A literatura infantil voltada para o letramento racial e a valorização da cultura negra é o tema do Conversa com o Autor deste domingo (14), às 12h30, na Rádio MEC. A jornalista Katy Navarro entrevista os autores Júnior Dantas e Cristina Moura sobre o livro O Pequeno Herói Preto, obra ilustrada por Rodrigo Andrade.
O enredo gira em torno das aventuras de Super Nagô, um herói e youtuber de 10 anos que descobre seus poderes por meio de sua família. Ele utiliza os conhecimentos de seus antepassados e da natureza para transformar positivamente a vida das pessoas ao seu redor.
Júnior Dantas nasceu em Ipueira (RN), é ator, roteirista, contador de histórias, jornalista e o criador do espetáculo que deu origem ao livro. Já Cristina Moura é professora, artista contemporânea, diretora teatral, coreógrafa e preparadora de elenco. Formada em Artes Cênicas pela Universidade de Brasília (UnB), viveu por nove anos na Europa, onde colaborou com diversos diretores e coreógrafos.
Durante o programa, eles detalham como o espetáculo O Pequeno Herói Preto, idealizado por Júnior Dantas e focado em letramento racial, ancestralidade e valorização da cultura negra, virou livro escrito por Cristina Moura e pelo próprio Júnior.
Sobre o Conversa com o Autor
Apresentado e produzido pela jornalista Katy Navarro, o programa tem quase 30 minutos de uma conversa que gira em torno dos lançamentos, títulos, curiosidades, processo criativo, sugestões de obras, leituras e as diversas narrativas literárias dos autores brasileiros. Em 2023, o programa completou uma década.
Os episódios da nova temporada também ficam disponíveis em formato de videocast no canal da emissora pública no YouTube.
Sobre a Rádio MEC
Conhecida de norte a sul do país como "A Rádio de Música Clássica do Brasil", a Rádio MEC é consagrada pelo público por sua vocação direcionada à música de concerto. A tradicional estação dedica 80% de sua programação à música clássica e leva ao ar compositores brasileiros e internacionais de todos os tempos.
A Rádio MEC oferece aos ouvintes a experiência de acompanhar repertórios segmentados, composições originais e produções qualificadas. Ainda há espaço também para faixas de jazz e música popular brasileira, combinação que garante a conquista de novos públicos e agrada a audiência cativa.
A emissora pode ser sintonizada pela frequência FM 99,3 MHz e AM 800 kHz no Rio de Janeiro. O dial da Rádio MEC em Brasília está em FM 87,1 MHz e AM 800 kHz. O público também acompanha a programação em Belo Horizonte na frequência FM 87,1 MHz. O conteúdo ainda é veiculado no app Rádios EBC.
Os ouvintes têm participação garantida e podem colaborar com sugestões para a programação da Rádio MEC. O público pode interagir pelas redes sociais e pelo WhatsApp. Para isso, basta que os interessados enviem mensagens de texto para o número (21) 99710-0537.
Rio de Janeiro: FM 99,3 MHz e AM 800 kHz
Belo Horizonte: FM 87,1 MHz
Brasília: FM 87,1 MHz e AM 800 kHz
Parabólica - Star One C2 - 3748,00 MHz - Serviço 3
Celular - App Rádios EBC para Android e iOS
A literatura infantil voltada para o letramento racial e a valorização da cultura negra é o tema do Conversa com o Autor deste domingo (14), às 12h30, na Rádio MEC. A jornalista Katy Navarro entrevista os autores Júnior Dantas e Cristina Moura sobre o livro O Pequeno Herói Preto, obra ilustrada por Rodrigo Andrade.
O enredo gira em torno das aventuras de Super Nagô, um herói e youtuber de 10 anos que descobre seus poderes por meio de sua família. Ele utiliza os conhecimentos de seus antepassados e da natureza para transformar positivamente a vida das pessoas ao seu redor.
Júnior Dantas nasceu em Ipueira (RN), é ator, roteirista, contador de histórias, jornalista e o criador do espetáculo que deu origem ao livro. Já Cristina Moura é professora, artista contemporânea, diretora teatral, coreógrafa e preparadora de elenco. Formada em Artes Cênicas pela Universidade de Brasília (UnB), viveu por nove anos na Europa, onde colaborou com diversos diretores e coreógrafos.
