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Algarve ganha fôlego com feriados de junho e hotéis perto da lotação esgotada

13 June 2026 at 18:00

A ocupação hoteleira no Algarve vai rondar os 80% durante as miniférias proporcionadas pelos feriados de junho, com um ligeiro aumento da procura face ao ano passado, disseram esta terça-feira à Lusa fontes do setor.

Em declarações à Lusa, o presidente da Associação de Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA), Hélder Martins, disse à Lusa que a expectativa era que a ocupação na região no período dos feriados de 4 e 10 de junho rondasse os 80%.

“A nossa expectativa é que nesta semana dos feriados nós vamos ultrapassar os 80% de ocupação, o que é muito bom”, afirmou, sublinhando que o mercado português é o que mais está a contribuir para os resultados alcançados pelo turismo algarvio nesta altura.

Quem optou por ir para a região está também a beneficiar de uns dias com tempo quente e sem chuva, com a meteorologia a ajudar as famílias a usufruir dos primeiros dias de praia, observou o presidente da associação empresarial algarvia. “Para as empresas […], é o aquecer os motores e, a partir de agora, entrarmos aqui já num período de época média-alta até chegarmos à época alta. Portanto, estamos satisfeitos com a procura que houve”, concluiu.

Também o presidente do Turismo do Algarve afirmou que os feriados contribuíram para um ligeiro aumento da procura de portugueses pela região, “embora os níveis se mantenham” em linha com os registados no ano passado.

Em declarações à agência Lusa, André Gomes sublinhou que o Algarve continua a ser “um destino de eleição” para o mercado interno durante períodos festivos, refletindo-se numa dinâmica positiva da atividade turística.

“Os feriados são tradicionalmente aproveitados por muitos portugueses para pequenas escapadas e o Algarve continua a ser uma das principais escolhas”, referiu. Segundo o responsável, estes períodos funcionam também como um “bom indicador” para o comportamento da procura na época alta.

Vem aí “uma época alta positiva”

Apesar do incremento registado nos últimos dias, André Gomes assinalou que “o reporte dos hoteleiros” aponta para um pequeno aumento de reservas do mercado interno, “embora sem variações significativas face à ocupação turística do ano anterior”.

O presidente da Região de Turismo do Algarve (RTA) destacou, no entanto, que o desempenho verificado “reforça a confiança do setor para os próximos meses”, numa altura em que a região ainda se prepara para o pico da procura turística.

“Estamos a falar de um destino consolidado como o Algarve, que tem mantido níveis de procura consistentes, nomeadamente por parte do mercado nacional”, frisou, apontando para a resiliência do destino.

Segundo o responsável, os atuais indicadores permitem antever uma época alta positiva, à semelhança de anos anteriores, sustentada tanto pelo mercado interno como pela procura internacional.

“É isso que nos leva a acreditar que, mais uma vez, a região do Algarve terá um bom desempenho ao nível da atividade turística durante a época alta”, afirmou, mostrando-se confiante quanto à evolução da procura nos próximos meses.

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Francisco Amaral critica consulta de tabagismo no IPO marcada para 2027

13 June 2026 at 17:10

O médico e antigo presidente da Câmara Municipal de Castro Marim, Francisco Amaral, criticou publicamente uma marcação do Instituto Português de Oncologia de Lisboa Francisco Gentil para uma primeira consulta de tabagismo apenas em maio de 2027.

A publicação, feita nas redes sociais a 26 de maio, foi acompanhada por uma fotografia de um agendamento do IPO Lisboa, onde surge uma consulta de “Primeira Tabagismo” da área de Pneumologia marcada para 10 de maio de 2027, às 14:30.

Imagem do agendamento divulgada por Francisco Amaral, onde surge uma primeira consulta de tabagismo no IPO Lisboa marcada para maio de 2027

“Assim não”, escreveu Francisco Amaral, defendendo que esperar quase um ano pode comprometer o momento em que o fumador decide deixar de fumar. Na mesma publicação, o médico sublinhou que “uma das razões do êxito” do Programa de Combate ao Tabagismo do Município de Castro Marim é precisamente a consulta de cessação tabágica acontecer “no próprio dia” em que o fumador toma a decisão.

A observação vai ao encontro de uma posição que Francisco Amaral já defendia publicamente em 2018: “a consulta tem que ser imediata” para aproveitar a motivação do fumador no momento em que decide parar.

