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Sem citar tarifas, cônsul diz que EUA estão abertos para capital do Brasil

O cônsul-geral do Estados Unidos em São Paulo, Kevin Murakami, disse que as portas dos Estados Unidos estão abertas para o capital brasileiro e as companhias nacionais.

A avaliação do cônsul é de que o atual contexto é propício para o investimento brasileiro nos EUA. Ele citou que as condições da economia americana são favoráveis por conta da baixa carga tributária, ao grande mercado consumidor e ao que chamou de “cultura do empreendedorismo“.

“Quero deixar uma mensagem clara: as portas dos Estados Unidos estão mais do que nunca abertas para o capital brasileiro”, afirmou em evento com empresários e lideranças em São Paulo, nesta terça-feira (9).

Murakami citou ainda uma série de investimentos de grandes companhias brasileiras no país, entre elas, a Embraer e a JBS.

“Os estados dos EUA, governadores e agências de desenvolvimento estão comprometidos em aumentar suas parcerias com o setor privado, tanto para empresas americanas, mas também para empresas brasileiras”, declarou.

Por outro lado, Murakami evitou comentar sobre a proposta de taxação dos EUA contra o Brasil, a partir da investigação com base na Seção 301. Apesar de ser o tema central do encontro desta terça, o cônsul não citou o assunto durante sua coletiva.

Apesar dessa sinalização, a avaliação majoritária dos empresários presentes no evento é de que o impasse com os americanos deve ser resolvido no curto prazo, além de que as novas tarifas teriam impacto limitado na economia brasileira.

O governo dos EUA tem até 15 de julho para decidir sobre a definição e aplicação da proposta, que passará por consultas públicas e audiências antes da aprovação.

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Tarifaço dos EUA tem componente político, mas de curto prazo, diz Meirelles

O ex-ministro da Fazenda e ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou que o novo tarifaço dos Estados Unidos que pode atingir o Brasil possui um componente político, mas de curto prazo.

Meirelles participou nesta terça-feira (9) de um evento com lideranças e economistas em São Paulo.

O ex-ministro da Fazenda afirmou, no entanto, que o Pix pode ser visto por empresas americanas de pagamentos como uma forma de concorrência desigual.

Meirelles ressaltou as qualidades e benefícios gerados pela ferramenta para a economia brasileira, mas explicou os argumentos das companhias americanas sobre o meio de pagamento do BC.

O Pix é citado pelo USTR (Representante comercial dos Estados Unidos) que questiona distorções competitivas em várias áreas com relação ao Brasil, entre elas, meio de pagamentos, serviços financeiros e comércio eletrônico.

Meirelles disse que avanços regulatórios e a operação direta pelo BC fizeram com que o Pix ganhasse escala rápida. Para ele, esse cenário faz com que os americanos vejam uma desigualdade na ferramenta.

O governo dos EUA tem até 15 de julho para decidir sobre a definição e aplicação da proposta, que passará por consultas públicas e audiências antes da aprovação.

Em seu relatório, o USTR conclui que o uso do Pix como meio de pagamento eletrônico é “injusto e discriminatório” contra empresas americanas.

“O duplo papel do Banco Central do Brasil como regulador e proprietário/operador do Pix cria um conflito de interesses, diante da ausência de salvaguardas processuais adequadas”, afirma um trecho do documento.

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Governo propõe aumentar para 32% o etanol na gasolina contra alta de preço

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou nesta terça-feira (9) que deve submeter, nos próximos 15 dias, uma resolução ao CNPE (Conselho Nacional de Política Energética) para avaliar o aumento da mistura do etanol anidro de 30% para 32%, por determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Em 24 de junho de 2025, o CNPE aprovou o aumento da mistura obrigatória de etanol na gasolina de 27% para 30%, conhecido como E30. A medida entrou em vigor em 1° de agosto do ano passado.

Passado menos de um ano, a possibilidade de mais um aumento de 2% já havia sido anunciada pelo ministro Silveira em abril. 

A afirmação aconteceu após reunião com o presidente e demais associações e empresários do setor de energia. Segundo Silveira, a reivindicação realizada hoje deve permitir um maior debate sobre o tema da segurança energética e descarbonização no país. 

O ministro também ressaltou que, com o aumento de 2%, 450 milhões de litros de gasolina deixarão de ser importados. “Com isso, podemos nos tornar autossuficientes, deixando de ser necessária a importação de gasolina e minimizando também os impactos da guerra”, afirmou.

Evandro Gussi, presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA), também presente na reunião e coletiva de imprensa, desde o início da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, a diferença entre o preço do etanol e gasolina fez com que brasileiro economizasse R$ 2 bilhões.

“O Brasil deixou de gastar R$ 8 bilhões com importação de gasolina durante esse período”, afirmou.

Gussi também ressaltou que o etanol custa, em média, R$ 2,40 menos do que o litro da gasolina e, com o aumento de 2% na mistura, isso também deve ser refletido nos valores e trazer redução ao consumidor.  Além disso, segundo o presidente da UNICA, a mistura de 32% já foi testada “com sucesso” quando a mistura foi elevada para 30%.

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