Durante o programa, eles detalham como o espetáculo O Pequeno Herói Preto, idealizado por Júnior Dantas e focado em letramento racial, ancestralidade e valorização da cultura negra, virou livro escrito por Cristina Moura e pelo próprio Júnior.
Sobre o Conversa com o Autor
Apresentado e produzido pela jornalista Katy Navarro, o programa tem quase 30 minutos de uma conversa que gira em torno dos lançamentos, títulos, curiosidades, processo criativo, sugestões de obras, leituras e as diversas narrativas literárias dos autores brasileiros. Em 2023, o programa completou uma década.
Os episódios da nova temporada também ficam disponíveis em formato de videocast no canal da emissora pública no YouTube.
Sobre a Rádio MEC
Conhecida de norte a sul do país como "A Rádio de Música Clássica do Brasil", a Rádio MEC é consagrada pelo público por sua vocação direcionada à música de concerto. A tradicional estação dedica 80% de sua programação à música clássica e leva ao ar compositores brasileiros e internacionais de todos os tempos.
A Rádio MEC oferece aos ouvintes a experiência de acompanhar repertórios segmentados, composições originais e produções qualificadas. Ainda há espaço também para faixas de jazz e música popular brasileira, combinação que garante a conquista de novos públicos e agrada a audiência cativa.
A emissora pode ser sintonizada pela frequência FM 99,3 MHz e AM 800 kHz no Rio de Janeiro. O dial da Rádio MEC em Brasília está em FM 87,1 MHz e AM 800 kHz. O público também acompanha a programação em Belo Horizonte na frequência FM 87,1 MHz. O conteúdo ainda é veiculado no app Rádios EBC.
Os ouvintes têm participação garantida e podem colaborar com sugestões para a programação da Rádio MEC. O público pode interagir pelas redes sociais e pelo WhatsApp. Para isso, basta que os interessados enviem mensagens de texto para o número (21) 99710-0537.
Rio de Janeiro: FM 99,3 MHz e AM 800 kHz
Belo Horizonte: FM 87,1 MHz
Brasília: FM 87,1 MHz e AM 800 kHz
Parabólica - Star One C2 - 3748,00 MHz - Serviço 3
Celular - App Rádios EBC para Android e iOS
A Clara Sánchez no le preocupa que la sigan. ¿Quién quiere seguidores de redes sociales si ya se ha llevado la gran mayoría de los reconocimientos literarios del país? Ganadora en Nadal, el Alfaguara y el Planeta; además de destacados galardones en Francia (Prix des Lecteurs) e Italia (Roma y Nazionale Vicenzo Padula), se sienta, desde 2023, en la X de la Real Academia de la Lengua.
Desde esa posición observa el mundo en transformación y, en particular, el mundo editorial que desde hace años adora a los autores con muchos seguidores en redes sociales. Ella se mantiene al margen, hace lo que le nace como autora. Escribe donde le lleva la inspiración, ya sea a abordar el mundo de las sectas, el mundo árabe o la encarnación, como en su última novela Lo inexplicable (Planeta). Una historia de suspense en la que un niño arrastra a su niñera hacia un misterio sobrenatural.
“Un relato que responde a una necesidad actual: vivimos un mundo marcado por un progreso tecnológico acelerado al que le falta un ingrediente fundamental, la poesía. Los seres humanos construimos la realidad a través de narraciones, pero estamos perdiendo esa dimensión poética, que es precisamente la que intenta recuperar la novela”, explica la autora.
P: ¿Dónde queda la palabra en ese mundo?
R: La palabra es el instrumento con el que formamos el mundo y nos formamos a nosotros mismos. Lo que ocurre es que, por ejemplo, internet me parece todavía un medio muy rudo, muy plano, que no ha encontrado su esencia. Por eso hay una vuelta a la espiritualidad: si entras en cualquier buscador, muchas ideas remiten a Sócrates, Platón, Aristóteles… Estamos regresando a los clásicos porque quienes desarrollan la tecnología no nos están ofreciendo filosofía. Falta un discurso al que agarrarnos para sobrevivir.
P: ¿Y no volvemos a los clásicos porque no sabemos muy bien qué ver en el futuro?
R: Exactamente por eso, por la rapidez a la que se nos está obligando a vivir y a ver. No creo que el progreso sea malo. Para mí el progreso es fundamental, y creo en la tecnología y creo que es algo que beneficia a la humanidad. Pero todavía está por refinar, por definir, y sobre todo no nos da tiempo a adaptarnos a ella, que es inabarcable. Entonces necesitamos recursos mentales para poder adaptarnos.
