O ator Harrison Ford, 83, e o diretor Steven Spielberg, 79, trabalharam juntos nos primeiros filmes da franquia “Indiana Jones”. No entanto, em entrevista à Vulture, o veterano, que também viveu outros personagens épicos como Han Solo, em “Star Wars”, revelou que a dupla não estava de acordo com a ideia original de George Lucas, que criou a história.
A franquia começou em 1981, com “Os Caçadores da Arca Perdida”, e seguiu por mais 5 filmes originais. O quarto episódio, gravado em 2008, trouxe à tona alguns problemas: David Koepp, que escreveu o roteiro, se esforçou para imitar Lawrence Kasdan, roteirista de Indiana Jones, e o diretor de fotografia Janusz Kamiński teve dificuldades para recriar o trabalho de Douglas Slocombe, que havia dirigido os três primeiros filmes.
Algumas discordâncias sobre o desenrolar da trama apareceram entre Spielberg e Ford e o criador George Lucas: eles não queriam fazer um filme de Indiana Jones com alienígenas e acabaram gerando uma discussão. Lucas, de 82 anos, disse: “Eu queria que fosse algo como Guerra dos Mundos. Harrison disse: ‘Não vou fazer outro filme de ficção científica”, mas ele insistiu, alegando que discos voadores “estavam em alta” nos anos 1950, época em que se passa o filme.
Na ideia original de “Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal”, o protagonista conhece um rapaz que descobre ser seu filho, Mutt Williams (Shia LaBeouf), concebido sem saber com Marion Ravenwood (Karen Allen). O filme mostra a dupla enfrentando os soviéticos, que estão em busca de uma caveira de cristal e acreditam que seja de origem alienígena, usada para disseminar propaganda soviética entre os americanos.
Quando finalmente chegaram a um acordo, os três decidiram que a origem do artefato não seria o espaço, mas outra dimensão: “Fizemos uns cinco roteiros, e finalmente Steve e eu chegamos a um acordo: ‘Olha, e se eles não forem alienígenas, mas sim de outra dimensão?’”, disse Lucas.
Mais tarde na carreira, Harrison Ford participou de produções com interações intergaláticas, como “Cowboys & Aliens”, em 2011, antes de retornar ao universo de Star Wars com “O Despertar da Força”, em 2015. Spielberg, por sua vez, fez outro filme de ficção científica, “Ready Player One”, em 2018, e seu filme mais recente, “Dia D“, também é sobre alienígenas.
A nova versão de “Supergirl” promete levar a heroína a grandes situações de intensidade. Dirigido por Craig Gillespie, o filme, segundo ele, terá uma grande batalha no centro da trama, com uma Kara Zor-El mais impulsiva e colocada diante de circunstâncias extremas.
O elenco esteve no Brasil para promoção do novo longa-metragem. Em coletiva de imprensa acompanhada pela CNN Brasil, o cineasta revelou que uma das maiores sequências de batalha, que ocorre no meio do filme, precisou ser pensada para mostrar o estado emocional, mesmo em meio a uma grande luta física.
“Tem uma grande batalha no meio do filme, e ela está bem brava. Estar nesse nível de situação extrema era algo que eu queria explorar”, afirmou Gillespie.
O objetivo era fazer com que o público sentisse a tensão daquele momento e enxergasse uma faceta mais perigosa da heroína. “Eu queria que a audiência ficasse com medo, de ela fazer algo agressivo”, explicou o diretor.
A construção da cena também envolveu uma abordagem visual específica, com movimentos de câmera planejados para acompanhar a intensidade de Kara. “É emocionalmente visceral. Fizemos uma dança, a câmera fez um balé com ela”, contou.
A equipe do filme também brincou ao responder quais poderes gostaria de ter na vida real. Enquanto o CEO da DC Studios, Peter Safran, e Gillespie escolheram “beber muito sem ficar mal”, a atriz protagonista Milly Alcock e a roteirista Ana Nogueira preferiram a supervelocidade.
A página oficial do filme “O Agente Secreto” lamentou, na tarde desta terça-feira (16), a morte do autor da lenda da “Perna Cabeluda”, o pernambucano Raimundo Carrero.
“Entre tantas contribuições, também ajudou a eternizar a lenda da Perna Cabeluda. Obrigado, Raimundo, pela incansável defesa da literatura como forma de compreender o mundo. Nosso abraço à família, aos amigos e aos muitos leitores que seguirão encontrando sua voz em cada livro”, escreveram.