O caso divulgado por Francisco Amaral diz respeito a uma consulta de cessação tabágica, não a uma consulta de tratamento oncológico. Ainda assim, ganha especial relevância por envolver o IPO Lisboa, uma unidade do SNS com área de influência direta que inclui Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve.

O próprio mapa público da Rede de Consultas de Apoio Intensivo à Cessação Tabágica da ARS Lisboa e Vale do Tejo, atualizado em 2023, identifica no IPO Lisboa uma consulta de cessação tabágica no Serviço de Pneumologia, com funcionamento semanal à segunda e quinta-feira, destinada a utentes do IPO e funcionários, por referenciação interna.

Em Castro Marim, Francisco Amaral tem sido uma das figuras centrais no combate ao tabagismo. O programa municipal foi implementado em 2015 e trabalha em duas frentes: sensibilização e motivação para deixar de fumar, e acompanhamento clínico e psicológico ao longo do processo.

Segundo a informação institucional da autarquia, o programa começa com uma consulta de cessação tabágica com médico e psicólogo e mantém acompanhamento até à alta.

Os dados mais recentes divulgados pelo Município de Castro Marim apontam para mais de mil consultas realizadas e mais de 800 pessoas que terão deixado de fumar ao fim de um ano, com uma taxa de sucesso de 82,37%. A autarquia refere ainda que a iniciativa assenta num modelo de voluntariado médico promovido por Francisco Amaral, que criou e lidera o projeto.

Câmara inaugurou a escultura “Eco Pulmão”

O impacto do programa tem ultrapassado o concelho. Segundo notícias publicadas em 2025, os participantes chegaram não só de Castro Marim, mas também de Vila Real de Santo António, Tavira, Faro, Mértola, Almodôvar, Portimão, Loulé e Lisboa, além de pessoas oriundas de países como Espanha, Alemanha e Reino Unido.

Para além das consultas, o projeto tem promovido campanhas de sensibilização, encontros de ex-fumadores e ações públicas como a escultura “Eco-Pulmão”, instalada na Praça 1.º de Maio, em Castro Marim. A aposta de Castro Marim na prevenção não é recente. Em 2019, a Câmara inaugurou a escultura “Eco Pulmão”, da autoria de Carlos Correia, como forma de alertar para os malefícios do tabaco e para o impacto ambiental das beatas. Na altura, a autarquia referia uma taxa de sucesso a rondar os 85% e 437 aderentes ao programa, números que entretanto cresceram de forma significativa.

Escultura “Eco Pulmão”. Crédito: CMCM

Francisco Amaral, que terminou funções autárquicas em 2025 após 32 anos à frente dos municípios de Alcoutim e Castro Marim, manteve disponibilidade para continuar a dar o seu contributo voluntário como médico. O antigo autarca tem uma carreira ligada à medicina geral e familiar e ao poder local, tendo sido presidente da Câmara de Castro Marim entre 2013 e 2025.

A crítica agora feita ao agendamento do IPO surge num contexto em que o cancro do pulmão continua a ser uma das grandes preocupações de saúde pública. O cancro do pulmão é a principal causa de morte por doença oncológica em Portugal e tem forte associação ao consumo de tabaco. A European Lung Foundation refere que entre 80% e 90% dos casos de cancro do pulmão são atribuíveis ao tabaco.

Castro Marim foi recentemente apontado como o concelho algarvio com menor incidência de cancro do pulmão, segundo dados divulgados durante as 16.ªs Jornadas de Pneumologia do Algarve.

A autarquia associa esse resultado ao trabalho desenvolvido pelo Programa de Combate ao Tabagismo, embora uma relação causal direta deva ser lida com prudência, por depender de vários fatores epidemiológicos.

A rede nacional de cessação tabágica existe no SNS desde a Lei do Tabaco de 2007, mas o próprio despacho que criou a rede de referenciação em 2015 reconhecia dificuldades de cobertura em todo o território nacional.

O mesmo diploma defendia a organização de consultas de apoio intensivo à cessação tabágica e o acompanhamento dos fumadores em vários momentos do processo.

Para Francisco Amaral, a questão central continua a ser o tempo de resposta. Quando um fumador decide deixar de fumar, defende o médico, a intervenção deve ser rápida.

O caso agora divulgado, com uma primeira consulta marcada para 2027, reacende o debate sobre a capacidade do SNS para responder em tempo útil a uma decisão que, muitas vezes, depende de uma janela curta de motivação.