P: ¿Cómo está viviendo la literatura este momento?
R: No da tiempo a nada. Por eso estamos sometidos a una rapidez tremenda. El concepto de tiempo ha cambiado. Es algo de lo que hablo en la novela, porque en esta novela se reflexiona mucho sobre el tiempo, sobre la muerte. Llamamos tiempo a la muerte.
En realidad, si la muerte no existiera o la destraumatizáramos, el tiempo también nos resultaría más laxo, más flexible y más soportable. Entonces por eso recurrimos, como yo hago en esta novela, a conceptos, a nociones que nos vienen de culturas que han pasado por muchísimas culturas, como es la reencarnación, que es el meollo de la novela, hablando en claro.
La academia es como una esponja: no dictamina si esto está bien o está mal, sino que recoge lo que está ocurriendo en la calle
Entonces, la literatura precisamente es el refugio, casi es el último refugio que nos queda, para serenarnos y, dentro de esa burbuja de serenidad, poder pensar, poder reflexionar, poder imaginar y no estar corriendo detrás de los minutos y de los segundos. Lo que pasa es que la literatura se nutre de lo que hay y ahora mismo también se está nutriendo de las posibilidades y de las comodidades que le ofrece la inteligencia artificial.
Ahora sabemos que más o menos, no sé si se podrá hacer, pero una novela puede salir de Chat GPT. Entonces también está cambiando mucho las posibilidades del escritor y del lector. La tecnología, cuando llega, entra a través del ocio y de la comodidad. Nos hemos aficionado al móvil y a internet porque nos entretiene y porque podemos acceder a datos sin ir a una biblioteca. Pero al mismo tiempo quizá nos vuelve un poco vagos, en el sentido de: para qué me voy a poner a estrujarme el cerebro, para qué me voy a imponer esta gran concentración, si se me da hecho.
Escribir siempre ha sido, sobre todo, un reto de concentración. Se habla de la soledad del escritor, pero en realidad el reto es la concentración. Cuando escribes, pones en funcionamiento todos tus mecanismos de concentración más profundos. Entonces puedes liberarte de eso acudiendo a lo que te ofrece la inteligencia artificial, pero en detrimento tuyo, porque ese ejercicio de concentración ya no lo haces.
P: ¿Cómo se vive dentro de la Academia de la Lengua este mundo que estamos viendo? ¿Están vivos estos debates?
R: Están muy vivos porque tenemos mucho interés en la inteligencia artificial y en el lenguaje no humano. La academia está obligada a revisar ese tipo de lenguaje. A mí me encanta, porque en la academia se ve todo lo que está sucediendo en la sociedad. La academia es como una esponja: no dictamina si esto está bien o está mal, sino que recoge lo que está ocurriendo en la calle, lo que está ocurriendo con los hablantes, todas las palabras, por ejemplo los neologismos que están entrando, porque es un mundo nuevo, con muchísimas cosas nuevas, con una tecnología apabullante que exige nuevas palabras, un nuevo vocabulario. Todo eso lo revisamos en la academia. Los académicos que vienen de distintos sectores, y entonces se puede comparar, se puede debatir y se puede ir estudiando todo.
P: ¿Y hay preocupación o hay expectativa de transformación?
R: Hombre, lo que viene es apabullante. Lo que viene es emocionante y es algo sobre lo que hay que estar alerta. En la academia tenemos la obligación de estar alerta. Fuera de la academia, lo que se está creando es mucha ansiedad en los ciudadanos, en los habitantes de este planeta, porque no nos da tiempo a adaptarnos a lo que viene. Están todas estas empresas tecnológicas y también, desde un punto de vista científico, intentando atrapar el futuro. Pero los ciudadanos de a pie, que tenemos que hacer la declaración de la renta, que tenemos que hacernos una colonoscopia, que tenemos miles de preocupaciones, no nos da tiempo a adaptarnos. Esto crea una gran ansiedad y falta esa parte de serenidad, lo he llamado poesía, pero quiero decir esa parte que, al mismo tiempo que se nos ofrecen cosas nuevas, también nos da la oportunidad de saborearlas. Y ese tiempo no se nos ofrece.
P: ¿Cómo percibes el mundo editorial? ¿Hay exceso de autores, exceso de producción, o eso nunca es suficiente?
