Aplicativo de emprego quase custou vaga de zagueiro na Copa; entenda
O zagueiro Roberto Lopes quase perdeu a oportunidade de disputar a Copa do Mundo de 2026 por um motivo inusitado: ele ignorou uma mensagem enviada pela federação de futebol de Cabo Verde no LinkedIn, acreditando se tratar de spam.
Nascido na Irlanda e conhecido no futebol pelo apelido de “Pico”, o defensor de 33 anos recebeu uma mensagem em português da entidade cabo-verdiana, mas não respondeu por considerar o contato suspeito.
Apenas meses depois, quando recebeu uma nova mensagem em inglês, percebeu que se tratava de um convite para defender a seleção africana, que estreia no Mundial na próxima segunda-feira (15) contra a Espanha.
“Nove meses depois, eles me enviaram outra mensagem em inglês perguntando se eu havia pensado na proposta. Só então fiz o que deveria ter feito desde o início e usei o Google Tradutor para entender a mensagem original, que perguntava se eu tinha interesse em representar Cabo Verde”, contou Lopes à Reuters, em entrevista por telefone antes do torneio.
“Foi uma abordagem incomum [pelo LinkedIn]. Depois me explicaram que tiveram dificuldades para entrar em contato com o meu clube. Mas, quando percebi que a oportunidade estava diante de mim, apoiei a ideia desde o primeiro momento e começamos a providenciar toda a documentação necessária”, acrescentou.
Ascensão até a seleção
Com fama de defensor duro e resistente, Lopes construiu toda a sua carreira na Liga da Irlanda, defendendo o Bohemian FC e o Shamrock Rovers. Como poucos jogadores dessa competição conseguem alcançar o cenário internacional — ainda mais disputar a fase final de um grande torneio — ele acreditava que sua trajetória pela seleção irlandesa se resumiria a uma única partida pela equipe sub-19.
No entanto, a mensagem mudou completamente seu destino. Ligado ao país natal de seu pai, estreou por Cabo Verde em 2019, na vitória por 2 a 0 sobre o Togo, e tornou-se uma peça fundamental da defesa de uma equipe que passou a superar expectativas.
A classificação histórica para a Copa foi confirmada em outubro, com uma vitória por 3 a 0 sobre Eswatíni.
“Quando cheguei à seleção, em 2019, senti que havia um grupo excelente de jogadores. Na época, o objetivo era alcançar a Copa Africana de Nações (CAN), e conseguimos. Passamos a enfrentar algumas das melhores seleções da África. Com isso, ganhamos muita confiança. Além disso, outros jogadores com dupla nacionalidade decidiram representar Cabo Verde, o que fortaleceu ainda mais o elenco”, explicou.
“Fazer história”
Depois de ficar perto da classificação para a Copa do Mundo de 2022, Cabo Verde terminou à frente do Egito em seu grupo na Copa Africana de Nações de 2023 e foi eliminado pela África do Sul nas quartas de final.
“Tínhamos a sensação de que já estávamos no mesmo nível de algumas das melhores seleções africanas e que poderíamos competir de igual para igual em um bom dia. Com o novo formato criado pela Fifa e o aumento do número de vagas para a África na Copa do Mundo, surgiu uma motivação extra para fazermos tudo o que fosse possível para nos classificarmos e fazer história”, afirmou Lopes.
A recompensa pela campanha bem-sucedida nas Eliminatórias foi uma vaga no Grupo H da Copa do Mundo, ao lado de Espanha, Arábia Saudita e Uruguai. Lopes garante que a equipe está empolgada com a chance de medir forças com algumas das melhores seleções do planeta.
“Acho que precisamos tentar avançar de fase. Esse tem que ser o objetivo. Não dá para falar em chegar à final; o primeiro desafio é sair do grupo e permanecer mais tempo na competição”, disse.
“Sabemos que será difícil, porque estamos em um grupo complicado, mas precisamos acreditar que podemos conseguir. Chegamos aqui por mérito próprio e agora temos que ser competitivos”, completou.
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