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“Acessibilidades 2.0” chega a Faro e Loulé

13 June 2026 at 13:25

O projeto “Acessibilidades 2.0”, promovido pela Associação Salvador, vai começar a ser implementado em Faro e Loulé, através de um conjunto de eventos gratuitos que reforçam o compromisso com uma sociedade mais inclusiva e acessível.

Depois do lançamento em Portimão e Lagoa, a Associação Salvador dá início à sua implementação em Faro e Loulé, onde o programa pretende «aproximar a inovação tecnológica das comunidades, promovendo uma participação mais ativa das pessoas com deficiência na vida cívica e social».

As iniciativas, abertas à população, reúnem cidadãos, técnicos, entidades locais e pessoas com deficiência em torno de soluções práticas para melhorar a acessibilidade e a inclusão no território.

Através da combinação de tecnologia, capacitação e envolvimento comunitário, o projeto procura «facilitar o acesso à informação, reforçar a autonomia e incentivar a identificação e resolução de barreiras no espaço público».

A Associação refere ainda que, no centro do programa, estão dois momentos inéditos na região do Algarve: o lançamento de um assistente virtual e a apresentação do programa de embaixadores de self-advocacy.

A primeira é «uma ferramenta inovadora que simplifica o acesso à informação sobre direitos das pessoas com deficiência, tornando-a mais acessível, clara e imediata para qualquer cidadão» e a segunda trata-se de uma iniciativa «que forma e capacita pessoas com e sem deficiência para atuarem como agentes de mudança nas suas comunidades, com impacto direto na vida local».

As atividades são gratuitas e a inscrição prévia é obrigatória.

Em Faro, o evento está marcado para o dia 23 de Junho, às 9h30, na Biblioteca Municipal. No concelho de Loulé, é às 14h30, no Pavilhão Multiusos 25 de Abril (Almancil).

O projeto “Acessibilidades 2.0” é desenvolvido pela Associação Salvador e tem como missão «fortalecer a participação ativa das pessoas com deficiência na vida social e cívica, promover o conhecimento sobre direitos fundamentais e criar redes colaborativas com impacto real nos territórios onde atua», lê-se na nota.

A operação «Acessibilidades 2.0» é apoiada pelo Algarve2030, Portugal 2030 e pela União Europeia – Os Fundos Europeus Mais Próximos de Si.

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Portugal tem este sábado cerca de 140 concelhos em perigo máximo de incêndio

Todo o país está este sábado sob Aviso Amarelo, exceto o Algarve onde há sete concelhos em perigo máximo de incêndio

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) colocou para este sábado, 13 de junho, cerca de 140 concelhos de doze distritos de Portugal continental em perigo máximo de incêndio rural, sendo os concelhos que estão em perigo máximo nos distritos de Vila Real, Bragança, Castelo Branco, Coimbra, Leiria, Santarém, Lisboa, Portalegre, Setúbal, Évora, Beja e Faro.

No Algarve o IPMA colocou em perigo máximo os concelhos de Aljezur, Monchique, Portimão, Silves, Loulé, São BRás de Alportel e Tavira, tendo também colocado este sábado vários concelhos dos distritos de Viana do Castelo, Braga, Bragança, Vila Real, Aveiro, Guarda, Viseu, Coimbra, Leiria, Castelo Branco, Santarém, Setúbal, Lisboa, Beja e Faro em perigo muito elevado e elevado de incêndio.

O instituto refere que o perigo de incêndio rural vai manter-se máximo e muito elevado pelo menos até domingo devido ao tempo quente, sendo que este perigo, determinado pelo IPMA, tem cinco níveis, que vão de reduzido a máximo, sendo os cálculos obtidos a partir da temperatura do ar, humidade relativa, velocidade do vento e quantidade de precipitação nas 24 horas anteriores.

Proteção Civil recomenda medidas preventivas à população

Devido ao tempo quente, a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) alertou para o perigo de incêndio rural “muito elevado a máximo” na generalidade do território nos próximos dias, recomendando à população medidas preventivas.