R: Yo del mundo editorial, si te digo la verdad, después de 30 y tantos años de publicar, nunca me he enterado bien de cómo funciona. Para mí es un enigma. O sea, yo creo que la gente que está en los despachos, los editores, para mí es un enigma. Yo entrego un manuscrito, me lo revisan, me lo aceptan, todas esas cosas, pero fuera de eso yo no sé. Siempre me ha parecido un mundo casi mágico, que de ahí salgan libros. Pero claro, también imagino que sufren el mismo efecto que en todos los sectores de la sociedad: la inteligencia artificial, el ChatGPT, todas estas cosas.
Hay un fenómeno que a mí se me escapa, que es el de los followers. Para los editores ahora mismo tienen mucho interés esos autores que en Instagram tienen muchos followers. Para mí eso, que vengo de otro mundo literario, se me escapa, porque ni me interesa ni puedo ponerme ahora a convocar followers. Es decir, hay un mundo nuevo, el de la gente que sabe manejar Instagram, internet y tal, que se nos escapa y al que no podemos ponernos al día de un día para otro.
"A Maldição de Golias", de Luke Kemp, apresenta-se como “uma releitura radical da história humana através do colapso das sociedades”, mas fica muito aquém — ensaio crítico de José Carlos Fernandes.
“David e Golias” (c.1650-60), por Guillaume Courtois
"A Maldição de Golias", de Luke Kemp, apresenta-se como “uma releitura radical da história humana através do colapso das sociedades”, mas fica muito aquém — ensaio crítico de José Carlos Fernandes.
“David e Golias” (c.1650-60), por Guillaume Courtois
Regressar à realidade depois de assistir ao hediondo é o mais difícil. Podemos deixar-nos corroer pela raiva ou pela loucura. Ou podemos escrever. Kamel Daoud, escritor, jornalista e cronista franco-argelino, escolheu escrever. As suas obras estão proibidas na Argélia, país que o viu nascer e tornar-se homem das Letras. É um “inimigo do Islão”. Exilou-se em França. A cidadania francesa faz do autor um cidadão europeu, estatuto que Daoud traduz como liberdade do corpo, de acesso ao espaço público.
Na sua passagem por Lisboa, por ocasião do Choix Goncourt du Portugal, o escritor duplamente distinguido com o mais prestigiado prémio das letras francesas, o Goncourt, conversou com o JE. As obras distinguidas estão editadas em português: “Meursault, contra-investigação”, o seu romance de estreia, e “Huris”, um relato ficcional dos massacres durante a “década negra” da Argélia (1992-2002). Ele que viveu a guerra civil, que caustica o islamismo radical, que não abdica dos seus princípios éticos e cujas crónicas em diversas publicações francesas e internacionais são peças relevantes para compor o ‘puzle Kamel Daoud’.
O otimismo é possível?
A pergunta é inevitável após uma troca de impressões sobre a nossa relação com os ecrãs, com a omnipresença da tecnologia e com os perigos que ela encerra, por exemplo, no que toca à leitura. Daoud diz que a leitura sofre, claro, mas que o mais preocupante são as consequências. E sintetiza: “falta de compaixão, insensibilidade para com o outro.” O discurso parece pessimista ante o comportamento humano, mas Kamel Daoud diz ter “esperança”, apesar das convulsões que hoje vivemos. “Quando há um grande avanço tecnológico, existe sempre um momento de hesitação. Depois, inventamos instrumentos regulatórios”. E dá um exemplo. “Quando a imprensa foi inventada, explodiram as seitas, a pornografia. Mas, depois, inventou-se o depósito legal, os direitos de autor.” Levámos 150 anos, mas fizemos progressos, recorda. Por isso mantém-se otimista. “Penso que haverá instrumentos regulatórios para a internet, as redes sociais e a IA. Não são os do nosso tempo, mas acabarão por ser criados. Até lá, haverá um grande choque”. Não faz futurologia, mas por tudo o que tem lido, acha plausível que haja um grande choque económico, num primeiro momento.