Números do programa de Castro Marim

Ano de implementação: 2015

Consultas realizadas: mais de 1.000

Pessoas que terão deixado de fumar ao fim de um ano: mais de 800

Taxa de sucesso divulgada: 82,37%

Modelo: voluntariado médico, com acompanhamento clínico e psicológico

Informações/marcações: 961 010 169

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Entrevista ao poeta louletano Miguel Duarte: “Quem não é daqui é que é periférico”

13 June 2026 at 17:10

Com A Música do Amolador, Miguel Duarte regressa à poesia com um livro atravessado pela memória, pela infância, pela perda e pela paisagem algarvia. Natural de Loulé, o autor assume uma escrita exigente, feita de revisões, imagens intensas e fidelidade ao tempo interior da criação.

Depois da apresentação na Feira do Livro de Lisboa, fala ao Postal do Algarve sobre o lugar do Sul na sua obra, o reconhecimento de Lídia Jorge e a responsabilidade de escrever sem ceder à pressa.

Crédito: Luísa Pinto, da Guerra & Paz

P – O título A Música do Amolador sugere uma arte de afiar: a lâmina, a palavra, talvez a memória. Como surgiu este título e que lugar ocupa essa figura do amolador na ideia geral do livro?

R – O título foi mesmo a última coisa a surgir. Caiu como um raio na escuridão. Andei à procura, experimentei alguns, mas este veio calar todos os outros. Eu pertenço talvez à última geração de portugueses para quem o som com que o amolador se fazia anunciar é indissociável das memórias da juventude. Dormia muitas vezes na casa dos meus avós, em Loulé, e aí não havia sábado em que não acordasse com o trinar daquela flauta, que pousava ali no meio da gente como um pássaro raro. Enfim, tudo isso foi-se perdendo; está quase extinto. Hoje, essa vivência aparece mais como uma intrusão na paisagem regulada da modernidade. As pessoas passam-lhe cuidadosamente à roda; não sabem o que pensar. Há algo de belo e ao mesmo tempo triste na ideia de alguém carregar às costas uma arte a preto e branco.

Meditações à parte, eu também sinto que sou um escritor um pouco à antiga e, nessa maneira de ser, sou um corpo estranho. Trabalho na sombra, estrago o sono, tomo o meu tempo. Não permito interferências nesse processo. Respeito a solidão dessa luta. E o resultado é que os meus poemas surgem habitados por personagens e situações que parecem caminhar também elas no limiar da extinção. Mas aquilo é tudo o que sabem ser e há nisso uma certa ternura que as torna palpáveis. Talvez por isso A Música do Amolador tenha feito logo sentido.

Tenho fome de criar coisas novas

P – Lídia Jorge escreve que este livro anuncia “o surgimento de uma grande voz a caminho” e fala numa torrente de imagens que lembra Dylan Thomas, Álvaro de Campos e, no Sul português, Ramos Rosa, Casimiro de Brito e Nuno Júdice. Como recebeu este reconhecimento e que peso têm, para si, essas possíveis linhagens literárias?

R – Desde logo, o apoio da Lídia Jorge fez duas coisas muito importantes por mim. A primeira é que trouxe uma sensação de amparo à minha visão criativa. Porque o olhar que temos da nossa escrita muitas vezes não coincide com o olhar dos outros. É um abismo traiçoeiro que só pode ser combatido com inquietude e autocrítica constantes, mas mesmo isso não garante chão firme para coisa nenhuma. Quem quer ser publicado tem que sujeitar-se à aprovação ou à obliteração que vem de fora… E a segunda é que uma mulher que muito admiro acaba por passar-me uma responsabilidade positiva para as mãos. Um estímulo, se preferir. Um estímulo para continuar a evoluir e procurar novas formas de me expressar pela poesia. Porque o que está feito, está feito. Foi um livro importante para mim; seguirá agora o seu caminho, mas não vejo utilidade nenhuma em ficar especado perante o que fiz. Tenho fome de criar coisas novas. E eu incluo os nomes referidos nessa noção de responsabilidade. Porém, mais do que pensar em linhagens literárias, interessa-me escrever e ter quem me publique os livros.

P – Ao longo do livro surgem o mar, as falésias, a Bordeira, Aljezur, o salitre, a terra, as ruínas e uma certa luz do Sul. De que forma o Algarve entra na sua poesia: como território real, como memória, como ferida ou como matéria simbólica?