Em comunicado, a ANEPC refere que o agravamento das condições meteorológicas tem como efeitos expectáveis o agravamento do perigo de incêndio, com condições favoráveis à eventual ocorrência e propagação de incêndios rurais, bem como o aumento da dificuldade das ações de supressão, em especial nas regiões do interior Norte, Centro e Algarve.

Como medidas preventivas, recorda que é proibido fazer queimada extensiva, queima de amontoados, usar fogo para cozinhar alimentos em espaço rural, exceto se for fora das zonas críticas e em locais autorizados, usar motorroçadoras, corta-matos e destroçadores, e evitar o uso de grades de discos.

Para proteger a ameaça do calor, a ANEPC recomenda especial atenção com doentes crónicos, crianças e idosos e reforça a importância de beber mais água, pelo menos oito copos por dia (1,5 litros), aplicar a cada duas horas protetor solar com fator superior a 30, usar chapéu e roupas claras, largas e frescas, e optar por refeições leves.

Portugal continental regista temperaturas elevadas com valores da temperatura máxima a variar entre os 23 graus Celsius em Sagres e os 37 graus em Évora.

O IPMA prevê para este sábado céu pouco nublado, com aumento de nebulosidade no interior Norte e Centro durante a tarde, com condições favoráveis à ocorrência de aguaceiros e trovoada.

«Ter paciência, aprender a língua e manter a mente aberta»: a vida dos alunos imigrantes numa escola de Portimão

13 June 2026 at 02:00

Daniil Kostiuk é aluno do 12ºH da Escola Secundária Manuel Teixeira Gomes, de Portimão, tem 19 anos e é ucraniano. Ele é apenas um dos exemplos dos muitos alunos de nacionalidade estrangeira que frequentam esta escola, para quem um dos maiores desafios foi aprender português e entender no começo, já que a língua é completamente diferente do ucraniano.

Ele conta que no seu 4º ano de escolaridade aconteceu uma situação desagradável no começo do seu aprendizado:

«Quando eu cheguei cá, na minha turma tinha dois rapazes, naquela altura eu estava mais orientado com o português…e eu era uma criança que, quando me diziam alguma coisa, eu apontava e dizia: “olha, que giro!”. Os rapazes que eu achava que eram meus amigos apontam para uma gaivota e dizem: “olha, um paneleiro!”, e logo eu repeti também. Eu não conhecia a palavra em português, não sabia. Numa aula de educação física, que naquele tempo se chamava ginástica, eu chego até o professor e apontei para as gaivotas no céu e disse “olha, professor, paneleiros!”, e ele não achou muita piada».

Essa foi uma das experiências que Daniil passou ao longo da sua caminhada em Portugal como aluno de Português Língua Não Materna (PLNM). Ele só foi aprender o significado da palavra “paneleiro” no 7º ano. 

Isso reflete como, muitas vezes, a adaptação para uma nova língua pode ser constrangedora e intensa para muitos.

Ao decorrer das entrevistas, ficaram claras as dificuldades mais recorrentes para os falantes de língua portuguesa não materna, sobretudo daqueles cuja língua não tem origem no latim, como ucraniano, mandarim, ou árabe, entre outros que vêm de outras matrizes.

O professor de PLNM e a mediadora linguística da Secundária Manuel Teixeira Gomes relataram a veracidade desta realidade de alunos como Daniil, com uma língua oriunda de um ramo de línguas eslavas ou de matrizes distantes do latim:

«Aqui, quanto mais afastado for, mais difícil. Vai ter mais dificuldades, portanto as dificuldades são muitas, sobretudo para quem vem de culturas mais distantes, de matrizes diferentes», contou o professor Nuno Renca.

Cristina Lourenço, mediadora linguística da escola, acrescentou que «um alfabeto totalmente diferente do nosso é um dos pontos que estamos de acordo que é uma dificuldade deles. Existem línguas [como o árabe] onde escrevem de forma diferente de nós, por exemplo o sentido, escreve-se da direita pra esquerda. Nós nem pensamos, mas, quando olhamos, ‘’uau’’».