A geopolítica também está a abanar alicerces – económicos e de ordem moral, para não irmos mais longe. Daoud é muito claro quando o assunto são as guerras. “Proíbo-me eticamente de falar sobre guerras e lugares que não conheço. Porquê? Porque quando vivi a guerra civil argelina, não gostava de ouvir pessoas que falavam do que não sabiam. Quando os islamistas tomaram o poder na Argélia, em 1991, as pessoas disseram, em França, na Europa e noutros lugares: ‘mas isto é a democracia a funcionar’.” Pausa. Fala na sua revolta, nos direitos humanos. “Sim, mas no dia em que a tua filha é raptada, violada e degolada, o que fazes aos princípios?” O que mais gosta na literatura é que ela “nos mostra os nossos limites em relação a isso. É por isso que existem duas realidades sobre o Irão, Israel, a Palestina. Existe a própria realidade, aquela que podes descobrir se lá fores. É humano, portanto é complexo. E há a realidade das projeções que fazemos sobre os outros. À distância, fazemos muitas projeções. E toda a gente fala da Palestina, mas não vemos um único palestiniano falar sobre o que se passa.”
Nada disto é simples. E menos ainda simplista para quem vem de uma guerra que matou 200 mil pessoas. “Mas não tenho direito a falar sobre ela porque sou filho da terra. Em França, tenho sofrido muitos ataques de certos meios de comunicação, que me rotulam de islamofóbico”, partilha. “O que quero dizer é que são as nossas histórias que condicionam a nossa forma de ver o mundo. Assim, a posição mais honesta é tomar consciência da sua própria história íntima.” Porquê? – questionamos. “Porque te permite compreender o outro, que é diferente, mas consciente de quem tu és.” E cita Albert Camus. “Admiro-o porque disse ‘não’. Porque disse que o homem deve estar acima dos princípios. Não abaixo deles.”
A espada de Dâmocles
A literatura regressa à conversa, cortesia de Camus. O direito à ficção está em perigo? “Primeiro, a ficção está ameaçada pelo populismo. Os populistas são grandes romancistas falhados. Vendem-nos ficção mal escrita, e, quando acreditamos nisso, ou vamos para a prisão ou assediam-nos nas redes sociais. Segundo, a ficção está ameaçada pelos ecrãs e pelas redes sociais. O ‘fake’ matou a ficção, porque ficção e ‘fake’ não são a mesma coisa. A ficção é a portadora da verdade. O ‘fake’ está lá para te enganar. Terceiro, temos as leis.” E detalha. “Na Argélia, fui condenado a três anos de prisão por um romance que escrevi. Mais grave, a 20 de maio deste ano, foi publicada uma nova lei que proíbe que se escreva sobre a guerra da independência da Argélia.” Esta nova lei prevê uma condenação de 5 a 10 anos de prisão para quem escrever fora da narrativa oficial. “Imagine um escritor que é refugiado em Portugal, em França, onde quer que seja. Vai ter medo. Ninguém vai escrever sobre a guerra civil argelina. Sobre o que realmente se passou.”
O que diria a um jovem que quer ser escritor, mas sem uma espada de Dâmocles a pesar-lhe sobre a cabeça? “Quando tens uma resposta, escreve um artigo. Quando tens uma pergunta sem resposta, escreve um romance.” Resposta rápida, objetiva. “Para escrever um bom romance é preciso uma pergunta que ainda não tem uma resposta definitiva”, reforça Kamel Daoud, antes de dizer que escreveu uma carta aberta ao Papa, já publicada, quando da sua visita, em abril, à Argélia. Pediu-lhe para não esquecer uma história de Camus – de novo o seu compatriota nos acompanha. “É uma história sublime, muito curta. São Demétrio tinha um encontro com Deus. No caminho, encontra um camponês com uma carroça partida. Então, coloca-se-lhe um dilema: ‘Se ajudar o camponês, vou perder o encontro com Deus. Sou um santo, esse é o propósito da minha vida. Mas se me encontrar com Deus tendo deixado um camponês a sofrer, não serei santo’.” Pausa.
“Não há uma única resposta certa. Há escolhas a fazer”, realça o escritor. E reflexões. Como esta: será que demasiada democracia mata a democracia? É uma questão que Daoud por vezes formula perante uma plateia. “Há os que radicalizam a sua posição dizendo que é por termos demasiada democracia que somos fracos. Outros dizem que só temos esta democracia para nos defender. E há ainda os que escolhem por desespero e votam na extrema-direita. Sabemos bem que, entre segurança e democracia, as pessoas escolhem a segurança.”