R – Como tudo isso. Tenho dois Algarves dentro de mim. O Algarve que me foi revelado pela mão dos meus pais durante a infância é um outro Algarve muito particular, de que me apropriei à medida dos meus sentimentos. Cheguei à maioridade de pertencer a um sítio, que é tão real quanto imaginado. E é no ponto onde esses dois Algarves se cruzam que brotam alguns estados de alma para o que escrevo. Mas sinto que o livro é, acima de tudo, de uma humanidade universal. Aqui e ali, o Sul entra nele, mas é porque está intimamente ligado à minha experiência. Serve sempre como elevação, nunca como redoma. Muito sinceramente, acho que se o leitor não se der ao trabalho de ler a badana, nem vai fazer essa ligação à partida. Escrevo em tantos cenários…

Poeta louletano Miguel Duarte. Crédito: Luísa Pinto, da Guerra & Paz

P – Este é o seu segundo livro de poesia. Que diferença sente entre o Miguel Duarte que escreveu o primeiro livro e o poeta que agora publica A Música do Amolador pela Guerra e Paz? Houve uma mudança de voz, de exigência ou de ambição literária?

R – Sinto que houve um trabalho literário muito mais apurado com este livro. Passou por intermináveis afinações e revisões; tentei levar a minha linguagem a novos horizontes. Os próprios enlaces oníricos: procurei que rompessem com as expectativas decorrentes da leitura. Queria que o livro entrasse pelos olhos como uma tontura. A poesia permite-nos isso. Portanto, nesse sentido, sim, maior exigência e ambição. Mas repare, a matéria-prima mantém-se a mesma. E a matéria-prima é os sentimentos. É isso que carrega o livro em ombros. A técnica está ali para servir os sentimentos, sem os quais seria apenas um corpo grotesco. Não há ali uma linha que tenha sido escrita sem esse propósito. Portanto, o importante era que cada poema levasse tudo o que podia levar de mim.

Já o primeiro livro foi um tiro de partida que tinha que ser dado. Para uma estreia, superou as minhas expectativas, embora, à distância, o veja como um objeto imperfeito. E este também, à distância, parecer-me-á um livro cada vez mais imperfeito. Mas eu sou assim, severo comigo próprio. Talvez por isso não tenha essa tentação de publicar a granel. Preciso de sentir um certo nível de satisfação com o que escrevo, o que não é fácil de atingir. E a exigência vai sendo cada vez maior. Hoje, publica-se muito, mas escreve-se pior. Perdeu-se um pouco o valor do rigor muito por culpa das editoras de vaidade, das redes sociais e da crescente infantilização do leitor, todo esse caldo de indulgências. Eu não quero render-me a essa situação. Tenho as minhas regras e vejo o tempo como um aliado.

O sentimento é autobiográfico, mas dou inteira liberdade aos poemas para seguirem as imagens que melhor lhes sirvam

P – Há no livro uma forte presença da infância, da mãe, da casa, do corpo, da solidão e da perda. Até que ponto estes poemas partem de uma experiência autobiográfica e em que momento essa experiência se transforma em construção poética?

R – O sentimento é autobiográfico, mas dou inteira liberdade aos poemas para seguirem as imagens que melhor lhes sirvam. Ou seja, há ali muito que é puramente imaginário, mas, no fundo, tudo jorra da mesma fonte, como só a pessoa que o escreve poderia experienciá-lo. O livro é táctil nesse sentido. Queria que os poemas tivessem a forma de uma presença de carne e osso.

Mas, na realidade, a construção poética começa muito antes. Tem a ver com um conflito interior. Desde cedo fui uma criança sensível e há um movimento irresistível por parte do mundo para esmagar essa sensibilidade. É tudo muito binário, ou se mata ou se morre, ou se ganha ou se perde, ou se é a favor ou contra. Enfim, isto é particularmente violento para quem se comove facilmente. Agora lembro-me de que era uma criança algo solitária. Tinha muitos amigos, mas também gostava de estar sozinho. Porquê? Então parece-me que comecei a escrever poemas na adolescência porque era preciso defender esse lado belo e intocado. Era mais importante que essa verdade se impusesse aos gestos forjados.

Crédito: Luísa Pinto, da Guerra & Paz

P – A sua escrita é marcada por imagens muito intensas, versos longos, um fluxo por vezes narrativo e uma linguagem que parece querer levar cada frase ao limite. Como se trabalha um poema: escreve por impulso ou há depois um processo rigoroso de corte, depuração e reescrita?