Tanisha, que veio da Índia, compartilha a mesma dificuldade em termos de fala, sendo um desafio para ela, após sair de uma mudança brusca de hindi para português, sendo um processo demorado. Mas salienta que a parte do tentar, do se esforçar para se integrar é importante em ambos os lados, tanto dos portugueses que acolhem, como dos imigrantes que cá aparecem.

«A criação de um ambiente acolhedor, o apoio dos colegas, atividades colaborativas, o uso da língua em contextos reais e o reconhecimento da cultura de origem dos alunos são fatores fundamentais para promover o sentimento de pertença e integração. É preciso querermos incluir. Aqui, o Agrupamento de Escolas Manuel Teixeira Gomes tem vindo a dar passos muito significativos», acrescenta Nuno Renda, professor de PLNM.

«Claro que, do ponto de vista do aluno, também é fundamental querer integrar-se. Uma das medidas positivas que vem dar um contributo importante neste processo é a da figura do mediador linguístico e cultural. Atua como ponte de comunicação entre alunos estrangeiros e toda a comunidade educativa, apoiando os alunos nas suas necessidades linguísticas, sociais e emocionais, de acordo com o seu percurso de vida e nível de proficiência em português», disse ainda Nuno Renca.

Um dos entrevistados, João Araújo, do 11° K, que veio do Brasil, acabou por usar o sotaque português para sua adaptação.

Sul Informação
Multiculturalidade na escola – Foto: Elisabete Rodrigues | Sul Informação

ESCOLA E INTEGRAÇÃO

Na maioria dos casos, a integração escolar teve cariz negativo nos primeiros anos em estadia em Portugal, pela forma de pensamentos estreitos de muitas pessoas sobre aqueles que vêm do exterior.

«Grande parte dos povos que têm pauta de serem contra a imigração são os países que mais migraram e que mais a população é imigrante, por exemplo Estados Unidos, que é um país feito de imigrantes completamente, ou Portugal, que emigrou tanto nos anos 40, 50 e 60. É uma hipocrisia muito grande, eu acredito», salienta o aluno brasileiro João Araújo.

Essa reflexão para começar o tema da integração é muito importante, pois muitos preconceitos podem atrapalhar esse processo custoso para aqueles que tiveram que deixar maior parte de sua família para trás, amigos e sua vida antiga para ter uma vida melhor.

«Apesar das diferenças, algumas pessoas são receptivas e boas. Uma coisa boa que aprendi foi lidar com as pessoas, e outras muitas coisas, pois foram muitas mudanças. Eu cresci muito aqui. Se eu estivesse em Angola, nossa! É outra coisa, outra forma de pensar, seria completamente diferente da que eu tenho agora, então lá como era o conservadorismo, religião, não há muitos espaços para questionamentos», diz Esmael Gongá, do 11ºF.

«Eu tenho agora nacionalidade portuguesa e até posso mostrar o meu cartão de cidadão. Vou eu e minha mãe à farmácia, ela ‘tá a falar e eu ‘tô ali no meu telemóvel a mexer, a viver a minha vida. Minha mãe a falar tem uma pronúncia estranha, é que ela não foi na escola como eu, ela não contacta com as pessoas como eu, porque minha pronúncia é algarvia. O medicamento era pra mim, a senhora, como quem diz que vão vocês para a puta que vos pariu e com aquele olhar de não vos quero servir, não quero vocês aqui, pediu o título de residência, que era meu, no caso, e ela foi toda feliz fazer as coisas. O clássico “volta pra tua terra”», recorda Daniil Kostiuk.

As entrevistas demonstram que a integração escolar em Portugal nem sempre acontece de forma imediata ou acolhedora.

Para muitos estudantes migrantes, os primeiros anos são marcados por dificuldades linguísticas, sensação de isolamento e preconceitos ligados à nacionalidade, sotaque, aparência ou origem cultural.

Em vários casos, a escola torna-se simultaneamente um espaço de crescimento e de exclusão.