A publicação, que foi compartilhada em colaboração com o diretor do longa Kleber Mendonça Filho, 57, reforçou a importância das contribuições de Carrero como “escritor, jornalista e professor, que passou mais de cinco décadas escrevendo, ensinando e formando outros escritores”.
Segundo um comunicado oficial compartilhado pela família de Raimundo, ele faleceu aos 78 anos em decorrência de complicações de um câncer. O funeral do escritor será aberto ao público e a família divulgará mais informações “em um momento oportuno”.
Raimundo Carrero, em publicação de “O Agente Secreto”, que lamenta sua morte • Instagram/O Agente Secreto
A lenda da “Perna Cabeluda” e “O Agente Secreto”
Ambientado em Recife durante a época da Ditadura Militar brasileira, o roteiro de Kleber conta com diversas menções reais ao período, incluindo a censura de matérias nos jornais com receitas ou histórias absurdas.
Para adicionar veracidade, em determinado momento, a produção incluiu uma das lendas folclóricas que mais assombraram o público recifense na década de 1970: a perna cabeluda. Segundo registros da época, o membro decepado assombrava os moradores do povoado de 500 moradores de Usina Tiúma, em São Lourenço da Mata.
Após a primeira “aparição” na casa do Sr. José Luis Borges e assustar seus familiares, a lenda começou a ser vista por vários vizinhos da região, causando receio em muitos. Embora tenha autoria diversa e pouco confirmada, em 1976, Carrero foi um dos primeiros a escrever em sua coluna de romance policial uma crônica de um ataque da perna cabeluda em Olinda.
Na história, a perna havia atacado uma mulher dentro de sua própria casa e deixado a vítima agonizando. Foi neste período em que se formou uma comitiva para caçar o elemento que era um perigo para os moradores.
Ainda que a existência do personagem folclórico nunca tenha sido confirmada, sua narrativa é uma das mais conhecidas do estado e continua a assombrar muitos cidadãos.
O filme “Shrek 5” ganhou seu primeiro trailer nesta terça-feira (16), 16 anos depois do lançamento do quarto e, até então, último longa-metragem da franquia, “Shrek: Para Sempre” (2010). A nova história traz os personagens queridos do público em uma nova e atualizada história.
“Shrek 5” contará com o retorno das lendas da comédia Mike Myers, como Shrek, Eddie Murphy, como Burro, e Cameron Diaz, como princesa Fiona, nas vozes originais em inglês. Para somar o elenco, Zendaya junta-se como Felicia, filha de Shrek e Fiona, ao lado de Marcello Hernandez e Skyler Gisondo, como os irmãos de Felicia, Fergus e Farkle.
Baseado no livro de William Steig, a franquia – que arrecadou mais de 2,9 bilhões de dólares em bilheteria global – se mantém no hall das grandes sagas de animação desde 2001 quando “Shrek” ganhou o primeiro Oscar de Melhor Animação da história. Desde então, os personagens Shrek, Burro e Fiona tornaram-se ícones e parte da cultura pop em todo o mundo ao apresentarem ao público uma mensagem simples e universal: a beleza está nos olhos de quem vê.
Além dos filmes principais “Shrek” (2001), “Shrek 2” (2004), “Shrek Terceiro” (2007) e “Shrek Para Sempre” (2010), a franquia lançou alguns longas derivados como “Gato de Botas: Preso num Conto Épico” (2011) e “Gato de Botas 2: O Último Pedido” (2022).
O quinto filme de “Toy Story”, uma das franquias de maior sucesso da Disney e da Pixar, chega aos cinemas na quarta-feira (17).
A produção tem a vaqueira Jessie e vai mostrar ela voltando ao quarto de Emily, sua dona original, além da personagem enfrentar novos desafios.
O último filme da animação foi lançado em 2019 e terminou com Woody ajudando Garfinho a se livrar da boneca má Gabby Gabby.
Durante a aventura, o xerife reencontrou seu par romântico, Bo Peep, que voltou como um brinquedo perdido que vive em liberdade, já que não pertence a nenhum dono.
Ele percebe que já não é mais essencial para os amigos e, juntos, os dois se despendem do restante da turma de Andy e Bonnie e partem para novas aventuras. O filme terminou com uma frase marcante. “Ela vai ficar bem… A Bonnie vai ficar bem”, dita por Buzz a Woody.
Na continuação, Buzz e Garfinho também devem ter mais espaço.
Buzz e Jessie se tornaram os novos protagonistas da sala de brinquedos da Bonnie na ausência de Woody, mas são desafiados com o surgimento de um tablet, apresentado como um vilão no filme.