R – Um poema tem essas fases todas. Dá muito, muito trabalho. Creio que esse mito dos impulsos mata à nascença muitos aspirantes a poetas, porque já vão com a ideia de que esse primeiro momento de fluidez é o princípio e o fim de tudo. As imagens vêm-me com maior naturalidade comparadas com o resto, mas esse impulso, se quiser, é apenas o pincel a dizer que quer ir mais para aqui ou mais para ali. Depois, é preciso dar-lhe uma forma que lhe faça justiça e isso representa talvez noventa por cento do tempo despendido. Pelo menos, sinto isso quando escrevo. Ou seja, as palavras me levam pela mão e têm apetite por ir mais além. Mas é preciso transpor para a linguagem aquilo que se vê sem lhe travar a vivacidade. Não há uma resposta fácil para essa pergunta.

Para mim, seria uma tragédia ter nascido noutro sítio. Este mar, estas cores, estas falésias, estas serras são o centro do mundo

P – Depois da apresentação de A Música do Amolador na Feira do Livro de Lisboa, e tendo em conta a sua forte ligação ao Algarve, que balanço faz da receção ao livro e o que gostaria que os leitores algarvios nele encontrassem: uma voz da região, uma voz contra a ideia de periferia, ou simplesmente poesia capaz de falar para lá de qualquer geografia?

R – Gosto que saibam que sou do Algarve e que sou de Loulé. Para mim, seria uma tragédia ter nascido noutro sítio. Este mar, estas cores, estas falésias, estas serras são o centro do mundo. A meu ver, quem não é daqui é que é periférico. Por isso, pode dizer-se que a minha poesia é iluminada em vários momentos por essa luz do Sul, mas a verdade é que vai beber a elementos que, ao fim e ao cabo, são comuns a toda a gente e, portanto, transcendem esse lugar geográfico.

De resto, ainda é muito cedo para ter uma imagem clara do percurso que o livro vai fazer. Saiu apenas no mês passado. Estou satisfeito por ter concluído esta etapa e grato a quem confiou no meu trabalho. É esse o meu balanço para já.

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Foca-comum avistada na Ria Formosa, no Algarve – SIC

Apesar de ser um animal dos mares do norte, uma foca ferida tem sido avistada nos últimos dias na Ria Formosa, no Algarve, onde as autoridades estão a acompanhar a situação e não está excluída a necessidade de resgate, como referido à reportagem da SIC.

Os encontros com a nova estrela da Ria Formosa têm-se repetido nos últimos dias. Vários têm-se encontrado com esta foca, que parece descansar a cada mudança de maré.

A foca-comum, própria dos mares do norte, é presença rara em águas tão quentes. O Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) tem vindo a acompanhar-lhe o percurso.

Sem sinais de infeção, o resgate é visto, para já, como desnecessário. A foca deverá nadar pela ria enquanto quiser.

Imagem extraída da reportagem da SIC

O apelo é pelo bem do mamífero marinho, que até nem parece, afinal, ser tão raro assim por aqui. Em abril, o mesmo casal, deu de caras com uma foca-cinzenta.

Em todos os casos, o ICNF repete as recomendações: ver a foca à distância e não interagir é a melhor forma de ajudar o visitante.

Vai ser possível fazer obras durante o Verão nas zonas turísticas do Município de Loulé

A afirmação é da Câmara Municipal de Loulé, que em nota distribuída à imprensa diz que vai abrir exceções e permitir a realização de obras de edificação e demolição nas zonas urbano-turísticas, no período de 1 de julho e 31 de agosto, desde que devidamente fundamentadas.

A autarquia louletana, considera que “não obstante a suspensão dos trabalhos neste período,” autorizará que, quem apresentar a devida fundamentação, possa continuar com as empreitadas. Deste modo, “os promotores que pretendam prosseguir com as obras durante o verão deverão solicitar formalmente a sua continuidade.”

Esclarece ainda a Câmara de Loulé, que “as fundamentações deverão ser apresentadas até ao próximo dia 15 de junho“, nos serviços do Departamento de Urbanismo e Administração do Território, acompanhadas de elementos que permitam identificar qual o grau e natureza dos trabalhos que se pretende executar durante o período em questão.

Contudo, a edilidade sublinha que “quaisquer trabalhos que impliquem a diminuição da qualidade de vida dos cidadãos, incómodo, congestão de tráfego, ou mesmo violação do direito ao repouso e ao descanso, não poderão ter a virtualidade de ser autorizados”.