Os relatos apresentados também revelam como o racismo e a xenofobia estrutural ainda permanecem presentes em muitos contextos eurocêntricos.

Nem sempre essas atitudes aparecem de forma explícita; muitas vezes manifestam-se em olhares, tratamento desigual, desconfiança, comentários sobre sotaques ou na ideia de que o estrangeiro precisa constantemente provar que “merece” estar ali. Isso afeta especialmente pessoas vindas de países historicamente marginalizados ou fora do eixo ocidental.

Ao mesmo tempo, as entrevistas mostram que a convivência entre culturas também pode transformar positivamente aqueles que migram.

Muitos entrevistados afirmaram ter desenvolvido novas formas de pensar, maior independência e crescimento pessoal através das diferenças encontradas em Portugal.

A integração, portanto, não depende apenas de quem chega, mas também da abertura da sociedade que recebe.

Compreender essas experiências é essencial para criar ambientes escolares mais humanos, empáticos e preparados para a diversidade cultural que atualmente faz parte da realidade portuguesa.

Sul Informação

DIFERENÇAS CULTURAIS

Ao longo das entrevistas, ficou evidente que adaptar-se a um novo país não envolve apenas aprender uma nova língua ou compreender um sistema diferente, mas também confrontar hábitos, valores e formas de convivência muitas vezes opostas às do país de origem.

Muitos entrevistados destacaram diferenças no modo como as pessoas se relacionam, comunicam e expressam emoções.

Para alguns, a sociedade portuguesa pareceu inicialmente mais reservada ou distante, sobretudo quando comparada com culturas mais abertas e coletivas, onde a convivência comunitária e familiar ocupa um espaço central no quotidiano.

Para outros, a maior liberdade individual e a possibilidade de questionar normas sociais representaram uma oportunidade de crescimento pessoal e mudança de perspetiva.

As diferenças culturais também se manifestam dentro da escola, nas expectativas em relação ao comportamento, à autonomia dos alunos e à forma como a autoridade é percebida.

Aquilo que, para alguns estudantes, pode parecer normal ou respeitoso, para outros pode ser interpretado como frieza, rigidez ou falta de acolhimento.

 Estas pequenas diferenças, muitas vezes invisíveis para quem sempre viveu em Portugal, podem tornar o processo de adaptação mais desafiante.

No entanto, muitos dos entrevistados também reconheceram a beleza desse encontro entre culturas. A convivência com diferentes formas de pensar permitiu-lhes desenvolver maior capacidade de adaptação, empatia e compreensão do mundo.

Mais do que abandonar a própria identidade, adaptar-se significa, muitas vezes, aprender a viver entre duas culturas, preservando origens enquanto se constrói um novo lugar de pertença.

«A desigualdade social no Brasil, em termos da minha criação, sinto que foi mais restrita, não tive acesso a muita coisa, então pude vir pra cá e ver realmente o que acontecia ao redor do mundo. Foi uma coisa que não pude voltar atrás, entendes? A pobreza que existia, a fome, as guerras, a corrupção, a desigualdade social, é uma coisa impossível de voltar atrás e fechar os olhos, o que é estranho, porque, no Brasil, eu vim pra cá com 8 anos e eu via as pessoas debaixo da ponte, via as pessoas sem comer. E vir pra cá e ver, ok, afinal isto não é tão normal assim. É um choque muito grande», comenta o brasileiro João Araújo.

João saiu de Belo Horizonte pra uma cidade muito pequena (Portimão), o que foi um «contraste bom», já que ele saiu da vivência fechada na  religião dentro dos valores tradicionais.

Para o ‘espírito’ livre dele, ajudou na sua liberdade individual e explorar mais suas origens brasileiras quando veio para cá, criando a necessidade de conectar com as raízes e não perder completamente sua essência.

O angolano Esmael Gongá compartilhou da mesma sensação que João, em termos de liberdade, da vivência conservadora e religiosa de muitos países da CPLP.