A versão original, “You’ve Gotta a Friend in Me”, foi lançada em 1995 na voz de Randy Newman, na época para a trilha sonora do título de estreia da franquia. No mesmo ano, Zé da Viola reinterpretou a música em português intitulada “Amigo Estou Aqui”, e ainda gravou mais duas músicas para a franquia: “Coisas Estranhas” e “Voar Eu Não Vou Nunca Mais”.
Os rumores são reais! Depois de especulações da mídia, o astro Tom Holland, 30, confirmou, em entrevista divulgada nesta terça-feira (16), que se casou com a colega de cena Zendaya, 29. Os dois se conheceram no set de filmagens de “Homem-Aranha: De Volta ao Lar” em 2016 e anunciaram o relacionamento publicamente em 2021.
Durante a entrevista, o ator chegou a mencionar as fotos de inteligência artificial que saíram sobre o casamento no início deste ano. Ao ser questionado sobre se precisou avisar membros da família de que as fotos eram falsas, ele respondeu: “Não, porque todos estavam lá.”
“É tudo o que você vai saber sobre isso”, disse ele, sem responder à pergunta seguinte sobre o casamento ter, de fato, acontecido.
Holland ainda aproveitou para falar sobre a parceira, que estrela todos os quatro novos filmes de “Homem-Aranha” ao lado dele. Ele se refere a ele como “Zee”, e exalta a união que os dois construíram juntos.
“Nosso ramo pode apresentar situações muito estressantes e é realmente bom ter uma base sólida de relacionamento que resistirá ao teste do tempo”, comentou ele. “Podemos nos apoiar de maneiras que só nós conseguimos, porque só nós entendemos realmente como é viver essa vida, e acho que isso é um luxo, porque simplesmente não consigo imaginar como seria possível ter algo assim com outra pessoa.”
“Para mim, encontrei a minha pessoa. Ela é minha melhor amiga e sou a pessoa mais feliz que já fui quando estou com ela, mas também nunca me senti tão apoiado e seguro, nunca. Ponto final. Talvez quando eu era jovem, com meus pais, e meu pai me buscava na escola. Não que nosso relacionamento seja como o dos meus pais”, complementou.
16 de junho não é qualquer dia para os cinéfilos e românticos. A data remonta a Viena, na Áustria, em 1994 — quando Jesse e Celine se conheceram em um trem e decidiram passar um dia juntos na cidade.
A conexão dos dois jovens foi imediata. O dia na capital austríaca foi regado de andanças, conversas esotéricas, trocas sobre a vida, o futuro e as diferenças culturais entre Europa e Estados Unidos.
O encontro entre os personagens vividos por Ethan Hawke e Julie Delpy em “Antes do Amanhecer” (1995) é marcado por diálogos, sonhos, ingenuidade, encanto e a efemeridade da situação, já que ela mora na França e ele, nos Estados Unidos.
A ideia inicial era apenas aproveitar o dia juntos, mas o impacto foi tanto para os dois que decidiram, no último minuto, combinar de voltar a Viena em seis meses para um reencontro. O acordo, no entanto, era esse. Sem contato até lá.
O que acontece, o telespectador só descobre no segundo filme, “Antes do Pôr-do-Sol” (2004), lançado quase 10 anos depois. Um terceiro filme foi lançado em 2013, “Antes da Meia-Noite”, encerrando uma das trilogias mais amadas do cinema.
“Antes do Amanhecer” foi escrito e dirigido por Richard Linklater, que se inspirou em uma experiência pessoal para criar a trama. O filme estreou em 1995 no Festival de Sundance.
Nas sequências, o cineasta contou com a ajuda de Hawke e Delpy para escrever o roteiro e entender o futuro desses personagens. Mas, desde o original, os atores ajudaram a criar as ideias de cenas.
Até hoje, mais de 30 anos depois, as ruas e os locais visitados por Jesse e Celine são pontos turísticos para os fãs na capital austríaca — desde uma loja de vinil na rua até a sacada que dá vista para a Ópera de Viena.
Celine (Julie Delpy) e Jesse (Ethan Hawke) em frente à Ópera de Viena • Divulgação
O dia 16 de junho, então, marca o encontro de Jesse e Celine. Uma história de amor e conexão que marcou toda uma plateia.
No Brasil, “Antes do Amanhecer” está disponível no Prime Video, Telecine e ClaroTV+.
