Normal view

Macau financia estágios para jovens em empresas chinesas com negócios lusófonos

11 June 2026 at 12:45

O Governo de Macau anunciou hoje que vai oferecer cinco mil patacas (536 euros) por mês a residentes que realizem estágios em empresas da China continental com negócios nos países de língua portuguesa e espanhola.

De acordo com a Direção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), o programa terá a duração de 12 semanas e disponibiliza 15 vagas, em áreas como operações comerciais, recursos humanos, administração, finanças e assuntos jurídicos.

Os estágios vão decorrer na vizinha zona económica especial de Hengqin (ilha da Montanha), que está sob a tutela do município de Zhuhai, em empresas de “alta qualidade” com presença nos mercados lusófonos e hispânicos, para “reforçar as competências linguísticas e profissionais dos jovens de Macau”.

Podem candidatar-se residentes de Macau com menos de 35 anos, licenciados ou recém-graduados em 2026, desde que possuam as competências exigidas para os postos de estágio e um salvo-conduto para deslocação ao interior da China.

Os portugueses com estatuto de residentes em Macau ficam assim excluídos dos estágios, uma vez que este salvo-conduto é apenas atribuído a pessoas que detém a nacionalidade chinesa.

A DSAL atribuirá a cada estagiário um subsídio mensal de subsistência de cinco mil patacas (536 euros), além de um subsídio único de 500 patacas (36 euros) para transporte de ida e volta e seguro de viagem.

Os participantes terão ainda direito a alojamento e subsídio de almoço durante o período de estágio, ficando as restantes despesas pessoais a seu cargo.

As candidaturas ao programa abrem a 15 de junho, numa iniciativa coorganizada pela DSAL e pela Direção dos Serviços de Assuntos de Subsistência da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin, com organização do Centro de Serviços Económicos e Comerciais entre a China e os Países de Língua Portuguesa/Espanhola (CECPS), criado em 2025.

“Com esta medida, o Governo de Macau procura consolidar o papel da região como ponte entre a China e os países de língua portuguesa e espanhola, ao mesmo tempo que investe na formação e empregabilidade dos jovens locais”, indicou a DSAL.

A China definiu em 2003 Macau como uma ponte entre o país e os países de língua portuguesa, papel que foi expandido pelo novo líder do governo, Sam Hou Fai, para englobar também os 21 países de língua oficial espanhola.

Em abril, durante a primeira visita ao estrangeiro desde que tomou posse, Sam Hou Fai passou por Lisboa e por Madrid, cidade onde assinou 43 acordos de cooperação em áreas como a tecnologia e desporto.

O chefe do Executivo fez ainda questão de realçar que Macau quer aproveitar a plataforma sino-lusófona para se expandir também a Espanha e aos mercados de língua espanhola.

Os planos de integração e cooperação existentes de Macau com a província de Guangdong e a zona económica especial de Hengqin, estabelecida para ajudar a diversificação económica da cidade, oferecem também uma via para a entrada das empresas dos países de língua espanhola na China.

Portugal apoia com 17 milhões micro, pequenas e médias empresas moçambicanas

O Governo de Portugal vai apoiar as micro, pequenas e médias empresas (MPME) de Moçambique com 17 milhões de euros através do Fundo Empresarial de Cooperação Portuguesa (FECOP), cuja assinatura ocorreu em dezembro, foi anunciado esta quarta-feira.

“O FECOP é um instrumento de cooperação financeira, neste momento tem um orçamento de cerca de 17 milhões de euros. É um fundo exclusivamente direcionado para o setor privado moçambicano, especificamente para Micro, Pequenas e Médias Empresas, também para associações de produtores e cooperativas”, disse a chefe de Cooperação na embaixada de Portugal, Helena Guerreiro, durante o segundo Fórum de Negócios Moçambique – União Europeia (Global Gateway), que termina hoje em Maputo.

Segundo a responsável, o fundo – criado em 2014 – constitui um instrumento importante da cooperação entre Portugal e Moçambique, orientado para mitigar alguns dos principais desafios enfrentados pelo país, passando agora a contar com novas facilidades para o seu desembolso.

“Fizemos uma avaliação no ano passado e identificámos alguns constrangimentos à utilização do FECOP, pelo menos da forma que nós gostaríamos”, reconheceu.

Helena Guerreiro indicou que o instrumento, agora melhorado, está organizado em diferentes linhas de apoio.

A primeira é destinada a empresas, associações e cooperativas, financia projetos de investimento e pode garantir até 90% do crédito, com um limite máximo de cerca de 25,5 milhões de meticais (345,4 mil euros), exigindo um nível mínimo de capitais próprios de 20%.

A segunda abrange empresas localizadas em zonas afetadas por calamidades, permitindo financiar tanto investimento como tesouraria, com garantias até 85% e um teto de cerca de 6,5 milhões de meticais (88 mil euros).

A terceira destina-se às instituições de microfinanças, para reforçar as suas carteiras de crédito, podendo beneficiar de garantias até 90% e um limite de financiamento aproximado de cinco milhões de meticais (67,7 mil euros), numa abordagem que permite que o financiamento chegue de forma indireta a mais empresas, através destas entidades intermediárias.

Além disso, o fundo inclui uma linha de subvenções destinada a micro e pequenas empresas, particularmente ligadas a jovens e iniciativas prioritárias, que oferece apoios diretos até cerca de 450 mil meticais (60,9 mil euros) para promoção da competitividade e desenvolvimento empresarial.

“Nas subvenções, as candidaturas são muito simplificadas para tentarmos, de facto, que a adesão seja aquela que nós esperemos”, assinalou Helena Guerreiro.

No geral, os instrumentos preveem taxas de juro bonificadas, baseadas na “prime rate” com reduções significativas, tornando o crédito mais acessível às empresas moçambicanas.

Em dezembro, Portugal e Moçambique assinaram, no Porto, 22 instrumentos jurídicos de cooperação durante a sexta cimeira bilateral, incluindo uma adenda ao Programa Estratégico de Cooperação 2022-2026 entre ambos os governos.

Na altura, o Governo português assinou com a Associação Moçambicana de Bancos um acordo para a operacionalização do protocolo de apoio financeiro do FECOP, lançado em 2014, em Maputo, na altura com uma dotação de 13 milhões de dólares (11,1 milhões de euros), para apoio ao desenvolvimento empresarial.

❌