«Saber da existência do racismo, a perceção do racismo na pele. Eu sabia na teoria, mas na pele é totalmente diferente, foi uma questão que tocou muito quando eu cheguei aqui. Outra foi o diferencial de liberdade, vindo de um contexto africano, com uma visão de mundo muito religioso e conservador, então não tinha aquela liberdade toda», explica.

«Quando eu cheguei cá, um país mais liberal, uma sociedade mais liberal e muitas coisas, foi um choque grande. E foi uma das coisas que tive que me adaptar e me ajudou muito na forma de ver a vida e também mudou definitivamente minha visão de mundo. A orientação sexual, a forma de expressão, a roupa, a forma de vestir, foi uma mudança muito grande. Da orientação sexual, tem leis e tudo, a pessoa pode se casar com pessoas do mesmo sexo e ter outros relacionamentos, é uma desconstrução de papéis tradicionais. Vir de uma visão mais conservadora foi um choque pra mim nesse sentido, abriu minha mente para questionar as coisas, foi muito top», sublinha Esmael.

«Algumas pessoas se adaptam à língua e outras mais devagar. Eu, quando cheguei cá, tentei a língua muito rápido, mas meu português não é muito bom. É muito diferente a cultura daqui e da Índia, comida e outras coisas. Vejo o mundo de forma mais aberta e diferente, com mais calma e com mais força», frisa, por seu lado, Tanisha, aluna do 11ºO.

«Quando saí do Aeroporto de Lisboa, eu era uma criança e vi uma palmeira. E eu fui até à palmeira, a minha primeira foto em Portugal foi uma palmeira à frente do Aeroporto Humberto Delgado. O que me surpreendeu foram as palmeiras, o clima, nada a ver com aquilo que eu tinha na Ucrânia. A falta de neve também, foi uma coisa que eu tive de me desabituar muito, que ainda custa um bocadinho, com essa chuva da desgraça. A comida me surpreendeu positivamente, não estava nada à espera, estava à espera de uma comida britânica ali toda morta», recorda Daniil Kostiuk.

«Aqui em Portugal há uma falta de compreensão de que isto é nosso país e nós é que tratamos do nosso país, e que o governo trabalha para nós e não nós que trabalhamos pro governo. As pessoas aqui esperam que lhes seja dado, as pessoas aqui não protestam, não defendem os seus direitos, as pessoas aqui estão-se a borrifar pra política. A Ucrânia é ao contrário, é totalmente ao contrário, as pessoas não se borrifam pra política. A política é o tema que de que se fala sempre  e todos, jovens, velhos, moderados, todos protestam! Até durante a guerra tivemos protestos, quando o governo fazia alguma bosta, protestos! Não faz muito sentido as pessoas aqui ‘tarem a reclamar e não fazerem nada para corrigir a situação. Nem votar vão…», constata o aluno ucraniano.

Mostrando que também os impactos refletem nos termos de cidadão ativo e que luta por seus direitos, lá na Ucrânia, mesmo não sendo obrigatório legalmente, é socialmente obrigatório exercer sua cidadania. Por isso, Daniil sentiu-se indignado com tal atitude dos portugueses, como sendo de uma perspectiva completamente diferente.

Sul Informação

CONSELHOS

E que conselhos deixaram nossos entrevistados aos imigrantes?

«Que não tenham medo de errar, sejam resilientes. Ninguém espera que saibam tudo desde o início, e o esforço, a participação, dedicação e a vontade de aprender são mais importantes do que a perfeição. É crucial pedir ajuda sempre que precisarem, seja aos professores, colegas ou mediadores, pois a escola é um espaço de apoio e inclusão. Acreditar em si, enfrentar as dificuldades como parte natural do processo de integração e aprendizagem, ir ao encontro de colegas, fazer amigos com quem pratiquem a língua portuguesa diariamente. Aprender uma nova língua é um processo gradual, e com esforço, apoio e motivação, é possível alcançar bons resultados», salienta o professor Nuno Renca.

Dar voz a quem recomeça é também uma forma de construir um país mais consciente e mais humano.