Salienta entidade que com esta iniciativa, a Câmara Municipal de Loulé “quer, por um lado, apoiar os promotores, minimizando os prejuízos que possam vir a ter com a suspensão imposta pela Lei, garantindo, no entanto, o direito ao descanso de residentes e turistas.”

Mais, para que a avaliação seja efetuada, “os pedidos de continuidade devem incluir o levantamento fotográfico atualizado do estado da obra, o plano detalhado dos trabalhos previstos, horários estipulados para a laboração e medidas concretas para reduzir o impacte ambiental e sonoro.”

Quarteira: Reposição de areia garante segurança nas praias mas efeitos são provisórios

By: Lusa
13 June 2026 at 14:12

A reposição de areia entre Quarteira e Garrão devolveu segurança balnear ao litoral de Loulé, mas os especialistas alertam que a solução é temporária. A reposição de areia entre Quarteira e Garrão garantiu a segurança balnear a tempo do verão numa das zonas mais procuradas da costa algarvia, embora os efeitos alcançados para travar a […]

O conteúdo Quarteira: Reposição de areia garante segurança nas praias mas efeitos são provisórios aparece primeiro em Barlavento.

“Acessibilidades 2.0” chega a Faro e Loulé

13 June 2026 at 13:25

O projeto “Acessibilidades 2.0”, promovido pela Associação Salvador, vai começar a ser implementado em Faro e Loulé, através de um conjunto de eventos gratuitos que reforçam o compromisso com uma sociedade mais inclusiva e acessível.

Depois do lançamento em Portimão e Lagoa, a Associação Salvador dá início à sua implementação em Faro e Loulé, onde o programa pretende «aproximar a inovação tecnológica das comunidades, promovendo uma participação mais ativa das pessoas com deficiência na vida cívica e social».

As iniciativas, abertas à população, reúnem cidadãos, técnicos, entidades locais e pessoas com deficiência em torno de soluções práticas para melhorar a acessibilidade e a inclusão no território.

Através da combinação de tecnologia, capacitação e envolvimento comunitário, o projeto procura «facilitar o acesso à informação, reforçar a autonomia e incentivar a identificação e resolução de barreiras no espaço público».

A Associação refere ainda que, no centro do programa, estão dois momentos inéditos na região do Algarve: o lançamento de um assistente virtual e a apresentação do programa de embaixadores de self-advocacy.

A primeira é «uma ferramenta inovadora que simplifica o acesso à informação sobre direitos das pessoas com deficiência, tornando-a mais acessível, clara e imediata para qualquer cidadão» e a segunda trata-se de uma iniciativa «que forma e capacita pessoas com e sem deficiência para atuarem como agentes de mudança nas suas comunidades, com impacto direto na vida local».

As atividades são gratuitas e a inscrição prévia é obrigatória.

Em Faro, o evento está marcado para o dia 23 de Junho, às 9h30, na Biblioteca Municipal. No concelho de Loulé, é às 14h30, no Pavilhão Multiusos 25 de Abril (Almancil).

O projeto “Acessibilidades 2.0” é desenvolvido pela Associação Salvador e tem como missão «fortalecer a participação ativa das pessoas com deficiência na vida social e cívica, promover o conhecimento sobre direitos fundamentais e criar redes colaborativas com impacto real nos territórios onde atua», lê-se na nota.

A operação «Acessibilidades 2.0» é apoiada pelo Algarve2030, Portugal 2030 e pela União Europeia – Os Fundos Europeus Mais Próximos de Si.

O conteúdo “Acessibilidades 2.0” chega a Faro e Loulé aparece primeiro em Sul Informação.

Portugal tem este sábado cerca de 140 concelhos em perigo máximo de incêndio

Todo o país está este sábado sob Aviso Amarelo, exceto o Algarve onde há sete concelhos em perigo máximo de incêndio

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) colocou para este sábado, 13 de junho, cerca de 140 concelhos de doze distritos de Portugal continental em perigo máximo de incêndio rural, sendo os concelhos que estão em perigo máximo nos distritos de Vila Real, Bragança, Castelo Branco, Coimbra, Leiria, Santarém, Lisboa, Portalegre, Setúbal, Évora, Beja e Faro.

