Resort Palm Beach, com os treinos a terem lugar no complexo desportivo Gardens North County District Park.

Mas Palm Beach é também conhecida por ser um dos locais de eleição do presidente norte-americano.

Entre o hotel das quinas e o hotel de Donald Trump, Mar-a-Lago, onde o presidente passa os seus fins-de-semana, distam apenas 7km.

Também o atual embaixador dos EUA em Portugal, John Arrigo, é originário de West Palm Beach, a maior cidade do condado de Palm Beach.

John Arrigo é amigo de longa data de Donald Trump e foi nomeado diretamente pelo presidente.

Curiosamente, as quinas vão ficar hospedadas num estado do país com pouca presença de emigrantes portugueses, que estão localizados maioritariamente nos estados do nordeste dos EUA.

Os códigos de identificação do aeroporto também vão mudar. O código da FAA e da ICAO vão passar a ser ‘DJT’ e ‘KDJT’ a partir de 9 de julho. Já o código da IATA continua a ser ‘PBI’.

A seleção das quinas partiu a bordo de um A330 CS-TUM (TP9035), batizado como Nuno Álvares Pereira, e decorado com o lema “It´s Portugal Time”.

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Portugal escreve a Bruxelas em defesa das empresas

Portugal escreveu uma carta a Bruxelas a defender a indústria nacional. Maria da Graça Carvalho, ministra do Ambiente e da Energia, pede à Comissão Europeia que tenha em conta os impactos negativos que as novas regras para as emissões poluentes vão ter em setores industriais cruciais para Portugal, como a cerâmica, vidro e cimento. Em causa está a atualização em curso dos valores de referência (benchmark) do sistema de comércio emissões poluentes (EU ETS) para o período de 2026–2030 que vai reduzir o número de licenças gratuitas concedidas às empresas, aumentando os custos destas para comprarem as respetivas autorizações. Isto vai tornar as empresas menos competitivas face aos concorrentes fora da UE e pode levar companhias a mudarem a sua produção para, mais uma vez, fora da UE.
“Estou a escrever para transmitir as preocupações de Portugal (…) que é particularmente relevante para atividades industriais que dependem de processos de alta temperatura, incluindo cerâmica, vidro, cimento e outros setores intensivos em energia”, segundo a carta escrita por Maria da Graça Carvalho a que o JE teve acesso. A missiva é dirigida à espanhola Teresa Ribera, vice-presidente executiva da Comissão para a transição energética e ao neerlandês Wopke Hoekstra, comissário para o Clima, e foi entregue na quinta-feira em Bruxelas.
Portugal defende assim um “congelamento temporário dos valores de referência relevantes nos níveis de 2021–2025 poderia constituir uma solução proporcional de transição” até uma revisão mais ampla do sistema, isto é, os benchmarks usados atualmente devem continuar a ser usados, para continuar a garantir licenças gratuitas.
Lisboa deseja também que a revisão dos benchmarks seja feita em conjunto com melhor acesso a financiamento europeu, apoio à eletrificação e aos gases renováveis como biometano ou hidrogénio verde.
Oque pretende a Comissão Europeia?´ Quer reduzir o número de licenças gratuitas emitidas nos próximos quatro anos, obrigando as empresas a comprar mais licenças no mercado de carbono, aumentando custos. Estas companhias usam gás na sua produção e estão classificadas sob um palavrão: ‘hard-to-abate’, isto é, são difíceis de descarbonizar, porque não é simples ou exequível trocar o gás por eletricidade. Ora, isto significa que os seus produtos ficam menos competitivos face aos concorrentes de fora da União Europeia que não têm custos equivalentes nos seus países de origem. Por outro lado, aumenta o risco de fuga de carbono com a subida dos custos, isto é, as empresas podem decidir levar a sua produção para fora daUE:ou seja, fim de empregos europeus, mas continuando a emitir poluição global.
Apesar de garantir que Portugal “mantém-se plenamente comprometido com os objetivos climáticos da União e com o EU ETS” para reduzir emissões, a governante defende que é “essencial” que o sistema continue a “proporcionar um quadro previsível, realista e proporcional para a descarbonização industrial, preservando simultaneamente a competitividade da indústria europeia e evitando a fuga de carbono”.
A ministra recorda o “contexto particularmente desafiante para as indústrias intensivas em energia. As empresas europeias continuam a enfrentar custos energéticos elevados, forte concorrência global e necessidades significativas de investimento para descarbonizar os seus processos de produção. Neste contexto, uma redução abrupta da cobertura de alocação gratuita (…) poderá ter um impacto desproporcionado em setores onde ainda não existem alternativas de baixo carbono economicamente viáveis”.
A proposta da Comissão pode “aumentar significativamente os custos de cumprimento, reduzir a capacidade financeira dos operadores para investir na descarbonização e, em última análise, aumentar o risco de fuga de carbono. Portugal está igualmente preocupado com o facto de uma revisão substancial dos benchmarks (…) poder gerar incerteza regulatória adicional para os operadores”, escreveu a ministra Maria da Graça Carvalho.