Daniil Kostiuk aconselha: «Se não têm muita paciência, precisam de ganhar, porque vão precisar e não é pouca! E muito provavelmente vão se habituar ao desleixo e à preguiça aguda, a pessoa ganha preguicite aguda, e quando a pessoa não está habituada a isso, a pessoa fica passadinha. Por exemplo, minha mãe passou-se por isso, mas tem que ter paciência, vai correr tudo bem. Essa é minha dica: ganhar paciência, beber muito chá de camomila e ter paciência».

Esmael Gongá resume: «sejam curiosos e não sejam ignorantes».

«Ter paciência, aprender a língua e manter a mente aberta», é o conselho de Tanisha.

«Ser aberto, cem por cento aberto a tudo. Há muitos brasileiros sendo xenófobos com a população da Índia, por exemplo, e acho que eles esquecem que somos farinha do mesmo saco, também somos imigrantes, também viemos pra cá pra melhores condições de vida. Então é uma estupidez tão grande e uma hipocrisia também», admite João Araújo.

«Então a melhor coisa é experimentar novas coisas, novos trabalhos, novas experiências, novos pratos, nova música, tudo que não está habituado. Sair da zona de conforto que é teu país, ir pra outro continente, um outro país, precisas de ser aberto. Se não fores, vais acabar fazendo igual algumas pessoas fazem, criar tribos para manter familiaridade. Então, não existe tanto essa heterogênea, é tudo o mesmo. Ser aberto, andar descalço e com as mãos abertas onde quer que seja, porque nunca sabes quando vai pisar num caco de vidro ou quando vai encontrar um tesouro», acrescenta o aluno brasileiro.

Adaptar-se nunca é simples. Exige coragem para recomeçar, paciência para enfrentar dificuldades e força para continuar mesmo quando o sentimento de pertença ainda não existe.

Para quem chega a Portugal, é importante lembrar que sentir medo, saudade ou insegurança faz parte do processo. Aprender a língua, procurar apoio na escola, criar novas relações e manter ligação com as próprias raízes pode tornar essa transição menos difícil.

Ao mesmo tempo, a responsabilidade da integração não deve recair apenas sobre quem chega. A sociedade que acolhe também tem um papel fundamental. Pequenos gestos de empatia, escuta e abertura podem fazer uma diferença profunda na vida de alguém que está a reconstruir tudo do zero.

Num país cada vez mais diverso, compreender as experiências dos outros torna-se essencial para combater preconceitos e fortalecer a convivência entre comunidades.

Integrar não significa apagar diferenças, mas aprender a respeitá-las e reconhecê-las como parte da riqueza humana que hoje também constrói Portugal.

A integração começa quando deixamos de olhar para o outro como estrangeiro e começamos a reconhecê-lo como parte da comunidade.

Sul Informação

PORTUGAL, PAÍS DE EMIGRANTES E AGORA TAMBÉM DE IMIGRANTES

Portugal, ao longo dos anos, foi tornando-se um país de acolhimento para muitos imigrantes de outros países e continentes, acabando por passar por uma transição em vários aspectos, como sociais, idioma, burocracia, escola, relações sociais, acolhimento tanto da parte de outros imigrantes, quanto dos portugueses e choques culturais.

O objetivo deste artigo é dar voz a quem está reconstruindo sua vida aqui, mostrar essas diferenças, ajudando a promover a empatia, uma melhor compreensão e integração entre comunidades tão diferentes entre si, mas ao mesmo tempo humanamente iguais.

O contexto migratório em Portugal tem sido significativo para conseguir entender melhor o êxodo dessas comunidades. A balança de migração tem registrado saldos positivos nos últimos anos, impulsionada por um forte aumento da imigração (quase 10% da população é estrangeira), superando a saída de nacionais.

Embora a emigração jovem permaneça elevada (18,2% dos jovens emigrados em 2021), o fluxo de entrada tem sido crucial para o crescimento populacional e da força de trabalho, particularmente em setores como hotelaria e agricultura.

Em 2023, Portugal contava com quase meio milhão de estrangeiros a trabalhar por conta de outrem, um valor que aumentou significativamente desde 2014.

