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Copa do Mundo: Como empreendedor pode lucrar de verdade com torneio

A Copa do Mundo não movimenta só o futebol. Ela movimenta consumo, comércio e milhares de pequenos negócios espalhados pelo Brasil. De bares e restaurantes a e-commerces e serviços de entrega, o torneio se transformou em uma das maiores oportunidades de vendas do calendário para quem sabe se preparar.

O impacto da Copa na base da economia é gigante. Segundo levantamento recente do Sebrae, o torneio deve impulsionar quase 800 mil pequenos negócios somente no estado de São Paulo e o otimismo se repete pelo Brasil inteiro.

Os dados reforçam esse otimismo: mais de 70% dos empreendedores brasileiros estão confiantes no potencial do evento. E o histórico joga a favor. Na Copa anterior, 96% das empresas que investiram em ações temáticas colheram retornos relevantes.

“Quando o brasileiro se conecta emocionalmente com o futebol, ele consome mais experiência e gasta na ponta. O pequeno negócio que tem agilidade consegue capturar esse movimento muito mais rápido do que as grandes corporações”, afirma Lucas Conrado, CEO do Fundo de Impacto Estímulo.

Para ele, o evento é um verdadeiro acelerador de criatividade e de caixa, desde que o empreendedor saiba diferenciar faturamento de lucro e transforme o pico de atenção em relacionamento duradouro.

Muitos empreendedores já estão criando promoções ou combos temáticos. Outros estão lançando produtos específicos para o Mundial. Há também quem esteja ampliando estoque e ajustando horário de funcionamento.

Além dos setores mais óbvios, como o da alimentação, bebidas e artigos esportivos, a Copa transborda para o varejo de moda, serviços de entrega e e-commerce de vizinhança.

“Quem souber envelopar o seu produto com o contexto cultural da Copa vai conseguir atrair esse cliente”, destaca Conrado.

Para o período entre junho e julho, o Grupo Alife Nino estima receber mais de 500 mil pessoas em suas operações, considerando marcas de bares como Tatu Bola, Boa Praça, Eu Tu Eles, Rainha e Princesa, além de experiências especiais criadas para o campeonato.

Para atender à demanda esperada, o grupo investiu na ampliação da estrutura de transmissão dos jogos, com instalação de painéis de LED em unidades selecionadas e TVs de grandes formatos estrategicamente posicionadas para garantir melhor visibilidade das partidas.

A operação também foi reforçada com experiências exclusivas voltadas para o período, incluindo eventos com open bar, ativações em parceria com marcas, campanhas promocionais, brindes para clientes, apresentações de música ao vivo após os jogos e lançamentos gastronômicos desenvolvidos especialmente para o campeonato.

A expectativa é que o torneio tenha impacto direto no consumo das casas. A projeção do grupo é registrar um ticket médio entre R$ 250 e R$ 300 durante a Copa, impulsionado pelo aumento do tempo de permanência dos clientes, pelo consumo compartilhado e pelas experiências criadas para acompanhar as partidas da seleção brasileira.

Além do incremento de receita, a competição também é vista como uma oportunidade estratégica para ampliar a base de clientes e fortalecer a relação com consumidores que passam a frequentar as casas em um momento de alto engajamento emocional e social.

“A Copa do Mundo é uma oportunidade importante para o setor porque o consumidor busca muito mais do que assistir aos jogos. Investimos em estrutura de transmissão, ativações com marcas, experiências gastronômicas e programação musical para transformar os bares em destinos de entretenimento durante o campeonato. Quando conseguimos unir esporte, gastronomia e experiência, aumentamos o fluxo, o tempo de permanência e o potencial de consumo dos clientes”, afirma Flávio Sarahyba, VP de Relações Institucionais do Grupo Alife Nino.

A Oleh Conceito, marca de jóias banhadas em ouro 18k, criou uma coleção exclusiva inspirada na Copa do Mundo 2026.

A linha conta com seis modelos, todos produzidos em quantidade limitada e com preços a partir de R$ 49. Segundo a empresária, Heloísa Checchia, fundadora da marca, o investimento inicial foi de aproximadamente R$ 2 mil. A decisão, porém, foi tomada com cautela.

“Confesso que, no início, fiquei receosa em investir. A sensação era de que as pessoas estavam mais preocupadas em pagar boletos do que em entrar no clima da Copa. Por isso, comecei com um investimento menor para testar a aceitação do público. Percebi que, aos poucos, as pessoas começaram a entrar no clima do evento. O interesse pelas peças foi maior do que eu imaginava, e isso me deu segurança para investir mais na coleção.”

A expectativa da empreendedora é de um crescimento de cerca de 10% no volume de vendas durante o período da Copa.

“Grandes eventos geram conversas, emoção e identificação. Para os pequenos negócios, essa é uma oportunidade de criar produtos com significado, atrair novos clientes e fortalecer o relacionamento com quem já acompanha a marca”, reforça.