O ator Ben Stiller, 60, falou um pouco sobre a experiência de trabalhar com Jim Carrey no set de “O Pentelho”. A comédia de suspense foi dirigida por Stiller em 1994, e o ator revelou quais foram os maiores desafios da parceria com o comediante em exibição no Festival Tribeca, em Nova York, na sexta-feira (12).
No evento, ele falou à revista People sobre o longa, ao lado de Matthew Broderick, que também protagonizou o longa.
“Eu nunca tinha trabalhado com o Jim, e o Jim é esse tipo de pessoa cheia de energia”, contou ele. “Ele é uma força da natureza, que chega com um estilo de trabalho muito diferente.”
Em “O Pentelho”, Jim Carrey interpreta o instalador de TV a cabo Chip Douglas, um tanto desajustado socialmente. Broderick interpreta Steven Kovacs, um dono de restaurante solitário e tranquilo, cuja tentativa de fazer um novo amigo o leva ao mundo cada vez mais perturbador e manipulador de Chip.
Produzido por Judd Apatow, o filme também contou com nomes de peso no elenco, como Jack Black, Leslie Mann, Owen Wilson, Bob Odenkirk, David Cross, Janeane Garofalo, Andy Dick e outros. Questionado na entrevista se achava que o grupo era uma “coleção especial de talentos naquele momento” durante o painel de sexta-feira (12), Stiller disse que, na época, era muito mais simples do que isso.
“Quer dizer, na época eram só nossos amigos (…). São só pessoas que você conhece e com quem quer trabalhar”, disse ele sobre o elenco agora repleto de estrelas da comédia de 1996.
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Quem já investigou os Bolsonaro por obrigação da profissão, como é o nosso caso aqui na Agência Pública, sabe que atacar a imprensa é o modus operandi da família quando ela quer se livrar de qualquer suspeita ou acusação séria que merece uma boa explicação. É o velho: “shoot the messenger” – mate o mensageiro – e assim as pessoas esquecerão a mensagem. Não à toa, durante a presidência de Jair, o mandatário foi quem mais atacou os profissionais do jornalismo: foram 570 no total, um ataque a cada dois dias e meio, segundo levantamento da Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ).
Pois um documento interno da produção do filme Dark Horse demonstra que um dos principais objetivos do filme era atacar a imprensa e associá-la a uma suposta conspiração para matar Jair Bolsonaro durante a campanha eleitoral de 2018, quando ele levou uma facada de Adélio Bispo – que, segundo três investigações da Polícia Federal (PF), agiu sozinho.
No argumento obtido com exclusividade pela Pública, o autor, hoje deputado federal Mário Frias Filho, apresenta como personagem antagonista a Bolsonaro uma jornalista que tem ligações com o Partido Comunista, ajudou a guerrilha de Carlos Lamarca e criou desinformação para prejudicar o político. O filme, segundo o documento, teria o objetivo de “atrair o público para a nossa história e traçar o desenvolvimento de um herói cristão, com foco em sua Missão Divina de transformar o povo brasileiro.”
Foi esse argumento enviado ao diretor e roteirista Cyrus Nowrasteh para servir como base para o roteiro final do filme – Nowrasteh recebeu 57 mil dólares logo de cara, em 2024, conforme revelou a Agência Pública, em pagamento que a produtora tentou enviar através de uma empresa húngara.
Ao ler o argumento, Cyrus pediu mais detalhes: “Como os jornalistas cooperaram com a oposição [a Jair Bolsonaro]? Como eles encobriram o assassinato e fizeram parecer que foi obra de um louco solitário [Adélio Bispo]? É preciso transmitir a esmagadora parcialidade da mídia brasileira”.
Além de Mário Frias, o argumento também é assinado por Walther Neto, da WN produções.
Walther Neto afirmou que trabalhou no argumento original entre o final de 2022 e 2023, e não teve mais contato com a produção desde então.
Segundo ele, durante a colaboração ele ajudou a desenvolver, a pedido de Frias, a personagem fictícia da jornalista como parte de uma ampla gama de “antagonistas” à trajetória de Jair Bolsonaro, incluindo ainda personagens de congressistas e generais. “Isso é uma liberdade e uma estratégia de roteiro e não tinha objetivo de representar toda a imprensa. É apenas uma alegoria e uma estratégia de criar antagonistas dentro de uma estrutura clássica de roteiro”, afirma.
Neto afirma que no argumento que participou, a facada era apenas um elemento menor e não tinha o papel central que acabou adquirindo no roteiro final. “Não tenho absolutamente nenhuma relação com o Dark Horse, não sei a linha que foi feita nem o roteiro que foi adotado. Não escrevi o roteiro, apenas ideias”.