No Algarve o IPMA colocou em perigo máximo os concelhos de Aljezur, Monchique, Portimão, Silves, Loulé, São BRás de Alportel e Tavira, tendo também colocado este sábado vários concelhos dos distritos de Viana do Castelo, Braga, Bragança, Vila Real, Aveiro, Guarda, Viseu, Coimbra, Leiria, Castelo Branco, Santarém, Setúbal, Lisboa, Beja e Faro em perigo muito elevado e elevado de incêndio.

O instituto refere que o perigo de incêndio rural vai manter-se máximo e muito elevado pelo menos até domingo devido ao tempo quente, sendo que este perigo, determinado pelo IPMA, tem cinco níveis, que vão de reduzido a máximo, sendo os cálculos obtidos a partir da temperatura do ar, humidade relativa, velocidade do vento e quantidade de precipitação nas 24 horas anteriores.

Proteção Civil recomenda medidas preventivas à população

Devido ao tempo quente, a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) alertou para o perigo de incêndio rural “muito elevado a máximo” na generalidade do território nos próximos dias, recomendando à população medidas preventivas.

Em comunicado, a ANEPC refere que o agravamento das condições meteorológicas tem como efeitos expectáveis o agravamento do perigo de incêndio, com condições favoráveis à eventual ocorrência e propagação de incêndios rurais, bem como o aumento da dificuldade das ações de supressão, em especial nas regiões do interior Norte, Centro e Algarve.

Como medidas preventivas, recorda que é proibido fazer queimada extensiva, queima de amontoados, usar fogo para cozinhar alimentos em espaço rural, exceto se for fora das zonas críticas e em locais autorizados, usar motorroçadoras, corta-matos e destroçadores, e evitar o uso de grades de discos.

Para proteger a ameaça do calor, a ANEPC recomenda especial atenção com doentes crónicos, crianças e idosos e reforça a importância de beber mais água, pelo menos oito copos por dia (1,5 litros), aplicar a cada duas horas protetor solar com fator superior a 30, usar chapéu e roupas claras, largas e frescas, e optar por refeições leves.

Portugal continental regista temperaturas elevadas com valores da temperatura máxima a variar entre os 23 graus Celsius em Sagres e os 37 graus em Évora.

O IPMA prevê para este sábado céu pouco nublado, com aumento de nebulosidade no interior Norte e Centro durante a tarde, com condições favoráveis à ocorrência de aguaceiros e trovoada.

AMN retoma buscas por jovem desaparecido na praia do Peneco em Albufeira 

As buscas pelo jovem, de 23 anos e nacionalidade britânica, que se encontra desaparecido desde a tarde de quinta-feira, 11 de junho, na praia do Peneco, concelho de Albufeira, foram retomadas nesta manhã de sábado, informa em comunicado a Autoridade Marítima Nacional (AMN).

Nas operações de busca, coordenadas pelo Capitão do Porto e Comandante Local da Polícia Marítima de Portimão, estão empenhados junto à costa, elementos do Comando Local da Polícia Marítima de Portimão, do Projeto “SeaWatch”, do dispositivo de assistência a banhistas da praia e da Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Portimão, apoiados por drones.  

A Embaixada Britânica em Portugal, através do Consulado em Portimão, foi ativada.  

A AMN adianta no seu comunicado que segundo o que foi possível apurar, a vítima estaria acompanhada por outro jovem, de 19 anos e nacionalidade britânica, que terá saído da água pelos próprios meios para pedir socorro, tendo acabado por desaparecer.

Marmelete acolhe lançamento de nova edição da Fábrica de Memórias

A aldeia de Marmelete acolhe no próximo dia 21 de junho, pelas 16:00 horas, o lançamento da 2.ª edição da revista Fábrica de Memórias.

O lançamento, segundo nos informa a Associação Vicentina, acontece no dia que assinala o solstício de verão, dando continuidade ao ciclo iniciado com a primeira edição no solstício de inverno.

Nesta segunda edição, reúnem-se novamente conteúdos que valorizam o património material e imaterial do concelho, abordando temas como as práticas agrícolas, a arquitetura, as festividades e os modos de vida locais. Ao longo desta edição, destaca-se a água enquanto elemento estruturante do território e recurso distintivo de Monchique no contexto regional. O património cultural imaterial assume também particular valor, através de um conjunto de oralidades recolhidas e registadas em Alferce e Marmelete, dando relevância à riqueza da tradição oral do concelho.