Os três passos para garantir lucro no caixa

Para quem quer transformar o buzz da Copa em resultado real, Conrado resume em três passos essenciais:

  1. Entenda a sua operação antes de expandir. Se você aumentar o estoque ou mudar de horário, o caixa precisa aguentar esse fôlego antes do dinheiro entrar. O capital precisa vir acompanhado de gestão.
  2. Cuide da precificação. O custo do insumo não pode engolir o lucro do combo. Cada promoção temática precisa ter a margem calculada com cuidado.
  3. Use a Copa para ganhar um cliente recorrente. A meta não é vender mais uma única vez. A ideia é transformar a atenção da Copa em venda, e essa venda em relacionamento para o resto do ano.

(texto de Maria Clara Dias)

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Juro alto no mundo deve ditar tom de cautela entre empresas

A combinação de juros elevados no Brasil e no exterior tem levado empresas a adiar decisões de expansão e novos investimentos, enquanto aguardam maior clareza sobre o cenário econômico global.

Apenas projetos considerados essenciais ou de alta rentabilidade seguem avançando, de acordo com o economista do Itaú Unibanco, Pedro Renault. Enquanto isso, grande parte do setor produtivo permanece em compasso de espera.

“O que a gente vê é uma perspectiva de menor demanda à frente e um apetite menor para investir. Só os projetos muito óbvios, muito rentáveis, acabam saindo do papel”, afirmou o economista ao CNN Money.

A avaliação ocorre em um momento de endurecimento da política monetária em diferentes economias. Nesta semana, o BCE (Banco Central Europeu) elevou os juros pela primeira vez em quase três anos, diante da aceleração da inflação impulsionada pelo aumento de custos de energia após a guerra envolvendo os Estados Unidos e o Irã.

A autoridade monetária também revisou para cima suas projeções inflacionárias para este ano e o próximo.

Na Ásia, o mercado também espera uma nova alta de juros pelo BoJ (Banco do Japão), na reunião que se encerra na próxima terça-feira (16). A expectativa é de que a taxa básica avance de 0,75% para 1%, o maior nível desde 1995, refletindo a preocupação da instituição com os impactos inflacionários do conflito no Oriente Médio.

Para Renault, esse movimento global ajuda a explicar por que o processo de flexibilização monetária no Brasil tende a ser mais lento.

“Existe um consenso de que o Brasil precisa conter a dinâmica da dívida pública. Se isso acontecer, você cria um ciclo virtuoso, com menos pressão inflacionária e espaço para juros mais baixos”, afirmou.

O economista ainda afirmou que o cenário atual tem afetado diretamente os planos das empresas. Setores dependentes de crédito, como material de construção, eletrodomésticos e parte da indústria, sentem mais intensamente os efeitos dos juros elevados, já que o financiamento mais caro reduz a demanda e dificulta a viabilidade de novos projetos.

Por outro lado, investimentos considerados estratégicos ou obrigatórios seguem em andamento. Como é o caso de segmentos ligados à infraestrutura, como concessões de saneamento e rodovias, além de áreas que demandam investimentos contínuos em pesquisa e desenvolvimento, como a indústria farmacêutica e automotiva.

Segundo o sócio da Blackbird, José Gaino, o diferencial de juros continua sendo importante para atrair capital estrangeiro e evitar migração de recursos para economias consideradas mais seguras, como a dos EUA.

“Os fatores globais são o que mais vêm impactando essa reprecificação dos juros. Se os juros brasileiros caem enquanto os norte-americanos sobem, há uma tendência de o investidor preferir alocar recursos nos EUA”, explicou.

Além disso, de acordo com Gaino, muitas empresas têm preferido aguardar uma definição mais clara do cenário econômico antes de ampliar investimentos ou assumir novos compromissos financeiros.

“O que a gente percebe é um movimento muito de aguardar, de entender o que vai acontecer diante de toda essa instabilidade dos últimos meses. Hoje o empresário consegue esperar porque está alocado em uma Selic elevada, rendendo em torno de 14%”, disse o executivo em entrevista ao CNN Money.

O sócio da Blackbird afirma ainda que o principal impacto dos juros altos tem aparecido na gestão financeira das empresas, especialmente entre aquelas que enfrentam prazos cada vez mais longos para receber de clientes enquanto precisam manter despesas operacionais em dia.

‘”O que a gente vem observando é que as empresas estão recebendo com prazos muito esticados e precisam trazer esse valor para o presente para honrar seus pagamentos. O custo de capital mais alto deixa esse processo mais caro e aumenta a pressão sobre os negócios”, explicou.

Segundo o executivo, esse ambiente tem contribuído para o aumento da inadimplência e por crédito de curto prazo.

Na avaliação de Gaino, enquanto os juros permanecerem em níveis elevados e persistirem as incertezas globais, a tendência é de manutenção da postura defesniva por parte dos empreendedores brasileiros.

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