O escritor lembra que vive em França desde 2023 e tem a cidadania francesa há poucos anos. Continua “impressionado com a liberdade do corpo”, com o acesso ao espaço público na Europa. “Podemos ir a um jardim e sentarmo-nos a desfrutar do sol. Estarmos aqui sentados, tu com o teu caderno, o teu gravador… Na Argélia haveria polícia no local.” Ou pior. E, agora, com as redes sociais e a extrema-direita na Argélia, “os ânimos estão cada vez mais exaltados.” Viajar é impossível. Por isso dedicou uma das suas mais recentes crónicas ao ato extraordinário que é poder viajar. “Quando viajas para a Europa descobres a liberdade. Por mais que os soberanistas, a extrema-direita, os entusiastas do Brexit digam ‘não, temos de recuar’, o facto de se poder viajar é, a meu ver, a maior conquista da Europa.”
Daoud pesa as palavras. “Agora, o Ocidente é acusado de ter fronteiras fechadas. As fronteiras mais mortíferas estão, de facto, por toda a Europa, mas as fronteiras mais mortíferas também estão em casa, do outro lado. Aqueles que vêm do Sul para Marrocos, para a Tunísia, para a Argélia, morrem. São rejeitados. São colocados em camiões e abandonados no deserto. As fronteiras do outro lado são mortais.” A expressão retoma a serenidade. “Para mim, este é o maior sucesso da Europa: esta liberdade do corpo, esta fronteira vivida sem violência. Nunca me senti tão europeu como hoje.” E as fronteiras mortais? “Muitos acusam a Europa, mas esquecem-se que, primeiro, [as fronteiras] despertam a paixão violenta das ditaduras.”
Quedo amb en Josep Pedrals (Barcelona, 47 anys) a la mítica biblioteca de son pare. És dimarts de matí i els fills corren pel despatx perquè hi ha vaga de mestres. Els té treballant: li ordenen la Bernat Metge, comproven quins volums falten amb un Excel imprès i un bolígraf. Em fa il·lusió fer aquesta entrevista. D’una banda, perquè el llibre que publica amb Arcàdia, Poeticismes, és una conversa a la deriva sobre això i allò, i parlar-ne amb ell vol dir seguir-lo llegint. El llibre és un follet a la butxaca, un Josepet que t’explica coses. De l’altra, perquè en Pedrals és un poeta alegre ―i no n’hi ha gaires.
La Habana, 13 jun (Prensa Latina) El volumen Serafina Núñez. La verdad amaneciendo, del investigador cubano Osmán Avilés, se presentará hoy aquí en el espacio literario semanal Sábado del Libro.
La Habana, 13 jun (Prensa Latina) El volumen Serafina Núñez. La verdad amaneciendo, escrito por el investigador cubano Osmán Avilés, se presentará hoy aquí en el espacio literario semanal Sábado del Libro.
Una de las más fecundas y originales carreras de la historia de la ficción criminal inició su andadura, sin que el protagonista todavía lo supiera, el 29 de diciembre de 1996. El asesinato aquel día de la joven Belinda Pereira en Dublín, nunca resuelto, la reacción de unos y otros cuando se supo que era prostituta y la dejadez de la policía soliviantaron a un joven periodista freelance del Irish Times que por entonces leía con ahínco al maestro Ross Macdonald. Su nombre era John Connolly y aquella rabia, aquella necesidad de justicia, aquel impulso redentor cristalizaron en Todo lo que muere (1999), la primera historia protagonizada por el detective Charlie Parker. Casi 30 años después, nos encontramos con Connolly (Dublín, 58 años) en un hotel próximo al parque del Retiro y, por tanto, de la Feria del Libro de Madrid, por la que pasa este fin de semana como ilustre invitado. Viene con un estreno bajo el brazo (Hijos de Eva, Tusquets, como toda su obra) y ha aprendido español desde el último encuentro con este periodista. Pero volvamos al principio.
Si, como se dice en La edad de la inocencia, los estadounidenses desean alejarse de la diversión incluso con más rapidez de la que muestran para correr hacia un espectáculo, la aparición de un cuento inédito de la autora de esta novela, Edith Wharton, llega ya un poco tarde. Pero el relato The Men Who Saved The World (Los hombres que salvaron al mundo), escrito en algún momento a partir de 1918 y publicado ahora por la revista literaria trimestral The Strand, sirve para arrojar algo de luz sobre algunos aspectos poco conocidos de Wharton, la primera mujer que ganó un Pulitzer de ficción.