Procurado pela coluna, Mário Frias Filho não respondeu até a publicação.
O espaço segue aberto.
A jornalista “Iara”
O argumento desenvolvido por Mário Frias Filho repete uma mentira inventada por Bolsonaro – que ele teria ajudado a localizar o líder guerrilheiro Carlos Lamarca no Vale do Ribeira em 1975 – para criar a origem da principal antagonista, a jornalista Iara Lima,cujo objetivo expresso é “representar as ações da imprensa contra Jair”.
Iara seria uma estudante de 18 anos na época da operação militar contra Lamarca, filha de políticos influentes no Rio de Janeiro e ligada ao Partido Comunista. Ela teria fugido ao cerco militar “e sempre acreditou que o jovem Jair foi um dos responsáveis pela morte de seus companheiros durante o ataque do exército no Vale do Ribeira, em SP”.
Como sabemos, Jair não teve nenhum papel no cerco, a Lamarca escapou à operação sem precedentes, que usou até bombas de Napalm na região do interior de São Paulo.
“Ela perdeu companheiros nessa batalha e tinha laços pessoais com organizações terroristas da época que estiveram envolvidas em diversos assassinatos e sequestros”, detalha o argumento. Anos depois, como jornalista, ela usaria sua “arma poderosa contra Jair”.
“Suas histórias são usadas pela mídia para criticar, deturpar e distorcer a verdade. Ela é uma inimiga declarada de Jair“, diz o documento.
A construção da personagem de Iara passa ainda pela “distorção” de discursos e falas de Bolsonaro no início da sua carreira política. Tratada como “oponente política”, a personagem “sempre escreve informações distorcidas sobre os fatos”. Entre as tentativas de “desacreditar” Bolsonaro estariam a criação de “estereótipo”, como retratá-lo como “machista” e “tirano”.
Durante a campanha presidencial de 2018, uma grande conspiração envolvendo Adélio Bispo se armaria contra ele: “uma campanha de desinformação que Iara ajudou a criar”, segundo o argumento de Mário Frias.
“Agora podemos ver com mais detalhes a trama envolvendo personagens fictícios que representam grupos influentes brasileiros que teriam participado do esquema, bem como a forma como a mídia, advogados e juízes tentaram apressadamente simplificar e isolar as informações.
Eles esconderam fatos e levaram desinformação à população.Adélio foi protegido pelos conspiradores, que tinham advogados poderosos e bem pagos prontos para defendê-los, e juntamente com magistrados, protegeram Adélio, impedindo que a Justiça investigasse minuciosamente o caso, e assim confundiram a população por meio de informações falsas veiculadas na imprensa por Iara.”
A tal da jornalista estaria imbricada na tentativa de esconder a conspiração para matar Bolsonaro.
Um dos poucos diálogos elaborados no texto constrói uma cena em que uma voz não identificada ao telefone afirma o seguinte:
“Vamos acionar os advogados, nada pode vazar. A Iara vai avisar a imprensa para amenizar a ação do Adélio. Vamos dizer que ele tem transtorno mental. Vamos seguir normalmente, então fiquem calmos! Não há como eles nos alcançarem. Aquele homem não poderia ter sobrevivido!”
Sim, eu sei que é brega. Mas a mensagem é clara: a imprensa está envolvida na conspiração para matar Bolsonaro.
Pra quem acredita em “bolsonarismo light” é bom relembrar que é esta a turma que concorrerá à presidência na chapa de Flávio Bolsonaro. Em 2023, quando o plano de negócios do filme já estava elaborado, era este o argumento que era apresentado aos potenciais patrocinadores.
Eduardo Bolsonaro assinava contratos como “financiador” do filme, Flávio sabia muito bem como ele estava sendo planejado, Jair tinha vendido sua história de vida para Mário Frias e Karina Ferreira da Gama, dona da produtora Go Up Entertainment.
Criminalizar a imprensa perante um público amplo fazia parte do plano original de Dark Horse.
Com o passar do tempo, os ataques foram aparentemente suavizados no roteiro final. A personagem Iara Lima virou a jornalista Lara Clarke, descrita como uma “repórter atraente, opinativa e muito inteligente” que teria ligação com o mandante da tentativa de assassinato.
Mas, no roteiro assinado por Cyrus e seu filho, Mark Nowrasteh, ao final Lara Clarke ajuda a identificar “mandantes”.