A sessão terá lugar às 16:00 horas, no Largo da Igreja de Marmelete, reunindo comunidade local, participantes e colaboradores do projeto para dar a conhecer os conteúdos desta nova edição. Após a apresentação da publicação, pelas 16h30, terá início o percurso cultural e “O Caminho das Fontes”, uma iniciativa concebida para assinalar o lançamento da revista e promover a ligação das diferentes gerações ao património cultural local.

Com partida no Largo da Igreja, o percurso conduzirá o público por algumas das fontes da aldeia, palco de momentos dedicados à partilha de cantigas, tradições orais, histórias e crenças associadas às festividades de verão. A entrada é livre.

A revista Fábrica de Memórias é uma das ações do projeto Cluster Criativo – Monchique Fábrica de Memórias, um projeto que resulta da parceria entre a Associação Vicentina e o Município de Monchique, financiado pelo Programa Regional Algarve 2030 através da operação Inclusão pela Cultura. Com duas edições anuais, publicadas em junho e dezembro, a publicação assume-se como um instrumento de valorização do património cultural material e imaterial e de promoção do envolvimento da comunidade em ações de valorização e preservação do mesmo.

O projeto pode ser acompanhado através das redes sociais em:
https://www.facebook.com/profile.php?id=61585575959183&locale=pt_PT

Biblioteca Municipal de Faro promove leitura, criatividade e participação cultural

Durante o mês de junho, a Biblioteca Municipal de Faro reforça a sua programação dedicada à promoção
da leitura, da escrita e da expressão criativa, através de um conjunto de iniciativas dirigidas a jovens e
adultos.
Refere a Divisão de Comunicação da autarquia farense em nota distribuída à imprensa que entre clubes de leitura, oficinas de escrita criativa e encontros dedicados à edição independente, o programa pretende criar oportunidades de participação cultural, aprendizagem e partilha entre diferentes públicos.

Assim, nos dias 17 e 24 de junho, entre as 17:00 e as 19:00 horas, realiza-se mais uma edição do Zine Club – Clube de Fanzines do Algarve, desenvolvido em parceria com o Núcleo de Banda Desenhada e Animação do Algarve Drmakete Lab F/ Terminal Studios. A iniciativa convida os participantes a explorar o universo das edições de autor, promovendo a experimentação artística e o desenvolvimento de projetos criativos em áreas como a escrita, o desenho, os formatos editoriais alternativos e a engenharia do papel.

Este clube, orientado por Fernando Madeira, destina-se a participantes com idade igual ou superior a 16 anos e decorre na Sala de Audiovisuais da Biblioteca Municipal de Faro. Os participantes deverão fazer-se acompanhar dos seus próprios materiais de trabalho, de acordo com os projetos que pretendam desenvolver, nomeadamente materiais de escrita e desenho, ferramentas para cortar e colar, materiais de costura, papel e outros recursos criativos que considerem necessários.

No dia 25 de junho, pelas 17:30 horas, terá lugar mais uma sessão do Clube de Leitura, desta vez dedicada à
discussão da obra “A História de Roma”, de Joana Bértholo. Aberta ao público em geral, a atividade proporciona um espaço de encontro para leitores que desejem partilhar impressões, debater interpretações e trocar experiências em torno da leitura da obra selecionada. O objetivo da iniciativa é fomentar o gosto pela leitura e estimular o diálogo através da literatura.

Com uma nova sessão do Clube de Escrita Criativa, que reúne pessoas interessadas em explorar ideias, palavras e narrativas num ambiente colaborativo e inspirador, a programação encerra no dia 30 de junho, entre as 16:30 e as 18:00 horas.

Refira-se que o clube constitui um espaço de experimentação literária, onde os participantes podem desenvolver competências de escrita, partilhar textos e descobrir novas abordagens criativas em boa companhia.

Importa também salientar que todas as atividades decorrem na Biblioteca Municipal de Faro. A participação é gratuita, mas carece de inscrição prévia, constituindo uma oportunidade para integrar uma comunidade de leitores, escritores e criadores que encontra na biblioteca um espaço privilegiado de encontro, aprendizagem e expressão cultural.
Informações e inscrições: biblioteca.arquivo@cm-faro.pt

Zoomarine Algarve devolve seis tartarugas juvenis ao oceano com apoio da Marinha Portuguesa

13 June 2026 at 10:05

O Porto d’Abrigo do Zoomarine Algarve devolveu ao oceano, esta quinta-feira, 11 de junho, seis tartarugas-marinhas juvenis da espécie Caretta

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