Ocurre pocas veces. Empezar un libro y que te acucie la necesidad y el placer de devorarlo de un tirón, ahuyentando el sueño, fascinado de principio a fin. Con La bola me ha vuelto a ocurrir ese milagro. Me gusta hasta su dedicatoria: “A mis padres por no darme nunca por perdido. A Anna, Giulia y Simona por no darme nunca la razón”. Anna es su mujer, toneladas de estilo, y Giulia y Simona son sus pequeñas hijas. De mi amigo Dani Verdú sabía que, además de irónico, muy listo, zumbón y divertido, antiguo pateador de calles duras, poseía el bendito don de la escritura. Conocía su virtuosismo en distancias cortas, en sus columnas y en sus crónicas, pero ignoraba si eso ocurría en las largas.
Treinta años cumple la librería Hipérbole, situada en la calle del Obispo Carrasco 1-3 –en el centro de la ciudad de Ibiza–, desde que en 1986 la fundaran Jacinta y Julián, padres de Pablo Sanz, el joven librero que hoy nos prescribe literatura. En Hipérbole, tal y como ellos mismos señalan en su web, mantienen un modesto diálogo entre el libro y los habitantes de la isla mediterránea. Con los años se ha convertido en un refugio cultural donde proteger una relación que abarca infinidad de sensaciones, sentimientos y recuerdos que tienen como protagonista al mundo del libro. Con el objetivo de mantenerse al día, en este espacio lector se realizan a menudo presentaciones de libros, talleres, coloquios y jornadas literarias.Del mismo modo que intentan dar a conocer las obras de escritores locales. Una vez hechas las presentaciones vayamos al grano, que son los libros.
Así, la primera recomendación de Pablo Sanz, una novela de reciente publicación, es «Mil cosas» (Anagrama) del gallego Juan Tallón. «Una obra en que dos protagonistas encarnan la representación del moderno patrón trabajo-consumo-vida (entendida esta como ocio y dedicación a la familia y allegados), el cual impide el reposo y termina por opacar este último elemento de la terna. Al autor le basta con narrar la víspera de unas vacaciones anheladas –en una jornada de verano asfixiante tanto en lo literal como en lo metafórico– para señalar las características patológicas de este ‘‘modus vivendi’’ y evidenciar lo que verdaderamente importa. No lo hace con una parábola endulzada, sino a través de una tragedia final tan funesta como, desgraciadamente, ocasionalmente real.», explica el librero balear.
Mas si ha de aconsejarnos una novedad editorial en lo que a ensayo se refiere, Sanz se decanta por «Clásicos sin filtros» (Crítica), de Mary Beard. «Una aproximación al mundo clásico que rechaza las concepciones elitistas o abúlicamente reverenciales, para entender su dimensión inscrita sobre un plano sociocultural irreductible a una dimensión, podríamos decir, meramente museística o estatuaria», expone el librero. ¿Y alguna obra reciente de relatos? Sí, «Miembro fantasma» (Páginas de Espuma), de Fernando Trías. «Quien lo hojee topará con relatos escritos con un estilo personalísimo, con uso de superposiciones y reiteraciones. Orbitan en torno a la idea alegórica del miembro fantasma, entendida como el dolor latente tras las pérdidas indeseadas», justifica este su recomendación.
Asimos, si le pedimos el título de una obra para regalar, apuesta por «Atlas mitológico de Grecia» (Eclecta editorial), de Pedro Olalla. «La edición cuidada y la atractiva estructura que organiza todo el acervo en torno a cada una de las divinidades glosadas y sus dinastías hacen de esta obra un obsequio estupendo para los entusiastas de la mitología helena».
Como coda, cabe que nos prescriba una obra y autor de la tierra. Señala Sanz a José Miguel L. Romero y «Los indeseables». Una investigación sobre un episodio ampliamente desconocido (la expulsión por el gobierno español de una decena de judíos que en 1940 vivían en Ibiza).» Apuntado queda.
Pensei em Amr Kunta, nas bagas vermelhas, nos livros com pele de cabra, na rosa que viu duas vezes e no rouxinol que nunca encontrou. Tudo nele parecia ensinar que os grandes milagres regressam.
Pensei em Amr Kunta, nas bagas vermelhas, nos livros com pele de cabra, na rosa que viu duas vezes e no rouxinol que nunca encontrou. Tudo nele parecia ensinar que os grandes milagres regressam.