A imigração é o principal motor do crescimento demográfico, sendo fundamental para atenuar o envelhecimento populacional. Apresentando uma diversidade de origens como: Comunidade de Países de Língua Oficial Portuguesa (CPLP), refugiados de guerras que ocorreram e imigração econômica.

Recorri ao ambiente escolar, pois, além de um espaço para educação, também funciona como um espaço de integração de cada nacionalidade, representando sua cultura e estruturas daquela sociedade em específico, que, ao chegarem aqui, se chocam. Também recorri à escola para demonstrar as diferenças de pontos de vistas diferentes tanto de imigrantes com língua materna ou não materna portuguesa. Das entrevistas a alunos da Escola Secundária Manuel Teixeira Gomes, cheguei à conclusão do quão complexo é a imigração.

Reportagem feita no âmbito do projeto Geração SULi, promovido pelo Sul Informação ao longo de nove meses, em parceria com seis escolas secundárias do Algarve.
Conheça o site Geração SULi e o projeto clicando aqui.

NOTA: Todas as imagens são de arquivo (Depositphotos), à exceção da que está assinada

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Registos: Quarto dia de greve encerra Conservatórias em Faro

No penúltimo dia da paralisação de uma semana convocada pelo Sindicato dos Trabalhadores dos Registos e do Notariado (STRN), a média nacional de adesão ultrapassou os 90%, fixando‑se nos 93,41%. No continente, a adesão subiu para 87,32%, enquanto a Madeira (92%) e os Açores (95%) mantiveram os níveis registados nos dias anteriores, de acordo com os dados recolhidos ao final da manhã pelo STRN.

Registou‑se forte impacto nos distritos de Aveiro, Beja, Coimbra, Castelo Branco, Évora, Faro, Guarda, Leiria, Lisboa, Porto, Portalegre, Santarém, Setúbal e Vila Real, onde a esmagadora maioria das Conservatórias se encontrava encerrada, com os restantes distritos a registarem constrangimentos significativos.

Concretamente no distrito de Faro, a paralisação teve um impacto expressivo ao longo do dia, provocando o encerramento generalizado dos serviços. 

Em Albufeira, tanto a Conservatória do Registo Civil como a do  Registo Predial, Comercial e Automóvel, encerraram. Em Alcoutim, as Conservatórias dos Registos Civil e Predial não asseguraram o atendimento, verificando‑se igualmente, em Aljezur, o fecho total das Conservatórias dos Registos Civil, Predial e Comercial. 

Situação idêntica ocorreu em Castro Marim e em Lagoa, onde as respectivas Conservatórias dos Registos Civil, Predial e Comercial estiveram fechadas durante todo o período de funcionamento.

Em Loulé, a Conservatória do Registo Civil e Automóvel registou também paralisação total, tal como em Portimão, onde tanto a Conservatória do Registo Civil como o Registo Predial, Comercial e Automóvel permaneceram fechados. 

Em São Brás de Alportel, os serviços de Registo Civil, Predial e Comercial não abriram ao público, e em Silves, a Conservatória do Registo Predial, Comercial e Automóvel esteve igualmente encerrada, sem capacidade de assegurar atendimento.

Em termos nacionais, durante esta semana de paralisação, as Conservatórias e Lojas de Cidadão que se mantiveram abertas funcionaram com limitações relevantes, tempos de espera prolongados e vários serviços a funcionar apenas parcialmente.

Amanhã, sábado, 13 de junho, último dia da greve, prevê‑se que estas limitações se verifiquem nas Lojas de Cidadão — os únicos serviços a funcionar ao sábado.

Amanhã também, no último dia da paralisação, o Presidente do STRN, Arménio Maximino, fará o balanço final da Greve Nacional dos trabalhadores das Conservatórias, numa iniciativa marcada para as 12h30, na filial de Lisboa do Sindicato, situada na Rua Joaquim António de Aguiar, n.º 64 — R/C Dt.º, 1070‑153 Lisboa.

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