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Golfo quer drones portugueses para se defender do Irão

Só nos primeiros 40 dias de guerra, o Irão lançou mais de 4.600 ataques de drones contra os países seus vizinhos. Até há relativamente pouco tempo, os seis países que integram o Conselho de Cooperação do Golfo (CGG) tinham como certo que a sua defesa estava assegurada pelos Estados Unidos, mas tudo mudou desde 28 de fevereiro, com o Irão a lançar ataques sem parar e com os países obrigados a defenderem-se sozinhos. É neste cenário que cresce a procura por drones portugueses por parte dos países do Golfo Pérsico. É verdade que o interesse já existia antes, mas a guerra no Médio Oriente só veio acelerar o desejo pelas aeronaves não-tripuladas com selo português.

“Ainda antes desta guerra, estivemos no Dubai em novembro onde a presença de várias empresas portuguesas, tanto na área de drones como na área de sistemas de comunicação, como na área de software e de estruturas. Já olhavam para este mercado com especial apetite”, disse ao Jornal Económico o presidente do AED Cluster Portugal, que junta as empresas da indústria de defesa nacional, José Neves.

“Naturalmente, o cenário neste momento faz com que os países nessa zona do globo tenham uma urgência maior na aquisição de produtos”, afirmou, apontando que Portugal já tem “produtos desenvolvidos e testados em cenário operacional”, segundo o líder da AED, apontando que os drones reúnem maior interesse.

Uma das empresas que tem feito o seu caminho no Golfo Pérsico é a Beyond Vision que produz drones na sua fábrica em Alverca. A companhia está agora a desenvolver um sistema que vai permitir aos seus drones neutralizar drones Shahed, produzidos no Irão, mas usados também pelos russos. Já tinha registado várias vendas no Médio Oriente, no setor civil, mas o foco agora é “no setor da defesa, muito pelo que se está a passar com o Irão”.

“Os países do Médio Oriente não estavam programados para a necessidade de terem armamento ou proteção para os níveis de que realmente necessitavam. Este evento foi um ‘abre-olhos’. Estavam muito focados no turismo e outras áreas. Claramente mudaram o foco para a defesa. Os drones, pela exposição que estão a ter na Ucrânia, são um dos equipamentos mais procurados. Temos tido vários pedidos dos diferentes países do Médio Oriente”, disse o presidente da empresa Dário Pedro.
Também a portuguesa produtora de drones Tekever tem vendido para esta região, com a procura a vir de trás. “A realidade e os dados mostram que essa procura um bocadinho generalizada cresceu em quase todos os grandes blocos. Desde o continente americano, de norte a sul, ao asiático, ao Médio Oriente. Temos processos de venda em países do MédioOriente, como em muitos outros países”, disse ao JE Pedro Petiz, diretor de desenvolvimento estratégico da Tekever.

O mais recente unicórnio português (com valorização nos mil milhões de dólares) destaca que só trabalha com mercados “alinhados com a estratégia europeia e da NATO. Depois temos outro tipo de países que, não sendo da NATO, estão tipicamente alinhados”, com a empresa a notar “mais procura” nestes mercados, o que muitas vezes passa por “parcerias locais”.
Olhando especificamente para a Arábia Saudita, um empresário português no país dá o seu testemunho sobre a forma como os drones portugueses são vistos neste mercado. “No World Defense Show, que aconteceu em Fevereiro, a AICEP fez um excelente trabalho porque juntou uma série de empresas num stand único e para além disso vimos stands de empresas portuguesas como a Tekever e Beyond Vision. Este World Defense Show teve um impacto enorme porque há um enorme interesse em tudo o que é defesa”, disse ao JE a partir de Riade Guy de Sousa, diretor-geral da Asasat, companhia de desenvolvimento imobiliário. O empresário dá o exemplo do Public Invesment Fund (PIF), o megafundo público saudita que mudou a sua estratégia para apostar mais numa “série de indústrias e cadeias de valor em todos os sectores. Existe a necessidade de tirar a dependência da economia dos combustíveis fósseis. Creio que haverá interesses exploratórios da Arábia Saudita, através destas instituições, em variadíssimas empresas portuguesas”, afirma.

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